terça-feira, 12 de junho de 2018

Os 8 Pontos de Paulo Guedes: A Linha Mestra do Programa Econômico de Bolsonaro

O site BR18 deu com exclusividade os 8 pontos escolhidos por Paulo Guedes para serem a linha mestra do programa econômico de Bolsonaro. Reproduzo abaixo os 8 pontos:

1) Recuperação do Equilíbrio Fiscal
2) Aceleração do Crescimento e Geração de Empregos
3) Novo pacto federativo, com descentralização de recursos para estados e municípios
4) Redução da Dívida pública, com privatizações, concessões e desimobilizações, para viabilizar o corte de juros e de gastos com a rolagem da dívida, e promoção do investimento privado em infraestrutura
5) Redução e simplificação de impostos
6) Adoção de Regime de capitalização na Previdência
7) Desregulamentação da economia
8) Abertura da economia

O BR18 também antecipou alguns dos nomes que compõe a equipe de Paulo Guedes. Reproduzo os nomes abaixo:

a) Marcos Cintra
b) Roberto Castelo Branco
c) Rubem Novaes
d) Carlos Costa
e) Abraham Weintraub
f) Arthur Weintraub
g) Adolfo Sachsida
h) Paulo Coutinho
i) Luciano Irineu
j) Carlos von Doellinger

As informações acima são claras, tem-se um programa econômico liberal e uma equipe técnica a altura do desafio. Se não acredita em mim, então pesquise sobre os nomes, veja onde estudaram, onde trabalharam, o que produziram na academia e no mercado, e você verá que essa equipe é sem sombra de dúvidas de altíssimo nível, e alinhada a uma agenda econômica liberal.

sábado, 9 de junho de 2018

Seu mérito é mais seu do que os outros pensam. A lição de Forrest Gump

Meus amigos do "Por Quê? Economês em bom português" escreveram um belo artigo: "Seu mérito é menos seu do que você pensa". Concordo com os pontos levantados por eles, e creio que eles também concordam com o texto abaixo. O objetivo desse post é apenas deixar mais claro que mérito individual é importante (e o texto de meus amigos diz isso, mas achei importante reforçar o ponto).

Sim, é verdade que nascemos com uma série de características e em ambientes que podem impactar positivamente nossa vida. Uma pessoa que nasce nos Estados Unidos tem mais chances de ter um padrão de vida elevado do que uma que nasce em Serra Leoa. Da mesma forma, um brasileiro que nasce numa família rica tem muito mais chances de sucesso do que outro que nasce pobre. De maneira similar, uma pessoa que nasce extremamente inteligente tem maiores chances de sucesso do que alguém limitado intelectualmente. Tudo isso ajuda no sucesso da pessoa sem ter relação direta com o esforço individual. Esse é o ponto corretamente levantado por meu amigo do Por Quê?

Por mais que características de nascimento importem devemos lembrar que para estabelecermos a importância de determinada variável sobre o sucesso devemos comparar grupos similares com e sem a característica que pretendemos avaliar. Em outras palavras, vamos aplicar aqui uma ideia similar a de avaliação de políticas públicas.

Para verificar a importância do esforço individual (mérito) no sucesso devemos separar as populações da forma mais homogênea possível. Dentro da população pobre, quem tem maior probabilidade de sucesso? Quem se esforça mais ou quem se esforça menos? Dentro da população rica quem se esforça mais terá mais chance de sucesso? Entre os intelectualmente privilegiados o sucesso virá com maior probabilidade para quem se esforça mais ou menos? É com esse procedimento (e não comparando populações com características extremamente distintas) que se verifica a importância do mérito individual na probabilidade de sucesso de alguém.

Claro que o ambiente e as características iniciais importam, mas isso por si só não pode ser utilizado para diminuir a importância do mérito individual na trajetória de um indivíduo. O que é incorreto é dizer que alguém de sucesso obteve o sucesso exclusivamente por ter se esforçado mais do que alguém que fracassou. Essa afirmação está incorreta, pois não é possível fazer tal comparação para indivíduos vindos de distribuição inicial de características muito distintas. Tal afirmação só faz algum sentido quando comparamos pessoas com características similares. Uma criança rica provavelmente terá notas mais altas no ENEM do que crianças que vivem na miséria, essa diferença não pode ser atribuída a esforço.

Em outras palavras, na vida existem uma série de características que não estão em nosso controle (tais como nosso local de nascimento, nossas habilidades inatas, etc.), mas o grau de esforço individual é sim uma variável que está sob nosso controle. Dadas nossas características iniciais, me parece correto afirmar que se esforçar, trabalhar duro, estudar duro, sempre acreditar em você mesmo, parece ser uma estratégia de sucesso superior a de escolher não se esforçar.

Resumindo, dadas suas características iniciais, o esforço individual importa muito. Essa é a grande lição de Deus: onde se fecha uma porta, abre-se uma janela. Lição brilhantemente explorada no filme Forrest Gump. Forrest nasce pobre, feio, intelectualmente limitado, fisicamente debilitado, e mesmo assim acaba o filme rico e casando-se com o amor de sua vida. Tudo graças a seu esforço individual*.

Se você é um ateu, e não acredita na infinita sabedoria e bondade Divina, então use a boa teoria econômica: as pessoas sempre querem mais, nunca estão saciadas (localmente). Isto é, ninguém está satisfeito com sua dotação inicial, sempre quer mais. Nessa busca por mais, é razoável assumir que seu esforço individual importa para seu sucesso. Ou em outras palavras: se existisse um universo paralelo onde você não se esforçasse, a probabilidade sua de sucesso naquele universo seria menor do que no universo onde você trabalha duro e se esforça.

Da mesma maneira que meus amigos do "Por quê" terminam o texto sugerindo corretamente que transferências de renda (tal como o programa Bolsa Família) fazem sentido, termino também com uma sugestão: seu mérito é mais seu do que os outros pensam. Ninguém sabe pelo que você passou para chegar até aqui. Espero que isso convença muitos de nós a abandonar a ideia de taxar mais o sucesso dos indivíduos. Por que alguém que batalhou duro deve pagar proporcionalmente mais impostos do que sua contraparte que ficou em casa tomando cerveja? Por que uma pessoa que nasceu pobre, batalhou e ficou rica deve pagar impostos desproporcionalmente mais altos sobre sua herança?

Será mesmo que devemos taxar pesadamente pessoas simplesmente por elas terem tido sucesso na vida? Isso não geraria um desestímulo ao esforço no longo prazo? Claro que existem situações e situações, claro que essa minha pergunta é retórica. Na prática não é possível tal distinção. Minha pergunta foi apenas para que você reflita um pouco: nem todos os ricos nasceram ricos, muitos tiveram que batalhar muito. Será mesmo correto cobrar impostos proporcionalmente mais altos dessas pessoas?

* OBS: Aqui tem certa esperteza de minha parte. Um observador atento poderia contra argumentar que o sucesso de Forrest Gump deve-se a sua mãe (que com amor, carinho e muita paciência o preparou corretamente para a vida), e não ao seu mérito individual. Você poderia ir além e citar Jane (menina linda e inteligente) para ressaltar a importância de pais amorosos no sucesso de seus filhos. Fica o registro. Pessoalmente prefiro acreditar na minha justificativa :)


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Ausência de reformas traz volatilidade ao mercado. Reformar para crescer!

Os mercados estão com grande volatilidade: bolsa de valores, câmbio, juros futuros. Muita gente tem colocado isso na conta do processo eleitoral. Talvez estejam certos, de minha parte tenho outra explicação: a situação fiscal brasileira é péssima e a taxa de juros nos Estados Unidos irá subir. Essa é a origem real de nosso problema: a falta das reformas econômicas nos colocaram numa situação péssima.

O governo atual prevê uma sequência longa de déficits primários nos próximos anos, a reforma da previdência foi abandonada, as contas públicas de estados e municípios estão em situação igualmente complicada. Em resumo, nossa situação fiscal é péssima. Para complicar as coisas existem indícios de aumento nas taxas de juros americanas, o que poria pressão para aumento nas taxas de juros nacionais.

Boa parte da instabilidade atual  dos mercados reflete nossa grave situação econômica. Claro que o processo político no Brasil sempre traz algum grau de instabilidade. Mas, em minha opinião, a origem da instabilidade atual é muito mais econômica do que política.

O Brasil precisa urgentemente aprovar um amplo conjunto de reformas: reforma tributária, ajuste fiscal, reforma da previdência, modernização da legislação trabalhista, desburocratização, privatização de empresas, abertura comercial, mudanças na legislação em prol de aumento da competição entre empresas, aprovar a agenda microeconômica, tudo isso aliado a um claro programa  de combate a inflação (a inflação é um dos maiores inimigos da população, em especial dos mais pobres). Também precisamos de uma revolução no nosso sistema educacional. Hoje grande parte dos alunos brasileiros tem dificuldades em ler, escrever e fazer contas simples. Precisamos urgentemente aumentar a produtividade no Brasil.

Para finalizar, os problemas brasileiros atuais se devem em grande parte a nossa frágil situação econômica. Sim, o processo político gera instabilidade. Mas não nos enganemos aqui: para voltar a crescer de maneira sustentada no longo prazo o Brasil precisa retomar sua agenda de reformas macro e microeconômicas.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Quatro motivos que demonstram que congelamento e tabelamento de preços não funcionam. Peço ao governo para repensar a estratégia de tabelar diesel e fretes

O governo quer fixar o preço do diesel nas bombas de combustível, e quer também tabelar o frete dos caminhoneiros. Existem vários motivos que demonstram que tal estratégia está errada. Vamos citar quatro delas:

1) Falta de sincronismo: quando o governo decide congelar preços ele o faz em determinado momento do tempo. Contudo, em qualquer momento do tempo temos os fornecedores que reajustaram para cima ou para baixo determinado preço. Quando o governo exige a manutenção do preço em determinada data várias das empresas estavam com preços defasados naquela data (seja porque iriam reajustar o preço no dia seguinte, seja porque estavam interessadas em ganhar mercado, etc.). Tais empresas não são capazes de manter o preço baixo por muito tempo, e acabam sendo obrigadas a reajustar seus preços ou ir a falência.

2) Preço como sinal de mercado: o preço reflete a escassez relativa de uma mercadoria, ao congelar o preço tal informação se perde. Em outras palavras, passa a ser impossível a realização do cálculo econômico de viabilidade de determinado negócio. Sem informações de preço o empresário não sabe se deve aumentar ou diminuir a produção, e não tem como inferir onde deve investir.

3) Ao se fixar o preço de um produto é necessário fixar também o preço de quase todos os outros: quando o governo decide fixar o preço do frete ele precisa também compensar as pessoas que irão ter que pagar por um frete mais caro que demandarão maior preço a seus produtos, esse mecanismo se repete ao longo de toda cadeia produtiva. Em resumo, para se tabelar um preço é necessário o tabelamento de vários outros ao mesmo tempo.

4) A realidade: esse é o mais poderoso dos argumentos. O plano Cruzado, o Plano Bresser, a década de 1980.... não faltam exemplos de que toda vez que o governo congelou ou tabelou preços a estratégia deu errado.

O que estou dizendo não é nenhuma novidade. Mises já escreveu isso em 1920, e Hayek deixou isso mais claro a partir da década de 1940. A ideia de se congelar/tabelar preços já está demonstrada errada há 100 anos....

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Lançamento do livro "Economês em Bom Português" de autoria de meus amigos do blog do Por quê?

Meus amigos do blog do "Por quê?" lançaram o livro "Economês em Bom Português". A proposta deles é tornar a teoria econômica chegar mais perto do público geral, com pouco jargão e muita intuição.

"Nós do PQ? nos impusemos a seguinte tarefa: tentar ensinar sem enviesar. Com base em que? No que se discute no mundo acadêmico, nos artigos científicos, nas teorias bem testadas, etc. Sem ideologias, e com pragmatismo". Excelente!!!! Segue o link para o livro.


sábado, 2 de junho de 2018

O Baixo Crescimento Econômico, a greve dos caminhoneiros e uma triste lembrança de 1989...

O IBGE anunciou o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2018: 0,4% (e 1,2% no acumulado de 12 meses). Esse baixo crescimento reforça as suspeitas levantadas aqui de que a recuperação da economia brasileira está muito mais lenta do que seria de se esperar.

A recente greve dos caminhoneiros deve ter gerado prejuízos na casa dos R$ 15 bilhões, valor expressivo mas longe de ser o responsável por nossa lenta recuperação. Contudo, se tal valor estiver correto isso implica numa queda de arrecadação ao redor de R$ 5 bilhões (o que piora ainda mais nossa situação fiscal). Do lado econômico, o que mais me preocupa na greve foi a solução do governo: um rombo de R$ 13,5 bilhões nas contas públicas e uma absurda decisão de controlar preços do diesel e tabelar o frete. Do lado político, a greve mostrou que o governo não tem mais controle algum sobre amplos setores de sua base política.

Economia fraca, governo fraco, insatisfação popular generalizada, eleições em outubro, esse quadro é quase que uma réplica do ano de 1989. A única coisa que nos separa daquele fatídico ano é nossa atualmente controlada taxa de inflação. Esse é o objetivo desse post: enfatizar que nossa última salvaguarda contra o caos é manter a inflação sob controle, e o Banco Central tem feito um excelente trabalho.

Manter a inflação sob controle deve ser a prioridade número um, pois infelizmente não há nada mais que possa ser feito pelo governo atual. As reformas (previdência, tributária, administrativa, abertura econômica, privatizações, desburocratização, ajuste fiscal, etc.) são urgentes e sem elas não haverá crescimento econômico sustentável. Mas atualmente tais reformas me parecem politicamente impossíveis.

Para o governo atual deixo uma sugestão: se conseguir entregar a presidência da república, em janeiro de 2019, com uma inflação baixa e controlada terá sido uma vitória e tanto. Sim, eu sei que existe uma ampla agenda microeconômica que a equipe atual tenta emplacar. Eu apoio essa agenda, mas apoio também as reformas econômicas. Entenderam meu ponto? Pouco importa aqui meu apoio, o fato é que o ambiente político já pensa em eleições (e não em reformas).

Prudência, prudência e mais prudência. Essa é a sugestão ao governo atual. Estamos a um passo de um desastre fiscal, estamos perigosamente próximos de uma ruptura política mais séria. Estamos atolados numa crise econômica que mantém 13 milhões de brasileiros desempregados, sem meios para sustentar suas famílias. No lado internacional as taxas de juros americanas começaram a subir, o que torna nossa situação ainda mais complicada.

Dizem que 1968 foi o ano que não acabou... no Brasil parece que 1989 insiste em tentar retornar.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Para registro: controles de preço dos combustíveis não irá funcionar

Eu fui um dos primeiros, talvez o primeiro, a alertar que as políticas de Dilma nos jogariam de volta aos anos 1980. Mas nem eu imaginava que até o controle de preços iria voltar. Decisão do governo Temer é tecnicamente errada.

O governo se desdobrou mas conseguiu reduzir o preço do óleo diesel em 46 centavos por litro. Infelizmente para o governo isso não implica que o preço do diesel será reduzido em 46 centavos na bomba de combustível. Alunos do primeiro ano de economia aprendem que tais reduções dependem das elasticidades das curvas de oferta e demanda. Se você viveu nos anos 1980 basta lembrar do Plano Cruzado ou do Plano Bresser, ambos tentaram mecanismos de controle de preços, ambos foram tremendos fracassos.

O preço dos combustíveis no Brasil é livre, exatamente por isso o preço varia de posto para posto. Mas o governo insiste em dizer que ocorrerá redução de 46 centavos nas bombas, para tanto ameaça com fiscalização e multas. Os técnicos do governo sabem tão bem quanto eu que isso é impossível de ser fiscalizado. Afinal, você teria que saber qual o preço do diesel em cada posto ANTES dessa medida. Em resumo, o governo teria que fiscalizar posto a posto para garantir que o mesmo reduziu em 46 centavos o preço na bomba. Em outras palavras, o governo quer fixar o preço do diesel em cada posto.

Sejamos francos: nem o mais pessimista entre nós poderia imaginar que o governo Temer ressuscitaria os fiscais do Sarney. O melhor mesmo é o governo fingir que nunca disse isso e deixar o preço do diesel flutuar normalmente nos postos.

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