sábado, 25 de março de 2017

Hayek, o maior economista do século XX

Em minha modesta opinião Friedrich August Hayek foi o maior economista do século XX. Hayek tem no mínimo 3 contribuições gigantescas a teoria econômica, e ao menos mais uma as ciências sociais. Em primeiro lugar, seu artigo "The Use of Knowledge in Society” (American Economic Review, v. 35 (September), pp. 519–530) é considerado até hoje um dos melhores e mais influentes artigos já publicados na área de economia. Em segundo lugar, Hayek também tem contribuições seminais na área de ciclos econômicos. Segundo ele, ciclos econômicos eram gerados por erros de gerenciamento da política monetária. Por exemplo, expansões artificiais de crédito levariam a uma má alocação dos investimentos. Esse efeito se caracterizaria por um crescimento inicial (na fase de expansão do crédito artificial), seguido de uma forte recessão ao final do período. Notem que a explicação de Hayek se adequa muito bem a crise atual da economia brasileira. Por fim, temos a defesa ardorosa de Hayek em favor da moeda privada (um segmento que ganha força a cada dia com diversas moedas eletrônicas). Para Hayek era arriscado demais dar ao governo o monopólio da emissão de moeda. Os surtos inflacionários seriam evitados caso tivéssemos várias moedas privadas competindo no mercado.

Entre suas contribuições as ciências sociais destaca-se o monumental: Law, Legislation and Liberty. Um livro denso que mostra a preocupação de Hayek com as fraquezas do sistema democrático e como o mesmo poderia ser aprimorado para garantir a liberdade individual.

Muitos me pedem para indicar um livro de economia para eles lerem. Nunca tenho dúvidas. Se você irá ler um único livro de economia em sua vida, então leia: O Caminho da Servidão. Obra prima de Hayek que chega ao seu brilhantismo no Capítulo 10: Por que os piores chegam ao poder?. O livro mostra como na ausência de um sistema de liberdade de preços teremos inevitavelmente a coerção física para obrigar as pessoas a fazerem tarefas e trabalhos que de outra maneira não aceitariam fazer. Um livro sensacional, didático (sua leitura é extremamente fácil mesmo para não-economistas), extremamente intuitivo, e certamente uma das obras mais importantes do século XX. O Caminho da Servidão era o livro de cabeceira da primeira ministra inglesa Margareth Thatcher.

Claro que o século XX nos presenteou com outros gigantes da teoria econômica. Se tivesse que ordenar os 5 maiores do século XX: 1) Hayek; 2) Friedman; 3) Lucas; 4) Gary Becker; e 5) Arrow. Mas sejamos francos, temos vários outros craques: Coase, Buchanan, Douglass North, Barro, Mises, Prescott, Hicks, Debreu, Ramsey, entre outros.

Deixei de fora dois outros que são geniais, mas que não sou fã: Samuelson e Keynes (embora sempre se possa dizer que a grande contribuição de Keynes foi fazer Ramsey estudar economia... piada de mau gosto).

E brasileiro, será que temos algum que pode-se sentar a mesa dos gigantes? Na minha opinião dois deles tem chances: Aloisio Araújo e Joao Ricardo Faria.

Para finalizar, vocês sabem qual era uma das mais admiráveis características de Hayek? Era a boa educação no trato com adversários de debate. Temos muito a aprender com Hayek. Hayek foi um gigante, e com toda sua boa educação dedicou sua obra prima (O Caminho da Servidão) a todos os socialistas do mundo. Só um gigante pode se dar a esse luxo.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Decisão de Temer de excluir da Reforma da Previdência funcionários estaduais e municipais é economicamente errada e moralmente perversa


Temer tirou os funcionários públicos estaduais e municipais da reforma da previdência. Existem dois argumentos favoráveis a decisão de Temer, e pelo menos dois contrários.

A favor de Temer pode-se citar a importância do princípio federativo. Ora cabe a estados e municípios legislarem sobre seus próprios funcionários. Dessa maneira Temer estaria fortalecendo o pacto federativo. Também pode-se citar a realidade política. Temer notou que politicamente arriscaria perder o apoio dos deputados federais caso incluísse professores, policiais, e judiciário estadual na reforma da previdência. Assim, Temer sacrificou os anéis para preservar os dedos. Sacrificou-se uma reforma mais ampla da previdência, mas garantiu-se ao menos a aprovação de alguma coisa. Sim, são bons argumentos.

Contra a medida de Temer temos ao menos dois argumentos. Em primeiro lugar essa decisão é economicamente desastrosa. A verdade é que dificilmente algum governador (ou prefeito) irá comprar tal briga para aprovar a reforma estadual (municipal) da previdência. Ainda mais porque os governadores aprenderam uma lição: quanto mais eles deverem, quanto mais endividados estiverem, maior é a probabilidade do governo federal socorrê-los. Foi exatamente isso que já ocorreu em duas ocasiões quando da renegociação da dívida dos estados. Os estados mais endividados foram justamente os mais beneficiados com a renegociação. Já os estados que estão com suas finanças em dia ficam a ver navios. Ora, sabendo disso, qual é o incentivo para o governador fazer a reforma da previdência em seu estado? A verdade aqui é clara: nenhum governador fará a reforma da previdência em seu estado, e essa conta irá explodir no colo do governo federal que será obrigado a arcar com novas renegociações de dívidas estaduais. Isto é, os trabalhadores de todo Brasil serão obrigados a pagarem pelo déficit nas previdências dos estados e municípios. A bondade de Temer será paga pelo contribuinte brasileiro. Em segundo lugar temos o argumento moral. O governo está pedindo sacrifícios pesados aos trabalhadores brasileiros. Qual o argumento moral para tirar da conta funcionários públicos dos estados e municípios? Como dizer a um trabalhador braçal de 47 anos de idade que ele terá que trabalhar muito mais para se aposentar enquanto seu colega que é funcionário público estadual continuará se aposentando pelas regras antigas? Em termos morais todos devem dar sua contribuição a essa reforma, é simplesmente imoral tirar dessa conta um segmento por privilégios puramente políticos.

Resta agora a pergunta: o que vem depois? Qual será o próximo segmento que será tirado da reforma? Em breve correremos o risco de termos uma reforma que incida apenas para os trabalhadores urbanos do setor privado e do setor público civil federal. Tal reforma será ineficiente e imoral. Em resumo, essa conta vai mesmo é cair no colo do próximo presidente da república.

Entendo a decisão do presidente Temer, mas ela é economicamente desastrosa e moralmente equivocada. A reforma da previdência tem que valer para todos: civis e militares, homens e mulheres, trabalhadores urbanos e rurais, do setor público e do setor privado. Não faz sentido pedir sacrifícios a um segmento da população enquanto concede-se benefícios ao outro segmento.

Claro que eu posso estar errado, de repente Temer entendeu que essa é a única reforma possível. De minha parte digo que um governo que mantém uma base parlamentar desse tamanho deveria ser capaz de fazer mais. Aliás, se não for para aprovar reformas impopulares, então pra que manter uma base parlamentar tão grande a um custo político tão elevado? Ora, melhor faria Temer se reduzisse sua base parlamentar, tirando cargos de políticos envolvidos em escândalos e nomeando técnicos em seus lugares. Não teríamos a reforma do mesmo jeito, mas ao menos teríamos um governo mais defensável.

domingo, 19 de março de 2017

sábado, 18 de março de 2017

Operação Carne Fraca: o problema é bem mais sério do que a reação do governo

Vamos deixar uma coisa clara: empresas do setor de carnes com o apoio de funcionários públicos e políticos colocaram em risco a vida de milhões de brasileiros. Isso não é brincadeira. Há pelo menos 7 anos investigações abertas sugerem fraude na certificação da carne. Funcionários e sindicatos denunciaram o esquema, um funcionário que denunciou a fraude foi exonerado. Isso não é brincadeira, é um esquema pesado de corrupção. Você pode ter mais detalhes da operação Carne Fraca aqui.

O Ministro da Justiça aparece em gravações da operação e numa delas tenta interceder em favor daquele que depois seria identificado como o chefe da quadrilha. O ministro argumenta que nem a polícia federal e nem o juiz viram qualquer procedimento ilegal de sua parte. Sejamos claros: isso é pouco. Talvez o comportamento do ministro não tenha sido ilegal, mas ele precisa explicar a sociedade qual a sua relação nessa história. Afinal, em mais de uma ocasião ele conversou com o chefe da quadrilha, numa delas o chama de "grande chefe", em outra tentou reconduzir o chefe da quadrilha ao cargo, e na outra tenta interceder junto ao presidente em favor do chefe de quadrilha. São ligações demais para o ministro da justiça sair pela tangente. O ministro da justiça PRECISA EXPLICAR o porque de suas defesas a uma pessoa que é apontada como o chefe da quadrilha que envenenava o povo brasileiro com carne podre.

O problema é sério, quantos brasileiros morreram ou tiveram sua saúde debilitada em decorrência de se alimentarem de carne podre? Por quanto tempo ingerimos carne podre? Além da carne, quais outros produtos estão sob suspeita? Como anda a fiscalização do leite? Das verduras? Todo o sistema de vigilância sanitária está sob suspeita. O governo tem tratado isso como um caso isolado, mas é evidente que o risco ao qual a população foi exposta foi muito mais sério do que alguns parecem querer crer. Estamos falando das maiores empresas brasileiras do ramo de frigoríficos envolvidas com a comercialização de produtos podres, vencidos, ou adulterados. O Presidente da República precisa se manifestar, e o ministro da justiça precisa se explicar. Repito abaixo o que disse na minha página de facebook:

"Revoltante a maneira como o governo vem lidando com a repercussão da operação Carne Fraca. Aparentemente a única coisa que os técnicos do governo conseguem dizer é "vocês comem carne podre há mais de 7 anos, mas fiquem tranquilos que o sistema é seguro".... Eu quero ver demissões, quero ver ministros pedindo desculpas, quero ver sangue nos olhos do presidente dizendo que quem colocou em risco a vida de milhões de brasileiros será identificado e duramente punido com o rigor da lei. Temer demita alguém, xingue alguém, mande alguém a merda, mas porra mostre pro povo brasileiro que você entendeu o tamanho e o perigo desse escândalo!!! Se é assim com a carne, como será com o leite? E com as verduras? Será que dá pra entender que todo nosso sistema de vigilância sanitária está em xeque???? Eu tenho filhas!!! O que devo dizer a elas? "Fiquem tranquilas o nosso sistema é seguro"????? É isso??????? NÃO, nosso sistema não é seguro. Prova disso é que estamos comendo carne podre há 7 anos!!!!!!!".

quinta-feira, 16 de março de 2017

Aula 14: Modernização da Legislação Trabalhista

Neste vídeo explico a necessidade de modernizar nossa legislação trabalhista. Para assistir clique aqui.

Em quem votarei em 2018?

Muita gente me perguntando sobre meu voto, então para não deixar dúvidas aqui vão meus candidatos.

1) Presidente: meu candidato ideal para presidência do brasil tem que ser um conservador ou um liberal, alguém de direita e que não tenha vergonha de assumir isso. Ele deve apoiar as seguintes pautas:

A) Na economia deve prometer 5 pontos: 1) abertura econômica unilateral; 2) reforma trabalhista; 3) reforma tributária; 4) reforma previdenciária; e 5) privatização da petrobras.

B) Outros temas: 1) deve ser contra o aborto (exceto nas condições previstas na Constituição Federal); 2) deve ser contra o estatuto do desarmamento; 3) deve combater qualquer movimento de invasão de propriedades, sejam elas públicas ou privadas; 4) defenda até a morte a liberdade de expressão e a importância de uma imprensa livre; e 5) não deve temer a pressão do politicamente correto.

Claro que honestidade, combate a corrupção, meritocracia, e responsabilidade fiscal e monetária são pré-requisitos. Votarei no candidato que mais se aproximar dessas pautas elencadas acima.


2) Deputados Federais e Senadores: exatamente a mesma regra adotada para presidente da república com um único aditivo: devem ter feito oposição aos governos petistas de Lula e Dilma. Devem ter participado ativamente das manifestações pelo impeachment de Dilma. Votar em quem foi base de apoio de governos petistas é o fim da picada. Lembrem-se de que vários petistas e políticos da base do antigo governo já foram para outros partidos (principalmente a REDE), olho neles!


3) Governador: tem que ser um conservador ou um liberal, deve ser de direita e não deve ter vergonha de assumir isso. Ele deve apoiar as seguintes pautas:

A) Na economia deve prometer 5 pontos: 1) privatizar empresas estaduais; 2) reforma previdenciária dos servidores estaduais; 3) não aumentar impostos estaduais; 4) facilitar e estimular a abertura de empresas; e 5) realizar parcerias com o setor privado, sobretudo doando terrenos para a abertura e expansão de empresas.

B) Outros temas: 1) deve combater qualquer movimento de invasão de propriedades, sejam elas públicas ou privadas; 2) deve apoiar o Escola sem Partido; 3) deve promover um duro combate à criminalidade e à violência; 4) defenda até a morte a liberdade de expressão e a importância de uma imprensa livre; e 5) não deve temer a pressão do politicamente correto.

Claro que honestidade, combate a corrupção, meritocracia, e responsabilidade fiscal são pré-requisitos. Votarei no candidato que mais se aproximar dessas pautas elencadas acima.


4) Deputados Estaduais: exatamente a mesma regra adotada para governador com um único aditivo: devem ter feito oposição aos governos petistas de Lula e Dilma. Devem ter participado ativamente das manifestações pelo impeachment de Dilma. Votar em quem foi base de apoio de governos petistas é o fim da picada. Lembrem-se de que vários petistas e políticos da base do antigo governo já foram para outros partidos (principalmente a REDE), olho neles!

quarta-feira, 15 de março de 2017

2 anos do 15 de março de 2015

Hoje celebram-se os dois anos do 15 de março de 2015. Aquele dia marcou o início das grandes manifestações populares que levariam ao impeachment da presidente Dilma Roussef.

Nunca na história de nosso país houve um movimento como aquele. Nenhum sindicato, nenhum partido político, nenhuma entidade de classe, nenhum órgão de imprensa, nenhuma ala de movimentos religiosos, nenhuma entidade empresarial, nenhum deles deu qualquer apoio ao movimento. O 15 de março de 2015 foi feito única e exclusvamente por pessoas comuns, sem laços comuns a não ser a revolta contra a roubalheira e incompetência generalizada que tomava conta do país.

A grande mídia não apoiou. A OAB não apoiou, a FIESP não apoiou, a FEBRABAN não apoiou, o CNA não apoiou. Os grandes grupos da sociedade civil não apoiaram. Quem apoiou foi o povo. Foram indivíduos organizados em grupos de whatsapp e facebook que promoveram as maiores manifestações da história do Brasil.

Na manifestação do 15 de março de 2015 eu era o coordenador do Movimento Brasil Livre no Distrito Federal. Nós fazíamos tudo sozinhos, pondo dinheiro do nosso bolso para preparar cartazes, e preparar uma infra-estrutura mínima para a manifestação. Fui eu quem tive a honra e o orgulho de assinar a requisição que informava ao governo do Distrito Federal sobre nossa manifestação (uma exigência legal).

Naquela manhã do dia 15 de março de 2015 eu fui para a esplanada dos ministérios em Brasília, local onde seria a concentração do movimento. Na minha cabeça havia uma firme convicção de que estávamos lutando ao lado dos bons, ao lado da dignidade e moralidade. Quantas pessoas se reuniriam ali eu não sabia, mas torcia, acreditava no nosso povo. Nas semanas que antecederam esse 15 de março várias foram as dúvidas, várias foram as piadas que tive que aguentar. Os "donos do poder" tripudiavam de nosso esforço. Naquela manhã minha mente e meu corpo estavam tranquilos, sensação de dever cumprido. O que nos esperava a frente eu não sabia, mas sabia que lutávamos ao lado dos bons, e isso sempre faz diferença. Quando voltei pra casa da manifestação gravei um vídeo, você pode assisti-lo clicando aqui. No final daquele dia a imprensa estava perplexa, ninguém acreditava que pessoas simples, sem recursos, agindo isoladamente ou em pequenos grupos, fossem capazes de coordenar um movimento nacional daquele vulto. Nós fizemos história.

Nesses dois anos desse dia histórico, fica aqui registrado um dos momentos mais sublimes de nossa história. Pela primeira vez o povo, sem o apoio de ninguém mais, por sua própria força e determinação mudou a história de nosso pais. Que a nossa história se lembre sempre desse dia, e que faça justiça: foi o cidadão comum, o pai de família, a mãe, a avó, a criança, o casal de namorados, enfim foi uma pessoa comum junto com milhares de outras pessoas comuns que livraram o Brasil de um período negro de nossa história. Um indivíduo sempre pode fazer a diferença. Se voce quiser assistir a um vídeo contando a história desse período clique aqui.

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