quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Se o feto nao é um ser humano, entao o que ele é?

Quem defende o aborto costuma dizer que o feto não é um ser humano (ou que só se tornará humano depois de determinado período de tempo). Entao resta uma pergunta: se o feto não é um ser humano, então o que ele é?

Vejamos: em bilhões de casos, distribuídos ao longo de séculos, todo feto que teve a chance de se desenvolver resultou num ser humano. Isso não é uma opinião, isso é um fato. Será que isso não é evidência suficiente? Alguém conhece um único exemplo na história da humanidade onde uma mulher grávida deu à luz a algo diferente de um ser humano?

A evidência é clara: todo feto, se tiver a chance de se desenvolver, dará origem a um ser humano único e diferente de seus progenitores. Matar o feto significa impedir o nascimento de um ser humano.

Muitos dizem que essa deve ser uma escolha da mulher. Contudo se esquecem que tal escolha já foi feita. Quando um casal resolve fazer sexo, sempre existe a chance da mulher engravidar. A gravidez é uma consequência de um ato voluntário (o estupro é certamente uma exceção a essa regra).

Muitos dizem que o corpo é da mulher, logo ela deve ser soberana para escolher. Contudo isso esconde o fato óbvio de que a criança em seu ventre NAO PERTENCE ao corpo da mulher. O feto, o futuro ser humano, é o começo da vida de um novo e único ser humano. Matar o feto implica necessariamente em matar esse futuro ser humano (quanto a isso não restam dúvidas).

A vida é o princípio mais importante de nossa civilização. Sem o direito a vida inexistem o direito a propriedade ou a liberdade.

A tecnologia avanca a cada dia, em breve saberemos de doenças do bebe antes mesmo que este nasca. Será que iremos apoiar a eugenia? Será que daremos o direito aos futuros pais de matarem crianças que não estejam de acordo com as características que estes queiram? Liberar o aborto é apenas o começo. Defender a vida desde sua concepção é nossa garantia de que toda vida é preciosa e deve ser protegida.

STF, ovo da tartaruga, rabo da vaca e o assassinato de bebes

Descobri essa semana que o STF é duro com quem quebra ovo de tartaruga, dar uns cascudos numa vaca então nem pensar, mas assassinar bebes esta ok. Que instituição é essa tao atenta ao direito dos animais POR NASCER (como no caso do ovo da tartaruga), mas que despreza a vida humana no ventre da mae?

O direito à vida precede qualquer outro direito. Sem vida não existe liberdade e nem propriedade. O STF parece querer destruir os pilares de nossa sociedade. Hoje acaba-se com o direito a vida, em breve extinguem-se os direitos a propriedade e a liberdade. Uma sociedade incapaz de proteger a vida (mas tao alerta para defender o ovo da tartaruga), dificilmente será capaz de defender outros direitos humanos. Vida, propriedade e liberdade são pilares de nossa sociedade, o STF não tem legitimidade e nem legalidade para corromper tais pilares.

Tenho algumas perguntas ao STF:

1) Por que a vida começa aos 3 meses no ventre da mae, e não com 3 anos de idade? Ora com 3 anos a criança ainda depende totalmente da mae. Sendo assim deveria ser decisão da mae manter ou fazer um assassinato da criança (alguns diriam um "pos-aborto"? Por que a vida começa com 90 dias, mas não com 89? ou 88? ou 87? ou 86.... isso nos levaria ao fato óbvio que a vida começa no momento da concepção.

2) Desde quando o STF tem poder para legislar? Isso não seria motivo de impeachment dos ministros do STF? Afinal, estão usurpando as prerrogativas do poder legislativo. Será que nas causas que estão há anos paradas na justiça o legislativo poderia julgar? Afinal, usaria-se o mesmo argumento: ja que o judiciário não julga (ou demora pra julgar) o legislativo passará a julgar. Isso pode ou só o judiciário que tem prerrogativas para invadir competências de outros poderes?

3) Se a vida começa na concepção então não ha discussão, ha partir do momento da concepção lá existe uma vida e a mesma deve ser protegida por nosso ordenamento jurídico. Contudo, se a vida não começa na concepção, quem determinará quando começa a vida? Hoje o STF disse 3 meses, em alguns anos outros poderão dizer 6 meses, e num espaço de uma década outros dirão "Essa criança está sofrendo muito, melhor fazer um aborto retroativo...". Isto é, com o passar do tempo, a idade para se assassinar crianças irá sempre aumentando. Pode perfeitamente ocorrer, como JÁ OCORREU, de se permitir assassinatos de crianças nascidas vivas mas com algum tipo de característica que não agrada aos pais. Em breve a eugenia será permitida, é isso que o STF almeja? Lembre-se: se a vida não começa na concepção então será o ESTADO a dizer quando começa a vida. Tem certeza que quer concentrar tanto poder assim na mao do Estado? Tem certeza que quer dar ao Estado o direito de arbitrar quando começa a vida?

4) Hoje um pai que não queira um filho é obrigado a pagar pensão alimentícia, se o aborto é permitido, e o pai não quer a criança, por que ele deveria pagar pensão? Bastaria ele arcar com os custos do aborto. Se a mae quer a criança e o pai não, e o aborto é permitido, deveria ser apenas dela o custo manter o filho.

5) Se a mae não quer o filho e o pai o quer, o aborto será permitido? O pai também tem direito sobre a crianca ou apenas deveres? Por que a decisão de abortar é APENAS da mae, mas o dever de pagar pensão se estende ao pai?

6)O STF não deveria decidir com base na Constituição Federal? A Constituição eh clara na defesa a vida, a população eh clara na defesa a vida, a defesa a vida é a base de nossa civilização. Basta do STF legislar. Na minha modesta opinião cabe impeachment dos membros do STF, motivo: interferência direta nas prerrogativas exclusivas do poder legislativo.

7) Será que a sociedade não percebe que a proibição ao aborto é uma defesa não apenas da vida humana, mas também da mulher? Se o aborto é permitido milhares de mulheres serão pressionadas a abortar pelos seus maridos, namorados, pais, família, ou mesmo por seu chefe no emprego. A proibição ao aborto é um princípio básico da defesa a vida, mas defende indiretamente a mulher da pressão de outros para abortar. Proibir o aborto dá a mulher a segurança necessária para que a mesma possa seguir em frente com sua gravidez.

8) O que vem depois da permissão ao aborto? A proibição ao aborto é um princípio base do direito a vida, ao se abolir tal proibição abre-se espaço para outras medidas que atentem contra a dignidade da vida humana: idosos, deficientes, minoriais, todos estarão em risco quando o direito a vida for relativizado.

sábado, 26 de novembro de 2016

O que seu político disse sobre a morte do ditador sanguinário Fidel Castro?

Fidel Castro foi um ditador sanguinário, mas por professar o socialismo contava com a simpatia da mídia e do beautiful people. Nao existe aqui questão de opinião: Fidel Castro mandou executar homossexuais, mandou para o paredão presos políticos, e instalou uma ditadura socialista em Cuba que é a mais longeva ditadura de nosso continente. O cidadão cubano é proibido de sair de seu país e falar mal do governo pode leva-lo para a cadeia, não existe liberdade de imprensa, e existe apenas um único partido político. Depois de quase 60 anos de ditadura socialista Cuba é um país pobre e sem liberdade. A ditadura socialista dos irmãos Castro resultou em miséria econômica e perda da liberdade para o povo cubano. Isso são fatos, não opiniões.

Abaixo veja o que cada político ou celebridade disse sobre a morte desse facínora. Creio que essas frases refletem muito do caráter de quem as pronunciou.

- Obama: "Sabemos que esse momento enche os cubanos - em Cuba e nos Estados Unidos - de emoções poderosas, lembrando as inúmeras maneiras pelas quais Fidel Castro alterou o curso das vidas individuais, das famílias e da nação cubana. A história registrará e julgará o enorme impacto dessa figura singular no povo e no mundo ao seu redor".

- Donald Trump: "o legado de Fidel Castro é [marcado] por  pelotões de fuzilamento, roubo, sofrimento inimaginável, pobreza e a negação dos direitos humanos fundamentais (...) Cuba continua a ser uma ilha totalitária (...) Espero que hoje marque um afastamento dos horrores duradouros, e [abra um caminho] para um futuro em que o maravilhoso povo cubano finalmente viva na liberdade que tão ricamente merece (...) [O governo americano] fará tudo o que puder para garantir que o povo cubano possa finalmente iniciar seu caminho rumo à prosperidade e à liberdade".

- Lula: "Seu espírito combativo e solidário animou sonhos de liberdade, soberania e igualdade. Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania. (...) Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei. Será eterno seu legado de dignidade e compromisso por um mundo mais justo".

- FHC: "A morte de Fidel faz recordar, especialmente à minha geração, o papel que ele e a revolução cubana tiveram na difusão do sentimento latino-americano e na importância para os países da região de se sentirem capazes de afirmar seus interesses. A luta simbolizada por Fidel dos "pequenos" contra os poderosos teve uma função dinamizadora na vida política no Continente. (...) Estive varias vezes com Fidel, no Brasil, no Chile, em Portugal, na Argentina, em Costa Rica e etc. O Fidel que eu conheci, dos anos noventa em diante, era um homem pessoalmente gentil, convicto de suas ideias, curioso e bom interlocutor".


- Temer: "Fidel Castro foi um líder de convicções. Marcou a segunda metade do século XX com a defesa firme das ideias em que acreditava".

- Aécio Neves: "O presidente Fidel Castro foi sem dúvida um dos grandes líderes do nosso tempo. Tive oportunidade de estar algumas vezes com ele quando do reatamento das relações diplomáticas do Brasil com a ilha de Cuba. Afável no trato e eloquente com qualquer interlocutor, deixa o legado do sonho por uma sociedade igualitária, mas na prática não permitiu avanços na direção das liberdades e da democracia e, infelizmente, deixa um país e um povo ainda extremamente pobres e dependentes". (No facebook Aécio Neves posta uma foto ao lado do ditador cubano).

- Jair Bolsonaro: "Fidel Castro, um grande exterminador de liberdade e promotor da miséria no mundo todo certamente terá uma estadia eterna nas profundezas do inferno”.

- Renan Calheiros: "Em nome do Congresso Nacional, lamento a morte de Fidel Castro que, a despeito de suas convicções e ideologias políticas, foi um homem que marcou a história mundial. Em momentos como este, devemos nos lembrar que posições políticas diferentes, desde que respeitados valores democráticos, contribuem para enriquecer nossa história".

- Rodrigo Maia: "(...) independentemente de crenças políticas, é preciso reconhecer sua importância para o povo de Cuba".

- Dilma Roussef: “Fidel foi um dos mais importantes políticos contemporâneos e um visionário que acreditou na construção de uma sociedade fraterna e justa, sem fome nem exploração, numa América Latina unida e forte. Um homem que soube unir ação e pensamento, mobilizando forças populares contra a exploração de seu povo. Foi também um ícone para milhões de jovens em todo o mundo”.

- Marina Silva: "A Rede Sustentabilidade compreende a história como um processo permanente de lutas e aprendizado. Consideramos que a democracia é um valor universal, uma exigência das lutas de nosso tempo e nenhuma ditadura, seja do proletariado, seja do patronato, respondem os anseios da humanidade e ajudam na construção de alternativa sustentável à crise civilizatória pela qual passa o mundo. Nesse momento de perda para o povo cubano, manifestamos pesar pela morte do presidente Fidel Castro. Reafirmamos também nossa esperança de que as conquistas sociais de Cuba não sejam desfeitas, que consiga derrubar o vergonhoso embargo econômico norte-americano sem perder sua autodeterminação. E que os cubanos consigam dar o passo seguinte da revolução: a luta pelas liberdades democráticas".

- Rodrigo Rollemberg: "Meus sentimentos a família de Fidel Castro e ao povo Cubano. Fidel foi uma das figuras históricas do século XX".

- Maria do Rosário: "Os braços abertos de Mandela a Fidel são símbolo de que a revolução, a resistência e o humanismo devem estar juntos".

- Adolfo Sachsida: "Fidel Castro mandou executar presos sem julgamento prévio, foi o responsável pelo assassinato e perseguição a homossexuais e adversários políticos, censurou a imprensa, criou campos de concentração, e implantou uma ditadura sangrenta que custou a vida de milhares de cubanos. É admirado por um único motivo: tornou real o sonho dos socialistas de todo o mundo".

Herói ou Canalha?

Ele pegou um país destruído físico e moralmente e o reconstruiu em questão de anos. Em pouco tempo tornou esse país uma potência mundial. Acabou com o desemprego, aumentou incrivelmente a renda do trabalhador, nunca desviou um centavo de dinheiro público para sua conta pessoal, deu sentido e orgulho para toda uma nação. Me refiro, como todos devem ter adivinhado, a Adolf Hitler. Sim, quando se conta apenas parte de uma história é possível dizer uma grande mentira falando-se apenas verdades. Nao se engane, Hitler foi um canalha, um ditador sanguinário, alguém que destruiu seu povo e seu país. Qualquer pessoa que elogie Hitler, qualquer um que conte apenas a primeira parte da história, mas se esqueca da segunda, é um canalha.

Hoje Fidel Castro morreu, e esse será um ótimo termômetro para distinguirmos pessoas decentes de canalhas. Esse post tem como objetivo alertar sobre as mentiras comuns que são contadas sobre Cuba e Fidel Castro.

Mentira 1: Antes de Fidel Cuba era um puteiro americano. MENTIRA! Cuba era uma ilha próspera. Sim, havia prostituição. Mas daí a dizer que Cuba era um puteiro a céu aberto vai uma grande distância.

Mentira 2: Antes de Fidel Cuba era um país de analfabetos. MENTIRA! Cuba tinha um dos menores índices de analfabetismo em todo continente americano antes mesmo de Fidel chegar ao poder.

Mentira 3: O número de médicos cubanos cresceu exponencialmente após Fidel tomar o poder. MENTIRA! Antes mesmo de Fidel chegar ao poder Cuba já tinha uma das maiores relações médico por habitante do continente americano.

Mentira 4: Fidel acabou com a pobreza em Cuba. MENTIRA! Após mais de 50 anos de regime ditatorial Fidel transformou uma ilha próspera numa grande favela. Nesse mesmo intervalo de tempo a Coréia do Sul, com democracia e capitalismo, deixou de ser um país pobre para se tornar uma nação rica (mesmo tendo passado por uma dura guerra no período e sofrer ameaça externa constante).

Mentira 5: Cuba tem um padrão de vida elevado. MENTIRA! Muitos vao citar o IDH e dizer que o IDH cubano é maior que o brasileiro. Essa é aquela famosa mentira construída com uma verdade. IDH é uma medida que não traduz exatamente o que alguns chamam de qualidade de vida. Já escrevi sobre isso aqui. No lugar do IDH tenho a medida Sachsida de padrão de vida: país bom é aquele que recebe mais imigrantes ilegais, e país ruim é aquele que mais manda imigrantes ilegais. Nunca vi ninguém querer fugir para Cuba, mas temos milhares de exemplos de cubanos que se arriscam a fugir, por mar aberto, de Cuba. Se Cuba é tao bom assim, por que é proibido querer sair de lá? Pra mim lugar de onde se é proibido de sair chama-se prisão.


Hoje Fidel Castro morreu, vocês ouvirão muitas coisas que isoladas, apesar de verdadeiras, criam uma grande mentira. A grande mentira de que Fidel não era um canalha. Fidel, como todo ditador sanguinário, foi um grande canalha. No aeroporto de Havana havia uma grande placa onde se lia "Hoje 500 milhões de crianças dormirão na rua hoje, nenhuma delas é cubana". E pensar que tem gente que acreditou nisso.... não é engraçado que pessoas que sempre desconfiam do governo de democracias ocidentais acreditem em tudo que era dito por um ditador socialista? Milhares de crianças cubanas dormiram órfãs de pais vivos, pois seus pais eram presos pela ditadura de Fidel Castro. Milhares de esposas ficavam viúvas pois seus maridos eram fuzilados pelo perigoso crime de discordarem do governo ditatorial cubano. Milhares de mães tinham seus filhos arrancados de seu seio e jogados em prisões políticas. Até hoje é proibido fazer críticas ao governo ditatorial socialista cubano. Criticar a ditadura dos irmãos Castro é punível com pena de prisão.

Hoje Fidel Castro morreu, e vários jornalistas, políticos, intelectuais, e professores brasileiros que criticam a ditadura brasileira irão aplaudir de pé o ditador mais longevo e cruel de nosso continente. Hoje, Fernando de Moraes já disse na CBN "Valeu a pena". Nao é irônico que uma pessoa que é tao crítica a ditadura aplauda um ditador? Nada disso Fernando de Moraes, não valeu a pena!!!! Milhares de homens, mulheres, crianças, jovens e idosos foram brutalmente assassinados por um regime totalitário, por um regime cruel e covarde, não!!! Nao valeu a pena. Talvez voce queira dizer "Tudo vale a pena se a alma não é pequena". De minha parte digo apenas que é muito fácil comemorar sacrifícios alheios, é muito fácil elogiar um regime ditatorial cruel, covarde e miserável, que defende uma doutrina socialista, quando voce mesmo esta a salvo dele e desfruta das benesses do capitalismo. Engracado que esses intelectuais adoram elogiar Cuba tomando café em Paris. Nao seria mais lógico morarem em Cuba? Por que morar em Paris, ou Nova York, ou Sao Paulo, se Cuba é tao bom assim?

Quem elogia um canalha é porque canalha o é. De minha parte digo que hoje o mundo amanheceu mais feliz. Liberdade para Cuba, liberdade para o povo cubano!!!! Basta da ditadura dos irmãos Castro, eu exijo democracia e abertura para o povo cubano! Quem apoia ditadores não me representa! Liberdade para o povo cubano! #FreeCuba

domingo, 20 de novembro de 2016

Uma história real sobre como um jovem economista foi humilhado por dizer o que qualquer economista deveria saber


A história abaixo é real. Entre 1997 e 1999 uma série de medidas foi tomada pelo governo brasileiro para garantir a sustentabilidade fiscal dos estados e municípios. Entre elas duas ganharam destaque: a renegociação das dívidas dos estados e municípios, e a lei de responsabilidade fiscal.

Numa das diversas reuniões ocorridas para tratar das medidas acima um jovem economista disse que ambas estavam erradas, e que ambas fracassariam gerando um custo de ajuste maior ainda no futuro. O argumento do jovem economista era simples.

No caso da renegociação das dívidas isso gerava dois efeitos perversos: 1) os mais endividados eram também os mais beneficiados, isto é, quanto mais irresponsável havia sido no passado mais subsídios receberia; e 2) isso geraria um efeito óbvio do que os economistas chamam de moral hazard (a mudança no comportamento decorrente de uma nova regra). Dado que a Uniao havia renegociado a dívida e beneficiado os mais irresponsáveis, era evidente que no futuro a Uniao voltaria a fazer a mesma coisa. Isto é, a estratégia dominante passava a ser gastar ao máximo, se endividar ao máximo, e chegar num ponto onde a Uniao seria obrigada a ajudar (exatamente como o estado do Rio de Janeiro hoje).

Os economistas conhecem bem o exemplo acima, para evita-lo argumentava-se que a Lei de Responsabilidade Fiscal seria a solução. O jovem economista argumentava que esse lei poderia ser burlada de várias maneiras, e que seria ineficiente no longo prazo. Além disso, tal lei parecia também ir contra os estados que haviam sido fiscalmente responsáveis lhes imputando amarras que certamente diminuiria a eficiência econômica dos estados mais prudentes, e feria claramente a ideia de federalismo. Voce pode ler sobre a argumentação aqui.

O jovem economista virou motivo de piada: "aqui não é teoria não rapaz" era o mais educado que ele ouvia. Teve até um consultor de finanças públicos bem famoso (e que ainda hoje aparece nos grandes jornais) que lhe disse "o negócio é empurrar com a barriga". Enfim, o tempo passou e a verdade é apesar de todos os esforços vários estados e municípios descumprem a Lei de Responsabilidade Fiscal. A prova disso é sua situação de penúria atual. Voce não ve na mídia, mas um numero absurdamente alto de municípios sequer esta pagando salários. No caso dos estados, a situação é igualmente caótica com atrasos constantes no pagamento de fornecedores e a ameaça de atrasar salários.

Engracado como são as coisas, o tempo passou e provou que o jovem economista estava certo. As soluções que ele apontava, apesar de difícieis, eram o caminho correto para a eliminação recorrente do problema de endividamento de estados e municípios. Hoje, tal como ele havia predito, o problema voltou. E, novamente, o governo vai investir na solução errada: irá renegociar NOVAMENTE a dívida de estados e municípios. Essa solução apesar de emergencial é errada. A solução para o problema é deixar que cada estado e município seja responsável por suas próprias decisões. Isso fortalece o princípio federativo e garante que o ônus e o bônus das decisões da população sejam enfrentadas pela mesma população que tomou a decisão, e não que seja repartido com os demais estados e municípios. Abaixo transcrevo o texto que escrevi em marco de 2000.

Lei de Responsabilidade Fiscal

Em março de 2000 escrevi o texto abaixo. Pergunto, se na época tivéssemos optado pela opção que eu sugiro não teria sido melhor?

A Lei de Responsabilidade Fiscal e a disciplina de mercado.

Existem 4 posturas possíveis do governo federal frente à política fiscal executada pelos governos locais: a) não interferência, com garantia de solvência; b) não interferência, sem garantia de solvência; c) interferência, com garantia de solvência; e d) interferência sem garantia de solvência. A alternativa "d" não parece plausível, pois permite a União interferir nas políticas públicas estaduais sem se responsabilizar por elas. A alternativa "a" também não é a mais adequada, pois impede que a União interfira nas políticas regionais, mas a obriga a saldar seu ônus.

Por algum motivo, que não cabe aqui discutir, a relação entre governo central e estados, no Brasil, se assemelhava a uma mistura das alternativas "a" e "c". Gerando pouca interferência do governo federal nas políticas fiscais dos estados, mas o obrigando-o a pagar pelos seus resultados. Esse tipo de relacionamento propiciou aos estados um grau de endividamento superior a sua capacidade de pagamento. Tentando mudar esse comportamento, o governo federal poderia tentar mudar a forma de relacionamento com estados e municípios, optando pelas alternativas "b" ou "c".

Com a recente aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo federal parece ter optado pela alternativa "c". Tal lei pode se caracterizar como um marco da história das finanças públicas brasileiras. Várias características trabalham nesse sentido. A possibilidade de se responsabilizar e punir maus administradores; a exigência de se mostrar a origem dos recursos para financiar novas despesas; e a proibição de se transpor determinados montantes de dívidas de um governo para o seguinte (restos a pagar), são alguns exemplos das exigências geradas por essa lei.

O grande mérito da Lei de Responsabilidade Fiscal é tentar disciplinar os gastos públicos, evitando abusos, por quem quer que seja, com fins eleitoreiros. Dessa maneira, vários dispositivos são empregados, visando ao controle das finanças da União, estados e municípios. Espera-se, com isso, diminuir as necessidades de financiamento do setor público, liberando recursos para serem usados de maneira mais produtiva.

Apesar de inegáveis méritos, surge uma questão: por que o governo federal deve versar sobre as finanças de estados ou municípios? Não seria isso uma afronta aos entes da federação? Independentemente de ferir a autonomia de estados e municípios, o posicionamento do governo federal visa proteger suas finanças. Afinal, a União é obrigada a socorrer estados, ou municípios, caso estes se tornem insolventes. Isto é, caso algum estado não consiga honrar seus débitos, em última instância, a União é que assume esse encargo. Além disso, o governo central é o responsável pela política de estabilização macroeconômica, que pode ser dificultada se os estados adotarem uma política fiscal distinta daquela praticada pela União. Assim, nada mais justo do que algum controle federal sobre as finanças estaduais e municipais.

Uma alternativa à Lei de Responsabilidade Fiscal seria o governo fazer passar, no Congresso Nacional, uma lei mais simples que torne os estados independentes e autônomos para realizar qualquer política fiscal. A única salvaguarda seria que a União não mais se responsabilizaria por eles, isto é, o governo poderia ter escolhido a opção "b".

Note que a proposta do parágrafo acima tem os mesmos objetivos que a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas com algumas vantagens. Primeiro, é mais clara e por isso mesmo menos propícia de ser burlada por manobras jurídicas. Segundo, respeita as preferências locais. Terceiro, como dá maiores poderes a administração regional, torna as políticas públicas mais flexíveis e ágeis para combater os problemas da região.

Em resumo, a idéia da Lei de Responsabilidade Fiscal parece ser correta. O que se questiona é que uma lei mais simples, e clara, poderia obter resultados superiores, evitando o engessamento das despesas e, conseqüentemente, perda de eficiência dos gastos públicos. Afinal, um político que endivida seu estado criando escolas e aumentando o salário dos professores, não pode ser visto como irresponsável.

A experiência brasileira ao longo de décadas mostra que o setor público não tem assumido uma postura de conservadorismo e prudência fiscal. Portanto, a Lei de Responsabilidade Fiscal pode ser um passo importante na transição para uma regra em que a disciplina de mercado (ou seja a opção “b”) seja o melhor parâmetro para se confiar a responsabilidade fiscal.

sábado, 19 de novembro de 2016

O Brasileiro tem o direito de saber a situacao real do BNDES

Vou repetir uma vez mais: o BNDES será a mae de todos os escândalos! Empréstimos para Cuba, Angola, Venezuela e outras "democracias" mostra bem que não há controle algum sobre os empréstimos que o BNDES concedeu a empresas como a Odebrecht para fazerem obras no exterior.

Como brasileiro exijo saber o teor dos contratos do BNDES com essas empresas, por que tais contratos são sigilosos? Desde quando recursos públicos não estão sujeitos ao princípio da transparência?

Basta de sigilo, basta de desculpas!!! O povo brasileiro tem o direito de saber o que foi feito com seu dinheiro!!!! O BNDES tem anunciado perdas que beiram os R$ 9 bilhões, alguém acha isso normal??? Quem será responsabilizado por isso?

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Garotinho, Cabral e o Rio de Janeiro

Voce quer saber por que o Rio de Janeiro está em crise?

O Rio está em crise porque escolheu populistas em vez de estadistas. O mesmo irá ocorrer com vários outros estados brasileiros, o mesmo irá ocorrer com vários outros municípios brasileiros e, infelizmente, também irá ocorrer ao nosso país.

Votar em populistas tem um custo. Bem vindo ao mundo real!

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