quarta-feira, 29 de julho de 2015

As Consequências Econômicas da Operação Lava-Jato

De acordo com a presidente Dilma Rousseff a operação Lava-Jato é responsável pela queda de 1% no PIB brasileiro. Essa explicação absurda, apesar de ser nova para alguns, já me é velha conhecida. Em março desse ano ouvi alguns analistas de mercado culpando a parada nas obras da Petrobras pelo fraco desempenho econômico.

Note que a opinião desses analistas é exatamente igual a da presidente, inclusive eles adotavam o mesmo número de 1% de queda no PIB. Na época disse que isso era besteira, na realidade era uma desculpa. Explico: tais analistas, no final de 2014, previram um crescimento de 1% do PIB para 2015. Em março de 2015 com a atividade econômica em franca recessão tais analistas precisam se justificar, precisam explicar o motivo de terem errado tanto em tão pouco tempo. Daí surgiu essa conta de padaria que fazia uma espécie de regra de três para projetar a parada nas obras da Petrobras numa redução de 1% do PIB.

Essa desculpa esfarrapada de culpar a operação Lava-Jato (ou a parada nas obras da Petrobras) pela queda no PIB se esquece de um dado simples: mesmo que a operação Lava Jato não parasse as obras na Petrobras, ainda assim a Petrobras seria obrigada a reduzir o seu volume de obras. Isso ocorre pelo simples fato de que a Petrobras não tem mais como sustentar seu volume de investimentos, prova disso foi a recente e expressiva redução em seu plano de investimento aliada a um plano de venda de ativos da empresa.

As obras na Petrobras iriam parar em 2015 de qualquer maneira por falta de recursos. Sou capaz de apostar que a Lava-Jato ajuda as contas da Petrobras, pois a desobriga de pagar por obras que ele certamente teria dificuldades em quitar. Em resumo, não foi a operação Lava Jato (como argumentado por Dilma) e nem a redução nas obras da Petrobras (como argumentado por analistas em busca de uma desculpa para seu erro) os responsáveis pela queda no PIB. O Brasil está em recessão por causa de políticas monetária e fiscal equivocadas adotadas pelo governo ao longo dos últimos anos. Tal recessão era amplamente previsível, e foi antecipada por alguns pesquisadores. O governo nos jogou nessa crise por absoluta incompetência e arrogância.

#EuApoioaLavaJato

domingo, 26 de julho de 2015

Os Economistas do Fracasso: No governo geraram o caos, fora dele agem como se a culpa não fosse sua.

Soa surreal o comportamento de alguns economistas. Ocuparam cargos altos e com poder de decisão em governos passados, geraram o caos econômico com medidas econômicas trágicas. Mas, por algum motivo, continuam com espaço na mídia e no governo. É como se suas barbeiragens econômicas em nada afetassem sua reputação. São os economistas do fracasso, técnicos que quando estiveram com poder de decisão quase destruíram nosso país. Contudo, fora do governo agem como se tivessem sido gênios da economia e que a crise nada tem a ver com eles. Esse post dá nome a esses “gênios”.

Delfim Netto: o homem que provou que é possível existir inflação e desemprego ao mesmo tempo. Ministro forte de governos militares foi responsável direto pelo desastre econômico da primeira metade da década de 1980. Por que tanta gente ainda ouve Delfim? Acaso ele se desculpou por seus absurdos econômicos? Acaso se desculpou por suas medidas que virtualmente mergulharam o brasil num estagflação (estagnação econômica na presença de alta inflação)? Delfim foi um desastre como ministro.

Luciano Coutinho: o gênio que apoiava entusiasticamente a lei da informática!!! Isso mesmo aquela lei que impedia brasileiros de importar computadores, e que virtualmente destruiu nossa habilidade de acompanhar tecnologicamente os países desenvolvidos durante a vigência dessa lei medíocre. Alguma vez esse “gênio” já fez um mea culpa? Hoje é responsável direto pela política dos campeões nacionais do BNDES.

Luiz Gonzaga Belluzzo: o homem que apoiou o congelamento de preços no plano cruzado. O homem que rebaixou o Palmeiras, o homem que era conselheiro de Dilma. O homem que afirmou que era hora de gastar mais (pouco antes de estourar a crise atual). Por que ainda ouvem esse “gênio”?

Bresser Pereira: provavelmente um dos piores economistas que já assumiu o Ministério da Fazenda. O “gênio” por trás do Plano Bresser que ainda hoje gera ações na justiça!!! Gerou uma bagunça econômica e jurídica no país que ainda hoje geram demandas jurídicas. Durou 8 meses como ministro da Fazenda, deixando atrás de si uma inflação virtualmente fora de controle. Aliás, foi mais um que implementou o congelamento de preços enquanto esteve a frente do governo. Será que todos se esqueceram disso???

Nelson Barbosa: atual Ministro do Planejamento. Esteve por 10 anos ocupando cargos altos nos governos Lula 1 e 2, e Dilma 1. Saiu do governo e passou a ser crítico da política econômica que ele mesmo criou!!! A Nova Matriz Econômica é criação sua (e não apenas de Guido Mantega, Luciano Coutinho, e Arno Augustin). Boa parte da crise econômica atual deve-se a políticas econômicas criadas e/ou apoiadas por Nelson Barbosa. Agora, como ministro do Planejamento do governo Dilma 2 promete insistir nos erros que nos trouxeram até aqui. Depois sairá do governo e agirá como se não tivesse tido culpa alguma na crise atual.

Chega!!!! Se é para errarmos vamos errar pelo menos com gente nova. Se é para fazer besteira façamos ao menos com pessoas que ainda não comprovaram sua inépcia no comando da economia. Chega de dar ouvidos a fracassados, a perdedores, a indivíduos que quando tiveram sua chance mergulharam nosso país em seguidas crises.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Um Breve Resumo de Levy a Frente do Ministério da Fazenda

1) Em janeiro pregou o realismo e anunciou um superávit primário de 1,2% do PIB.
- 6 meses depois pregou o realismo e reduziu o superávit primário para 0,15% do PIB
- eu aposto que nem isso ele consegue cumprir
- não vale jogar a culpa no Congresso, é o governo que está gastando muito.

2) Até agora não se posicionou contra as transferências do Tesouro para o BNDES
- pelo contrário, novos aportes do Tesouro já foram feitos no BNDES esse ano

3) anunciou um amplo programa de concessões
- se esqueceu de dizer que tal programa era o mesmo já anunciado pelo governo em 2012
- dentro desse programa incluiu uma tal de transoceânica, projeto faraônico em conjunto com a China que nunca sairá do papel

4) Executa um ajuste fiscal do pior tipo com cortes lineares para todos.
- boa parte desse ajuste resume-se a atrasar pagamentos, ou seja, nada tem de ajuste.

5) não anunciou uma única medida de reforma mais ampla

6) aumentou impostos

Desempenho decepcionante.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Será que a Operação Lava-Jato está abusando das prisões provisórias?

Muitos críticos da Operação Lava-Jato afirmam que a mesma abusa das prisões provisórias. Dizem que as mesmas são usadas para forçar os suspeitos a firmarem acordos de leniência. Será que tais críticos tem razão?

Para responder a questão peguei dados de 2009, isto é, muito antes de qualquer indício da operação Lava-Jato. Para os mais curiosos, tais dados podem ser obtidos diretamente no DEPEN (relatório sintético), que por sua vez adota como fonte os órgãos estaduais responsáveis pelo sistema prisional nos respectivos estados. A Tabela 1 ilustra o percentual de prisões provisórias (em relação ao total de presos) de cinco estados no ano de 2009. O Paraná é o estado que, proporcionalmente, menos tem presos provisórios (14,4%), no outro extremo temos o Piauí onde quase 3/4 dos presos são devido a prisões provisórias. O Tocantins é o estado mediano, o que significa que metade dos estados brasileiros mantém mais de 40% de seus presos em consequência de prisões provisórias.

Tabela 1: Percentual de presos provisoriamente em relação ao total de presos do estado
Estado (% de presos provisoriamente em relação ao total de presos)
Paraná (14,4%)
Distrito Federal (18,9%)
São Paulo (33,2%)
Tocantins (41% (valor mediano))
Piaui (72,4%)

O que a Tabela 1 deixa claro é que no Brasil, por mais questionável que seja, o instituto da prisão provisória é extremamente adotado. Usei os valores referentes ao ano de 2009 apenas para deixar claro que isso vem de muito antes da operação Lava-Jato. Ou seja, a operação Lava-Jato nada faz de diferente em relação ao instituto da prisão provisória. Se há tal abuso ele é generalizado no sistema legal brasileiro, e não uma característica específica da operação Lava-Jato.


A Tabela 2 abaixo reproduz a Tabela 45 do trabalho, realizado em 2011, “PRISÃO PROVISÓRIA E LEI DE DROGAS: Um estudo sobre os flagrantes de tráfico de drogas na cidade de São Paulo” (autores: Maria Gorete Marques de Jesus; Amanda Hildebrand Oi; Thiago Thadeu da Rocha; e Pedro Lagatta). Ressalta-se que esse tempo INCLUI os réus presos provisoriamente. Note que apenas 0,85% dos processos terminam em menos de 60 dias. Por outro lado, 27,5% dos processos levam mais de 150 dias. Ou seja, no Brasil, permanecer muito tempo preso, mesmo que provisoriamente e sem condenação, é uma regra e não é exclusividade da operação Lava-Jato.

Tabela 2: Tempo Mínimo de Duração dos Processos em Percentual
31 a 60 dias-----> 0,85%
61 a 90 dias-----> 16,24%
91 a 120 dias----> 28,03%
121 a 150 dias---> 27,35%
> 150 dias------> 27,52%

Este post demonstra com dados que a Operação Lava Jato não tem abusado do instituto da prisão provisória, e que os réus presos provisoriamente nessa operação não estão recebendo tratamento diferente do que é padrão no Brasil. Pode-se claro questionar a lentidão e arbitrariedade do sistema legal brasileiro, mas isso não é uma exclusividade da operação Lava-Jato.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Não se brinca com time grande. O PT é time grande, não se brinca com o PT.

Time grande é time grande, quando você tem a chance de vencê-lo vença-o!!! Não fique tocando a bola de lado, não fique querendo fazer firulas ou malabarismos. Goste-se ou não o PT é time grande. A oposição comete um erro tenebroso com essa história de deixar o PT sangrar até 2018. Vamos aos fatos.

1) A história de deixar sangrar já deu errado no passado com Lula, por que daria certo agora? Detalhe: eu previ a crise de 2015/2016, mas não é necessário ser gênio para saber que um país não cai infinitamente. Pode perfeitamente ocorrer que 2017/2018 sejam anos de crescimento razoável APESAR do PT.

2) Eduardo Cunha já certou uns 5 ou 6 diretos de direita no governo Dilma, o TCU idem, a lava-jato idem, o TSE idem, a população saiu maciçamente as ruas pedindo sua saída, Dilma e o PT são vaiados continuamente, e continuam de pé. Collor caiu por muito menos, esse é um fato.

3) Qualquer outro político que não fosse Lula já estaria liquidado. Lula continua com intenções de voto acima de 20% mesmo tendo sua imagem muito arranhada pelos escândalos de corrupção.

4) Quem tem a caneta é sempre um adversário perigoso.

5) E o principal dos argumentos, o Brasil sangra junto com o PT.

O pedido de impeachment tem que receber o apoio aberto, e o patrocínio, do PSDB que é o principal partido de oposição. O DEM e o PPS devem se juntar. Tal pedido não pode demorar muito mais, cedo ou tarde o PT se recompõe. O período entre a terceira semana de agosto e a primeira de setembro parece ser o período ideal para isso. Vamos jogar em Eduardo Cunha o peso de dizer não ao impeachment. Hoje este peso está nas mãos do PSDB. Vamos jogar nos deputados o peso de NOMINALMENTE dizerem que são contra o impeachment, esse peso hoje está todo com o PSDB.

Mesmo que o pedido de impeachment não seja aceito será uma vitória política da oposição. O pedido de impeachment tem base legal e tem suporte popular. Não se brinca com time grande, a hora é agora!

sábado, 11 de julho de 2015

Este sou eu

Este sou eu. Meu cabelo está caindo, minha barriga crescendo. Ao me aproximar de meus 43 anos de idade chego a uma das mais incômodas conclusões, não sou tão bom quanto pensei que fosse quando ainda era jovem. Fui um bom jogador de futebol, mas nunca fui um craque. Sou um bom economista, mas não sou um gênio. Como professor sempre me destaquei, mas nunca fui além. Hoje vejo que nunca entrarei na galeria dos grandes Homens.

Todos os dias tento ser alguém melhor do que sou, tenho sucesso por alguns dias, mas fracasso logo depois. Meu casamento fracassou, profissionalmente não sou o sucesso que achei que seria. O tempo passou e alguns fios de cabelos já se tornaram brancos.

Eu sou alguém que desde pequeno quis ser excepcional. Mas o tempo passou e a constatação óbvia é que não sou. Simplesmente não tenho o que é necessário para ir além. Sendo assim, tenho apenas uma única motivação: acredito que o simples fato de tentar ser alguém melhor já me torna melhor. A vontade de melhorar a si mesmo, mesmo na impossibilidade, certamente é um mérito.

Dia 16 de agosto estarei no meio da multidão dizendo “Fora Dilma, e leve o PT junto”. Se você é como eu, junte-se a mim. Se você é apenas mais um cidadão cansado de tanta roubalheira e corrupção, se você não aguenta mais ver o PT dividindo a sociedade entre brancos e negros, homens e mulheres, hetero e homossexuais, etc., então venha dar seu grito de basta nesse dia 16/08.

Infelizmente não sou um grande filósofo, não sou um pensador de teorias profundas, mas acredito honestamente que juntos podemos ao menos mostrar a nossos filhos que se a genialidade não temos ao menos coragem não nos falta.

Se você é careca e barrigudo, te convido para caminhar a meu lado dia 16/08.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Uma pergunta sobre produtividade: A Estrutura de Salários Importa?

Tenho vários colegas que tem no tema produtividade sua principal linha de pesquisa. No Brasil dois dos maiores especialistas sobre o tema, Roberto Ellery Jr. e Victor Gomes, são meus amigos e co-autores de longa data. Esse post deixa uma pergunta para os experts no tema: a estrutura de pagamento de salários importa para a produtividade? Pelo melhor de meu conhecimento, nunca vi nenhum artigo ou pesquisador levantar essa questão.

Vou ser mais específico. Em economia costuma-se dizer que em equilíbrio o salário real é igual a produtividade marginal do trabalho. Ou em palavras simples: você ganha o que você produz. A consequência óbvia disso é que aumentos reais de salários só são possíveis na presença de aumentos na produtividade. Aumenta-se a produtividade e os salários aumentam. Mas imagine agora que a estrutura salarial impeça que um aumento de produtividade seja transferido para salários, o que ocorreria com o estímulo do trabalhador?

No clássico “Os Embalos de Sábado a Noite” John Travolta chega em casa todo feliz, pois seu patrão lhe concedeu um aumento de salário. No Brasil tal aumento seria impossível. A legislação trabalhista brasileira torna aumentos individualizados de salários virtualmente impossível. Um empregador que queira dar um prêmio a determinado trabalhador enfrentará dificuldades semelhantes. Em resumo, premiar individualmente um trabalhador (mas não os demais) na mesma empresa é legalmente inviável no Brasil.

O que isso gera nos estímulos ao trabalhador brasileiro? Qual o ganho de ser pro-ativo? Qual o ganho em ser voluntarioso? Se as coisas dão errado o voluntarioso é demitido, se dá certo ele nada ganha. Sim, claro, ele pode ser promovido. Mas promoção não é aumento de salário. Ser promovido significam novas funções, novas responsabilidades, e um salário mais elevado. Contudo, não é a esse movimento que me refiro. Me refiro a possibilidade do trabalhador individual receber um prêmio salarial (aumento salarial ou bônus) permanecendo na mesma posição na empresa (e sem que os demais recebam esse prêmio).

Me parece que a estrutura salarial brasileira impede a bonificação individual fundamental para que o aumento de produtividade do trabalhador X se traduza em aumento de salário do próprio trabalhador X. Ora se o aumento de produtividade de João não se traduz em aumento de salário para João, então exatamente por que João deve se esforçar mais? Mas se João não se esforça mais, Pedro também não se esforçará, nem tampouco Maria. Essa estrutura da legislação trabalhista brasileira me parece minar completamente os ganhos de produtividade.

Se o salário do trabalhador individual não aumenta quando este se torna mais produtivo, qual o estímulo que ele teria para incorporar os ganhos de produtividade na sua rotina de trabalho? Acho que a estrutura salarial brasileira, por meio de uma arcaica legislação trabalhista, impede o trabalhador individual brasileiro de incorporar ao seu salário os seus ganhos de produtividade. Tal fato me parece uma importante explicação para a baixa produtividade brasileira. Deixo agora a palavra com os especialistas: em que magnitude a legislação trabalhista brasileira atrapalha o aumento da produtividade, e o consequente aumento do salário real do trabalhador brasileiro?

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email