terça-feira, 25 de abril de 2017

Medalha Patriótica em Defesa da Democracia e Pelo Combate à Corrupção


Registro aqui meus sinceros agradecimentos ao Movimento Brasil e aos Patriotas por me concederem a Medalha Patriótica por minha defesa da Democracia e combate à corrupção. Fiquei emocionado e agradecido pela homenagem. Muito obrigado!

sábado, 22 de abril de 2017

Considerações sobre o suicídio

Junto com co-autores escrevi dois textos sobre suicídio:


1) LOUREIRO, P. R. ; MOREIRA, T. B. ; SACHSIDA, A. "Does the effect of media influence suicide rates?". Journal of Economic Studies (Bradford), 2014.

2) LOUREIRO, P. R. ; MENDONCA, M. J. C. ; MOREIRA, T. B. ; SACHSIDA, A. "An econometric investigation of suicide in Brazil". European Journal of Scientific Research, 2015.

Na sociologia a referência básica sobre o tema é Durkheim, e na economia Hamermesh e Soss.

Cabe notar que alguns estudiosos também identificam "epidemias" de suicídio em algumas áreas e momento histórico. Nos estudos que fiz sobre o tema, essas epidemias podiam ser localizadas entre alguns grupos específicos: indígenas são um exemplo claro disso. Outro exemplo são jovens que compartilham determinadas características e moram na mesma comunidade que passa por mudanças drásticas (o exemplo aqui são guetos pobres ou as antigas repúblicas socialistas quando do colapso da União Soviética).

Uma contribuição importante de nosso estudo foi ressaltar o papel da mídia nos suicídios. Existe uma regra implícita de que a imprensa não deve noticiar casos de suicídio. Contudo, no mundo atual, existem diversas mídias sociais (facebook, blogs, páginas da internet, WhatsApp) onde essa regra não é seguida. Nós construímos um índice de mídia e mostramos, por meio de um exercício econométrico, que a maior integração proporcionada por mídias alternativas é um fator que impacta positivamente o suicídio. Isto é, a divulgação de suicídios, e de métodos de suicídio, aumenta a probabilidade de ocorrência de novos suicídios. Esse é um resultado importante, pois nos mostra um lado negativo do acesso a meios midiáticos.

Para os jovens existem três grandes fatores de impacto sobre sua probabilidade de cometer suicídio: o desemprego, a violência, e o acesso a redes sociais (mídia). Problemas de saúde também tem impacto grande na taxa de suicídio. Importante destacar que a taxa de suicídio entre homens é bem superior a de mulheres. No Brasil atual, com pesadas taxas de desemprego entre os jovens, alarmantes índices de violência juvenil, e acesso a redes sociais, não é de se estranhar a recente atenção que a mídia tradicional vem dando ao tema.

Infelizmente tem gente que tenta adocicar essa tragédia chamada de suicídio (caso específico da série 13 reasons why). O suicídio de um jovem não é um ato de romance, é um ato de desespero. Um jovem que se mata não pedia por romantismo, mas sim por atenção e ajuda. É difícil argumentar sem dados (já faz algum tempo que não acompanho as estatísticas), mas tenho a impressão de que o Brasil passa por uma epidemia de suicídios. O jogo "Baleia Azul" e as mídias sociais trouxeram a tona um problema que já era sério no Brasil.

Suicídio é o ato último de desespero, é um grito de alguém que implora por socorro. Não há nada de romântico nisso. Se você precisa de ajuda procure seus amigos, sua família, ou ajuda profissional. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida pode ajuda-lo caso você precise de alguém para compartilhar e aliviar seu sofrimento e desespero.

Suicídio entre pessoas jovens é a expressão de um sofrimento grande, não menospreze os sinais (tristeza, melancolia, depressão, mudanças bruscas de humor, ferimentos auto infligidos no corpo, entre outros) converse sempre com quem você ama! A vida é nosso presente mais sagrado, não romantize o suicídio!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O que me preocupa? Os ventos de 2018 e o começo de 2019

Neste vídeo falo sobre minhas preocupações sobre o futuro de nosso país: eleições, economia e sociedade. As decisões que tomarmos no ano que vem moldarão a nossa sociedade. Para assistir clique aqui.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Eu acredito na inocência de Lula

Começo esse texto avisando a todos que não sou petista e nem gosto de Lula, mas é inegável que o ex-presidente vem sofrendo uma perseguição criminosa da imprensa desde pelo menos o mensalão. E o Aécio, por que não falam do PSDB?

Sejamos francos: o mensalão provou que Lula é incorruptível. Afinal, todos a seu redor foram condenados (José Dirceu, José Genuino, o tesoureiro do PT, o secretário do PT, etc.), mas sobre o presidente nunca pairaram dúvidas sobre sua honestidade. Quase todo mundo entrou no escândalo do mensalão, menos Lula. Ele mostrou ai sua vocação para a honestidade. Vocação essa que já era clara desde os tempos de sindicalista, onde ele sempre colocou os interesses do trabalhador acima de seu próprio bem estar. Enquanto é comum ouvirmos histórias de sindicalistas que se vendem, de Lula sempre soubemos que nunca se sentou a mesa para conspirar em proveito próprio contra os trabalhadores. Mesmo na época da ditadura inexistem sequer boatos que associem Lula a qualquer tipo de delação ou acordo para se beneficiar a custa de outros. E o FHC? Por que ninguém fala do PSDB?

Lula é um homem modesto e humilde, teve a sorte de ter bons amigos que lhe emprestaram um apartamento triplex e um sítio. E o que a imprensa faz? Acusa Lula de ser dono desses imóveis. Quanta maldade! O filho de Lula, que era estagiário num zoológico, de repente fecha um negócio de milhões de reais, e o que a imprensa faz? Em vez de dar os parabéns para esse jovem empreendedor a imprensa golpista acusa Lula de envolver seus filhos em negociações espúrias. Outro filho de Lula inova e cria um torneio de futebol americano, e lá vai a imprensa acusar Lula de algum crime novamente. O pobre sobrinho de Lula começa a ter sucesso e pronto! Lá vem a imprensa dizendo que isso tem a ver com corrupção e Lula. Que culpa Lula tem nisso tudo??? E o Aécio? Por que ninguém fala do PSDB?

Algumas empresas, em sinal de gratidão, decidem dar uma ajuda para o Instituto Lula (algo absolutamente legal e normal), e lá vem os golpistas novamente dizendo e inventando absurdos sobre Lula. Ora, e o FHC??? por que ninguém fala do PSDB???

Temos agora o escândalo do petróleo e a Lava-Jato, adivinhem quem a imprensa culpa? Sim, culpam Lula de novo. Que culpa pode ter Lula no escândalo da Petrobras, acaso ele podia saber de tudo? Estádio do Corinthians, culpam Lula. Escândalo no BNDES, culpam Lula. E o Aécio? Por que não falam do Aécio?

Os delatores da odebrecht citam Lula, envolvem seu honesto nome em transações criminosas. Ora, desde quando bandidos podem ser levados a sério ao mancharem o nome de Lula? E o FHC? Por que não falam do FHC?

Resumindo: Lula não está milionário com dinheiro de corrupção, suas palestras eram honestas fonte de recursos, ele não é dono do Triplex (apenas visitava com frequência), ele não é dono do sítio (que é de um amigo que lhe emprestava), não tem culpa de seus filhos e parentes serem fenômenos no mundo dos negócios, não pode ser culpado por ser presidente na época do mensalão (quando seus principais assessores estavam envolvidos), não pode ser responsabilizado pelas delações de vários delatores que o colocam no centro do escândalo do petróleo. Lula também não pode ser culpado apenas porque o ministério público fez um power point que o coloca como chefe do petróleo. Por que ninguém fala do Aécio e do FHC? Do PSDB ninguém fala nada!

Eu acredito na inocência de Lula. Pouco importam os fatos e as provas, Lula será eternamente inocente! Essa é a visão e o discurso de um petista padrão. Eles não se chocam com a corrupção e nem com a roubalheira generalizada. Só tem uma coisa que revolta esse pessoal: o pixuleco. Por isso eu digo: viva o pixuleco!

domingo, 16 de abril de 2017

Mensagem de Páscoa do Sachsida: Obrigado a todos que não se calaram!

Hoje é Páscoa, uma data especial que celebra a vitória de Cristo de sobre a morte. Na missa de hoje tanto as leituras como o sermão repetem o mesmo tema: procure as coisas altas. Ou, em outras palavras, não busque o pecado mas faça de sua vida uma constante busca pelo que que é bom.

Hoje eu quero agradecer todas as pessoas que lutaram, sofreram, ou morreram em defesa dos valores de nossa sociedade. Fiquei absolutamente chocado com a leitura de um texto do Mario Sabino (O Antagonista). O texto mostra como o LuloPetismo destruiu o Brasil, mostra como pessoas que se opuseram a essa quadrilha foram perseguidas, mostra como a estrutura do estado brasileiro foi posta a serviço de bandidos.

Deixo aqui meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que puseram seu emprego, sua vida, sua família em risco para denunciar as mazelas do LuloPetismo. Obrigado a todos que combateram o bom combate, de coração muito obrigado! Só Deus sabe pelo que vocês passaram, pelo sofrimento, pela solidão e angústia e desespero, por todas as mazelas e desafios que vocês foram expostos por denunciarem uma quadrilha que tomou de assalto nosso país. Este post é uma pequena homenagem e agradecimento a seu trabalho, dedicação e luta em prol de um país melhor e mais justo. Obrigado!

Abaixo o texto de Mario Sabino:

Dossiê dos aloprados: o dia em que fui indiciado
Brasil 15.04.17 18:20

A revelação de que o dinheiro dos aloprados era da Itaipava/Odebrecht dá um ponto final a um dos episódios que marcaram a minha vida. Eu, Mario, escrevi um artigo a respeito do assunto, publicado na nossa newsletter e também no livro "Cartas de um Antagonista".

Aí está o artigo:

O dia em que fui indiciado
No dia 29 de janeiro de 2008, a PF indiciou-me na esteira do escândalo dos aloprados. Durante dois anos, o redator-chefe da revista Veja permaneceu como o único indiciado nessa vergonha.
Em 15 de setembro de 2006, pouco antes do primeiro turno das eleições, petistas foram presos pela PF num hotel de São Paulo, com o equivalente a mais de 1,7 milhão de reais em espécie. O dinheiro era para comprar um dossiê falso contra José Serra, que concorria contra Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. Como de hábito, Lula correu para dizer que não tinha nada a ver com aquilo, que se tratava de "um bando de aloprados".
Reuni um editor-executivo e três repórteres para fazer uma reportagem sobre o caso. A missão era obter a foto da dinheirama -- mantida sob sigilo pela PF -- e informações exclusivas sobre a malandragem. Missão dada, missão cumprida. Eles não apenas conseguiram a foto, como descobriram que Freud Godoy, segurança de Lula, e José Carlos Espinoza, assessor do então presidente da República na campanha de reeleição, haviam visitado secretamente o aloprado Gedimar Passos na carceragem da PF.
Publicada a reportagem, a PF negou o encontro de ambos com o preso, mas abriu uma sindicância interna para apurar a história. Os repórteres foram gentilmente convidados a relatar de viva voz a sua descoberta a um delegado. Eles foram acompanhados de uma advogada da Abril.
Eu ainda estava em casa, quando recebi um telefonema do editor-executivo que comandara a reportagem. Um dos repórteres havia ligado para ele -- na verdade, uma repórter -- e, muito nervosa, dissera que o delegado intimidava os jornalistas da revista e a advogada da Abril, sob o silêncio da representante do Ministério Público. O sujeito gritava que a Veja era mentirosa, além de exigir que eles revelassem fontes e como tinham obtido a foto do dinheiro.
Telefonei para Márcio Thomaz Bastos e deixei recado para que me ligasse. Em seguida, entrei em contato com Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati, que estava em São Paulo. Os dois se dispuseram a seguir para a sede paulista da PF, a fim de exigir que os repórteres e a advogada fossem liberados. Nesse meio-tempo, recebi o telefonema de Márcio Thomaz Bastos. Disse ao ministro da Justiça que ele segurasse os seus aloprados. Márcio Thomaz Bastos mandou que a PF liberasse todos imediatamente. A sua ordem foi seguida, sob comentários irônicos do delegado intimidador.
Na redação, chamei os envolvidos e cruzei as versões. Todos confirmaram a intimidação e me forneceram detalhes idênticos. O editor-executivo ligou para a representante do MP, que também relatou a situação vexatória sofrida pelos jornalistas e pela advogada. A essa altura, os jornais começaram a me procurar. No dia seguinte, noticiaram o absurdo. O Globo reproduziu o meu diálogo com Márcio Thomaz Bastos. Diante da repercussão, a representante do MP voltou atrás na sua versão e afirmou que não havia ocorrido intimidação. Os jornais colocaram a versão dos repórteres da Veja em dúvida. Fui adiante, com o aval do diretor de redação. Escrevi uma matéria para contar o episódio aos leitores da revista. A Veja ainda publicaria mais duas reportagens sobre o delegado intimidador. Entre outras coisas, descobriu-se que a PF o havia "importado" de Sorocaba, a fim de interrogar os jornalistas.
A PF abriu outra sindicância interna. Meses depois, concluiu que não havia ocorrido intimidação. O caminho estava aberto para que o delegado intimidador me processasse por ter escrito a reportagem que relatara o absurdo cometido contra a liberdade de imprensa. Fui acusado de calúnia e difamação. Curiosamente, o delegado que conduziria o inquérito era o mesmo que havia chegado à conclusão de que os repórteres e a advogada da Abril não tinham sido constrangidos.
Ao ver que o clima estava pesado para mim -- eu também era alvo constante dos blogueiros sujos do PT --, Roberto Civita resolveu contratar bons criminalistas. Roberto Podval e Paula Kahan Mandel me defenderiam. Vi-me intimado a depor na mesma PF que havia esquecido os aloprados, absolvidos que foram, em 2007, por "falta de provas". O delegado havia acordado com os meus advogados que eu falaria e sairia de lá sem acusação formal.
Prestei o depoimento, deram-me a transcrição para eu ler, pedi para que corrigissem o português e assinei. Levantei-me para ir embora, mas o delegado pediu que eu assinasse outro papel. Era o meu indiciamento. Roberto Podval e Paula Kahan Mandel tomaram o papel das minhas mãos e entraram numa discussão acalorada com o delegado. Saí da sala e, apesar da porta fechada, o andar inteiro ouvia os gritos que de lá ecoavam. Fui indiciado à revelia. O delegado recebera ordens para me indiciar de qualquer jeito. A PF havia sido balcanizada pelo lulopetismo.
No início de 2010, finalmente, depois de muitas idas e vindas, a ação penal contra mim foi trancada pela Justiça Federal de São Paulo, mediante habeas corpus impetrado pelos meus advogados. O desembargador Otavio Peixoto Junior escreveu:
"Óbvio que os jornalistas não inventaram nada. Alguma coisa o delegado fez que foi sentida ou interpretada como constrangimento e intimidação. Os repórteres não iriam inventar, tirar isso do nada. A meu juízo, o que há é mera notícia de fatos no exercício da liberdade de imprensa e isso é tudo. O que pode haver de mais é o uso do inquérito como retaliação e não duvido que, fosse caso de dilação probatória, surgissem elementos de convencimento dessa hipótese."
O delegado intimidador caiu do telhado e morreu (não é piada). Paula Kahan Mandel deixou a advocacia e se mudou para Nova York. Roberto Podval se tornaria advogado de José Dirceu ("Mas o seu foi o caso mais difícil que enfrentei", brinca ele). A advogada da Abril morreu de câncer. Os três repórteres e o editor-executivo saíram da Veja bem antes de mim. O dinheiro dos aloprados foi para a União.

sábado, 15 de abril de 2017

O Povo Brasileiro Merece Esclarecimentos Sobre o Porto de Mariel em Cuba: O BNDES deve explicações a sociedade


Sejamos claros: é intolerável, para dizer o mínimo, o silêncio da direção atual do BNDES.

Sejamos claros: o BNDES precisa explicar a sociedade brasileira os motivos de ter usado mais de 600 milhões de dólares para financiar um porto em Cuba.

Sejamos claros: não basta a direção atual do BNDES dizer que tal empréstimo foi feito na gestão anterior. TODOS os dados e pormenores relativos a esse empréstimo precisam ser esclarecidos a sociedade.

Aqui segue a notícia no OGLOBO: Lula pressionou BNDES a aprovar financiamento de porto em Cuba, diz Emílio Odebrecht

Coloque as palavras Odebrecht, BNDES e Cuba no google e você verá o tamanho do escândalo. Então pergunto: quando é que o BNDES irá prestar esclarecimentos a sociedade? Quando é que o BNDES fará uma comissão interna para indicar os envolvidos e punir os que participaram desse escândalo? Quando é que o BNDES irá liberar TODOS os documentos referentes a essa transação?

Em 24 de setembro de 2014 ingressei na justiça federal para ter acesso aos documentos referentes ao financiamento providenciado pelo BNDES para a construção do Porto de Mariel em Cuba. Esse dinheiro é dinheiro público, e portanto se sujeita ao princípio da transparência.

No dia 19 de setembro de 2016 o juiz acolheu meu pedido. Contudo, a defesa do BNDES interpôs embargos de declaração com efeitos infringentes. O que me impediu de ter acesso a esses documentos até nova sentença do juiz.

No dia 10 de março de 2017 o juiz rejeitou os embargos. Tal decisão me daria o direito de ter aceso aos documentos secretos referentes ao financiamento providenciado pelo BNDES a Odebrecht para a construção do Porto de Mariel em Cuba.

Adivinhem o que aconteceu??? No dia 04 de abril de 2017 a Advocacia Geral da União interpôs recurso de apelação. Esse procedimento, uma vez mais, evita que eu tenha o direito de ter acesso a documentos referentes a empréstimos realizados com recursos públicos. Agora é necessário aguardar mais outra decisão para ver se terei direito a saber o que o BNDES fez com recursos públicos.

Pergunto honestamente a diretoria atual do BNDES: vocês consideram isso justo? Por que recorrer da decisão? Por que, uma vez mais, tentar evitar que o público tenha acesso a documentos de empréstimo realizados com recursos públicos? Honestamente, creio que a diretoria atual do BNDES deva explicações a sociedade.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Reformar a previdência sem mexer com os supersalários de alguns aposentados é moralmente absurdo


Imagine um pedreiro que começou a trabalhar aos 18 anos de idade. Hoje esse pedreiro tem 48 anos de idade, e já contribui com a previdência a 30 anos. De acordo com as regras atuais esse pedreiro precisa contribuir por mais 5 anos para se aposentar. De acordo com o texto da reforma da previdência enviado pelo governo ao Congresso, caso tais regras sejam aprovadas, esse mesmo pedreiro teria que contribuir por outros 17 anos para se aposentar. Entenderam o tamanho do sacrifício que esse pedreiro terá que fazer?

Agora imagine um funcionário público com 55 anos de idade que já esteja aposentado e recebendo uma aposentadoria de R$ 30 mil por mês (é isso que chama-se supersalários de alguns aposentados). Sabe o que acontecerá com esse funcionário público aposentado se o governo aprovar todas suas medidas? NADA! Isso mesmo, por um lado a reforma da previdência exige um sacrifício enorme de parcela da população, mas por outro lado deixa intocados funcionários públicos que recebem verdadeiras fortunas de aposentadoria. Isso é moralmente absurdo (para dizer o mínimo).

Ocorre que quem já está aposentado tem "direito adquirido" ao passo que os que estão para se aposentar possuem apenas "expectativa de direito". No direito previdenciário o direito adquirido é intocável. Isso implica que nenhuma reforma da previdência pode tirar direitos de quem já se aposentou. Contudo, não existe direito adquirido no direito tributário. Isto é, caberia ao governo propor algum tributo para ao menos cobrar parte do sacrifício da reforma junto aos aposentados que ganham acima de R$ 30 mil por mês.

Sejamos claros: é absolutamente imoral pedir sacrifícios ao pedreiro sem ao mesmo tempo cobrar a cota de sacrifícios de pessoas que se aposentaram com supersalários. Claro que essa é uma discussão jurídica difícil, mas acaso é fácil pedir ao pedreiro que triplique seu tempo de contribuição para se aposentar? A reforma da previdência deve seguir uma regra simples: todos precisam dar sua cota de sacrifício, não é admissível a questão das superaposentadorias ficar de fora do debate.

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