quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Mensagem de Fim de Ano

Caros Amigos,

Apesar de ser um blog relativamente novo (comecei o blog em julho desse ano), já atingimos a média de 150 acessos diários (com picos de 182). O blog foi lido em 32 países e teve acessos de 129 cidades brasileiras. Valeu a luta, valeram os comentários. Aos poucos as idéias liberais estão voltando ao debate, e os blogs têm sido a arma principal dos liberais nessa batalha. Não temos acesso a grande mídia, mas blogs como o Selva Brasilis, o Degustibus, o Resistência, o Orlando Tambosi, entre outros, têm lutado bravamente para manter viva a chama da liberdade em nossa sociedade.

Nesse ano, conseguimos realizar o Encontro de Liberais em Brasília. Para o próximo ano, novos projetos estão agendados. Creio que será possível realizarmos um novo Encontro de Liberais já em março, talvez possamos realizar esse Encontro em Goiania. Também estou pensando num novo formato para esse blog em 2008. Espero contar com contribuições externas e com entrevistas. Também para fevereiro/março do ano que vem esta previsto o lançamento de meu livro (em conjunto com João Batista B. Machado) : "Fatores Determinantes da Riqueza de uma Nação". Enfim, o próximo ano promete ser repleto de trabalho e de realizações.

Eu voltarei a postar matérias no Blog a partir do dia 07 de janeiro de 2008. Me despeço agora fazendo minhas as palavras do parágrafo final do livro "O Fio da Navalha": não sei se esse foi um bom livro, mas aqui todos encontraram o que procuraram. Os que procuraram a felicidade a encontraram, os que procuraram pela morte também a encontraram. Acho que isso já torna o livro especial.

Que o ano de 2008 torne seus sonhos realidade: que os que sonham com o liberalismo encontrem espaço para suas idéias, e tenham a chance de viver em paz. Aos que sonham com o marxismo/comunismo também faço votos de que encontrem o que tanto procuram.

Que 2008 seja repleto de paz, saúde, felicidade, amor e realizações para todos.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Mensagem Natalina

Em 2000, durante o Encontro de Economistas que ocorreu em Belém-PA, eu estava sentado no saguão do hotel quando vi um velhinho. O velhinho estava lá calado e sozinho. Me aproximei dele e disse: “Parabéns professor, acabei de ler um artigo que mostra que, nos últimos 15 anos, o Sr. é um dos oito brasileiros que conseguiu publicar um artigo na Blue Ribbon (lista com os periódicos mais importantes da área de economia)”. O velhinho era o Professor Moldau da USP. Ele sorriu, parecia não acreditar no que estava ouvindo. Os olhos dele brilhavam de alegria, e ele me perguntou como eu sabia daquilo. Mostrei a ele então o artigo sobre a produtividade internacional dos economistas brasileiros, escrito pelo professor João Faria. O Professor Moldau estava muito alegre com aquela noticia, parecia que finalmente anos de trabalho estavam sendo reconhecidos de uma maneira adequada. Ele me pediu uma cópia do artigo. Alguns meses depois esse artigo foi publicado pela Revista Economia Aplicada. Coincidência ou não, após esse artigo do professor Faria outros artigos começaram a aparecer medindo a produtividade dos economistas brasileiros. Logo, a própria CAPES começou a aumentar a importância de se publicar artigos em revistas especializadas. Não digo que foi apenas o artigo do professor Faria que gerou tudo isso, mas me parece inquestionável que esse artigo teve importância fundamental nesse processo.

Gosto de acreditar que tal como um artigo isolado começou um movimento positivo, pessoas também são capazes de começar movimentos positivos. Essa é a mensagem natalina que gostaria de passar: é possível melhorar nosso mundo. Basta trabalharmos sério e com competência. O resto virá com o tempo. Após o artigo do Professor Faria, outros professores passaram a escrever sobre rankings de produtividade acadêmica. Tais rankings ajudaram a estabelecer o mérito acadêmico (publicações) como um critério importante na avaliação de pesquisadores e centros de economia. Nesse ano, um novo trabalho do Professor Faria (com os Professores Claudio Shikida e Ari Araújo Jr.) mostra que, desde a publicação do artigo original, a qualidade da pesquisa econômica no Brasil melhorou. Ou seja, basta identificarmos os problemas corretamente e apontarmos as soluções adequadas que também somos capazes de evoluir.

Há 200 anos atrás os Estados Unidos também eram uma selva. Hoje eles são uma civilização. Nós também somos capazes. O problema do Brasil já foi identificado por nós liberais: temos um Estado muito grande que sufoca a liberdade econômica. A ausência de liberdade diminui, ou suprime, os incentivos adequados ao desenvolvimento de nossa nação. Basta agora implementarmos nossa solução: DIMINUIR O TAMANHO DO ESTADO BRASILEIRO. Claro que isso não é fácil, mas quem disse que civilizar a selva é um desafio pequeno?

Feliz Natal a todos.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Pede pra sair 01.... voce e uma fanfarrona 02

De acordo com a Infraero, ate as 23 horas de sexta-feira, 31% dos voos estavam atrasados e 8% foram cancelados. Ou seja, praticamente 40% dos voos apresentaram problemas. De maneira mais simples, de cada 10 voos 4 tiveram problemas. Isso nao impediu o Ministro Jobim de afirmar "Podem viajar tranquilos e tomando um chimarrao se quiserem". O ministro quase acertou, ao inves de chimarrao as pessoas tomaram foi um tremendo cha de cadeira.

Ja Solange Vieira, presidente da ANAC, foi mais enigmatica: "o caos aereo acabou". Se o caos aereo acabou, o que esta comecando???? Enigmatica e misteriosa ela foi alem e disse: "e um indice alto, mas a malha aerea esta comecando hoje e as companhias estao tendo que se adaptar". Mas se a nova malha aerea atrapalha no comeco, entao por que nao foi implementada semana passada? ou entao em duas semanas? Por que a malha aerea comeca justamente num periodo de alto movimento?

O mais engracado e ver os responsaveis dizendo que em 2 semanas os problemas estarao resolvidos.... claro, estarao resolvidos porque em 2 semanas ja passaram o natal e o ano novo. E o que acontecera no carnaval?

Jobim e Solange nao sao estupidos, seria mais digno da parte deles reconhecer o caos e respeitar o sofrimento dos que estao nos aeroportos. Essa atitute de negar o obvio, alem de insensata, e desrespeitosa com o bom senso das pessoas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal, Fé e Capitalismo*

O que é fé? A maior parte das pessoas responderá que fé é a capacidade de acreditar em algo sem ter provas. Por exemplo, ter fé no Natal implica em acreditar que o Natal é uma época mágica, sem precisarmos de evidências em favor disso. MENTIRA. Nós seres humanos NÃO TEMOS a capacidade de acreditar em algo sem termos evidências. Fé é uma busca de racionalização de fenômenos que ainda não entendemos. Temos fé que o Natal é uma época mágica pois nessa época do ano nós nos tornamos seres melhores. Fazemos doações, ligamos para pessoas amadas, enfim, tentamos ser alguém melhor do que somos. É por isso que temos fé no Natal, pois ano após ano ele se repete, e ano após ano tentamos ser alguém melhor, especialmente nessa época.

Eu tenho doutorado e pós-doutorado em economia, já lecionei nos Estados Unidos, já trabalhei como consultor do Banco Mundial, já publiquei diversos artigos internacionalmente. Mas, toda vez que dou aulas de Introdução a Economia (o primeiro curso que um aluno de economia cursa), para alunos de 17 anos, eles NUNCA acreditam no que eu digo. Tenho que provar tudo para eles, caso contrário não aceitam minha explicação. Estão corretos. Com este exemplo, espero ter deixado claro que nossa espécie é incapaz de acreditar em algo sem termos evidências. Notem que minha titulação e experiência, aliada à falta de titulação e pequena experiência de alunos de primeiro ano, deveria implicar que eles acreditassem em mim. Isso nunca acontece. Não é de nossa raça aceitarmos fatos sem questioná-los.

Se temos fé na Bíblia não é por sermos imbecis. Se temos fé no Criador, não é por sermos estúpidos. Nossa fé num ser superior não existe por acaso. Ela existe porque pessoas que confiamos já presenciaram milagres, ou então porque no nosso dia-a-dia nós mesmos presenciamos fatos que reforçam nossa crença. Temos fé que o Natal é mágico porque somos capazes de olhar a nossa volta e notar como, nessa época do ano, o espírito das pessoas muda para melhor. Fé é luz, não escuridão.

Será que o capitalismo acabou com o espírito natalino? NÃO, em momento algum o capitalismo vai de encontro ao ritual cristão. A filosofia cristã se baseia em dois pilares: amor a Deus e livre arbítrio. O capitalismo é justamente o sistema que permite aos indivíduos fazerem suas próprias escolhas. O capitalismo torna a caridade não uma obrigação, mas sim um desejo íntimo, uma escolha. É da escolha do indivíduo amar a Deus, é da escolha do indivíduo aceitar o Natal como uma época mágica. O capitalismo, ao transferir a responsabilidade das decisões para o indivíduo, deixa a todos na posição que nos foi dada por Deus: é nossa escolha amar a Deus ou não, é nossa escolha fazermos o bem ou o mal, é nossa escolha tornarmos o Natal uma época mágica ou não. Talvez seja por isso que tantos odeiem o capitalismo: aqui não há como transferir a culpa de suas ações para outros. De meu lado, é por isso que eu admiro esse sistema: é aqui que o direito sagrado ao livre-arbítrio alcança sua plenitude.

*: o Olavo de Carvalho tem um excelente texto sobre Fé e Natal, extrai algumas idéias de lá.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O último a sair apague a luz!!!!

Só falta um outdoor com esses dizeres na ilha da fantasia comunista.... popularmente conhecida como Cuba.

No ritmo que as fugas estão já já Fidel vai ter que começar a importar comunista.... algum comunista disponível? Algum socialista interessado?

Engraçado como os admiradores de Cuba fazem questão de manter uma distância segura da ilha.... por que será?

Fidel Castro é um dos maiores ASSASSINOS de todos os tempos ainda vivo. Pena que irá morrer antes de ir preso e pagar por seus crimes, escapou da justiça dos homens... mas cedo ou tarde todos pagam por seus crimes. Com Fidel não será diferente.

Por que somos obrigados a ler obras de escritores brasileiros?

O que você acha de Universidades Estaduais cobrarem em seus respectivos vestibulares conhecimentos regionais? Isto é, imagine um aluno paulista indo prestar vestibular em Santa Catarina, deveria ele ser obrigado a conhecer a história de Santa Catarina? Acredito que a maioria das pessoas irá responder que não. Afinal, um aluno paulista não aprende sobre a história de Santa Catarina no segundo grau. Contudo, um aluno catarinense aprende sobre a história de seu estado. Assim, incluir no vestibular questões referentes a história de uma região beneficia alunos locais em detrimento dos que provém de outros estados.

Se é errado incluir questões regionais no vestibular, então por que somos obrigados a ler obras de escritores brasileiros? Alguns responderão que temos que ler escritores nacionais para conhecer e valorizar a cultura de nossa região. Mas se valorizar a cultura de uma região é lícito, então qual é o problema em se perguntar questões regionais no vestibular? Incluir questões sobre escritores nacionais no vestibular é tão bairrista quanto incluir questões sobre a história de uma região. Afinal, não seria melhor que aos alunos fossem indicados os MELHORES livros e autores independente da nacionalidade? Por que nossos alunos devem ter seus conhecimentos restritos a autores nacionais? Qual é o mal em ser educado no que de melhor a humanidade produziu em termos de literatura?

Se o Brasil fosse capaz de entender que a cultura pertence à humanidade, e não à um país em particular, teríamos muito a ganhar. Quando Shakespeare, ou Tolstoi, ou Balzac, produziram suas obras elas passaram a fazer parte do acervo da humanidade, independentemente da nacionalidade do autor. Negar o acesso de estudantes a tais obras, apenas porque seus autores não refletem a cultura nacional, é um erro grave de concepção da palavra “cultura”. Quando um país nega a seus estudantes o acesso ao que o mundo produziu de melhor, inevitavelmente o acesso ao que o mundo não produziu de melhor passa a ser a única opção. Em palavras, a formação do aluno passa a ser deficiente.

A implicação do parágrafo acima é mais poderosa do que muitos podem imaginar. Por exemplo, uma nova lei esta sendo discutida no Congresso Nacional para OBRIGAR a televisão à cabo a aumentar a inserção de programas nacionais em sua grade horária. Qual é o argumento para essa lei? Resposta: proteger e valorizar a cultura nacional. Da mesma maneira que deveríamos ser favoráveis ao estudo dos melhores escritores do mundo (independente da nacionalidade), também deveríamos ser contrários à qualquer lei que tente nos obrigar a pagar por um canal que não queremos, apenas por ele valorizar a cultura nacional.

Se a cultura nacional é tão importante assim, certamente os indivíduos irão comprar tanto livros de escritores nacionais como pacotes de TV à cabo com programação nacional. Não é necessário que o Estado interfira nesse processo. Aliás, a intervenção estatal nesses mercados, obrigando o brasileiro a consumir algo que não quer, mostra claramente a insignificância da cultura nacional para a maioria dos brasileiros. Nesse ponto o brasileiro está correto: entendeu perfeitamente que a nossa cultura não se restringe ao nosso país. Ao contrário, a cultura engloba o que de melhor a humanidade já produziu. Aceitar que o Estado nos limite o direito a usufruir de tal cultura é um golpe severo na liberdade individual.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

CPMF

Já há algum tempo os economistas reconhecem que os gastos dependem da renda permanente. A CPMF, por definição, era uma uma contribuição provisória. Fosse o governo minimamente prudente, teria aproveitado os 10 anos que duraram essa contribuição “provisória” para realizar os ajustes necessários nos gastos públicos. Contudo, ao invés de cortar gastos o que se viu nesse período foi o aumento dos gastos públicos.

O governo esta estudando novas medidas para suprir a ausência da CPMF, mas eu AFIRMO: não são necessárias medidas algumas para recompor o orçamento, pois em 2008 a redução na arrecadação, em virtude da não renovação da CPMF, será muito menor do que a estimada pelo governo. São três os motivos que me levam a fazer tal afirmação:

1) Os R$ 40 bilhões que não serão arrecadados pela CPMF não irão desaparecer da economia. Muito desse dinheiro será gasto em consumo e irá pagar impostos, com uma carga tributária acima de 35% do PIB, podemos arriscar que perto de R$ 12 bilhões serão arrecadados pelo governo em outros impostos.
2) Com a eliminação da CPMF é provável que os empresários vendam mais, vendendo mais obterão maior lucro. Com isso, teremos um estímulo a realização de novos investimentos que aumentarão o nível de emprego na economia. Esse movimento também aumenta a arrecadação do governo.
3) Já existe uma tendência de crescimento da arrecadação, e não parece haver indícios de que essa tendência irá se reverter no próximo ano.

Estimo que juntos os itens 1, 2 e 3 implicarão num valor próximo a R$ 30 bilhões de receitas para o governo. Ou seja, a real queda na arrecadação para o próximo ano não deve ultrapassar os R$ 10 bilhões. Note que isso ocorrerá MESMO que o governo não tome providência alguma. Além disso, temos que levar em consideração que a arrecadação do governo em 2007 foi mais de R$ 40 bilhões superior a de 2006 (em termos reais). Isto é, durante o ano de 2007 o governo aumentou sua arrecadação num valor equivalente a uma NOVA CPMF. Assim, NÃO HÁ razão para o governo reclamar que esta arrecadando poucos recursos. Também não há motivo para dizer que os males do país se devem a ausência da CPMF. O governo arrecada muito, o problema é que gasta mal. Aliás, já está na hora do governo começar a reduzir seriamente seus gastos. Minha primeira sugestão é parar de enviar dinheiro para o MST e para as ONG’s.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Trabalho e Riqueza

De acordo com o Bol Notícias (e outros veículos de comunicação) o Presidente do IPEA, Professor Marcio Pochmann, fez a seguinte afirmação: "Essa produtividade justifica a razão pela qual não há, do ponto de vista técnico, [motivo para] alguém trabalhar mais do que quatro horas por dia durante três dias por semana." Em suma, Pochmann sugere que não existem impedimentos para que o trabalhador trabalhe apenas 3 dias por semana e 4 horas por dia.

O que levou o presidente do IPEA a fazer tal afirmação? Acredito que ele tenha em mente um modelo marxista de mais valia. Ou seja, dada a participação do trabalhador na renda nacional, 3 dias por semana e 4 horas de trabalho por dia seriam suficientes para remunerar o trabalhador. Qualquer jornada de trabalho superior a essa seria apenas para garantir a remuneração do capital. Esse tipo de argumentação tem uma falha importante: assume, corretamente, que a produção atual está dada; mas ERRA ao assumir que a produção futura também está dada. Explico: quando ocorrer a redução da jornada de trabalho, a produção atual não será afetada. Logo, nada irá ocorrer no primeiro momento. CONTUDO, a produção futura depende do trabalho futuro. Caso o trabalho futuro seja suficiente apenas para remunerar o trabalhador, então os detentores de capital não terão incentivo para continuarem no processo produtivo. O resultado é a queda da produção e uma piora nas condições de vida tanto do trabalhador como do empresário. O argumento marxista falha em compreender que se o capital não for remunerado, então não poderemos contar com ele na produção. Afinal, da mesma maneira que o trabalhador não aceita trabalhar de graça, o empresário também não aceita não ser remunerado pelo empréstimo de seu capital.

Que tal analisarmos a afirmação do presidente do IPEA do ponto de vista clássico? Será que ela pode fazer sentido? SIM, tal proposta pode fazer sentido. Acontece que no mundo clássico os agentes respondem a incentivos (e não há um papel importante para a mais-valia marxista). Do ponto de vista clássico, pelo menos em termos teóricos, uma redução na jornada de trabalho pode gerar um aumento tão grande na produtividade que tal redução valha a pena. Por exemplo, vamos assumir que um corredor seja obrigado a correr 8 horas por dia. Nesse tempo ele é capaz de correr 40 km. Quantos quilômetros o mesmo corredor correria se sua jornada fosse reduzida a 6 horas diárias? Talvez o corredor corresse menos do que 40 km; talvez ele continuasse correndo os mesmos 40 km; ou ainda ele fosse capaz de correr mais de 40 km (pois agora ele pode gastar mais energia em menos tempo). Assim, tudo irá depender de como a produtividade do trabalhador irá reagir a uma redução na jornada de trabalho. Um exemplo prático é o mundo do Boxe. No passado as lutas de boxe eram divididas em 15 rounds. Os empresários do setor notaram que isso tornava as lutas monótonas no começo (afinal os lutadores tinham que se poupar para os últimos rounds). Hoje as lutas de boxe possuem 10 rounds (redução de 33%) justamente para tornar as lutas mais dinâmicas.

A maior parte da evidência empírica parece sugerir que a resposta da produtividade, a uma redução na jornada de trabalho, não é tão grande quanto a necessária para tornar a redução de horas uma alternativa viável. Assim, pelo menos por enquanto, o mais provável é que uma redução na jornada de trabalho leve a uma redução na produção e a uma piora no bem estar de toda a sociedade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A Vitória de Chavez

Estranha é a comemoração de algumas pessoas, celebram a derrota de Chavez no plebiscito. Chavez não foi derrotado. Derrota é algo muito diferente do que aconteceu. Chavez obteve uma vitória importante: mostrou que pode tudo, e que todos os demais devem aceitar sua vontade. Num país minimamente civilizado, Chavez teria sido retirado da presidência do país. Na Venezuela, nada aconteceu.

A aceitação do plebiscito, proposto por Chavez, como um instrumento legítimo da democracia foi a grande vitória chavista. Isso NUNCA poderia ter ocorrido. No próximo ano Chavez irá propor outro plebiscito. Afinal, se o plebiscito já foi aceito como instrumento democrático, então qual o problema de propor outro?

O mundo assistiu inerte ao que ocorreu na Venezuela, faltaram posturas contrárias de respeito. O governo Brasileiro só faltou aplaudir o plebiscito, e o mesmo ocorreu com diversas outras repúblicas latinas. Faltou alguém ir contra o princípio e não contra o resultado. O princípio em que Chavez se apoiou nunca foi seriamente questionado, logo ele terá como usar do mesmo expediente no futuro. O resultado do plebiscito é o que menos importa, o que realmente importa é a possibilidade do governo desrespeitar leis desde que tenha o apoio da maioria. Isso por si só já demonstra que a Venezuela vive num regime ditatorial. O fato de Chavez ter sido capaz de convocar um plebiscito, sobre temas que afrontam diretamente o Estado de Direito, foi a grande vitória de Chavez.

O fato de Chavez ter perdido o plebiscito foi uma derrota menor quando comparada a importância da vitória obtida antes. A grande vitória Chavista foi legitimizar o uso do plebiscito como instrumento geral, e não de exceção, da democracia. Plebiscitos não devem ser convocados a todos os momentos. Leis não podem ser desrespeitadas apenas porque a maioria não quer cumprí-las. Por exemplo, que tal um plebiscito para dividirmos o patrimônio das 1000 pessoas mais ricas do Brasil? Ora, toda a população iria se beneficiar dessa redistribuição. Por que ser contrário a um plebiscito assim? Simples: porque não cabe a maioria decidir sobre isso. Não cabe a maioria decidir sobre o destino das pessoas. Cabe às leis garantir a vida e o patrimônio dos indivíduos que vivem em sociedade. Determinados fatos da vida em sociedade estão além da vontade do povo. Aceitar um plebiscito para legislar sobre tais fatos é uma derrota gigantesca para qualquer sistema democrático.

ANPEC / SBE


Preciso falar algo mais?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Determinações do Encontro de Pensadores Liberais

1. A liberdade de pensamento é ilimitada e nunca deve ser restringida. Contudo, a liberdade de ação não desfruta do mesmo status. Você pode ter opinião a favor ou contra qualquer movimento ou lei; mas tomar parte em ações contrárias a liberdade individual de outro é crime;

2. Propriedade privada tem que ser respeitada. Ela é um pilar fundamental da sociedade e garante a estabilidade social. Movimentos que atentem contra a propriedade privada geram necessariamente distúrbios socias e aumentam a violência. Não existe função social da terra. Movimentos que invadam propriedades privadas são ilegais e seus participantes devem ser presos;

3. Adoção da máxima de Hayek: “Toda lei deve valer para todos”. Isto é, nenhuma lei pode ser aprovada em benefício, ou detrimento, de um grupo em particular. Por exemplo, uma vez aprovado um subsídio, ou imposto, ele deve valer para todos na sociedade. Uma lei nunca pode ser restrita a um grupo particular.

4. Diminuição do poder do Estado pela transferência de poderes da União para Estados e Municípios. O poder central não pode acumular mais poder do que os Estados e Municípios, esse princípio diminui o poder do Estado sobre o indivíduo.

Agradecimento

Obrigado aos 34 participantes do Encontro de Pensadores Liberais. Obrigado aos meus colegas de Goiania, Brasília e Rio de Janeiro que puderam vir ao Encontro.

Foi ótimo tê-los aqui para trocarmos idéias e experiências. Em breve estarei divulgando novas iniciativas para mantermos viva a chama do ideal liberal.

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 5

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 4

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 3

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 2

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 1

domingo, 2 de dezembro de 2007

Piada do ano

Um reporter faz a seguinte pergunta ao presidente Lula:

- Presidente, uma pesquisa recente de opiniao publica diz que 63% dos entrevistados sao contra a reeleicao. O que o Sr. acha disso?

- Isso nao quer dizer nada, pois se tivessem perguntado para mim nao seriam 63 seriam 64.....

sabem qual e a graca da piada???? E que nao e piada.... nosso presidente proferiu essa perola da sabedoria.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Discurso de Abertura do Encontro de Pensadores Liberais: Mudar o Mundo

Mudar o mundo é fácil; difícil é mudá-lo na direção certa. Hitler, Stalin, e vários outros mudaram o mundo, mas não creio que o tornaram um local melhor. Todos eles eram movidos por nobres objetivos, e todos fracassaram. Eram movidos por ideais, acreditavam estarem fazendo o melhor para seu povo. Contudo, os conduziram para a fome, miséria e destruição. Ser movido por ideais nobres não basta para tornar o mundo um lugar melhor. Mais importante do que o fim visado é o meio utilizado. Não existe um fim digno de se almejar quando os meios para alcançá-lo são ilícitos. É neste ponto que fracassam todos os inimigos da sociedade aberta, se esquecem de que os fins NUNCA justificam os meios. O desrespeito pelos meios, objetivando um bem futuro, é uma característica comum aos maiores fascínoras da humanidade.

Um homem não deve matar seu vizinho para se apoderar de sua propriedade. De maneira semelhante, não é lícito a uma sociedade sacrificar parte de seus cidadãos em prol de outros. Mesmo que os sacrifícios sejam feitos por uma minoria, em vantagem de uma maioria, não é direito do Estado exigir mais de determinados grupos do que de outros. Tão logo o Estado desrespeite esse princípio básico encerra-se a democracia e começa-se a ditadura. Tão logo o governo passe a tomar medidas restritivas à minoria, para satisfazer um desejo das maiorias, encerra-se o respeito característico de um sistema democrático. Contudo, numa sociedade baseada no voto universal, como escapar da ditadura da maioria? Como evitar que, para perpetuarem-se no poder, governantes satisfaçam cada vez mais uma maioria à custa do desrespeito por uma minoria indefesa?

A pergunta acima já foi feita milhares de vezes por filósofos, cientistas políticos, economistas e intelectuais preocupados com o futuro da humanidade. Respostas foram dadas, nenhuma delas perfeita, e continuam ainda sendo propostas. Não almejo aqui resolver essa questão. Proponho apenas um subterfúgio, proponho uma pergunta mais simples: o que possibilitou que pessoas bem intencionadas tomassem decisões cruéis, injustas e ainda assim mantendo-se no poder? Como ideais tão nobres, como a felicidade geral, transformaram homens comuns em ditadores sanguinários? A resposta é simples: excesso de poder. O excesso de poder na mão de poucos homens é a maior causa de genocídios da história de nosso planeta.

A democracia não é um fim em si mesma. A democracia só é importante pois ela é um instrumento para garantir a liberdade individual. Mas a democracia só é efetiva para garantir a liberdade enquanto o poder do Estado for pequeno. Um regime democrático pode ser tão sanguinário quanto qualquer ditadura. Para tanto basta que o poder do Estado seja grande o suficiente. Um liberal compreende isso. Um liberal compreende que só estará a salvo da discricionaridade do Estado enquanto este permanecer pequeno. É por este motivo que um liberal é contra um Estado grande e influente. Nós liberais sabemos de todas as ineficiências econômicas geradas pela intervenção estatal. Mas nossa objeção contra um Estado grande não é econômica, é moral.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O Jabá do IDH

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um índice, calculado pelas Nações Unidas, que tem como objetivo medir a qualidade de vida em determinado país. O índice leva em consideração 3 dimensões relacionadas à qualidade de vida: educação, saúde e renda. O IDH assume valores de 0 a 1, sendo valores mais altos preferíveis a valores menores. Muitos usam o resultado do IDH para ranquear países.

Todo ranking apresenta distorções, com o IDH não é diferente. O problema é que no caso do IDH as distorções NÃO SÃO aleatórias (não acontecem por acaso). Elas recursivamente deixam de contabilizar determinados fatores que deveriam ser verificados num ranking não-viesado. Por exemplo, recentemente o Brasil tomou uma série de medidas para diminuir a evasão escolar, e aumentar a abrangência do nível superior, esse movimento melhora a pontuação brasileira no IDH. Contudo, a piora na qualidade do ensino não é levada em consideração. Note que não discuto o mérito da política educacional brasileira, apenas menciono o fato de que tal política tem tanto implicações positivas quanto negativas. O IDH premia o aumento nas matrículas, mas não pune a piora na qualidade do ensino. De maneira semelhante, países que não aumentaram a abrangência do ensino, mas melhoraram sua qualidade são sistematicamente punidos pelo IDH.

Outro problema em relação ao IDH é que determinados países reagem a ele numa maneira pouco honesta. A idéia original do IDH era mostrar pontos em que determinado país deveria melhorar. Contudo, o resultado algumas vezes é bem diferente. Atentos as repercussões políticas do IDH, determinados governos maqueiam as estatísticas de educação e saúde para refletir uma melhora nesses indicadores, gerarando um aumento artificial no IDH do país. Ou ainda, desviam recursos de programas que não entram no cômputo do IDH para programas que podem afetar positivamente tal índice.

Ainda podemos citar que a renda de um país deveria ser uma estatística suficiente em relação à qualidade de vida nesta nação. Ou seja, basta verificarmos a renda de um país para podermos inferir sobre a qualidade de vida nele (é fato notório que países ricos possuem condições educacionais e de saúde superior a de países pobres). Não deveria ser necessário checarmos saúde e educação. Então, por que o IDH olha para essas variáveis? Existem várias respostas para essa pergunta, mas é fato que tal comportamento melhora a posição dos países que não possuem liberdade. Países com pouca liberdade costumam apresentar relatórios (acreditar neles é outra coisa) demonstrando bons índices de educação e saúde da população. Obviamente, tais nações controladas por governos autoritários, apresentam baixo desempenho econômico. Se o IDH não considerasse educação e saúde, tais sociedades despencariam no ranking. Assim, o IDH SISTEMATICAMENTE beneficia sociedades com pouca liberdade. O fato de Cuba, e de outras nações autoritárias, não estarem em posições tão ruins no IDH apenas reflete esse viés.

Se o IDH quer medir a qualidade de vida num país eu tenho uma sugestão: o teste do muro. Existem nações que constroem muros para evitar que outros entrem. Existem nações que constroem muros para evitar que seus habitantes fujam. Dizer que as últimas são preferíveis às primeiras é um erro grave e maldoso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Velhos Hábitos

"Velhos hábitos são difíceis de acabar, acabe com eles antes que eles acabem com você" (Mel Gibson, O Troco).

Torcer pra time pequeno é um velho e perigoso hábito.

O que temos que entender é que 50% do resultado de qualquer jogo é CAMISA. Assim, se seu time virar time pequeno desista. Já era. Veja o Botafogo por exemplo: não importa por quanto ele esteja vencendo o jogo, o verdadeiro botafoguense sabe que é uma questão de tempo até o fogão entregar a partida. O oposto acontece com o Grêmio, impressionante como um time repleto de pernas-de-pau sempre chega forte nas decisões... é a camisa jogando sozinha.

Flamengo, Grêmio e até o chatíssimo Coritiba são assim. A camisa joga sozinha. Já os torcedores do Botafogo, Cruzeiro e a seleção da Inglaterra... bom esses deveriam fazer como eu... torçam para o LONDRINA. O Londrina pelo menos NÃO ENGANA NINGUÉM.

Transferência de Renda

Qual é o maior programa de transferência de renda do Brasil? Pense bem.... se respondeu Bolsa Família você está errado. Tente de novo... se respondeu Previdência, errou de novo. Nem SUDAM, nem SUDENE, nem órgão estatal nenhum transferiu tanta renda quanto esse monstro: imposto de importação.

Imposto de Importação é o maior programa de transferência de renda já realizado no Brasil. Esse monstro que pune severamente os pobres, que pune severamente a população brasileira e que beneficia uma pequena, e extremamente rica, parcela da população NUNCA foi contestado. Por que tanta boa vontade com esse imposto? Por que não vemos os intervencionistas de plantão criticarem o caráter regressivo desse imposto (ele pune mais severamente os pobres do que os ricos)?

Por que o imposto de importação transfere renda? Simples, porque alíquotas altas desse imposto IMPEDEM que a população brasileira tenha acesso a bens mais baratos no exterior. Esse imposto praticamente OBRIGA todos os brasileiros a comprarem produtos produzidos no Brasil a um preço muito superior do que o cobrado no exterior. Isto é, o imposto de importação transfere renda de todos os setores da economia para uma pequena elite produtora de tais bens. Por exemplo, um laptop na DELL pode ser comprado por 750 dolares (menos de 1500 reais). Quando o governo brasileiro decide manter uma alíquota elevada para a importação de laptops ele está OBRIGANDO toda a população brasileira a comprar laptops PIORES e MAIS CAROS no Brasil. Como as pessoas que compram laptops são, na média, mais pobres do que os donos de empresas de informática, temos uma transferência de renda de pessoas mais pobres para pessoas mais ricas.

O Imposto de Importação também afeta a concentração regional da renda. Ao tornar inviável que um brasileiro compre um carro no exterior, o imposto de importação está obrigando que os brasileiros comprem seus carros de fábricas locais. Assim, consumidores do Piauí (que não possui fábrica de veículos) transferem renda para os estados que possuem fábricas de automóveis. Ou seja, o imposto de importação transfere renda de estados sem indústrias para estados industrializados. Da próxima vez que São Paulo reclamar que leva o Brasil nas costas, devemos lembrar a esse nobre estado que o resto do país é OBRIGADO a comprar produtos de indústrias paulistas. É verdade que boa parte dos impostos arrecadados em São Paulo são utilizados em outros estados, mas a conta sobre transferência de renda deve levar em conta a grande ajuda que São Paulo recebe por meio do imposto de importação.

O imposto de importação impede que empresas possam comprar tecnologia barata no exterior. Isto é, tal imposto diminui sensivelmente a produtividade e competitividade de várias indústrias brasileiras. O imposto de importação impede que vários segmentos da população tenham acesso a bens melhores e mais baratos. Ou seja, o bem estar da população é seriamente afetado. Por fim, tal imposto beneficia não só uma pequena parcela da população mas também a parcela MENOS eficiente da sociedade. O fim (ou a redução) do imposto de importação aumentaria a produtividade das empresas brasileiras, aumentaria o bem estar da população, e terminaria com este absurdo de pessoas simples transferindo renda para milionários.

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (ASA NORTE – SGAN 916)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 - 13:00 horas: Inscrição no local do evento (gratuita).
As inscrições também podem ser feitas pela internet, para tanto basta enviar um e-mail para: sachsida@hotmail.com. Qualquer dúvida ligue para (61) 8459-0343.

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:
9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
"Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho"
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.


O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do Encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Quanto custa sacanear seu vizinho?

As estatísticas macroeconômicas mundiais estão passando por uma inovação: estão sendo corrigidas pela paridade do poder de compra. No passado, comparava-se o PIB per capita em dólares entre países para se inferir sobre seu padrão de vida. Países com PIB per capita mais elevado costumavam ter um alto padrão de vida. Recentemente, uma correção foi incluída nessas estatísticas. Agora ao invés de se comparar o PIB per capita em dólares mede-se o PIB per capita corrigido pela paridade do poder de compra.

Em termos teóricos a idéia é boa. Por exemplo, um corte de cabelo no Brasil custa 10 reais. O mesmo corte não sai por menos de 10 dólares nos Estados Unidos. Dessa maneira, uma série de atividades (ir ao cinema, alugar um imóvel, jantar num restaurante, ter uma empregada doméstica, etc.) é muito mais barata de ser realizada no Brasil do que nos Estados Unidos. A idéia central da paridade do poder de compra é levar em consideração essas diferenças ao se estimar o PIB de um país.

Na prática a idéia de se corrigir o PIB de um país pela paridade do poder de compra não é das melhores. Por exemplo, por esse critério a China possui um dos melhores padrões de vida do mundo. Outros países igualmente pobres também têm seus padrões de vida artificialmente inflados por esse novo método. Evidente que tal medida tem limitações sérias. Dessa forma, seu uso em trabalhos acadêmicos deve sempre ser vista com certas ressalvas em mente.

Ao invés de usarmos a paridade do poder de compra para corrigirmos o PIB de um país deveríamos usar a seguinte medida: quanto custa sacanear seu vizinho? Essa nova medida captura a essência da sociedade onde o indivíduo vive. Normalizaríamos o custo de sacanear o vizinho para 1 (um) na sociedade americana, e usaríamos multiplicadores para corrigir o PIB de cada país de acordo com o custo de se sacanear o indivíduo naquele país. Por exemplo, no Brasil sacanear um vizinho é quase de graça. Assim, deveríamos multiplicar nosso PIB em dólares por um valor MENOR do que 1. Esse fator refletiria a perda de bem estar associada a se viver numa sociedade onde a qualquer momento alguém pode te sacanear.

Viver num país onde a qualquer momento qualquer pessoa pode te sacanear e sair impune apresenta um custo elevado. Se o custo do corte de cabelo é incluído para se calcular a paridade do poder de compra, parece ser mais do que justo que o custo de sacanear seu vizinho também seja incluído nessa conta.

Crime e Desigualdade de Renda

A evidência estatística parece sugerir que sociedades mais desiguais possuem taxas de criminalidade mais elevada. Esse fato já foi observado tanto em estudos sobre países como também para estudos referentes a estados dentro de um mesmo país. Em resumo, quanto mais desigualdade mais crime.

Essa correlação positiva entre desigualdade e crime muitas vezes é citada para se evidenciar a luta de classes, os conflitos entre ricos e pobres, dentro da sociedade. Esta linha de raciocínio está ERRADA. A evidência empírica mostra apenas uma relação entre desigualdade e crime, mas diversas explicações podem gerar tal resultado. Por exemplo, em sociedades extremamente pobres a desigualdade de renda é baixa (afinal todos são miseráveis). Assim, não existe grande vantagem em se roubar o vizinho. Sendo o vizinho tão pobre quanto você, o produto do roubo também é baixo. Já em sociedades extremamente desenvolvidas a desigualdade de renda também é baixa (afinal a maioria da população tem bom poder aquisitivo). Nesse caso, o roubo também não é uma boa opção, pois caso você seja preso seu custo de oportunidade de permanecer na cadeia será alto (você não poderá desfrutar do bom padrão de vida oferecido pela sociedade). Com isso, parece evidente que o estímulo ao crime tanto em sociedades uniformemente ricas como pobres é baixo. Imagine agora uma sociedade onde metade da população é muito rica e a outra metade muito pobre. Neste ambiente, os pobres têm um grande estímulo em tentar cometer crimes contra os ricos, pois o produto do crime (desde que se assalte um rico) é muito alto. De maneira semelhante, o custo de oportunidade do pobre em cometer o crime é baixo (afinal ele não tem muito a perder). Nesta sociedade fictícia, a desigualdade de renda seria o motivador da criminalidade. Contudo, a explicação nada tem em comum com luta de classes. Nessa sociedade, os pobres cometem crimes contra os ricos pois o produto do crime é maior. Em resumo, o criminoso pobre não odeia o inocente rico (nem vê nele o responsável por sua pobreza).

No parágrafo acima, foi demonstrado que mesmo que desigualdade de renda cause criminalidade não podemos atribuir isso à luta de classes. Mas existe ainda um outro complicador: encontrar uma correlação positiva entre desigualdade e crime NÃO IMPLICA em dizer que desigualdade cause crime. Na realidade pode ser o contrário: sociedades mais criminosas geram sociedades mais desiguais. Pode perfeitamente ocorrer de que em sociedades muito violentas o investimento privado seja reduzido em áreas pobres, aumentando o desemprego nessas áreas e concentrando tal investimento em áreas ricas. Uma simples análise de correlação não é capaz de demonstrar se crime causa desigualdade ou vice-versa.

Existem outros problemas técnicos que também são dignos de nota: a) os dados sobre crime costumam ser sub-declarados (muitas pessoas são roubadas mas não dão queixa na polícia); b) algumas políticas públicas aumentam tanto a desigualdade como a criminalidade (por exemplo, a política da governadora do Pará, de permitir invasões de terra, vai claramente aumentar a criminalidade no estado do Pará podendo concentrar a renda na mão de grandes caciques locais). Os itens “a” e “b” representam consideráveis entraves estatísticos (tecnicamente, isto implica num problema de endogeneidade). Assim, apesar de ser razoável assumir que sociedades mais desiguais sejam mais violentas, não há motivos para se inferir que isto seja em decorrência da luta de classes.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A Armadilha das Idéias

Não costumo remeter o leitor desse blog a outros artigos, mas nesse caso vale a pena.

Vi esse link do Blog do Shikida, se tiver tempo: Idea Trap.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Por que as Escolas Brasileiras são tão Ruins? Ou Catch 22 (Ardil 22)

No Brasil, apenas 5% dos alunos que terminam o segundo grau possuem os conhecimentos que deveriam possuir em língua portuguesa. Essa porcentagem cai para 4% quando refere-se ao conhecimento dos alunos sobre matemática. Em resumo, os alunos terminam o segundo grau com conhecimentos insatisfatórios em português e matemática. Em comparações internacionais, o Brasil ocupa rotineiramente a última, penúltima ou ante-penúltima colocação em exames de matemática e ciências. Por que as escolas brasileiras são tão ruins?

Muitos irão argumentar que os dois grandes vilões são: a péssima infra-estrutura das escolas e o baixo salário dos professores. Contudo, isso não explica porque países mais pobres que o Brasil (pagando piores salários a seus professores e com infra-estrutura similar a brasileira) se saem melhor que nosso país em comparações internacionais. Sou de opinião que o problema das escolas brasileiras é outro. O problema é que as escolas brasileiras pararam de ensinar matérias e começaram a ensinar doutrinas. Vamos ao exemplo mais óbvio: geografia. No passado, estudar geografia significava estudar mapas, bacias hidrográficas, clima, vegetação, etc. Hoje parece que o estudo de geografia está muito mais centrado em geografia política. Não é de se admirar que a grande maioria dos brasileiros não consegue localizar o Brasil no mapa Mundi. Isso tem acontecido com todas as matérias. A idéia agora não é formar alunos, a idéia é formar cidadãos. O custo dessa política é que deixamos de formar alunos e passamos a formar pessoas com forte viés ideológico. O péssimo desempenho dos estudantes brasileiros em testes internacionais é apenas um reflexo dessa política educacional.

Outro problema grave das escolas brasileiras é a hipocrisia. Os alunos mal sabem falar português, mas queremos que eles aprendam outro idioma. Os alunos não sabem matemática ou história, mas os formuladores de políticas educacionais não param de incluir novas matérias nos currículos escolares. Seria muito mais razoável restringir o curriculo a um pequeno número de matérias – tipo português, matemática e ciências -, e deixar outras disciplinas como opcionais. Claro que isso tem um custo, mas creio que o custo maior é a formação de alunos que mal sabem escrever ou somar 2 + 2.

Outro problemas sério é que no Brasil a maior parte das escolas privadas têm como principal objetivo preparar um aluno para o vestibular. Isso dá um poder gigantesco às instituições que elaboram e corrigem o vestibular. Afinal, como uma escola particular pode adotar livros que ensinam que as respostas fornecidas por tais instituições estão erradas? Assim, as próprias escolas privadas são obrigadas a ensinar de maneira incorreta para garantir a aprovação de seus alunos no vestibular. Este é o famoso Catch 22: se as escolas privadas ensinam certo, elas estão erradas. Se ensinam errado, então estão certas.

E-Book: VERSÃO FINAL

Já está disponível on-line a versão final de nosso livro:

Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares.

O download do livro é gratuito e VALE A PENA ler os artigos. Ao todo foram 25 excelentes contribuições que entre outras ferramentas usaram teoria dos jogos, escolha pública, vantagens comparativas, consistência temporal de políticas, economia política e outros dispositivos providenciados pela teoria econômica para explicar, ou refutar, ditados populares.

Devido a minha ignorância, não estou conseguindo anexar o arquivo com o livro nesse blog. Então para todos que quiserem uma copia do livro existem 2 opções:

1) envie um e-mail para sachsida@hotmail.com e solicite uma copia gratuita do livro

2) vou contar com a ajuda do Shikida. Entre no blog dele e dê o download do livro por la. O blog dele pode ser acessado em: http://gustibusgustibus.wordpress.com/

O livro está entre os melhores que já li, e até onde eu saiba foi o primeiro a tratar desse assunto.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Frankenstein

É um erro acreditar que pode-se criar um monstro para depois controlá-lo.

A imprensa esta noticiando um expurgo no IPEA. Pesquisadores estariam sendo cerceados de seu direito de emitir opinião. O relato que vou dar agora, talvez me traga problemas, mas nunca fui conhecido por esconder o que penso.

Há muito tempo o IPEA vem contratando consultores heterodoxos. Há muito tempo a visão UNICAMP domina o IPEA. Isso não é fato recente. O que é recente é que agora esta visão está mais explícita. Mas vamos olhar para o passado: nos concursos públicos de 1995, 1996 e 1997 o pesquisador tinha que saber ao menos os manuais básicos de macroeconomia (Blanchard e Fisher ou Romer), microeconomia (Mas-Collel) e econometria (Green) para ser aprovado no concurso do IPEA. Desde então o formato do concurso para acesso ao IPEA mudou muito, favorecendo cada vez mais a corrente heterodoxa. O que os diretores anteriores fizeram para impedir isso? Quando fui aprovado para trabalhar no IPEA no concurso público de 1996, quase fui demitido na segunda fase do concurso por causa de minhas opiniões sempre liberais. Não me lembro de ter visto algum diretor do IPEA indignado com aquela perseguição. Já há algum tempo o IPEA Brasília NÃO PUBLICA textos para discussão em inglês. O que os diretores antigos fizeram contra esse absurdo? O IPEA apesar de ser um instituto de pesquisa NUNCA premiou pesquisadores que tivessem artigos publicados em periódicos científicos. O que os diretores antigos fizeram para sanar esse problema? O IPEA gastou razoável quantidade de recursos publicando o “livro do ano”. Publicação difícil de ser defendida em termos acadêmicos. O que os diretores anteriores fizeram para evitar ou minimizar isso? Em resumo, há muito tempo a visão dominante no IPEA é uma visão contrária ao liberalismo e ortodoxia. Muitos dos que estão reclamando agora são os mesmos que nada fizeram para impedir isso.

Vou ser bem claro: eu sou contra o que esta acontecendo no IPEA hoje. Mas o que esta acontecendo hoje começou há uns 10 anos atrás. Tenho alguns colegas no IPEA-Rio que tem reclamado muito, mas pergunto: o que o IPEA-Rio fez para evitar isso? Muitos dos antigos diretores do IPEA-Rio só aumentaram o mal estar dos técnicos no passado. Divulgavam eles uma visão que no Rio de Janeiro ficavam os pesquisadores e em Brasília ficava o resto. O que esperavam com esse tipo de atitute? Pior, onde é que os antigos diretores do Rio publicaram? Me parecem poucas publicações para sustentar tamanha arrogância. Fico triste pelo IPEA estar passando por esse momento, mas muito disso deve-se à acomodação dos próprios técnicos do IPEA. Vou repetir: não se cria um monstro acreditando que você irá controlá-lo depois.

Que a lição do IPEA sirva de lição ao resto do país. Não adianta fazer como fez o IPEA-Rio e tentar distanciar-se. Cedo ou tarde você terá que se confrontar com a realidade. O comunismo é assim: começa aos poucos e vai avançando, se não encontrar resistência irá até o fim. Se há 10 anos atrás o IPEA tivesse dado um basta nesse acúmulo de poder ideológico, nada do que esta ocorrendo hoje teria acontecido. Mas o problema é que há 10 anos atrás esse ideologia já era forte demais dentro do IPEA. O que aconteceu ao IPEA irá acontecer ao Banco Central, ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal, à Petrobras, etc. Esse processo não tem fim, é um engano acreditar que sua opinião, se for dissidente da comunista, será respeitada.

Vou reforçar novamente meu ponto: não gosto do que esta acontecendo com o IPEA. Mas a verdade é que as gestões passadas do IPEA também contribuíram muito para isso. Por fim, um comentário aos seguintes pesquisadores do IPEA que motivaram esse post: Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli, eu não os conheço pessoalmente. Contudo, fiquei extremamente chateado pela maneira como vocês foram expostos. Creio que, independentemente da opinião pessoal de cada um, vocês merecem respeito. A maneira como esse episódio aconteceu denotou falta de tato em expor pessoas a um tipo de humilhação completamente desnecessária. Se serve de consolo, saibam que outras pessoas também receberam o mesmo tratamento. A estas pessoas eu também dedico meu respeito e minha indignação.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O Tamanho do Estado

Algumas pessoas vêm argumentando nas últimas semanas que o Estado brasileiro é pequeno. Para tanto, citam algumas estatísticas (extremamente questionáveis) e usam um truque de retórica: discursam que não é possível afirmar que o Estado brasileiro é grande, pois inexistem estudos que indicam qual seria o tamanho ótimo do Estado.

Vamos explicar nesse post qual é o truque retórico. A frase: “Não há como dizer se o Estado brasileiro é grande, pois não existem estudos que comprovem qual deve ser o tamanho ótimo do Estado”, esta correta. CONTUDO, existe um truque nesse argumento. Explico, a pergunta “Qual deveria ser o tamanho ótimo do Estado” NÃO É uma pergunta positiva, mas sim uma questão normativa. Dessa maneira, é impossível responder a essa pergunta sem considerações pessoais. Isto é, pessoas com tendências liberais dirão que o Estado ideal deve ser extremamente pequeno quando comparado ao Estado ideal proposto por socialistas. Não há maneira da ciência econômica responder essa questão sem considerações normativas. Assim, quando alguém usa o argumento “não sabemos se o Estado brasileiro é pequeno....” ele está apenas usando um truque de retórica.

Ao invés de se perguntar sobre o tamanho ótimo do Estado, um pesquisador deveria formular a seguinte pergunta: “Dado o volume de recursos arrecadado pelo governo a contrapartida em serviços prestados é satisfatória?”. Essa sim é uma pergunta de caráter positivo e que pode ser respondida por argumentos técnicos.

O Estado brasileiro arrecada aproximadamente 36% do PIB em impostos. Para se ter uma idéia de quanto isso representa, vamos a uma pequena divagação. Quando eu era garoto e estava na aula de história, lembro de meu professor argumentar quão cruel eram os suseranos na Idade Média. Os suseranos cobravam dos vassalos um dia de trabalho gratuito por semana, a título de remuneração por estes usarem as estradas e o moinho do suserano. Vejamos, um dia de trabalho por semana implica que os vassalos pagavam ao suserano 1/7 do seu trabalho em impostos. HOJE nós pagamos ao Estado mais de 1/3 (ou 2,3/7) de nosso trabalho em impostos. Resumindo, se você achava que o suserano era um cara mau, imagina o que você não deve pensar do Estado Brasileiro.

Resumindo, quando olhamos para a arrecadação do Estado brasileiro e para a contrapartida em serviços que recebemos, fica evidente que o Estado brasileiro é GRANDE. Antes de pensar em arrecadar mais, o Estado brasileiro deveria pensar em gastar menos e melhor.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Loser x FDP

Os palavrões presentes em uma sociedade podem nos dar uma boa noção da cultura predominante em um país. Nos Estados Unidos a maior ofensa que se pode fazer a uma pessoa é chamá-la de loser (perdedora). No Brasil a maior ofensa a uma pessoa é chamá-la de f.d.p..

Nos EUA chamar alguém de loser (perdedor) é chamá-lo de fracassado, é dizer que o indivíduo falhou na vida. Esse é o maior insulto que você pode fazer a outra pessoa na América: dizer que ela é uma perdedora. Tal insulto reflete os valores da sociedade americana. Lá o fracasso do indivíduo é uma ofensa. De maneira similar, o sucesso individual é um elogio, uma glória buscada por todos. Mas mais importante, “loser” reflete uma crítica ao indivíduo, ao seu desempenho na vida; não guarda relação alguma com sua origem. Pouco importa se o indivíduo veio de uma família nobre ou pobre, qualquer um pode ser chamado de “loser”: essa ofensa reflete a postura do indivíduo em relação aos obstáculos enfrentados em sua própria vida. A cultura americana é uma cultura que valoriza o mérito individual, o sucesso do indivíduo, a sua capacidade de enfrentar dificuldades e permanecer de pé. Um “loser” é aquele indivíduo que, independentemente de sua origem, fracassou não em atingir seus objetivos, mas fracassou pois sequer decidiu buscá-los.

No Brasil a maior ofensa que se pode fazer a uma pessoa é chamá-la de f.d.p.. Ou seja, o insulto no Brasil NÃO reflete mérito (ou falta dele). Aqui o que pior pode-se dizer de uma pessoa é criticar sua origem. Aqui a ofensa não guarda relação com o sucesso/insucesso de um indivíduo. Tal como em sociedades aristocráticas, no Brasil criticar a origem é o maior insulto que se pode fazer a uma pessoa. Pouco importa se o indivíduo tem méritos, pouco importa se ele lutou e venceu obstáculos. Se a origem do indivíduo é suspeita, então todos os seus méritos desaparecem. De maneira similar, se sua origem é nobre então são seus deméritos que desaparecem. Aqui a sociedade valoriza a origem do indivíduo, não sua trajetória na vida.

Lendo os dois parágrafos acima, não é de se estranhar que no Brasil o sobrenome seja o mais importante cartão de visitas de uma pessoa. Também não é de se estranhar que a sociedade americana seja próspera enquanto a brasileira seja apenas prolixa.

sábado, 10 de novembro de 2007

Resposta ao artigo do Valor Econômico

Em recente artigo no Valor Econômico, o professor da UFRJ e Diretor de Macroeconomia do IPEA, João Sicsu, dissertou sobre os efeitos deletérios do pagamento de altos juros a uma minoria da população (http://www.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=2851). Eu discordo do Professor Sicsu por pelo menos 3 razões:

A primeira deve-se a comparação entre funcionários públicos que recebem em média R$ 3.785,30 e bebês rentistas que recebem R$ 8.873,38. Com todo respeito ao Professor Sicsu, essa comparação não faz o menor sentido. Os bebês recebem essa renda pois seus pais decidiram poupar, ou seja, decidiram acumular capital ao invés de gastá-lo. Será que o Brasil estaria melhor caso os pais dos bebês gastassem todo seu dinheiro em consumo? Outro detalhe: por que não comparar funcionários públicos do executivo com funcionários públicos do judiciário? Fosse essa a comparação e veríamos que funcionários do judiciário estão muito mais para bebês rentistas do que para funcionários do executivo. Mas a principal crítica é mesmo que tal comparação simplesmente não faz sentido. Por exemplo, será que devemos nos indignar com a minoria dos jogadores de futebol que são milionários? Afinal, enquanto nós temos que trabalhar duro para termos um salário razoável, os jogadores de futebol recebem fortunas para jogar bola. Não creio que seja esse o caminho. Em termos econômicos, os bebês rentistas recebem uma renda maior porque seus pais acumularam por eles. No caso dos funcionários públicos, não tendo estes pais que poupassem por eles, são remunerados apenas por sua capacidade produtiva.

Minha segunda discordância refere-se ao fato de que o Professor Sicsu foca sua crítica apenas nos detentores de títulos da dívida pública interna. Vejamos o caso de 3 milionários que possuem a mesma fortuna: o primeiro investe toda a fortuna em títulos da dívida brasileira. O segundo, aplica em imóveis; e o terceiro aplica toda a fortuna na Bolsa de Nova York. O professor Sicsu parece questionar apenas o caso do primeiro milionário. Por que não questionar também os bebês filhos de proprietários de imóvel? Afinal estes também irão receber uma renda alta sem ter que trabalhar. O que parece faltar na análise do Professor é o fato de que existem mais de uma alternativa para se poupar o dinheiro. Claro que o governo federal pode abaixar os juros pagos aos detentores de títulos da dívida. Contudo, vale a pena lembrar que os detentores de tais títulos podem muito bem deixar de investir em títulos do governo e começar a investir seu dinheiro em outro lugar, inclusive fora do Brasil. Outro detalhe: o governo brasileiro não é obrigado a aceitar dinheiro de ninguém. Caso o governo acredite que está pagando um juros muito alto, basta parar de gastar tanto (o contrário do que parece sugerir o professor). Numa economia livre, o capital sempre buscará o maior retorno. Caso o governo limite os ganhos com títulos da dívida pública, é razoável assumir que parte dos investidores desse mercado irão para outros mercados. Em palavras, o volume de recursos destinado a financiar o governo irá ser reduzido. Assim, a redução da taxa de juros parece necessitar de um ajuste fiscal prévio. Ou seja, o melhor caminho para se reduzir a taxa de juros é REDUZIR ( e não aumentar) os gastos do governo.

Meu terceiro ponto resume-se a uma questão simples: na maioria dos casos, a riqueza de uma pessoa não é exógena. Isto é, ela não fica rica do nada. Na maior parte dos casos, uma pessoa torna-se rica pois: a) seus pais trabalharam duro e deram boas condições para ela. Além disso, tal pessoa também trabalhou duro e manteve a riqueza; ou b) ela nasceu sem muitos recursos, mas trabalhou duro e venceu. Assim, questionar o estoque de riqueza que um pai deixa para um filho parece algo exótico.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Inscrições Encontro Liberal

As inscrições para o Encontro de Pensadores Liberais já estão abertas. Caso você queira se inscrever por e-mail, basta enviar um e-mail para sachsida@hotmail.com contendo as seguintes informações:
1) Nome
2) Se irá precisar de transporte para o local do evento
Mais uma vez, o Encontro ocorrerá na Universidade Católica de Brasilia da ASA NORTE (916 norte ao lado do Colégio Alvorada) nos dias 01 e 02 de dezembro. As inscrições são gratuitas e também poderão ser feitas no local do Encontro.

E-Book 2

Desde a publicacao de nosso e-book, alguns dos autores identificaram alguns erros ortográficos e solicitaram alterações.

Vamos fazer o seguinte: TODOS os autores que quiserem alterar seus textos, por favor me enviem as novas versões até o dia 17/11. Meu e-mail: sachsida@hotmail.com

Se algum leitor estiver interessado em se juntar a esse e-book basta me enviar seu artigo até o dia 17/11, e ele será incluído na versão final do livro.

No dia 19/11 estarei postando nesse blog a versão final de nosso E-book: Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares.

Sob o Domínio do Mal

Nessa semana, enquanto o MST continuava invadindo e destruindo propriedades privadas, o presidente da república recebia líderes do MST em Brasília. O MST é um movimento que até o momento já cometeu, no mínimo, os seguintes crimes: assassinato, sequestro, destruição de propriedade e roubo. Um presidente da república que ao invés de repudiar e combater tal movimento prefere usar o boné do mesmo é caso para impeachment.

Tão estranhas quanto a relação com o MST são as relações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Segundo o partido do presindente da república, as FARC são um movimento revolucionário. O PT não condena a atividade das FARC, pelo contrário possui uma aliança estratégica firmada com elas (e que são de conhecimento público). Vamos aos fatos: 1) a FARC acha lícito SEQUESTRAR e ASSASSINAR pessoas; 2) a FARC financia suas atividades de GUERRILHA com a produção de drogas; 3) a FARC propõe a DERRUBADA de um governo democrático e a implantação de seu regime de governo pela força; e 4) apesar da Colômbia ser um país democrático, a FARC prefere não disputar eleições, quer implementar seu projeto de governo por meio de GOLPE de Estado. Em resumo, o partido do presidente da república apóia um movimento que já cometeu, no mínimo, os seguintes crimes: assassinato, sequestro, tráfico de drogas, e tentativa de golpe de Estado.

As atividades nocivas da FARC não se restringem à Colômbia. Também é de conhecimento público que as FARC são responsáveis pela venda de drogas no Brasil. Ou seja, esse movimento ilegal é responsável pelo fornecimento de drogas à traficantes brasileiros. Também é de conhecimento público que as FARC cruzam a fronteira brasileira sem autorização.... maneira educada de dizer que a FARC INVADE o território nacional e, portanto, afronta diretamente a soberania de nosso país. No mundo civilizado a FARC é conhecida como um movimento TERRORISTA, pelo simples fato de adotar práticas terroristas. O partido do presidente da república prefere chamar a FARC de movimento revolucionário e manter boas relações com um movimento que acha lícito sequestrar e assassinar pessoas (estou falando da FARC, não do MST).

O MÍNIMO que se exige de um presidente da república é que ele CONDENE movimentos que atentem contra a vida de seus cidadãos. A ligação estreita, e de apoio, do partido do presidente da república com movimentos que não respeitam a vida humana é um forte indício de que hoje vivemos sob o domínio do mal.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

E-Book de Ditados Populares

Ficou EXCELENTE nosso E-Book:

Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares.

O download do livro é gratuito e VALE A PENA ler os artigos. Ao todo foram 18 excelentes contribuições que entre outras ferramentas usaram teoria dos jogos, escolha pública, vantagens comparativas, consistência temporal de políticas, economia política e outros dispositivos providenciados pela teoria econômica para explicar, ou refutar, ditados populares.

Devido a minha ignorância, não estou conseguindo anexar o arquivo com o livro nesse blog (esse é o motivo de não tê-lo postado ontem). Então para todos que quiserem uma copia do livro existem 2 opções:

1) envie um e-mail para sachsida@hotmail.com e solicite uma copia gratuita do livro

2) vou contar com a ajuda do Shikida. Entre no blog dele e dê o download do livro por la. O blog dele pode ser acessado em: http://gustibusgustibus.wordpress.com/

O livro está entre os melhores que já li, e até onde eu saiba foi o primeiro a tratar desse assunto.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Faz a Fama e Deita na Cama

“Faz a fama e deita na cama”. Acho este um dos ditados populares que melhor refletem o Brasil. Mas qual é o real sentido desse ditado. Simples, esse ditado diz de maneira muito clara que: “é importante trabalhar duro no começo da carreira, e você deve continuar assim até que as pessoas reparem que você trabalha duro e é eficiente. A partir desse momento – ou seja, tão logo você receba o carimbo de trabalhador e eficiente –, você pode relaxar. Não precisa mais se preocupar em trabalhar duro e nem em cumprir metas. Afinal, as pessoas já o identificam como alguém de sucesso e você não perderá mais esse status”. Note que a validade deste ditado esta intimamente ligada ao grau de competição à que a economia do país está exposta. Países pouco abertos e com pouca competição são o terreno onde este ditado popular pode prosperar.

Em economias abertas e sujeitas a muita competição o mercado esta a todo momento demandando novos talentos, novas habilidades. Empresários que fizeram fortuna no passado têm que continuar inovando sob o risco de tudo perderem. Marcas famosas estão constantemente sob a ameaça de novos concorrentes, e são obrigadas a mostrarem sua superioridade quase todo o tempo. O que é a marca de uma empresa? A marca da empresa reflete muito o grau de sucesso e confiança que uma empresa desfruta hoje graças a sucessos obtidos no passado. Inegável que a marca de uma empresa possui muito valor. Contudo, em economias competitivas, as empresas devem a todo momento comprovar que a qualidade e confiança obtidas no passado ainda estão presentes em seu produto.

Vamos a alguns exemplos para ilustrar o parágrafo acima. Nos Estados Unidos, no começo dos anos 80, a IBM era uma empresa gigante. Era símbolo mesmo da indústria de computadores. Contudo sua distração, ao não se atentar para o mercado de microcomputadores, levou a perdas incríveis de mercado. Outras empresas, tais como a Apple, viram essa falha e se aproveitaram dela para ganhar partes expressivas do mercado de computadores. Um exemplo mais recente é a gigante Blockbuster. Com lojas grandes e muita variedade de filmes, a Blockbuster por muito tempo liderou o mercado de aluguéis de filmes. A empresa usou e abusou de sua posição de líder no mercado, resultado: hoje passa por um momento terrível. A Netflix e uma série de outras empresas menores têm tirado o sono dos executivos da Blockbuster, que perdeu enorme fatia de mercado nos últimos anos. Talvez o exemplo mais importante dos efeitos benéficos da competição seja a Microsoft. Notem que a Microsoft é líder absoluta no mercardo de sistemas operacionais. Contudo, ela esta constantement inovando pois sabe que tão logo pare de satisfazer a demanda dos usuários será ultrapassada por alguma de suas concorrentes.
Tal como acontece com empresas, o ditado “Faz a fama e deita na cama” só é válido em locais onde a competição entre indivíduos é baixa. Por exemplo, na Fórmula 1 Michael Schumaher foi sem dúvida o maior piloto de todos os tempos. Contudo, tão logo seus reflexos se tornaram mais lentos ele foi derrotado seguidamente por competidores mais habilidosos. Sua fama de nada lhe valeu em termos de novos títulos mundiais. O mesmo vale para executivos de grandes empresas. Por melhor e mais famosos que sejam, tão logo deixem de cumprir as metas da empresa são inevitavelmente mandados embora.

Um ponto negativo para o Brasil é que aqui o ditado “Faz a fama e deita na cama” é extremamente popular. Isso é um indicativo claro de que a economia brasileira esta sujeita a um grau muito baixo de competição. De outra maneira, não haveria como esse ditado ser tão popular assim. Note que no Brasil tão logo uma pessoa receba a alcunha de genial, ela nunca mais perde esse posto. Mais do que isso, essa alcunha se retroalimenta dela mesma. O cara passa a ser genial pois é genial. A empresa passa a ser eficiente pois ela foi eficiente, logo deve continuar sendo eficiente. Numa economia sujeita a competição não haveria como essa lenda prosperar, mas numa economia fechada como a brasileira o número de lendas e mitos só tende a crescer.

No Brasil somos cheios de lendas do tipo: a Petrobras é eficiente, é líder em prospecção de petróleo em águas profundas. Será que ninguém nunca irá se perguntar qual é o custo disso; ou ainda, se a Petrobras é tão eficiente então porque precisa de proteção do Estado? O que disse sobre a Petrobras também se aplica a outras empresas e a pessoas. Aqui a pessoa, ou a empresa, faz uma fama (muitas vezes não merecida) no passado, e essa fama se perpetua para sempre. Tal movimento permite rendas extraordinárias a essas empresas e indivíduos, sem a necessária contrapartida em produtividade. Isso só é possível graças a ausência de competição na esmagadora maioria dos setores de noss sociedade. Tão logo o Brasil se abra para a competição internacional, e facilite o surgimento de novas empresas no nosso país, o ditado “Faz a fama e deita na cama” irá desaparecer, e com ele muitas de nossas lendas urbanas encontrarão seu derradeiro refúgio.

A Pobreza Gerada pelo Capitalismo

Caso você pudesse escolher entre ser a pessoa mais rica do mundo em 1927 ou ser uma pessoa de classe média baixa hoje, qual seria sua escolha? (pergunta similar a essa aparece no livro de Introdução a Economia do Mankiw).

Como a pessoa mais rica do mundo em 1927 você teria acesso a todos os prazeres que o dinheiro poderia comprar em 1927. Isto é, você teria o melhor carro disponível em 1927, a melhor televisão, o melhor atendimento médico, enfim tudo que estivesse disponível em 1927 estaria a sua disposição. Por outro lado, como uma pessoa de classe média baixa em 2007 você NÃO teria acesso a todos os bens e serviços disponíveis em 2007. Você nào teria o melhor carro, não teria a melhor televisão e nem o melhor atendimento médico. Contudo, existe uma boa chance de que carros ruins em 2007 sejam bem melhores que os melhores carros de 1927. O mesmo vale para televisão, atendimento médico, etc. Enfim, qual seria sua escolha? Ser o maior milionário do mundo em 1927 ou ser uma pessoa de classe média baixa em 2007?

Muitas pessoas escolherão serem os mais ricos do mundo em 1927, mas creio que a maioria irá preferir ser classe média baixa em 2007 do que ser bilionária em 1927. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que para a grande maioria das pessoas o nível de bem estar desfrutado pela classe média baixa hoje é MAIS ALTO do que o padrão de vida dos bilionários de 1927. Em palavras, 80 anos de capitalismo foi mais do que o suficiente para dotar pessoas de baixa renda com um padrão de consumo (e bem estar) superior ao de bilionários do passado. Em resumo, essa foi a grande pobreza gerada pelo capitalismo: transformou, em menos de 100 anos, pobres em bilionários. Por esse motivo, todo crítico do capitalismo critica a sociedade de consumo. Mas, o que é a sociedade de consumo? Sociedade de consumo é justamente essa que aí esta: um lugar onde um pobre tem acesso a um nível de bem estar jamais sonhado por um bilionário 80 anos atrás.

Claro que alguns irão argumentar que quem causou o aumento do bem estar foi o incremento da tecnologia, e não o capitalismo. ERRADO. A tecnologia só avançou tanto porque o sistema capitalista recompensa os inovadores, recompensa os indivíduos capazes de aumentar o bem estar da sociedade. Mude o sistema, deixe de recompensar o esforço individual, e você verá uma queda expressiva no desenvovimento de novas tecnologias. As novas tecnologias que temos, a velocidade do progresso tecnológico atual, são consequências diretas de um sistema que recompensa o indivíduo por seu talento e por sua capacidade de atender as demandas de mercado: o sistema capitalista.

Enganam-se aqueles que acreditam que mudando o sistema, que deixando de recompensar o indivíduo, ainda teremos os mesmos bons resultados tecnológicos. A tecnologia não aparece do nada, ele precisa de um ambiente para se desenvolver. Até o momento, o sistema capitalista foi sem sombra de dúvidas o sistema que mais condições propiciou para o desenvolvimento tecnológico e consequente incremento do bem estar da população. A pobreza gerada pelo capitalismo não passa de conversa fiada. O mundo NUNCA antes foi tão rico, goste você disso ou não.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A Noção de Democracia dos Sindicatos

Este post não faz distinção entre sindicato patronal e sindicato de trabalhadores. Ambos possuem uma noção um tanto esquisita de democracia: acreditam que TODOS devem pagar por seus serviços. Não importa se você irá usá-los ou mesmo se você quer o serviço por eles prestados, os sindicatos acham democrático que você deva pagar a eles uma contribuição. Por que? Por que dar parte de nosso trabalho a um sindicato? Resposta: existem situações onde alguns podem estar em situação melhor caso sejam filiados a sindicatos. Sim, isso é verdade. CONTUDO, se é verdade que estarei em situação melhor caso seja filiado a um sindicato, então por que me obrigar a isso? Resposta: não há razão para isso. Caso eu esteja melhor me filiando a um sindicato, então será de meu interesse fazê-lo. Não é necessário que me obriguem a isso. Em resumo: a filiação a um sindicato deve ser OPTATIVA, não obrigatória. Isto é, quem quiser se filiar a um sindicato que faça isso. Mas deve ser garantido aos demais o direito de não se vincular a grupos com os quais você não tem interesse em se associar.

Sempre é perigoso elogiar um deputado, mas ai vai um elogio à coragem de Augusto Carvalho (PPS-DF). Digo coragem, pois ele é nitidamente ligado a movimentos de esquerda. No Brasil é assim, ao invés dos partidos que fingem ser direita pedirem a extinção da contribuição sindical, quem pediu a extinção desse estúpido IMPOSTO foi alguém de esquerda. Parabéns Augusto Carvalho. Para os que não sabem, a contribuição sindical OBRIGA TODOS os trabalhadores a pagarem o valor de um dia de seu trabalho. Esse dinheiro financia boa parte da atividade sindical no país. Aos curiosos: da próxima vez que você ver um líder sindical andando de carro importado ou alugando avião particular, saiba que ali está mais um bom uso de sua contribuição sindical.

Existem pessoas que defendem sindicatos, eu não sou uma delas. Mas mesmo os defensores dos sindicatos sabem que a cobrança OBRIGATÓRIA dessa contribuição está longe de ser democrática. Mas como bons democratas que são falam uma coisa e fazem outra. Veja o exemplo da centrais sindicais (todas elas): reconhecem que a cobrança dessa contribuição é errada, mas ao mesmo tempo pressionam os deputados a não extinguí-la. Se você sabe que algo é errado mas continua fazendo a coisa errada, qual é o nome que você recebe? Pois esse é o nome que deve ser dado às centrais sindicais. Fazem algo que sabem estar errado, reconhecem que é errado, mas continuam fazendo.

Se você tiver um tempo, escreva para algum deputado ou senador: diga claramente que você é contra mais esse IMPOSTO que é a contribuição sindical. Se os sindicatos querem clientes, que façam como qualquer empresa: mostrem que o benefício de associação é maior do que o custo. O que não vale é usar o Estado para garantir essa regalia.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O sonho do brasileiro

90% dos brasileiros têm um único sonho: casa própria. O governo é o maior proprietário de terras do país. A maior dificuldade para se ter casa própria é a compra de um terreno, pois a construção de uma pequena residência é relativamente barata. Notem bem: 1) brasileiro quer casa própria; 2) a maior dificuldade para ter a casa própria é a compra de um terreno; e 3) o governo é o maior proprietário de terras. Qualquer pessoa minimamente interessada no bem estar da população deve se perguntar: POR QUE O GOVERNO SIMPLESMENTE NÃO DÁ O TERRENO?

Por que essa proposta NUNCA apareceu num debate entre candidatos à presidência da república é coisa assustadora. Qual é o grande problema do governo dar terreno para a construção de moradias? Respondo: NENHUM. Notem que a nível municipal ou estadual, essa proposta não é tão fácil de ser implementada. Afinal, se um estado ou município seguir essa política isoladamente teríamos uma migração em massa para tal localidade; e problemas de infra-estrutura urbana iriam inevitavelmente cobrar seu preço. Contudo, se tal proposta for defendida a nível federal o problema da migração passa ser extremamente reduzido. Se grande parte dos estados e municípios concordarem em doar seus terrenos iremos verificar um gigantesco salto de bem estar da população brasileira. Afinal, para que o Estado precisa de tanta terra?

Note que minha proposta engloba apenas terras públicas. Propriedades privadas estão fora desse programa pelo motivo simples de serem privadas, isto é, já terem dono. Doando suas propriedades o Estado teria a chance não só de realizar a reforma agrária, mas também uma grande reforma urbana. Vale lembrar que toda grande nação capitalista, Estados Unidos incluído, já realizaram uma ampla reforma agrária DOANDO terras à população.

Quem receberia as terras doados pelo Estado? Eu sugiro sorteio puro e simples. A rigor, pouco importa o mecanismo de distribuição de terras desde que os direitos de propriedade passem a ser bem definidos (para os mais técnicos essa é uma aplicação pura e simples do Teorema de Coase). Note que não peço nenhuma obrigação para a pessoa que receber o terreno do Estado. Basta que o Estado distribua direitos de propriedade e o mercado se encarrega de fazer o resto.

Dar terreno público para as famílias morarem, dar terras públicas para a reforma agrária, dar lotes públicos para a iniciativa privada explorar, essa é a melhor política de distribuição de renda que o Estado brasileiro pode fazer. Os ganhos de bem estar da população serão enormes. Novamente, basta o Estado doar o terreno SEM FAZER EXIGÊNCIAS para os recebedores, sejam empresas ou indivíduos, uma vez definidos os direitos de propriedade o mercado alocará os terrenos da maneira mais eficiente possível. Por que nenhum candidato à presidência da república propõe isso? Por que é tão difícil ao Estado abrir mão de suas terras (que geralmente estão sem uso)?

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Drogas

Hoje existem dois grandes debates acerca das drogas: 1) teria o consumidor responsabilidade sobre a violência dos traficantes?; e 2) deveríamos liberar as drogas? A primeira pergunta é simples e tem resposta óbvia: SIM, todo consumidor de drogas transfere recursos para um traficante que muitas vezes usa esse recurso para gerar mais violência. Assim, é natural que parte da culpa pela violência gerada pelos traficantes seja atribuída aos usuários de drogas (que virtualmente financiam o traficante). Um exemplo ilustra bem esse ponto: as pessoas que compram peças de veículos, sabendo que tais peças são provenientes de veículos roubados, têm responsabilidade pelo furto de veículos? Claro que sim. Caso ninguém comprasse peças de veículos roubados, o número de veículos roubados iria inevitavelmente cair. O mesmo vale para CD’s e DVD’s piratas, caso ninguém os comprasse a quantidade de pirataria iria diminuir. No caso das drogas acontece o mesmo. Menos usuários de drogas significam menos recursos para os traficantes, e menos recursos para traficantes implicam em menor poder destes para adquirir armamento pesado. É curioso como alguns responsabilizam o consumidor pelo aumento da pirataria de CD’s, mas inocentam usuários de drogas pelo aumento do poder dos traficantes.

A segunda questão: deveríamos liberar as drogas? É bem mais complexa. Do ponto de vista estritamente econômico, são poucos os argumentos para se proibir o consumo de drogas dentro da residência do indivíduo. A teoria econômica oferece um único argumento que TALVEZ possa ser usado contra o consumo, dentro de casa, de drogas: uma vez liberada, o preço das drogas tende a cair. Um preço menor significa um maior consumo. Em palavras, caso as drogas sejam legalizadas o número de usuários irá aumentar. Mesmo esse argumento contra a legalização das drogas não é dos melhores por três motivos: a) existe uma boa chance do consumo de drogas ser inelástico, isto é, o fato do preço cair não irá aumentar em muito o número de usuários; b) se a demanda por drogas for inelástica uma queda no preço REDUZ a quantidade gasta em drogas. Isto reduz tanto o volume de recursos do traficante como a necessidade de roubo por parte de viciados para manter o seu vício; e c) como não existe poder de mercado no mercado de drogas, e o consumo de drogas dentro da residência não gera externalidade (efeito sobre terceiros), não há justificativa econômica para a intervenção do governo.

A verdade é que a legalização ou não das drogas é muito mais uma questão moral do que econômica. Uma sociedade tem o direito de ter normas normativas: aborto, drogas, eutanásia, são exemplos disso. Tais questões dificilmente podem ser solucionadas exclusivamente do ponto de vista econômico puro e simples, pois envolvem crenças e valores morais da sociedade. A teoria econômica lida com valores positivos, mas uma sociedade é baseada não apenas em valores positivos. Valores normativos também são importantes e devem ser respeitados.

Meu argumento contra as drogas é outro. Eu defendo uma teoria que eu mesmo elaborei e chamo de Zona Neutra. Toda nova geração sente a necessidade de avançar um pouco sobre os tabus da geração anterior. Enquanto as drogas, como a maconha, estiverem proibidas, as novas gerações invadirão essa área. Consumirão um pouco de maconha e depois voltarão para o lado de fora da Zona Neutra. Se retirarmos essa Zona Neutra a próxima geração buscará outro regra para desrespeitar, e talvez essa regra seja muito pior para a sociedade. De qualquer maneira, essa é apenas uma divagação.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A Vontade do Povo

Guardem bem essa frase “A vontade do povo”. Ela será repetida diversas vezes, com diferentes formas, nos próximos meses. O intuito dela é simples: proporcionar o terceiro (e o quarto, e o quinto...) mandato presidencial à Lula.

No auge da crise do mensalão, meus amigos me perguntaram quem seria o próximo presidente. Minha resposta: “Lula no primeiro turno”. Eles riram incrédulos; eu só errei o fato de ter havido segundo turno. Depois da segunda vitória de Lula, perguntaram novamente quem seria o próximo presidente. Minha resposta: “Lula no primeiro turno”. Dessa vez acho que acerto até o turno. Alguns colegas ainda tentaram argumentar que isso é inconstitucional. Dessa vez quem riu fui eu; o comunismo nunca saiu pacificamente do poder. O Brasil não será o primeiro exemplo.

Eu não sei como serão as próximas eleições presidenciais no Brasil. Mas eu sei como elas NÃO serão: não serão como as últimas. Em palavras, algum golpe esta por vir. Eu já comentei nesse blog que democracia NÃO É a vontade do povo, democracia é SIM o respeito às minorias. Satisfazer a vontade do povo NÃO É condição necessária e nem suficiente para uma democracia. Contudo, será esse o argumento usado para justificar mais um mandato para Lula. Os esquerdistas argumentarão que se a vontade do povo é por um terceiro mandato, então um regime democrático deve ouvir a população. MENTIRA. Democracia nada tem com isso, isso é golpe puro e simples.

Num regime democrático, o importante é respeitar as leis e as minorias. Esses são os dois fundamentos de um regime democrático. Um regime onde o que importa é a vontade da maioria, tem outro nome: ditadura. Essa aliás é a definição de regimes ditatoriais: são regimes que não respeitam nem as leis e nem as minorias. Vamos a alguns exemplos simples: 1) a Alemanha nazista satisfazia a maioria, mas desrespeitava leis e minorias. Você classifica a Alemanha nazista como um regime democrático?; 2) a Itália de Mussolini também se enquadra no mesmo regime. Você realmente acredita que Mussolini era um democrata? O que o Brasil esta prestes a vivenciar é um golpe CONTRA a democracia. As próximas eleições presidenciais no Brasil serão alteradas para favorecer o PT. De maneira alguma isso me surpreende, o que me causa espanto é a passividade com que a sociedade brasileira vem aceitando esse absurdo.

O erro dos brasileiros é acreditar que o PT produz o mesmo tipo de lixo com que se habitou dos outros partidos. ERRADO. O PT é muito pior do que os outros partidos. Quando alguém filiado ao PSDB rouba o Estado, isto é horrível. Mas um dia esse bandido irá morrer, com o tempo os efeitos de seu roubo irão desaparecer. Já quando alguém do PT rouba o Estado, parte desse dinheiro vai para alimentar a máquina petista. Uma máquina que não morre nunca, que se auto-reproduz. Em resumo, cada novo escândalo petista alimenta não somente um corrupto, mas toda uma estrutura que aos poucos corromperá toda nossa sociedade. O terceiro mandato de Lula é apenas a ponta desse iceberg.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Cartaz do Encontro Liberal


Ai vai o cartaz do Encontro Liberal.

O cartaz foi gentilmente elaborado pelo Professor Carlos Vinicius Santos Reis.

O que eu penso sobre assédio sexual

Quando saimos de casa e vamos para o mundo, maturidade passa a ser necessária. Quem não tem maturidade ou preparo emocional deve ficar em casa pois não esta pronto para o mercado.

Quando uma mulher ganha um emprego por causa de seu sorriso, ou por causa de sua saia, ninguém questiona se a mesma foi beneficiada por ser mulher. No entanto, quando um empresário se recusa a promovê-la não faltam acusações de discriminação. As mulheres pedem por igualdade de condições, mas na verdade querem muito mais: querem mais benefícios e menos custos que os homens. Querem ser respeitadas nas empresas, mas querem também longas licensas. Querem ser promovidas, mas não querem trabalhar depois do expediente. Querem ser tratadas iguais os homens, mas se comportam como mulheres.

A qualidade do trabalho feminino é inquestionável, são tão produtivas quanto qualquer homem. Esse não é meu ponto. Meu ponto é que as mulheres não aceitam abrir mão de determinados benefícios que, direta ou indiretamente, implicam numa distinção entre elas e os homens. Vamos analisar, por exemplo, a questão do assédio sexual. É fato que mulheres processam mais seus chefes por assédio sexual do que os homens. Então pergunto: fosse você um chefe e tivesse que promover alguém da equipe para trabalhar contigo DEPOIS do expediente, você promoveria um homem ou uma mulher? Um mínimo de lógica e todos concordarão que, se a produtividade do homem e da mulher em questão são similares, o homem será o escolhido. Isso não é discriminação, isso é apenas uma decisão sensata que visa minimizar a possibilidade de você ter que responder uma ação na justiça no futuro.

Vamos agora a uma questão mais difícil: deve o Estado legislar sobre assédio sexual em empresas privadas? Resposta: Não. Se a empresa é privada, cabe ao dono da empresa escolher o tipo de funcionário que ele quer. Se quer uma mulher fácil e incompetente, e se a mulher fácil e incompetente aceita isso, por que o Estado deve interferir? Mais que isso, se uma vez apresentada às condições de trabalho a mulher às aceita, com que direito ela poderá processar a empresa no futuro? A melhor maneira de disciplinar o assédio sexual é aumentar a competição entre empresas. Num ambiente competitivo, o chefe que escolhe funcionário pela aparência, e não pela capacidade, levará sua empresa à falência. Já chefes que promovam os mais eficientes, terão como benefício ver o crescimento de suas empresas. A COMPETIÇÃO entre empresas, e não o Estado, é a melhor maneira de combater o assédio sexual em empresas privadas. Em empresas públicas, que não estejam sujeitas ao mecanismo disciplinador do mercado, então a regulação do Estado é válida.

Sei que a essa altura já tem gente assustada, mas vamos a exemplos práticos. O que você acha da Unipalmares, uma universidade privada que IMPÕE que a maioria de seus estudantes seja de alunos negros. Eu respondo, a Unipalmares esta no seu direito. Ela é uma empresa privada, é seu direito escolher seu público. Engraçado que muitas pessoas acreditam que a Unipalmares esteja correta, mas discordam de meu argumento em relação a assédio sexual. A estes indico apenas que em ambos os casos o argumento é o mesmo: não cabe ao Estado intervir numa empresa privada enquanto a mesma não afetar terceiros ou não tiver poder de mercado.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Quem tem medo do MST?

Imagine um dia você chegar no seu carro e descobrir que tem um ladrão nele. Você liga para a polícia e diz “tem um ladrão roubando meu carro”, a polícia responde “ok, vá a um juiz e peça um mandato de reintegração de posse. Depois que você conseguir isso, você nos avisa que nós iremos tentar recuperar seu carro na base do diálogo; vamos tentar uma desocupação pacífica do seu carro”, incrédulo você pergunta: “mas depois de tudo isso, você irá pelo menos prender o bandido?”. Resposta da polícia: “Não”.

Apesar de fictício para a maioria dos brasileiros, o diálogo acima é uma realidade no campo. Fazendo justiça com a polícia, isso não é sua culpa. É culpa sim do caos institucional que se abateu sobre o Brasil. As invasões de propriedades privadas promovidas pelo MST são motivo mais que suficiente para prender não só os líderes do movimento, mas TODOS que tomam parte em semelhante violação do direito de propriedade privada.

O mais curioso em tudo isso é que o MST tem o direito de INVADIR propriedades privadas, ROUBÁ-LAS, SEQUESTRAR ou MANTER EM CÁRCERE PRIVADO funcionários das fazendas, DANIFICAR propriedade alheia, AMEAÇAR DE MORTE os que tentam impedí-los e efetivamente MATAR os que se opõe a eles. É uma sequência infindável de crimes. Pergunto: por que não são presos? Por que não respondem a processo?

O irônico disso tudo é que tão logo um fazendeiro contrate seguranças para proteger sua propriedade aparecem críticas de todos os lados. Argumentos de que os fazendeiros estão levando a violência para o campo não param de aparecer em jornais. Pergunto: o que os fazendeiros estão fazendo de ilegal? Estão por acaso invadindo propriedade alheia? Estão por acaso atirando em pessoas que transitam pelas ruas? Resposta: os fazendeiros não estão fazendo absolutamente NADA de ilegal. Estão apenas tentando evitar que suas propriedades sejam saqueadas, será que isso agora é crime? Para os admiradores do MST crime NÃO É invadir e matar, para eles crime é tentar se defender. Como bom FASCISTAS que são, os defendores do MST não toleram a idéia de que cidadãos tentem se defender de movimentos TOTALITÁRIOS. Querem não só roubar nossa propriedade e nossas vidas, querem também que aceitemos isso sem nos defendermos.

O MST tem praticado vários crimes tipificados no Código Penal Brasileiro. Crimes que vão desde simples furtos até assassinato. Quando será que tal movimento será declarado ilegal? Opa já ia me esquecendo, esse movimento não possui registros oficiais. Por que será que um movimento que nem CNPJ possui recebe transferências do Estado (o que é ilegal)? Em resumo, o MST invade, rouba e mata. Qual é sua punição? Resposta: receba verbas do governo e também o direito a que parte de seus membros tenham acesso privilegiado a cursos superiores em determinadas universidade do país.

A pergunta que não quer calar: que o PT e o presidente da república apoiam o MST não é novidade, mas por que o PSDB e Fernando Henrique Cardoso fizeram o mesmo? Por que tantos partidos ditos de oposição apoiam um movimento nitidamente ilegal e violento? Afinal de contas, por que tanto medo do MST?

Temas a serem Discutidos nas Mesas Redondas do Encontro Liberal

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Educação”:
a) Quem deve decidir o curriculo das escolas?
b) Curriculos obrigatórios para todas as escolas?
c) Quem deve decidir qual livro adotar?
d) Escolas públicas ou privadas?
e) As escolas devem ser gratuitas ou devem ser pagas?
f) Os alunos devem reprovar?
g) Como deve ser a intervenção do Estado na Educação?
h) Como monitorar a evolução da qualidade?
i) Cotas devem ser adotadas?
j) Outras sugestões são bem vindas.

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Saúde”:
a) Pública ou privada?
b) Gratuita ou paga?
c) Devemos ter programas específicos para crianças, idosos e carentes?
d) Minorias devem ter tratamento diferenciado?
e) Programas de vacinação devem ser financiados pelo Estado?
f) Alimentos transgênicos devem ser proibidos?
g) O Estado deve proibir o fumo e a bebida alcoólica?
h) Como deve ser a regulação estatal nos planos de saúde?
i) Médicos devem ter o monopólio da medicina?
j) Outras sugestões são bem vindas.

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Previdência”:
a) O sistema de previdência deve ser público ou privado?
b) Como financiar a aposentadoria de pessoas carentes?
c) Como deve ser a regulação do Estado nos fundos de previdência?
d) Qual o direito do Estado em obrigar pessoas a investirem para aposentadoria?
e) Mulheres devem ter tratamento diferenciado?
f) O que fazer em caso de falência de um fundo de pensão?
g) Como financiar a transição de um regime previdenciário para outro?
h) As empresas devem contribuir para a previdência de seus funcionários?
i) Previdência deve redistribuir renda?
j) Outras sugestões são bem vindas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Demorou, mas ai vai a programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (Asa Norte)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 - 13:00 horas: Inscrição (gratuita)

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:

9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
"Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho"
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.


O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

Discriminação

Discriminação é um tema difícil e polêmico. Inicialmente acreditava-se que a discriminção afetava apenas mulheres e negros, mas novas evidências sugerem que a discriminação é um fenômeno bem mais amplo afetando pessoas feias, gordas ou mesmo moradoras de bairros pobres. Você discrimina alguém? Você namoraria alguém baixo, gordo, feio, chato, pobre e burro? Opa... será que pessoas baixas, gordas, feias, chatas, burras e pobres são discriminadas? Resposta: SIM. Todos nós discriminamos outras pessoas, seja na hora de escolhermos nossos amigos, seja na hora de escolhermos nossos cônjuges. A questão não é saber se discriminamos alguém, a questão é saber em quais situações é dever do Estado intervir.

Decidir se o Estado deve ou não intervir para diminuir a discriminação não é tarefa tão fácil quanto parece. Por exemplo, vejamos o caso dos concursos públicos. À primeira vista, concurso público parece ser uma forma justa de contratar pessoas. Afinal, parece que ele dá chances iguais a todos. PARECE, mas não é verdade. Para ser aprovado em concurso público, uma pessoa tem que estudar por um longo período de tempo. Assim, pessoas com mais disponibilidade de tempo levam vantagem nessa forma de seleção. Em palavras, mulheres solteiras (que possuem mais tempo livre) são beneficiadas e homens casados (que não podem parar de trabalhar para estudar) são punidos. Ou seja, concurso público discrimina homens casados em prol de mulheres solteiras. De maneira semelhante, pessoas com acesso a crédito também são beneficiadas em concursos públicos em relação às que não têm acesso a esse mercado. Concurso público então beneficia um grupo à custa de outro. Notou como é difícil lidar com essa questão?

No setor privado, deve o Estado combater a discriminação? Resposta: NÃO. O dono da empresa investiu seu dinheiro na empresa, nada mais justo que ele possa escolher ao menos quem vai trabalhar com ele. Será que uma empresa tem o direito de escolher para quem vender? Resposta: SIM. Se uma empresa não quer vender seu produto para alguém, é direito da empresa recusar a venda (note que a Ferrari age dessa maneira). A melhor maneira do Estado combater a discriminação NÃO É intervir nas empresas. A arma mais eficiente para combater a discriminação é estimular a competição entre empresas. Quanto mais empresas competindo, mais opções terão o cliente e o trabalhador, logo menor será a margem das empresas para fazerem exigências absurdas. Uma empresa submetida a uma forte concorrência não pode se dar ao luxo de discriminar um trabalhador (ou cliente) por ele ser negro (ou gordo, ou afeminado, etc.). Num ambiente competitivo a empresa é obrigada a contratar o melhor funcionário (ou a atender o cliente) sob o risco de ser banida do mercado pela concorrência. Quanto mais empresas competindo, menos espaço haverá para a discriminação. Fortalecer a concorrência e a economia de mercado é a melhor política que o Estado pode realizar para combater a discriminação.

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