terça-feira, 28 de agosto de 2007

O que gera a riqueza das nações?

Pergunta difícil, talvez minha resposta não seja correta, mas lá vai o resultado principal de meu livro (escrito em conjunto com João Batista de Brito Machado). Existem duas maneiras de se aumentar a taxa de crescimento de uma economia: 1) usando mais insumos (empregando mais trabalhadores, por exemplo); ou 2) aumentando a produtividade (isto é, produzindo mais com a mesma quantidade de recursos). Aceitando que os recursos (insumos) de uma economia são limitados, a opção 1 (uso de mais insumos) tem dificuldade em explicar o crescimento sustentável de longo prazo. Dessa maneira, a maior parte dos economistas concorda que o crescimento de longo prazo de uma economia se deve a ganhos de produtividade.

Aceitando que a produtividade é o principal motor de crescimento de longo prazo de uma economia, temos então que responder a seguinte pergunta: o que gera crescimento da produtividade? Tudo aquilo que impactar positivamente a produtividade irá também impactar de maneira positiva no crescimento da economia. Além disso, se os ganhos de produtividade forem passageiros, então também o será o crescimento econômico. Dessa maneira, para encontrarmos os determinantes do crescimento econômico de longo prazo, temos que identificar quais fatores afetam positivamente a produtividade no longo prazo.

No livro nós estudamos a importância de 9 variáveis sobre a riqueza de uma nação. Vamos agora explicitar: a) um resultado óbvio; b) um resultado polêmico; e c) explicitar a variável que melhor explica a riqueza de uma nação. O resultado óbvio é que a presença de recursos naturais (tipo petróleo) em pouca medida garante a riqueza de uma nação. Assim, defensores do “Petróleo é nosso”, ou de movimentos para nacionalizar as reservas minerais, parecem não ter muita razão em suas demandas. A simples presença de grandes reservas de petróleo em um país não é condição necessária e nem suficiente para a riqueza do mesmo.

O resultado polêmico refere-se à variável educação. Parece que esta variável não contribui muito para explicar a riqueza de um país. Assim, defensores da idéia de que capital humano gera crescimento precisam explicar o grande número de países pobres que possuem altos níveis de capital humano. Por exemplo, as antigas repúblicas socialistas possuiam alto nível de capital humano, mas eram em sua maioria países pobres ou de renda média. Podemos entender esse resultado da seguinte maneira: capital humano é um insumo, como tal sua capacidade de gerar crescimento econômico de longo prazo é limitada. Estranho mesmo é notar que pessoas que defendem a idéia de que capital humano gera crescimento são as mesmas que argumentam que recursos naturais não são importantes. Do ponto de vista teórico, tanto capital humano quanto petróleo são insumos. Se o último não gera crescimento de longo prazo, por que o primeiro geraria? A única solução seria assumir que existem grandes externalidades presentes na produção de capital humano. TALVEZ isso seja correto, mas devemos lembrar que se tivermos que recorrer a externalidades então qualquer coisa pode ser provada.

Por fim, a resposta correta: LIBERDADE ECONÔMICA. Esta é a ÚNICA variável capaz de gerar ganhos consistentes de produtividade no longo prazo. Em resumo, a melhor maneira de garantir a riqueza de uma nação é dar liberdade econômica a seus cidadãos. A liberdade de comprar e vender para quem oferecer a melhor proposta; a liberdade de produzir os bens nos locais mais atrativos; a certeza de que sua propriedade privada não lhe será tomada; a certeza de que você irá auferir os ganhos (ou pagar pelas perdas) de suas decisões. Esta é a melhor garantia para se gerar a riqueza de uma nação.

Mais detalhes estão no livro que deverá ser lançado até o final do ano. Desnecessário dizer que o Brasil está numa péssima situação. Não acredita em mim? Ok, tente abrir ou fechar uma empresa por aqui. Tente importar um produto. Tente contratar mais funcionários para a empresa. Você verá que a liberdade econômica no Brasil é extremamente baixa.

5 comentários:

GAbiRu disse...

ai ai ai ai ai.

se estiver provado, por A + B, que a liberdade econômica é o fator preponderante... tadinho do jacaré

Anônimo disse...

Alo Adolfo, novamente estamos juntos. O mais engraçado será reparar que pessoas que se acham neoclássicas não acreditavam que um ambiente competitivo é suficiente para a questão do crescimento. Ficarão elas surpresas quando entenderem que também é suficiente para a distribuição da renda. Mas muito engraçado será ver a reação dos que se consideravam esquerdistas modernos e hoje colocam em suas siglas socialistas a expressão liberdade. Liberdade política e econômica estão juntas. As ditaduras sempre caminham pela supressão das liberdades políticas e econômicas simultaneamente. São poucas as ditaduras que só foram políticas. E não existe nenhuma ditadura que só tenha sido econômica. A pergunta que me faço é a seguinte: O que você está colocando em seu blog seria algo de novo para os americanos que são muito mais bem treinados em relação ao paradigma neoclássico? Acredito que não. Vale lembrar que esse papo de teoria do desenvolvimento faz muito sucesso apenas nos paises subdesenvolvidos. Agora a moda é o tal do desenvolvimento sustentável, como se as externalidades não fossem assunto dos economistas há muito tempo. Muitos economistas americanos acham que não existe teoria de desenvolvimento coisa nenhuma. Eu também acho. O que precisamos é disseminar o paradigma neoclássico: ambiente competitivo que não pode resultar em grupos econômicos que determinem o destino de um país. Enfim, como é difícil o trabalho de um economista. Até livros como o de Introdução a Economia do Samuelson parece que não é bem compreendido – embora eu mesmo não seja muito fã deste livro – pelas pessoas em geral e até mesmo por muitos economistas. A luta contra os que trabalham para manter privilégios às custas dos mais humildes é às vezes inglória. Mas essa é a missão de um economista que está comprometido em fazer deste país um lugar bom para se viver e trabalhar. Veja o que fizeram com o chamado Consenso de Washington. Muitos acham que ele foi aplicado por aqui. Hoje sabemos, é muito pior aplicar o receituário do Consenso de Washington erradamente como fizeram no Brasil do que não aplicá-lo. Os dez mandamentos do consenso são:
• Disciplina fiscal
• Redução dos gastos públicos
• Reforma tributária
• Juros de mercado
• Câmbio de mercado
• Abertura comercial
• Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições
• Privatização das estatais
• Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas)
• Direito à propriedade
É claro isto não completa o receituário liberal. O mais importante é que tal receituário tem que resultar necessariamente num ambiente competitivo em que grupos econômicos poderosos não possam proliferar e muito menos dirigir os destinos de toda uma nação. Se disto não resultar um ambiente competitivo é porque o consenso era uma farsa. É claro que do jeito que foi patrocinado – FMI, Banco Mundial - não poderia ser outra coisa do que foi. Portanto, o consenso aplicado isoladamente ou mutiladamente é um desastre. E ele foi montado para que fosse mutilado, até mesmo porque não completou o receituário liberal. Não foi uma iniciativa dos intelectuais comprometidos com a política do seu país. Foi coisa de burocratas de Washington. O emprego do consenso que já nascera mutilado foi aplicado mais deformado ainda por aqui. É por isto que aceito a expressão modelo neoliberal como algo ruim quando se refere a nossa experiência em relação a essa política patrocinada pelo FMI e Banco Mundial. O problema no Brasil é político. Eu também não quero o consenso de Washington. Eu quero o consenso da liberdade econômica e política.
Um abraço
Marco B

Badger disse...

GOTCHA! Adolfo, o que eu ganho por ter sido o único a acertar sua pergunta? Uma cópia do seu livro? Excelente que você levante este ponto, pois todo economista da minha geração sofreu **LAVAGEM CEREBRAL** da esquerda, que obviamente controla as escolas e universidades brasileiras. Você acerta em cheio ao mostrar que os elevados gastos com educação nos países da cortina de ferro, bem como o simples direito a votar na América Latina, não produziram progresso econômico. Ou seja, é a **LIBERDADE ECONÔMICA** o que gera e preserva **EDUCAÇÃO ÚTIL E DE QUALIDADE** e **INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS**, e não o contrário!! Como exemplo, basta observar que décadas de doutrinação socialista nas escolas brasileiras só serviram para levar à eleição de um dos piores governos da história do país.

alimped disse...

Adolfo,
A educação de qualidade não aumenta a produtividade da economia? Peão, engenheiro, empresário bem educado não produz mais com menos?
Por que os países socialistas são improdutivos? Pela herança do regime que nunca valorizou a produtividade, por isso não crescem...Ou seja, a liberdade econômica é fundamental para criar a cultura de produtividade, mas a educação também é, certo?

Não sei, mas achei que colocar a educação no lado do insumo, como seriam os recursos naturais, um tanto simplista...

Anônimo disse...

O mundo socialista não é "improdutivo" simplesmente porque sua medida de eficiência nada tem a ver com a ocidental. A lógica socialista só apela para o lado da oferta. A demanda não tinha sentido para os países socialistas, posto que era definida pela burocracia estatal vinculada ao partido dominante. Acontece que se o restante do mundo segue a lógica do valor baseado na demanda e na oferta, os "produtos" ocidentais vão se distanciando dos paises socialistas.De fato, um automóvel feito na antiga Rússia não poderia ser comparável com um automóvel produzido numa economia capitalista. Os países socialistas só poderiam ter uma dinâmica adequada e talvez próxima da ocidental se a burocracia acertasse 100% as escolhas dos indivíduos. Mas isso só poderia ocorrer se houvesse liberdade de escolha que, por sua vez, fatalmente exigiria ajustes imediatos ou quase imediatos no lado da oferta que estariam longe de ser enquadrados por uma burocracia partidária. Enfim, temos contradições o bastante para que a engrenagem socialista não funcione adequadamente nos nossos termos, embora não se possa negar o avanço na gestão da educação básica e o combate à criminalidade – Poder-se-ia argumentar que o custo do combate ao crime foi alto. Há ainda, portanto o desafio da solidariedade a ser vencido. Por enquanto vamos passando muito bem com as observações de Adam Smith. No Brasil, estamos provavelmente mais perto do ideário socialista do que o capitalista exatamente pela desinformação de um mundo idealizado que muitos liberais trataram de moldar. Pudera, com os nossos economistas execrando figuras como Milton Friedman, como fez Simonsen no passado e como fez há pouco, pela ocasião da morte de Friedman, um dos Diretores do Corecon/DF, ficará difícil a compreensão do funcionamento de uma economia de mercado num contexto civilizado.
Um abraço
Marco

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