segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Teoria dos Conjuntos e Liberdade

Se o conjunto A de opções engloba o conjunto B de opções então, a nível INDIVIDUAL , A não pode ser pior do que B. A pode ser melhor ou igual a B, mas nunca pior. Por exemplo, suponha que seu conjunto A seja [cinema OU teatro] e o conjunto B seja [teatro]. Se você prefere cinema, você está melhor no conjunto A; se você prefere teatro você é indiferente a A ou B (pois ambos contém essa opção). Em resumo, caso tenha que escolher entre A ou B, um indivíduo normal sempre escolherá A. Qualquer tentativa do governo em restringir o conjunto A, para que este se assemelhe a B, implica numa redução da liberdade de escolha e, consequentemente, em queda de bem estar para o indivíduo.

A lição do parágrafo acima é simples para os mortais, mas incompreensível para o governo. A recente decisão do DENATRAN (departamento nacional de trânsito) retrata bem esse fato. O DENATRAN quer obrigar TODOS os carros novos do país a saírem de fábrica com um sistema de localização por satélite do veículo. Motivo: isso facilitaria a trabalho da polícia em encontrar carros roubados. Vamos analisar tal decisão em termos de teoria dos conjuntos. Antes da decisão do DENATRAN tínhamos o conjunto A de opções [usar o dispositivo OU não usar], após a decisão temos o conjunto B [usar o dispositivo]. Em termos individuais, não há como B ser preferível a A. Em resumo, o DENATRAN piorou o bem estar de TODOS aqueles que não gostariam de usar o dispositivo de localização, mas que agora serão obrigados a pagar por isso. Quanto aos que já usariam o dispositivo o resultado é incerto: 1) como mais pessoas irão usar o sistema TALVEZ ocorram ganhos de escala na produção dos dispositivos e estes tenham seu preço reduzido (não acredito muito nessa hipótese); ou 2) como a demanda pelos dispositos aumentou o preço do mesmo irá aumentar (fico com essa opção). Em resumo, há uma grande chance do governo ter piorado a situação de TODOS.

Só existe uma única situação em que a redução no conjunto de escolha do indivíduo melhora o bem estar da sociedade: na presença de externalidades, ou seja, quando a decisão de um indivíduo tem potencial para afetar o bem estar de outros. Por exemplo, seja A [matar, não matar] e B [não matar]. Em nível individual, A não pode ser pior do que B. CONTUDO, para a sociedade seria interessante restringir o conjunto de escolhas dos indivíduos ao conjunto B. No caso do DENATRAN, este tem que responder qual externalidade justifica sua intervenção nesse mercado. Qual é o problema de externalidade que está sendo corrigido? Essa é a pergunta a ser respondida. Questões referentes ao preço do equipamento, ou a modernidade do mesmo, são questões secundárias.

Na minha opinião o DENATRAN esta cometendo um erro terrível: não esta levando em consideração a possibilidade de substituição entre crimes. Explico: o DENATRAN deve estar acreditando que quando todos os carros estiverem equipados com tal equipamento o número de roubo de veículos irá ser reduzido; liberando recursos da polícia para outros propósitos. O erro do DENATRAN é não considerar que o roubo de veículos pode se tornar um processo mais violento. Ou seja, os criminosos podem substituir “roubo de veículo” por “roubo e sequestro”, ou “roubo e assassinato”, para evitar que as vítimas acionem o sistema antifurto do veículo. Também falha o órgão governamental ao se esquecer da criatividade dos criminosos. Assim que tal sistema de vigilância estiver em vigor os criminosos irão encontrar meios eletrônicos para burlá-lo. Em resumo: 1) não é claro que existe uma externalidade grande o suficiente para justificar intervenção do governo nesse mercado; 2) mesmo que haja tal externalidade também não é claro que tal medida ajude a diminuir o problema; 3) a solução proposta pelo governo tem o potencial de criar outros problemas potencialmente maiores. O provável mesmo é que tal medida mais atrapalhe do que ajude.

3 comentários:

Badger disse...

Excelente Adolfo. Por sinal, o John Lott fala exatamente sobre este dispositivo nesta palestra. Há vários problemas econômicos com este dispositivo, por exemplo, quando o carro é finalmente encontrado ele já foi canibalizado. Se o dispositivo de fato tem mérito, então ele terá demanda no mercado e não precisa de regulamentação governamental. E pensar que, se a polícia americana, que é uma das mais bem preparadas do mundo, não é capaz de encontrar o carro a tempo de salvá-lo, o que dizer do benefício desse dispositivo quando lidando com uma das polícias mais ineptas e corruptas do mundo -- a brasileira!

Anônimo disse...

O Exemplo do Denatram não precisa de tanto refinamento. Isto é politica. Estao te roubando. Se voce nao reagir, a tuncada é certa. Se voce reagir, tera custo. O que fará a classe média leniente?

Eu quero reagir.
Um abraço
Marco

Anônimo disse...

O Exemplo do Denatram não precisa de tanto refinamento. Isto é politica. Estao te roubando. Se voce nao reagir, a tungada é certa. Se voce reagir, tera custo. O que fará a classe média leniente?

Eu quero reagir.
Um abraço
Marco

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