segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A Vitória de Milton Friedman

A depressão econômica que se abateu sobre os Estados Unidos e boa parte do mundo em 1929 foi severa. Desse cenário, surgiram vitóriosas as idéias Keynesianas de interferência do Estado na economia. A aplicação prática dessas idéias foram as políticas de bem estar social implementadas pelos governos para atenuar o efeito da recessão sobre a sociedade.

Muito após a grande depressão, Milton Friedman gastou consideráveis esforços tentando explicar o que aconteceu de errado com a economia durante a crise de 1929. Para ele, o Estado não foi o “salvador da pátria”, mas sim o próprio criador da crise de 1929. Para Friedman o Banco Central americano agiu de maneira equivocada, reduzindo a quantidade de dinheiro em circulação na economia, quando o correto seria aumentar a oferta de papel moeda (ou termos técnicos, aumentar a liquidez da economia). De maneira geral, Friedman argumenta que a depressão de 1929 somente foi tão severa devido a inabilidade do Banco Central americano. Para Friedman, as políticas de bem estar social proporcionadas pelos Estados, sobretudo após a crise de 1929, eram uma má idéia; e deveriam ser, na sua grande maioria, eliminadas. Friedman despertou a fúria de vários setores da sociedade. Foi inclusive vaiado quando recebeu o seu MERECIDO prêmio Nobel de Economia.

Nesta última semana, alguns acontecimentos têm provocado incertezas sobre o futuro da economia americana. Tais incertezas se espalharam para outras economias com potencial para gerar crise semelhante a de 1929. Mas isso tem pouca chance de ocorrer. Motivo: as lições de Milton Friedman, apesar de odiadas por muitos, estão sendo seguidas. Os Bancos Centrais americanos e europeu aumentaram de maneira significativa a oferta de moeda e crédito aos bancos. Ou seja, seguiram exatamente a idéia de Friedman: aumentaram a liquidez do sistema para evitar uma crise bancária.

Qual a chance dessa crise internacional afetar o Brasil? Na minha opinião, muito pequena. O motivo é simples: a taxa de câmbio no Brasil é flexível. Os países que tentam manter suas taxas de câmbio fixa serão os grandes afetados por essa crise. Dessa maneira, é muito mais provável que essa crise se faça sentir de maneira mais severa na China do que no Brasil. Resumindo, neste caso específico, a estabilidade de nosso economia esta muito mais associada a um postulado econômico simples (taxa de câmbio flexível) do que a discursos políticos que se referem a uma “blindagem” da economia brasileira. A única blindagem necessária para se evitar que crises financeiras internacionais afetam a economia doméstica é manter a taxa de câmbio flutuando. Além disso, aconselha a prudência que, durante esse período, se evite uma redução severa na oferta de moeda doméstica.

Para finalizar, temos que salientar que Milton Friedman foi vaiado, foi injustiçado por vários analistas, foi ridicularizado por alguns, e sofreu todo tipo de acusações injustas; mas na ciência, ao contrário da política, a vitória não esta com a maioria.

4 comentários:

marco bittencourt disse...

De acordo com a sua visão em relação a Friedman. A sua missão foi usar um inseticida anti-keynesianismo na grande maioria de seus trabalhos, a fim de exterminar os seus dogmas. Mas qual praga, embora tenha extinguido todos que enfrentou, tais dogmas estão sempre brotando no seio da burocracia ávida por uma oportunidade de negócio. Em relação a possível crise financeira ela só poderia ter alguma repercussão por aqui se os fundos brasileiros fossem contaminados de alguma forma pelos fundos alavancados com títulos não garantidos derivados do sistema hipotecário americano. Esta conexão é pouco provável pela estratégia dos bancos brasileiros de ancorarem suas receitas em créditos e títulos da divida publica brasileiros. Mas se for, seria então um problema especifico de liquidez, mas não de perdas substanciais. Os que perderam (investidores estrangeiros que assumem riscos elevados) foram os que se arriscaram em títulos não garantidos relacionados ao sistema financeiro habitacional americano. A grande maioria dos investidores neste mercado imobiliário só negociam títulos com alguma forma de garantia como os Gennie Mae.Portanto, não pode haver perda para o Banco Central como também não está havendo perda para os bancos centrais americano e europeu.

Badger disse...

A canal que criará a crise brasileira tem nome e se chama China. A China está carregada de títulos hipotecários americanos de baixa qualidade e está sendo afetada pela crise. Resta saber a intensidade do efeito e a capacidade do Banco Central chinês de lidar com crises financeiras -- uma grande incógnita. Uma crise econômica na China afetará o Brasil enormemente via dois canais: a exportação de commodities brasileiras, que cairá muito, e a retirada de fundos financeiros do Brasil para cobrir perdas em outros mercados emergentes. Resumindo: quando os EUA tosse, a china pega resfriado, e o Brasil vai parar na UTI com pneumonia.

Fábio disse...

Friedman provou mais uma vez que estava certo em 1929, tanto que suas idéias, são seguidas hoje nessa crise financeira do mercado imobiliario Americano,Banco Central Americano e Europeu estão jogando moeda no mercado, Aumentando a liquides, provando que Friedman e um otimo remédio para qualquer economia.

floriano disse...

Contraditório esse Friedaman. Abomina o bem-estar social, mas preconiza a interferência do Estado em favor das minorias. Por que não mostra auto-suficiência e resolve sozinho as crises decorrentes de sua vocação especulativa? Por que socializar os prejuízos, se os lucros são méritos privados?

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