terça-feira, 11 de setembro de 2007

É impossível a um selvagem entender a civilização

Hoje 11/09/2007 é o sexto aniversário dos atentados terroristas de 11/09. Durante esses 6 anos ouvi muita gente criticando a política externa americana. De maneira irônica, essas mesmas pessoas pareciam tratar os terroristas muito mais como vítimas do que como criminosos. No Brasil, tive a sensação de que muitas pessoas ficaram felizes com os atentados terroristas. Para elas os americanos mereciam mesmo uma lição. Elas são incapazes de entender que 5000 pessoas simplesmente morreram, 5000 famílias perderam pessoas queridas, 5000 trabalhadores deixaram de existir. Qual é o número que separa assassinato de extermínio? Quantas pessoas terão que morrer para que comecemos a chamar os terroristas do que eles realmente são?

O que muitos brasileiros não conseguem entender é que entre os 5000 mortos poderia estar um parente seu. Seu filho que foi visitar os EUA poderia estar nas torres gêmeas, seu pai poderia estar num dos aviões derrubados, será que só assim para entendermos o tamanho da tragédia? Será que nosso país perdeu tanto o senso de moral que apenas nos indignamos quando temos interesses diretamente envolvidos? Por que o Brasil não consegue dizer o óbvio: Terrorista é um assassino. Terrorista, apesar de racional no sentido econômico, é um indivíduo que quer impor sua vontade, por meio da força e coação, aos demais membros da sociedade.

O que aconteceria no Brasil caso terroristas argentinos sequestrassem aviões cheios de brasileiros e os fizessem colidir com edifícios em São Paulo e Brasília? Eu lhes digo o que aconteceria: os brasileiros iriam sair nas ruas pedindo por vingança; iríamos restringir a entrada de argentinos no país e obrigar os argentinos aqui residentes a irem embora. Agora me digam, quantos muçulmanos foram expulsos dos EUA após 11/09? Quantos muçulmanos tiveram seus negócios apedrejados e sofreram perseguição nos EUA? É por isso que a América desperta tanto o ódio e a inveja de seus inimigos: para um selvagem é impossível entender a civilização. Bin Laden acreditava que seu ataque iria fomentar o ódio racial na América, mas isso simplesmente não aconteceu. Eu estive nos EUA logo após os ataques de 11/09 para uma conferência. O que vi foi inacreditável: alunos muçulmanos da University of Texas – Dallas estavam fazendo palestras no campus da universidade sobre o islã. Nenhum deles sofreu qualquer tipo de constrangimento, pelo contrário muitos se interessaram pela palestra. Isso é civilização, por isso vale a pena lutar.

Por fim, faço um apelo aos líderes islâmicos: posicionem-se ABERTAMENTE CONTRA OS TERRORISTAS. Essa é a maneira mais eficiente de mostrar ao mundo que o islã também é contra o terrorismo. O islã é uma religião pacífica, é obrigação de seus líderes irem para os jornais e dizerem de maneira clara: Bin Laden irá queimar no fogo do inferno; os terroristas irão para o inferno. A recusa dos líderes islâmicos em procederem dessa maneira é a única chance da estratégia de Bin Laden dar certo. Os terroristas apostam que seus ataques estimularão o ódio racial. Para vencê-los temos que lutar juntos: os líderes islâmicos devem protestar claramente contra o terrorismo, e os líderes do mundo ocidental devem se aliar a eles para erradicarmos essa praga do mundo.

5 comentários:

Pedro Henrique C.G. de Sant'Anna disse...

Adolfo, o que você falou é a mais pura verdade. Estou atualmente aqui nos EUA e não vejo nenhuma discriminação por parte dos americanos em relação à muçulmanos e árabes.

Já pelo lado dos sul americanos(principalmente bolivianos), o preconceito é algo escancarado.

Realmente, "selvagens" não entendem de civilidade.

Badger disse...

Gol de placa, Adolfo!

Diego disse...

Verdade, Adolfo.

Até na Europa as tensões com os muçulmanos são constantes. Os EUA são a nação multicultural de maior sucesso já visto.

Jonas disse...

Eu, particularmente, também sou contra todo tipo de violência, terrorismo e discriminação. Não apenas física, mas também moral e intelectual. Palavras também podem ferir.

Em todo caso, vale uma ressalva. Procurando com cuidado, é fácil encontrar "selvagens" em qualquer parte do mundo: vejamos, por exemplo, uma visão um pouco diferente dos norte americanos pelos próprios norte americanos:
http://www.youtube.com/watch?v=wqKl_EOUbnE

Grande Abraço!

Marcelo Ladvocat disse...

Estive em Toronto-Canadá no ano passado onde estudei por um pequeno período. Frequentava uma igreja cristã e participei de alguns encontros dessa mesma igreja. Em um deles recebemos um clérico muçulmano que não só rebatia fortemente esses idiotas que dizem matar em nome de Deus, como nos deu um pequeno curso sobre a doutrina mulçumana, que aliás nada tem, como seria de se esperar, de violenta ou coisa parecida. Mas, infelizmente essas iniciativas não dão ibope! O que vende é um louco barbudo, com os olhos vidrados, falando em redenção sublime (sic)

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