segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Mensagem Natalina

Em 2000, durante o Encontro de Economistas que ocorreu em Belém-PA, eu estava sentado no saguão do hotel quando vi um velhinho. O velhinho estava lá calado e sozinho. Me aproximei dele e disse: “Parabéns professor, acabei de ler um artigo que mostra que, nos últimos 15 anos, o Sr. é um dos oito brasileiros que conseguiu publicar um artigo na Blue Ribbon (lista com os periódicos mais importantes da área de economia)”. O velhinho era o Professor Moldau da USP. Ele sorriu, parecia não acreditar no que estava ouvindo. Os olhos dele brilhavam de alegria, e ele me perguntou como eu sabia daquilo. Mostrei a ele então o artigo sobre a produtividade internacional dos economistas brasileiros, escrito pelo professor João Faria. O Professor Moldau estava muito alegre com aquela noticia, parecia que finalmente anos de trabalho estavam sendo reconhecidos de uma maneira adequada. Ele me pediu uma cópia do artigo. Alguns meses depois esse artigo foi publicado pela Revista Economia Aplicada. Coincidência ou não, após esse artigo do professor Faria outros artigos começaram a aparecer medindo a produtividade dos economistas brasileiros. Logo, a própria CAPES começou a aumentar a importância de se publicar artigos em revistas especializadas. Não digo que foi apenas o artigo do professor Faria que gerou tudo isso, mas me parece inquestionável que esse artigo teve importância fundamental nesse processo.

Gosto de acreditar que tal como um artigo isolado começou um movimento positivo, pessoas também são capazes de começar movimentos positivos. Essa é a mensagem natalina que gostaria de passar: é possível melhorar nosso mundo. Basta trabalharmos sério e com competência. O resto virá com o tempo. Após o artigo do Professor Faria, outros professores passaram a escrever sobre rankings de produtividade acadêmica. Tais rankings ajudaram a estabelecer o mérito acadêmico (publicações) como um critério importante na avaliação de pesquisadores e centros de economia. Nesse ano, um novo trabalho do Professor Faria (com os Professores Claudio Shikida e Ari Araújo Jr.) mostra que, desde a publicação do artigo original, a qualidade da pesquisa econômica no Brasil melhorou. Ou seja, basta identificarmos os problemas corretamente e apontarmos as soluções adequadas que também somos capazes de evoluir.

Há 200 anos atrás os Estados Unidos também eram uma selva. Hoje eles são uma civilização. Nós também somos capazes. O problema do Brasil já foi identificado por nós liberais: temos um Estado muito grande que sufoca a liberdade econômica. A ausência de liberdade diminui, ou suprime, os incentivos adequados ao desenvolvimento de nossa nação. Basta agora implementarmos nossa solução: DIMINUIR O TAMANHO DO ESTADO BRASILEIRO. Claro que isso não é fácil, mas quem disse que civilizar a selva é um desafio pequeno?

Feliz Natal a todos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ninguém segue normas nesse país, seja em engenharia, seja no social ou em qualquer área. O brasileiro quer fazer de tudo, entretanto, de uma forma caótica.
Boas festas a todos

Nilo disse...

O importante é a nossa consciência liberal que já está evidente!! Aos poucos ganharemos espaço!!!

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