sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Por que os intelectuais odeiam o capitalismo?

Essa pergunta foi elaborada por um dos maiores economistas do século passado: Von Mises. Quero voltar a essa pergunta pois estamos sendo constantemente expostos a intelectuais – seja nas universidades, seja na mídia – fazendo críticas ásperas ao regime que mais riqueza e bem estar trouxe à humanidade. Se o regime capitalista é tão bom, então por que os intelectuais odeiam o capitalismo?

Uma característica importante do capitalismo é que NEM SEMPRE os melhores ganham mais dinheiro. Por exemplo, se Mozart vivesse hoje é bem provável que estivesse fazendo shows por um preço menor que o cobrado por Madona. Se Shakespeare estivesse vivo é provável que vendesse menos livros que Paulo Coelho. No capitalismo, cada um recebe de acordo com sua capacidade de satisfazer o mercado. Em algumas situações o gosto do mercado talvez não seja o mesmo compartilhado pelos intelectuais, assim pode acontecer do mercado pagar altos salários para indivíduos considerados menos talentosos.

Em vista do parágrafo acima, muitos intelectuais se sentem desprezados pelo mercado. Não aceitam o fato de que seus alunos – que acreditam terem menos conhecimento do que eles – são capazes de receber salários maiores. Tais intelectuais não aceitam o fato de que pessoas que eles julgam incompetentes possam ter sucesso no mercado. O exemplo mais claro disso é a agressividade que a Academia Brasileira de Letras demonstra com o escritor brasileiro de maior sucesso dos últimos tempos: Paulo Coelho.

São pelo menos mais 5 anos de estudos intensivos após a graduação para se formar um doutor. Durante esse tempo, o futuro doutor adquire conhecimentos que estão muito além da média da população. Ele tem tempo para se orgulhar de si mesmo e de se imaginar fazendo contribuições significativas para a humanidade. Mas quando finalmente termina seu doutorado, o intelectual é exposto ao mundo; e a verdade é que muitas vezes o mercado não valoriza o conhecimento que ele adquiriu. Resultado: ele receberá um baixo salário. Mais que isso, não receberá homenagens da sociedade, não será entrevistado por jornais, e tampouco irá influir na trajetória política do país. Isso é um duro golpe para o ego de muitos que se imaginam superiores.

O intelectual muitas vezes oferece um produto para o qual não há grande interesse na sociedade. Não que seu produto não seja importante, apenas não há demanda para ele. Assim, após anos de sofrimento (noites sem dormir, pouco dinheiro, etc.) o intelectual descobre que pessoas que estudaram muito menos não só ganham muito mais, como também têm mais prestígio. A mente do intelectual começa então a procurar culpados. Por que ninguém lhe dá o salário que ele julga merecer? Por que a sociedade não lhe presta o devido respeito? Por que sua opinião pouco importa para os outros? Existem várias respostas possíveis para essas perguntas. Mas uma parcela expressiva desses intelectuais irá culpar o capitalismo. Por culpa da sociedade materialista eles não recebem a devida admiração.

Muito do ódio dos intelectuais ao capitalismo não passa de puro despeito. Muito do ódio que os intelectuais devotam ao capitalismo deve-se ao fato desse sistema tratar um intelectual EXATAMENTE da mesma maneira que trata um analfabeto. Verdadeira heresia para alguns intelectuais que acreditam serem merecedores de um tratamento privilegiado. No sistema capitalista os indivíduos recebem de acordo com sua produção, de acordo com sua capacidade de satisfazer as demandas da sociedade, e não por títulos acadêmicos.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Handball e Política Industrial

O que é política industrial? Política industrial é um conjunto de medidas adotadas pelo governo para fortalecer determinada indústria. A idéia do governo é que ao fortalecer determinadas indústrias toda a sociedade se beneficia. Por exemplo, ao ajudar determinada indústria o governo acredita que isso irá ajudar a desenvolver uma série de outras indústrias e serviços na economia. Dessa maneira, geralmente indústrias consideradas estratégicas pelo governo recebem algum tipo de ajuda governamental. A crítica óbvia a essa política é: se tais indústrias são tão importantes, por que o próprio setor privado não investe nelas? As respostas dos defensores da política industrial são: a) existem indústrias estratégicas (tipo defesa nacional) que não devem ficar sob controle de capital estrangeiro; b) existem ganhos de escala em algumas indústrias, logo elas precisam de ajuda do governo nos estágios iniciais de produção; e c) determinadas indústrias geram grandes externalidades positivas que não podem ser captadas apenas pelo setor privado.

Uma das políticas industriais mais antigas em vigor no Brasil é o Handball. Desde o começo da década de 1970 as escolas públicas e privadas ensinam esse jogo misterioso para o brasileiro. Notem que em 1970 o Brasil já era tri-campeão mundial de futebol, bi-campeão mundial de basquete, e tinha tido sucesso em uma série de outros esportes. Mas por algum motivo, que me foge ao conhecimento, as autoridades governamentais decidiram que as escolas brasileiras deveriam ensinar handball aos alunos. Note que ocorreu uma maciça transferência de recursos dos outros esportes para o handball. Por exemplo, os professores gastaram um tempo imenso ensinando aos alunos a jogar handball; tempo esse que não pode ser usado para se descobrir novos talentos no judo, no volei, no basquete, etc. Os alunos também gastaram um tempo imenso tentando aprender esse jogo; tempo esse que não pode ser usado para a prática de atletismo, natação, etc.

Quase 40 anos depois, qual foi o resultado da política industrial de handball? Até hoje o Brasil tem um péssimo time de handball, a liga de handball esta longe de atrair a atenção do público e, se por algum motivo, amanha pararmos de ensinar handball nas escolas poucas pessoas irão sentir sua falta. Contudo, o custo dessa política insensato foi imenso: vários talentos deixaram de ser descobertos. Note que nesses 40 anos de apoio ao handball o Brasil obteve títulos mundiais no volei, na natação, no judo, no atletismo, no basquete (feminino), entre outros. Isto é, um dos únicos esportes coletivos onde nunca ganhamos nada em nível mundial foi justamente onde o governo decidiu investir. Coincidência? Julgue por você mesmo. Se não quer o exemplo do handball pense na indústria da informática, ou nas usinas de Angra, ou na Engesa (aquela estatal que produzia armamento e que foi privatizada por R$ 1,00 – com direito ao comprador devolver a empresa se a dívida fosse maior do que a declarada), ou em qualquer outra indústria que o governo tentou desenvolver.

Mais um detalhe: por acaso você acha que o resultado da política industrial é parecido com o resultado de políticas de desenvolvimento regional? Se acha que sim, você está correto. O resultado é exatamente o mesmo: puro desperdício de recursos. Ou alguém irá afirmar que a SUDAM e a SUDENE levaram o desenvolvimento ao norte e nordeste brasileiro?

Crime e Castigo 2

Thales Ferri Schoedl é um rapaz "simples" que disparou 12 tiros num grupo de pessoas, matou uma e feriu outra. Querem saber a punição que recebeu? Acertou quem respondeu: foi efetivado no cargo de promotor de justiça, irá receber salário como promotor de justiça, irá julgar outros assassinos como ele, e além disso irá ser julgado em foro privilegiado. A justificativa do promotor para ter ASSASSINADO uma pessoa: "Eles assediaram minha namorada". Esse é o equilíbrio emocional do promotor de justiça..... só por curiosidade, onde esta o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)? Não era esse o órgão que deveria agir como um guardião moral do poder judiciário?

Não contente em distribuir os recursos da sociedade para o MST, o governo federal vai agora dar dinheiro para filho de bandido. Assim, o bandido pode "trabalhar" tranquilamente... se algo de mal lhe acontecer, tipo ser preso, o estado brasileiro se encarregará de dar uma pensão à família do marginal.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Crime e Castigo

Numa sociedade civilizada, o crime não vale a pena. Existe uma alta chance do infrator ser identificado, e uma vez identificado a punição tende a ser alta. Existem crimes, mas estes não são tão numerosos como o são em sociedades não civilizadas. Na ausência de civilização, a chance do infrator ser detido é baixa, e uma vez detido a punição não costuma ser proibitiva.

Onde está o Brasil? Somos realmente uma sociedade civilizada? Para responder a essa pergunta, basta sabermos se em nosso país o crime compensa ou não. Se aqui o crime compensa é porque não podemos ser considerados civilizados. O que você acha leitor? Na sua opinião, no Brasil, o crime compensa? Vamos usar 3 exemplos para ilustrar essa questão:

1) Imagine que um juiz julgue e de ganho de causa a uma companhia onde seu filho era advogado-estagiário. Fica evidente a existência de um conflito de interesses em tal processo. Parece justo supor que o procedimento correto para o juiz seria o de declarar-se impedido de julgar tal processo. Imagine agora que esse juiz era juiz do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Qual foi a punição que recebeu? Acertou quem respondeu: foi promovido a juiz do Superior Tribunal Federal (STF).

2) Imagine que um alto membro do governo, um ministro de Estado, esteja envolvido em várias acusações que vão de formação de quadrilha a corrupção ativa. Qual é a punição que este recebe? Acertou quem respondeu: vira consultor de empresas (na maioria empresas públicas) e ganha fortunas fazendo palestras.

3) Imagine que um alto representante do senado brasileiro forneça declarações de rendimento equivocadas. Também equivoca-se em todas suas explicações referentes a seu patrimônio e a seus negócios. Esse mesmo representante tem dificuldades em explicar a origem do dinheiro que usava para pagar a pensão alimentícia do filho que teve com sua ex-amante. Qual será a punição que irá receber? Eu não sei ainda, mas suspeito que não será mais severa que a de seus predecessores.

Os parágrafos acima ilustram casos reais referentes a todos os poderes no Brasil. Em nenhum deles a punição sequer arranhou os ganhos que os infratores tiveram. Pergunto: isso é a exceção ou a regra no Brasil? Uma breve inspeção nos jornais mostra que essa é a regra. Isto é, no Brasil, o crime compensa. Consequentemente, temos um longo caminho pela frente para nos tornarmos um país mais civilizado.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O que gera a riqueza das nações?

Pergunta difícil, talvez minha resposta não seja correta, mas lá vai o resultado principal de meu livro (escrito em conjunto com João Batista de Brito Machado). Existem duas maneiras de se aumentar a taxa de crescimento de uma economia: 1) usando mais insumos (empregando mais trabalhadores, por exemplo); ou 2) aumentando a produtividade (isto é, produzindo mais com a mesma quantidade de recursos). Aceitando que os recursos (insumos) de uma economia são limitados, a opção 1 (uso de mais insumos) tem dificuldade em explicar o crescimento sustentável de longo prazo. Dessa maneira, a maior parte dos economistas concorda que o crescimento de longo prazo de uma economia se deve a ganhos de produtividade.

Aceitando que a produtividade é o principal motor de crescimento de longo prazo de uma economia, temos então que responder a seguinte pergunta: o que gera crescimento da produtividade? Tudo aquilo que impactar positivamente a produtividade irá também impactar de maneira positiva no crescimento da economia. Além disso, se os ganhos de produtividade forem passageiros, então também o será o crescimento econômico. Dessa maneira, para encontrarmos os determinantes do crescimento econômico de longo prazo, temos que identificar quais fatores afetam positivamente a produtividade no longo prazo.

No livro nós estudamos a importância de 9 variáveis sobre a riqueza de uma nação. Vamos agora explicitar: a) um resultado óbvio; b) um resultado polêmico; e c) explicitar a variável que melhor explica a riqueza de uma nação. O resultado óbvio é que a presença de recursos naturais (tipo petróleo) em pouca medida garante a riqueza de uma nação. Assim, defensores do “Petróleo é nosso”, ou de movimentos para nacionalizar as reservas minerais, parecem não ter muita razão em suas demandas. A simples presença de grandes reservas de petróleo em um país não é condição necessária e nem suficiente para a riqueza do mesmo.

O resultado polêmico refere-se à variável educação. Parece que esta variável não contribui muito para explicar a riqueza de um país. Assim, defensores da idéia de que capital humano gera crescimento precisam explicar o grande número de países pobres que possuem altos níveis de capital humano. Por exemplo, as antigas repúblicas socialistas possuiam alto nível de capital humano, mas eram em sua maioria países pobres ou de renda média. Podemos entender esse resultado da seguinte maneira: capital humano é um insumo, como tal sua capacidade de gerar crescimento econômico de longo prazo é limitada. Estranho mesmo é notar que pessoas que defendem a idéia de que capital humano gera crescimento são as mesmas que argumentam que recursos naturais não são importantes. Do ponto de vista teórico, tanto capital humano quanto petróleo são insumos. Se o último não gera crescimento de longo prazo, por que o primeiro geraria? A única solução seria assumir que existem grandes externalidades presentes na produção de capital humano. TALVEZ isso seja correto, mas devemos lembrar que se tivermos que recorrer a externalidades então qualquer coisa pode ser provada.

Por fim, a resposta correta: LIBERDADE ECONÔMICA. Esta é a ÚNICA variável capaz de gerar ganhos consistentes de produtividade no longo prazo. Em resumo, a melhor maneira de garantir a riqueza de uma nação é dar liberdade econômica a seus cidadãos. A liberdade de comprar e vender para quem oferecer a melhor proposta; a liberdade de produzir os bens nos locais mais atrativos; a certeza de que sua propriedade privada não lhe será tomada; a certeza de que você irá auferir os ganhos (ou pagar pelas perdas) de suas decisões. Esta é a melhor garantia para se gerar a riqueza de uma nação.

Mais detalhes estão no livro que deverá ser lançado até o final do ano. Desnecessário dizer que o Brasil está numa péssima situação. Não acredita em mim? Ok, tente abrir ou fechar uma empresa por aqui. Tente importar um produto. Tente contratar mais funcionários para a empresa. Você verá que a liberdade econômica no Brasil é extremamente baixa.

Bola fora

Semana passada esse Blog apostou que o STF iria fechar com o governo... bola pra fora do blog. Parabens ao STF por ter cumprido seu papel. Melhor só se tivesse acatado a denúncia por peculato para alguns peixes grandes. Mas o fato de ter aceito a denúncia de corrupção ativa e formação de quadrilha, contra membros do alto escalão do governo e do PT, já esta bom o suficiente.

Por fim, vale lembrar que mudanças devem ser feitas na Constituição. Não parece uma boa idéia que um presidente da república possa indicar 7 dos 11 ministros do STF. Isto é muito poder do executivo junto ao judiciário, coisa não saudável em democracias.

Boom Editorial

2 grandes lançamentos prometem sacudir o mercado editorial brasileiro. O primeiro livro é o interessantíssimo: “Tudo que você sempre quis saber sobre a multa nos sushis que sobraram no rodízio....” (para obter uma cópia gratuita do livro acesse: http://shikida.net). O livro mostra como algumas lições de teoria econômica podem ser aplicadas no dia a dia das empresas. Vale a pena ler o livro.

O segundo livro esta previsto para ser lançado apenas no final do ano, mas a Editora Interciência já confirmou seu interesse em editá-lo e distribuí-lo. Trata-se de meu livro (em co-autoria com João Batista de Brito Machado) sobre os determinantes da riqueza de uma nação. No livro “Análise Comparativa sobre a Riqueza das Nações” analisamos uma amostra composta pelos 61 países mais ricos do mundo. Estudamos então a capacidade de diversas variáveis para explicar a riqueza de uma nação. Para ser mais específico, analisamos a importância de diversos fatores – comumente citados por analistas econômicos, partidos políticos, jornalistas, e acadêmicos – para prever de maneira correta o sucesso econômico de um país. Você acredita que a taxa de analfabetismo de um país é um bom preditor para determinar a riqueza do mesmo? Se acha que sim, esse livro pode surpreendê-lo. O que você acha do discurso “o petróleo é nosso”? Acredita que a existência de recursos naturais implica na riqueza de uma nação? Se acredita que sim, então leia o livro.... Este livro é uma poderosa lição sobre o que realmente importa para fazer um país crescer e permanecer rico. Muitos não gostarão do que irão ouvir, mas das 9 variáveis utilizadas apenas uma única mostrou-se importante para prever riqueza. Se você tivesse que arriscar, qual variável você diria que é fundamental para garantir e manter um alto nível de bem estar a um país?

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Teoria dos Conjuntos e Liberdade

Se o conjunto A de opções engloba o conjunto B de opções então, a nível INDIVIDUAL , A não pode ser pior do que B. A pode ser melhor ou igual a B, mas nunca pior. Por exemplo, suponha que seu conjunto A seja [cinema OU teatro] e o conjunto B seja [teatro]. Se você prefere cinema, você está melhor no conjunto A; se você prefere teatro você é indiferente a A ou B (pois ambos contém essa opção). Em resumo, caso tenha que escolher entre A ou B, um indivíduo normal sempre escolherá A. Qualquer tentativa do governo em restringir o conjunto A, para que este se assemelhe a B, implica numa redução da liberdade de escolha e, consequentemente, em queda de bem estar para o indivíduo.

A lição do parágrafo acima é simples para os mortais, mas incompreensível para o governo. A recente decisão do DENATRAN (departamento nacional de trânsito) retrata bem esse fato. O DENATRAN quer obrigar TODOS os carros novos do país a saírem de fábrica com um sistema de localização por satélite do veículo. Motivo: isso facilitaria a trabalho da polícia em encontrar carros roubados. Vamos analisar tal decisão em termos de teoria dos conjuntos. Antes da decisão do DENATRAN tínhamos o conjunto A de opções [usar o dispositivo OU não usar], após a decisão temos o conjunto B [usar o dispositivo]. Em termos individuais, não há como B ser preferível a A. Em resumo, o DENATRAN piorou o bem estar de TODOS aqueles que não gostariam de usar o dispositivo de localização, mas que agora serão obrigados a pagar por isso. Quanto aos que já usariam o dispositivo o resultado é incerto: 1) como mais pessoas irão usar o sistema TALVEZ ocorram ganhos de escala na produção dos dispositivos e estes tenham seu preço reduzido (não acredito muito nessa hipótese); ou 2) como a demanda pelos dispositos aumentou o preço do mesmo irá aumentar (fico com essa opção). Em resumo, há uma grande chance do governo ter piorado a situação de TODOS.

Só existe uma única situação em que a redução no conjunto de escolha do indivíduo melhora o bem estar da sociedade: na presença de externalidades, ou seja, quando a decisão de um indivíduo tem potencial para afetar o bem estar de outros. Por exemplo, seja A [matar, não matar] e B [não matar]. Em nível individual, A não pode ser pior do que B. CONTUDO, para a sociedade seria interessante restringir o conjunto de escolhas dos indivíduos ao conjunto B. No caso do DENATRAN, este tem que responder qual externalidade justifica sua intervenção nesse mercado. Qual é o problema de externalidade que está sendo corrigido? Essa é a pergunta a ser respondida. Questões referentes ao preço do equipamento, ou a modernidade do mesmo, são questões secundárias.

Na minha opinião o DENATRAN esta cometendo um erro terrível: não esta levando em consideração a possibilidade de substituição entre crimes. Explico: o DENATRAN deve estar acreditando que quando todos os carros estiverem equipados com tal equipamento o número de roubo de veículos irá ser reduzido; liberando recursos da polícia para outros propósitos. O erro do DENATRAN é não considerar que o roubo de veículos pode se tornar um processo mais violento. Ou seja, os criminosos podem substituir “roubo de veículo” por “roubo e sequestro”, ou “roubo e assassinato”, para evitar que as vítimas acionem o sistema antifurto do veículo. Também falha o órgão governamental ao se esquecer da criatividade dos criminosos. Assim que tal sistema de vigilância estiver em vigor os criminosos irão encontrar meios eletrônicos para burlá-lo. Em resumo: 1) não é claro que existe uma externalidade grande o suficiente para justificar intervenção do governo nesse mercado; 2) mesmo que haja tal externalidade também não é claro que tal medida ajude a diminuir o problema; 3) a solução proposta pelo governo tem o potencial de criar outros problemas potencialmente maiores. O provável mesmo é que tal medida mais atrapalhe do que ajude.

sábado, 25 de agosto de 2007

A percepção do brasileiro sobre a realidade

Tenho para mim que o povo brasileiro simplesmente perdeu a noção da realidade. Abaixo vou colocar 4 afirmações, todas consideradas como verdadeiras pela maior parte da população, e as comento em sequência.

1) Brasileiro é o melhor povo do mundo.
Que tal montarmos um ranking sobre a bondade dos povos? Critério: o povo mais bondoso do mundo é aquele que vê uma única criança abandonada na rua, passando frio e fome, e fica extremamente indignado. O segundo melhor povo do mundo é aquele que, para atingir o mesmo nível de indignação, precisa ver duas crianças abandonadas na rua. O terceiro melhor povo é aquele que necessita ver três crianças abandonadas para atingir o mesmo grau de indignação. E assim por diante. Quantas crianças passando fome o brasileiro precisa ver para ficar indignado? Alguém se arrisca a dizer que o povo brasileiro está no topo desse ranking? Comparado a outros povos, alguém se arrisca a dizer que o povo brasileiro está entre os mais caridosos? Ou entre os que mais prestam serviço voluntário? Ou entre os que mais doam recursos para os pobres (não vale contar imposto)? Então, por que é que temos a mania de dizer que brasileiro é o melhor povo do mundo?

2) O Brasil é o melhor país do mundo.
Pegue 10 índices diferentes que medem a qualidade de vida em um país. Em NENHUM deles o Brasil estará entre os 10 melhores países do mundo. Pegue 10 índices diferentes que ranqueiam os piores países do mundo para se morar; tenho para mim que o Brasil irá aparecer entre os 10 piores países do mundo em pelo menos um desses rankings. De onde veio esse mito que o Brasil é o melhor país do mundo?

3) A escola pública de 1ª à 8ª série no Brasil é de boa qualidade.
Sim leitor, você entendeu bem. A maioria da população brasileira acredita que o ensino público de 1ª à 8ª série é de boa qualidade. Apenas 5% dos alunos de 8ª série sabem o que deveriam saber de matemática; apenas 6% sabem o que deveriam saber de português. Em comparações internacionais, os alunos brasileiros estão entre os piores em matemática e ciências (e notem que essa amostra inclui países muito mais pobres que o Brasil). Em resumo, a maioria esmagadora termina a 8ª série sem saber o básico de portugês, matemática e ciências. Mesmo assim, a maioria dos brasileiros concorda que a qualidade da educação pública no Brasil é boa.

4) A universidade pública no Brasil é de qualidade.
Papo furado. A universidade pública brasileira é tão ruim quanto o ensino fundamental público. A diferença é que, no primeiro e segundo grau, temos excelentes colégios privados que mostram as deficiências da escola pública. No caso do nível superior isso não ocorre. O Brasil tem pouquíssimas universidades privadas de qualidade; e mesmo elas são fracas quando comparadas internacionalmente. Assim, quando comparamos a universidade pública com a privada temos a falsa impressão que a universidade pública tem uma ótima qualidade. Apenas como exemplo: o melhor curso de pós graduação em economia no Brasil é o da EPGE (que é privada). A EPGE não está entre os 150 melhores programas de pós graduação de economia no mundo. A melhor universidade pública em economia é a USP, que não está sequer entre os 200 melhores centros do mundo.

O primeiro passo para melhorarmos a nós mesmo é reconhecermos nossas deficiências. O mesmo vale para nações. Enquanto não confrontarmos nossas fraquezas nunca seremos capazes de corrigir nossos pontos falhos. Afinal, o fato de você não reconhecer o problema não implica que ele irá desaparecer.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Por que todo mundo que eu chicoteio me abandona? (Homer Simpson)

Numa frase que tem tudo para se tornar imortal Homer Simpson se pergunta: “Por que tudo que eu chicoteio me abandona?”. A resposta é simples: indivíduos reagem a incentivos. Não há como se obter bons resultados quando a sociedade formula um conjunto ruim de regras (incentivos). O resultado fica pior ainda quando tal sociedade perde a capacidade de autocrítica. Creio que o Brasil é um exemplo disso; temos aqui uma combinação quase única de regras equivocadas com incapacidade de autocrítica.

Para ilustrar o caso acima, vamos usar 2 eventos semelhantes que ocorreram um nos Estados Unidos e outro no Brasil. Durante a corrida presidencial americana, George Bush foi exaustivamente cobrado pela sociedade sobre qual juiz nomearia para a Suprema Corte (o equivalente do Superior Tribunal Federal (STF) no Brasil). No Brasil, inclusive, vários segmentos da imprensa discutiram quem Bush iria indicar. Quando um presidente americano nomeia um juiz para a Suprema Corte, o nome do escolhido é exaustivamente analisado por toda a imprensa, pela sociedade e pelo Congresso. A história de vida do pretendente ao cargo é exposta a todos, incluindo ai questões referentes a sua vida privada e postura frente a assuntos polêmicos; consequentemente, a chance de indicações puramente políticas (apesar de possíveis) são reduzidas. Passa a ser muito arriscado ao presidente americano nomear um juiz para a Suprema Corte com base APENAS em critérios de filiação partidária. Afinal, se o mesmo tiver um histórico de vida incompatível com o cargo ele será desmascarado pela imprensa, e o desgaste político disso é grande.

Vamos analisar agora o processo equivalente no Brasil. O STF é composto por 11 ministros. O presidente Lula indicou e nomeou 6 deles (e irá indicar o sétimo em breve). Alguém se lembra de alguma discussão a respeito? Alguma voz na imprensa debateu extensivamente o nome de algum juiz nomeado para ministro do STF? Alguém se lembrou de tentar reformular a lei que permite ao presidente da república nomear MAIS DA METADE dos membros da principal instância política do país? Em resumo, o Brasil possui o conjunto de incentivos errados: permitir ao representante maior do poder executivo influir de maneira tão incisiva em outro poder é claramente uma violação do princípio da separação de poderes. Além disso, nossa capacidade de autocrítica beira o absurdo: perdemos tempo discutindo quem Bush indicará para a Suprema Corte (decisão essa que pouco nos afeta), mas deixamos de inquirir quem Lula indicou (e indicará) para o STF (decisão essa que nos afeta em muito). Citei o STF como exemplo, mas é fácil notar outras instâncias onde o mesmo ocorre: ANAC, INFRAERO, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás, entre outras, sofrem com as indicações puramente políticas do governo.

Amanhã saberemos se o STF irá aceitar o pedido do Ministério Público para a abertura de ação penal contra os envolvidos no “mensalão”. Muitos dos envolvidos fazem (ou fizeram) parte da alta cúpula do PT. Eu acredito que o STF irá recusar esse pedido, se eu tivesse que dar um número eu diria 6 a 4 a favor do governo. Mas, claro, posso estar errado. Mais um detalhe: a imprensa mostrou uma conversa de dois ministros do STF discutindo o voto. Talvez eu esteja errado, mas acreditava que isso era ilegal (ou pelo menos imoral). A Ordem dos Advogados do Brasil se indignou com a imprensa, não com os ministros. Crime aqui é noticiar o imoral......

Variáveis Reais x Nominais

Durante os noticiários sempre aparece algum especialista em economia falando sobre variáveis reais e nominais. Mas, o que são variáveis reais? E o que são variáveis nominais? E por fim, por que tal distinção é importante? Eu não tenho uma definição didática da diferença entre variáveis reais e nominais (se alguém tiver por favor envie ao blog). Mas para esclarecer, vamos usar alguns exemplos:
1) Variáveis reais: consumo, estoque de capital, investimento, tecnologia, taxa de desemprego, produção (PIB), etc.
2) Variáveis nominais: as três mais comuns são estoque de moeda (quantidade de dinheiro na economia), nível de preços e inflação.
A distinção entre variáveis reais e nominais é importante pois muitos economistas acreditam que APENAS variáveis reais podem afetar outras variáveis reais. Por exemplo, para tais economistas, um aumento da inflação (variável nominal) é INCAPAZ de aumentar a produção (variável real). Por exemplo, se o governo decidir imprimir mais dinheiro (variável nominal) isto não irá aumentar o consumo (variável real). Tais economistas acreditam que quando o governo imprime mais dinheiro isto tem impacto apenas sobre outras variáveis nominais (nível de preços e inflação), mas de maneira alguma afeta o bem estar da sociedade (que é medido por variáveis reais). Tais economistas acreditam que a ÚNICA maneira de se impactar variáveis reais é por meio de outras variáveis reais. Assim, se queremos aumentar nossa riqueza (variável real) teremos que trabalhar mais, investir mais ou usar mais tecnologia (todas elas variáveis reais).

Em economia a divergência é sempre grande, existem outras correntes de pensadores que acreditam que variáveis reais podem ser afetadas por variáveis nominais. Para eles, é possível gerar crescimento econômico (variável real) por meio do aumento da inflação (variável nominal). Confesso que eu não sou um grande fã dessa idéia, mas parece que ela habita o coração de vários economistas que ocupam, ou ocuparam, cargos no governo.

Para ser honesto, existe uma boa chance de variáveis nominais afetarem o lado real da economia por meio da inflação. A inflação é um poderoso concentrador de renda, uma renda mais concentrada pode ter efeitos sobre a eficiência econômica e sobre a alocação de recursos (variáveis reais).

Minha opinião é simples: a melhor maneira de garantir crescimento econômico no longo prazo é fortalecendo o lado real da economia. Isto é, criando instituições pró-mercado, estimulando a competição e o uso de novas tecnologias. Não vejo um papel muito importante para as variáveis nominais afetarem o crescimento econômico.
(A idéia para esse post veio do Blog do C-Avolio)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Uma Sugestão para Alunos e Professores Universitários

Quando você entrar em sua sala de aula, faça a seguinte pergunta aos presentes: “Em termos profissionais, onde você se vê daqui há 10 anos?” Tenho para mim que uma grande parcela dos alunos irá responder que pretende estar trabalhando para o governo, ou seja, querem ser funcionários públicos. Outra boa parcela, acredito eu, responderá que pretende estar trabalhando para uma grande empresa (talvez multinacional). E a minoria, uma parcela extremamente pequena, responderá que quer ter sua própria empresa.

Acho que a resposta à pergunta acima diz muito sobre o nosso país. Tive a oportunidade de fazer essa mesma pergunta para alunos americanos. Resposta: a maioria queria abrir seu próprio negócio; outra parcela expressiva gostaria de trabalhar em grandes empresas que propiciassem uma carreira no exterior; em momento algum ouvi sequer um único aluno dizer que gostaria de ser funcionário público. O mais próximo que chegaram disso, foi um grupo de alunos que disse querer trabalhar em instituições internacionais.

Quando boa parte do capital humano que esta sendo formado almeja seguir para o setor público, isto me parece sinalizar problemas futuros para a economia. O setor público se destina na sua maioria à regulação e fiscalização, não à produção. Quando noto que uma parcela expressiva dos melhores alunos estão estudando para concurso público, isto parece indicar que o setor privado não poderá contar com eles. Quando parcela expressiva dos melhores alunos do colegial tentam ser aprovados no curso de direito com a justificativa que “o curso de direito prepara muito bem para concurso público”; isto é um sinal de que nossas melhores mentes (com as honrosas exceções) estão se preparando para ingressar no setor público, e não poderemos contar com as mesmas para aumentar a produção no setor privado. Quando engenheiros formados por boas universidades decidem estudar para concurso público, isto mostra que o setor privado perde bons funcionários (que ajudam na produção) para o setor público (que provavelmente os usará em atividades burocráticas que nada tem em comum com sua formação básica). Quando doutores em economia (ou em física, ou em química, etc.) abandonam sua área de formação para começar um curso de graduação em direito, tentando obter os melhores salários disponíveis no setor judiciário, isto é, definitivamente, sinal de que algo esta muito errado em nosso país.

Por favor, façam essa pergunta em suas salas de aula e mandem as respostas para esse blog. Enviem também suas experiências com esse tema, vamos fazer uma grande discussão sobre isso. O motivo para tal discussão: tenho para mim que a migração de capital humano do setor privado para o setor público é um dos grandes responsáveis não só pelas precárias condições atuais de nosso pais, mas também por boa parte dos problemas que iremos enfrentar no futuro.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Algumas considerações sobre a democracia

Muito tem se falado sobre a importância da democracia. Contudo, parece que a compreensão da grande maioria sobre o significado de um regime democrático é extremamente deficiente. O primeiro ponto que deve ser salientado é que a democracia não é um fim em si mesma. Não se busca a democracia pela democracia. A democracia é um meio para se atingir um valor mais importante: a liberdade do indivíduo. A liberdade do indivíduo é o valor fundamental a ser preservado; a democracia é o meio usado para a obtenção desse fim.

Muitas pessoas tendem a confundir democracia com voto; isto está incorreto. A simples possibilidade de votar não implica na existência de um regime democrático. Por exemplo, nos países do leste europeu, durante o regime comunista, sempre ocorreram eleições. Os habitantes desses paises votavam para presidente; detalhe: havia apenas um único candidato. Esses paises eram regimes ditatoriais, e as liberdades individuais eram comumente desrespeitadas.

A existência de eleições para presidente da república, com a presença de mais de um único candidato também não caracteriza um regime democrático. Por exemplo, o partido nacional socialista (popularmente conhecido como nazista) venceu eleições contra os partidos comunista e social democrata na Alemanha em 1932. Podemos afirmar então que Hitler era um democrata? Hitler venceu seus adversários pelo voto; era a vontade do povo alemão. Creio que bem poucas pessoas vão afirmar que a Alemanha nazista era um regime democrático. Contudo, Hitler tinha o apoio da maioria do povo alemão. Este exemplo nos mostra que o simples fato de satisfazer a vontade da maioria NÃO É requisito suficiente para estabelecer uma democracia.

Podemos rapidamente imaginar uma situação onde um governante vai contra o anseio da maioria da população e estabelece algumas medidas contra a vontade da maioria. Seria isso anti-democrático? Não creio que isso seja anti-democrático. Por exemplo, se a maioria da população quissesse atear fogo aos hereges (ou aos judeus; ou aos subversivos; ou aos traidores do regime) e o governante se opussesse a tal ato; não creio que ele estivesse sendo anti-democrático. Pelo contrário, ele estaria defendendo uma minoria indefesa de uma ditadura da maioria. Esse exemplo mostra que satisfazer a vontade da maioria NÃO É requisito necessário para estabelecer uma democracia.

Nossos exemplos mostraram que satisfazer a vontade da maioria NÃO É condição necessária e nem suficiente para o estabelecimento de uma democracia. Assim, regimes que procuram legitimar um governo dizendo que este satisfaz a vontade do povo não devem ser confundidos com regimes democráticos. Regimes democráticos se impõe pelo respeito às minorias; pela proteção da liberdade individual; pela fé inabalável no direito das pessoas viverem suas vidas sem serem obrigadas a se filiar a algum grupo ou partido.

Essa é uma lição que nós brasileiros temos que entender; tentativas de postergar um governo sob a justificativa de que o mesmo satisfaz os anseios da maioria da população é golpe de estado, é a implantação de um regime ditatorial. Tal ato nada tem em comum com a democracia, pois esta não depende da vontade da maioria. A democracia é definida pelo apoio a liberdade do indivíduo, e não pela satisfação da maioria.

sábado, 18 de agosto de 2007

O Para-pan do Rio

Assistir as provas do para-pan do Rio é uma experiência fantástica e esclarecedora. Impressiona o desejo de superação desses atletas, nos dão uma lição moral fundamental: a realização está na superação, não na vitória.

Acho que se aprendêssemos mais com esses atletas, poderíamos até mudar nosso país para melhor. Claro que isso é difícil, claro que é um sonho distante. Contudo, vendo pessoas que poderiam ter desistido da vida optando por uma batalha de superação – optando por uma vida de desafios, onde as chances de vitória não são grandes, e escolhendo continuar lutando – é algo dignificante para o espírito humano.

Nesta vida ninguém pode ser cobrado por não ser um campeão; nós nascemos com determinadas características, e por mais que nos esforcemos nunca seremos capazes de ultrapassar determinados patamares. Poderemos melhorar com trabalho árduo e dedicação, mas existem certos limites a partir dos quais não conseguiremos seguir. Algumas pessoas têm limitação em matemática, outras em esportes, outras ainda em música. Todos nós temos nossas limitações, exigir que algum de nós seja melhor em física do que Einstein, ou melhor cantor que Frank Sinatra, é algo completamente desleal. Mas tenho para mim que cedo ou tarde, todos nós teremos que dar explicações sobre o que fizemos nesse mundo. Essa será nossa prova de fogo: será que fizemos o nosso melhor? Será que, dadas nossas restrições, fomos o mais longe possível? Creio que seremos julgados de acordo com essas respostas.

Para os que gostam de cinema, assitam Conan, o Bárbaro “Quando eu morrer, encontrarei com Crown e ele me perguntará: Qual é o segredo do aço?”. Meu entendimento sobre essa frase talvez seja incorreto, mas acredito que seu significado seja algo como “Você superou obstáculos? Você deu o seu melhor? Você fez tudo que estava a seu alcance?”. Acho que este é o segredo da vida. Já vi atletas vencedores vaiados; já vi atletas chegarem em último lugar e serem ovacionados por uma multidão.

Melhorar nosso país não é uma tarefa fácil. Civilizar uma nação, apontada por muitos como uma selva, é uma tarefa que talvez esteja além de nossas possibilidades. Mas quando chegar a nossa hora de responder “Qual o segredo do aço?”, espero sinceramente que não decepcionemos os tantos que confiaram em nós, pois o segredo da vida esta em nossa incrível capacidade de superação, é isso que dá sentido a nossas vidas. A Realização de um Homem está na superação, não na vitória. São poucos os méritos de uma vitória sem superação. São gigantes os méritos de uma superação sem vitória. Mas, naquele momento único, que poucos de nós irão experimentar na vida, há o encontro da superação com a vitória. Esse é o momento a que chamamos: evolução.

anac INCOMPETENTE ou MENTIROSA?

Inacreditável a notícia de que a ANAC usou o MESMO documento para primeiro dizer que era oficial, e depois que não era oficial. Explico: PRIMEIRO, para evitar o fechamento da pista de Congonhas, em dias de chuva, para aeronaves acima de determinado tamanho, a ANAC encaminhou à justiça documento versando sobre os procedimentos de segurança a serem seguidos pelas companhias aéreas; DEPOIS, a anac afirmou, na cpi do apagão aéreo, que a TAM não poderia ser responsabilizada por não seguir tais procedimentos de segurança, pois o documento que requeria tal procedimento não era oficial. Isto é, ou a anac enviou um documento não oficial à justiça para conseguir a liberação do aeroporto de Congonhas, ou então ela mentiu na cpi para ajudar a TAM. Adivinhem a resposta da anac: tudo não passou de um engano.

Com certeza, realmente tudo foi um grande engano. O governo se enganou em indicar esses iluminados para a anac; o senado se enganou em confirmar tao indicação. Só tem um detalhe: 200 pessoas morreram. Isso não foi engano, foi INCOMPETÊNCIA.

Isso não é caso apenas para demissão é caso de polícia.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Mais sobre a crise internacional

Nesta semana o noticiário não foi bom para as bolsas de valores, os cenários de queda foram uma constante em todo o mundo. Existe um razoável grau de certeza que problemas no setor imobiliário americano foram o motivador da presente crise. Assumindo que isto está correto, duas perguntas fazem-se necessárias: 1) quais fatores geraram os problemas no setor imobiliário americano?; e 2) o que fazer para gerenciar esse problema?

Vamos começar respondendo a pergunta 1. Meu palpite é que crises assim só ocorrem por dois motivos: a) choque negativo na economia; ou b) falha do governo. No caso “a” teríamos que verificar a ocorrência de i) catástrofes (tipo os atentados terroristas de 11/09); ii) choques negativos de oferta (por exemplo, um aumento significativo no preço do petróleo); ou iii) choques negativos na demanda (como a ocorrência de algum evento que reduzisse significativamente a renda); ou iv) algum fator que levasse a uma queda da produtividade da economia. Caso fique comprovado que nenhum dos eventos acima ocorreu, então eu tenderia a culpar o governo americano – ou mais propriamente, as autoridades americanas que deveriam estar fiscalizando o mercado de crédito – pela crise financeira atual.

Note que minha explicação não culpa o vilão atual eleito pela mídia. Vários noticiários têm posto a culpa nas agências de ratings, que teriam ganho dinheiro para fazer avaliações dúbias sobre o mercado de crédito imobiliário americano. Se isso realmente ocorreu, é caso de polícia; e as agências de rating terão que responder por seus erros. Contudo, é difícil acreditar que um analista de mercado, que gerencia milhões de dólares, confie cegamente nas agências de rating. O mais provável mesmo é que todos sabiam do risco, mas escolheram aceitá-lo para tentar obter retornos maiores. Isso é perfeitamente correto numa economia de mercado: você conhece os riscos e decide se arrisca ou não. O que me chama a atenção foi a ausência de interferência do Banco Central americano (FED) nessa festa. Por que ele (ou outra autoridade federal), mesmo conhecendo o problema de crédito, permitiu que alguns fundos se expusessem tanto aos riscos? Minha resposta é simples: tenho para mim que o FED sabia perfeitamente do risco, mas sabia também que o grosso do ajuste seria pago por outras economias que não a americana. Afinal, a maior parte do ajuste se dará com os detentores dos títulos podres do mercado de crédito; e estes estão em sua maioria fora dos EUA. O governo Chinês por exemplo, é um dos maiores detentores de tais títulos. Em resumo, parece que quem cometeu um erro sério foi o governo chinês.

Por fim, resta a pergunta 2. O que fazer para gerenciar a crise financeira atual? Enquanto o Brasil manter sua taxa de câmbio flutuante não haverão grandes riscos para nossa economia. Contudo, um movimento do governo brasileiro para controlar o câmbio pode nos levar a resultados desastrosos. Para o Brasil não ser muito afetado pela crise basta não fazer nada. Já para os outros países do mundo existe um desafio: como evitar que os fundos que estão recebendo ajuda agora (por meio do aumento da liquidez do sistema) não repitam o mesmo comportamento no futuro? Essa é uma questão que certamente ocupará os teóricos por algum tempo.

ih oh u aue ai oh.....

Esse foi o desempenho do ex-presidente da INFRAERO, Brigadeiro José Carlos Pereira, na CPI da crise aérea. Quando saiu do governo saiu atirando e ameaçando, mas na hora do vamos ver o desempenho do Brigadeiro foi estranho. Gaguejou, enrolou, mas não repetiu as acusações que havia feito antes contra Denise Abreu (diretora da ANAC).

Quando perguntado se confirmava o que tinha dito antes, só faltou o brigadeiro responder: ih oh u aue ai oh.... entendeu? Pois é, nem eu.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O óbvio é para poucos

Se não me engano, Einsten costumava dizer que só os gênios reconhecem o óbvio. Impressiona a dificuldade de algumas pessoas em aceitar o que é óbvio. Vamos a uma comparação simples: Coréia do Sul x Coréia do Norte. O que estes países têm em comum e no que diferem? Em comum: o mesmo povo, a mesma cultura, o mesmo estoque de riqueza inicial, ou seja, os países são praticamente os mesmos. Diferença: a Coréia do Sul que é rica é capitalista; a Coréia do Norte que é pobre é comunista. Será isso uma coincidência? Bom, vamos buscar outro exemplo: Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental. Entre 1945 e 1990 foram países diferentes. Contudo tinham o mesmo povo, a mesma cultura, o mesmo estoque inicial de riqueza; eram praticamente idênticos (e arruinados pela guerra) em 1945. Depois de 45 anos, a Alemanha Ocidental era rica e capitalista; a Alemanha Oriental pobre e comunista. Precisam de outro exemplo? Ok, mesmo raciocínio para Hong Kong e China. Não existem exceções, toda vez que dividimos um país em 2 partes distintas a parte capitalista torna-se rica e livre; a comunista pobre e sem liberdade.

Em termos de sucesso econômico, desenvolvimento e garantias de liberdade individuais, a evidência empírica é amplamente favorável a economias capitalistas. Em termos de fracasso econômico, genocídios em massa e falta de garantias às liberdades individuais, a evidência empírica é amplamente favorável a economias comunistas. Então por que tantas pessoas querem a implantação de um regime comunista em nosso país? Evidentemente, tal pergunta tem respostas diferentes para grupos diferentes de pessoas. Alguns querem o comunismo pois temem a competição, e a promoção dos melhores e mais capacitados, que está implícita no regime capitalista. Outros, querem o poder. E o poder nunca é tão concentrado em economias de mercado como o é em economias centralmente planejadas. Uma outra razão, é bem mais simples: entender o óbvio é para poucos.

Enquanto o Brasil acreditar que a solução para os problemas econômicos estiver no aumento do tamanho do setor público, ou no aumento do número de funcionários públicos, ou na diminuição da esfera de atuação do setor privado; pouco se fará para se desenvolver este país. Qualquer instituição de pesquisa, que tenha anseios de influenciar POSITIVAMENTE o crescimento e desenvolvimento de nossa nação, deveria se perguntar quais instituições, e quais leis, deveriam ser alteradas e/ou criadas para aproximar nosso país de uma economia capitalista. Infelizmente, o óbvio é para poucos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Friedman e o Problema de Consistência Temporal

No post passado comentei sobre a vitória das idéias de Milton Friedman para a estabilização da crise financeira atual. Para Friedman a grande crise de 1929 ocorreu por um mau gerenciamento da oferta de moeda pelo Banco Central americano, que reduziu a oferta de moeda ao invés de aumentá-la. Atentos a lição de Friedman, durante esta última semana os bancos centrais americano e europeu aumentaram em muito a liquidez dos mercados, evitando assim o colapso de alguns bancos. Ou seja, eles agiram de acordo com a proposta de Friedman.

TALVEZ Friedman estivesse correto sobre os fatores que determinaram a depressão de 1929; mas é importante lembrar que isso não implica que sua prescrição de política econômica esteja correta para o problema atual. Muitas mudanças ocorreram na estrutura dos mercados nas últimas décadas; novos avanços foram feitos na parte teórica de modelos macroeconômicos; será que tais fatores não deveriam ser incorporados à analise?

Friedman foi um dos grandes economistas do século passado, talvez um dos mais influentes. Mas isto não implica dizer que ele esta sempre certo. Tal definição existe em religião, mas não em ciência.

Apesar de muito admirar Friedman, creio que neste caso a sua prescrição de política econômica (aumentar a liquidez do sistema) esta errada. Motivo: inconsistência dinâmica da política monetária. Deixe-me explicar o significado disso: nos últimos anos vários bancos sabiam do risco de financiar créditos imobiliários nos Estados Unidos. Alguns deles foram precavidos e não se expuseram tanto ao risco, evidentemente tiveram lucros menores. Outros bancos foram muito mais audaciosos do que a prudência recomendaria, e obtiveram maiores lucros por esse comportamento. Quando a crise imobiliária se materializou os bancos precavidos pouco ou nada perderam. Já os bancos audaciosos iriam perder muito (TALVEZ até mais do que haviam ganho antes). Contudo, quando os bancos centrais aumentam a liquidez do sistema eles estão, de maneira indireta, privilegiando os bancos que foram irresponsáveis, em detrimento dos bancos que foram prudentes. Ou seja, a longo prazo a melhor estratégia para os bancos será sempre assumir um risco maior do que o recomendado, pois em última instância poderão contar com o auxílio dos Bancos Centrais.

Para finalizar, creio que neste momento a solução de Friedman para a crise de 1929 não poderia ser aplicada. Creio que o problema futuro que esta sendo criado hoje, será muito mais custoso para a sociedade. Refiro-me a questão do gerenciamento do crédito dos bancos. Afinal, fica evidente que a partir de hoje os bancos irão se expor muito mais ao risco do que antes (em termos técnicos, isto é um problema de moral hazard).

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A Vitória de Milton Friedman

A depressão econômica que se abateu sobre os Estados Unidos e boa parte do mundo em 1929 foi severa. Desse cenário, surgiram vitóriosas as idéias Keynesianas de interferência do Estado na economia. A aplicação prática dessas idéias foram as políticas de bem estar social implementadas pelos governos para atenuar o efeito da recessão sobre a sociedade.

Muito após a grande depressão, Milton Friedman gastou consideráveis esforços tentando explicar o que aconteceu de errado com a economia durante a crise de 1929. Para ele, o Estado não foi o “salvador da pátria”, mas sim o próprio criador da crise de 1929. Para Friedman o Banco Central americano agiu de maneira equivocada, reduzindo a quantidade de dinheiro em circulação na economia, quando o correto seria aumentar a oferta de papel moeda (ou termos técnicos, aumentar a liquidez da economia). De maneira geral, Friedman argumenta que a depressão de 1929 somente foi tão severa devido a inabilidade do Banco Central americano. Para Friedman, as políticas de bem estar social proporcionadas pelos Estados, sobretudo após a crise de 1929, eram uma má idéia; e deveriam ser, na sua grande maioria, eliminadas. Friedman despertou a fúria de vários setores da sociedade. Foi inclusive vaiado quando recebeu o seu MERECIDO prêmio Nobel de Economia.

Nesta última semana, alguns acontecimentos têm provocado incertezas sobre o futuro da economia americana. Tais incertezas se espalharam para outras economias com potencial para gerar crise semelhante a de 1929. Mas isso tem pouca chance de ocorrer. Motivo: as lições de Milton Friedman, apesar de odiadas por muitos, estão sendo seguidas. Os Bancos Centrais americanos e europeu aumentaram de maneira significativa a oferta de moeda e crédito aos bancos. Ou seja, seguiram exatamente a idéia de Friedman: aumentaram a liquidez do sistema para evitar uma crise bancária.

Qual a chance dessa crise internacional afetar o Brasil? Na minha opinião, muito pequena. O motivo é simples: a taxa de câmbio no Brasil é flexível. Os países que tentam manter suas taxas de câmbio fixa serão os grandes afetados por essa crise. Dessa maneira, é muito mais provável que essa crise se faça sentir de maneira mais severa na China do que no Brasil. Resumindo, neste caso específico, a estabilidade de nosso economia esta muito mais associada a um postulado econômico simples (taxa de câmbio flexível) do que a discursos políticos que se referem a uma “blindagem” da economia brasileira. A única blindagem necessária para se evitar que crises financeiras internacionais afetam a economia doméstica é manter a taxa de câmbio flutuando. Além disso, aconselha a prudência que, durante esse período, se evite uma redução severa na oferta de moeda doméstica.

Para finalizar, temos que salientar que Milton Friedman foi vaiado, foi injustiçado por vários analistas, foi ridicularizado por alguns, e sofreu todo tipo de acusações injustas; mas na ciência, ao contrário da política, a vitória não esta com a maioria.

O genio da estatistica

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, mostrou toda sua competencia para resolver o caos aereo que assola o pais: aumentar o tamanho das poltronas nos avioes....; o ministro tambem nos brindou com sua logica implacavel ao defender que tal medida, apesar de reduzir o numero de lugares disponiveis nos avioes, nao pressiona o preco das passagens aereas para cima. Pensam que terminou? Nada disso, o genio da estatistica (talvez ate fundador do vindouro movimento: Estatistica achada na rua) argumenta que tanto pessoas altas como baixas sofrem nos avioes. Para tanto ele apresenta uma evidencia estatistica irrefutavel: conversou com seu colega do STF, ministro Carlos Britto (que tem 1,60m de altura), e este lhe informou que nao pode usar seu laptop durante o voo por falta de espaco. Claro que em nenhum momento passou pela cabeca do ministro que, ao inves de diminuir a demanda, ele deveria encontrar maneiras de aumentar a oferta no setor aereo (conforme post ja discutido neste blog).

Para finalizar: 1) estamos treinando novos controladores de voo?; 2) estamos preparando novos aeroportos?; 3) novos equipamentos para o controle do trafego aereo foram encomendados? 4) o que o ministro da DEFESA tem a dizer sobre a interferencia de uma potencia estrangeira (Cuba) em assuntos internos de nossa nacao (prisao dos boxeadores cubanos)? Afinal, o ministro da DEFESA tem que fazer algo mais do que receber medalhas e pedir poltronas mais confortaveis.

sábado, 11 de agosto de 2007

O Brasil provou que Shakespeare estava errado

A CAPES divulgou a nota dos cursos de pos graduacao em economia, e contribuiu decisivamente para provar que Shakespeare estava errado. Numa frase célebre Shakespeare pergunta: "De que vale um nome? Acaso a rosa tivesse outro nome seu perfume seria outro?". O ilustre escritor inglês afirmava, por meio dessa pergunta, a precedência da substância sobre o nome. Em palavras simples, você vale pelo que você é; não por quem é seu pai.

A CAPES provou que Shakespeare estava errado. De acordo com o ranking de Faria et al. (2007, Economia Aplicada a sair), que engloba o período 2000-06, a Universidade Católica de Brasilia (UCB) ocupa a segunda posição entre os centros de pós graduação em economia com mais publicações internacionais, atrás apenas da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (EPGE). De acordo com várias tabelas, ainda em fase de preparação, elaboradas por Issler et al. (ainda não publicado), a UCB ocupa entre a quinta e a sexta posição nos rankings de publicação internacional. De acordo com o relatório oficial da CAPES, em 2004 a UCB foi o curso de pós graduação em economia com o maior número de pontos em periódicos internacionais. Em palavras, no ano de 2004 a UCB foi o centro de economia mais produtivo, em termos internacionais, do Brasil, batendo inclusive a EPGE.

Mesmo após todas essas evidências, a nota que a CAPES atribuiu ao doutorado em Economia da UCB é nota 5 (numa escala de 1 a 7). Mesma nota, por exemplo, do CAEN (doutorado da Universidade Federal do Ceará), que sequer publicou um único artigo internacional no período 2000-06 [de acordo com o ranking de Faria]. O mesmo CAEN aparece em posições fora dos 10 primeiros no ranking de Issler, mesmo assim recebeu da CAPES avaliação que lhe coloca no mesmo patamar da UCB. A Universidade de Brasília (UnB), fez bonito e recebeu nota 6; mesmo tendo nível de publicações não superior ao da UCB. Verdade seja dita a UnB mereceu essa nota, o estranho foi a UCB ter ficado abaixo.

A verdade é que se no relatório da uCb estivesse escrito uNb, ela teria recebido nota 6. Caso no relatório da uNb estivesse escrito uCb, a unb teria recebido nota 5. Em outras palavras, no Brasil o nome vale mais do que a substância. Aqui se uma rosa se chamasse rosa privada seu odor chocaria a muitos.

9 entre 10 obras da INFRAERO apresentam irregularidades

O Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou irregularidades em 9 de 10 obras fiscalizadas da INFRAERO. A principal irregularidade encontrada: SUPERFATURAMENTO das obras.... alguém esta surpreso com a noticia?

Como este blog faz questão de frisar: empresa pública é bom para os funcionários e amigos, mas é longe de ser bom para os contribuintes. Ou nas sábias palavras de Marco Aurélio, quando inquirido sobre os benefícios de César se tornar imperador: "Não sei se para César é bom se tornar imperador; mas para os amigos de César essa é certamente uma ótima escolha". Esta na hora de privatizarmos nossos aeroportos e liberarmos o setor aéreo para concorrência.

Por fim cabe uma pergunta: quem vai ser preso? Quem vai devolver o dinheiro? 9 irregularidades em 10 obras é um índice de 90% de reprovação. O que irá ocorrer com os responsáveis por mais esse absurdo? Mais do que isso, quem foi o responsável pelas indicações na INFRAERO? Quem foi o partido político que fez as indicações para preencher os cargos dessa estatal? Ou será que quem indica não tem responsabilidade?

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Watergate de Lula

Se o Brasil tivesse uma oposicao digna desse nome, o escandalo da extradicao dos boxeadores cubanos seria o watergate de Lula. Seria o fim de seu mandato.

Se a oposicao fosse seria, encontraria de quem partiu a ordem para o uso da inteligencia da policia para a localizacao dos cubanos. Chegando nessa pessoa, o segundo passo seria descobrir por que ela tomou tal decisao. Houve contato direto com autoridades cubanas? O governo brasileiro agiu a pedido do governo cubano? Estabelecida essa relacao, esse e um motivo mais do que justificavel para um processo de impeachment do presidente da republica: membros do alto escalao do governo trabalhando a servico de uma potencia estrangeira; a revelia da populacao brasileira.

Outro pergunta que tambem precisa ser explicada: quem REALMENTE encontrou os boxeadores cubanos? Como eles foram encontrados? Sera que a inteligencia cubana ajudou? Sera que agentes do governo cubanos entraram no Brasil? Qual o motivo que levou o governo brasileiro a procurar pelos cubanos? Existem varios bolivianos ilegais em Sao Paulo, eles tambem serao extraditados? Existiu colaboracao entre governos? Essas sao as questoes que a oposicao deveria estar pesquisando.

Repito: esse episodio seria o Watergate de Lula caso a oposicao trabalhasse serio. Afinal, tudo leva a crer que o governo brasileiro trabalhou em conjunto com uma potencia estrangeira a revelia de autorizacao legal para isso.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Enquanto houver otário no mundo malandro não morre de fome (Bezerra da Silva)

Há alguns meses atrás, uma transação econômica envolvendo a compra da Ipiringa pela Petrobras gerou polêmica: pipocaram acusações referentes ao uso de informação privilegiada. Nessa semana, nova aquisição da Petrobras e novo escandalo. Novamente, aparecem acusações de uso de informações privilegiadas. Segundo algumas fontes, o ganho de determinados especuladores atinge a formidável marca de quase 1 milhão de reais; isto implica em mais de 500 mil dólares de lucro em menos de uma semana.

Dizem que quem controla a Petrobras é o governo; eu não acredito. Depois que se cria um monstro, ninguém mais o controla. Ele passa a ter vida própria. De qualquer maneira, a União ainda é controladora majoritária. Se a União é o dono, então a Petrobras deve explicações não só à Comissão de Valores Mobiliários (como qualquer empresa que opera em bolsa), mas também ao povo brasileiro (que em última instância, bem lá no final, também é seu acionista). São duas acusações extremamente severas num período curtíssimo de tempo. Seriam três acusações se juntássemos às duas primeiras uma terceira, causada pela investigação da Polícia Federal nas contas desta estatal. Até quando assistiremos esse festival de maracutaias que assola a Petrobras?

Como resolver o problema da Petrobras? Enquanto a Petrobras for propriedade do estado, os únicos a se beneficiarem dela, de maneira legal, serão seus funcionários. Essa é a grande verdade sobre empresas estatais. Elas surgem com o argumento de proteger a nação, de proteger a riqueza do país da exploração estrangeira; mas só protegem mesmo os funcionários que nelas trabalham. Claro que muitos outros lucram, de maneira ilegal, com as empresas estatais. Principalmente os corruptos, os governantes que fazem das estatais cabides de emprego e moeda política. Chequem os membros da direção executiva dos Correios, da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e assim por diante, vocês encontrarão muito mais indicações políticas do que propriamente méritos técnicos.

Ou nos livramos dos monstros estatais que criamos, ou eles continuarão retirando os recursos públicos (proporcionado pelos contribuintes, seja por impostos, seja por renúncias fiscais ou subsídios) para fins privados. Não adianta acreditar que com uma direção competente uma empresa estatal pode ter sucesso. O motivo é simples: isso é muito mais a exceção do que a regra, pois cedo ou tarde a diretoria técnica será substituída por uma diretoria política; então o ciclo de corrupção recomeçará.


As pessoas reagem a incentivos, e os incentivos providenciados por empresas públicas favorecem muito mais o partidarismo político (popularmente conhecido como puxada de saco) do que a competência técnica. Ou nas sábias palavras de Bezerra da Silva: “Enquanto houver otário no mundo malandro não morre de fome”. E o otário nessa situação somos nós, os não empregados em empresas estatais e não dispostos a puxar o saco de algum político.

O Ministro da Defesa e a Crise Aérea

A julgar por sua disposição e idéias, o novo ministro da Defesa vai mesmo resolver o problema da crise aérea. Pena que ele resolverá o problema da maneira errada, ou seja, diminuindo o número de pessoas que podem pagar as passagens aéreas. A idéia de Jobim é semelhante a do governante que aumenta o preço dos alimentos para acabar com as filas no supermercado. Funciona, mas pelos motivos errados. Jobim quer poltronas mais confortáveis nos aviões. Ótima idéia, o problema é que poltronas mais confortáveis implicam em menos passageiros embarcados. Menos passageiros implicam em passagens mais caras, que por sua vez implicam em menos passageiros. Resumindo, Jobim resolve o problema da pobreza matando os pobres.... isto é, ele resolve a crise aérea diminuindo o número de usuários de avião.

Ao invés de tentar impor uma legislação às companhias aéreas, dizendo quantos passageiros as mesmas devem embarcar, uma solução mais eficiente seria abrir o mercado aéreo à competição internacional. Com mais competição, o consumidor poderia optar entre pagar mais e ter mais conforto, ou então adquirir uma passagem mais barata e se sujeitar a uma poltrona menor. Mas o fundamental é que seria o consumidor E NÃO o governo que faria essa opção. A decisão caberia ao usuário e não ao burocrata. Aliás, qual é a dificuldade em se abrir o mercado aéreo nacional à competição estrangeira? Por acaso as companhias aéreas nacionais cumprem algum papel fundamental de segurança nacional? Teriam as companhias aéreas nacionais um cuidado especial com os passageiros brasileiros? Creio que após 10 meses de crise aérea a resposta a tais perguntas é obvia. Por fim, vale a pena lembrar que a passagem aérea no Brasil é uma das mais caras do mundo (isto se não for a mais cara).

Fica essa a mensagem ao ministro; vamos aumentar a competição no setor aéreo. Essa sim é a solução para a crise aérea: competição. Competição não só entre companhias aéreas, mas também entre aeroportos. Afinal, por que os aeroportos não podem competir entre si por passageiros? Aeroportos privados competindo entre si para atrair mais voôs e mais passageiros; um número maior de companhias aéreas competindo por clientes, ofertando novas rotas e atendendo mais localidades; estas são as respostas certas para a solução da crise aérea.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Assassino, Bandido, Traficante... esse tem direito a julgamento no STF

Juan Carlos Ramirez Abadia, esse é o nome do assassino de 300 pessoas na Colômbia e de outras 15 nos Estados Unidos. Também é condenado por tráfico de drogas. Esse representante do crime, de periculosidade inquestionável, tem direito a ter seu pedido de extradição julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Por que aos atletas cubanos não foi concedida ao menos uma entrevista com a imprensa brasileira enquanto esse marginal tem direito a audiência no STF?

Os boxeadores cubanos foram presos na quinta-feira e deportados no sábado, isso implica que o governo brasileiro se livrou deles em menos de 48 horas e, não custa lembrar, não permitiu que a imprensa brasileira tivesse acesso aos mesmos. Por que? Qual era o medo de permitir aos cubanos responder a algumas perguntas da imprensa?

Juan Carlos Ramirez Abadia foi preso nesta terça feira. Quando será deportado? A justiça americana pediu, desde o dia 2 de agosto, a extradição de Ramirez. O processo esta com o ministro Eros Grau no STF. Tal processo só será julgado quando a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo informar ao STF da prisão do traficante. DUVIDO que o processo de extradição leve menos de 48 horas. Vou dar uma dica aos americanos: se vocês querem Ramirez deportado peçam a Fidel Castro. Esse já mostrou que manda aqui.

Já notaram como no Brasil é difícil extraditar traficante? A polícia tem que informar ao STF, os políticos interferem e o STF então julga. O último traficante estrangeiro que passou por aqui ganhou o direito de ficar no Brasil. Refiro-me a Camilo Collazzos, ou Padre Olivério Medina para os íntimos. Esse além de tudo era terrorista. Medina contribui para o movimento terrorista FARC. Tal movimento sequestra pessoas inocentes e participa ativamente do tráfico de drogas. Para espanto de alguns incrédulos, o governo brasileiro não classifica a FARC como um movimento terrorista. Tenho para mim que se Ramirez se declarar terrorista ganha asilo político no Brasil. Perigoso aqui é ser esportista.....

Vamos terminar esse post com uma pergunta intrigante: para que o processo de extradição seja julgado a superintendência da polícia deve informar ao STF da prisão de Ramirez. Como você acha que essa comunicação será feita e quanto tempo vai levar para Ramirez ser extraditado (se é que ele será mesmo extraditado)?

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O PSDB, a oposição ao governo e o cachorrinho poodle

O excelente blog “Selva Brasilis” tem o seguinte título hoje “Os palhaços do PSDB”. O post fala sobre a incrível demora da oposição em pedir explicações sobre o caso da extradição dos boxeadores cubanos.

Minha leitura desse ato covarde não só do governo, mas também das oposições é bem simples: não existem partidos de oposição no Brasil. Aqui todos os partidos são governo, e os que não estão no governo estão em alguma espécie de limbo.... mas com certeza não são oposição.

É famosa a história do cachorrinho poodle que quando esta na rua é amável com todos, mas basta ficar atrás do portão para começar a latir e rosnar para qualquer pessoa que passe. Tenho para mim que os partidos de oposição no Brasil são iguais aos cachorrinhos poodle. Quando estão na rua, e podem ser atacados, são dóceis. Mas basta a oportunidade passar, e o risco de confronto desaparecer, que tal como os valentes poodle os partidos de oposição passam a rosnar.

O exemplo mais recente é o ato do PSDB em pedir explicações ao governo sobre a extradição dos boxeadores cubanos. O que os líderes do PSDB estavam fazendo na sexta-feira? O que eles faziam no sábado? Alguém se lembrou de avisá-los que domingo também é possível fazer queixa? Pois bem, enquanto os cubanos estavam no Brasil, e ainda era possível reverter a situação, a oposição se calou. Bastou os cubanos irem embora, e nada mais poder ser feito, que a oposição tal como o valente poodle começaram a rosnar. Mas não vamos culpar apenas o PSDB, os outros partidos de oposição também nada fizeram. Claro que a culpa maior pela extradição recai sobre o governo, recai sobre o PT. Mas que a oposição facilitou o trabalho do governo disto não restam dúvidas. Nota triste também para a senadora Heloísa Helena e o PSOL que, prudentemente, nada fizeram nem a favor nem contra. Tal como Pilatos lavaram as mãos.

Hoje a oposição no Brasil resume-se a pessoas, inexistem partidos de oposição.

domingo, 5 de agosto de 2007

Perde-se uma batalha, começa-se outra.....

O Brasil cumpriu um papel vergonhoso mandando os cubanos de volta a Cuba. Fidel já avisou que eles não irão para cadeia.... irão para uma casa de tratamento. Afinal, para Fidel liberdade intoxica.

Perdemos a batalha, comecemos outra. Que tal mandarmos mais gente para Cuba? Por que só mandamos para Cuba quem quer fugir de lá? Vamos mandar para Cuba as pessoas que querem transformar o Brasil em algo parecido com aquela prisão. Que tal uma votação? Se você tivesse que mandar um brasileiro para Cuba, quem você mandaria?

Meu voto vai para Marta Suplicy. Afinal, em se tratando de ir para uma prisão nada melhor do que alguém pronta para relaxar e gozar durante as adversidades. QUEM VOCÊ MANDARIA PARA CUBA? Deixe aqui seu voto.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Por que a polícia prendeu os Cubanos?

Chama a atenção o por que da prisão dos lutadores de boxe de Cuba. TODOS sabem quem são, TODOS sabem que eles tem visto de permanência no país por 90 dias, então por que foram presos? O motivo aparente é que eles estão sem documentos; sim isso é verdade. Mas a falta de documentos pode ser facilmente explicada: os lutadores cubanos foram ROUBADOS pela segurança cubana. Afinal, o passaporte dos atletas esta retido pelos responsáveis cubanos. Em outras palavras, para evitar fugas os atletas cubanos têm seus passaportes retidos pelos representantes do governo de Fidel. Em palavras simples, isso é puro roubo.

O primeiro conselho que se dá a qualquer pessoa que viage ao exterior é: NUNCA dê seus passaporte a ninguém, ele é seu documento. Por que os cubanos não podem reter seus próprios passaportes? Simples, os representantes oficiais cubanos não permitem isso. Mas no Brasil reter documento de outra pessoa sem o consentimento da mesma é crime!!! Em outras palavras, quem cometeu crime foram os representantes oficiais da delegação cubana que reteram os passaportes dos lutadores cubanos. No Brasil, retenção ilegal de documentos alheios é crime. Temos que ressaltar esse ponto: os lutadores cubanos tiveram seus passaportes retidos de maneira ILEGAL pelos representantes da delegação cubana. Logo, os mesmos não podem ser responsabilizados por não terem passaporte. Mais do que isso, os representantes da delegação cubana que retiveram os passaportes dos lutadores devem ser questionados judicialmente.

Este episódio é simplesmente vergonhoso, expõe de maneira incrível a subserviência do governos brasileiro a uma potência estrangeira. Mostra a completa falta de senso das autoridades brasileiras que não ajam para evitar esse crime. Esses atletas correm risco claro de vida, eles não cometeram crime algum, não mataram, não roubaram, não são terroristas, não representam ameaça à segurança nacional ou à sociedade brasileira. Seu único crime: fogem da oprerssão em busca da liberdade.

BRASILEIROS, não vamos permitir isso. Vamos escrever ao Senado, vamos escrever aos deputados, às autoridades, ao vizinho, à qualquer um, mas vamos lutar para que nesse país a busca pela liberdade não se torne crime.

Diga não a extradição dos cubanos!!!!

Meus caros,

Vamos trabalhar para que a história de nosso país não seja manchada pela vergonha do que esta por vir.

O governo brasileiro esta pronto para extraditar os atletas cubanos que fugiram de sua delegação durante o pan do Rio. Estes atletas correm risco claro de vida caso retornem a Cuba. É inaceitável a postura covarde do governo brasileiro nesse episódio.

Eles não são criminosos, não são terroristas, não representam perigo algum à sociedade brasileira. Não tramaram contra o governo cubano, estão apenas querendo distância de um lugar que não lhes parece propício a realização de seus sonhos.

Diga NÃO a extradição dos cubanos, ligue para um amigo, mande e-mails, não vamos permitir essa COVARDIA que o governo brasileiro esta prestes a realizar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Lições de Dada Maravilha para o Aquecimento Global

Em uma de suas memoráveis frases o filósofo e jogador de futebol Dada Maravilha disse: “Só 3 coisas param no ar: helicóptero, beija flor e eu”. A genialidade dessa frase é que ela ilustra, de maneira simples, um problema estatístico comum no nosso dia a dia, o problema da identificação. O problema da identificação nos informa que, em alguns casos, mais de uma única explicação é condizente com o fato observado. Por exemplo, se um objeto para no ar não podemos inferir imediatamente que esse objeto é um helicóptero. Afinal, existem outras explicações igualmente válidas que geram o mesmo resultado.

A assertiva de Dada Maravilha, apesar de sábia, parece ter sido relegada ao esquecimento. Tal procedimento é um erro grave, pois nos leva a aceitar como verdades absolutas determinadas idéias que são apenas hipotéses. O exemplo mais claro disso refere-se à idéia de que a atividade do homem esta provocando o aquecimento global. Ou seja, observa-se um fato: as temperaturas médias da Terra aumentaram. E conclui-se que isso é prova cabal de que o homem tem contribuído de maneira decisiva para isso. Aplicando o princípio Dada Maravilha ao problema, fica evidente que o simples fato da temperatura média da Terra aumentar, não pode ser considerado como prova cabal da teoria de que o homem seja o responsável por isso. Por exemplo, talvez a atividade solar tenha se tornado mais intensa nos últimos 20 ou 30 anos. Isso explica o fato das temperaturas médias no planeta terem se elevado. Ou então, talvez o aquecimento da Terra seja um fenômeno natural na história de nosso planeta. Ora a Terra possui alguns milhares de anos, e nós só possuímos informações sobre os séculos mais recentes. Talvez a cada 10 mil anos o ciclo de aquecimento se repita. Pronto, temos ai mais uma explicação que também é condizente com o aquecimento global, mas novamente nada tem haver com a contribuição do homem.

Claro que poderíamos citar Karl Popper ao invés de Dada Maravilha, mas o resultado final seria o mesmo. Afinal, para Popper a ciência pode apenas refutar teorias e não comprová-las por completo. Mesmo que tivéssemos vários indícios de que o aquecimento global foi causado pelo homem, ainda assim não poderíamos afirmar com certeza que o homem foi o responsável por isso. Essa é uma lição importante que os seguidores do aquecimento global deveriam levar em conta: existe sempre a possibilidade de se estar errado. E discordar deles não significa que você é um imbecil, significa apenas que você, como vários outros, ainda não está convencido de que vale a pena diminuir o ritmo de crescimento econômico em nome de uma idéia que ainda tem muito o que provar.

Um último detalhe: nesse artigo eu dei como certa a ocorrência do aquecimento global. Mas vale lembrar que outras explicações, que nada tem haver com aquecimento global, poderiam ser usadas para explicar alguns dos fenômenos atuais que são citados como prova irrefutável do aquecimento do planeta.

Cinema nacional x Música brasileira

O cinema nacional e a música brasileira fornecem um ótimo exemplo dos efeitos da intervenção do estado na economia. A partir de meados da década de 1960 o cinema brasileiro começou a entrar na era do “cinema novo”. Movimento esse que tinha em Glauber Rocha seu grande representante. Frases do tipo “Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” passaram a ganhar enorme respeitabilidade. O “cinema novo” era conhecido por seu desapego ao mercado, a única coisa que importava era a qualidade da obra. Obviamente, tal distanciamento do mercado só era possível graças a generosos subsídios dados a tais cineastas pelo estado brasileiro. Em nome da qualidade do cinema nacional o estado brasileiro financiou grande parte das produções cinematográficas do período. Resultado: de 1960 a 1990 das 10 maiores bilheterias nacionais, 7 eram filmes dos Trapalhões. Não quero desmerecer os Trapalhões (eu mesmo fui um grande fã), mas vale a pergunta: em 30 anos de subsídios federais, quantos filmes brasileiros conseguiram ter uma arrecadação maior que a audiência da Rede Vida de televisão no domingo às 6:00 horas da manhã? Quantos prêmios internacionais foram ganhos? Qual filme brasileiro ganhou um Oscar (reconhecidamente o prêmio mais importante do cinema mundial)?

Vamos agora checar o outro extremo. A música brasileira não recebeu subsídios do governo. Livre dessa substância que causa dependência, os músicos brasileiros tiveram que agradar ao mercado. Tiveram que identificar o gosto do público e satisfazê-lo. A principal preocupação de grande parte dos músicos não era produzir música de qualidade, mas sim produzir músicas que agradassem ao público, e ganhar dinheiro com isso. Resultado: hoje a música brasileira esta entre as melhores do mundo. Músicos brasileiros fazem shows no exterior, músicas brasileiras são tocadas em rádios pelo mundo, até filmes americanos usam algumas músicas brasileiras como música de fundo. Mais do que isso, vários cantores brasileiros já ganharam o Grammy (que é considerado o Oscar da música) demonstrando a qualidade da música nacional.

Esquecendo o mercado e tentando buscar a qualidade, o cinema nacional falhou de maneira inegável. Esquecendo a qualidade e tentando satisfazer o mercado, a música brasileira se tornou um sucesso a nível mundial. Esse é apenas mais um exemplo dos males causados pela intervenção governamental. Aliás, cá entre nós, qual é a justificativa para se usar dinheiro dos impostos para financiar filmes ao invés de melhorar a educação nas escolas?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Romário e o Mercosul

Lembro de Romário no Casseta e Planeta. O Bussunda perguntava: “e ai Romário, vai jogar em que time?” ao que o baixinho respondia “não sei não, só sei que vou ganhar!”. Temos que admirar Romário nesse ponto; ele quer ganhar tudo de par ou ímpar a cara ou coroa, quando perde fica mordido. Tenho pra mim que quando Romário era criança e tinha que escolher um time pra jogar ele sempre escolhia o melhor time, sempre escolhia os melhores jogadores. Motivo: ele queria ganhar, sempre. Essa é a característica básica de um vencedor, a busca constante pela vitória. Mesmo que isso não seja sempre possível. Olhando em retrospecto, noto que nem todas as crianças eram como Romário. Algumas preferiam escolher jogar em times fracos, escolhiam os piores jogadores para seus times. Motivo: para elas melhor do que ganhar era poder jogar. Para essas crianças, desprovidas de talento futebolístico, entrar no melhor time significava ficar eternamente no banco. Preferiam entrar nos piores times, pois lá podiam ser o craque em meio aos pernas de pau. Tais crianças nunca conheceram o sabor da vitória, tendo de se contentar com a ilusão de serem os melhores jogadores de seu time.

Tal como acontece com crianças também acontece com países. Existem aqueles com vocação para vitória e aqueles que se refugiam entre os pernas de pau. Alguns países procuram sempre estar entre os melhores, outros buscam a ilusão de ser o melhor dentre os piores. No futuro escreverei um blog mostrando minhas razões para ser contra a formação de blocos econômicos, mas por hora vamos analisar o time que o Brasil escolheu para fazer parte: Paraguai, Argentina e Uruguai. Talvez com o reforço da Bolívia e da Venezuela. Por que escolher tais países? Por que não tentar um fortalecimento dos laços com Estados Unidos e Canadá? Minha resposta é simples: o Brasil não é o Romário.

A Argentina acaba de suspender a exportação de trigo ao Brasil (por motivos de desabastecimento interno). Resultado: o preço do pãozinho no Brasil aumentou. Tivesse o Brasil o mesmo acordo que tem com a Argentina com os Estados Unidos, e a importação de trigo dos EUA teria alíquotas de importação mais baixa e a população brasileira pagaria menos pelo pão. Em resumo, para beneficiarmos os produtores de trigo da Argentina, o pobre brasileiro paga mais pelo pão. O mais irônico disso tudo é que o governo argentino não se incomoda em prejudicar seu “parceiro” brasileiro, basta que veja nisso uma oportunidade de ganhar popularidade interna.

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