domingo, 30 de setembro de 2007

Bonitinha mas ordinária

Estou assistindo pela décima vez um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos: "Bonitinha, mas ordinária". O filme é recheado de EXCELENTES frases:

"No Brasil quem não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte" (Peixoto)

"Cedo ou tarde toda família apodrece: aparece um tio pedófilo, uma filha lésbica, um irmão ladrão" (Peixoto)

"Eu era contínuo sim, mas o Sr. o Sr. é um tremendo de um...." (Edgar).

"Eu só conheço duas mulheres decentes: você e minha noiva". (Edgar)

"Estou pedindo o mínimo..." (picareta dos correios; até parece a crise do mensalão)

"Eu não nasci vagabunda, me fizeram isso" (Ritinha)

"Com dinheiro eu tapo a boca de qualquer um" (Heitor)

"Eu pago... pago o Pitangui pra consertar" (Heitor)

"Você é um homem bom Heitor" (Ligia)

"Te chamei de cadelão?... posso te chamar de cadelão?" (Maria Cecília)

E a sensacional frase que mereceria um estudo científico à parte:

"O mineiro só é solidário no câncer" (quase todo mundo repete essa frase)

O filme é uma abordagem impressionante da visão artística sobre a sociedade brasileira da década de 1970. Se o título do filme fosse "Bonitinho, mas ordinário" eu poderia apostar que se referia ao Brasil.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Trabalho Infantil

Pelé começou a trabalhar com 15 anos de idade, será que ele estava sendo explorado? Deveria o Estado impedir Pelé de jogar profissionalmente? Vários artistas começaram a trabalhar antes dos 10 anos de idade. Deveria o Estado impedir essa forma de exploração? Muitos pais colocam seus filhos, ainda crianças, para auxiliá-los em suas empresas. Deveria o Estado prender tais pais? Muitas pessoas pagam pelo serviço de “flanelinhas” ao estacionarem seus carros, alguns desses flanelinhas são menores de 14 anos de idade. Deveriam tais pessoas serem punidas pelo Estado?

A discussão sobre trabalho infantil não é simples, mas creio que um bom começo seja dividir as crianças que trabalham em dois tipos: as que não precisam trabalhar, mas trabalham porque querem (ou porque seus pais assim o decidiram), e as que trabalham por necessidade de sobrevivência. Qual é a justificativa do Estado para impedir alguém que quer trabalhar de trabalhar? Só existe uma justificativa para isso: o Estado acredita ser melhor guardião dos interesses da criança do que os próprios pais da criança. Essa justificativa, excluindo-se casos extremos de abusos cometidos por pais contra seus filhos, é claramente absurda. A evidência empírica é farta ao documentar que os pais são melhores guardiões do interesse das crianças do que o Estado. A FEBEM e os orfanatos mantidos pelo Estado são exemplos claros da incapacidade estatal em educar crianças. Aceitando então a premissa não tão absurda de que os pais amam seus filhos (ou pelo menos sabem o que é melhor para eles melhor do que o Estado), chegamos a conclusão de que se os pais da criança decidem que a mesma deve trabalhar não cabe ao Estado ir contra tal decisão.

Em relacão às crianças que trabalham por necessidade a questão é outra. Nesse caso, a decisão da família em colocar uma criança para trabalhar está relacionada intimamente com a sobrevivência da família. Neste cenário, existe claramente espaço para intervenção estatal. A questão relevante agora é: qual tipo de intervenção estatal deve ser adotada? A resposta brasileira à essa pergunta foi a proibição do trabalho infantil. A idéia da lei contra o trabalho infantil se baseia no seguinte argumento: dado que o trabalho não é mais uma opção para a criança, a mesma não irá mais trabalhar, logo terá tempo para frequentar a escola, poderá brincar com os amigos, enfim, terá direito a uma infância decente. O problema com esse raciocínio é que ele funciona APENAS com as crianças que trabalham porque querem (que originalmente não deveriam ser preocupação do Estado). Afinal, elas podem parar de trabalhar. Já no caso das crianças que trabalham por necessidade (justamente aquelas que o Estado quer proteger), a lei não funciona. Motivo: a criança não escolheu trabalhar porque quis, ela trabalha porque a opção é morrer de fome.

Mesmo com a aprovação da Lei Contra o Trabalho Infantil as crianças carentes continuaram tendo que trabalhar. Contudo, nesse novo ambiente as empresas que operam no setor legal da economia pararam de contratar crianças. Como as crianças carentes continuam tendo que trabalhar para sobreviver, o efeito dessa lei foi transferir as crianças carentes do setor legal para o setor ilegal (ou informal) da economia. Assim, muitas das crianças que hoje trabalham vendendo balas nos sinais de trânsito poderiam estar empregadas em escritórios, bancos, livrarias, etc.. Mas por força da lei estão no setor informal.

A solução para o problema do trabalho infantil parece muito mais relacionada a outra forma de intervenção estatal: transferências diretas de recursos do Estado para as famílias carentes, mediante a manutenção de seus filhos em escolas e fora do mercado de trabalho. Claro que essa forma de intervenção também não é isenta de críticas. Mas seu resultado parece ser muito superior ao de uma lei proibindo o trabalho infantil.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Encontro de Pensadores Liberais

Nosso encontro de pensadores liberais esta tomando forma. Já temos a data: 01 e 02 de dezembro. Já temos o local: Universidade Católica de Brasília. E agora já temos 3 temas de mesas redondas e 1 palestra agendados.

Tema 1: Idéias Liberais para o sistema educacional

Tema 2: Idéias Liberais para o sistema de saúde

Tema 3: Idéias Liberais para a previdência

Palestra: Prof. Dr. Nelson Lehmann "Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho"

Caso você tenha sugestões de temas, por favor, envie-as ao blog.

Livro sobre Ditados Populares e Economia

Todos aqueles que ainda quiserem participar do livro sobre ditados populares e economia terão até o dia 03 de novembro para me enviarem seus artigos. Após essa data estarei começando a organização do livro. Acredito que até o dia 15 de novembro teremos o formato final de nosso livro.

Estimule seus amigos a participar, todos são muito bem vindos.

Assim que você terminar seu artigo, por favor envie-o para: sachsida@hotmail.com

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Tem algo de errado nos Estados Unidos

Eu gosto muito dos Estados Unidos. Admiro uma nação que valoriza o indivíduo, e recompensa o esforço individual. Mas tem algo de muito errado acontecendo nos EUA. O sucesso econômico, científico e cultural da América sempre foi baseado no mérito pessoal. Ao contrário das potências européias que no início do século XIX valorizavam a origem nobre do indivíduo, os americanos sempre valorizaram o mérito independentemente da origem. Enquanto na Europa um sobrenome podia abrir portas e garantir fortuna, na América o sobrenome era algo completamente descartável. Na América a origem de um indivíduo tinha pouca importância, o principal eram seus méritos. Mas em algum momento isso começou a mudar. Hoje uma parte considerável dos Estados Unidos parece ter esquecido a importância do mérito, e concentra sua atenção em adjetivos altamente questionáveis.

Para ilustrar meu ponto gostaria de descrever 2 episódios, aparentemente não relacionados, mas que refletem o mesmo problema:

1) Larry Summers x Mahmoud Ahmadinejad: Para os que não sabem, Summers é um economista acadêmico de muito sucesso (tendo sido inclusive reitor de Harvard) e Ahmadinejad é o atual presidente do Irã (que insiste em financiar grupos terroristas e negar que os nazistas exterminaram um bom número de judeus na segunda guerra mundial). Há dois anos atrás Summers fez uma palestra onde discutia explicações alternativas para o que alguns chamavam de discriminação. Resultado: teve que pedir demissão do cargo de reitor em Harvard e, no mês passado, a University of California Davis voltou atrás e CANCELOU um convite feito para que Summers discurssasse na universidade. POR OUTRO LADO, tanto as Universidades de Harvard (no ano passado) e de Columbia (esse ano) receberam Ahmadinejad para ministrar palestras em seu campus. Ou seja, enquanto um acadêmico é PUNIDO por expor pensamentos um indivíduo que estimula o terrorismo é premiado. Notem o argumento usado para defender o discurso de Ahmadinejad: defesa da liberdade de expressão. Por que esse mesmo argumento não pode ser usado em defesa de Summers?

2) Tony Romo x Rex Grossman: Romo é o atual quarterback do Dallas Cowboys, enquanto Grossman joga pelo Chicago Bears. Tony Romo jogou ótimas partidas no ano passado, mesmo assim seu antigo técnico nunca demonstrou confiança nele. Grossman foi o principal responsável pela derrota de seu time no Super Bowl. Grossman foi recursivamente o pior em campo de seu time, mesmo assim contava com a confiança de seu técnico. Nesta temporada Grossman continua titular e continua afundando seu time. A diferença entre Romo e Grossman é que enquanto Romo se formou por uma universidade pequena, Grossman veio de uma universidade de prestígio. No passado americano, Grossman já teria sido demitido e Romo nunca teria passado pelas humilhações que passou com seu antigo técnico.

O que tentei ilustrar com os exemplos acima foi que a cultura do mérito individual parece estar desaparecendo na América. Claro que a América ainda é um país que valoriza muito o mérito, mas não mais como no passado. Hoje, o sobrenome (ou a universidade de origem) parecem ter muito mais importância do que tinham no passado. Aliado a isso, critérios politicamente corretos foram adotados. Critérios esses que parecem dar uma infinidade de desculpas para um comportamento moralmente duvidoso da parte de certos indivíduos. Em conjunto tais movimentos estão minando valores importantes da cultura americana.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Por que a desigualdade de renda é importante?

Uma das maiores críticas feitas ao capitalismo é que esse sistema concentra renda. Isto é, deixa uma grande parcela da riqueza nacional na mão de poucos. Os opositores do capitalismo sustentam que sistemas socialistas são muito mais justos, pois distribuem a renda de uma maneira mais equânime pela sociedade.

O parágrafo acima embute duas afirmações: 1) o capitalismo concentra renda, enquanto o socialismo distribui renda; e 2) concentrar renda é ruim, logo o capitalismo é ruim e o socialismo é bom. Ambas as afirmações são falsas, contudo são aceitas pela maioria das pessoas. Não existe absolutamente nada no capitalismo que leve a uma concentração de renda. Sistemas capitalistas só concentram renda quando o Estado se alia aos trabalhadores e empresários de determinados setores para realizar política industrial. Aliás, a idéia de política industrial é uma idéia de distribuição de renda entre setores da economia. Estranho que os defensores de políticas industriais ativas não se atentem que, na maior parte das vezes, isso implica na transferência de renda de setores pobres para setores ricos da sociedade. No capitalismo puro, onde o Estado não tenta intervir na alocação de recursos do setor privado, não há razão alguma para ocorrer concentração de renda na economia. O motivo disso deve-se a um termo técnico conhecido como produtividade marginal. Em palavras, a medida que um setor vai ficando mais rico a produtividade marginal do investimento naquele setor vai decrescendo. Isso obriga os empresários a investir em outros setores e a distirbuir melhor a renda. Mesmo a nível individual isso é verdade. Por exemplo, a medida que um indivíduo vai ficando mais rico é natural que ele não queira trabalhar tanto. Ao contrário prefere gastar mais tempo com horas de lazer. Já os indivíduos pobres, sacrificam ampla parcela de seu tempo trabalhando duro. Esses movimentos em conjunto diminuem a concentração de renda. Outro detalhe: dizer que um sistema socialista ditribue renda é falso. Num sistema socialista a renda esta altamente concentrada na mão do Estado, e quem domina o Estado (a burocracia central) domina também o uso desses recursos. Assim, sistemas socialistas são muito mais concentradores de renda que regimes capitalistas.

Quanto a afirmação de que concentrar renda é algo de ruim, devemos ter um pouco de cuidado. Concentrar renda é ruim quando a concentração se dá por meio de mecanismos externos ao mercado (Governo). Esse tipo de concentração de renda não beneficia os melhores, mas apenas os amigos do governo. Quando a concentração de renda ocorre apenas por mecanismos internos de mercado, isso implica que os mais capazes de satisfazer o mercado recebem compensações mais altas do que os incapazes de atender tal demanda. Mas note que tal concentração de renda só dura enquanto os melhores continuarem sendo os melhores, caso eles relaxem o próprio mercado diminui a remuneração deles e reduz a desigualdade de renda. Assim, a desigualdade de renda é resultado do prêmio recebido pelos melhores em seu esforço de atender ao mercado. Em outras palavras, quando um sistema premia os melhores a desigualdade de renda aparece. Acabar com a desigualdade de renda é o mesmo que retirar o prêmio dos melhores, ou simplesmente premiar os piores. Não parece razoável assumir que um sistema que premia os piores leve a sociedade a um bom nível de bem estar no futuro.

Por fim, devemos lembrar que o importante para uma sociedade composta por indivíduos não invejosos é o nível de bem estar de cada um, e não a situação relativa. A desigualdade de renda é uma medida relativa e como tal tem pouca habilidade em medir o bem estar da sociedade. De maneira simples, pouco importa que a renda esteja concentrada na mão de poucos se o nível de bem estar dos indivíduos pobres é extremamente alto. Se a parcela pobre da população tem um alto nível de bem estar e tem acesso a oportunidades, então qual o problema dos ricos serem muito ricos?

sábado, 22 de setembro de 2007

ROCKY BALBOA

“A vida não é sobre quão duro você é capaz de bater, mas sobre quão duro você é capaz de apanhar e continuar indo em frente”. (Rocky Balboa)

Já notaram como os intelectuais não gostam de filmes americanos? Eu tenho uma opinião, para eles o homem é produto do meio. Adoram “O homem que virou suco”, pois o filme retrata a impossibilidade de se vencer o meio. Quando se deparam com filmes americanos são expostos a uma cultura que acredita ser sempre possível vencer.

Nos filmes de Hollywood a superação individual é comumente destacada; por maiores que sejam as dificuldades do meio, o herói é sempre capaz de superá-las. Nossos intelectuais tremem frente à essa possibilidade. Afinal, atribuem seu fracasso pessoal não a si mesmos mas ao meio... ao sistema. Se Hollywood estiver certa, o mundo de certos intelectuais desaba. Se um homem pode superar dificuldades iniciais, então o meio não determina o destino das pessoas. Mas isso quer dizer que o sucesso, ou fracasso, de cada um esta associado muito mais a escolhas individuais do que a problemas sociais impossíveis de se resolver a nível individual. Tal hipótese é o pesadelo dos medíocres.

Eu assisti e virei fã de “Rocky Balboa”, o filme tem três grandes momentos: 1) o discurso de Rocky na comissão de boxe esta intimamente ligado ao pensamento sobre liberdade individual exposto por Stuart Mill (On Liberty); 2) A discussão de Rocky com seu filho parece inspirada em von Mises; e 3) a luta final retrata bem a idéia americana de superação.

No Brasil, somos treinados a acreditar que um homem não pode vencer seu meio. Isso é mentira. Ou nas palavras do Capitão James T. Kirk “eu não acredito na hipótese de não vencer”.

ANPEC e SBE

Saiu a relação dos artigos aceitos para apresentação na ANPEC e SBE. Para os não economistas uma explicação: ANPEC e SBE são os principais encontros de economia brasileiros e ocorrem tradicionalmente em dezembro. A grande maioria dos principais economistas brasileiros costuma comparecer. Muitos consideram importante ter artigos aceitos nesses encontros. Logo, a concorrência é grande e a grande maioria dos artigos são recusados.

Tive um artigo aceito na SBE e outro recusado na ANPEC. O objetivo desse post é dar uma dica aos alunos de mestrado e doutorado que tiveram artigos recusados: não esquentem a cabeça com isso. Tenho um colega (extremamente bem sucedido) que costuma dizer: "artigo bom é rejeitado na ANPEC/SBE". Segundo ele, a melhor maneira de saber se um artigo é bom é submetê-lo a esse encontro. Se o artigo for recusado então você tem um bom artigo. Já se o artigo for aceito....

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Cubagate e os cachorrinhos poodle brasileiros

Já faz algum tempo desde que o governo brasileiro enviou os boxeadores cubanos de volta à Cuba num avião venezuelano. Num país minimamente civilizado isso seria motivo para o impeachment do presidente da República. Motivos: 1) colaboração ativa com uma ditadura implantada numa potência estrangeira; 2) submissão da supremacia da nação aos interesses de uma potência externa; 3) uso do aparato policial para a detenção ILEGAL de cidadãos estrangeiros legalmente no país; 4) interferência direta do poder público limitando a liberdade de imprensa (os jornalistas foram IMPEDIDOS de se aproximar dos boxeadores cubanos); e 5) divulgação de informações falsas para acobertamento da participação do governo brasileiro. Além desses pontos, seria fundamental verificar até que ponto o governo brasileiro colaborou com o regime cubano: a) o serviço secreto cubano entrou no Brasil?; b) ocorreram pagamentos para agilizar a captura e deportação dos cubanos?; c) por que o uso de um avião venezuelano?; d) por que os cubanos não puderam dar entrevistas? São interrogações demais....

Os pontos acima deixam claro que o governo brasileiro colaborou, de maneira secreta e à revelia da população, para a captura e futura deportação de cidadãos estrangeiros que não foram formalmente acusados de crime algum, nem no Brasil e nem em Cuba. Não é pouco lembrar que ATÉ HOJE o governo brasileiro é acusado de enviar à morte uma judia, que foi deportada para a Alemanha nazista. Esse fato ocorreu há 70 anos atrás e ainda nos é motivo de vergonha. Detalhe: a mulher em questão havia cometido crimes no Brasil, ainda assim a atitude do governo brasileiro foi covarde. O que dizer então da atitude do governo Lula frente aos boxeadores cubanos?

Infelizmente, tal como antecipado por esse blog (post O PSDB, a oposição ao governo e o cachorrinho poodle), a oposição no Brasil é igual a um cachorrinho poodle: valente quando o inimigo esta longe, mas dócil quando o portão esta aberto....

Não sou fã dele, mas o velhinho tinha uma frase sensacional: “A qualidade mais importante num homem é a coragem. Claro que a bondade, a integridade, e várias outras qualidades são importantes, mas sem coragem todas as outras qualidades desaparecem na hora do perigo” (Ulysses Guimarães). Falta coragem aos partidos de oposição no Brasil. Talvez faltem outras coisas também....

Por fim uma pergunta: por que os boxeadores cubanos disseram temer por suas famílias? Aliás, alguém tem notícia deles?

Clubes de Futebol e Empresas

No Brasil é comum ouvirmos que os clubes de futebol deveriam se transformar em empresas. Eu aceito esse argumento no que tange a atividade de gerenciamento. Contudo, no que se refere às questões trabalhistas eu argumento que são as empresas que deveriam aprender com os clubes de futebol.

Vamos aos fatos: 1) quantas empresas privadas possuem mais de 100 anos? Poucas. Contudo, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Internacional, Grêmio, Ponte Preta, entre vários outros são exemplos de clubes com mais de 100 anos de idade. Não existe um único setor na economia brasileira com uma concentração maior de competidores com tamanho tempo de existência. 2) O futebol brasileiro é sem sombra de dúvida o melhor do mundo. 3) o campeonato brasileiro é o mais competitivo do mundo (em 20 anos tivemos mais de 10 diferentes times que foram campeões). 4) Os clubes brasileiros são competitivos internacionalmente: Flamengo, São Paulo, Grêmio, Santos e Internacional já foram campeões mundiais. Em resumo, os clubes de futebol brasileiros têm antiguidade, são competitivos e talvez sejam o setor exportador mais dinâmico de nossa economia. Você conhece algum setor da economia brasileira que apresentou resultados melhores que o futebol? Creio que não. Então parece evidente que as empresas nacionais também têm muito o que aprender com o futebol.

Prestem atenção na estrutura de incentivos proporcionados por times de futebol e por empresas no Brasil:
a) Salários: os times pagam de acordo com a produtividade do jogador. Dois atacantes não ganham o mesmo salário, tudo depende da produtividade de cada um. Já as empresas costumam pagar o mesmo salário para todos que exercem funções similares, independentmente da produtividade dos mesmos.
b) Pagamento por resultado: quase todos os times pagam “bicho” (recompensa em caso de vitória). Poucas empresas distribuem parte dos lucros.
c) Atribuição de responsabilidades: quando o time vai mal o técnico (que é o comandante do time) é demitido. Quando uma empresa vai mal demite-se o office boy, o estagiário, talvez a secretária, mas dificilmente se demite o presidente (que é o comandante da empresa).
d) Barganha salarial: nos times não existe negociação coletiva, cada jogador (com seu empresário) negocia seu próprio salário. Já nas empresas a negociação é coletiva, os indivíduos são obrigados a pagar taxas de sindicalização e são os sindicatos que negociarão o reajuste salarial.
e) Qualificação: os clubes investem em categorias de base, investem anos em alimentação, moradia e assistência a garotos até que os mesmos, na fase adulta, possam dar algum retorno ao clube. Já a maior parte das empresas dificilmente investe grandes somas na qualificação do funcionário.

Do ponto de vista da política de recursos humanos são as empresas que devem aprender com os clubes de futebol, não o contrário.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Jean Luc Picard e o Comunismo

“Invadiram nosso sistema e nós recuamos; assimilaram planetas inteiros e nós recuamos; agora chega. Temos que dar um basta, não iremos mais recuar”. (Jean Luc Picard).

No mundo Star Trek existe uma raça conhecida como “Borgs”: eles não reconhecem a individualidade, tudo é feito em nome da coletividade. Para eles a vontade individual é irrelevante. Se acham no direito de destruir e assimilar todos os seres racionais em nome da busca de uma perfeição futura. Os Bors possuem duas frases características: “Resistir é inútil” e “Sua vontade é irrelevante”. Sim leitor, os Borgs são os comunistas do espaço. Não é a toa que eles são os maiores inimigos da Federação de Planetas e da raça humana.

A lição de Picard está correta: chega de fazer concessões. Eles nunca irão parar antes de nos destruir por completo. É inútil tentar negociar com os comunistas; eles simplesmente NÃO RESPEITAM NOSSA INDIVIDUALIDADE. Qualquer concessão feita por comunistas é temporária. Eles não pretendem manter seus acordos, pretendem apenas ganhar tempo para se fortalecerem e destruir a individualidade de cada um. O sistema comunista, como qualquer sistema de planejamento central, só pode ser imposto pela força física. Não há outra maneira. Acreditar que um comunista respeita a liberdade individual é o mesmo que afirmar que o comunista não entende nada sobre o comunismo. A idéia comunista implica na imposição de um padrão de preferências do planejador central sobre toda a sociedade. Mas isto, por definição, é contrário ao princípio da liberdade individual. Além disso, cabe a pergunta: quem decide qual será o padrão de preferências? Se um indivíduo se recusar a aceitar o padrão de preferências, imposto pela sociedade, qual será a única maneira de convencê-lo? Resposta: força física. Não é coincidência que todo regime comunista tenha dado origem a sangrentos regimes ditatoriais. Obviamente a primeira preocupação de qualquer regime comunista é IMPEDIR que seus AMADOS súditos FUJAM para sociedades capitalistas.

Chega de concessões. Eles NUNCA irão nos respeitar. A cada nova concessão feita os comunistas ficam mais fortes e mais ousados. Mas eles possuem um ponto fraco: blefam o tempo todo. Gostam de dizer que representam a sociedade, isto não é verdade. Gostam de dizer que evitam a guerra no campo, isto não é verdade. Gostam de dizer que são moralmente superiores, isto não é verdade. Os comunistas apostam na intimidação e covardia. Quando enfrentarem Homens de convicção irão descobrir que bater na mesa e gritar é a característica de macacos, mas não é o suficiente para demover um Homem de seus princípios.

Hoje li um artigo excelente do Ali Kamel: ele mostra que a doutrinação comunista já esta avançando nos livros de História e Geografia do ensino fundamental. A doutrinação comunista já esta consolidada em várias universidades. Os comunistas também são maioria na mídia. O que estamos esperando para reagir? Vou repetir novamente: nosso encontro liberal é uma arma eficiente para disseminação de nossos ideais. A disseminação das idéias liberais é a forma mais eficiente de se combater a doutrinação comunista.

O encontro de pensadores liberais ocorrerá na Universidade Católica de Brasilia entre os dias 01 e 02 de dezembro de 2007.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A importância de se preservar idéias

Vale a pena ler o livro “Capitalismo e Liberdade” de Milton Friedman. Um detalhe interessante do livro é o seu prefácio. Lá Friedman explica a importância de seu livro. Ele deixa claro que o livro não irá afetar os rumos da economia, e nem será uma influência importante nos meios políticos. Para ele a importância do livro residia no fato de manter vivas as idéias liberais, até que uma nova geração chegasse e encontrasse um meio mais favorável a adoção de tais ideais.

Observando a realidade brasileira, fica nítida a contribuição de Friedman. Ao contrário dos Estados Unidos, nós brasileiros não tivemos sucesso em manter vivas as idéias liberais. Pergunte ao seu professor, ou a qualquer outra pessoa, o nome de um liberal brasileiro e ele irá provavelmente responder Roberto Campos ou Mário Henrique Simonsen. Simonsen nunca foi um liberal, pelo contrário era um tremendo intervencionista; acreditava sinceramente que o Estado poderia arbitrar reajustes salariais e definir a taxa de inflação. Roberto Campos, apesar de ser muito mais liberal que seu colega, também depositava suas esperanças num Estado capaz de planejar o desenvolvimento econômico. O último grande liberal influente que tivemos no Brasil foi Eugenio Gudin. Alguém se lembra dele?

Esse fracasso em manter vivas as idéias liberais tem um preço alto. Hoje qualquer pessoa que se diga um liberal é imediatamente taxada de imbecil, ou coisa pior. Frequente qualquer curso de História do Pensamento Econômico e tudo que você irá aprender é sobre Marx. Parece que fora do marxismo não existe opção racional. Hoje um indivíduo tem medo de ser taxado de liberal. Parece que ser liberal é ser um pária da sociedade. Engraçado que a maioria nem faz idéia do que seja um liberal, mas está pronta a ofender qualquer um que se identifique como tal. Graças a inabilidade das gerações passadas em manter vivo o ideal liberal, o preço de ser um liberal hoje é alto.

Se as antigas geraçoes tivessem tido sucesso em manter vivo as idéias liberais, nosso trabalho hoje seria muito mais fácil. Hoje nós não começamos do zero, nós começamos de menos 100. Nossa sociedade não só não conhece os ideais liberais, como esta impregnada da doutrinação comunista. QUALQUER aluno de segundo grau no Brasil já estudou algo sobre Marx, já foi exposto a um pensamento viesado de que sociedades comunistas são igualitárias e sociedades capitalistas geram pobreza. Quando tais alunos chegam na universidade já têm arraigada dentro deles a ideologia marxista. Ideologia esta que só será reforçada por outros cursos, nunca serão expostos a outras correntes do pensamento econômico, nunca serão expostos a Hayek ou von Mises. Enfim, serão doutrinados no marxismo e nunca conhecerão pensadores liberais.

A primeira vez que li sobre Hayek tinha 33 anos, só fui ler Mises e Popper aos 34. Tudo isso tem um custo: dificilmente nossa geração verá o triunfo de nossas idéias. Então por que lutar? Devemos lutar para tornar o impossível para nós factível para a próxima geração. Devemos lutar para que as próximas gerações tenham contato mais cedo com os pensadores liberais. Devemos lutar para que o impossível hoje seja a alternativa óbvia do amanhã. Essa é a importância do encontro liberal que iremos realizar aqui em Brasília. Esse encontro liberal não irá alterar a opinião dos políticos ou da sociedade. Mas com trabalho sério e persistência daremos à próxima geração acesso a um bem que nós não tivemos: o direito de escolher entre ser liberal ou não.

O encontro de pensadores liberais será realizado na Universidade Católica de Brasília entre os dias 01 e 02 de dezembro de 2007.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Fica Renan!!!!

Oposição diz que não vota mais nada até que Renan saia da presidência do Senado. Então FICA RENAN!!!!! Já imaginaram??? Se não há votação não há mais CPMF.... mais que isso, quem sabe assim o setor privado tenha mais tranquilidade para trabalhar. Sem senadores para subornar, é até capaz de crescermos a taxas comparáveis a de outras economias. FICA RENAN!!!!!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

As Duas Grandes Contribuições de Karl Marx para o Mundo

Karl Marx formulou teorias sobre história, sociologia e economia. Foi infeliz em todas elas. Contudo, mais de um século após sua morte, seus seguidores continuam alardeando sua genialidade. Por que mesmo tendo errado tanto Marx é idolatrado? Qualquer outra pessoa que dissesse tantos absurdos dificilmente seria levada a sério. Por que isso não acontece com Marx? Meu palpite é que boa parte dos marxistas simplesmente não entendem as implicações do marxismo. As idéias de Marx levam inevitavelmente a ditadura e a perda de liberdades individuais. Mas isso não é compreendido pela maioria dos marxistas. Além disso, cabe ressaltar que as idéias de Marx geram a justificativa moral necessária aos canalhas: a imposição de injustiças, imoralidades e todo tipo de crimes no presente passam a ser justificados pela criação de um bem estar fictício no futuro. Palavras de ordem do tipo “pelo bem do povo” ou “pela sobrevivência da revolução” passam a ser usadas para explicar todo tipo de arbitrariedades. Vamos agora explicitar as contribuições marxistas:
1) Visão histórica de Marx: acreditava no materialismo histórico. Isto é, as condições históricas DETERMINAM o futuro. Isso implica num futuro que pode ser perfeitamente previsto e que não pode ser evitado. O futuro não poderia ser alterado por indivíduos, uma vez que estes são produtos da realidade histórica em que vivem. Alguém minimamente versado em história não pode aceitar esse argumento: Jesus Cristo é o exemplo mais óbvio do absurdo dessa idéia (talvez por isso os marxistas odeiem tanto a religião). Tenho certeza que o leitor pode pensar em vários outros contra-exemplos.
2) Visão sociológica de Marx: acreditava na luta de classes. A sociedade seria dividida entre capitalistas e operários, e os ganhos dos capitalistas representariam perdas aos operários e vice-versa. Nesta sociedade analisada por Marx, capitalistas e operários eram NECESSARIAMENTE inimigos, uma vez que o ganho de uns implicava na perda de outros. Obviamente profissionais liberais e autônomos não foram analisados por Marx. A análise marxista não abre espaço para a existência de um indivíduo que é ao mesmo tempo capitalista e operário. Ela também não abre espaço para ganhos mútuos, ou seja, para situações onde tanto os capitalistas como os trabalhadores são beneficiados pelo aumento da produção (tanto no curto como no longo prazo). Marx também não leve em conta a existência do pequeno produtor rural (camponês) que é dono de suas terras. Em resumo, a idéia marxista da luta de classes simplesmente não leva em conta uma parte significativa da sociedade. Além disso, ela também é falha ao insistir que capitalistas e operários sejam inimigos. O bom senso sugere que se o operário aceitou trabalhar para o capitalista é porque ele está melhor do que numa situação onde não trabalhe. Se o capitalista aceitou contratar o operário então é porque ele também obteve ganhos com essa troca. Em palavras, tanto o capitalista quanto o operário estão em melhor situação quando realizam trocas. Ou seja, de maneira alguma o ganho do capitalista implica necessariamente numa perda ao operário.
3) Visão econômica de Marx: acreditava na mais-valia. Essa idéia tem duas implicações absurdas: 1) os capitalistas pagariam um salário miserável aos trabalhadores, daí a necessidade do estabelecimento do salário mínimo pelo Estado. Levando em consideração que mais de 90% dos trabalhadores brasileiros recebem mais do que o salário mínimo, parece que o que determina salário NÃO É a mais-valia, mas sim algo muito distinto: a produtividade do trabalho; e 2) a idéia da mais-valia implica que só a produção gera valor, a circulação de mercadorias não poderia gerar valor (vai ver é por isso que os marxistas odeiam os intermediários).
Para ser honesto com Marx, ele deixou duas grandes contribuições para o mundo: o nazismo e o comunismo. Só espero que os marxistas não nos obriguem a agradecer por isso.

Nada de novo no front

Muita reclamação contra o Senado devido a absolvição de Renan Calheiros. Eu tenho uma dúvida: do que as pessoas estão reclamando? O que esperavam dos senadores? Vamos aos fatos: ACM, Arruda, Jader Barbalho, Collor, aquele que era presidente do PL, João Paulo Cunha, ENTRE OUTROS. TODOS eles foram cassados ou renunciaram para evitar isso. TODOS eles foram reeleitos pelo povo. O povo elege os senadores, os senadores fazem a vontade do povo. O povo brasileiro iria e IRÁ reeleger Renan Calheiros independentemente deste ser cassado ou não. Este é apenas um dos custos de se viver no Brasil.

Muitas vezes ouvimos falar de "custo brasil", hoje o senado nos deu um exemplo prático desse custo. Pior do que o senado ter absolvido Renan é o fato de que os eleitores de Renan já o absolveram há muito tempo. Antes de criticarmos os senadores, temos que entender o óbvio: eles não estão lá por acaso.... foram eleitos pelo povo. A verdade é que quem elege corruptos não pode bancar o santo depois.

Claro que temos o direito de nos indignarmos com mais essa palhaçada do Senado. Mas não adianta querermos esconder o óbvio: os eleitores de Renan continuarão votando nele. O que me preocupa não é o fato de Renan ter sido absolvido pelo Senado; o que me preocupa mesmo é que tal como seus antecessores Renan continuará ainda por muito tempo na vida política nacional. O que me preocupa é que a população brasileira simplesmente PERDEU POR COMPLETO a capacidade de indignação.

Este post não é uma crítica à democracia. Este post é apenas um alerta: nossas escolhas têm consequências. Quando não nos empenhamos para eleger os melhores, os piores inevitavelmente chegam ao poder. Ou nas palavras de Edmund Burke: "a única condição para o triunfo do mal é que os homens de bem não façam nada".

Nosso encontro de pensadores liberais está tomando forma: a Universidade Católica de Brasília aceitou fornecer parte de suas instalações para nosso encontro. O encontro ocorrerá nos dias 01 e 02 de dezembro (sábado e domingo). Já temos um local. Já temos as datas. Em breve teremos os temas. Se queremos mudar nosso país, esse parece ser um passo importante. Conto com vocês em Brasília.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

É impossível a um selvagem entender a civilização

Hoje 11/09/2007 é o sexto aniversário dos atentados terroristas de 11/09. Durante esses 6 anos ouvi muita gente criticando a política externa americana. De maneira irônica, essas mesmas pessoas pareciam tratar os terroristas muito mais como vítimas do que como criminosos. No Brasil, tive a sensação de que muitas pessoas ficaram felizes com os atentados terroristas. Para elas os americanos mereciam mesmo uma lição. Elas são incapazes de entender que 5000 pessoas simplesmente morreram, 5000 famílias perderam pessoas queridas, 5000 trabalhadores deixaram de existir. Qual é o número que separa assassinato de extermínio? Quantas pessoas terão que morrer para que comecemos a chamar os terroristas do que eles realmente são?

O que muitos brasileiros não conseguem entender é que entre os 5000 mortos poderia estar um parente seu. Seu filho que foi visitar os EUA poderia estar nas torres gêmeas, seu pai poderia estar num dos aviões derrubados, será que só assim para entendermos o tamanho da tragédia? Será que nosso país perdeu tanto o senso de moral que apenas nos indignamos quando temos interesses diretamente envolvidos? Por que o Brasil não consegue dizer o óbvio: Terrorista é um assassino. Terrorista, apesar de racional no sentido econômico, é um indivíduo que quer impor sua vontade, por meio da força e coação, aos demais membros da sociedade.

O que aconteceria no Brasil caso terroristas argentinos sequestrassem aviões cheios de brasileiros e os fizessem colidir com edifícios em São Paulo e Brasília? Eu lhes digo o que aconteceria: os brasileiros iriam sair nas ruas pedindo por vingança; iríamos restringir a entrada de argentinos no país e obrigar os argentinos aqui residentes a irem embora. Agora me digam, quantos muçulmanos foram expulsos dos EUA após 11/09? Quantos muçulmanos tiveram seus negócios apedrejados e sofreram perseguição nos EUA? É por isso que a América desperta tanto o ódio e a inveja de seus inimigos: para um selvagem é impossível entender a civilização. Bin Laden acreditava que seu ataque iria fomentar o ódio racial na América, mas isso simplesmente não aconteceu. Eu estive nos EUA logo após os ataques de 11/09 para uma conferência. O que vi foi inacreditável: alunos muçulmanos da University of Texas – Dallas estavam fazendo palestras no campus da universidade sobre o islã. Nenhum deles sofreu qualquer tipo de constrangimento, pelo contrário muitos se interessaram pela palestra. Isso é civilização, por isso vale a pena lutar.

Por fim, faço um apelo aos líderes islâmicos: posicionem-se ABERTAMENTE CONTRA OS TERRORISTAS. Essa é a maneira mais eficiente de mostrar ao mundo que o islã também é contra o terrorismo. O islã é uma religião pacífica, é obrigação de seus líderes irem para os jornais e dizerem de maneira clara: Bin Laden irá queimar no fogo do inferno; os terroristas irão para o inferno. A recusa dos líderes islâmicos em procederem dessa maneira é a única chance da estratégia de Bin Laden dar certo. Os terroristas apostam que seus ataques estimularão o ódio racial. Para vencê-los temos que lutar juntos: os líderes islâmicos devem protestar claramente contra o terrorismo, e os líderes do mundo ocidental devem se aliar a eles para erradicarmos essa praga do mundo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Economia e ditados populares

Gostaria de fazer um convite aos leitores desse blog: que tal escrevermos um livro sobre economia e ditados populares? A idéia desse livro foi COPIADA da idéia do Shikida de escrever um livro com aplicações práticas de teoria econômica (para obter uma cópia gratuita do livro acesse: http://shikida.net).

Muitas pessoas leram o post do Shikida e perguntaram se eu não toparia fazer o mesmo. Então eu topei a parada. A idéia é simples: cada um escolhe um ditado popular e usa o instrumental econômico para explicar o ditado. Você não precisa ser economista para participar, basta ser capaz de usar a lógica econômica para conseguir explicar algum ditado popular. Não há problema algum caso duas ou mais pessoas escolham explicar o mesmo ditado. Neste caso teríamos duas ou mais explicações concorrente para explicar o mesmo ditado. Caberia ao leitor escolher qual considerou mais ou menos interessante.

Eu pensei no seguinte título para o livro: "Quem gosta de homem é gay, mulher gosta é de dinheiro: Usando Teoria Econômica para explicar Ditados Populares". Claro que podemos repensar o titulo. Aqueles que quiserem participar do livro, por favor envie um e-mail para esse blog. Lembre-se de incluir no seu e-mail as seguintes observações: seu nome, seu e-mail, e o ditado que você irá explicar. Essas informações irão ser disponibilizadas nesse blog.

Por fim, eu irei editar o livro e tentarei que alguma editora o publique. Se não der certo, publicamos de graça na internet mesmo.

Aguardo o contato de vocês.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Primeiro Emprego

A história é sempre a mesma: um repórter entrevistando um aluno recém-formado, cheio de qualificações, mas que não consegue arrumar emprego por falta de experiência. Então, no auge de sua sabedoria, aparece algum político dizendo que o Estado TEM que ajudar os jovens a conseguirem o primeiro emprego. O argumento é simples: sem emprego o jovem não consegue experiência e sem experiência ele não consegue emprego. Solução: o governo intervém no mercado de trabalho em favor do jovem, diminuindo os custos de contratação dos jovens por exemplo. Que tal um pouco de teoria econômica nessa idéia?

Supondo que o mercado de trabalho é estático, isto é, o número de vagas é constante o resultado da política de primeiro emprego é desastrosa. Explico: se o número de vagas de trabalho é fixo, então tornar o custo de contratação do jovem mais baixo aumenta o número de jovens contratados, mas isso implica numa REDUÇÃO das vagas de trabalho para adultos e idosos. Ou seja, essa política pública apenas trocou desemprego de jovens por desemprego de adultos e idosos. Com um detalhe perverso: jovens não costumam ter famílias para sustentar.

Supondo que o mercado de trabalho seja dinâmico, isto é, o número de vagas de trabalho pode aumentar em decorrência da política do governo, o resultado da política de primeiro emprego é ambigua. Depende da relação entre jovens, adultos e idosos. Por exemplo, se jovens e idosos são complementares, então uma diminuição no custo de contratação de jovens AUMENTA o número de vagas para idosos. Por outro lado, se jovens e idosos são substitutos uma diminuição no custo de contratação do jovem DIMINUI o número de vagas para idosos. Não creio que jovens e idosos sejam complementares, acho mais provável que sejam substitutos. Assim, em minha opinião, o programa de primeiro emprego leva a um aumento no desemprego de idosos. O aumento no desenprego de idosos é, do ponto de vista social, muito pior do que o desemprego de jovens. Isto implicaria que a política do primeiro emprego diminui o bem estar da sociedade.

Se jovens e idosos são substitutos ou complementares é uma questão empírica. Mas é INADMISSÍVEL o governo estimular a contratação de jovens sem antes realizar um estudo que mostre o impacto dessa política na taxa de desemprego dos idosos. Afinal, é muito pior ver um pai de família desempregado do que um garoto de 18 anos procurando emprego.

Por fim, resta uma pergunta: quem é o jovem que aos 21 anos de idade nunca trabalhou? Simples: é o jovem que, na média, é mais rico do que o restante da população. Os pobres já trabalham desde cedo. Isto é, o programa de primeiro emprego é uma maneira de facilitar a vida de pessoas que pertencem a um extrato mais alto de renda da população. Tais pessoas tiveram o benefício de estudar mais, e de poderem estudar em dedicação exclusiva (sem precisar trabalhar). Será que tais pessoas precisam mesmo de ajuda do governo para se inserirem no mercado de trabalho? O primeiro emprego é difícil para todos. Você trabalha muito, ganha pouco e nunca recebe elogio. Foi assim com nossos pais, foi assim conosco e será assim com nossos filhos. Isso não me parece ser problema que necessite de intervenção do governo, até porque há uma boa chance dessa intervenção piorar ao invés de melhorar o bem estar da sociedade.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Papo de fim de noite

Minha tese de doutorado foi provavelmente a pior coisa que já escrevi, mas ela teve dois grandes momentos. Nenhum deles mérito meu. No primeiro caso citei uma frase que vale a pena refletir. No segundo caso citei um diálogo. Abaixo os momentos:

1) “Como é possível uma sociedade poder crer que um empréstimo de si mesma poderá fazê-la mais rica?” (Toem, 1952).

2)
- Spock: Data, posso lhe fazer uma pergunta?
- Data: Certamente.
- Spock: Você, pelo seu projeto original, não é capaz de ter emoções. Esta correto?
- Data: Sim.
- Spock: Entretanto, você tenta de todas as formas ser capaz de ter sentimentos.
- Data: Esta correto.
- Spock: Fascinante. Você, por construção, tem algo que eu almejei ter toda a minha vida.
- Data: Sr. Spock, posso lhe fazer uma pergunta?
- Spock: Certamente.
- Data: O Sr. é meio humano e meio vulcano. Dessa forma, pelo seu projeto original, o Sr. é capaz de sentir emoções. Está correto?
- Spock: Sim.
- Data: Entretanto, o Sr. tenta de todas as formas anular seus sentimentos.
- Spock: Esta correto.
- Data: Fascinante. O Sr., por construção, tem algo que eu almejei ter toda a minha vida.
- Spock: Eu não me arrependo de minhas decisões.
- Data: Interessante. Arrependimento é uma sensação humana.
- Spock: Fascinante.

Uma homenagem a Jornada nas Estrelas, o seriado com a maior intuição econômica de todos os tempos. E uma prova cabal da existência de uma das maiores forças que movem o universo: seja homem, vulcano ou máquina, ninguém nunca está satisfeito com sua dotação inicial.

A Nova História

1) Qual o partido mais ético do Brasil?
2) Quem acabou com a inflação?

Para o presidente da república, a resposta em ambos os casos é a mesma: PT.

Essa é a idéia de honestidade histórica de alguns. Se o PT é o partido mais ético do Brasil, isso quer dizer que os outros partidos são menos éticos. Em palavras, o PSOL é menos honesto que o PT. O PCB é menos honesto que o PT, o PC do B idem. Será que esses partidos concordam com essa afirmação? Se não concordam por que não reagem? Mais do que isso, se o PT é o mais ético então por que é o partido com mais membros envolvidos em escândalos no governo?

Não satisfeito em dizer que o PT é o partido mais ético do país, o presidente afirmou que foi o PT que acabou com o problema da inflação no Brasil. Enquanto a primeira afirmativa é estranha em vista dos fatos, a segunda é MENTIRA pura e simples. Dizer que foi o PT quem estabilizou a inflação brasileira é mentira ou má informação. Assumindo que o presidente não é um homem mal informado, isto implica que ele simplesmente mentiu.

Se no vestibular (ou em um concurso público) o aluno responder que foi o PT quem acabou com a inflação no Brasil, ele estará errado. Mas se deixarmos a história ser reescrita, em breve esse mesmo aluno será aprovado com louvor.

Corrupção x Subsídios

Se você tivesse que escolher entre morar num país corrupto ou num país cheio de subsídios, qual seria sua escolha?

Eu escolho o país corrupto. Motivo: corrupção causa menos distorções na economia do que subsídios. Em alguns casos extremos, a corrupção até ajuda a diminuir a distorção na economia e promove o crescimento econômico. Por exemplo, imagine um país extremamente burocrático. Vamos assumir que neste país leve-se 3 meses para abrir um negócio. Contudo, se você aceitar pagar propina seu negócio pode ser aberto em 1 semana. Este é um exemplo onde corrupção claramente afeta positivamente o crescimento econômico. Sem ela, o ritmo de negócios seria muito mais lento. Claro que esse tipo de comportamento também aumenta os custos de abertura de empresas, e isto é ruim para a economia. O melhor mesmo seria viver num país que fosse possível a abertura de um negócio em menos de 1 semana e SEM pagamento de propina. Entretanto, se esta opção não existe, a corrupção pode efetivamente ajudar na economia. De qualquer maneira, sempre podemos entender a corrupção como um imposto do tipo lump sum. Em palavras, a corrupção não afeta a escolha dos indivíduos, apenas diminui sua renda. Do ponto de vista técnico, isto implica que a corrupção não afeta a eficiência econômica.

No caso dos subsídios a história é bem diferente. Os subsídios são dados a um grupo específico de empresas. Isto implica que tais empresas têm acesso a benefícios, proporcionados pelo governo, que não estão disponíveis a outras empresas. Em palavras simples, isto ALTERA a alocação de recursos entre empresas. Torna empresas que antes eram ineficientes em empresas eficientes; isto implica que mais recursos serão destinados as empresas que receberam o subsídio. Assim, altera-se a composição da economia: recursos deixam de ir para setores que ANTES eram eficientes e passam a ir para setores que ANTES eram ineficientes. Ou seja, a economia como um todo se tornou mais ineficiente.

Para tornar a discussão mais clara, imagine dois países A e B onde corrupção e subsídios são inexistentes. Contudo, por algum motivo, A torna-se corrupto e B começa a fornecer subsídios. Após 20 anos tanto A como B conseguem eliminar a corrupção e os subsídios, respectivamente. Temos que A atingirá imediatamente um nível de bem estar mais elevado, mas o mesmo não é verdade para B. Após 20 anos de distorções nos investimentos, a economia de B promoveu as empresas ineficientes, e isto implica num custo de ajustamento muito alto. Mesmo após eliminar os subsídios, a economia do país B levará algum tempo até conseguir retornar a uma alocação eficiente de recursos, e neste tempo o bem estar da economia irá cair ainda mais.

Em resumo, o melhor mesmo é viver num país livre de corrupção e livre de subsídios, mas se isto não for possível eu fico com o país corrupto. Obviamente, o pior dos mundos é um país que além de corrupto é cheio de subsídios.

domingo, 2 de setembro de 2007

Que tal um encontro de pensadores liberais?

As idéias de planejamento central nunca estiveram tão presentes em nosso país como estão agora. Nossas liberdades individuais parecem significar muito pouco para muitos. Mas existe uma esperança: a Europa e os Estados Unidos já se confrontaram com esse inimigo no passado e conseguiram sobrepujá-lo. Logo após o final da Segunda Guerra Mundial, parecia haver um consenso de que o planejamento central era a melhor e mais eficiente maneira de organizar a sociedade e a atividade econômica. Vendo os perigos inerentes desse pensamento, Hayek organizou um encontro em Mont Pelerin. Desse encontro participaram indivíduos que reverteram a tendência socialista e deram novo fôlego ao capitalismo e ao livre mercado. Claro que a luta pela liberdade é incesante, mas o que Hayek e os membros da Sociedade de Mont Pelerin nos ensinaram é que essa não é uma luta inócua.

Os admiradores do socialismo se organizaram sob o Foro de São Paulo, movimento que embarca membros de vários partidos políticos de esquerda de outras nações. Por que enfrentar um inimigo desse porte sozinho? Que tal começarmos a pensar em nosso encontro? Um encontro de pessoas comprometidas com o LIBERALISMO NO SENTIDO CLÁSSICO. Um encontro SEM VINCULAÇÃO PARTIDÁRIA. Um encontro para discutirmos os rumos e as ações que devemos tomar para trazer nossa sociedade de volta ao caminho do liberalismo. Seria um primeiro passo no sentido de formarmos nossa própria sociedade. Uma sociedade que lute pelo direito inalienável da liberdade individual.

Eu sei que parece estranho, mas toda jornada começa com um primeiro passo. Minha idéia é organizar um encontro para dezembro desse ano. Não interessa quantas pessoas poderão vir a Brasília, mas esse encontro irá acontecer. Iremos passar dois dias discutindo sobre nossa sociedade, sobre a importância do liberalismo e sobre os riscos que a liberdade em nosso pais esta enfrentando. Se você tem sugestões de temas para nosso encontro, por favor envie-as para este blog. Se você gostaria de participar do encontro manifeste-se. Aos poucos iremos definindo datas, temas e compromissos. No post abaixo esta um resumo do Encontro de Mont Pelerin.

A Sociedade de Mont Pelerin

The Meaning of Hayek (http://www.cato.org/pubs/policy_report/pr-nd-gd.html)
By Gerald P. O'Driscoll Jr.

Hayek founded the society to provide mutual support for liberal thinkers, many of whom were otherwise isolated. From the beginning, it was Hayek's intention to use the society's deliberations strategically to disseminate liberal ideas. Hayek viewed it as an intellectual bulwark against the rise of totalitarianism he feared in the postwar era. He recognized that, as a practical matter, the largely Catholic parties of the center--the Chris- tian Democrats--would be the chief political force countering the new totalitarianism of the left. He hoped the society would function as a transmission belt of ideas to the Christian Democrat leaders.
In pursuit of that strategy, Hayek proposed naming the new society the Acton-de Tocqueville Society, after the two great Catholic liberals of the 19th century. He was thwarted in his purpose from the beginning by the anti-catholicism of one of the senior American invitees. In the end, the founders opted to name the organization after the mountain in Switzerland on which they met.
The Mont Pelerin Society still has great influence in nurturing liberal ideas and spreading them among policymakers. It is one of the ironies of an international laissez faire organization that, over the years, numerous government officials and ministers have been members. In its own way, the society helped keep Western Europe off the road to serfdom.

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