quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Drogas

Hoje existem dois grandes debates acerca das drogas: 1) teria o consumidor responsabilidade sobre a violência dos traficantes?; e 2) deveríamos liberar as drogas? A primeira pergunta é simples e tem resposta óbvia: SIM, todo consumidor de drogas transfere recursos para um traficante que muitas vezes usa esse recurso para gerar mais violência. Assim, é natural que parte da culpa pela violência gerada pelos traficantes seja atribuída aos usuários de drogas (que virtualmente financiam o traficante). Um exemplo ilustra bem esse ponto: as pessoas que compram peças de veículos, sabendo que tais peças são provenientes de veículos roubados, têm responsabilidade pelo furto de veículos? Claro que sim. Caso ninguém comprasse peças de veículos roubados, o número de veículos roubados iria inevitavelmente cair. O mesmo vale para CD’s e DVD’s piratas, caso ninguém os comprasse a quantidade de pirataria iria diminuir. No caso das drogas acontece o mesmo. Menos usuários de drogas significam menos recursos para os traficantes, e menos recursos para traficantes implicam em menor poder destes para adquirir armamento pesado. É curioso como alguns responsabilizam o consumidor pelo aumento da pirataria de CD’s, mas inocentam usuários de drogas pelo aumento do poder dos traficantes.

A segunda questão: deveríamos liberar as drogas? É bem mais complexa. Do ponto de vista estritamente econômico, são poucos os argumentos para se proibir o consumo de drogas dentro da residência do indivíduo. A teoria econômica oferece um único argumento que TALVEZ possa ser usado contra o consumo, dentro de casa, de drogas: uma vez liberada, o preço das drogas tende a cair. Um preço menor significa um maior consumo. Em palavras, caso as drogas sejam legalizadas o número de usuários irá aumentar. Mesmo esse argumento contra a legalização das drogas não é dos melhores por três motivos: a) existe uma boa chance do consumo de drogas ser inelástico, isto é, o fato do preço cair não irá aumentar em muito o número de usuários; b) se a demanda por drogas for inelástica uma queda no preço REDUZ a quantidade gasta em drogas. Isto reduz tanto o volume de recursos do traficante como a necessidade de roubo por parte de viciados para manter o seu vício; e c) como não existe poder de mercado no mercado de drogas, e o consumo de drogas dentro da residência não gera externalidade (efeito sobre terceiros), não há justificativa econômica para a intervenção do governo.

A verdade é que a legalização ou não das drogas é muito mais uma questão moral do que econômica. Uma sociedade tem o direito de ter normas normativas: aborto, drogas, eutanásia, são exemplos disso. Tais questões dificilmente podem ser solucionadas exclusivamente do ponto de vista econômico puro e simples, pois envolvem crenças e valores morais da sociedade. A teoria econômica lida com valores positivos, mas uma sociedade é baseada não apenas em valores positivos. Valores normativos também são importantes e devem ser respeitados.

Meu argumento contra as drogas é outro. Eu defendo uma teoria que eu mesmo elaborei e chamo de Zona Neutra. Toda nova geração sente a necessidade de avançar um pouco sobre os tabus da geração anterior. Enquanto as drogas, como a maconha, estiverem proibidas, as novas gerações invadirão essa área. Consumirão um pouco de maconha e depois voltarão para o lado de fora da Zona Neutra. Se retirarmos essa Zona Neutra a próxima geração buscará outro regra para desrespeitar, e talvez essa regra seja muito pior para a sociedade. De qualquer maneira, essa é apenas uma divagação.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A Vontade do Povo

Guardem bem essa frase “A vontade do povo”. Ela será repetida diversas vezes, com diferentes formas, nos próximos meses. O intuito dela é simples: proporcionar o terceiro (e o quarto, e o quinto...) mandato presidencial à Lula.

No auge da crise do mensalão, meus amigos me perguntaram quem seria o próximo presidente. Minha resposta: “Lula no primeiro turno”. Eles riram incrédulos; eu só errei o fato de ter havido segundo turno. Depois da segunda vitória de Lula, perguntaram novamente quem seria o próximo presidente. Minha resposta: “Lula no primeiro turno”. Dessa vez acho que acerto até o turno. Alguns colegas ainda tentaram argumentar que isso é inconstitucional. Dessa vez quem riu fui eu; o comunismo nunca saiu pacificamente do poder. O Brasil não será o primeiro exemplo.

Eu não sei como serão as próximas eleições presidenciais no Brasil. Mas eu sei como elas NÃO serão: não serão como as últimas. Em palavras, algum golpe esta por vir. Eu já comentei nesse blog que democracia NÃO É a vontade do povo, democracia é SIM o respeito às minorias. Satisfazer a vontade do povo NÃO É condição necessária e nem suficiente para uma democracia. Contudo, será esse o argumento usado para justificar mais um mandato para Lula. Os esquerdistas argumentarão que se a vontade do povo é por um terceiro mandato, então um regime democrático deve ouvir a população. MENTIRA. Democracia nada tem com isso, isso é golpe puro e simples.

Num regime democrático, o importante é respeitar as leis e as minorias. Esses são os dois fundamentos de um regime democrático. Um regime onde o que importa é a vontade da maioria, tem outro nome: ditadura. Essa aliás é a definição de regimes ditatoriais: são regimes que não respeitam nem as leis e nem as minorias. Vamos a alguns exemplos simples: 1) a Alemanha nazista satisfazia a maioria, mas desrespeitava leis e minorias. Você classifica a Alemanha nazista como um regime democrático?; 2) a Itália de Mussolini também se enquadra no mesmo regime. Você realmente acredita que Mussolini era um democrata? O que o Brasil esta prestes a vivenciar é um golpe CONTRA a democracia. As próximas eleições presidenciais no Brasil serão alteradas para favorecer o PT. De maneira alguma isso me surpreende, o que me causa espanto é a passividade com que a sociedade brasileira vem aceitando esse absurdo.

O erro dos brasileiros é acreditar que o PT produz o mesmo tipo de lixo com que se habitou dos outros partidos. ERRADO. O PT é muito pior do que os outros partidos. Quando alguém filiado ao PSDB rouba o Estado, isto é horrível. Mas um dia esse bandido irá morrer, com o tempo os efeitos de seu roubo irão desaparecer. Já quando alguém do PT rouba o Estado, parte desse dinheiro vai para alimentar a máquina petista. Uma máquina que não morre nunca, que se auto-reproduz. Em resumo, cada novo escândalo petista alimenta não somente um corrupto, mas toda uma estrutura que aos poucos corromperá toda nossa sociedade. O terceiro mandato de Lula é apenas a ponta desse iceberg.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Cartaz do Encontro Liberal


Ai vai o cartaz do Encontro Liberal.

O cartaz foi gentilmente elaborado pelo Professor Carlos Vinicius Santos Reis.

O que eu penso sobre assédio sexual

Quando saimos de casa e vamos para o mundo, maturidade passa a ser necessária. Quem não tem maturidade ou preparo emocional deve ficar em casa pois não esta pronto para o mercado.

Quando uma mulher ganha um emprego por causa de seu sorriso, ou por causa de sua saia, ninguém questiona se a mesma foi beneficiada por ser mulher. No entanto, quando um empresário se recusa a promovê-la não faltam acusações de discriminação. As mulheres pedem por igualdade de condições, mas na verdade querem muito mais: querem mais benefícios e menos custos que os homens. Querem ser respeitadas nas empresas, mas querem também longas licensas. Querem ser promovidas, mas não querem trabalhar depois do expediente. Querem ser tratadas iguais os homens, mas se comportam como mulheres.

A qualidade do trabalho feminino é inquestionável, são tão produtivas quanto qualquer homem. Esse não é meu ponto. Meu ponto é que as mulheres não aceitam abrir mão de determinados benefícios que, direta ou indiretamente, implicam numa distinção entre elas e os homens. Vamos analisar, por exemplo, a questão do assédio sexual. É fato que mulheres processam mais seus chefes por assédio sexual do que os homens. Então pergunto: fosse você um chefe e tivesse que promover alguém da equipe para trabalhar contigo DEPOIS do expediente, você promoveria um homem ou uma mulher? Um mínimo de lógica e todos concordarão que, se a produtividade do homem e da mulher em questão são similares, o homem será o escolhido. Isso não é discriminação, isso é apenas uma decisão sensata que visa minimizar a possibilidade de você ter que responder uma ação na justiça no futuro.

Vamos agora a uma questão mais difícil: deve o Estado legislar sobre assédio sexual em empresas privadas? Resposta: Não. Se a empresa é privada, cabe ao dono da empresa escolher o tipo de funcionário que ele quer. Se quer uma mulher fácil e incompetente, e se a mulher fácil e incompetente aceita isso, por que o Estado deve interferir? Mais que isso, se uma vez apresentada às condições de trabalho a mulher às aceita, com que direito ela poderá processar a empresa no futuro? A melhor maneira de disciplinar o assédio sexual é aumentar a competição entre empresas. Num ambiente competitivo, o chefe que escolhe funcionário pela aparência, e não pela capacidade, levará sua empresa à falência. Já chefes que promovam os mais eficientes, terão como benefício ver o crescimento de suas empresas. A COMPETIÇÃO entre empresas, e não o Estado, é a melhor maneira de combater o assédio sexual em empresas privadas. Em empresas públicas, que não estejam sujeitas ao mecanismo disciplinador do mercado, então a regulação do Estado é válida.

Sei que a essa altura já tem gente assustada, mas vamos a exemplos práticos. O que você acha da Unipalmares, uma universidade privada que IMPÕE que a maioria de seus estudantes seja de alunos negros. Eu respondo, a Unipalmares esta no seu direito. Ela é uma empresa privada, é seu direito escolher seu público. Engraçado que muitas pessoas acreditam que a Unipalmares esteja correta, mas discordam de meu argumento em relação a assédio sexual. A estes indico apenas que em ambos os casos o argumento é o mesmo: não cabe ao Estado intervir numa empresa privada enquanto a mesma não afetar terceiros ou não tiver poder de mercado.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Quem tem medo do MST?

Imagine um dia você chegar no seu carro e descobrir que tem um ladrão nele. Você liga para a polícia e diz “tem um ladrão roubando meu carro”, a polícia responde “ok, vá a um juiz e peça um mandato de reintegração de posse. Depois que você conseguir isso, você nos avisa que nós iremos tentar recuperar seu carro na base do diálogo; vamos tentar uma desocupação pacífica do seu carro”, incrédulo você pergunta: “mas depois de tudo isso, você irá pelo menos prender o bandido?”. Resposta da polícia: “Não”.

Apesar de fictício para a maioria dos brasileiros, o diálogo acima é uma realidade no campo. Fazendo justiça com a polícia, isso não é sua culpa. É culpa sim do caos institucional que se abateu sobre o Brasil. As invasões de propriedades privadas promovidas pelo MST são motivo mais que suficiente para prender não só os líderes do movimento, mas TODOS que tomam parte em semelhante violação do direito de propriedade privada.

O mais curioso em tudo isso é que o MST tem o direito de INVADIR propriedades privadas, ROUBÁ-LAS, SEQUESTRAR ou MANTER EM CÁRCERE PRIVADO funcionários das fazendas, DANIFICAR propriedade alheia, AMEAÇAR DE MORTE os que tentam impedí-los e efetivamente MATAR os que se opõe a eles. É uma sequência infindável de crimes. Pergunto: por que não são presos? Por que não respondem a processo?

O irônico disso tudo é que tão logo um fazendeiro contrate seguranças para proteger sua propriedade aparecem críticas de todos os lados. Argumentos de que os fazendeiros estão levando a violência para o campo não param de aparecer em jornais. Pergunto: o que os fazendeiros estão fazendo de ilegal? Estão por acaso invadindo propriedade alheia? Estão por acaso atirando em pessoas que transitam pelas ruas? Resposta: os fazendeiros não estão fazendo absolutamente NADA de ilegal. Estão apenas tentando evitar que suas propriedades sejam saqueadas, será que isso agora é crime? Para os admiradores do MST crime NÃO É invadir e matar, para eles crime é tentar se defender. Como bom FASCISTAS que são, os defendores do MST não toleram a idéia de que cidadãos tentem se defender de movimentos TOTALITÁRIOS. Querem não só roubar nossa propriedade e nossas vidas, querem também que aceitemos isso sem nos defendermos.

O MST tem praticado vários crimes tipificados no Código Penal Brasileiro. Crimes que vão desde simples furtos até assassinato. Quando será que tal movimento será declarado ilegal? Opa já ia me esquecendo, esse movimento não possui registros oficiais. Por que será que um movimento que nem CNPJ possui recebe transferências do Estado (o que é ilegal)? Em resumo, o MST invade, rouba e mata. Qual é sua punição? Resposta: receba verbas do governo e também o direito a que parte de seus membros tenham acesso privilegiado a cursos superiores em determinadas universidade do país.

A pergunta que não quer calar: que o PT e o presidente da república apoiam o MST não é novidade, mas por que o PSDB e Fernando Henrique Cardoso fizeram o mesmo? Por que tantos partidos ditos de oposição apoiam um movimento nitidamente ilegal e violento? Afinal de contas, por que tanto medo do MST?

Temas a serem Discutidos nas Mesas Redondas do Encontro Liberal

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Educação”:
a) Quem deve decidir o curriculo das escolas?
b) Curriculos obrigatórios para todas as escolas?
c) Quem deve decidir qual livro adotar?
d) Escolas públicas ou privadas?
e) As escolas devem ser gratuitas ou devem ser pagas?
f) Os alunos devem reprovar?
g) Como deve ser a intervenção do Estado na Educação?
h) Como monitorar a evolução da qualidade?
i) Cotas devem ser adotadas?
j) Outras sugestões são bem vindas.

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Saúde”:
a) Pública ou privada?
b) Gratuita ou paga?
c) Devemos ter programas específicos para crianças, idosos e carentes?
d) Minorias devem ter tratamento diferenciado?
e) Programas de vacinação devem ser financiados pelo Estado?
f) Alimentos transgênicos devem ser proibidos?
g) O Estado deve proibir o fumo e a bebida alcoólica?
h) Como deve ser a regulação estatal nos planos de saúde?
i) Médicos devem ter o monopólio da medicina?
j) Outras sugestões são bem vindas.

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Previdência”:
a) O sistema de previdência deve ser público ou privado?
b) Como financiar a aposentadoria de pessoas carentes?
c) Como deve ser a regulação do Estado nos fundos de previdência?
d) Qual o direito do Estado em obrigar pessoas a investirem para aposentadoria?
e) Mulheres devem ter tratamento diferenciado?
f) O que fazer em caso de falência de um fundo de pensão?
g) Como financiar a transição de um regime previdenciário para outro?
h) As empresas devem contribuir para a previdência de seus funcionários?
i) Previdência deve redistribuir renda?
j) Outras sugestões são bem vindas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Demorou, mas ai vai a programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (Asa Norte)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 - 13:00 horas: Inscrição (gratuita)

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:

9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
"Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho"
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.


O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

Discriminação

Discriminação é um tema difícil e polêmico. Inicialmente acreditava-se que a discriminção afetava apenas mulheres e negros, mas novas evidências sugerem que a discriminação é um fenômeno bem mais amplo afetando pessoas feias, gordas ou mesmo moradoras de bairros pobres. Você discrimina alguém? Você namoraria alguém baixo, gordo, feio, chato, pobre e burro? Opa... será que pessoas baixas, gordas, feias, chatas, burras e pobres são discriminadas? Resposta: SIM. Todos nós discriminamos outras pessoas, seja na hora de escolhermos nossos amigos, seja na hora de escolhermos nossos cônjuges. A questão não é saber se discriminamos alguém, a questão é saber em quais situações é dever do Estado intervir.

Decidir se o Estado deve ou não intervir para diminuir a discriminação não é tarefa tão fácil quanto parece. Por exemplo, vejamos o caso dos concursos públicos. À primeira vista, concurso público parece ser uma forma justa de contratar pessoas. Afinal, parece que ele dá chances iguais a todos. PARECE, mas não é verdade. Para ser aprovado em concurso público, uma pessoa tem que estudar por um longo período de tempo. Assim, pessoas com mais disponibilidade de tempo levam vantagem nessa forma de seleção. Em palavras, mulheres solteiras (que possuem mais tempo livre) são beneficiadas e homens casados (que não podem parar de trabalhar para estudar) são punidos. Ou seja, concurso público discrimina homens casados em prol de mulheres solteiras. De maneira semelhante, pessoas com acesso a crédito também são beneficiadas em concursos públicos em relação às que não têm acesso a esse mercado. Concurso público então beneficia um grupo à custa de outro. Notou como é difícil lidar com essa questão?

No setor privado, deve o Estado combater a discriminação? Resposta: NÃO. O dono da empresa investiu seu dinheiro na empresa, nada mais justo que ele possa escolher ao menos quem vai trabalhar com ele. Será que uma empresa tem o direito de escolher para quem vender? Resposta: SIM. Se uma empresa não quer vender seu produto para alguém, é direito da empresa recusar a venda (note que a Ferrari age dessa maneira). A melhor maneira do Estado combater a discriminação NÃO É intervir nas empresas. A arma mais eficiente para combater a discriminação é estimular a competição entre empresas. Quanto mais empresas competindo, mais opções terão o cliente e o trabalhador, logo menor será a margem das empresas para fazerem exigências absurdas. Uma empresa submetida a uma forte concorrência não pode se dar ao luxo de discriminar um trabalhador (ou cliente) por ele ser negro (ou gordo, ou afeminado, etc.). Num ambiente competitivo a empresa é obrigada a contratar o melhor funcionário (ou a atender o cliente) sob o risco de ser banida do mercado pela concorrência. Quanto mais empresas competindo, menos espaço haverá para a discriminação. Fortalecer a concorrência e a economia de mercado é a melhor política que o Estado pode realizar para combater a discriminação.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Vaca Louca

Acabei minha aula, estava indo de volta para casa. Na saída da UCB uma cena bucólica: uma vaca. Isso mesmo, no meio das ruas de Taguatinga la estava triunfante uma vaca transitando entre as ruas.

Estava escuro, o trânsito era intenso. Pensei que uma vaca transitando em ruas naquelas condições era um convite a um acidente. Ligo para 190: ocupado. Ligo para 190 novamente: 1 minuto e nada de alguém atender. Ligo pela terceira vez para 190: ocupado. Ligo pela quarta vez e finalmente alguém atende. Informo que há uma vaca andando pelas ruas de taguatinga, e o policial me informa que esse assunto não é da competência deles. Ele me da um outro número para ligar. Ligo para o outro número e informo sobre a vaca. Resposta: nós não trabalhamos a noite. Insisto, pergunto então se a vaca irá ficar por lá até de manhã. E a resposta é que eles não trabalham a noite, logo a vaca terá que esperar até pela manhã.

Talvez amanhã pela manhã a vaca ainda esteja lá. Talvez nada tenha acontecido, talvez a vaca tenha sido encontrada por seu dono. Existe uma infinidade de possibilidades. Talvez amanhã pela manhã uma criança amanheça morta vitimada por um acidente causado pela vaca. Se isso acontecer, essa criança morreu simplesmente porque o Brasil é o Brasil.... aqui as coisas acontecem na base do "se Deus quiser vai dar certo". O país é simplesmente incapaz de se prevenir contra os acidentes mais estúpidos. Os acidentes aqui em sua maioria não são acidentes, são antes o resultado da incompetência geral.

Citei o exemplo da vaca, mas pergunto: no caso da aviação foi diferente? Quantos avisos nossas autoridades receberam até o acidente da TAM? Vários, mas atitude mesmo só foram tomadas quando já era tarde demais. Essa incapacidade sistêmica de nosso país evitar acidentes que poderiam facilmente ser evitados é a expressão maior do despreparo por que passa nossa nação.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Prêmio Nobel da Paz 2008

Estou apostando que em 2008 o laureado com o Nobel da Paz será o Capitão Nascimento e o BOPE. Que eles contribuíram mais que Al Gore para a paz eu não tenho dúvidas. Mais do que isso, ao contrário de Al Gore o Capitão Nascimento faz exatamente o que prega. Ou seja, está longe de ser um hipócrita.

Polícia é polícia, bandido é bandido (Lúcio Flávio)

Acabei de assistir “Tropa de Elite”. FILMAÇO. Agora entendo a bronca de alguns contra o filme. Acontece que o filme, a exemplo da famosa frase de Lúcio Flávio, deixa bem claro que não existe muito espaço para meio termo. Esse papo furado de traficante com consciência social é tão verdadeiro quanto estuprador com consciência social, ou assassino com crise de meia idade. Quem alimenta o tráfico de drogas esta ajudando o crime organizado. Lição muito clara no filme. Outro detalhe: essa associação entre ONG’s com traficantes vai ter que se explicar um dia. Uma coisa é a ONG ter que pedir permissão ao traficante para se instalar na favela (isso se deve a falta de autoridade do Estado), outra bem diferente é ONG fazer propaganda pró-bandido (isso é bandidagem pura).

Mas por hoje chega de falar sobre esse excelente filme. Talvez volte nele em outro post. Quero falar sobre outro assunto: o cinema estava lotado. Haviam outros 9 filmes em cartaz, ou seja, opções não faltavam. “Tropa de Elite” é mais um exemplo que filme bom atrai público, não interessa se o filme é brasileiro, indiano ou americano. Assim, os estatizantes de plantão devem aprender essa lição e parar de pedir por intervenção estatal nos cinemas. Alguns gurus têm sugerido que o Estado deva obrigar os cinemas a exibir uma quota mínima de filmes nacionais. Ninguém obrigou o cinema a exibir “Tropa de Elite”, ninguém obrigou os consumidores a escolherem esse filme para assistir, no entanto o cinema estava lotado. Claro que os admiradores do Estado podem argumentar que isso só aconteceu pois “Tropa de Elite” recebeu muita atenção por parte da mídia. Ok, talvez isso seja verdade, mas então basta aos outros filmes nacionais gastarem parte de seu orçamento com a divulgação e marketing. Afinal, isso é extremamente comum em qualquer mercado.

Em resumo, “Tropa de Elite” nos ensinou pelo menos duas importantes lições: 1) está na hora de vários setores da sociedade se decidirem se estão a favor ou contra o crime organizado, e entenderem que existe um preço associado a cada escolha; e 2) proteger filme nacional da concorrência estrangeira, definitivamente, não é função do Estado.

sábado, 13 de outubro de 2007

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

A cultura da estupidez não é domínio exclusivo do Brasil. Parece que o mundo foi tomado por uma epidemia aguda jabazeira. Quanto mais absurdos você fala, mais gente aplaude.

O prêmio Nobel sempre foi uma das mais altas condecorações que uma pessoa poderia receber. Claro que erros as vezes acontecem, pessoas que mereciam não recebem e pessoas sem grandes contribuições acabam por recebê-lo. Mas o que aconteceu em relação ao prêmio Nobel da paz esse ano ultrapassa todos os limites do absurdo. O comitê responsável pelo Nobel da paz comete erros não é de hoje, já concedeu inclusive o Nobel da paz para TERRORISTAS. Isso mesmo, já tivemos terroristas, pessoas que mataram (ou participaram ativamente) da morte de inocentes, recebendo o prêmio Nobel da paz. Mas dar o Nobel da paz para Al Gore é ridículo, não é erro é má fé. Tivesse Al Gore um pingo de vergonha na cara não aceitaria o prêmio. Motivo: ele sabe perfeitamente bem que não merece o prêmio. Se o comitê do Nobel lhe deu o prêmio isso mostra que o comitê perdeu o juizo, mas não o isenta de manter o seu.

O que Al Gore fez para receber o prêmio? Fez palestras e um filme a respeito do aquecimento global. Só isso. Pergunto: Al Gore deixou de usar seu jatinho particular? NÃO. Al Gore deixou de usar sua mansão que consome muita energia? NÃO. Por acaso ele deixou de usar seu carro luxuoso e passou a usar um modelo mais econômico? NÃO. Ou seja, Al Gore é mais um dos democratas pronto a dizer “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Em resumo, o Nobel da Paz foi para uma pessoa que NADA fez pelo mundo, mas que ganhou muita reputação dizendo o que os outros deveriam fazer. Uma vergonha. Notem que eu nada digo a respeito da controvérsia sobre o aquecimento global acontecer ou ser provocado por humanos (o que é extremamente discutível), digo apenas que dar um prêmio dessa importância para um hipócrita é o fim da picada.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Este blog reclamou e a CAPES ouviu

No passado este blog criticou duramente algumas das notas, atribuídas pela CAPES, a cursos de pós graduação em economia. Hoje a CAPES divulgou a relação oficial das notas dos cursos, e para a surpresa de alguns ocorreram mudanças importantes.

Todo ranking apresenta anomalias. O importante então é tentar minimizar tais anomalias. Verdade seja dita, o novo ranking divulgado pela CAPES apresenta menos anomalias do que o anterior. Ponto positivo para a CAPES.

Ainda acho estranho a pontuação da UCB ser inferior a da UnB (mas reitero que a UnB mereceu a nota 6), tal como acho estranho a pontuação da ESALQ ser a mesma da EPGE (que sem dúvida é o melhor curso de pós graduação em economia no Brasil). A PUC-RJ vai reclamar muito de sua nota 5, o CEDEPLAR também deve recorrer de sua nota. Enfim, muita gente vai ficar chocada. Mas digo novamente, este novo ranking apresenta menos anomalias do que o anterior.

Por fim, deixo um grande abraço aos meus amigos da UnB. Vocês fizeram um trabalho e tanto, parabéns. Mas fiquem atentos: pegamos vocês na próxima avaliação.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Por que estudar Marx?

Confesso que não sei a resposta. Ele não foi grande coisa como economista, também não foi importante nem como historiador ou sociólogo, muito menos foi um grande filósofo.

O único bom argumento para justificar o estudo de Marx é de que ele foi um personagem que alterou o curso da história. Isso é verdade. Sem sombra de dúvidas as idéias de Marx moldaram vários movimentos que marcaram a história. O mais importante desses movimentos foi a Revolução Comunista que implementou o comunismo na União Soviética. Dessa maneira, o aparecimento de Marx nos livros de história é plenamente justificável.

O problema com o argumento acima é que ele é o mesmo usado para justificar o aparecimento de Adolf Hitler nos livros de história. Hitler alterou o curso da história, logo seu estudo é justificável. Contudo, as idéias de Hitler são claramente identificadas com o nazismo e com a Segunda Guerra Mundial. Hitler é estudado nos livros de história, mas as implicações de suas idéias também o são. Assim, as implicações das idéias de Hitler são corretamente relacionadas a formação de um Estado totalitário e ao genocídio de milhares de inocentes, cujo único crime foi não terem ido para o mais longe possível quando tiveram a chance.

Deve Marx ser estudado nos livros de história? SIM. Mas as implicações de suas idéias TAMBÉM devem ser mencionadas. Assim, tal como Hitler, Marx deve ser associado ao efeito que suas idéias produziram no mundo. A formação de Estados totalitários, a ocorrência de assassinatos em massa sem julgamento prévio, o atraso econômico, o desrespeito sistemático às liberdades individuais, e toda sorte de horrores produzidos pelo comunismo devem em boa parte serem creditados à aplicação das idéias de Karl Marx.

O engraçado é que no Brasil muitos querem estudar Marx fazendo menção a sua importância histórica. Contudo, os mesmos indivíduos são contra se atribuir a Marx as implicações da adoção dos ideais marxistas. Isso não é estudar história, isso é DOUTRINAÇÃO PURA E SIMPLES.

domingo, 7 de outubro de 2007

Paulistanambas ou os Selvagens de São Paulo

Selvagens dominam nossa nação, disso não há dúvidas. Mas a amostra que São Paulo esta nos propiciando neste domingo beira as raias do absurdo.

Estou assistindo São Paulo x Corinthias. Antes do jogo uma das torcidas "brindou" um garotinho com uma chuva de pedradas. O garoto e seu pai caminhavam calmamente, não provocavam ninguém, mas isso não impediu que os Paulistanambas os agredissem covardemente. Covardia aliás é uma das poucas regras respeitada por essa tribo. Não interessa se os paulistanambas tentaram intencionalmente, ou não, acertar o garoto. Uma tribo que apedraja uma multidão sabe muito bem o que quer, e deve ser responsabilizada por isso.

Pensam que acabou? Nada disso, os Paulistanambas são conhecidos por sua crueldade. No momento, um jogador corinthiano esta saindo de campo DESMAIADO na maca. O que faz a tribo dos Paulistanambas? Grita seu nome? Não. Fica em respeitoso silêncio? Não. Essa cruel tribo passa a gritar OFENSAS ao jogador que entra em campo para substituir o que saiu desmaiado de maca. Ou seja, a tribo não mostra o menor respeito, ou preocupação, pelo fato de um homem sair desmaiado de campo. À tribo não incomoda o fato de que agora uma família esta em agonia. À tribo não importa que um homem acaba de sair desmaiado de campo. Tudo o que importa é xingar o adversário.

Os Paulistanambas habitam a região mais rica e intelectualmente desenvolvida do nosso território. Aparentemente o contato com a civilização não teve efeitos benéficos em sua cultura. Ou acabamos com os Paulistanambas (e assemelhados) ou eles acabarão conosco. Lugar de selvagem é na reserva, civilização é lugar para pessoas civilizadas.

O dia em que o mercado venceu o Estado

24/25 de dezembro de 1914. Inimigos armados, combatendo ferozmente uns contra os outros. Anos de apologia ao ódio contra o inimigo. Nada disso foi suficiente para vencer o mercado.

Na mais brutal de todas as guerras da humanidade, o mercado mostrou que quem cria guerras são governos centralizadores. NUNCA na história da humanidade uma guerra foi tão horrenda e brutal. A segunda grande guerra matou mais pessoas, mas em termos de horror nada se compara a primeira guerra.

A lição que fica do natal de 1914 é o poder da religião, da crença em Deus, e das maravilhas propiciadas pela liberdade de escolha. Deus deu ao homem o livre arbítrio, ninguém tem o direito de tomá-lo de nós. Quando os homens não são coagidos pelo Estado, e são sujeitos apenas a regras de respeito a liberdade dos outros, eles podem exercer ao máximo sua liberdade individual. Homens assim não tentam massacrar outros homens, preferem ir para suas casas e descansar perto de suas famílias.

A liberdade de escolha, fortificada moralmente por princípios saudáveis de respeito ao próximo, é a maior riqueza de qualquer sociedade. Preservá-la é o mesmo que preservar nossa herança para as próximas gerações.

O natal de 1914, quando em plena primeira guerra mundial, soldados ingleses, escoceses, franceses e alemães celebraram um cessar-fogo SEM A INTERVENÇÃO DO ESTADO é a prova máxima do poder pacificador do mercado. A liberdade individual, associada ao baixo poder do Estado, é não só um pré-requisito para a prosperidade econômica, mas é também uma garantia de paz entre as nações e entre os homens.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Free Burma

Liberdade é um valor fundamental. Contudo, não é a condição natural. Temos que lutar para tê-la e para preservá-la.

Little John Armless’s Country ou País dos Joãozinhos sem Braço

Já tentaram fazer negócio no Brasil? Impressiona o número descomunal de joãozinhos sem braço presentes em nossa economia. Eles estão em todos os lugares: universidades, bares, colégios, estádios de futebol, etc. Você mesmo caro leitor deve conhecer vários deles. A característica básica de um joãozinho sem braço é se fazer de desentendido. São membros vitalícios do clube “se colar colou”.

Você vai a um bar com um grupo de amigos, todos bebem, comem algum petisco, jogam conversa fora. Mas, 5 minutos antes de se encerrar a conta aparecem os famosos ditos cujos.... eles se levantam, deixam 5 reais na mesa e vão embora. Aí está mais um joãozinho sem braço. Você empresta um livro para ele e 6 anos depois ele continua sem entender porque você insiste em receber seu livro de volta. Você passou a noite em claro preparando um relatório para a empresa (ou um trabalho para a universidade), surpresa.... na entrada da empresa esta lá mais um candidato a joaozinho sem braço, esperando que você divida os méritos do trabalho com ele. Todos nós conhecemos gente assim, o problema é que no Brasil não só existem muitos joãozinhos sem braço como também seu número está aumentando. Mas isto reflete o óbvio: no Brasil, bancar o joãozinho sem braço vale a pena.

Quando um país é dominado por joãozinhos sem braço, é impossível à sociedade conviver com tantos picaretas sem tomar providências para se resguardar. Em outras palavras, para nos precavermos dos joãozinhos sem braço, temos que gastar um montante razoável de recursos com procedimentos burocráticos de controle. Por exemplo, já notaram a quantidade imensa de documentos que temos que apresentar para uma simples vaga de estagiário? Quem trabalha em universidade vai concordar comigo: o montante de documentos necessários para se contratar um professor é assustador. Pior ainda se o professor tiver doutorado no exterior... aí o infeliz terá que ter um documento dizendo: “Sim, ele é mesmo doutor”. Já tentaram comprar uma casa ou financiar um apartamento? A quantidade de documentos e de carimbos e de certificados que temos que comprovar faz a lista telefônica de São Paulo parecer livro fino.

Para se comprar um carro nos EUA, basta você e o vendedor assinarem um papel do tipo: “Paguei tantos dólares e comprei o carro XX do Sr. Y”. Pronto, o carro é seu. No Brasil a mesma operação demanda a sua ida, e a do vendedor do carro, para um cartório. Ainda assim, com todo esse controle, a quantidade de desonestidade imperando em negócios no Brasil é absurda. Querem outro exemplo? Comprem um imóvel na planta. Imóvel na planta no Brasil é igual jogar na roleta, a única dúvida é se você irá apostar no preto ou no vermelho.

Da próxima vez que você ouvir falar em “custo Brasil” lembre-se do joãozinho sem braço, esse é o verdadeiro custo Brasil. O joãozinho sem braço aumenta de maneira expressiva o custo das transações econômicas; com menos trocas comerciais a sociedade perde eficiência; com menos eficiência a sociedade torna-se mais pobre. Temos que ter em mente que essa quantidade imensa de malandros (conhecida em economia como rent-seekers) traz um custo enorme para a sociedade. Acabar com a cultura da maladragem, vigente em amplos setores de nossa economia, é condição sine qua non para nos tornarmos um país minimamente civilizado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Respeito a diversidade de opiniões

Quanto mais você ouvir alguém dizer que respeita um ambiente com diversidade de opiniões, pode acreditar: ele está mentindo. Note que todo comunista adora dizer que respeita a opinião alheia... mentira!!!! Comunistas só respeitam a opinião alheia quando esta coincide com a deles.

Você pode estar lendo esse post e acreditar que estou sendo pouco científico em meu comentário. Engano seu, esse post tem uma razoável estrutura teórica. Explico: na tradição liberal, a ciência esta intimamente ligada ao pensamento de Popper. Assim, os liberais compreendem que mais de uma teoria é capaz de explicar o mesmo fato. A ciência é capaz apenas de refutar teorias, mas incapaz de comprová-las por completo. Dessa maneira, na tradição clássica, a diversidade de opiniões (teorias) é um resultado direto do modelo de análise científico. Não faz o menor sentido, na tradição clássica, alguém ter que dizer que respeita idéias diferentes das suas. Afinal, este é um resultado óbvio do arcabouço científico clássico.

Já no mundo marxista a análise é muito diferente. Os marxistas acreditam que a ciência é capaz de comprovar com 100% de acerto a validade de uma teoria. Assim, no mundo marxista não há espaço para a divergência de idéias, uma vez que a ciência é capaz de apontar com certeza qual delas está correta. Daí a necessidade artificial dos marxistas RECURSIVAMENTE afirmarem que respeitam as opiniões alheias.

Discorde de um marxista e você verá todo o respeito que eles nutrem pela diversidade de idéias. Você já discordou de um marxista? Mande sua experiência para este blog!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Inovação Fiscal em São Paulo

São Paulo está implementando uma novidade fiscal: clientes de restaurantes que requisitarem nota fiscal receberão do governo até 30% do valor do imposto de volta (em suas contas bancárias ou em créditos de impostos). A idéia do governo paulista é muito simples: a sonegação em alguns ramos da atividade econômica é extremamente alta; o governo tem se mostrado incapaz de fiscalizar todos os estabelecimentos; assim, uma maneira muito eficaz de fiscalização é por o cliente do estabelecimento a serviço do fisco do estado. Com essa nova lei, o cliente passa a ter um estímulo muito grande de solicitar nota fiscal. Tendo que dar nota fiscal para os clientes, o próprio estabelecimento é obrigado a pedir nota fiscal de seus fornecedores, e isto gera um movimento em cadeia que atinge toda a economia.

A idéia em si parece ser muito boa, mas algumas considerações devem ser feitas. A principal delas implica na observação óbvia de que um aumento da fiscalização (proporcionado pela lei) implica necessariamente em menor sonegação, mas uma menor sonegação tem como efeito um aumento na carga tributária da sociedade. Ou seja, vale a seguinte observação: uma vez que a arrecadação irá aumentar, quais impostos o governo paulista pretende reduzir para voltarmos ao nível anterior de arrecadação? Caso o governo paulista não pretenda reduzir os outros impostos, essa medida implica no aumento da carga tributária do estado, medida estranha para quem já afirma pagar impostos demais.

Uma segunda observação importante é a seguinte: quando um empresário sonega imposto uma única vez, parece razoável supor que ele se aproprie indevidamente da parcela do Estado. Contudo, quando a sonegação passa a ser a regra talvez o empresário transfira essa “redução” nos custos de produção (sonegação) para o preço final do bem. Assim, um aumento da fiscalização, e consequente redução na sonegação, irá gerar um aumento no preço final dos bens. Como, de acordo com a lei, o consumidor receberá no máximo 30% do valor do imposto arrecadado, existe a possibilidade do ganho líquido do consumidor ser negativo.

A lei é para todos. Empresários que sonegam impostos levam uma vantagem ilegal em relação aos que pagam impostos. Esse post não pretende defender sonegadores, mas apenas alertar para os efeitos da lei em toda sua extensão. Na questão tributária faço ainda outra ressalva: a função do Estado é maximizar o bem estar da população, e não maximizar a arrecadação de impostos. Os impostos no Brasil já são bastante altos em relação aos serviços prestados. Dessa maneira, uma lei alternativa para combater a sonegação seria simplesmente abaixar as alíquotas de imposto. Com impostos mais baixos, seria razoável supor que menos empresários se arriscariam a sonegar, gerando assim aumento da arrecadação e diminuição da sonegação. Os mesmos efeitos que a lei aprovada em São Paulo gera, mas com um benefício adicional: sem pressionar tanto o custo das empresas.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Forma x Conteúdo

Na sua famosa frase “2 + 2 = 4” Dostoievski mostra que argumentos científicos devem ser: claros, objetivos e diretos. Já George Orwell em “1984” estabelece o princípio dos regimes totalitários: “2 + 2 podem ser 4, mas podem também ser 5”. Essa é a diferença básica entre ciência e crença. A ciência é clara, objetiva e direta, já a crença não carece desses pré-requisitos.

A ciência é pautada em conteúdo, em substância. Já a crença depende muito mais da forma do que de qualquer justificativa lógica. Assim, qualquer cientista, político, ou cidadão que almeje debater idéias deve ser claro, objetivo e direto. A carência dessas qualidades implica numa pobreza científica que prejudica qualquer debate sério de idéias. Dessa maneira, qualquer debatedor mais preocupado com a forma do que com o conteúdo é um potencial inimigo do debate livre de idéias.

Países livres vão sempre estimular o debate de idéias, e para isso vão sempre estimular a expressão de idéias de maneira clara, objetiva e direta. Por outro lado, países que não têm interesse na evolução da ciência vão tentar sempre estimular o debate da forma em detrimento do conteúdo. O crescimento da popularidade do debate “politicamente correto” é nos dias de hoje a mais perigosa ameaça à liberdade de pensamento. Aceitar o debate “politicamente correto” implica na recusa ao uso de argumentos, implica na aceitação de que a forma é tão ou mais importante do que o conteúdo. Em resumo, implica na transformação do debate científico num debate de crenças que em nada contribuirá para o avanço da sociedade.

O Brasil vem sofrendo cada vez mais com o discurso “politicamente correto”. Toda vez que alguém se expressa de uma maneira clara, objetiva e direta é taxado de violento, arrogante ou coisa similar. Pior, seus argumentos são descartados sem mesmo uma análise preliminar. Já os confusos, obscuros e similares são aclamados aqui como gênios. A incapacidade desses “gênios” em se expressar de uma maneira clara e objetiva é interpretada como um sinal divino de iluminação. Passam horas ao microfone e nada dizem; pedem a palavra num debate e ao invés de formularem uma pergunta discursam sobre fantasmas incompreensíveis e inexistentes. Ao final são aclamados como símbolos máximos da sabedoria.

O cientista, o político, o cidadão que se preocupa com o debate de idéias não pode aceitar a supremacia da forma sobre o conteúdo. Existem questões em aberto na ciência, mas não existem meias verdades. Os inimigos da liberdade dirão que 2 + 2 = 8, você dirá que estão errados. Então eles dirão que 2 + 2 = 7, você dirá que eles estão errados. Por fim, dirão “Nós começamos dizendo que 2+2=8, nós já cedemos e podemos admitir que 2 + 2 = 5. Por que você é incapaz de ceder?”. Não há espaço para ceder em ciência, ou você está certo ou não está. Mas 2 + 2 = 4 quer você goste disso ou não.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email