terça-feira, 27 de novembro de 2007

O Jabá do IDH

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um índice, calculado pelas Nações Unidas, que tem como objetivo medir a qualidade de vida em determinado país. O índice leva em consideração 3 dimensões relacionadas à qualidade de vida: educação, saúde e renda. O IDH assume valores de 0 a 1, sendo valores mais altos preferíveis a valores menores. Muitos usam o resultado do IDH para ranquear países.

Todo ranking apresenta distorções, com o IDH não é diferente. O problema é que no caso do IDH as distorções NÃO SÃO aleatórias (não acontecem por acaso). Elas recursivamente deixam de contabilizar determinados fatores que deveriam ser verificados num ranking não-viesado. Por exemplo, recentemente o Brasil tomou uma série de medidas para diminuir a evasão escolar, e aumentar a abrangência do nível superior, esse movimento melhora a pontuação brasileira no IDH. Contudo, a piora na qualidade do ensino não é levada em consideração. Note que não discuto o mérito da política educacional brasileira, apenas menciono o fato de que tal política tem tanto implicações positivas quanto negativas. O IDH premia o aumento nas matrículas, mas não pune a piora na qualidade do ensino. De maneira semelhante, países que não aumentaram a abrangência do ensino, mas melhoraram sua qualidade são sistematicamente punidos pelo IDH.

Outro problema em relação ao IDH é que determinados países reagem a ele numa maneira pouco honesta. A idéia original do IDH era mostrar pontos em que determinado país deveria melhorar. Contudo, o resultado algumas vezes é bem diferente. Atentos as repercussões políticas do IDH, determinados governos maqueiam as estatísticas de educação e saúde para refletir uma melhora nesses indicadores, gerarando um aumento artificial no IDH do país. Ou ainda, desviam recursos de programas que não entram no cômputo do IDH para programas que podem afetar positivamente tal índice.

Ainda podemos citar que a renda de um país deveria ser uma estatística suficiente em relação à qualidade de vida nesta nação. Ou seja, basta verificarmos a renda de um país para podermos inferir sobre a qualidade de vida nele (é fato notório que países ricos possuem condições educacionais e de saúde superior a de países pobres). Não deveria ser necessário checarmos saúde e educação. Então, por que o IDH olha para essas variáveis? Existem várias respostas para essa pergunta, mas é fato que tal comportamento melhora a posição dos países que não possuem liberdade. Países com pouca liberdade costumam apresentar relatórios (acreditar neles é outra coisa) demonstrando bons índices de educação e saúde da população. Obviamente, tais nações controladas por governos autoritários, apresentam baixo desempenho econômico. Se o IDH não considerasse educação e saúde, tais sociedades despencariam no ranking. Assim, o IDH SISTEMATICAMENTE beneficia sociedades com pouca liberdade. O fato de Cuba, e de outras nações autoritárias, não estarem em posições tão ruins no IDH apenas reflete esse viés.

Se o IDH quer medir a qualidade de vida num país eu tenho uma sugestão: o teste do muro. Existem nações que constroem muros para evitar que outros entrem. Existem nações que constroem muros para evitar que seus habitantes fujam. Dizer que as últimas são preferíveis às primeiras é um erro grave e maldoso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Velhos Hábitos

"Velhos hábitos são difíceis de acabar, acabe com eles antes que eles acabem com você" (Mel Gibson, O Troco).

Torcer pra time pequeno é um velho e perigoso hábito.

O que temos que entender é que 50% do resultado de qualquer jogo é CAMISA. Assim, se seu time virar time pequeno desista. Já era. Veja o Botafogo por exemplo: não importa por quanto ele esteja vencendo o jogo, o verdadeiro botafoguense sabe que é uma questão de tempo até o fogão entregar a partida. O oposto acontece com o Grêmio, impressionante como um time repleto de pernas-de-pau sempre chega forte nas decisões... é a camisa jogando sozinha.

Flamengo, Grêmio e até o chatíssimo Coritiba são assim. A camisa joga sozinha. Já os torcedores do Botafogo, Cruzeiro e a seleção da Inglaterra... bom esses deveriam fazer como eu... torçam para o LONDRINA. O Londrina pelo menos NÃO ENGANA NINGUÉM.

Transferência de Renda

Qual é o maior programa de transferência de renda do Brasil? Pense bem.... se respondeu Bolsa Família você está errado. Tente de novo... se respondeu Previdência, errou de novo. Nem SUDAM, nem SUDENE, nem órgão estatal nenhum transferiu tanta renda quanto esse monstro: imposto de importação.

Imposto de Importação é o maior programa de transferência de renda já realizado no Brasil. Esse monstro que pune severamente os pobres, que pune severamente a população brasileira e que beneficia uma pequena, e extremamente rica, parcela da população NUNCA foi contestado. Por que tanta boa vontade com esse imposto? Por que não vemos os intervencionistas de plantão criticarem o caráter regressivo desse imposto (ele pune mais severamente os pobres do que os ricos)?

Por que o imposto de importação transfere renda? Simples, porque alíquotas altas desse imposto IMPEDEM que a população brasileira tenha acesso a bens mais baratos no exterior. Esse imposto praticamente OBRIGA todos os brasileiros a comprarem produtos produzidos no Brasil a um preço muito superior do que o cobrado no exterior. Isto é, o imposto de importação transfere renda de todos os setores da economia para uma pequena elite produtora de tais bens. Por exemplo, um laptop na DELL pode ser comprado por 750 dolares (menos de 1500 reais). Quando o governo brasileiro decide manter uma alíquota elevada para a importação de laptops ele está OBRIGANDO toda a população brasileira a comprar laptops PIORES e MAIS CAROS no Brasil. Como as pessoas que compram laptops são, na média, mais pobres do que os donos de empresas de informática, temos uma transferência de renda de pessoas mais pobres para pessoas mais ricas.

O Imposto de Importação também afeta a concentração regional da renda. Ao tornar inviável que um brasileiro compre um carro no exterior, o imposto de importação está obrigando que os brasileiros comprem seus carros de fábricas locais. Assim, consumidores do Piauí (que não possui fábrica de veículos) transferem renda para os estados que possuem fábricas de automóveis. Ou seja, o imposto de importação transfere renda de estados sem indústrias para estados industrializados. Da próxima vez que São Paulo reclamar que leva o Brasil nas costas, devemos lembrar a esse nobre estado que o resto do país é OBRIGADO a comprar produtos de indústrias paulistas. É verdade que boa parte dos impostos arrecadados em São Paulo são utilizados em outros estados, mas a conta sobre transferência de renda deve levar em conta a grande ajuda que São Paulo recebe por meio do imposto de importação.

O imposto de importação impede que empresas possam comprar tecnologia barata no exterior. Isto é, tal imposto diminui sensivelmente a produtividade e competitividade de várias indústrias brasileiras. O imposto de importação impede que vários segmentos da população tenham acesso a bens melhores e mais baratos. Ou seja, o bem estar da população é seriamente afetado. Por fim, tal imposto beneficia não só uma pequena parcela da população mas também a parcela MENOS eficiente da sociedade. O fim (ou a redução) do imposto de importação aumentaria a produtividade das empresas brasileiras, aumentaria o bem estar da população, e terminaria com este absurdo de pessoas simples transferindo renda para milionários.

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (ASA NORTE – SGAN 916)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 - 13:00 horas: Inscrição no local do evento (gratuita).
As inscrições também podem ser feitas pela internet, para tanto basta enviar um e-mail para: sachsida@hotmail.com. Qualquer dúvida ligue para (61) 8459-0343.

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:
9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
"Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho"
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.


O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do Encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Quanto custa sacanear seu vizinho?

As estatísticas macroeconômicas mundiais estão passando por uma inovação: estão sendo corrigidas pela paridade do poder de compra. No passado, comparava-se o PIB per capita em dólares entre países para se inferir sobre seu padrão de vida. Países com PIB per capita mais elevado costumavam ter um alto padrão de vida. Recentemente, uma correção foi incluída nessas estatísticas. Agora ao invés de se comparar o PIB per capita em dólares mede-se o PIB per capita corrigido pela paridade do poder de compra.

Em termos teóricos a idéia é boa. Por exemplo, um corte de cabelo no Brasil custa 10 reais. O mesmo corte não sai por menos de 10 dólares nos Estados Unidos. Dessa maneira, uma série de atividades (ir ao cinema, alugar um imóvel, jantar num restaurante, ter uma empregada doméstica, etc.) é muito mais barata de ser realizada no Brasil do que nos Estados Unidos. A idéia central da paridade do poder de compra é levar em consideração essas diferenças ao se estimar o PIB de um país.

Na prática a idéia de se corrigir o PIB de um país pela paridade do poder de compra não é das melhores. Por exemplo, por esse critério a China possui um dos melhores padrões de vida do mundo. Outros países igualmente pobres também têm seus padrões de vida artificialmente inflados por esse novo método. Evidente que tal medida tem limitações sérias. Dessa forma, seu uso em trabalhos acadêmicos deve sempre ser vista com certas ressalvas em mente.

Ao invés de usarmos a paridade do poder de compra para corrigirmos o PIB de um país deveríamos usar a seguinte medida: quanto custa sacanear seu vizinho? Essa nova medida captura a essência da sociedade onde o indivíduo vive. Normalizaríamos o custo de sacanear o vizinho para 1 (um) na sociedade americana, e usaríamos multiplicadores para corrigir o PIB de cada país de acordo com o custo de se sacanear o indivíduo naquele país. Por exemplo, no Brasil sacanear um vizinho é quase de graça. Assim, deveríamos multiplicar nosso PIB em dólares por um valor MENOR do que 1. Esse fator refletiria a perda de bem estar associada a se viver numa sociedade onde a qualquer momento alguém pode te sacanear.

Viver num país onde a qualquer momento qualquer pessoa pode te sacanear e sair impune apresenta um custo elevado. Se o custo do corte de cabelo é incluído para se calcular a paridade do poder de compra, parece ser mais do que justo que o custo de sacanear seu vizinho também seja incluído nessa conta.

Crime e Desigualdade de Renda

A evidência estatística parece sugerir que sociedades mais desiguais possuem taxas de criminalidade mais elevada. Esse fato já foi observado tanto em estudos sobre países como também para estudos referentes a estados dentro de um mesmo país. Em resumo, quanto mais desigualdade mais crime.

Essa correlação positiva entre desigualdade e crime muitas vezes é citada para se evidenciar a luta de classes, os conflitos entre ricos e pobres, dentro da sociedade. Esta linha de raciocínio está ERRADA. A evidência empírica mostra apenas uma relação entre desigualdade e crime, mas diversas explicações podem gerar tal resultado. Por exemplo, em sociedades extremamente pobres a desigualdade de renda é baixa (afinal todos são miseráveis). Assim, não existe grande vantagem em se roubar o vizinho. Sendo o vizinho tão pobre quanto você, o produto do roubo também é baixo. Já em sociedades extremamente desenvolvidas a desigualdade de renda também é baixa (afinal a maioria da população tem bom poder aquisitivo). Nesse caso, o roubo também não é uma boa opção, pois caso você seja preso seu custo de oportunidade de permanecer na cadeia será alto (você não poderá desfrutar do bom padrão de vida oferecido pela sociedade). Com isso, parece evidente que o estímulo ao crime tanto em sociedades uniformemente ricas como pobres é baixo. Imagine agora uma sociedade onde metade da população é muito rica e a outra metade muito pobre. Neste ambiente, os pobres têm um grande estímulo em tentar cometer crimes contra os ricos, pois o produto do crime (desde que se assalte um rico) é muito alto. De maneira semelhante, o custo de oportunidade do pobre em cometer o crime é baixo (afinal ele não tem muito a perder). Nesta sociedade fictícia, a desigualdade de renda seria o motivador da criminalidade. Contudo, a explicação nada tem em comum com luta de classes. Nessa sociedade, os pobres cometem crimes contra os ricos pois o produto do crime é maior. Em resumo, o criminoso pobre não odeia o inocente rico (nem vê nele o responsável por sua pobreza).

No parágrafo acima, foi demonstrado que mesmo que desigualdade de renda cause criminalidade não podemos atribuir isso à luta de classes. Mas existe ainda um outro complicador: encontrar uma correlação positiva entre desigualdade e crime NÃO IMPLICA em dizer que desigualdade cause crime. Na realidade pode ser o contrário: sociedades mais criminosas geram sociedades mais desiguais. Pode perfeitamente ocorrer de que em sociedades muito violentas o investimento privado seja reduzido em áreas pobres, aumentando o desemprego nessas áreas e concentrando tal investimento em áreas ricas. Uma simples análise de correlação não é capaz de demonstrar se crime causa desigualdade ou vice-versa.

Existem outros problemas técnicos que também são dignos de nota: a) os dados sobre crime costumam ser sub-declarados (muitas pessoas são roubadas mas não dão queixa na polícia); b) algumas políticas públicas aumentam tanto a desigualdade como a criminalidade (por exemplo, a política da governadora do Pará, de permitir invasões de terra, vai claramente aumentar a criminalidade no estado do Pará podendo concentrar a renda na mão de grandes caciques locais). Os itens “a” e “b” representam consideráveis entraves estatísticos (tecnicamente, isto implica num problema de endogeneidade). Assim, apesar de ser razoável assumir que sociedades mais desiguais sejam mais violentas, não há motivos para se inferir que isto seja em decorrência da luta de classes.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A Armadilha das Idéias

Não costumo remeter o leitor desse blog a outros artigos, mas nesse caso vale a pena.

Vi esse link do Blog do Shikida, se tiver tempo: Idea Trap.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Por que as Escolas Brasileiras são tão Ruins? Ou Catch 22 (Ardil 22)

No Brasil, apenas 5% dos alunos que terminam o segundo grau possuem os conhecimentos que deveriam possuir em língua portuguesa. Essa porcentagem cai para 4% quando refere-se ao conhecimento dos alunos sobre matemática. Em resumo, os alunos terminam o segundo grau com conhecimentos insatisfatórios em português e matemática. Em comparações internacionais, o Brasil ocupa rotineiramente a última, penúltima ou ante-penúltima colocação em exames de matemática e ciências. Por que as escolas brasileiras são tão ruins?

Muitos irão argumentar que os dois grandes vilões são: a péssima infra-estrutura das escolas e o baixo salário dos professores. Contudo, isso não explica porque países mais pobres que o Brasil (pagando piores salários a seus professores e com infra-estrutura similar a brasileira) se saem melhor que nosso país em comparações internacionais. Sou de opinião que o problema das escolas brasileiras é outro. O problema é que as escolas brasileiras pararam de ensinar matérias e começaram a ensinar doutrinas. Vamos ao exemplo mais óbvio: geografia. No passado, estudar geografia significava estudar mapas, bacias hidrográficas, clima, vegetação, etc. Hoje parece que o estudo de geografia está muito mais centrado em geografia política. Não é de se admirar que a grande maioria dos brasileiros não consegue localizar o Brasil no mapa Mundi. Isso tem acontecido com todas as matérias. A idéia agora não é formar alunos, a idéia é formar cidadãos. O custo dessa política é que deixamos de formar alunos e passamos a formar pessoas com forte viés ideológico. O péssimo desempenho dos estudantes brasileiros em testes internacionais é apenas um reflexo dessa política educacional.

Outro problema grave das escolas brasileiras é a hipocrisia. Os alunos mal sabem falar português, mas queremos que eles aprendam outro idioma. Os alunos não sabem matemática ou história, mas os formuladores de políticas educacionais não param de incluir novas matérias nos currículos escolares. Seria muito mais razoável restringir o curriculo a um pequeno número de matérias – tipo português, matemática e ciências -, e deixar outras disciplinas como opcionais. Claro que isso tem um custo, mas creio que o custo maior é a formação de alunos que mal sabem escrever ou somar 2 + 2.

Outro problemas sério é que no Brasil a maior parte das escolas privadas têm como principal objetivo preparar um aluno para o vestibular. Isso dá um poder gigantesco às instituições que elaboram e corrigem o vestibular. Afinal, como uma escola particular pode adotar livros que ensinam que as respostas fornecidas por tais instituições estão erradas? Assim, as próprias escolas privadas são obrigadas a ensinar de maneira incorreta para garantir a aprovação de seus alunos no vestibular. Este é o famoso Catch 22: se as escolas privadas ensinam certo, elas estão erradas. Se ensinam errado, então estão certas.

E-Book: VERSÃO FINAL

Já está disponível on-line a versão final de nosso livro:

Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares.

O download do livro é gratuito e VALE A PENA ler os artigos. Ao todo foram 25 excelentes contribuições que entre outras ferramentas usaram teoria dos jogos, escolha pública, vantagens comparativas, consistência temporal de políticas, economia política e outros dispositivos providenciados pela teoria econômica para explicar, ou refutar, ditados populares.

Devido a minha ignorância, não estou conseguindo anexar o arquivo com o livro nesse blog. Então para todos que quiserem uma copia do livro existem 2 opções:

1) envie um e-mail para sachsida@hotmail.com e solicite uma copia gratuita do livro

2) vou contar com a ajuda do Shikida. Entre no blog dele e dê o download do livro por la. O blog dele pode ser acessado em: http://gustibusgustibus.wordpress.com/

O livro está entre os melhores que já li, e até onde eu saiba foi o primeiro a tratar desse assunto.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Frankenstein

É um erro acreditar que pode-se criar um monstro para depois controlá-lo.

A imprensa esta noticiando um expurgo no IPEA. Pesquisadores estariam sendo cerceados de seu direito de emitir opinião. O relato que vou dar agora, talvez me traga problemas, mas nunca fui conhecido por esconder o que penso.

Há muito tempo o IPEA vem contratando consultores heterodoxos. Há muito tempo a visão UNICAMP domina o IPEA. Isso não é fato recente. O que é recente é que agora esta visão está mais explícita. Mas vamos olhar para o passado: nos concursos públicos de 1995, 1996 e 1997 o pesquisador tinha que saber ao menos os manuais básicos de macroeconomia (Blanchard e Fisher ou Romer), microeconomia (Mas-Collel) e econometria (Green) para ser aprovado no concurso do IPEA. Desde então o formato do concurso para acesso ao IPEA mudou muito, favorecendo cada vez mais a corrente heterodoxa. O que os diretores anteriores fizeram para impedir isso? Quando fui aprovado para trabalhar no IPEA no concurso público de 1996, quase fui demitido na segunda fase do concurso por causa de minhas opiniões sempre liberais. Não me lembro de ter visto algum diretor do IPEA indignado com aquela perseguição. Já há algum tempo o IPEA Brasília NÃO PUBLICA textos para discussão em inglês. O que os diretores antigos fizeram contra esse absurdo? O IPEA apesar de ser um instituto de pesquisa NUNCA premiou pesquisadores que tivessem artigos publicados em periódicos científicos. O que os diretores antigos fizeram para sanar esse problema? O IPEA gastou razoável quantidade de recursos publicando o “livro do ano”. Publicação difícil de ser defendida em termos acadêmicos. O que os diretores anteriores fizeram para evitar ou minimizar isso? Em resumo, há muito tempo a visão dominante no IPEA é uma visão contrária ao liberalismo e ortodoxia. Muitos dos que estão reclamando agora são os mesmos que nada fizeram para impedir isso.

Vou ser bem claro: eu sou contra o que esta acontecendo no IPEA hoje. Mas o que esta acontecendo hoje começou há uns 10 anos atrás. Tenho alguns colegas no IPEA-Rio que tem reclamado muito, mas pergunto: o que o IPEA-Rio fez para evitar isso? Muitos dos antigos diretores do IPEA-Rio só aumentaram o mal estar dos técnicos no passado. Divulgavam eles uma visão que no Rio de Janeiro ficavam os pesquisadores e em Brasília ficava o resto. O que esperavam com esse tipo de atitute? Pior, onde é que os antigos diretores do Rio publicaram? Me parecem poucas publicações para sustentar tamanha arrogância. Fico triste pelo IPEA estar passando por esse momento, mas muito disso deve-se à acomodação dos próprios técnicos do IPEA. Vou repetir: não se cria um monstro acreditando que você irá controlá-lo depois.

Que a lição do IPEA sirva de lição ao resto do país. Não adianta fazer como fez o IPEA-Rio e tentar distanciar-se. Cedo ou tarde você terá que se confrontar com a realidade. O comunismo é assim: começa aos poucos e vai avançando, se não encontrar resistência irá até o fim. Se há 10 anos atrás o IPEA tivesse dado um basta nesse acúmulo de poder ideológico, nada do que esta ocorrendo hoje teria acontecido. Mas o problema é que há 10 anos atrás esse ideologia já era forte demais dentro do IPEA. O que aconteceu ao IPEA irá acontecer ao Banco Central, ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal, à Petrobras, etc. Esse processo não tem fim, é um engano acreditar que sua opinião, se for dissidente da comunista, será respeitada.

Vou reforçar novamente meu ponto: não gosto do que esta acontecendo com o IPEA. Mas a verdade é que as gestões passadas do IPEA também contribuíram muito para isso. Por fim, um comentário aos seguintes pesquisadores do IPEA que motivaram esse post: Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli, eu não os conheço pessoalmente. Contudo, fiquei extremamente chateado pela maneira como vocês foram expostos. Creio que, independentemente da opinião pessoal de cada um, vocês merecem respeito. A maneira como esse episódio aconteceu denotou falta de tato em expor pessoas a um tipo de humilhação completamente desnecessária. Se serve de consolo, saibam que outras pessoas também receberam o mesmo tratamento. A estas pessoas eu também dedico meu respeito e minha indignação.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O Tamanho do Estado

Algumas pessoas vêm argumentando nas últimas semanas que o Estado brasileiro é pequeno. Para tanto, citam algumas estatísticas (extremamente questionáveis) e usam um truque de retórica: discursam que não é possível afirmar que o Estado brasileiro é grande, pois inexistem estudos que indicam qual seria o tamanho ótimo do Estado.

Vamos explicar nesse post qual é o truque retórico. A frase: “Não há como dizer se o Estado brasileiro é grande, pois não existem estudos que comprovem qual deve ser o tamanho ótimo do Estado”, esta correta. CONTUDO, existe um truque nesse argumento. Explico, a pergunta “Qual deveria ser o tamanho ótimo do Estado” NÃO É uma pergunta positiva, mas sim uma questão normativa. Dessa maneira, é impossível responder a essa pergunta sem considerações pessoais. Isto é, pessoas com tendências liberais dirão que o Estado ideal deve ser extremamente pequeno quando comparado ao Estado ideal proposto por socialistas. Não há maneira da ciência econômica responder essa questão sem considerações normativas. Assim, quando alguém usa o argumento “não sabemos se o Estado brasileiro é pequeno....” ele está apenas usando um truque de retórica.

Ao invés de se perguntar sobre o tamanho ótimo do Estado, um pesquisador deveria formular a seguinte pergunta: “Dado o volume de recursos arrecadado pelo governo a contrapartida em serviços prestados é satisfatória?”. Essa sim é uma pergunta de caráter positivo e que pode ser respondida por argumentos técnicos.

O Estado brasileiro arrecada aproximadamente 36% do PIB em impostos. Para se ter uma idéia de quanto isso representa, vamos a uma pequena divagação. Quando eu era garoto e estava na aula de história, lembro de meu professor argumentar quão cruel eram os suseranos na Idade Média. Os suseranos cobravam dos vassalos um dia de trabalho gratuito por semana, a título de remuneração por estes usarem as estradas e o moinho do suserano. Vejamos, um dia de trabalho por semana implica que os vassalos pagavam ao suserano 1/7 do seu trabalho em impostos. HOJE nós pagamos ao Estado mais de 1/3 (ou 2,3/7) de nosso trabalho em impostos. Resumindo, se você achava que o suserano era um cara mau, imagina o que você não deve pensar do Estado Brasileiro.

Resumindo, quando olhamos para a arrecadação do Estado brasileiro e para a contrapartida em serviços que recebemos, fica evidente que o Estado brasileiro é GRANDE. Antes de pensar em arrecadar mais, o Estado brasileiro deveria pensar em gastar menos e melhor.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Loser x FDP

Os palavrões presentes em uma sociedade podem nos dar uma boa noção da cultura predominante em um país. Nos Estados Unidos a maior ofensa que se pode fazer a uma pessoa é chamá-la de loser (perdedora). No Brasil a maior ofensa a uma pessoa é chamá-la de f.d.p..

Nos EUA chamar alguém de loser (perdedor) é chamá-lo de fracassado, é dizer que o indivíduo falhou na vida. Esse é o maior insulto que você pode fazer a outra pessoa na América: dizer que ela é uma perdedora. Tal insulto reflete os valores da sociedade americana. Lá o fracasso do indivíduo é uma ofensa. De maneira similar, o sucesso individual é um elogio, uma glória buscada por todos. Mas mais importante, “loser” reflete uma crítica ao indivíduo, ao seu desempenho na vida; não guarda relação alguma com sua origem. Pouco importa se o indivíduo veio de uma família nobre ou pobre, qualquer um pode ser chamado de “loser”: essa ofensa reflete a postura do indivíduo em relação aos obstáculos enfrentados em sua própria vida. A cultura americana é uma cultura que valoriza o mérito individual, o sucesso do indivíduo, a sua capacidade de enfrentar dificuldades e permanecer de pé. Um “loser” é aquele indivíduo que, independentemente de sua origem, fracassou não em atingir seus objetivos, mas fracassou pois sequer decidiu buscá-los.

No Brasil a maior ofensa que se pode fazer a uma pessoa é chamá-la de f.d.p.. Ou seja, o insulto no Brasil NÃO reflete mérito (ou falta dele). Aqui o que pior pode-se dizer de uma pessoa é criticar sua origem. Aqui a ofensa não guarda relação com o sucesso/insucesso de um indivíduo. Tal como em sociedades aristocráticas, no Brasil criticar a origem é o maior insulto que se pode fazer a uma pessoa. Pouco importa se o indivíduo tem méritos, pouco importa se ele lutou e venceu obstáculos. Se a origem do indivíduo é suspeita, então todos os seus méritos desaparecem. De maneira similar, se sua origem é nobre então são seus deméritos que desaparecem. Aqui a sociedade valoriza a origem do indivíduo, não sua trajetória na vida.

Lendo os dois parágrafos acima, não é de se estranhar que no Brasil o sobrenome seja o mais importante cartão de visitas de uma pessoa. Também não é de se estranhar que a sociedade americana seja próspera enquanto a brasileira seja apenas prolixa.

sábado, 10 de novembro de 2007

Resposta ao artigo do Valor Econômico

Em recente artigo no Valor Econômico, o professor da UFRJ e Diretor de Macroeconomia do IPEA, João Sicsu, dissertou sobre os efeitos deletérios do pagamento de altos juros a uma minoria da população (http://www.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=2851). Eu discordo do Professor Sicsu por pelo menos 3 razões:

A primeira deve-se a comparação entre funcionários públicos que recebem em média R$ 3.785,30 e bebês rentistas que recebem R$ 8.873,38. Com todo respeito ao Professor Sicsu, essa comparação não faz o menor sentido. Os bebês recebem essa renda pois seus pais decidiram poupar, ou seja, decidiram acumular capital ao invés de gastá-lo. Será que o Brasil estaria melhor caso os pais dos bebês gastassem todo seu dinheiro em consumo? Outro detalhe: por que não comparar funcionários públicos do executivo com funcionários públicos do judiciário? Fosse essa a comparação e veríamos que funcionários do judiciário estão muito mais para bebês rentistas do que para funcionários do executivo. Mas a principal crítica é mesmo que tal comparação simplesmente não faz sentido. Por exemplo, será que devemos nos indignar com a minoria dos jogadores de futebol que são milionários? Afinal, enquanto nós temos que trabalhar duro para termos um salário razoável, os jogadores de futebol recebem fortunas para jogar bola. Não creio que seja esse o caminho. Em termos econômicos, os bebês rentistas recebem uma renda maior porque seus pais acumularam por eles. No caso dos funcionários públicos, não tendo estes pais que poupassem por eles, são remunerados apenas por sua capacidade produtiva.

Minha segunda discordância refere-se ao fato de que o Professor Sicsu foca sua crítica apenas nos detentores de títulos da dívida pública interna. Vejamos o caso de 3 milionários que possuem a mesma fortuna: o primeiro investe toda a fortuna em títulos da dívida brasileira. O segundo, aplica em imóveis; e o terceiro aplica toda a fortuna na Bolsa de Nova York. O professor Sicsu parece questionar apenas o caso do primeiro milionário. Por que não questionar também os bebês filhos de proprietários de imóvel? Afinal estes também irão receber uma renda alta sem ter que trabalhar. O que parece faltar na análise do Professor é o fato de que existem mais de uma alternativa para se poupar o dinheiro. Claro que o governo federal pode abaixar os juros pagos aos detentores de títulos da dívida. Contudo, vale a pena lembrar que os detentores de tais títulos podem muito bem deixar de investir em títulos do governo e começar a investir seu dinheiro em outro lugar, inclusive fora do Brasil. Outro detalhe: o governo brasileiro não é obrigado a aceitar dinheiro de ninguém. Caso o governo acredite que está pagando um juros muito alto, basta parar de gastar tanto (o contrário do que parece sugerir o professor). Numa economia livre, o capital sempre buscará o maior retorno. Caso o governo limite os ganhos com títulos da dívida pública, é razoável assumir que parte dos investidores desse mercado irão para outros mercados. Em palavras, o volume de recursos destinado a financiar o governo irá ser reduzido. Assim, a redução da taxa de juros parece necessitar de um ajuste fiscal prévio. Ou seja, o melhor caminho para se reduzir a taxa de juros é REDUZIR ( e não aumentar) os gastos do governo.

Meu terceiro ponto resume-se a uma questão simples: na maioria dos casos, a riqueza de uma pessoa não é exógena. Isto é, ela não fica rica do nada. Na maior parte dos casos, uma pessoa torna-se rica pois: a) seus pais trabalharam duro e deram boas condições para ela. Além disso, tal pessoa também trabalhou duro e manteve a riqueza; ou b) ela nasceu sem muitos recursos, mas trabalhou duro e venceu. Assim, questionar o estoque de riqueza que um pai deixa para um filho parece algo exótico.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Inscrições Encontro Liberal

As inscrições para o Encontro de Pensadores Liberais já estão abertas. Caso você queira se inscrever por e-mail, basta enviar um e-mail para sachsida@hotmail.com contendo as seguintes informações:
1) Nome
2) Se irá precisar de transporte para o local do evento
Mais uma vez, o Encontro ocorrerá na Universidade Católica de Brasilia da ASA NORTE (916 norte ao lado do Colégio Alvorada) nos dias 01 e 02 de dezembro. As inscrições são gratuitas e também poderão ser feitas no local do Encontro.

E-Book 2

Desde a publicacao de nosso e-book, alguns dos autores identificaram alguns erros ortográficos e solicitaram alterações.

Vamos fazer o seguinte: TODOS os autores que quiserem alterar seus textos, por favor me enviem as novas versões até o dia 17/11. Meu e-mail: sachsida@hotmail.com

Se algum leitor estiver interessado em se juntar a esse e-book basta me enviar seu artigo até o dia 17/11, e ele será incluído na versão final do livro.

No dia 19/11 estarei postando nesse blog a versão final de nosso E-book: Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares.

Sob o Domínio do Mal

Nessa semana, enquanto o MST continuava invadindo e destruindo propriedades privadas, o presidente da república recebia líderes do MST em Brasília. O MST é um movimento que até o momento já cometeu, no mínimo, os seguintes crimes: assassinato, sequestro, destruição de propriedade e roubo. Um presidente da república que ao invés de repudiar e combater tal movimento prefere usar o boné do mesmo é caso para impeachment.

Tão estranhas quanto a relação com o MST são as relações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Segundo o partido do presindente da república, as FARC são um movimento revolucionário. O PT não condena a atividade das FARC, pelo contrário possui uma aliança estratégica firmada com elas (e que são de conhecimento público). Vamos aos fatos: 1) a FARC acha lícito SEQUESTRAR e ASSASSINAR pessoas; 2) a FARC financia suas atividades de GUERRILHA com a produção de drogas; 3) a FARC propõe a DERRUBADA de um governo democrático e a implantação de seu regime de governo pela força; e 4) apesar da Colômbia ser um país democrático, a FARC prefere não disputar eleições, quer implementar seu projeto de governo por meio de GOLPE de Estado. Em resumo, o partido do presidente da república apóia um movimento que já cometeu, no mínimo, os seguintes crimes: assassinato, sequestro, tráfico de drogas, e tentativa de golpe de Estado.

As atividades nocivas da FARC não se restringem à Colômbia. Também é de conhecimento público que as FARC são responsáveis pela venda de drogas no Brasil. Ou seja, esse movimento ilegal é responsável pelo fornecimento de drogas à traficantes brasileiros. Também é de conhecimento público que as FARC cruzam a fronteira brasileira sem autorização.... maneira educada de dizer que a FARC INVADE o território nacional e, portanto, afronta diretamente a soberania de nosso país. No mundo civilizado a FARC é conhecida como um movimento TERRORISTA, pelo simples fato de adotar práticas terroristas. O partido do presidente da república prefere chamar a FARC de movimento revolucionário e manter boas relações com um movimento que acha lícito sequestrar e assassinar pessoas (estou falando da FARC, não do MST).

O MÍNIMO que se exige de um presidente da república é que ele CONDENE movimentos que atentem contra a vida de seus cidadãos. A ligação estreita, e de apoio, do partido do presidente da república com movimentos que não respeitam a vida humana é um forte indício de que hoje vivemos sob o domínio do mal.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

E-Book de Ditados Populares

Ficou EXCELENTE nosso E-Book:

Em Terra de Cego quem tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares.

O download do livro é gratuito e VALE A PENA ler os artigos. Ao todo foram 18 excelentes contribuições que entre outras ferramentas usaram teoria dos jogos, escolha pública, vantagens comparativas, consistência temporal de políticas, economia política e outros dispositivos providenciados pela teoria econômica para explicar, ou refutar, ditados populares.

Devido a minha ignorância, não estou conseguindo anexar o arquivo com o livro nesse blog (esse é o motivo de não tê-lo postado ontem). Então para todos que quiserem uma copia do livro existem 2 opções:

1) envie um e-mail para sachsida@hotmail.com e solicite uma copia gratuita do livro

2) vou contar com a ajuda do Shikida. Entre no blog dele e dê o download do livro por la. O blog dele pode ser acessado em: http://gustibusgustibus.wordpress.com/

O livro está entre os melhores que já li, e até onde eu saiba foi o primeiro a tratar desse assunto.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Faz a Fama e Deita na Cama

“Faz a fama e deita na cama”. Acho este um dos ditados populares que melhor refletem o Brasil. Mas qual é o real sentido desse ditado. Simples, esse ditado diz de maneira muito clara que: “é importante trabalhar duro no começo da carreira, e você deve continuar assim até que as pessoas reparem que você trabalha duro e é eficiente. A partir desse momento – ou seja, tão logo você receba o carimbo de trabalhador e eficiente –, você pode relaxar. Não precisa mais se preocupar em trabalhar duro e nem em cumprir metas. Afinal, as pessoas já o identificam como alguém de sucesso e você não perderá mais esse status”. Note que a validade deste ditado esta intimamente ligada ao grau de competição à que a economia do país está exposta. Países pouco abertos e com pouca competição são o terreno onde este ditado popular pode prosperar.

Em economias abertas e sujeitas a muita competição o mercado esta a todo momento demandando novos talentos, novas habilidades. Empresários que fizeram fortuna no passado têm que continuar inovando sob o risco de tudo perderem. Marcas famosas estão constantemente sob a ameaça de novos concorrentes, e são obrigadas a mostrarem sua superioridade quase todo o tempo. O que é a marca de uma empresa? A marca da empresa reflete muito o grau de sucesso e confiança que uma empresa desfruta hoje graças a sucessos obtidos no passado. Inegável que a marca de uma empresa possui muito valor. Contudo, em economias competitivas, as empresas devem a todo momento comprovar que a qualidade e confiança obtidas no passado ainda estão presentes em seu produto.

Vamos a alguns exemplos para ilustrar o parágrafo acima. Nos Estados Unidos, no começo dos anos 80, a IBM era uma empresa gigante. Era símbolo mesmo da indústria de computadores. Contudo sua distração, ao não se atentar para o mercado de microcomputadores, levou a perdas incríveis de mercado. Outras empresas, tais como a Apple, viram essa falha e se aproveitaram dela para ganhar partes expressivas do mercado de computadores. Um exemplo mais recente é a gigante Blockbuster. Com lojas grandes e muita variedade de filmes, a Blockbuster por muito tempo liderou o mercado de aluguéis de filmes. A empresa usou e abusou de sua posição de líder no mercado, resultado: hoje passa por um momento terrível. A Netflix e uma série de outras empresas menores têm tirado o sono dos executivos da Blockbuster, que perdeu enorme fatia de mercado nos últimos anos. Talvez o exemplo mais importante dos efeitos benéficos da competição seja a Microsoft. Notem que a Microsoft é líder absoluta no mercardo de sistemas operacionais. Contudo, ela esta constantement inovando pois sabe que tão logo pare de satisfazer a demanda dos usuários será ultrapassada por alguma de suas concorrentes.
Tal como acontece com empresas, o ditado “Faz a fama e deita na cama” só é válido em locais onde a competição entre indivíduos é baixa. Por exemplo, na Fórmula 1 Michael Schumaher foi sem dúvida o maior piloto de todos os tempos. Contudo, tão logo seus reflexos se tornaram mais lentos ele foi derrotado seguidamente por competidores mais habilidosos. Sua fama de nada lhe valeu em termos de novos títulos mundiais. O mesmo vale para executivos de grandes empresas. Por melhor e mais famosos que sejam, tão logo deixem de cumprir as metas da empresa são inevitavelmente mandados embora.

Um ponto negativo para o Brasil é que aqui o ditado “Faz a fama e deita na cama” é extremamente popular. Isso é um indicativo claro de que a economia brasileira esta sujeita a um grau muito baixo de competição. De outra maneira, não haveria como esse ditado ser tão popular assim. Note que no Brasil tão logo uma pessoa receba a alcunha de genial, ela nunca mais perde esse posto. Mais do que isso, essa alcunha se retroalimenta dela mesma. O cara passa a ser genial pois é genial. A empresa passa a ser eficiente pois ela foi eficiente, logo deve continuar sendo eficiente. Numa economia sujeita a competição não haveria como essa lenda prosperar, mas numa economia fechada como a brasileira o número de lendas e mitos só tende a crescer.

No Brasil somos cheios de lendas do tipo: a Petrobras é eficiente, é líder em prospecção de petróleo em águas profundas. Será que ninguém nunca irá se perguntar qual é o custo disso; ou ainda, se a Petrobras é tão eficiente então porque precisa de proteção do Estado? O que disse sobre a Petrobras também se aplica a outras empresas e a pessoas. Aqui a pessoa, ou a empresa, faz uma fama (muitas vezes não merecida) no passado, e essa fama se perpetua para sempre. Tal movimento permite rendas extraordinárias a essas empresas e indivíduos, sem a necessária contrapartida em produtividade. Isso só é possível graças a ausência de competição na esmagadora maioria dos setores de noss sociedade. Tão logo o Brasil se abra para a competição internacional, e facilite o surgimento de novas empresas no nosso país, o ditado “Faz a fama e deita na cama” irá desaparecer, e com ele muitas de nossas lendas urbanas encontrarão seu derradeiro refúgio.

A Pobreza Gerada pelo Capitalismo

Caso você pudesse escolher entre ser a pessoa mais rica do mundo em 1927 ou ser uma pessoa de classe média baixa hoje, qual seria sua escolha? (pergunta similar a essa aparece no livro de Introdução a Economia do Mankiw).

Como a pessoa mais rica do mundo em 1927 você teria acesso a todos os prazeres que o dinheiro poderia comprar em 1927. Isto é, você teria o melhor carro disponível em 1927, a melhor televisão, o melhor atendimento médico, enfim tudo que estivesse disponível em 1927 estaria a sua disposição. Por outro lado, como uma pessoa de classe média baixa em 2007 você NÃO teria acesso a todos os bens e serviços disponíveis em 2007. Você nào teria o melhor carro, não teria a melhor televisão e nem o melhor atendimento médico. Contudo, existe uma boa chance de que carros ruins em 2007 sejam bem melhores que os melhores carros de 1927. O mesmo vale para televisão, atendimento médico, etc. Enfim, qual seria sua escolha? Ser o maior milionário do mundo em 1927 ou ser uma pessoa de classe média baixa em 2007?

Muitas pessoas escolherão serem os mais ricos do mundo em 1927, mas creio que a maioria irá preferir ser classe média baixa em 2007 do que ser bilionária em 1927. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que para a grande maioria das pessoas o nível de bem estar desfrutado pela classe média baixa hoje é MAIS ALTO do que o padrão de vida dos bilionários de 1927. Em palavras, 80 anos de capitalismo foi mais do que o suficiente para dotar pessoas de baixa renda com um padrão de consumo (e bem estar) superior ao de bilionários do passado. Em resumo, essa foi a grande pobreza gerada pelo capitalismo: transformou, em menos de 100 anos, pobres em bilionários. Por esse motivo, todo crítico do capitalismo critica a sociedade de consumo. Mas, o que é a sociedade de consumo? Sociedade de consumo é justamente essa que aí esta: um lugar onde um pobre tem acesso a um nível de bem estar jamais sonhado por um bilionário 80 anos atrás.

Claro que alguns irão argumentar que quem causou o aumento do bem estar foi o incremento da tecnologia, e não o capitalismo. ERRADO. A tecnologia só avançou tanto porque o sistema capitalista recompensa os inovadores, recompensa os indivíduos capazes de aumentar o bem estar da sociedade. Mude o sistema, deixe de recompensar o esforço individual, e você verá uma queda expressiva no desenvovimento de novas tecnologias. As novas tecnologias que temos, a velocidade do progresso tecnológico atual, são consequências diretas de um sistema que recompensa o indivíduo por seu talento e por sua capacidade de atender as demandas de mercado: o sistema capitalista.

Enganam-se aqueles que acreditam que mudando o sistema, que deixando de recompensar o indivíduo, ainda teremos os mesmos bons resultados tecnológicos. A tecnologia não aparece do nada, ele precisa de um ambiente para se desenvolver. Até o momento, o sistema capitalista foi sem sombra de dúvidas o sistema que mais condições propiciou para o desenvolvimento tecnológico e consequente incremento do bem estar da população. A pobreza gerada pelo capitalismo não passa de conversa fiada. O mundo NUNCA antes foi tão rico, goste você disso ou não.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A Noção de Democracia dos Sindicatos

Este post não faz distinção entre sindicato patronal e sindicato de trabalhadores. Ambos possuem uma noção um tanto esquisita de democracia: acreditam que TODOS devem pagar por seus serviços. Não importa se você irá usá-los ou mesmo se você quer o serviço por eles prestados, os sindicatos acham democrático que você deva pagar a eles uma contribuição. Por que? Por que dar parte de nosso trabalho a um sindicato? Resposta: existem situações onde alguns podem estar em situação melhor caso sejam filiados a sindicatos. Sim, isso é verdade. CONTUDO, se é verdade que estarei em situação melhor caso seja filiado a um sindicato, então por que me obrigar a isso? Resposta: não há razão para isso. Caso eu esteja melhor me filiando a um sindicato, então será de meu interesse fazê-lo. Não é necessário que me obriguem a isso. Em resumo: a filiação a um sindicato deve ser OPTATIVA, não obrigatória. Isto é, quem quiser se filiar a um sindicato que faça isso. Mas deve ser garantido aos demais o direito de não se vincular a grupos com os quais você não tem interesse em se associar.

Sempre é perigoso elogiar um deputado, mas ai vai um elogio à coragem de Augusto Carvalho (PPS-DF). Digo coragem, pois ele é nitidamente ligado a movimentos de esquerda. No Brasil é assim, ao invés dos partidos que fingem ser direita pedirem a extinção da contribuição sindical, quem pediu a extinção desse estúpido IMPOSTO foi alguém de esquerda. Parabéns Augusto Carvalho. Para os que não sabem, a contribuição sindical OBRIGA TODOS os trabalhadores a pagarem o valor de um dia de seu trabalho. Esse dinheiro financia boa parte da atividade sindical no país. Aos curiosos: da próxima vez que você ver um líder sindical andando de carro importado ou alugando avião particular, saiba que ali está mais um bom uso de sua contribuição sindical.

Existem pessoas que defendem sindicatos, eu não sou uma delas. Mas mesmo os defensores dos sindicatos sabem que a cobrança OBRIGATÓRIA dessa contribuição está longe de ser democrática. Mas como bons democratas que são falam uma coisa e fazem outra. Veja o exemplo da centrais sindicais (todas elas): reconhecem que a cobrança dessa contribuição é errada, mas ao mesmo tempo pressionam os deputados a não extinguí-la. Se você sabe que algo é errado mas continua fazendo a coisa errada, qual é o nome que você recebe? Pois esse é o nome que deve ser dado às centrais sindicais. Fazem algo que sabem estar errado, reconhecem que é errado, mas continuam fazendo.

Se você tiver um tempo, escreva para algum deputado ou senador: diga claramente que você é contra mais esse IMPOSTO que é a contribuição sindical. Se os sindicatos querem clientes, que façam como qualquer empresa: mostrem que o benefício de associação é maior do que o custo. O que não vale é usar o Estado para garantir essa regalia.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O sonho do brasileiro

90% dos brasileiros têm um único sonho: casa própria. O governo é o maior proprietário de terras do país. A maior dificuldade para se ter casa própria é a compra de um terreno, pois a construção de uma pequena residência é relativamente barata. Notem bem: 1) brasileiro quer casa própria; 2) a maior dificuldade para ter a casa própria é a compra de um terreno; e 3) o governo é o maior proprietário de terras. Qualquer pessoa minimamente interessada no bem estar da população deve se perguntar: POR QUE O GOVERNO SIMPLESMENTE NÃO DÁ O TERRENO?

Por que essa proposta NUNCA apareceu num debate entre candidatos à presidência da república é coisa assustadora. Qual é o grande problema do governo dar terreno para a construção de moradias? Respondo: NENHUM. Notem que a nível municipal ou estadual, essa proposta não é tão fácil de ser implementada. Afinal, se um estado ou município seguir essa política isoladamente teríamos uma migração em massa para tal localidade; e problemas de infra-estrutura urbana iriam inevitavelmente cobrar seu preço. Contudo, se tal proposta for defendida a nível federal o problema da migração passa ser extremamente reduzido. Se grande parte dos estados e municípios concordarem em doar seus terrenos iremos verificar um gigantesco salto de bem estar da população brasileira. Afinal, para que o Estado precisa de tanta terra?

Note que minha proposta engloba apenas terras públicas. Propriedades privadas estão fora desse programa pelo motivo simples de serem privadas, isto é, já terem dono. Doando suas propriedades o Estado teria a chance não só de realizar a reforma agrária, mas também uma grande reforma urbana. Vale lembrar que toda grande nação capitalista, Estados Unidos incluído, já realizaram uma ampla reforma agrária DOANDO terras à população.

Quem receberia as terras doados pelo Estado? Eu sugiro sorteio puro e simples. A rigor, pouco importa o mecanismo de distribuição de terras desde que os direitos de propriedade passem a ser bem definidos (para os mais técnicos essa é uma aplicação pura e simples do Teorema de Coase). Note que não peço nenhuma obrigação para a pessoa que receber o terreno do Estado. Basta que o Estado distribua direitos de propriedade e o mercado se encarrega de fazer o resto.

Dar terreno público para as famílias morarem, dar terras públicas para a reforma agrária, dar lotes públicos para a iniciativa privada explorar, essa é a melhor política de distribuição de renda que o Estado brasileiro pode fazer. Os ganhos de bem estar da população serão enormes. Novamente, basta o Estado doar o terreno SEM FAZER EXIGÊNCIAS para os recebedores, sejam empresas ou indivíduos, uma vez definidos os direitos de propriedade o mercado alocará os terrenos da maneira mais eficiente possível. Por que nenhum candidato à presidência da república propõe isso? Por que é tão difícil ao Estado abrir mão de suas terras (que geralmente estão sem uso)?

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