quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Mensagem de Fim de Ano

Caros Amigos,

Apesar de ser um blog relativamente novo (comecei o blog em julho desse ano), já atingimos a média de 150 acessos diários (com picos de 182). O blog foi lido em 32 países e teve acessos de 129 cidades brasileiras. Valeu a luta, valeram os comentários. Aos poucos as idéias liberais estão voltando ao debate, e os blogs têm sido a arma principal dos liberais nessa batalha. Não temos acesso a grande mídia, mas blogs como o Selva Brasilis, o Degustibus, o Resistência, o Orlando Tambosi, entre outros, têm lutado bravamente para manter viva a chama da liberdade em nossa sociedade.

Nesse ano, conseguimos realizar o Encontro de Liberais em Brasília. Para o próximo ano, novos projetos estão agendados. Creio que será possível realizarmos um novo Encontro de Liberais já em março, talvez possamos realizar esse Encontro em Goiania. Também estou pensando num novo formato para esse blog em 2008. Espero contar com contribuições externas e com entrevistas. Também para fevereiro/março do ano que vem esta previsto o lançamento de meu livro (em conjunto com João Batista B. Machado) : "Fatores Determinantes da Riqueza de uma Nação". Enfim, o próximo ano promete ser repleto de trabalho e de realizações.

Eu voltarei a postar matérias no Blog a partir do dia 07 de janeiro de 2008. Me despeço agora fazendo minhas as palavras do parágrafo final do livro "O Fio da Navalha": não sei se esse foi um bom livro, mas aqui todos encontraram o que procuraram. Os que procuraram a felicidade a encontraram, os que procuraram pela morte também a encontraram. Acho que isso já torna o livro especial.

Que o ano de 2008 torne seus sonhos realidade: que os que sonham com o liberalismo encontrem espaço para suas idéias, e tenham a chance de viver em paz. Aos que sonham com o marxismo/comunismo também faço votos de que encontrem o que tanto procuram.

Que 2008 seja repleto de paz, saúde, felicidade, amor e realizações para todos.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Mensagem Natalina

Em 2000, durante o Encontro de Economistas que ocorreu em Belém-PA, eu estava sentado no saguão do hotel quando vi um velhinho. O velhinho estava lá calado e sozinho. Me aproximei dele e disse: “Parabéns professor, acabei de ler um artigo que mostra que, nos últimos 15 anos, o Sr. é um dos oito brasileiros que conseguiu publicar um artigo na Blue Ribbon (lista com os periódicos mais importantes da área de economia)”. O velhinho era o Professor Moldau da USP. Ele sorriu, parecia não acreditar no que estava ouvindo. Os olhos dele brilhavam de alegria, e ele me perguntou como eu sabia daquilo. Mostrei a ele então o artigo sobre a produtividade internacional dos economistas brasileiros, escrito pelo professor João Faria. O Professor Moldau estava muito alegre com aquela noticia, parecia que finalmente anos de trabalho estavam sendo reconhecidos de uma maneira adequada. Ele me pediu uma cópia do artigo. Alguns meses depois esse artigo foi publicado pela Revista Economia Aplicada. Coincidência ou não, após esse artigo do professor Faria outros artigos começaram a aparecer medindo a produtividade dos economistas brasileiros. Logo, a própria CAPES começou a aumentar a importância de se publicar artigos em revistas especializadas. Não digo que foi apenas o artigo do professor Faria que gerou tudo isso, mas me parece inquestionável que esse artigo teve importância fundamental nesse processo.

Gosto de acreditar que tal como um artigo isolado começou um movimento positivo, pessoas também são capazes de começar movimentos positivos. Essa é a mensagem natalina que gostaria de passar: é possível melhorar nosso mundo. Basta trabalharmos sério e com competência. O resto virá com o tempo. Após o artigo do Professor Faria, outros professores passaram a escrever sobre rankings de produtividade acadêmica. Tais rankings ajudaram a estabelecer o mérito acadêmico (publicações) como um critério importante na avaliação de pesquisadores e centros de economia. Nesse ano, um novo trabalho do Professor Faria (com os Professores Claudio Shikida e Ari Araújo Jr.) mostra que, desde a publicação do artigo original, a qualidade da pesquisa econômica no Brasil melhorou. Ou seja, basta identificarmos os problemas corretamente e apontarmos as soluções adequadas que também somos capazes de evoluir.

Há 200 anos atrás os Estados Unidos também eram uma selva. Hoje eles são uma civilização. Nós também somos capazes. O problema do Brasil já foi identificado por nós liberais: temos um Estado muito grande que sufoca a liberdade econômica. A ausência de liberdade diminui, ou suprime, os incentivos adequados ao desenvolvimento de nossa nação. Basta agora implementarmos nossa solução: DIMINUIR O TAMANHO DO ESTADO BRASILEIRO. Claro que isso não é fácil, mas quem disse que civilizar a selva é um desafio pequeno?

Feliz Natal a todos.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Pede pra sair 01.... voce e uma fanfarrona 02

De acordo com a Infraero, ate as 23 horas de sexta-feira, 31% dos voos estavam atrasados e 8% foram cancelados. Ou seja, praticamente 40% dos voos apresentaram problemas. De maneira mais simples, de cada 10 voos 4 tiveram problemas. Isso nao impediu o Ministro Jobim de afirmar "Podem viajar tranquilos e tomando um chimarrao se quiserem". O ministro quase acertou, ao inves de chimarrao as pessoas tomaram foi um tremendo cha de cadeira.

Ja Solange Vieira, presidente da ANAC, foi mais enigmatica: "o caos aereo acabou". Se o caos aereo acabou, o que esta comecando???? Enigmatica e misteriosa ela foi alem e disse: "e um indice alto, mas a malha aerea esta comecando hoje e as companhias estao tendo que se adaptar". Mas se a nova malha aerea atrapalha no comeco, entao por que nao foi implementada semana passada? ou entao em duas semanas? Por que a malha aerea comeca justamente num periodo de alto movimento?

O mais engracado e ver os responsaveis dizendo que em 2 semanas os problemas estarao resolvidos.... claro, estarao resolvidos porque em 2 semanas ja passaram o natal e o ano novo. E o que acontecera no carnaval?

Jobim e Solange nao sao estupidos, seria mais digno da parte deles reconhecer o caos e respeitar o sofrimento dos que estao nos aeroportos. Essa atitute de negar o obvio, alem de insensata, e desrespeitosa com o bom senso das pessoas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal, Fé e Capitalismo*

O que é fé? A maior parte das pessoas responderá que fé é a capacidade de acreditar em algo sem ter provas. Por exemplo, ter fé no Natal implica em acreditar que o Natal é uma época mágica, sem precisarmos de evidências em favor disso. MENTIRA. Nós seres humanos NÃO TEMOS a capacidade de acreditar em algo sem termos evidências. Fé é uma busca de racionalização de fenômenos que ainda não entendemos. Temos fé que o Natal é uma época mágica pois nessa época do ano nós nos tornamos seres melhores. Fazemos doações, ligamos para pessoas amadas, enfim, tentamos ser alguém melhor do que somos. É por isso que temos fé no Natal, pois ano após ano ele se repete, e ano após ano tentamos ser alguém melhor, especialmente nessa época.

Eu tenho doutorado e pós-doutorado em economia, já lecionei nos Estados Unidos, já trabalhei como consultor do Banco Mundial, já publiquei diversos artigos internacionalmente. Mas, toda vez que dou aulas de Introdução a Economia (o primeiro curso que um aluno de economia cursa), para alunos de 17 anos, eles NUNCA acreditam no que eu digo. Tenho que provar tudo para eles, caso contrário não aceitam minha explicação. Estão corretos. Com este exemplo, espero ter deixado claro que nossa espécie é incapaz de acreditar em algo sem termos evidências. Notem que minha titulação e experiência, aliada à falta de titulação e pequena experiência de alunos de primeiro ano, deveria implicar que eles acreditassem em mim. Isso nunca acontece. Não é de nossa raça aceitarmos fatos sem questioná-los.

Se temos fé na Bíblia não é por sermos imbecis. Se temos fé no Criador, não é por sermos estúpidos. Nossa fé num ser superior não existe por acaso. Ela existe porque pessoas que confiamos já presenciaram milagres, ou então porque no nosso dia-a-dia nós mesmos presenciamos fatos que reforçam nossa crença. Temos fé que o Natal é mágico porque somos capazes de olhar a nossa volta e notar como, nessa época do ano, o espírito das pessoas muda para melhor. Fé é luz, não escuridão.

Será que o capitalismo acabou com o espírito natalino? NÃO, em momento algum o capitalismo vai de encontro ao ritual cristão. A filosofia cristã se baseia em dois pilares: amor a Deus e livre arbítrio. O capitalismo é justamente o sistema que permite aos indivíduos fazerem suas próprias escolhas. O capitalismo torna a caridade não uma obrigação, mas sim um desejo íntimo, uma escolha. É da escolha do indivíduo amar a Deus, é da escolha do indivíduo aceitar o Natal como uma época mágica. O capitalismo, ao transferir a responsabilidade das decisões para o indivíduo, deixa a todos na posição que nos foi dada por Deus: é nossa escolha amar a Deus ou não, é nossa escolha fazermos o bem ou o mal, é nossa escolha tornarmos o Natal uma época mágica ou não. Talvez seja por isso que tantos odeiem o capitalismo: aqui não há como transferir a culpa de suas ações para outros. De meu lado, é por isso que eu admiro esse sistema: é aqui que o direito sagrado ao livre-arbítrio alcança sua plenitude.

*: o Olavo de Carvalho tem um excelente texto sobre Fé e Natal, extrai algumas idéias de lá.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O último a sair apague a luz!!!!

Só falta um outdoor com esses dizeres na ilha da fantasia comunista.... popularmente conhecida como Cuba.

No ritmo que as fugas estão já já Fidel vai ter que começar a importar comunista.... algum comunista disponível? Algum socialista interessado?

Engraçado como os admiradores de Cuba fazem questão de manter uma distância segura da ilha.... por que será?

Fidel Castro é um dos maiores ASSASSINOS de todos os tempos ainda vivo. Pena que irá morrer antes de ir preso e pagar por seus crimes, escapou da justiça dos homens... mas cedo ou tarde todos pagam por seus crimes. Com Fidel não será diferente.

Por que somos obrigados a ler obras de escritores brasileiros?

O que você acha de Universidades Estaduais cobrarem em seus respectivos vestibulares conhecimentos regionais? Isto é, imagine um aluno paulista indo prestar vestibular em Santa Catarina, deveria ele ser obrigado a conhecer a história de Santa Catarina? Acredito que a maioria das pessoas irá responder que não. Afinal, um aluno paulista não aprende sobre a história de Santa Catarina no segundo grau. Contudo, um aluno catarinense aprende sobre a história de seu estado. Assim, incluir no vestibular questões referentes a história de uma região beneficia alunos locais em detrimento dos que provém de outros estados.

Se é errado incluir questões regionais no vestibular, então por que somos obrigados a ler obras de escritores brasileiros? Alguns responderão que temos que ler escritores nacionais para conhecer e valorizar a cultura de nossa região. Mas se valorizar a cultura de uma região é lícito, então qual é o problema em se perguntar questões regionais no vestibular? Incluir questões sobre escritores nacionais no vestibular é tão bairrista quanto incluir questões sobre a história de uma região. Afinal, não seria melhor que aos alunos fossem indicados os MELHORES livros e autores independente da nacionalidade? Por que nossos alunos devem ter seus conhecimentos restritos a autores nacionais? Qual é o mal em ser educado no que de melhor a humanidade produziu em termos de literatura?

Se o Brasil fosse capaz de entender que a cultura pertence à humanidade, e não à um país em particular, teríamos muito a ganhar. Quando Shakespeare, ou Tolstoi, ou Balzac, produziram suas obras elas passaram a fazer parte do acervo da humanidade, independentemente da nacionalidade do autor. Negar o acesso de estudantes a tais obras, apenas porque seus autores não refletem a cultura nacional, é um erro grave de concepção da palavra “cultura”. Quando um país nega a seus estudantes o acesso ao que o mundo produziu de melhor, inevitavelmente o acesso ao que o mundo não produziu de melhor passa a ser a única opção. Em palavras, a formação do aluno passa a ser deficiente.

A implicação do parágrafo acima é mais poderosa do que muitos podem imaginar. Por exemplo, uma nova lei esta sendo discutida no Congresso Nacional para OBRIGAR a televisão à cabo a aumentar a inserção de programas nacionais em sua grade horária. Qual é o argumento para essa lei? Resposta: proteger e valorizar a cultura nacional. Da mesma maneira que deveríamos ser favoráveis ao estudo dos melhores escritores do mundo (independente da nacionalidade), também deveríamos ser contrários à qualquer lei que tente nos obrigar a pagar por um canal que não queremos, apenas por ele valorizar a cultura nacional.

Se a cultura nacional é tão importante assim, certamente os indivíduos irão comprar tanto livros de escritores nacionais como pacotes de TV à cabo com programação nacional. Não é necessário que o Estado interfira nesse processo. Aliás, a intervenção estatal nesses mercados, obrigando o brasileiro a consumir algo que não quer, mostra claramente a insignificância da cultura nacional para a maioria dos brasileiros. Nesse ponto o brasileiro está correto: entendeu perfeitamente que a nossa cultura não se restringe ao nosso país. Ao contrário, a cultura engloba o que de melhor a humanidade já produziu. Aceitar que o Estado nos limite o direito a usufruir de tal cultura é um golpe severo na liberdade individual.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

CPMF

Já há algum tempo os economistas reconhecem que os gastos dependem da renda permanente. A CPMF, por definição, era uma uma contribuição provisória. Fosse o governo minimamente prudente, teria aproveitado os 10 anos que duraram essa contribuição “provisória” para realizar os ajustes necessários nos gastos públicos. Contudo, ao invés de cortar gastos o que se viu nesse período foi o aumento dos gastos públicos.

O governo esta estudando novas medidas para suprir a ausência da CPMF, mas eu AFIRMO: não são necessárias medidas algumas para recompor o orçamento, pois em 2008 a redução na arrecadação, em virtude da não renovação da CPMF, será muito menor do que a estimada pelo governo. São três os motivos que me levam a fazer tal afirmação:

1) Os R$ 40 bilhões que não serão arrecadados pela CPMF não irão desaparecer da economia. Muito desse dinheiro será gasto em consumo e irá pagar impostos, com uma carga tributária acima de 35% do PIB, podemos arriscar que perto de R$ 12 bilhões serão arrecadados pelo governo em outros impostos.
2) Com a eliminação da CPMF é provável que os empresários vendam mais, vendendo mais obterão maior lucro. Com isso, teremos um estímulo a realização de novos investimentos que aumentarão o nível de emprego na economia. Esse movimento também aumenta a arrecadação do governo.
3) Já existe uma tendência de crescimento da arrecadação, e não parece haver indícios de que essa tendência irá se reverter no próximo ano.

Estimo que juntos os itens 1, 2 e 3 implicarão num valor próximo a R$ 30 bilhões de receitas para o governo. Ou seja, a real queda na arrecadação para o próximo ano não deve ultrapassar os R$ 10 bilhões. Note que isso ocorrerá MESMO que o governo não tome providência alguma. Além disso, temos que levar em consideração que a arrecadação do governo em 2007 foi mais de R$ 40 bilhões superior a de 2006 (em termos reais). Isto é, durante o ano de 2007 o governo aumentou sua arrecadação num valor equivalente a uma NOVA CPMF. Assim, NÃO HÁ razão para o governo reclamar que esta arrecadando poucos recursos. Também não há motivo para dizer que os males do país se devem a ausência da CPMF. O governo arrecada muito, o problema é que gasta mal. Aliás, já está na hora do governo começar a reduzir seriamente seus gastos. Minha primeira sugestão é parar de enviar dinheiro para o MST e para as ONG’s.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Trabalho e Riqueza

De acordo com o Bol Notícias (e outros veículos de comunicação) o Presidente do IPEA, Professor Marcio Pochmann, fez a seguinte afirmação: "Essa produtividade justifica a razão pela qual não há, do ponto de vista técnico, [motivo para] alguém trabalhar mais do que quatro horas por dia durante três dias por semana." Em suma, Pochmann sugere que não existem impedimentos para que o trabalhador trabalhe apenas 3 dias por semana e 4 horas por dia.

O que levou o presidente do IPEA a fazer tal afirmação? Acredito que ele tenha em mente um modelo marxista de mais valia. Ou seja, dada a participação do trabalhador na renda nacional, 3 dias por semana e 4 horas de trabalho por dia seriam suficientes para remunerar o trabalhador. Qualquer jornada de trabalho superior a essa seria apenas para garantir a remuneração do capital. Esse tipo de argumentação tem uma falha importante: assume, corretamente, que a produção atual está dada; mas ERRA ao assumir que a produção futura também está dada. Explico: quando ocorrer a redução da jornada de trabalho, a produção atual não será afetada. Logo, nada irá ocorrer no primeiro momento. CONTUDO, a produção futura depende do trabalho futuro. Caso o trabalho futuro seja suficiente apenas para remunerar o trabalhador, então os detentores de capital não terão incentivo para continuarem no processo produtivo. O resultado é a queda da produção e uma piora nas condições de vida tanto do trabalhador como do empresário. O argumento marxista falha em compreender que se o capital não for remunerado, então não poderemos contar com ele na produção. Afinal, da mesma maneira que o trabalhador não aceita trabalhar de graça, o empresário também não aceita não ser remunerado pelo empréstimo de seu capital.

Que tal analisarmos a afirmação do presidente do IPEA do ponto de vista clássico? Será que ela pode fazer sentido? SIM, tal proposta pode fazer sentido. Acontece que no mundo clássico os agentes respondem a incentivos (e não há um papel importante para a mais-valia marxista). Do ponto de vista clássico, pelo menos em termos teóricos, uma redução na jornada de trabalho pode gerar um aumento tão grande na produtividade que tal redução valha a pena. Por exemplo, vamos assumir que um corredor seja obrigado a correr 8 horas por dia. Nesse tempo ele é capaz de correr 40 km. Quantos quilômetros o mesmo corredor correria se sua jornada fosse reduzida a 6 horas diárias? Talvez o corredor corresse menos do que 40 km; talvez ele continuasse correndo os mesmos 40 km; ou ainda ele fosse capaz de correr mais de 40 km (pois agora ele pode gastar mais energia em menos tempo). Assim, tudo irá depender de como a produtividade do trabalhador irá reagir a uma redução na jornada de trabalho. Um exemplo prático é o mundo do Boxe. No passado as lutas de boxe eram divididas em 15 rounds. Os empresários do setor notaram que isso tornava as lutas monótonas no começo (afinal os lutadores tinham que se poupar para os últimos rounds). Hoje as lutas de boxe possuem 10 rounds (redução de 33%) justamente para tornar as lutas mais dinâmicas.

A maior parte da evidência empírica parece sugerir que a resposta da produtividade, a uma redução na jornada de trabalho, não é tão grande quanto a necessária para tornar a redução de horas uma alternativa viável. Assim, pelo menos por enquanto, o mais provável é que uma redução na jornada de trabalho leve a uma redução na produção e a uma piora no bem estar de toda a sociedade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A Vitória de Chavez

Estranha é a comemoração de algumas pessoas, celebram a derrota de Chavez no plebiscito. Chavez não foi derrotado. Derrota é algo muito diferente do que aconteceu. Chavez obteve uma vitória importante: mostrou que pode tudo, e que todos os demais devem aceitar sua vontade. Num país minimamente civilizado, Chavez teria sido retirado da presidência do país. Na Venezuela, nada aconteceu.

A aceitação do plebiscito, proposto por Chavez, como um instrumento legítimo da democracia foi a grande vitória chavista. Isso NUNCA poderia ter ocorrido. No próximo ano Chavez irá propor outro plebiscito. Afinal, se o plebiscito já foi aceito como instrumento democrático, então qual o problema de propor outro?

O mundo assistiu inerte ao que ocorreu na Venezuela, faltaram posturas contrárias de respeito. O governo Brasileiro só faltou aplaudir o plebiscito, e o mesmo ocorreu com diversas outras repúblicas latinas. Faltou alguém ir contra o princípio e não contra o resultado. O princípio em que Chavez se apoiou nunca foi seriamente questionado, logo ele terá como usar do mesmo expediente no futuro. O resultado do plebiscito é o que menos importa, o que realmente importa é a possibilidade do governo desrespeitar leis desde que tenha o apoio da maioria. Isso por si só já demonstra que a Venezuela vive num regime ditatorial. O fato de Chavez ter sido capaz de convocar um plebiscito, sobre temas que afrontam diretamente o Estado de Direito, foi a grande vitória de Chavez.

O fato de Chavez ter perdido o plebiscito foi uma derrota menor quando comparada a importância da vitória obtida antes. A grande vitória Chavista foi legitimizar o uso do plebiscito como instrumento geral, e não de exceção, da democracia. Plebiscitos não devem ser convocados a todos os momentos. Leis não podem ser desrespeitadas apenas porque a maioria não quer cumprí-las. Por exemplo, que tal um plebiscito para dividirmos o patrimônio das 1000 pessoas mais ricas do Brasil? Ora, toda a população iria se beneficiar dessa redistribuição. Por que ser contrário a um plebiscito assim? Simples: porque não cabe a maioria decidir sobre isso. Não cabe a maioria decidir sobre o destino das pessoas. Cabe às leis garantir a vida e o patrimônio dos indivíduos que vivem em sociedade. Determinados fatos da vida em sociedade estão além da vontade do povo. Aceitar um plebiscito para legislar sobre tais fatos é uma derrota gigantesca para qualquer sistema democrático.

ANPEC / SBE


Preciso falar algo mais?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Determinações do Encontro de Pensadores Liberais

1. A liberdade de pensamento é ilimitada e nunca deve ser restringida. Contudo, a liberdade de ação não desfruta do mesmo status. Você pode ter opinião a favor ou contra qualquer movimento ou lei; mas tomar parte em ações contrárias a liberdade individual de outro é crime;

2. Propriedade privada tem que ser respeitada. Ela é um pilar fundamental da sociedade e garante a estabilidade social. Movimentos que atentem contra a propriedade privada geram necessariamente distúrbios socias e aumentam a violência. Não existe função social da terra. Movimentos que invadam propriedades privadas são ilegais e seus participantes devem ser presos;

3. Adoção da máxima de Hayek: “Toda lei deve valer para todos”. Isto é, nenhuma lei pode ser aprovada em benefício, ou detrimento, de um grupo em particular. Por exemplo, uma vez aprovado um subsídio, ou imposto, ele deve valer para todos na sociedade. Uma lei nunca pode ser restrita a um grupo particular.

4. Diminuição do poder do Estado pela transferência de poderes da União para Estados e Municípios. O poder central não pode acumular mais poder do que os Estados e Municípios, esse princípio diminui o poder do Estado sobre o indivíduo.

Agradecimento

Obrigado aos 34 participantes do Encontro de Pensadores Liberais. Obrigado aos meus colegas de Goiania, Brasília e Rio de Janeiro que puderam vir ao Encontro.

Foi ótimo tê-los aqui para trocarmos idéias e experiências. Em breve estarei divulgando novas iniciativas para mantermos viva a chama do ideal liberal.

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 5

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 4

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 3

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 2

Fotos do Encontro de Pensadores Liberais - 1

domingo, 2 de dezembro de 2007

Piada do ano

Um reporter faz a seguinte pergunta ao presidente Lula:

- Presidente, uma pesquisa recente de opiniao publica diz que 63% dos entrevistados sao contra a reeleicao. O que o Sr. acha disso?

- Isso nao quer dizer nada, pois se tivessem perguntado para mim nao seriam 63 seriam 64.....

sabem qual e a graca da piada???? E que nao e piada.... nosso presidente proferiu essa perola da sabedoria.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Discurso de Abertura do Encontro de Pensadores Liberais: Mudar o Mundo

Mudar o mundo é fácil; difícil é mudá-lo na direção certa. Hitler, Stalin, e vários outros mudaram o mundo, mas não creio que o tornaram um local melhor. Todos eles eram movidos por nobres objetivos, e todos fracassaram. Eram movidos por ideais, acreditavam estarem fazendo o melhor para seu povo. Contudo, os conduziram para a fome, miséria e destruição. Ser movido por ideais nobres não basta para tornar o mundo um lugar melhor. Mais importante do que o fim visado é o meio utilizado. Não existe um fim digno de se almejar quando os meios para alcançá-lo são ilícitos. É neste ponto que fracassam todos os inimigos da sociedade aberta, se esquecem de que os fins NUNCA justificam os meios. O desrespeito pelos meios, objetivando um bem futuro, é uma característica comum aos maiores fascínoras da humanidade.

Um homem não deve matar seu vizinho para se apoderar de sua propriedade. De maneira semelhante, não é lícito a uma sociedade sacrificar parte de seus cidadãos em prol de outros. Mesmo que os sacrifícios sejam feitos por uma minoria, em vantagem de uma maioria, não é direito do Estado exigir mais de determinados grupos do que de outros. Tão logo o Estado desrespeite esse princípio básico encerra-se a democracia e começa-se a ditadura. Tão logo o governo passe a tomar medidas restritivas à minoria, para satisfazer um desejo das maiorias, encerra-se o respeito característico de um sistema democrático. Contudo, numa sociedade baseada no voto universal, como escapar da ditadura da maioria? Como evitar que, para perpetuarem-se no poder, governantes satisfaçam cada vez mais uma maioria à custa do desrespeito por uma minoria indefesa?

A pergunta acima já foi feita milhares de vezes por filósofos, cientistas políticos, economistas e intelectuais preocupados com o futuro da humanidade. Respostas foram dadas, nenhuma delas perfeita, e continuam ainda sendo propostas. Não almejo aqui resolver essa questão. Proponho apenas um subterfúgio, proponho uma pergunta mais simples: o que possibilitou que pessoas bem intencionadas tomassem decisões cruéis, injustas e ainda assim mantendo-se no poder? Como ideais tão nobres, como a felicidade geral, transformaram homens comuns em ditadores sanguinários? A resposta é simples: excesso de poder. O excesso de poder na mão de poucos homens é a maior causa de genocídios da história de nosso planeta.

A democracia não é um fim em si mesma. A democracia só é importante pois ela é um instrumento para garantir a liberdade individual. Mas a democracia só é efetiva para garantir a liberdade enquanto o poder do Estado for pequeno. Um regime democrático pode ser tão sanguinário quanto qualquer ditadura. Para tanto basta que o poder do Estado seja grande o suficiente. Um liberal compreende isso. Um liberal compreende que só estará a salvo da discricionaridade do Estado enquanto este permanecer pequeno. É por este motivo que um liberal é contra um Estado grande e influente. Nós liberais sabemos de todas as ineficiências econômicas geradas pela intervenção estatal. Mas nossa objeção contra um Estado grande não é econômica, é moral.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email