segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Eleições Americanas

Muito barulho na imprensa brasileira sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Soa engraçado notar a preferência descarada da mídia pelo partido Democrata. Vamos a algumas informações sobre as eleições americanas que você provavelmente não verá na grande imprensa.

1) Nos Estados Unidos existem 2 grandes partidos políticos: o Democrata e o Republicano. Ao contrário do que pensa a maioria, eles não são partidos opostos. Na realidade comungam de várias idéias em comum. Por exemplo, ambos apostam no capitalismo como o melhor sistema econômico. Ambos defendem a democracia como melhor sistema de governo, e ambos entendem que a alternância de poder é algo saudável. A maior diferença entre eles reside no fato do Partido Republicano ser mais conservador. É uma diferença considerável, mas nem perto da distância que a imprensa brasileira faz supor que exista. Supor que a política econômica, ou externa, americana irá sofrer grandes mudanças por causa da troca de governo é um erro infantil.
2) Nos Estados Unidos um candidato não precisa ser filiado a um partido político para concorrer numa eleição. Ou seja, ao contrário do que dizem os “analistas” existem muito mais do que 2 partidos nos EUA. A rigor existem 100 milhões de partidos, já que cada eleitor é um potencial candidato. Deveríamos copiar essa idéia.
3) Geralmente o eleitor médio americano não vota no candidato, a maioria vota no partido. Ou seja, pessoas com mais afinidades com o Partido Republicano geralmente votam nesse partido. É por essa razão que os partidos procuram escolher entre seus filiados aqueles que melhor representam os ideais do partido. Essa é a melhor garantia de que receberão votos de seus filiados. É por essa razão que eu aposto que John McCain será o candidato republicano à presidência dos EUA. Seu principal adversário, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, apesar de ser muito competente, não possui muita identificação com os princípios do Partido Republicano.
4) Apesar da busca pelo poder ser intensa nos EUA, os partidos sabem que sua sobrevivência a longo prazo depende de se manterem fiéis aos seus ideais. Assim, dificilmente você verá um partido político prometendo uma coisa, fazendo outra e se mantendo no poder. Lá se você é eleito prometendo abaixar impostos é bom que você cumpra sua promessa.
5) Nos EUA vota-se até pelo correio. Lá vota-se quase que de todo jeito. Só tem um tipo de votação que não é aceita por lá: urna eletrônica. Essa idéia de um software fazer a contabilidade da eleição, sem ninguém ter a oportunidade de checar a validade do resultado, não faz sucesso por lá.
6) Acho que será a maior zebra da história se Barack Obama receber a indicação do Partido Democrata para concorrer a presidência da república. Obama tem um único trunfo: nunca fez nada. É sempre melhor ter esse currículo do que o cv de sua concorrente direta: Hillary Clinton. Contudo, a ex-esposa de Bill Clinton tem tudo para levar a indicação.
7) Nos EUA um presidente não tem a metade do poder que a imprensa brasileira faz crer que ele tenha. A isso chamam-se instituições sérias.
8) As eleições americanas para presidente NÃO são por maioria simples de eleitores. Assim, não adianta ter a maioria dos votos. Tal sistema tem vantagens e desvantagens, mas é legítimo. Esta de acordo com a lei e não foi alterado para beneficiar um ou outro candidato.

É isso, espero que essa breve exposição ajude a diminuir a impressão errônea que a imprensa brasileira comumente transmite aos seus leitores e ouvintes. Por fim, ai vai meu palpite: McCain x Hillary. McCain será o novo presidente americano.

5 comentários:

Fábio Mayer disse...

Nos EUa não tem medida provisória nem decreto-lei. O presidente precisa negociar tudo com o Congresso, desde nomeações de ministros até declaração de guerra e a fiscalização sobre ele é constante.

O presidente brasileiro tem mais poderes institucionais que o dos EUA. Se o Brasil fosse a economia e o complexo militar dominantes no planeta, já teria feito intervenções eleitoreiras no mundo inteiro justamente porque nosso Congresso é omisso e carimbador das MP(s) estúpidas emitidas pelo governo e porque nossos presidentes não hesitariam em fazer demagogia militar para fazer valer seus propósitos eleitoreiros.

Badger disse...

Perfeito Adolfo. O brasileiro como de praxe não entende nada mesmo de democracia. Pior porém, nunca aprendeu que o Partido Democrata sempre foi pior para o Brasil que o Partido Republicano. É uma burrice fenomenal. Continue iluminando esse rincão!

Iliada disse...

Feliz 2008! Prof. Adolfo,

Acesso seu blog religosamente como vou à missa, pois eles elucidam o que a impressa não diz. Só tenho uma ressalva, acreditava que começaria o ano tecendo comentários do assassinato da Benazir Bhutto e suas repercussões. Participei de uma enquente no UOL e percebi que errei mais de 50% das perguntas da lider paquistanesa.
Abraços,
I.

Nazareno disse...

Acho que vale uma análise sobre as mudanças do que se considera pensamento conservador e liberal ao longo dos tempos nos EUA. O pensamento conservador republicano do final do século dezenove tem mais a ver com a postura dos democratas que os do republicanos de hoje.

Anônimo disse...

"Por fim, ai vai meu palpite: McCain x Hillary. McCain será o novo presidente americano."
Decidiu evitar aposta fácil, hein? Gostei muito desse post, só faço uma ressalva: não acredito que a cobertura da imprensa seja tão má assim. Tanto é que sem ser um expert nos EUA-se bem que todo mundo acredita ser expert em USA-eu conhecia todos os fatos citados, só discordo de algumas avaliações: acho que Obama é uma zebra média, não a maior e acho que Giuliani PODERIA superar sua pouca identificação com os princípios do GOP. E algumas deformações da Mídia são explicáveis. Há um monte de partidos mais os independentes na América, mas os dois mais relevantes são mesmo Democratas e Republicanos, não surpreende que ganhem muito mais atenção da Mídia.

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