sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Romário x Paulo Bernardo

Romário o segundo maior jogador de todos os tempos, atrás apenas de Pelé e imediatamente a frente de Garrincha, é figura conhecida. Mesmo os que não gostam de futebol conhecem Romário. Até os flamenguistas amantes de Zico não conseguem esconder que o Baixinho é o cara. Paulo Bernardo é o Ministro do Planejamento do governo Lula, não vamos aqui discutir seus méritos.

Estava conversando com uns amigos e estávamos discutindo sobre futebol. No auge da discussão um dos presentes se levantou e disse: “É por isso que esse país não vai pra frente... todos sabem tudo sobre futebol, mas são incapazes de se lembrar quem é o Ministro do Planejamento”. Esse comentário salienta um ponto importante: a população gasta um tempo enorme discutindo sobre futebol, mas não dedica o mesmo tempo à análise crítica do governo. Apesar de entender a lógica desse comentário, acho que ele não ataca o verdadeiro centro do problema.

Em todo lugar do mundo personalidades esportivas, ou do meio artístico, são bem mais conhecidas que ocupantes de importantes cargos do governo. Essa característica não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, Tiger Woods é muito mais conhecido que o Secretário do Tesouro Americano. Assim, o problema não é o brasileiro passar muito tempo falando de futebol. O real problema no Brasil é que aqui o Estado é MUITO MAIS forte do que em outros lugares civilizados. Aqui o Presidente da República aumenta impostos por decreto e na calada da noite, coisa impensável em sociedades desenvolvidas.

Discutir esportes em mesas de bar é algo freqüente em todos os países do mundo. O Brasil não dá certo não é por não sabermos o nome do Ministro do Planejamento, o Brasil não dá certo pois aqui pessoas de quem nunca ouvimos falar podem afetar drasticamente nossas vidas. O Brasil não dá certo pois aqui o poder do Estado é muito grande. Ao invés de nos preocuparmos com o nome do Ministro do Planejamento, deveríamos estar nos preocupando em como DIMINUIR o poder do Ministro do Planejamento. Ao invés de nos lembrarmos de nomes de deputados e senadores, é melhor diminuirmos o poder deles. Com menos poder ao Estado, também diminui a capacidade deste em afetar nossas vidas.

Melhor do que saber o nome de Ministros é saber que tais Ministros têm pouca chance de intervir em sua vida.

5 comentários:

Anônimo disse...

E tem gente que acha que no Brasil estamos sob o dominio da democracia.

GAbiRu disse...

excelente

Fábio Mayer disse...

Grande verdade. Temo um excesso monumental de Estado.

Fabio disse...

Numa entrevista concedida à revista Piauí, eis como FHC responde à pergunta "existe um projeto de nação no Brasil?":
"A pergunta pressupõe que exista um centro decisório, alguém que planeja. Não há mais. O Brasil é um dos últimos países a ter Ministério do Planejamento; na América Latina, acabaram todos. É um dos efeitos do neoliberalismo."

FHC parece lamentar esse fato, o que é um erro: seria ótimo NÃO ter esse ministério (e muito menos o do Ungabeira, o tal de "planejamento de longo prazo").

Governo está aí para criar um CLIMA propício ao desenvolvimento (por exemplo, proteger sem restrições a propriedade privada), não para planejar o destino do país. Lamentavelmente, nosso Governo padece da "arrogância fatal" descrita por Hayek em seu último livro ("The Fatal Conceit: The Errors of Socialism"), e essa enfermidade sufoca a todos nós.

Anônimo disse...

Eu só gostaria de saber onde trabalham esses blogueiros liberais!Se no Governo, imagino que são um bando de malandros e devem viver a gazetear. Não por indolência. Mas por atitude.

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