terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Mais um exemplo do poder do mercado

Hoje às 18:00 horas chovia fortemente aqui em Brasília. Como é praxe, os semáforos logo pifaram. O trânsito virou um caos na L2 sul, onde eu estava. Foi então que um mendigo começou a organizar o trânsito. Ele comandava tudo: sinalizava para alguns carros avançar e para outros esperarem. Ele não recebia nada por seus serviços, não havia como parar o carro próximo à ele para dar qualquer gorjeta. Enfim, um mendigo forneceu gratuitamente um serviço pelo qual o Estado me toma quase 40% de minha renda e é incapaz de cumprir. Notem que não só os semáforos falharam como não apareceu sequer um único policial de trânsito para organizar o caos. Esse é mais um exemplo de como o mercado é muito mais poderoso do que a maioria acredita. Ao mesmo tempo, esse exemplo nos ilustra que no nosso dia-a-dia é muito mais comum nos defrontarmos com falhas de governo do que com falhas de mercado.

O exemplo acima não é único: na lateral do Venâncio 2000 (shopping de Brasília), é comum ver uma funcionária, possivelmente contratada pelo shopping, organizar o trânsito de carros e pedestres na vizinhança de uma faixa de pedestre. Mais uma vez, temos o exemplo do mercado se auto-regulando.

O poder dos agentes privados de se auto-organizarem, para prover serviços muitas vezes atribuídos ao setor público, numa economia de mercado é comumente sub-estimado. Por outro lado, o poder do Estado de consertar falhas de mercado é geralmente super-estimado. Acreditar no mercado e desconfiar do governo não é uma questão de crença, é uma simples questão de observação.

5 comentários:

Fábio Mayer disse...

O Estado brasileiro é pródigo em delegar a terceiros (gratuitamente, bem dito) coisas que ele deveria cuidar.

Cello disse...

"Mendingo" não... pelo amor de Deus...

Fabio disse...

Ótima observação!

Sobre esse assunto, veja um artigo chamado "A Green Light for Common Sense", no Washington Post.

Algumas cidades pequenas na Europa estão se livrando de todos os semáfaros, calçadas, marcadores de ruas, placas, etc. A idéia é deixar uma ordem "emergir". Parece um contra-senso, mas com essa nova tática (chamada de "shared space") os acidentes têm diminuído 95% em alguns lugares.

A "arrogância fatal" dos socialistas e seus congêneres, de que falava Hayek, é justamente isso: achar que tudo, até os mínimos detalhes do tráfico, tem que ser ordenado por cima, por decreto. A população, coitada, compra a idéia, achando estar mais "protegida" dessa forma. Ledo engano. Temos é que nos proteger do próprio Estado, dominado por gente arrogante com uma gula de poder insaciável.

Badger disse...

O excelente livro do Caplan (The Myth of the Rational Voter) discute este ponto em detalhes. Vale a pena ler.

Anônimo disse...

É por isso que quando trabalhava no setor comercial sul tratava logo de renumerar os flanelinhas que administram o estacionamento de lá com brutal eficiência, apesar da cara feia de alguns.
Um abraço
marco b

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