quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O Médico e o Monstro

Chocou o Brasil a notícia de que a nadadora Joana Maranhão havia sido molestada sexualmente em sua infância. Segundo a nadadora, ela teria sido molestada por seu técnico de natação. A imagem de uma criança de 9 anos sendo molestada por um adulto é certamente repugnante. Qualquer monstro que se preste a tal serviço merece o desprezo e punições severas da sociedade. Mas será que o fato narrado pela nadadora ocorreu mesmo? Vamos a algumas divagações:
1) Talvez a nadadora tenha realmente sido molestada, mas por vergonha e medo se calou por um longo tempo.
2) Talvez a nadadora tenha interpretado mal a ação de seu técnico. Aliás, a própria mãe da nadadora confessou que essa foi sua primeira reação quando sua filha fez menção ao caso.
3) Talvez anos de terapia tenham colocado na cabeça da nadadora que esse fato ocorreu, quando na realidade isso era apenas uma coletânea de informações dispersas e que de maneira alguma implicavam em molestação sexual. Aliás, a própria nadadora confessou que só se lembrou de alguns fatos depois de fazer terapia.

Enfim, existem várias hipóteses. Mas uma pergunta é importante: por que divulgar tal informação só agora? Talvez só agora a nadadora tenha tido coragem, e preparo emocional, para se expor dessa maneira. Talvez a nadadora tenha se dado conta que era preciso evitar que seu carrasco fizesse novas vítimas, daí a necessidade de denunciá-lo. Talvez a nadadora estivesse querendo aparecer na mídia. Enfim, novamente temos uma série de hipóteses. Nenhuma delas possível de comprovação.

Seria Joana Maranhão uma heroína expondo sua vida para salvar de um destino horrível crianças indefesas? Ou seria ela um monstro que sacrifica a vida, e carreira, de um homem honesto apenas por alguns minutos de atenção? Seria o treinador um monstro tão desprezível a ponto de abusar de crianças? Ou seria ele apenas uma vítima de uma menina cruel? Quem é o médico? Quem é o monstro? Só duas pessoas nesse mundo sabem essa resposta, ninguém além delas saberá com certeza o que ocorreu.

Desse episódio, só uma certeza: a mão da nadadora tem que ser punida. Foi a mãe da nadadora que revelou o nome do técnico. O técnico já perdeu seu emprego por causa disso e enfrentará com certeza muitos outros problemas. Não se pode permitir que uma pessoa faça acusação tão séria e não apresente provas. Quando a mãe da nadadora decidiu divulgar o nome do técnico, ela talvez tenha sido uma heroína que tenha salvo outras crianças de um destino cruel. Sim, talvez ela tenha sido uma heroína. Contudo, nem tudo que é justo é legal e nem tudo que é legal é justo. TALVEZ o comportamento da mãe da nadadora tenha sido justo, mas certamente não foi legal.

6 comentários:

Anônimo disse...

Neste episódio, como pai, vejo claramente a negligência da mãe como fator determinante para a ocorrência do fato, quer seja verdadeira ou não a denuncia da nadadora. Tentar reparar seu erro com outro é lamentável.

Fábio Mayer disse...

Um crime assim é tão traumático e gera tantas sequelas em uma mente jovem e ainda em formação, que deveria ter o prazo prescricional aumentado, para buscar a penalização pelo crime.

Pelo que li sobre o assunto, pouquíssimas crianças falam sobre o assunto, mesmo molestadas, elas só vão liberar esses demônios muitos anos depois, após sofrer demais e perderem a fé na vida.

Anônimo disse...

Sabemos que casos como esses ocorrem sempre com crianças, mas quando uma mãe é bem presente consegue perceber que seu filho(a) foi "violentado" (molestada). Só não consigo entender por que após tantos anos e depois do escandalo com a nadadora ela resolveu divulgar tal assunto...

Anônimo disse...

Depois de muito tempo é que houve a denúcia, isso não pode ocorrer, pois verdadeira ou não, a queixa tem que ser feita, assim torna-se uma historia resolvida para não haver dúvidas, nem sequelas com a criança, que tem que ter todo apoio e segurança da mãe.

Reginaldo Almeida disse...

Sempre que eu vejo a alguém libertando os seus demônios diante das câmaras, eu já coloco um certo olhar cético e cínico.

Se para libertar os seus demônios havia a necessidade de punir o abusador infantil, por que não entrar com um processo contra ele na vara civil e uma denúncia penal?

Que políticos, que são homens públicos sejam julgados pela opinião pública, estou perfeitamente de acordo, um porque possuem um cargo público, e dois porque como homens poderosos que são, apenas a justiça não os ameaçaria, mas sim o rechaço público. Mas um assunto entre dois cidadãos normais e correntes, na verdade o ex-treinador bem mais normal e corrente que a nadadora, que usou da sua posição e influência para prejudicá-lo.

Isso me cheira a cortina de fumaça e justificativa para talvez performances medíocres, seria isso?

Anônimo disse...

A questão não é julgar se é verdadeira ou não a afirmação. Claro que nos resta dúvidas quanto a demora na divulgação do mesmo. Mais o que devemos levar em consideração é a falta que os pais fizeram nesse momento e que não identificaram o problema.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email