terça-feira, 11 de março de 2008

Estupidez Econômica

A partir de hoje as empresas estão PROIBIDAS de exigir mais de 6 meses de experiência na contratação de novos funcionários. Esse é mais um exemplo na estupidez inerente aos sábios que regem a economia atualmente. A idéia do governo é simples: ele quer facilitar a entrada de pessoas com pouca experiência no mercado de trabalho, assim proíbe as empresas de cobrarem muita experiência dos candidatos ao emprego no momento da contratação.

A idéia do governo é estúpida por pelo menos 3 razões: a) no final do dia a empresa irá contratar quem ela quer. Se a empresa quiser alguém com mais experiência ela irá contratá-lo, só não irá anunciar isso. Ou seja, o governo apenas aumentou os custos de contratação das empresas (que tiveram que selecionar o candidato dentre um volume maior, e desnecessário, de currículos) e dos indivíduos (que foram obrigados a gastar tempo e dinheiro enviando seus currículos para mais lugares do que tinham chance); b) essa medida tenta punir pessoas com mais experiência em prol de pessoas com menos experiência, que direito o governo tem de fazer isso?; e c) é mais uma intervenção governamental no processo decisório da empresa. Neste caso, o governo quer substituir as empresas na escolha dos requisitos necessários para cada trabalho.

Ainda no noticiário econômico de hoje, outro iluminado do governo critica a valorização do real. Os iluminados do governo acreditam que a valorização da moeda brasileira irá encarecer as exportações. Para evitar isso, sugerem, por exemplo, a adoção de medidas restritivas à entrada de capitais estrangeiros. A minha sugestão para conter a valorização do real é mais simples: basta liberar as importações. Afinal, o real está valorizado exatamente porque o Brasil está exportando muito. A lógica econômica simples diria que com o real em alta as importações se tornariam mais baratas. Com importações mais baratas o Brasil importaria mais. Tal aumento nas importações agiria como freio na valorização do real. Dessa maneira, podemos verificar que o problema brasileiro não está na valorização do real, mas sim na impossibilidade de aumentarmos as importações brasileiras. Com isso surge a pergunta: por que o governo brasileiro prefere AUMENTAR RESTRIÇÕES sobre a entrada de capitais internacionais ao invés de DIMINUIR RESTRIÇÕES sobre as importações? Dado que ambas as soluções geram uma redução no valor do real, por que não escolher aquela que nos traz ao mesmo tempo mais liberdade econômica e menos distorções na economia?

11 comentários:

Anônimo disse...

Sinal dos tempos, Adolfo. Oh ensino no Brasil é uma bosta. Os recursos públicos para pesquisa, idem. Os gastos do governo em quaisquer itens que possam significar melhoria do capital humano são de baixa significância e de péssima qualidade. A lista de abandono do povo brasileiro é extensa. O produto é esse país embostado, com a classe média hesitando em botar a mão na merda. Depois querem colocar o que está sendo gerado, como fruto de tudo isso, na marra, no mercado. Lógico, as previsões são fáceis de fazer: aviões caindo, professores ensinando Marx como uma nova etapa do capitalismo, engenheiros fazendo prédios que cairão com vento forte e por aí vai. Eu quero mesmo é sair da merda.
Um abraço
Marco B

Anônimo disse...

Concordo, com os juros em queda, a entrada de capitais tem um perfil menos especulativo e as importações ajudam no controle da inflação. Apesar de que, advogo no sentido termos mecanismos eficientes no controle dassas, a exemplo do que todas as nações fazem. Sem essa de: Faça o que eu digo mas não faça o que faço!

Badger disse...

Excelente post Adolfo.

Anônimo disse...

Adolfo, esse é o incrível Brasil que conhecemos, regido pelos sábios que estão no governo.
Definitivamente o país não quer deixar agente comprar de outro lugar. Por quê? O que eles (governantes) tem contra nós?

Um abraço!!

José Alberto

Anônimo disse...

cara, essa da firma não poder exigir mais de 6 meses de experiencia na contratação é realmente inacreditável...o governo está dando poder de decisão a debeis mentais....isso é realmente o fim do mundo...

Tito Moreira

Anônimo disse...

Adolfo, ótimo post como sempre, e concordo plenamente com sua análise, com uma ressalva: NÃO é estupidez! Meu caro, esse pessoal esquerdista tem ESTRATÉGIA. Eles fazem a coisa PENSADA. Inteligência é que não falta.

Qual é a estratégia, sempre: aumentar o poder do Governo. Abocanhar sempre algo a mais, a cada lei ou medida provisória promulgada. Metem a pata no meio das relações econômicas entre duas pessoas adultas; "restringem" o capital, ou burocratizam algo a mais.

Pouco a pouco, imperceptível e inexoravelmente, o Governo tira as nossas liberdades econômicas, e isso significa, a longo prazo, acabar com nossas liberdades políticas. Eles vão conseguir implantar um regime socialista nesse país. Podem se preparar, porque não vai demorar tanto assim.

Fábio

Daniel M. disse...

Adolfo
Teu post foi uma antevisão. O brilhante economista que chefia a Fazenda anunciou hoje (12/03) algumas medidas para conter o “derretimento” do dólar. Sim, a valorização do real é algo muito perigoso para o consumidor. Dentre as medidas, estímulo às exportações. Sensacional. Nenhuma vírgula sobre importações. Esse pessoal, que já está reescrevendo os livros de história, fará o mesmo com os de economia.
Aproveito para recomendar o excelente texto de A. Barros no Estadão de hoje (http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=416836). Uma abordagem liberal sobre o caso do menino que queria cursar Direito.

Anônimo disse...

Olha, se a intenção do governo era tornar o mercado de trabalho mais acessível aos jovens,falhou.As empresas exigem experiência, não porque é bacana, é divertido fazer isso, mas sim porque para certas atividades essa exig|ência se faz primordial. No brasil há sempre reclamações pela falta de qualidade em certos serviços.Então temos que preservar isso.As empresas não vão deixar de exigir experiência, o que elas vão fazer é omitir essa informação.Vamos colocar em prática. Adolfo, se vc tivesse que fazer uma cirurgia de emergência, pois a sua vida corre risco, vc aceitaria ficar nas mãos de um recém formado sem experiência??? A sua vida corre risco duas vezes mais.É assim,o nosso país está na beira do precipício.
Abraços,
Suene.

Marcus Aurélio disse...

Meu comentário é mais amplo: sou aluno da UFG, Universidade que você ministrou palestra no ano passado a convite do Prof. André Lunardelli, que infelizmente teve que se ausentar temporariamente a instituição. Mas seu blog é muito importante para nós que ainda estamos no embrião, no casulo de um economista propriamente dito, pois traz informações importantíssimas para o debate em sala de aula. Todos os dias debatemos as matérias postadas no blog do SACSHIDA. Muito obrigado por essa contribuição e por ter nos proporcionado a única palestra em que ninguém dormiu, saiu da sala antes do término e que eu entendi tudinho, do começo ao fim.

Marcus Aurélio,
marcusaurelioalvescarneiro@gmail.com

Anônimo disse...

Adolfo,
Suas colocações brandem sobre essa mania brasileira de que o Estado é o grande senhor de tudo. Enquanto essa burrice não acabar, outras pérolas certamente virão "premiando" o brasileiro que esteja procurando emprego.
Certamente continuaremos buscando esse "planejador central supremo" que nos levará ao paraíso econômico.
Triste...

Grande abraço,
Carlos Wagner.

Anônimo disse...

Adolfo,
Tem coisas que não dar para intervir, a menos que seja pela "força". É o caso da empresa escolher quem ela deseja contratar.
Quanto a liberação das importações, existe algum país que é totalmente livre, nesse item?

Raimundo Félix

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