quarta-feira, 12 de março de 2008

Pesquisa com Células-Tronco

O Brasil está se defrontando com uma das questões mais difíceis já confrontadas pela humanidade: é moralmente correto relizar pesquisas com células-tronco? Como era de se esperar, tal questão nem de perto é debatida pela sociedade. No Brasil é assim, todos somos gênios, temos todas as respostas, burro são os outros. Um dos ministros do STF já se pronunciou “contra as trevas”. A fala desse ministro denota sua falta de preparo, pois atribui a ele uma autoridade científica que o mesmo não tem. Além disso, o ministro equivoca-se em sua referência clara à Igreja Católica. Associar a Igreja Católica às trevas é falta de conhecimento ou desonestidade pura e simples. Entre as universidades mais antigas do mundo estão as universidades construídas pela igreja. Entre as melhores universidades privadas do país estão as universidades católicas. Entre as primeiras escolas do mundo ocidental estão as escolas cristãs. Referir-se à Igreja como “trevas” é desconhecer toda sua história. A fé cristã busca a luz, não as trevas. Eu não sou nenhum devoto, não vou a igreja aos domingos, mas também não sou desonesto. A igreja contribuiu significativamente para a evolução e preservação do conhecimento no mundo, goste você disso ou não.

Ninguém quer que seres humanos morram. Esse não é o ponto da discussão. Toda discussão resume-se à pergunta: quando começa a vida humana? Se ela começa logo na concepção então a pesquisa com células-tronco é errada, não devemos destruir uma vida humana para salvar outra. Se ela começa algum tempo após a concepção, então existe espaço para tais pesquisas sem destruir a vida humana. Nesse caso, a pesquisa com células-tronco deve ser aprovada.

Eu não sei quando começa a vida humana. A ciência, apesar de não ter certeza, diz que ela não começa na concepção. A igreja diz que ela começa na concepção. Com a tecnologia disponível hoje, não há como provar quando começa a vida humana. Vamos olhar então em termos de custos: 1) qual o benefício potencial de se aceitar tais pesquisas? A) no caso da vida humana começar na concepção teremos assassinado milhares de seres humanos; b) no caso da vida humana não começar na concepção teremos salvo milhares de vidas. 2) qual o benefício potencial de se rejeitar tais pesquisas? A) no caso da vida humana começar na concepção teremos evitado o assassinato de milhares de seres humanos; b) no caso da vida humana não começar na concepção teremos condenado a morte milhares de vidas. Em ambos os casos, os custos e benefícios de se tomar a decisão correta são similares, logo não podemos usá-los para um desempate.

Assim, a decisão de se aprovar, ou não, pesquisas com células-tronco, baseia-se nas crenças individuais de cada um. Essa decisão, com a tecnologia atual, não é uma decisão científica. É uma decisão moral aprovar, ou não, a pesquisa com células-tronco. Sendo assim, é absurdo que um rol pequeno de pessoas decida por toda uma sociedade.

9 comentários:

Claudio Chad disse...

Muito Prezado Professor Adolfo,

Como você, novamente, tem razão em dizer que no Brasil todos sabem de tudo, mas não se contesta nada. Nada mesmo.

Em relação aos embriões é fato que todos nós fomos embriões um dia. Alguém poderia dizer que "uma semente não é planta", mas se matássemos todas as sementes do mundo, ninguém mais comeria nada.

Repare como o Direito no Brasil quer rebaixar o ser humano: se você quebrar um só ovo de tartaruga a pena é CANA! Mas, um embrião humano (que na cabeça dos nossos juristas vale bem menos) pode ser usado para estudos.

Um verdadeiro absurdo.

Um grande abraço,

Cláudio Chad

Anônimo disse...

Caro Adolfo,

Desta vez não concordo com você. Primeiro no que você chama de falta de debate na sociedade e depois nos custos de cada opção.
Debate na sociedade é meio papo de comuna, o que é isso? A imprensa tem dados nota e entrevidtado defenseores das duas teses, vários blogs (inclusive o seu) tratam do assunto... isto não é "debate na sociedade"? Cuidado para não acabar propondo um plebiscito.
A sociedade tem mecanismos para transformar "debates" em ações, em sociedades livres o Parlamento é o centro desta transformação, foi isto que aconteceu no Brasil. O Congresso Nacional decidiu a favor das pesquisas, avotação foi livre, aberta, democrática e contou com ampla cobertura da imprensa.
O então Procurador Geral da República argumentou que a lei aprovada no congresso é inconstitucional, o único lugar que este tipo de arguição pode ser resolvida é o STF, ele existe para isto. Graças ao bom Deus este tipo de decisão é tomado por tribunais e não por "comitês científicos", lembre que foi a Suprema Corte que decidiu que aborto é compatível com a Constituição Americana. Lá como cá este tipo de questão é decidida nos tribunais, acredito que ambos estamos certos.
Quanto aos custos meu problema com seu argumento é que acredito que devemos usar custos marginais. Segundo depoimento de vários pesquisadores o destino de embriões congelados por mais de um certo período de tempo é o lixo! Desta forma usar tais embriões para pesquisa não impede o desenvolvimento de nenhuma vida. Caso acreditemos, como propõe o ministério público, que o embrião é um ser humano, a atitude coerente seria proibir o criação de embriões para congelamento ou obrigar que clínicas de reprodução encontrem formas de gestar todos os embriões desenvolvidos para auxiliar uma determinado casal.

Abraço,

Roberto

Anônimo disse...

Professor,

Um tema que recai mais na esfera moral, humana e religiosa do que em um debate economico.

Ademais um assunto espinhoso que não será decidido por poucos e merece sim um debate por parte de toda a sociedade.

E os formadores de opinião tem sim, que colocar sua visão da problemática para munir de conteudo àqueles que ainda não enxergam a melhor alternativa a ser escolhida.

Marcos Paulo

Ps.:
Fiquei surpreso com sua visão a respeito da Igreja. Mão imaginava que um liberal pensasse assim dessa instituição, porém com muita lúcidez.

Anônimo disse...

Ah sim, definitivamente a Igreja Católica pode ser considerada um farol iluminando o breu!!! Por favor, se dependesse dela, Galileu teria queimado numa fogueira e até hoje estaríamos achando que o sol gira em torno da terra e não o contrário. Embriões não são fetos e, segundo cientistas que defendem o seu uso p/ pesquisas, não possuem atividade neural. Se se considera que a vida acaba quando o indivíduo deixa de ter atividade cerebral, nada mais lógico que se assuma como princípio da vida o momento em que o embrião passa a tê-la ( o que, segundo ouvi em uma reportagem com uma das defensoras da pesquisa, ocorre a partir do 14º dia de vida e o embrião é congelado bem antes disso. ). Além disso, a lei de biossegurança prevê a utilização apenas dos embriões congelados a + de 3 anos e que não serão utilizados pelo casal, ou seja, serão descartados de qualquer maneira. Enquanto isso, milhares de pessoas- seres humanos que DE FATO JÁ EXISTEM- com doenças degenerativas (só para citar um exemplo,a ELA, esclerose lateral amiotrófica, que vai debilitando a atividade motora e o paciente acaba morrendo sufocado pq a musculatura responsável pela respiração paralisa) esperam por tratamentos que só serão possíveis com o uso das células tronco.Isso é um absurdo!!Se o estado deve ser mínimo, a igreja deve ser ainda mais!

Claudio Chad disse...

Veja só que absurdo esse "Anônimo" escreveu: se dependesse da Igreja Católica até hoje estaríamos acreditando que o Sol gira em torno da Terra!

É óbvio que esse sujeito não conhece nada de história e apenas repete jargões de quem nunca pegou em um livro na vida. Um absurdo.

Se ele tivesse pesquisado, saberia que Galileu NUNCA foi condenado a fogueira, assim como nunca se registrou UM SÓ cientista morto em uma fogueira pela Igreja.

Segundo: não sabe ele que a UCB é Católica? Ora, a Igreja não é contra o conhecimento?

E o La Salle? E o Cor Jesu? E o Marista? E a PUC?

E, na Idade Média, a Sorbonne, criada pela Igreja?

Saberia esse sujeito dizer como uma Instituição que fundou os Hospitais e Universidades Públicas na História seria contra o conhecimento?

Essa é a situação dos nossos estudantes: opinam sobre tudo, mas só repetem o que escutam. Lastimável.

Sorte que se identificou como anônimo, pois só assim para esconder as orelhas de burro.

lelê disse...

Caro Adolfo, as decisões mais importantes, sejam células tronco, fidelidade partidária,...são tomadas na suprema corte, STF. Células Tronco, por ser um tema bastante polêmico, não teria lugar melhor para se tomar as decisões, eu só acho que os ministros não tem o preparo técnico e o conhecimento cientifico no assunto. Acredito que tudo que beneficia a vida é válido, quantas pessoas serão beneficiada, quantos deixarão de sofrer, quantas doenças evitadas? ns! Na história as grandes Revoluções foram feitas com derramamento de sangue, ou seja, alguém paga pelo benefício. O que estou querendo dizer é: a igreja diz que a vida começa na concepção, a ciência diz que não...mas se fosse pela igreja não existiria nem anticoncepcional, é isso não é matar embriões? É a mesa visão, com as células tronco. Se o STF não aprovar, a meu ver, será um retrocesso no nosso avanço científico. Concordo, contigo, que a aprovação se baseia na opinião de cada um, mas serão apenas algumas pessoas que descidirão para todos. O debate é feito as pessoas, ou melhor, os brasileiros é que não abrem a boca rrss! mas tomar decisão em dogmas religiosos não é avanço nem tecnológico e nem de pensamento, e nem demonstra seriedade.

Alessandra

lelê disse...

Caro Adolfo, as decisões mais importantes, sejam células tronco, fidelidade partidária,...são tomadas na suprema corte, STF. Células Tronco, por ser um tema bastante polêmico, não teria lugar melhor para se tomar as decisões, eu só acho que os ministros não tem o preparo técnico e o conhecimento cientifico no assunto. Acredito que tudo que beneficia a vida é válido, quantas pessoas serão beneficiada, quantos deixarão de sofrer, quantas doenças evitadas? ns! Na história as grandes Revoluções foram feitas com derramamento de sangue, ou seja, alguém paga pelo benefício. O que estou querendo dizer é: a igreja diz que a vida começa na concepção, a ciência diz que não...mas se fosse pela igreja não existiria nem anticoncepcional, é isso não é matar embriões? É a mesa visão, com as células tronco. Se o STF não aprovar, a meu ver, será um retrocesso no nosso avanço científico. Concordo, contigo, que a aprovação se baseia na opinião de cada um, mas serão apenas algumas pessoas que descidirão para todos. O debate é feito as pessoas, ou melhor, os brasileiros é que não abrem a boca rrss! mas tomar decisão em dogmas religiosos não é avanço nem tecnológico e nem de pensamento, e nem demonstra seriedade.

Alessandra

Sofia disse...

Ok. Galileu não foi condenado a fogueira. Ele apenas foi proibido pela inquisição de divulgar suas teorias heliocêntricas. Como não obedeceu e publicou o livro Dialogo, foi convocado a Roma, sendo então julgado e condenado por heresia. Teve que renegar suas conclusões de que a a terra não é o centro do universo e imóvel, além de permanecer aprisionado em sua casa. Não sei o motivo de tanta indignação do Cláudio. Importa que, se for contra o que ela acredita ( mesmo que baseado apenas em dogmas e crenças e não em fatos provados ), ela não vai apoiar e, dessa forma, pode impedir avanços importantes na ciência ( como nesse caso das pesquisas com células tronco embrionárias. )

Zulma disse...

Eventual terapia com células-tronco embrionárias humanas não poderia ser idealizada somente em função do excelente resultado obtido em camundongos, quando se constatou, à época, que “a célula-tronco embrionária é o único tipo celular capaz de se diferenciar em neurônio”. Diferentemente do observado na espécie humana, os estudos com camundongos empregam animais geneticamente idênticos (clones), o que permite a livre transferência de células-tronco embrionárias a animais adultos na ausência de rejeição.
Confirmando a inexeqüibilidade da mesma abordagem em humanos, foi recentemente declarado pela Dra. Natalia López Moratalla, catedrática de Biologia Molecular e Presidente da Associação Espanhola de Bioética e Ética Médica, que «as células-tronco embrionárias fracassaram; a esperança para os enfermos está nas células adultas» e «hoje a pesquisa derivou decididamente para o emprego das células-tronco 'adultas', que são extraídas do próprio organismo e que já estão dando resultados na cura de doentes'» (ZENIT.org).
Portanto, devemos apoiar as pesquisas com células-tronco ADULTAS, incluindo as células iPS que tiveram seu potencial de uso em terapia recentemente comprovado, pois sendo células autólogas (derivadas do próprio paciente) não precisam enfrentar a rejeição imunológica. Além disso, as células iPS não precisam mais ser obtidas com a introdução de genes ou com a utilização de retrovírus como vetor, e a sua utilização para tratamento de doenças graves independe da aprovação do Artigo 5º da Lei de Biossegurança.

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