terça-feira, 13 de maio de 2008

Al Capone e os flanelinhas brasileiros

Al Capone tinha um negócio lucrativo na Chicago dos anos 1930: vendia proteção. Os capangas de Al Capone iam a uma loja e pediam uma parcela do lucro da empresa em troca de proteção. Caso o comerciante se recusasse a pagar, a loja passava a ser saqueada. Num país civilizado isso se chama extorsão, no Brasil chama-se flanelinha e é uma profissão reconhecida pela sociedade. Em algumas localidades já temos até sindicatos de flanelinhas. Al Capone foi preso, os flanelinhas brasileiros propagam-se, e ocupam praticamente todo espaço público.

A grande maoiria dos cientistas sociais brasileiros, com o atraso intelectual de praxe, procura maneiras de culpar a sociedade por erros individuais. No caso dos flanelinhas não é diferente: a culpa não é do flanelinha, mas sim da sociedade. Você é extorquido por um marginal, mas a culpa é sua e de sua família, nunca do marginal. Este é um coitado, produto da sociedade materialista. Parece escapar aos cientistas sociais brasileiros o detalhe da responsabilidade individual, isto é, indivíduos são responsáveis por suas decisões.

Flanelinhas são bandidos, são marginais que nos roubam, nos coagem, nos extorquem, diariamente. Seu lugar é na cadeia. Basta a polícia começar a prendê-los que rapidamente esta festa acaba. Mas a impunidade, gerada pela complacência da sociedade e falta de ação da polícia, tem estimulado cada vez mais essa profissão. Aos que acreditam na inocência, e benevolência, dos flanelinhas lanço um desafio: da próxima vez que pedirem para guardar seu carro responda “não, obrigado”. Vamos ver o que acontece.

Justificar a ação dos flanelinhas como uma maneira de se minorar as mazelas da sociedade é uma trajetória perigosa, pois o mesmo argumento pode ser usado para justificar o roubo explícito. Os mesmos princípios que orientaram Al Capone orientam os flanelinhas: coação e extorsão. Como a história nos ensinou, esse tipo de crime só tende a crescer e se fortalecer. Hoje pagamos para cuidarem de nossos carros, amanhã de nossas casas, depois para não sequestrarem nossos filhos. Essa coação não terá fim, se recusar a enfrentá-la no presente implicará num alto custo no futuro.

Um comentário:

Rodrigo Carreiro disse...

Eu concordo em parte contigo, pois ainda existe uma "classe" de flanelinhas que respeita o cidadão. Sim, isso é possível. A maioria extorque e coage as pessoas, mas eu já vi muitos que nada fazem. E até ajudam vc na manobra do carro. Ao final, eu sempre dou uns trocados, mas somente àqueles que não pedem.

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