quarta-feira, 21 de maio de 2008

De onde vem a inflação brasileira?

Duas podem ser as causas da inflação: choques de oferta ou de demanda. Creio que, no momento, ambos os choques estejam ocorrendo no Brasil. Pelo lado da oferta, temos um grande aumento no preço de um insumo básico. Com a elevação do preço do barril do petróleo, vários outros preços da economia são pressionados para cima ocasionando um aumento no nível geral de preços. Pelo lado da demanda, temos o gasto público como o grande vilão. O Brasil não controla o preço do barril do petróleo, mas controla o gasto do governo. Assim, a primeira medida para se conter o aumento do nível de preços deveria ser a redução do gasto público.

Muitos têm incriminado o arroz, o feijão e os alimentos em geral, como vilões inflacionários. Mas se esquecem que o arroz, o feijão e os alimentos estão sujeitos também às regras de oferta e demanda. Assim, a pergunta a ser feita é: por que o preço dos alimentos estão subindo? E a resposta é a mesma apresentada no parágrafo acima. O aumento no preço do petróleo pressiona para cima os custos agrícolas. Além disso, a política pública do governo brasileiro de dar dinheiro aos mais pobres (gasto público), aumenta a demanda por alimentos. Ou seja, a inflação no preço dos alimentos tem muito pouco em comum com o etanol.

Combater a inflação no Brasil é fácil: 1) redução do gasto público; 2) uso do superávit fiscal para pagar a dívida pública; 3) abrir a economia para o mercado externo; e 4) facilitar a abertura/fechamento de empresas no país. A medida 1 reduz a demanda agregada, diminuindo a pressão sobre o nível de preços. A medida 2 reduz a necessidade de financiamento público, liberando recursos para o setor privado. As medidas 3 e 4 aumentam a oferta agregada no pais, aumentando tanto a quantidade como a qualidade de bens e serviços disponíveis na economia brasileira. Com mais competição na sociedade é natural que a inflação se reduza. Interessante notar que para combater a inflação no Brasil não precisamos usar a taxa de juros. Até porque o uso da taxa de juros para se combater uma inflação de oferta nem sempre é uma boa idéia.

Os monetaristas podem argumentar que para combater a inflação basta reduzir a oferta monetária (ou sua taxa de crescimento). Sim, eles estão certos. Contudo, tal medida não corrige o problema básico da economia brasileira: no Brasil FALTA oferta. O problema no Brasil é um problema de oferta, e não de demanda (como argumentam os keynesianos).

9 comentários:

Anônimo disse...

Alô Adolfo, pelo que pude depreender do seu texto, acho que devemos reforçar dois pontos. Primeiro, temos que diferenciar claramente aumento do nível geral de preços de inflação. Contra choques de oferta não há o que fazer em termos de politica monetária e portanto a sociedade deve acatar o aumento do nível geral de preços, porque este aumento estará dando os verdadeiros sinais econômicos. Além do mais as medidas para corrigir estes choques pelo lado da oferta são demorados e envolveria medidas fiscais que por si só já indicaria algum tipo de distorção. Em segundo lugar, os monetaristas reforçam o fato de que inflação é sempre um fenômeno monetário, até porque os monetaristas sabem muito bem que aumento do nível geral de preços é fato corriqueiro da economia real também. Inflação não; este é ,no contexto fiduciário, restrito ao banco central ou instituições similares. Portanto, a oferta tem as características fundamentais do lado real da economia e não poderia clamar acertos monetários. São os keynesianos que falam em inflação de custos (os economistas latinos, falam em inflação estrutural). Qualquer rótulo inflacionário tem que carregar o rótulo de expansão dos agregados monetários; sem o que não se pode falar de inflação.
Um abraço
Marco B

Anônimo disse...

Professor,

Seu post elucida bem as verdadeiras causas da inflação no Brasil. Bem como, o fato da grita do FMI, e demais organismos internacionais, em culpar a alta das commodities agrícolas pela produção de etanol no Brasil, não ser a responsável pela inflação mundial dos alimentos.

Pegando esse gancho, gostaria de sugerir que o próximo post fosse sobre as causas da inflação mundial. Acordei hoje com uma idéia na cabeça: Será que, ironicamente, não foi a China, a principal responsável por segurá-la (com seu 1 Bi mão-de-obra barata) e portanto a responsável pelo vigoroso crescimento mundial nos últimos anos?

E por fim um terceiro post, relacionando uma com a outra.

Um abraço!
Marcos Paulo

Anônimo disse...

De onde vem a inflação brasileira?

- A culpa é do imperialista Jorgibuxi, dirá o Hugo Chavez.

- Essa inflação é boa, dirá o Lula.

- É o fim do capitalismo, dirão os marxistas.

- É necessária para aumentar o nivel de emprego, dirão os professores de economia da Unicamp.

Marcos Soares disse...

Professor Adolfo,
A discussão desse tema poderia ser fundamentada com a apresentação de medidas descritivas dos argumentos apresentados em seu texto.

Um abraço,

Marcos Soares

M.Guedes disse...

Traduzo “choque de oferta” como aumento dos custos de produção. Elevados estes, são transferidos para o preço final. A conseqüência é alguma retração na demanda.
Por outro lado, se a origem do “choque da demanda” (por produtos básicos) no caso, é transferência de renda originada dos impostos incidentes sobre os produtos colocados no mercado pelo lado da oferta, o resultado assume a forma de espiral (a vetusta espiral da inflação).

Anônimo disse...

Sem falar que, além disso, tudo o Brasil tem um problema de estrutura, enorme. O governo sempre quer dar um jeitinho de 'beneficiar' a população, principalmente os bolsistas dele. Contudo, esquece-se no efeito em longo prazo de suas atitudes, pois um aumento em sua demanda agregada causa mais gastos, mais inflação. O que eu pergunto é: Cadê os economistas do governo, será que não conseguem intervir de forma correta em uma situação como essa sem mexer nos juros? Será que ninguém ver que o governo só atrapalha se intervir em uma situação como essa? De inflação alta. Quanto a demanda por alimentos, meu argumento é porque a renda do mundo todo tem aumentados, os grãos tem batido recorde sim, mas ao mesmo tempo a demanda também tem batido recordes e para controlar isso o mercado se auto ajusta, já que pouca oferta origina preço alto.

poisze disse...

Só espero que pelo amor do Deus Econômico, quando pensarem em redução do gasto público, não pensem primeiro em reduzir a Bolsa Jabá do Pobre. Não basta matar o pobre de fome para resolver a inflação de demanda. As outras alternativas citadas são muito mais eficientes e menos onerosas economiculturosocialmente, tais o aumento da liberdade e a redução da dívida pública.

Anônimo disse...

Mudando o foco do assunto...até concordo que a "Bolsa Jabá do Pobre", pode não ter uma representatividade tão grande na redução da inflação de demanda e que outras alternativas poderiam ser tomadas, porém, é através desta Bolsa Jabá que a população mais necessitada de medidas governamentais sensatas, se mantém acomodada e manipulada. Concordo sim, com programas que visem ajuda à pessoas carentes, por outro lado deve-se dar maior atenção em preparar esta pessoa para que ela seja capaz de saciar sua fome, sair da alienação e se tornar um formador de opiniões.
Além de corrupção, e de enormes gastos públicos, este tipo de bolsa só serve para manter cúpulas gorvernamentais; no mínimo uma forma lícita de compra de votos...

Marcio Marques Alves disse...

Interessante frisar e simplificar o gasto público apenas no que tange "a distribuição de dinheiro aos pobres"

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