quarta-feira, 9 de julho de 2008

Quando Todos são Culpados não Existem Inocentes

Leis draconianas são características de regimes totalitários: afinal se todos são culpados, então por definição não existem inocentes. Se não existem inocentes, então todos dependem da discricionariedade do Estado. Se o Estado o perdoa, então você está a salvo. Caso contrário, a cadeia será seu destino. Num ambiente como esse, não há como ser contrário ao Estado. Todos são obrigados a serem cordeiros do lobo da estepe.

A recente lei que proíbe motoristas de dirigirem após beberem uma única cerveja se assemelha muito a leis absurdamente draconianas. O problema de acidentes de trânsito se refere a motoristas bêbados, não a motoristas que beberam uma latinha de cerveja. Essa lei não vem desacompanhada: note que novas leis, igualmente draconianas, andam sendo aprovadas no Brasil. Hoje chamar um gay de gay pode resultar em cadeia. Fumar em locais públicos logo será crime. Policiais que combatem traficantes de drogas já são punidos diariamente. Não creio que esse sejam movimentos isolados.

O Brasil parece querer criminalizar abolutamente tudo, exceto os bandidos. Bandido no Brasil não é bandido, é vítima da sociedade. Quanto aos demais, se fumam são bandidos. Bebem? Bandidos. Educam seus filhos? Bandidos. Trabalham muito? Bandidos. Isso não é um movimento isolado, é uma preparativa para algo maior. Quando todos são culpados, não existem inocentes. Quando não existem inocentes, todos dependem das benesses do Estado.

2 comentários:

Anônimo disse...

Adolfo,

O pior disso é ter de ouvir gente (aparentemente) séria defendendo a tal Lei Seca, com base no argumento da redução do número de atendimentos em emergências hospitalares. Segundo tal argumento, a causalidade ocorre da "lei" para a "redução do número de atendimentos". Ora, se atentassem um pouco mais para os fatos perceberiam que há uma variável escondida na relação, a saber, "rigor fiscalizatório". Isto quer dizer que, na verdade, a causalidade ocorre do "rigor fiscalizatório" para a "redução do número de atendimentos". O problema é que o rigor fiscalizatório independe da lei.

Anônimo disse...

Este é um aspecto das leis draconianas. O outro, e, creio, não menos importante é que uma vez que todos são culpados o crime passa a ser uma questão de grau, perde-se a noção do certo e do errado em termos absolutos. Se você é culpado como pode criticar o senador que desviou alguns milhões de reais, ambos estão à margem da lei. Isto ajuda a explicar a tolerancia que temos com a corrupção e com o banditismo, o crime passa a ser relativo quando deveria ser absoluto.

Abraço,

Roberto

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email