terça-feira, 8 de julho de 2008

Surpresa Inflacionária???

Do jeito que os jornais noticiam dá a impressão de que o aumento da inflação brasileira foi uma completa surpresa, algo gerado apenas por um cenário externo desfavorável. Parece inegável que o aumento do preço do petróleo contribuiu para o aumento do nível de preços. Também é evidente que o preço dos alimentos tem subido no mercado internacional. Mas será que isso explica a inflação brasileira?

Para responder a pergunta vamos recorrer a uma tecnicalidade: é fato conhecido entre economistas que quanto mais dinheiro o governo coloca na economia, maior será o nível de preços do período. De posse dessa informação simples, vamos coletar dados no Banco Central:
a) De janeiro de 2003 a janeiro de 2004 a quantidade de moeda (M1) na economia brasileira aumentou em 6,1%. De jan/04 a jan/05 esse aumento foi de 21,2%. De jan/05 – jan/06 de 9,4%. De jan/06 a jan/07 de 19,7%. De jan/07 a jan/08 de 22,3%.
b) De janeiro de 2003 a janeiro de 2008 o M1 aumentou em incríveis 105,8%.

Parece que antes de culparmos o resto do mundo por nossa inflação devemos culpar nossas autoridades monetárias. Permitir que a quantidade de moeda na economia cresça a uma taxa aproximada de 20% ao ano, e depois reclamar da inflação é algo estranho.

Ao invés de reclamar da ganância dos ricos, o governo brasileiro deveria gastar MENOS. Está é a maneira de combatermos a inflação brasileira: menos gasto do governo e mais competição na iniciativa privada.

6 comentários:

Anônimo disse...

Boa Adolfo,

Agora é só calcular a inflação acumulada no período e podemos saber o quanto de 'surpresa' ainda temos pela frente. Esses meninos não deviam ter matado aquela aula do MV = PY...

Roberto

Badger disse...

Adolfo, você está absolutamente correto. Não há absolutamente nenhuma possibilidade da inflação brasileira permanecer baixa diante de tamanha falta de disciplina monetária. Não há nenhum fator que seja capaz de explicar tamanho crescimento monetário, a única consequência possível será o aumento contínuo das pressões inflacionárias. Leva algum tempo, mas é inevitável.

Fábio Mayer disse...

O governo injetou dinheiro na economia de várias formas, como o gasto direto, o pagamento d eremuneração de um verdadeiro exército de comissionados (100 mil só no governo federal) e programas sociais.

Além disso, os juros para o consumo diminuíram sensivelmente, muito embora, no Brasil, ainda sejam dos maiores do planeta.

Só que não soube o momento de parar com as bondades. De repente, o bolsa familia começou a ser discutido no sentido de ser aumentado e prever até 13º salário, os cargos em comissão não páram de ser criados numa festa que já chegou aos estados e municípios.

O resultado é que o consumo explodiu, a ponto de já em duas ocasiões o próprio presidente pedir em seus discursos, mais critério no ato de comprar, para fugir da inflação, que está aí. O índice de IGPM da FGV acumulado nos últimos 12 meses já têm dois dígitos, e o governo continua pondo lenha na fogueira da inflação...

Anônimo disse...

Adolfo,

O Roberto tocou no ponto certo: os PTeconomistas mataram a aula do MV=PY. A gazeta praticada por eles terá dois efeitos, um bom e um ruim: (1) nos livrará do governo deles, o que é excelente, mas (2) nos jogará na lona, o que uma m****.

Um abraço.

J. Coelho

Anônimo disse...

Pior que é, no mínimo, um componente nada desprezivel deste cálculo, dada a magnitude dos gastos...

MGuedes disse...

Isso sem considerar que a troca de dólares por reais é praticada mediante a emissão de títulos públicos da dívida interna, fato que alivia a base monetária, apenas provisoriamente, pois, ao invés de colocar moeda nova, criou obrigação de pagar (apenas) os juros dos títulos.

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