domingo, 24 de agosto de 2008

A Origem do Fracasso Olímpico Brasileiro

As olimpíadas acabaram, os comentaristas já elegeram o culpado por mais um fracasso brasileiro: a falta de apoio. Como é de costume, os comentaristas estão errados. No Brasil falta mais organização do que apoio. Vamos aos fatos: Jamaica, Quênia e Etiópia, entre outros, ficaram à nossa frente. É difícil argumentar que nesses países exista maior apoio ao esporte do que aqui.

No Brasil, a loteria destina parte de sua arrecadação aos esportes e ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Além disso, um bom número de empresas patrocina o COB. Ou seja, recursos existem. Mas pergunto: quem é o presidente há mais tempo no poder na América do Sul? Acertou quem respondeu Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, que já está no poder há 12 anos. Nuzman é um burocrata profissional, antes do COB ficou 20 anos comandando a Confederação Brasileira de Volei. Nesses 12 anos a frente do COB Nuzman só se destacou por querer “cortar” Guga das olimpíadas de Sidnei. Quando o burocrata quer barrar um craque, está na hora de trocar o burocrata. Notem que apesar dos fracassos seguidos ninguém diz o óbvio: está na hora de Nuzman pedir para sair.

Vamos a outro exemplo de má organização: a Confederação Brasileira de Judô. Basta lembrar que essa nobre Confederação tentou “barrar” Aurélio Miguel (o maior judoca olímpico brasileiro). Novamente aplica-se a regra: quando o burocrata quer barrar o craque, barra-se o burocrata. Nestas olimpíadas a Confederação de Judô fez sua parte para tirar qualquer chance de medalha do Brasil. Não vou nem comentar o fato deles não terem levado os reservas imediatos para a olimpíada (o que é praxe no judô). Mas vamos ver a história do judoca negro que emocionou o país ao chorar e pedir desculpa a seus pais. Ele era faixa marrom até o ano passado, não podia ser faixa preta pois não tinha os 1.500 reais necessários para o exame de faixa. Precisa dizer mais? Conversei com um amigo judoca e ele me informou que teve que parar de competir pois não tinha dinheiro para comprar o kimono (vestimenta do judô), motivo: a Confederação EXIGE que se compre o kimono dos patrocinadores oficiais do judô. Isto é, você não pode comprar um quimono mais barato, é obrigado a pagar caro por causa dos burocratas.

Por fim, vamos falar das redes de televisão brasileiras: seus comentaristas são os primeiros a culparem a falta de apoio aos atletas. Contudo, essas mesmas redes tiram do enquadramento o patrocinador dos atletas. Isto é, um patrocinador gasta dinheiro apoiando um atleta e, quando o atleta vence, a rede de TV dá um jeito do nome do patrocinador não aparecer na televisão. Está na hora dos atletas aprenderem e só darem entrevistas com o painel do patrocinador ao fundo.

O problema brasileiro não é termos recursos de menos, é termos burocratas de mais.

PS: o vôlei masculino brasileiro parecia imbatível, até que um burocrata cortou o levantador titular e convocou seu filho.

7 comentários:

saboya disse...

Esse é o Brasil.

Pedro disse...

Adolfo,
concodo 99% do que disse.
Contudo o volei voce exagerou.
O que ocorreu, rpa quem acompnah foi uma briga entre o principal jogador e o treinador. O terinador não pensou duas vezes. Sacou do time. E o filho, foi so eleito o melhor levantador da superliga tres vezes consecuitvas. Era o reserva imediato do Marcelinho. O bernardo rezende teve que acelerar a entrada dela na selção por causa da presepado do ricardinho (ego ferico, vaidade, sei lá...) pois o Ricardinho não quiz dividir o premio de melhor levantador com a equipe. Alem do mais. medalha de prata em jogos olimpicos de maneira alguma pode ser desprezada.
Some-se ao fato de que as outras seleções do planeta correram atras 8 anos pra aprender a ganhar do Brasil. Estão colehdno os frutos agora.

Quanto ao Judo e ao Nuzman perfeito... Uma hipocrizia só.

Anônimo disse...

É, está tudo aparelhado.

William dos Reis disse...

É a burocracia brasileira em todos os segmentos...

Anônimo disse...

Parece que a tal falta de recursos é uma lorota bem maior. Há notícias de que foram repassados às diversas confederações e ao COI algo em torno de R$ 780 milhões. Não é pouco dinheiro. O que terá sido feito com tanto dinheiro?

Henrique disse...

Professor,
concordo plenamente no que diz respeito aos burocratas. Já no que diz respeito ao "fracasso olímpico", eu nao acredito que tenha sido um fracasso. Vamos aos fatos: Jamaica, Quênia e Etópia só ganharam medalhas no atletismo(onde são sem dúvidas os melhores, nem mesmo um bronze em qualquer outro esporte.Eu creditaria essa decepção à grande espectativa que nós brasileiros criamos em relação a alguns esportes(futebol, vôlei que ganhou 5 medalhas e mesmo assim ainda tem aqueles que criticam, o próprio judô, etc) e atletas( Tiago Pereira, João Derly, etc).
Nessas olimpíadas o Brasil ganhou várias medalhas inéditas,e chegou a 38 finais. Claro que alguns resultados poderiam ser bem melhores, mas no fim das contas não foi tão mal.
E quanto ao que o sr. falou do Bernardinho, o pedro disse tudo, procure se informar melhor.

Eduardo disse...

O Sr. Nuzman está usando dois pesos e duas medidas para tentar nos enganar, dizendo que fomos melhores nesta olimpíada que na última. Ele disse que o que importa não é a quantidade de medalhas de ouro que importa e sim a quantidade total de medalhas, já que ganhamos 15 medalhas no total nesta e apenas 10 no total da última e 3 ouros nesta e 5 ouros na última. Já para nos comparar com cuba ele encheu o peito e disse: " CAI O MITO, Ficamos à frente de Cuba", pois ganhamos mais ouros do que eles. Só que eles ganharam 24 medalhas no total sr. Nuzman. E ai? Dá para entender?

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