segunda-feira, 22 de setembro de 2008

FGTS e Petrobras

O governo federal anunciou sua idéia de permitir aos trabalhadores o uso de seu saldo do FGTS para a compra de ações da Petrobras. A idéia do governo é usar o recurso do FGTS para capitalizar a Petrobras, e possibilitar investimentos na área do pré-sal.

Duas questões devem ser feitas ao governo federal. Primeiro, por que apenas a Petrobras tem direito a esse benefício? Sendo uma empresa que opera em bolsa, sob as leis do mercado, e com vários acinionistas privados, qual a justificativa para o governo beneficiar a Petrobras e não o Banco Itaú? e b) o governo perdeu o juízo? Afinal, a primeira regra de finanças é: NUNCA coloque todos seus recursos numa única empresa. Contudo, o governo federal estimula os trabalhadores a fazer exatamente o contrário, ou seja, a colocarem suas reservas de FGTS em apenas uma única empresa.

Para os trabalhadores, e para toda a economia, seria muito mais prudente e saudável permitir que os recursos do FGTS fossem utilizados em qualquer lugar, e não apenas num único investimento. Um ano ruim da Petrobras irá transformar o prejuízo de uma empresa numa situação caótica para vários trabalhadores. Fato esse que gerará pressão política para o socorro estatal da Petrobras e prejuízo para todos os contribuintes.

Acabei de ler que o governo esta desmentindo essa idéia. Isto é, está dizendo que não tem liberação do FGTS para a compra de ações da Petrobras.... vai entender o governo. Mas dessa vez concordo com Lula.

10 comentários:

Fábio Mayer disse...

Fico me perguntando se não mudaram de idéia porque o FGTS não anda exatamente bem das pernas... é incrível, mas o aquecimento da economia gerou um movimento absurdo de saques do FGTS, muitas vezes por meio de "acordos".

Claro que posso estar enganado, aliás, é mais provável que assim seja. Mas é um caso a se analisar.

Anônimo disse...

É difícil concordar com o molusco. Ele é do tipo que lança uma idéia, ou seus asseclas a lançam e, quando começa a gritaria, dá um jeito de tirar o corpo fora. Esse cara é um "bagre ensaboado".
Bob Fields

Anônimo disse...

Adolfo,

Dois pontos destacar no post. Primeiro, governo nenhum jamais se preocupou com FINANÇAS. É da sua natureza. Todo governante gasta até atingir sua restrição orçamentária, que é imposta pela sociedade. Logo, nenhum governo (o atual não é diferente) se preocupa com as leis de mercado. O segundo ponto é: a Petrobrás é estatal, queiramos ou não. E esse governo, mais do que os que o antecederam, estimula o estatismo, no que não é diferente do brasileiro médio. O brasileiro médios adora uma estatal. Quer um prova? Pergunte a seus alunos o que cada um deseja ser quando crescer? A resposta, desconfio, será: funcionário público. Logo amigo, o Lula está seguindo a onda. Por outro lado, cabe perguntar: vai dar merda? Não tenho dúvida.

Leandro disse...

Adolfo,

Vi seu comentário no meu texto que foi publicado no O Globo, na parte de opinião. Gostaria de saber que o debate sempre foi e sempre será o melhor meio de se chegar a qualquer progresso, seja ele de qualquer tipo.

Gostaria, por isso mesmo, de lhe propor, se não for incomodar, uma coisa. Poderia escrever-me sobre os pontos em que discorda do meu argumento no texto?

Gostaria de saber, pois como não sou formado em economia, apenas um mero pensador autônomo que busca ler o máximo possível e entender o razoavelmente minímo para uma vida digna, qual a sua opinião, enquanto pessoa com mais acesso a essa matéria.

Se puder, será um prazer a troca de textos. Abraços.

Blog do Adolfo disse...

Caro Leandro,

Em seu texto, que esta muito bem escrito, eu tenho uma concordância importante contigo: o mercado monetário não pode se descolar do mercado físico (de bens e serviços).

Contudo, discordo de que o conceito de "comprar barato e vender caro" seja a origem das crises. Na realidade todo mercado tenta comprar o mais barato possível e vender o mais caro possivel. Por exemplo, o pipoqueiro tenta vender a pipoca pelo preço mais caro, mas tenta comprar o milho pelo preço mais barato. Não creio que isso seja motivo de crise, pelo contrario, isso é uma fonte de eficiência econômica.

Por fim, eu acredito que foi o Estado o principal causador da crise. Assim, eu não concordo que o mercado deva ser mais regulado. Pelo contrário, creio que regular mais o mercado só irá trazer prejuízos no longo prazo.

Grande abraco,
Adolfo

Mariz disse...

Professor,

Tem como me passar seu e-mail?

Preciso tratar de um assunto importante: um Encontro de Pensadores Liberais que estamos organizando aqui em Fortaleza.

Qualquer coisa, meu e-mail é antoniomariz@uol.com.br

Abraços,
Mariz

lucas disse...

Adolfo, seu texto nao faz sentido econômico pelo simples fato de que a compra de ações da petrobras é opcional. Como o trabalhador pode estar pior se além de deixar o dinheiro no FGTS agora tem uma outra opção de investimento? (a úncia alternativa seria supor que o trabalhador nao consegue investir direito, o que não é uma opinião de liberal e nao parece ser algo com que vc concordaria).
Tá certo que por este mesmo raciocínio dar mais liberdade ainda pra investir em qq lugar seria melhor ainda pro trabalhador. Mas mesmo assim, conseguir ficar exposto a petrobras e ganhando com seus lucros e valorização das ações
ainda é muito melhor do travado na poupança forçada que é o FGTS.

Blog do Adolfo disse...

Caro Lucas,

Excelente comentário. Concordo plenamente contigo: do ponto de vista individual mais opções não pode ser pior do que menos opções.

Meu ponto no texto é outro: se um indivíduo pode usar o FGTS para aplicar na Petrobras, então por que ele não pode usar o mesmo dinheiro para aplicar no Itau?

E ainda, se for para aplicar na bolsa, a regra básica manda diversificar o investimento; e não concentrar como sugere o governo.

Adolfo

Daniel Marchi disse...

Adolfo
Sobre esse assunto, acho que o "bom combate" não é criticar o governo por permitir a aplicação do FGTS nessa ou naquela ação. É a própria existência desse mecanismo de coerção que deve ser combatida. Por quê me obrigam a poupar 8%? E se eu preferir tomar chopp com essa grana? Aliás, na mesma linha, por quê me obrigam a aderir ao sistema público de previdência? E se eu não quiser me aposentar?
Falta no Brasil um juiz macho de verdade, que dê ganho a um eventual pedido de não adesão ao FGTS e ao INSS. A base poderia ser art. 5º, inciso X da Constituição (são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação).

Matheus Lemos Arof Unb disse...

A ideia de o trabalhador poder aplicar parte do fgts em ações da petrobras é muito boa, quanto o fgts rende em um ano 4 ou 5% agora quem aplicou em 2000 quando era permitido aplicar até 50% do fgts viu seu dinheiro render quase 900%. O governo se beneficia com essa proposta e o trabalhador também o governo porque consegue um bom dinheiro para financiar os projetos da camada pré sal o trabalhador porque tem a possibilidade de maximizar seu capital tendo em vista que a pertobras é uma empresa bastante sólida.

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