terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ponto para a Democracia Americana

Bush, Paulson e Bernanke acharam que estavam no Brasil: bastava assinar uma medida provisória que o dinheiro entrava na conta. A Câmara Americana deu uma lição de democracia ao mundo: não tem essa de aprovar uma medida na base do supetão, na base da ameaça. Dar 700 bilhões de dólares ao setor financeiro baseado no medo é um absurdo completo. Apóio a decisão da Câmara Americana, eles fizeram muito bem em REJEITAR o pacote de ajuda ao setor financeiro.

Como este blog tem alertado desde o começo da crise, é absurdo o fato do governo americano querer ajudar empresas privadas que tiveram prejuízos decorrentes de suas más escolhas no passado. A Câmara Americana não precisa ficar preocupada:

1) A crise americana NÃO será nem de perto parecida com a de 1929. Basta o governo não tentar salvar o sistema que a crise será breve. Aliás, devemos ressaltar que a economia americana NÃO está em crise. O PIB americano está crescendo e vai terminar 2008 positivo. TALVEZ o PIB americano CAIA em 2009, e esta será a crise. Dificilmente o crescimento americano será negativo em 2010.

2) Aposto que as bolsas de valores voltam a subir na quarta-feira.

3) Esse papo de crise sistêmica é papo-furado. Se uma economia não suportar a quebra de alguns bancos, então é melhor que não ajam bancos na economia. Afinal, se tivermos que socorrer o sistema financeiro toda vez que ele tiver prejuízo então logo logo alguém pedirá pela estatização desse sistema. Ou seja, é melhor abandonar essa estrutura e deixar espaço para o mercado criar algo no lugar. Afinal, os bancos são apenas uma forma criada pelo mercado para facilitar empréstimos. Na ausência de bancos outros sistemas apareceriam.

4) O que gera crise é tirar dinheiro do setor produtivo e DAR para setores ineficientes. O pacote de ajuda ao sistema financeiro se propunha a tirar 700 bilhões de dólares do setor produtivo para ajudar os agentes que foram ineficientes no passado.

5) A origem da crise americana esta no EXCESSO de regulação, e NÃO na ausência desta. DAR dinheiro ao setor financeiro só iria gerar pressão por mais regulação.

6) Quem tem que estar preocupado é a China. A China é certamente o país que mais títulos podres deve ter em sua carteira. Fosse a China uma democracia e já saberíamos o tamanho do prejuízo deles. Cedo ou tarde esse número vai aparecer.

7) Se regulação é a chave, então deveríamos esperar que os fundos menos regulados apresentassem os maiores prejuízos. Então, por que os fundos de hedge (um dos menos regulados) foram os que menos sofreram?
Excelente a postura da Câmara Americana, verdadeira lição para o resto do mundo.

Democracia não é dar poderes absolutos a um presidente, mesmo que este tenha sido eleito.

16 comentários:

GAbiRu disse...

[atencao, isto e uma piada]

"Democracia não é dar poderes absolutos a um presidente, mesmo que este tenha sido eleito"

entao a venezuela nao é uma democracia?

Nilo disse...

Se fosse aqui no Brasil o governo ja teria dado até a alma para o sistema. E o Lula ainda fala que o país esta blindado.

Daniel M. disse...

Adolfo
Parece-me que existe uma certa idolatria pelos bancos. Não podem sofrer qualquer tipo de ameaça. Em última instância, o cidadão quando deposita seus recursos numa instituição e usufrui uma série de benefícios, ele também não está assumindo riscos? Está! Quem achar isso um absurdo deve comprar um cofre...

ts disse...

Adolfo:
Análise exemplar!

Anônimo disse...

Alo Adolfo, concordo que o governo americano está minado, mas nem tanto quanto aqui, no país do jeitinho (sem-vergonha). Só que a democracia americana não é assolada por mensaleiros sindicalistas de todos os gêneros. Quanto à gênese da crise, pelo que pude captar, está relacionada com picaretagens (o banco segurador), má regulação (marcação a mercado), picaretagens no setor imobiliário e picaretagens contumazes dos bancos centrais (acham que podem controlar juros. O câmbio, Friedman depois de quase 30 anos, venceu. Em relação aos juros, vai demorar um pouco mais para que ele flutue no mercado). Em relação aos analistas, os nossos são umas merdas mesmo. Já os americanos analistas, jornalistas e economistas sérios (cerca de 200) deram um show. Assim, em linhas gerais concordo com você. E olhando da minha janela, notei que o mundo não acabou!!!!!
Um abraço
Marco B

Anônimo disse...

Concordo com no todo, com o texto. Mas discordo da "lição de democracia ao mundo: não tem essa de aprovar uma medida na base do supetão, na base da ameaça". Na verdade, dois fatos contribuiram para a rejeição. O primeiro, as eleições (legislativas) que se aproximam. É a velha conversa: quem tem c* tem medo. O medo deles, como de todo político, é perder a boquinha. O segundo fato, o discurso desastrado da Nancy Pelosi acusando o Bush (um republicano) pelos problemas, levou boa parte dos republicanos ao "não". No entanto, a Pelosi tampouco conseguiu convencer os do seu partido: foram 95 "não" democratas. Agora o Barack Osama, digo, Barack Obama se refere ao episódio como "raiva partidária". Tudo conversa mole. O PD tem maioria nas duas casas legislativas. Então que aprove seus projetos. Até parece um certo presidente brasileiro, quando da rejeição da CPMF.

Anônimo disse...

US$ 700 bilhões num mercardo de derivativos que rondam a casa dos US$ 30 trilhões é ninharia.

ACORDA GENTE!!! Essa dificuldade posta pela câmara americana é pura jogatina, todos nós sabemos que o pacote economico será aprovado e mais uma vez Wall Street sairá ileso de sua extrema AVAREZA. Vcs sabem o porque...

Anônimo disse...

DEFINIÇÃO DE FINANÇAS:

"Financas e a ciência de quem embrulha merda pura e cristalina em papel dourado e espera vender a merda bem cara porque o papel brilha."

By: Selva Brasilis
http://selvabrasilis.blogspot.com/

Fábio Mayer disse...

Pois é, escrevi sobre esse assunto hoje, penso que o Congresso americano deu um voto de confiança à economia real do país, aquela de gente que trabalha, e que responde positivamente a qualquer redução de carga tributária. Fez isso antes de entregar dinheiro barato a especuladores e, pior, entrar numa onda estatista de consequencias deletérias... oxalá continue agindo assim.

Matheus Lemos Arof Unb disse...

Se isso nao é crise nao sei o que é crise então. O pacote não foi aprovado mas SERÁ com certeza, não foi aprovado devido uma richa dos democratas com os republicanos, e pelo merdo de perderem votos mas esse pacote de ajuda saira mais cedo ou mais tarde no caso, quinta feira dia que vai ser a nova votação. A falta de regulação que levou essa quebradeira generalizada e isso esta sendo mostrado de varias formas a alavancagem dos bancos é uma delas muito maior do que a recomendada pelo fed

Pedro H. Albuquerque disse...

Excelente Adolfo, excelente artigo!

William dos Reis disse...

Muito bom esse artigo Adolfo.
O que precisamos é de pensamentos como o seu difundidos nos jornais e televisões.
Sempre que assistimos ou lemos um jornal só vemos os mesmos comentários fechados...

Abraço.

fix disse...

Professor Sachsida
Já passou da hora de gente como o senhor ter espaço na mídia “mainstream” brasileira. O LIXO que a Folha de São Paulo esta publicando desde o começo dessa crise é de causar vergonha em qualquer jornalista que se deseje sério.
A Conversa Mole esquerdista que é “vendida” como análise séria e ponderada, como por exemplo, o programa da GNT: Milenio e as pautas do jornalista Jorge Pontual, que apregoam só as idéias do abismo esquerdista, e colocam só os piores dinossauros da academia brasileira, que se dizem economistas, pra reafirmar as teses requentadas do pior tipo de estatismo.
Essa gente não tem vergonha na cara.

Anônimo disse...

America is safe, God save us all!!!

Um dos fundamentos da sociedade americana é o conceito de que cada indivíduo deve receber os benefícios e arcar com os custos de suas decisões. O Congresso americano foi fiel a esta idéia. Crises vem e vão, mas o fato inegável é que, a partir desta base, os americanos construiram a socieda mais próspera da história.

Se alguém estiver curioso para saber o que os economistas (os sérios, não os jornalistas que pensam que são economistas) pensam a respeito deste pacote veja o link:

http://faculty.chicagogsb.edu/john.cochrane/research/Papers/mortgage_protest.htm

Do Acemoglu ao Lucas, mais de 100 (até 27/9) acham que o Congresso NÃO deve aprovar esta ajuda.

Abraço,

Roberto

marcelo disse...

Adolfo,

Tenho acompanhado com grande interesse seu blog e concordado com boa parte de suas análises. Mas me permita discordar desta vez.

Gostaria de pensar este problema nestes termos, como uma lição para quem errou, mas temo que a análise não é simplista assim.
Se US$ 700 bilhões for realmente o tamanho do buraco e admitindo que o sistema bancário não tenha seus títulos resgatados ( ou na verdade trocados por títulos públicos ao valor de face) e supondo conservadoramente um grau de alavancagem de 12:1 comum no sistema bancário americano, vemos por aí o tamanho do problema ( algo como uma redução súbita de 30% no volume de crédito da economia americana). E isso sem falar nos efeitos sobre a Europa e China que, no caso do continente, já se sente.

Deixar quebrar e dane-se o resto não sei se é uma opção. Acho que isso não é uma questão de medo : é uma possibilidade bem real de uma grande crise.

Por outro lado, o avanço do discurso regulador e intervencionista de sempre é reflexo dos erros cometidos na condução da política monetária dos últimos anos.Fica claro que a bolha imobiliária foi fruto da política monetária acomodatícia dos últimos anos que evitou as correções tão necessárias e benéficas ao sistema.
Não fosse isso, não teríamos que escutar o velho mantra heterodoxo de que os mercados sozinhos não resolvem seus problemas.

Anônimo disse...

Uma continha para que quer saber porque tem tanto economista por aqui afirmando que o governo americano tem de "salvar" o mercado.

Hipóteses: 1)Em termos arredondados o dólar pulou de 1,60 para 2,00. 2) O rendimento da BOVESPA foi zero no mesmo período.

O economista que trabalha no mercado aplicando na BOVESPA e fala com a imprensa nas horas vagas (note-se que para falar com a imprensa se apresenta como professor...) pega emprestado U$ 100 milhões tranforma em R$ 160 milhões e aplica na bolsa. Depois de um mês ele tem os mesmos R$ 160 milhões (se desejar botar uma rentabilidade positiva ou negativa não muda muito o exemplo), mas com o novo câmbio ele só tem U$ 80 milhões. Como o principal tem de ser pago em doláres ele teve uma perda de U$ 20 milhões mais juros!!!

Alternativa 1) Aceitar a perda e tentar trabalhar para recuperar o dinheiro, com eventual possibilidade de redução no padrão de vida.

Altenativa 2) Se juntar a choradeira do "mercado" e torcer para o dinheiro do contribuinte americano recuperar as bolsas reduzindo a desvalorização do real e salvando parte do prejuízo.

Uma hora assistindo Espaço Aberto e Conta Corrente para quem acertar a resposta.

Abraço,

Roberto

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