segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A Recuperação das Bolsas de Valores

As Bolsas de Valores ao redor do mundo exibiram expressivas altas na sexta-feira passada. O motivo foi simples: o governo americano decidiu devolver 700 bilhões de dólares à pessoas e empresas que haviam perdido esse dinheiro. Quando empresas perdem 700 bilhões de dólares é natural que seu valor de mercado caia, também é natural que as pessoas que tinham dinheiro nessas empresas passem por dificuldades. Mas o governo americano facilitou para elas, elas agradeceram e trataram de investir mais dinheiro nas bolsas.

A ajuda do governo americano terá pelo menos três outros efeitos: a) estimulará a tomada de maiores riscos no mercado financeiro (afinal sempre restará a certeza de que o Estado voltará a ajudar caso algo dê errado); b) mais empresas e indivíduos deixarão de pagar suas contas (para pressionar o Estado a transferir dinheiro para eles também); e c) teremos mais regulação no mercado financeiro para evitar novas crises (que não terão grande efeito para evitar novas crises, mas que diminuirão o volume de crédito na economia). No conjunto esses três efeitos irão diminuir a taxa de crescimento e o bem estar da economia. Ou seja, evitar a crise vai custar muito mais caro do que a crise em si. Muito mais saudável e benéfico teria sido não fazer nada, o que puniria as empresas que fizeram as escolhas erradas e economizaria o dinheiro dos contribuintes.

Por fim, o que acham de dividirmos os ganhos da bolsa de valores na última sexta-feira? Afinal, quando os mercados financeiros entram em crise somos obrigados a socorrê-los. Assim, nada mais justo do que partilharmos dos ganhos também. Apesar de absurda essa proposta vai ganhar espaço (sob diferentes nomes e camuflagens), e este será outro custo decorrente da ajuda do Estado para salvar empresas financeiras falidas.

7 comentários:

William dos Reis disse...

É o que Celso Furtado dizia... "socialização das perdas".

Mas você tem razão Adolfo. Ainda não ouvi falar sobre "divisão dos lucros".

abraço.

Anônimo disse...

Como não sei se vão publicar na carta dos leitores do jornal O Globo, apelo para quem é a favor da liberdade de opinião.

"Analista banqueiro só consegue falar com propriedade sobre coisas que não nos interessam. Veja o Sr. Paulo Guedes. Analisa quase corretamente a crise americana (depois de não sei quantas colunas escritas sobre o mesmo assunto): alavancagem e juros altos. Espero próxima coluna para correção dos culpados. Não são os juros baixos o problema.Pelo contrário. Os juros altos são por culpa do Banco Central americano: o tal do Bernanke que puxou os juros, baixando a riqueza geral e trazendo complicações ao sistema financeiro. Aqui, no Brasil, o Banco Central coloca os juros lá nos píncaros e para os analistas está tudo bem. Isso o Sr. Paulo Guedes não combate. Não fala. Não gasta suas tintas em muitas das suas colunas.Todos sabemos que os bancos brasileiros têm a proteção 24 horas do banco central, com a indexação estúpida que o tesouro brasileiro patrocina e os políticos engolem. Ninguém fala que a indexação é desnecessária quando a inflação é baixa. NInguém está se preocupando com os milhares de poupadores que perderam suas casa no Brasil, por conta da correção monetária e que provavelmente outros tantos perderão num futuro não previsível. Por quê? "
Um abraço
Marco B

Anônimo disse...

A disfuncao do credito imobiliario comeca pelo regime liberal de Getulio. A indexacao idiota do tesouro brasileiro, em forma de dilapidacao da curva de rendimentos na sua ponta, exemplifica por que o banco central nao pode proseguir com essa politica monetaria. Melhor instaurar o padrao ouro para conter os mark-ups do setor financeiro nao-financeiro. A bolha de ativos se explica pelos fundamentos inadequados da economia politica do Brasil moderno.

Mario Guedes disse...

Big Adolph, em resumo, mesmo, o que está ocorrendo, é, simplesmente, sinceramente, apenas, só isso: retransferência de ativos (anteriormente arrecadados).

Richard_UnB_Arof disse...

concordo,também acho que as empresas deveriam pagar por suas escolhas erradas.os contribuintes são os mais afetados nesse processo,pois desembolsam dinheiro para ressarcir aqueles que possuim uma boa quantia,mas não foram capazes de sustentá-las de modo adequado.

Anônimo disse...

Anônimo das 12:24,

Você quis dizer lé-com-cré ou cré-com-lé?

Anônimo disse...

Poderia responder ao seguinte texto num próximo post?

http://maovisivel.blogspot.com/2008/09/pensamentos-esparsos-sobre-crise.html

Agora eu estou em dúvida sobre o que pensar...

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