quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O que vem depois dos US$ 700 bilhões?

Os analistas financeiros falam com propriedade que a ajuda federal ao setor financeiro americano será inferior a U$ 700 bilhões. Afinal, os títulos podres que seriam comprados pelo governo têm algum valor, ou seja, 700 bilhões de dólares é o custo máximo para o contribuinte. Alguns dos analistas dizem até que o governo pode lucrar com os títulos podres.... claro claro, em teoria quase tudo é possível. Mas se os títulos podres são tão bom negócio assim, então por que o setor privado não o compra?

Os analistas financeiros estão ERRADOS: 700 bilhões é apenas o começo. O Senado americano já aprovou um projeto MODIFICADO; ou seja, aprovou um projeto que AUMENTA as garantias para quem tem depósitos em banco. Essa medida, apesar de não ter custo imediato, AUMENTA o ônus do Tesouro Americano no caso de quebra de alguns bancos. Na sexta-feira será a vez do pacote de ajuda ser votado na Câmara Americana, que promessas não terão que ser feitas aos congressistas para que estes apoiem o pacote (que eles mesmos rejeitaram no começo da semana)? Quando se manda um pacote de ajuda para o Congresso você sabe o que mandou, mas não sabe o que vai sair.

O custo do pacote de ajuda ao setor financeiro não termina no Congresso: vários indivíduos irão pressionar para terem perdão em suas dívidas de cartão de crédito ou em suas hipotecas imobiliárias. Várias empresas irão ao Congresso com o chapéu na mão: Ford e GM são as empresas que, em minha opinião, irão ainda esse ano pedir ajuda ao governo federal. Todas elas com argumentos similares aos usados pelo setor financeiro: uma crise no setor automobilístico teria graves consequências para a economia. Ano que vem teremos: Boing, American Airlines, Continental e Delta recebendo ajuda do governo. Afinal, uma crise no setor aéreo tem efeitos gravíssimos sobre toda a economia. No final de 2009 será a vez de ajudar as siderúrgicas americanas. Afinal, siderurgia é um setor estratégico. Enfim, a conta não pára de crescer. Ou melhor, pára no dia que acabarem os recursos do já combalido Tesouro Americano. Nesse dia, o governo fará o que deveria ter feito hoje: não cabe ao setor público salvar da falência empresas privadas.

Os 700 bilhões de dólares do pacote de ajuda ao setor financeiro americano é apenas a ponta do iceberg. Assim que o governo aprovar esse pacote o próprio setor financeiro começará a dizer que 700 bilhões é pouco para evitar a crise, e mais dinheiro deverá ser DADO aos bancos para o bem da economia. Pior do que isso: o pacote de ajuda quebra uma regra básica do capitalismo: investidores que aceitam correr riscos em busca de lucro devem também ser responsáveis em caso de prejuízos.

10 comentários:

nilo disse...

E ja se fala em pacote de ajuda brasileiro. O Mântega riu, mas duvido se não ja esta pensando no assunto!!!

Anônimo disse...

Vejo da minha janela que o mundo não acabou.No entanto, malandros vejo em todos os lugares.

Anônimo disse...

É isso mesmo professor, 700 bi é só uma gota no inferno. O problema por trás disso é muito maior...

Por isso que os grandes economistas mundiais defendem a não aprovação do pacote, sob pena, do governo americano estar apenas empurrando um problema, talvez sem precedentes, para um futuro bem próximo.

FIX disse...

O Mais curioso é que a esquerdalha no Brasil (E no mundo também, mas aqui a esquerda é dominante em sua estupidez) rotula o liberalismo como um instrumento de divulgação da cultura capitalista e uma tradição que promove os interesses do grande capital.
Numa crise como essa, desnudam-se essas teses abiloladas, mostrando a ignorância ou má fé dessa gente. O Grande capital, como entendido pela esquerda, esta completamente rendido ao intervencionismo, alias, eles têm todo o incentivo para fazê-lo. E são os liberais, que no Brasil são conhecidos como “ultra-liberais” que se opõe ao ilusionismo do “Bail Out” e estão a difundir a posição contrária ao “pacote de ajuda” feito pelo governo americano.
Ora, empresas grandes amam intervencionismo, o Brasil é um exemplo claro de como na hora H, muitos empresários desejam que o governo proteja seus lucros em nome dos “empregos que a indústria nacional cria”. Claro que o problema não é o lucro, o problema é o governo entrando na jogada para manter firmas no mercado, à custa do consumidor (pra mim, um tipo de imposto) e à custa de novas firmas (outro tipo de imposto). Nesse caso, o liberalismo esta completamente contra os interesses do “grande capital” e os esquerdistas estatólatras convenientemente se esquecem disso.
O Avanço do estado na vida privada dos cidadãos e o intervencionismo econômico por aqui é feito com o apoio da academia esquerdizada. A Esquerda dominante fornece as teses para justificarmos o intervencionismo. Como Capitalismo Estatal é de fato muito mais vantajoso pra essa gente, do que qualquer sorte de socialismo “radical” poderemos observar sempre como de fato, quem está a serviço do Grande Capital é a esquerda e os intervencionistas.
A Crise do Intervencionismo “transformou-se” em crise do livre mercado com a ajuda dos “Pundits”, uma obvia falácia facilmente demonstrável, e a tese marxista que acusa o liberalismo como uma ideologia do lucro vai ao chão mais uma vez, quando todos os grandes players pedem penico pro governo americano.
Em grotões como o Brasil, os libertários são os únicos bípedes que se opõe ao intervencionismo.

Felipe disse...

Não concordo. Essa ajuda tem caráter emergencial. Não vai acabar com a crise, mas vai mandar uma mensagem importante: O sistema financeiro não vai corroer.

Juliano Torres disse...

Nesse novo pacote já tem 80bi para incentivar energias alternativas. O que isso tem a ver com a crise?

Anônimo disse...

Continuo a ver da minha janela que o mundo não acabou. Em relação a crise: duas coisas irão ocorrer aqui: juros deverão subir (não sabemos o quanto, já que estão nos píncaros) e câmbio também subirá (se desvalorizará momentaneamente). Depois da fuga dos capitais externos, o câmbio volta a sua trajetória (eu mesmo não sei bem qual é essa trajetória. Os entendidos saberão? Mostrem o modelo - funcionando, obviamente).
UM abraço
Marco B

Anônimo disse...

Petição ao Congresso

Devido a crise nas bolsas o número de turistas vindo ao Brasil vai cair consideravelmente, esta queda causará um impacto significativo no mercado de prostituição. Isto pode iniciar uma crise, pois haverá uma redução na compra de bebidas, comidas, preservativos e quartos de moteis. A crise combinada na agroindústria, na indústria farmacêutica e na hotelaria, claramente uma crise sistêmica, pode levar a uma onda de desemprego que poderá se alastrar por outros setores da economia. Neste ponto o efeito multiplicador certamente fará com que o desemprego saia de controle, gerando uma massa de desempregados pelas ruas prontas para quebrar tudo. O quebra-quebra levará a uma crise de confiança com efeitos catastróficos sobre o mercado financeiro.

A única forma de evitar este cenário de horror é liberar, em regime de urgência, um pacote para salvar a profissão mais antiga do mundo. Sugiro que cada turista que entrar no país receba um bônus que pode ser gasto exclusivamente em áreas de prostituição, para ajudar no combate à pedofilia o bônus trará a incrição "prostituição infantil é crime". Esta é única forma de evitar o fim do capitalismo, do planeta e de Copacabana, não necessariamente nesta ordem.

Certo de que contarei com o apoio de vocês, pois quem ajuda o filho não vai negar socorro a mãe, subscrevo.

Roberto

Richard_UnB_Arof disse...

Acho que Eles apenas estaram empurrando um problema com a barriga.Se o governo sempre se prontifica em dar uma ajudinha ao sistema bancário,isso vai fazer com que todos pensem que caso ocorra um imprevisto, um novo pacotão poderá ajudá-los.

vitor moreira disse...

acho que esse já está sendo a decadência do império dos Estados Unidos, porém medidas emergensiais não querem dizer que a economia norte americana vá arcar com tanto prejuízo no setor privado e além disso com a crise o sistema de empréstimos não será mais como era antes logo mesmo achando que muitas empresas vão quebrar pela falta ou dificuldade de crédito isso não fará com que o congresso norte americano ajude a todas as empresas que precisarem...

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