segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Reflexões sobre a Crise I: A Crise Atual e a Crise de 1929

Muitos analistas tentam encontrar semelhanças entre a crise financeira atual e a crise de 1929. A rigor existe apenas uma grande semelhança entre a crise atual e a de 1929: ambas foram causadas pelo Estado.

Em 1929 os Estados Unidos adotavam o padrão-ouro. Com seguidos déficits em sua balança comercial, os americanos tinham que transferir ouro para outros países. Com menos reservas em ouro, eram obrigados então a reduzir a quantidade de dólares na economia. Isso levou a uma brutal queda na liquidez da economia americana. Foi nesse ponto que surgiu o Banco Central americano (FED). O FED foi criado justamente para evitar problemas de liquidez, mas ao invés de aumentar a liquidez do sistema optou por reduzí-la. Foi esse o começo da RECESSÃO americana. A DEPRESSÃO americana só começou com o segundo movimento errado do governo: restrições ao comércio internacional (com a idéia de melhorar a situação das empresas americanas) e maior poder de barganha aos sindicatos (com a idéia de melhorar a situação dos trabalhadores). As políticas públicas americanas, destinadas a aliviar os efeitos da crise, tiveram o efeito contrário e transformaram uma crise passageira numa depressão profunda. Até hoje algumas pessoas acreditam que a economia americana só se recuperou por causa da segunda guerra mundial. Elas estão certas em parte, não porque a economia americana precisa da guerra (como argumentam), mas sim porque foi durante a guerra que as políticas públicas adotadas ao longo da década de 30 foram abandonadas. Somente após abandonar idéias erradas é que a economia americana se recuperou.

Atualmente os Estados Unidos adotam o câmbio flexível (diferente do padrão-ouro de 1929). Essa é uma diferença importante, pois agora déficits comerciais (ao contrário de 1929) não são capazes de afetar severamente a liquidez da economia. Mas tal qual em 1929, o governo americano está transformando uma crise passageira numa depressão severa. As medidas de apoio ao setor financeiro logo se alastrarão para outros setores da economia. Restrições ao comércio internacional logo serão adotadas e compensações serão extendidas aos trabalhadores. O resultado disso será similar ao de 1929: o governo terá gerado mais outra brutal recessão.

O que gerou a depressão econômica de 1929 não foi a crise no setor bancário americano, foi sim a sequência de más políticas públicas adotadas pelo governo na década de 1930. As políticas públicas americanas transformaram uma crise passageira numa depressão severa. Essa é outra semelhança entre a crise atual e a crise de 1930: em ambas o Estado primeiro causou a crise; e depois a título de salvar a economia transformou a crise numa depressão.

6 comentários:

Anônimo disse...

Adolfo,
Primeiramente, parabéns pelo seu blog. Acabei chegando nele no meio da crise e estou estreiando nos posts. Como considero meu pensamento "liberal" em termos de economia, tendo a concordar com você. Contudo não acho que eles repetirão os erros do passado. Em se tratando de um próximo governo democrata provavelmente eles adotarão medidas protecionistas / intervencionistas, mas acho que serão criativos. Como a crise é diferente as medidas também serão. Um IGnobel pra quem acertar quais serão estas medidas!
André L

Anônimo disse...

As diferenças fundamentais entre as crises de 30 do século passado e essa de 2008 são as lições. Na crise de 30 tudo parecia que era um defeito na engrenagem e que bastava uma lubrificação monetária. Nessa agora, pudemos perceber que os vagabundos estão em ambos os lados: tanto na iniciativa privada, quanto no governo. Estes gastam dinheiro do povo com os malandros do sistema financeiro e aqueles gastam o dinheiro dos poupadores em orgias e papéis que não têm lastro. Mas a grande lição é a seguinte: dinheiro para previdência, educação e saúde é sempre um problema. Agora dinheiro para salvar banqueiro incompetente e empresário especulador, ah isso não falta. Quer saber, vejo que chegamos num estágio tal que o trabalho árduo será coisa só para otário. Vejo também que a tal democracia presente precisa ser revisitada, pois o sistema vigente só funciona bem para os barões e tubarões. Foi fácil arrumar alguns bilhões para sanear a falta de liquidez bancária e liquidez para empresário especulador, mas é extremamente difícil resolver a questão da dívida interna, da saúde, da educação e da previdência. Dada a presente bagunça, acho que tudo isso tem que ser estatizado. Vamos zerar o jogo!
Um abraço
Marco B

Anônimo disse...

O Adolfo tem razão: o que emergirá disso que estão gestando será mais instabilidade, com os efeitos ruins no longo prazo. Mas o objetivo dos policy-makers é buscar um tal de pleno emprego, que eles sabem ser uma escolha do curto prazo, em detrimento do longo prazo, porque todo policy-maker que se preze tem em mente algo como um ciclo eleitoral. E o jornalismo econômico aplaude. Mesmo o Gordon Brown que, até ontem, a imprensa considerava uma anta, hoje amanheceu gênio.

Fábio Mayer disse...

O presidente americano de época, Warren G.Harding (se não me falha a memória) ao contrário do que pensam alguns, era EXTREMAMENTE POPULAR e tinha alguma tendência ao populismo.

Muitos dos erros aconteceram porque ele e seu governo republicano de época achavam que bastava apenas a força de sua imagem para dar soluções para problemas econômicos.

Eduardo disse...

Adolfo, Após esta lastimosa situação em que a economia americana colocou o mundo, sinto o cheiro de um novo NEW DEAL, no qual o então presidente americano Franklin Roosevelt adotou várias medidas tais como:
* Concessão de empréstimos a empresários urbanos e rurais que haviam falido.
* Controle da produção e dos preços da maior parte dos produtos industriais e agrícolas.
* Construção de grandes obras públicas e etc.
E para esses interesses eles não medirão esforços em "sugar" tudo que puderem das economias que estão em franco crescimento.
BRASIL e CHINA são a alvos fáceis, isto é, a famosa "BOLA DA VEZ".

Um Abraço.

Eduardo Borges
UCB

Anônimo disse...

So digo uma coisa: em 1929 não tínhamos a INTERNET. Ou seja, em outras palavras, os meios de comunicação mais eficientes irão influenciar o encontro de um equilibrio macroeconomico internacianal mais rápido.

Ps.: Até agora não vi um economista falar sobre isso. Que pena!

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