terça-feira, 21 de outubro de 2008

Uma aula de história em 2050

Abaixo reporto uma aula de história hipotética que provavelmente ocorrerá em 2050.

Alunos, abram o livro na página 171. Hoje vamos estudar o desastre econômico gerado pelas políticas liberais.

A ganância dos empresários, sem sofrer qualquer regulação do governo e apoiada por neoliberais gerou a maior crise econômica da história. Milhares de trabalhadores perderam suas casas. Pior do que isso, para evitar o caos financeiro o Estado foi obrigado a gastar trilhões de dólares. Com isso acabou o dinheiro para financiar a saúde e a educação públicas. Depois que o estrago das idéias liberais foi feito, o Estado teve que intervir para salvar a economia. Mas toda a sociedade teve que pagar um preço altíssimo por ter acreditado no livre-mercado.

Neste ponto o professor é interrompido pelo aluno Pedro “mas professor se foi o liberalismo o culpado, então por que países europeus como a França, que são super regulados, sofreram com a crise?”. Boa pergunta Pedro, mas você está se esquecendo que naquela época a globalização estava na moda. Foi a globalização que levou a crise aos países europeus. Agora é a vez de André intervir “mas professor a globalização não gerou riqueza?”. NUNCA nunca mais repita esse absurdo André!!!! A globalização só gerou miséria. Tanto é verdade que logo após a crise vários países do mundo deram um basta nesta besta do apocalipse chamada globalização. Nesse ponto é a vez de Roberto intervir “sim professor, os países que mais limitaram o comércio internacional foram também os países que mais sofreram com a crise”. MENTIRA mentira Roberto, você está sendo muito superficial, com um raciocínio muito linear. Foi o fim da globalização que evitou o pior da crise, se não tivéssemos acabado com a globalização os efeitos das políticas neoliberais teriam sido muito piores. Basta notar que naquela época deram o prêmio nobel de Economia justamente para um economista afinado com o candidato à presidência americana que pregava contra a globalização, contra o livre-comércio. Agora é a vez de João intervir “mas professor se liberalismo e globalização são tão ruins por que os países que eram mais liberais eram também os mais ricos?”. Exploração João, exploração. Estes países que você citou eram ricos porque exploravam os outros; eram ricos à custa da miséria do resto do mundo.


Acima descrevi o conteúdo das aulas de história que contarão às gerações futuras o que está acontecendo hoje. Nenhuma palavra sobre o fato do mercado imobiliário ser super regulado em qualquer parte do mundo ocidental. Nenhuma menção à péssima política monetária adotada pelo Banco Central Americano, mantendo os juros extremamente baixos, que contribuiu decisivamente para crise. Nada a respeito da brutal intervenção do governo na Fanny May e Freddy Mac, que foi o grande instrumento de geração da crise. Nada será dito sobre o conselho liberal de NÃO AJUDAR empresas ineficientes. Enfim, o professor encerrará a aula com a seguinte pérola:

Depois de tantos fracassos, de tantas crises e de tanta pobreza geradas, como é possível alguém ainda se dizer liberal? Só mesmo um canalha para defender o liberalismo. E lugar de canalhas é na masmorra ou no paredão.

10 comentários:

Nilo disse...

Caberá aos poucos estudantes liberais de hoje não deixar que isso aconteça!! (La vamos nós)

Anônimo disse...

Ainda bem que é uma aula hipotética. É apenas um pesadelo. No mundo real, tal exercício será apenas um exercício de retórica. A menos que se esteja na terra brasilis. Nesse caso, o rabo balançará o cão.

Fábio Mayer disse...

É... e se essa cena ocorrer em 2050, provavelmente os alunos estarão numa sala de pau a pique, com cadeiras feitas de madeira improvisada tirada de lixões, em livros com 20 anos de existência... porque se oliberalismo for tratado desse jeito, o mundo voltará à idade das cavernas!

Anônimo disse...

Eu hein!
Essa aula se dará na URSBS

União das Repúblicas Socialistas Bolivarianas do Sul...

GAbiRu disse...

"E lugar de canalhas é na masmorra ou no paredão"



quaquaquaquaquauquauuauuquauauuauquququququauauuaqaqaaa

"famos salvar o povo e fuzilar o resto" comunista desconhecido

Ricardo Bernhard disse...

Não CAPTEI o otimismo em relação aos alunos.

Erik Figueiredo disse...

Adolfo,

já ouvi o seguinte argumento: temos que criar mais uma disciplina de história econômica brasileira, pois as atuais só vão até o início da década de 1990. Eu pensei: daqui a 50 anos teremos umas 10 histórias econômicas.

Logo, em economia brasileira VIII o conteúdo será esse que você descreveu. Dureza!!!

Anônimo disse...

mas paul krugman não é favorável ao comércio internacional livre, pelo menos no livro-texto de economia internacional ele prega isso e ganhou o premio justamente por mostrar que liberdade de comércio traz riquezas para ambos os lados.

Augusto Araújo disse...

ha ha ha

uma das melhores coisas q já li

mas acho pouco provável q os tais alunos vao fazer essas perguntas ao professor

no máximo vao falar:

"é mesmo fessor, ainda bem q tinha o tal do Guido Mantega e o Lula no Brasil!"

Rafael Papageorgiou disse...

Mas que pessimismo! Sou estudante de Licenciatura em História na UFRGS, não estamos tão mal assim. Por enquanto, não entendo muito de economia, mas vou fazer o possível para não dizer asneiras em sala de aula. Se eu criticar o liberalismo, será com um argumento bem fundamentado, não te preocupe...

Admito que foi engraçado essa postagem.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email