segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Onde está a corrida bancária?

Corrida aos bancos é um evento que ocorre quando os clientes de determinada instituição bancária, com medo de que o banco vá à falência, correm até ela para retirarem seus depósitos. Se todos os clientes fizerem isso ao mesmo tempo o banco vai a falência. Foi com medo de uma possível corrida aos bancos que vários Bancos Centrais ao redor do mundo tomaram providências para prevenir esse problema.

Vamos aos fatos: só não ocorreu uma verdadeira corrida aos bancos ao redor do mundo porque os bancos estão relativamente muito saudáveis financeiramente. Notem que os governos ao redor do mundo fizeram de TUDO para GERAR uma corrida bancária. Vamos pegar o caso americano por exemplo: o presidente Bush disse à exaustão que o sistema financeiro estava à beira de um colapso. Os candidatos à presidência americana interromperam as respectivas campanhas eleitorais para irem à Washington sob o pretexto de que a “crise financeira era séria demais”. O presidente do Banco Central Americano e o Secretário do Tesouro dos EUA não cansaram de dizer que a crise era de proporções gigantescas. Com tantas pessoas importantes assim, que ocupam cargos públicos de destaque, argumentando pela seriedade da crise financeira seria de se esperar uma verdadeira corrida aos bancos. Mas nada disso ocorreu. As pessoas simplesmente mantiveram seu dinheiro nos bancos.

Num último esforço para GERAR uma corrida aos bancos, o governo americano avisou que estava preocupado com a situação das pessoas com depósitos em instituições bancárias. Afinal, dada a precariedade dessas instituições o governo deveria fazer algo para proteger tais depósitos. Quando um governo faz uma afirmação desse tipo, só pode ser porque ele quer gerar uma corrida bancária. Mas novamente as pessoas, para a surpresa do governo, mantiveram seu dinheiro nos bancos.

Sem conseguir gerar pânico e sem ter sucesso em gerar uma corrida aos bancos, o que os governos fizeram? Resposta: eles aprovaram leis aumentando as garantias de depósitos em bancos (evidentemente se esqueceram de dizer de onde viriam os recursos para tal garantia). Após tal medida, começaram a anunciar aos quatro ventos que a intervenção do governo salvou o sistema financeiro.

Os parágrafos acima descreveram uma típica intervenção do governo na economia: 1) o governo tenta criar problemas onde não existem; e 2) elaboram medidas para consertar problemas inexistentes; 3) como o problema NUNCA existiu, então o governo teve sucesso em eliminar o problema; e 4) pode não parecer, mas com esse truque o governo acabou de aumentar o poder regulatório sobre a economia. E tal regulação pode perfeitamente criar um problema pior ainda no futuro.

Apenas para finalizar, corridas bancárias não ocorreram nos EUA por um motivo simples: o problema não estava localizado nos bancos comerciais (os que recebem depósitos) e sim em bancos de investimento (que não recebem depósitos).

4 comentários:

marco bittencourt disse...

De fato não poderia haver corrida bancária, já que se pra alguma coisa presta o banco central a sua função de banqueiro dos bancos está funcionando. Que se diga de passagem, banqueiro até demais. Quanto à crise, o melhor mesmo é esperar para ver no que vai dar. Coisa que poucos falam é que se não houvesse esse juros monstruoso do banco central as coisas poderiam estar mais tranquilas e bem que poderiam dar uma boa espanada na divida interna já que tem graça sobrando pra tudo que é lado. Claro, a crise que importa é a do banqueiro. A nossa, bem ...

Anônimo disse...

É, tem uma lógica forte o argumento. Afinal, se os americanos sacassem seus milhares e milhões de dólares o que fariam com eles em suas casas? Nada, pelo contrário, correriam risco de roubo ou prejuízo certo de perda de rentabilidade, por menor que fosse.

Então, foram os bancos de investimento os perdedores. Ok. Perdas assim fazem parte do jogo e olha que são até salutares; resultam em transferências de rendas de particulares para particulares.

Esse lance do jogo americano é, apenas, audaciosa jogada para inibir as importações e, em conseqüência, conter os tigres asiáticos e demais emergentes.

Anônimo disse...

"Esse lance do jogo americano é, apenas, audaciosa jogada para inibir as importações e, em conseqüência, conter os tigres asiáticos e demais emergentes."

Achei pertinente o comentário do anônimo das 06:19. Quem sabe por trás disso não haja interesses maiores...

Anônimo disse...

A intervenção serviu para resolver a crise dos bônus:

http://dragoscopio.blogspot.com/2008/11/feed-our-frankenstein.html

Se eu pedir, será que o Bush também me dá uns milhõezinhos?

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