quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Entrevista amanhã é com o Professor Roberto Ellery Jr.

Amanhã inauguro uma nova etapa no blog. Toda sexta-feira estarei entrevistando alguma personalidade. Já recebi algumas sugestões de nomes, se vocês tiverem outras podem mandar.

Para nossa primeira entrevista, estarei com o Chefe do Departamento de Economia da Universidade de Brasília, Roberto Ellery Jr. O Professor Ellery já residiu nos Estados Unidos e já visitou o Japão a trabalho. Possui vasta experiência em macroeconomia e amanhã estará respondendo às seguintes perguntas feitas por esse Blog:

1) Ensino superior tem que ser gratuito? Existe alguma razão importante para a UnB ser pública e não privada?

2) A UnB adota a política de cotas. Você concorda com essa política?

3) Cursos de mestrado/doutorado costumam ser deficitários. Você tem alguma proposta para mudar essa realidade?

4) Você seria a favor de acabar com a estabilidade dos professores universitários, e em seu lugar instalar um regime de tenure-track? Por que?

5) Se você tivesse a chance de aprovar uma norma que valesse para toda a UnB. Que norma seria essa?

Amanhã teremos as respostas do Professor Ellery.

Para que servem os Bancos Centrais?

A maioria dos especialistas irá responder que os Bancos Centrais servem para garantir a estabilidade monetária de uma economia. Na ausência de um Banco Central (BC) a oferta de moeda pode se tornar muito instável, prejudicando toda a sociedade. Por exemplo, sem um agente controlando a oferta de moeda, esta pode ser pequena quando a demanda por ela é grande, e vice-versa. Para ser mais preciso, a função básica do Banco Central (tal como a de qualquer outro agente público) é maximizar o bem estar da nação. No caso específico do Banco Central, na grande maioria dos casos, assume-se que ele deve minimizar uma função de perda social que envolve tanto inflação quanto desemprego (ou em termos mais técnicos: hiato do produto). Ou seja, ao contrário do que diz a maioria, a função do BC não se restringe apenas a estabilidade de moeda, mas extende-se também à estabilidade do produto.

Eu tenho duas dúvidas em relação aos Bancos Centrais: 1) por que eles devem ter o monopólio da oferta de moeda?; e 2) por que precisamos deles? A pergunta 1 é mais difícil de se responder do que parece à primeira vista. Note: toda empresa é obrigada a competir, por que o Banco Central também não pode se submeter a competição? Se alguma empresa quiser emitir moeda, e indivíduos e empresas aceitam voluntariamente tal moeda, qual o problema? Claro que existe um risco associado a isso, mas risco existe também quando aceitamos reais. Por exemplo, se você tem R$ 100 no seu bolso e ocorre uma inflação, você perdeu dinheiro. Essa perda de valor do dinheiro decorrente da inflação chama-se senhoriagem, e se assemelha a um imposto arrecadado pelo governo (que detém o monopólio da emissão de moeda). Na presença de competição na oferta de moeda, os indivíduos e empresas iriam escolher as moedas que apresentam menor probabilidade de inflação. Este tipo de mecanismo implica que a oferta de moeda, tanto pública quanto privada, nesse novo arranjo institucional, não ficará fora de controle. Afinal, o público não irá aceitar uma moeda que apresente muito risco de inflação. Quanto a pergunta 2, a resposta é muito simples: precisamos de Bancos Centrais apenas porque eles detém o monopólio da oferta de moeda (por favor, não gastem saliva dizendo que quem emite moeda é a Casa da Moeda. No final do dia é o BC que cuida disso através da fixação de juros). Num ambiente onde várias empresas podem ofertar moeda não existe muita razão para a existência do BC.

O parágrafo acima pode parecer esotérico para a maioria. Mas isso ocorre apenas a primeira vista. Vamos analisar alguns exemplos: a) Gisele Bunchen só aceita receber em euros. Ela poderia escolher entre receber em dólares e receber em euros, mas escolheu euros pois atualmente a probabilidade de desvalorização dessa moeda é menor. Se várias pessoas fizessem como Gisele, o dólar americano começaria a perder valor e obrigaria a autoridade monetária aamericana a diminuir a inflação em dólares, sob o risco de ninguém mais aceitar tal moeda; b) na prática a escolha entre moedas acontece frequentemente entre importadores e exportadores (a diferença é que essa escolha se dá apenas entre moedas públicas de países diferentes); e c) BC’s são um fenômeno relativamente novo na economia. O BC americano surgiu apenas no começo do século 20, e o BC brasileiro só apareceu depois da metade do século passado. Aliás, no pouco tempo de vida que tem, o BC americano já foi responsável por várias crises, entre elas a de 1930 (de acordo com Milton Friedman). A crise americana atual também pode ser vista como um erro de avaliação do BC americano (que aliás continua errando ao diminuir ainda mais os juros). Enfim, os BC’s surgiram para diminuir a instabilidade monetária. Contudo, será mesmo que eles cumpriram essa missão? Ou, ao invés de diminuir, os BC’s aumentaram ainda mais a instabilidade?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Boa Educação e Fraqueza

No mundo civilizado ter boa educação é uma qualidade respeitada. Espera-se que você respeite as regras, que você seja capaz de conviver em harmonia com seus colegas de trabalho, que você não humilhe seus subordinados. Enfim, no mundo civilizado espera-se que você seja uma pessoa civilizada.

Boa educação, gentileza, civilidade são valores respeitados na civilização. CONTUDO, tudo muda de figura quando você está na selva. Na selva os selvagens têm uma dificuldade muito grande em distinguir boa educação, e respeito ao próximo, de fraqueza. Para os selvagens é virtualmente impossível entender porque uma pessoa com poder não abusa dos outros. No mundo selvagem, gentileza é invariavelmente confundida com fraqueza. Não acredita em mim? Então faça um teste: seja gentil com as pessoas na selva e veja o que acontece. Rapidamente você será o alvo de calúnias, intrigas e toda sorte de desrespeito.

Para o selvagem o poder foi feito para ser usado. Assim, toda pessoa com acesso ao poder tem não só o direito, mas a obrigação, de exercê-lo. Com isso na cabeça o selvagem é incapaz de diferenciar boa educação de fraqueza. No raciocínio do selvagem se uma pessoa é educada é porque ela não tem poder (ou seja, a pessoa é fraca), pois se a pessoa tivesse poder ela não seria educada. Isto é, para o selvagem só tem boa educação quem não tem poder.

O raciocínio selvagem tem uma implicação terrível: a regra ótima de comportamento social é ser estúpido, arrogante e mal educado. Essa conclusão segue dos seguintes fatos: 1) é difícil separar quem tem poder de quem não tem; e 2) é fácil separar quem é mal educado de quem é bem educado. Assim, a regra ótima é ser SEMPRE muito mal educado, pois todos serão capazes de ver tal comportamento e inferir daí que você é uma pessoa poderosa. A única exceção à essa regra é quando você se defronta com outra pessoa mais mal educada ainda. Neste caso, você assume que ela tem mais poder e passa a tratá-la com uma reverência incrível.

Já notaram como no Brasil as coisas funcionam de maneira semelhante à descrita acima? Tente ser bem educado na hora de pedir algo e você dificilmente será ouvido. Por outro lado, seja agressivo e arrogante e note como as pessoas passam a reverenciá-lo. De maneira oposta, no mundo civilizado o comportamento agressivo e arrogante costuma ser punido.

TAREFA DE CASA: escreva um e-mail com uma pergunta e o envie para um professor brasileiro. Mande o mesmo e-mail (mas em inglês) para um professor americano famoso. Você verá a diferença.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A Economia pelo lado da Demanda

O Presidente Lula e vários de seus Ministros de Estado vêm afirmando que em 2008 o Brasil se transformará num canteiro de obras. Essa é a idéia do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) proposto pelo governo federal. O PAC já foi inclusive rotulado de “vacina”contra a crise. O PAC usará recursos públicos para financiar investimentos pelo país. Segundo os técnicos do governo, o aumento dos gastos públicos aumentarão a demanda agregada da economia. Com o aumento da demanda os empresários poderiam contratar mais funcionários e teriam mais ânimo para investir. Assim teríamos um aumento tanto no consumo (propiciado pelo aumento no nível de empregos) como no investimento agregado. Em resumo, a economia cresceria motivada pelo aumento nos gastos públicos. Discordo dessa idéia por pelo menos 3 motivos.

Primeiro, gastos públicos, investimento e consumo são todos componentes da curva de demanda agregada da economia. A idéia do governo é que esse aumento da demanda leve a um aumento da oferta. Mas no curto prazo pode ocorrer que apenas os preços aumentem (aumento da inflação). E no longo prazo, nada garante que o governo tenha gasto recursos nos locais mais adequados.

Segundo, os recursos são sempre finitos. Se o governo demanda mais recursos para gastar, ele precisa retirar esses recursos de algum lugar. Se o governo gasta muito, sobram poucos recursos para o setor privado se utilizar. Ou seja, o setor público e o setor privado competem por recursos. Quando o setor público aumenta seu tamanho, no curto prazo, invariavelmente sobra menos espaço para o setor privado. Novamente, o mais provável é que esse aumento dos gastos públicos conduza a um aumento no nível de preços.

Terceiro, a aposta do governo refere-se ao longo prazo. O governo aposta que o aumento dos gastos públicos em obras de infra-estrutura irá estimular o aumento do investimento privado no longo prazo. Com uma melhor infra-estrutura a economia poderia crescer a taxas mais altas. O problema desse argumento é que ele assume que o governo sabe exatamente onde deve investir. E que, além disso, ele é capaz de realizar tais investimentos de maneira mais eficiente que o setor privado. Creio que a evidência histórica demonstra que o governo prefere investimentos grandiosos (e visíveis) à investimentos eficientes.

Nos Estados Unidos, temos a economia pelo lado da oferta (corte de impostos para estimular trabalho e investimento privado). No Brasil, temos a economia pelo lado da demanda (motivada por aumento do tamanho do Estado). Na Alemanha Nazista, a idéia de ter um Estado forte controlando o investimento privado funcionou muito bem. Em menos de 8 anos os nazistas tiraram a Alemanha de um estado de caos para se tornar uma potência mundial. O problema é o que veio depois... O problema é que uma vez criado um monstro é impossível controlá-lo. Como vocês podem notar, minha objeção à economia pelo lado da demanda não é apenas econômica. É também moral.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

NET x Pizzaria da esquina

Ligo pra NET: 1) uma máquina pergunta meu número de inscrição (ou CPF); 2) teclo meu número; 3) uma máquina me pede para escolher que tipo de atendimento necessito; 4) escolho o atendimento; 5) você é transferido para uma espera que leva de 10 segundos (quando você quer comprar um programa novo) até 10 minutos (geralmente em casos que você precisa de ajuda técnica). Se você der sorte e a ligação não cair, chegará ao passo 6) finalmente aparece alguém para falar com você. Adivinhem, qual é a primeira pergunta que ele lhe faz? Acertou quem disse: informe seu código NET.... para que então eu tive que informar o código NET no começo do processo? 7) Informo que tenho um problema na internet; 8) o atendente pede que eu desligue o modem para realizar alguns testes; 9) desligo o modem e adinhe o que acontece? Meu telefone TAMBÉM sai do ar. Afinal, ele está no mesmo pacote do modem; 10) começo todo o processo novamente; 11) o atendente novamente me pede para que eu desligue o modem; 12) informo a ele que não posso desligar o modem, pois nesse caso nosso ligação telefônica também irá cair; 13) ele me informa que nesse caso não poderá me ajudar e me diz para ligar em outro número; 14) ligo em outro número, agendo uma visita técnica; 15) a NET informa que a visita técnica poderá ocorrer a qualquer horário entre 8:00 da manhã e meio-dia; 16) passo a manhã em casa e o técnico não aparece; 17) ligo novamente para NET, executo todos os passos novamente e agendo nova visita técnica; 18) dessa vez sou informado que o técnico irá em minha residência entre 14:00 e 18:00 horas; 19) finalmente o técnico vai em minha residência e sou atendido.

Ligo pra pizzaria da esquina. A pizzaria da esquina possui bina, identifica minha chamada, acessa seu banco de dados e tem acesso a meu nome e endereço: 1) o atendente pergunta qual meu pedido; 2) faço o pedido; 3) ele pergunta: a) maneira de pagamento e se eu precisarei de troco, e b) se deve entregar a pizza no endereço do cadastro; 4) respondo a pergunta; 5) ele me informa que a pizza chegará entre 20 e 30 minutos. Fim da ligação. Tudo resolvido em menos de 3 minutos.

Por que a NET (tão intensiva em capital e mão-de-obra qualificada) é tão ineficiente enquanto uma pizzaria com pouco capital e mão-de-obra não tão educada é tão eficiente? A resposta é simples: COMPETIÇÃO. Enquanto a NET, pelas características de seu mercado, desfruta de uma posição quase que monopolista, a pizzaria da esquina se defronta com um mercado altamente competitivo. Dificilmente existem mais de 3 companhias de TV a cabo numa cidade. Contudo, na maior parte das cidades existe uma grande quantidade de pizzarias. Se você tiver que esperar mais de 1 minuto no telefone para ser atendido numa pizzaria, você provavelmente irá desligar seu telefone e ligar para outra. No caso da NET não é tão simples assim, pois não existem tantas outras para você ligar.

O parágrafo acima ilustra um ponto importante do capitalismo: ele não funciona bem na ausência de competição. Nesse momento em que o governo federal parece querer DIMINUIR o número de companhias de telecomunicação – com a justificativa de querer criar uma grande e forte companhia nacional para “competir” com as outras internacionais –, só uma coisa me vem a cabeça: será que ninguém no governo nunca teve que ligar para a NET? Não importa o tamanho, ou a intensividade em tecnologia, da companhia. Se uma empresa não enfrentar competição ela será ineficiente, e será tanto mais ineficiente quanto menos competição houver.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Segunda-feira começa para valer!!!!

Meus Caros,

O Blog tem sofrido horrores com a internet nesses últimos dias. A NET me informa que o problema está no routeador. O técnico do routeador me informa que o problema esta no modem da NET. Marco com o técnico do routeador para receber um atendimento as 14:00 horas. Ele chega em minha casa às 18:00, um atraso de apenas 4 horas. Marco com os técnicos da NET para terça-feira, eles só vão na minha casa na quarta.... alguém já viu esse filme?

Conseguir marcar um encontro entre dois técnicos de informática de empresas distintas é um exercício de previsão e de cáculo de probabilidades. Só existe uma única certeza: se você agendar com ambos uma visita técnica em sua casa às 16:00 horas de amanhã, pode ter certeza que amanhã as 16:00 horas você estará sozinho.

Enfim, entre mortos e feridos consegui uma solução provisória. Assim, A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA O BLOG VOLTA A SER ATUALIZADO DIARIAMENTE.

Já na próxima sexta-feira temos uma novidade: teremos a primeira entrevista do ano. TODA SEXTA-FEIRA nosso blog irá entrevistar alguma personalidade. Se você tem alguma sugestão de nomes, por favor não deixe de enviá-las.

Um grande abraço, e voltamos a nos falar diariamente a partir de segunda-feira(28/01)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Taxa de Juros e Inflação

Já há algum tempo o Banco Central brasileiro adota um regime conhecido como metas de inflação. A idéia básica desse regime é de anunciar uma inflação esperada para o ano e usar a taxa de juros para manter a inflação dentro da meta. Vários países adotam o regime de metas de inflação, outros paises tais como os Estados Unidos não possuem um regime explícito de metas de inflação (mas é senso comum que eles perseguem alguma meta).

Por que usar a taxa de juros para controlar a inflação? Essa é uma excelente pergunta. Talvez controlar a oferta de moeda fosse mais efetivo, talvez não. De qualquer maneira, é pela taxa de juros que o Banco Central brasileiro tenta controlar a inflação. Qual é a racionale desse modelo? A racionale é simples: se a inflação aumentar o Banco Central aumenta os juros. Com o aumento dos juros o consumo atual torna-se mais caro (ou porque o consumidor prefere poupar mais ou porque está mais caro realizar algum financiamento). Além disso, os empresários se defrontam com taxas de juros mais altas, o que diminui a atratividade de realizar novos investimentos (afinal, com o aumento da taxa de juros fica mais caro tomar dinheiro emprestado). Assim, um aumento da taxa de juros tende a diminuir tanto o consumo quanto o investimento. Ou seja, com o aumento da taxa de juros a demanda diminui. Com uma demanda menor existe menos espaço para os empresários aumentarem preços. Dessa maneira, um aumento da taxa de juros tende a diminuir a inflação.

O problema embutido no raciocínio do parágrafo acima é que ele pressupõe que toda inflação provém do lado da demanda. Ou seja, assume que a inflação está alta (ou aumentando) porque a demanda está muito alta. Assim, basta diminuir a demanda para a inflação recuar. Contudo, se olharmos a causa da inflação atual é altamente questionável que ela tenha se originado no lado da demanda. Afinal, boa parte do aumento de preços parece estar vindo do lado da oferta (aumento do preço dos insumos por exemplo). Quando um barril de petróleo passa a custar mais de U$ 100 dólares, é natural que o preço dos combustíveis aumente, e com ele aumentem também uma série de outros produtos que dependem muito de combústivel (como transporte).

O que os amantes do regime de metas de inflação devem entender é que tanto choques de demanda quanto choques de oferta são capazes de gerar aumento no nível de preços. Contudo, aumentar os juros para combater a inflação só é efetivo quando o choque se dá na curva de demanda. Quando o choque ocorre na curva de oferta aumentar os juros só pioram as coisas (pois o aumento nos juros onera ainda mais o setor produtivo da economia).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

BOLA FORA

Meus Caros,

Pior do que um ignorante é um ignorante arrogante....

Mil desculpas pelo meu tremendo erro de citação. O post A FRASE DO ANO cometeu uma gafe homérica: o autor da frase que termina com "... specialization is for insects" é ROBERT A. HEINLEIN e não John Steinbeck.

Muito obrigado ao Roge por me alertar desse erro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Frase do Ano (com citação corrigida)

"A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects." (Robert A. Heinlein)

Ou numa tradução livre:

"Um ser humano deve ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, matar um porco, comandar um navio, projetar um edifício, escrever um soneto, fazer a contabilidade, construir uma parede, cuidar de um ferimento, consolar os que estão para morrer, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, adubar a terra, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar eficientemente, morrer galantemente. Especialização é para insetos". (Robert A. Heinlein)

Nesses tempos que muitos acreditam que a especialização é essencial, vale a pena ler com cuidado a frase acima: ESPECIALIZAÇÃO É PARA INSETOS. O ser humano é capaz de muito mais do que isso. Para meus colegas na academia, vale a dica: passar a vida estudando sempre o mesmo assunto, apesar de render frutos, é subutilizar a capacidade de mentes privilegiadas.

Para finalizar, vamos a outra citação. Dessa vez, John Steinbeck em uma de suas grandes obras (A Leste do Éden):

"In uncertainty I am certain that underneath their topmost layers of frailty men want to be good and want to be loved. Indeed, most of their vices are attempted short cuts to love. When a man comes to die, no matter what his influence and genius, if he dies unloved his life must be a failure to him and his dying a cold horror. It seems to me that if you or I must choose between two courses of thought or action, we should remember our dying and try to live that our death brings no pleasure to the world.

We have only one story. All novels, all poetry, are built on the never-ending contest in ourselves of good and evil. And it occurs to me that evil must constantly re-spawn, while good, while virtue, is immortal. Vice has always a new fresh young face, while virtue is venerable as nothing else in the world is."

John Steinbeck - East of Eden

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Por que a vaca é discriminada?

A vaca é um animal pacífico. Além do leite ela também pode ser usada como animal de tração. Ela também não transmite doenças e nem disputa o mesmo alimento que os seres humanos. Enfim, por que somos tão cruéis com as vacas? Por que matamos tantas vacas? Basicamente, porque comer carne de vaca é bom. Infelizmente essa resposta esta incompleta. Carne de pombo também possui seus admiradores, mas não podemos sair por ai matando os pombos que infestam as cidades. Ou seja, enquanto os pombos gozam de proteção legal para sua sobrevivência as vacas são friamente executadas.

Já há algum tempo, os “defensores do universo” fazem intensa movimentação contra o uso de animais em experimentos científicos. A maioria esmagadora dos animais usados em tais pesquisas é composta por pequenos roedores, ratos na maioria. Novamente, nenhum dos “defensores do universo” despreza um bom filé. Mais uma vez a pobre vaquinha paga o pato.

Pombos e ratos podem ser facilmente confundidos com uma praga. Ambos transmitem doenças e disputam alimentos com seres humanos. Por que animais assim recebem proteção do governo e a vaca não? Minha resposta é simples: tem gente demais sem nada para fazer. Os pombos são pragas que infestam as cidades, transmitem doenças, obrigam o setor público a gastar recursos limpando suas fezes, poluem o ar com um cheiro horrível. Qual o grande problema de evitar grandes concentrações de pombos nas cidades? Por que tanta reclamação quando se tenta eliminar centenas de pombos e nenhuma reclamação frente a morte de milhares de vacas?

No caso dos ratos a coisa é mais irônica ainda. Geralmente, os “defensores do universo” tão preocupados com os experimentos em ratos SÃO OS MESMOS que apoiavam pesquisas com células tronco provenientes de embriões HUMANOS. Engraçado como estes ícones do pensamento social se preocupam com ratos, mas deixam de lado vidas humanas. Talvez estejam apenas legislando em causa própria, defendendo sua espécie.

Quando determinado Ministro do Trabalho disse que seu cachorro também era um ser humano nós rimos. Hoje entendo que era caso para se levar a sério, os “defensores do universo” não brincam com a vida de cachorros, ratos e pombos. Eventualmente eles assumem o poder e exterminam 10 ou 20 milhões de seres humanos, mas os ratos estão sempre a salvo.

Os pombos continuam emporcalhando as cidades, e as vacas pobrezinhas continuam a ser o prato do dia. Por que discriminamos tanto a pobre vaquinha?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Romário x Paulo Bernardo

Romário o segundo maior jogador de todos os tempos, atrás apenas de Pelé e imediatamente a frente de Garrincha, é figura conhecida. Mesmo os que não gostam de futebol conhecem Romário. Até os flamenguistas amantes de Zico não conseguem esconder que o Baixinho é o cara. Paulo Bernardo é o Ministro do Planejamento do governo Lula, não vamos aqui discutir seus méritos.

Estava conversando com uns amigos e estávamos discutindo sobre futebol. No auge da discussão um dos presentes se levantou e disse: “É por isso que esse país não vai pra frente... todos sabem tudo sobre futebol, mas são incapazes de se lembrar quem é o Ministro do Planejamento”. Esse comentário salienta um ponto importante: a população gasta um tempo enorme discutindo sobre futebol, mas não dedica o mesmo tempo à análise crítica do governo. Apesar de entender a lógica desse comentário, acho que ele não ataca o verdadeiro centro do problema.

Em todo lugar do mundo personalidades esportivas, ou do meio artístico, são bem mais conhecidas que ocupantes de importantes cargos do governo. Essa característica não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, Tiger Woods é muito mais conhecido que o Secretário do Tesouro Americano. Assim, o problema não é o brasileiro passar muito tempo falando de futebol. O real problema no Brasil é que aqui o Estado é MUITO MAIS forte do que em outros lugares civilizados. Aqui o Presidente da República aumenta impostos por decreto e na calada da noite, coisa impensável em sociedades desenvolvidas.

Discutir esportes em mesas de bar é algo freqüente em todos os países do mundo. O Brasil não dá certo não é por não sabermos o nome do Ministro do Planejamento, o Brasil não dá certo pois aqui pessoas de quem nunca ouvimos falar podem afetar drasticamente nossas vidas. O Brasil não dá certo pois aqui o poder do Estado é muito grande. Ao invés de nos preocuparmos com o nome do Ministro do Planejamento, deveríamos estar nos preocupando em como DIMINUIR o poder do Ministro do Planejamento. Ao invés de nos lembrarmos de nomes de deputados e senadores, é melhor diminuirmos o poder deles. Com menos poder ao Estado, também diminui a capacidade deste em afetar nossas vidas.

Melhor do que saber o nome de Ministros é saber que tais Ministros têm pouca chance de intervir em sua vida.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mais sobre impostos que incidem em movimentações financeiras

A evidência empírica internacional não parece ser muito favorável a adoção de impostos que incidem sobre movimentações financeiras. Num excelente texto publicado no International Tax and Public Finance*, o professor Pedro H. Albuquerque (University of Minnesota – Duluth), explica que as perdas de bem estar criadas por este tipo de imposto costumam ser altas. Mais do que isso, o Professor Albuquerque mostra que impostos do tipo da CPMF podem aumentar a taxa de juros real da economia. Dessa maneira, parte da arrecadação do governo com a CPMF seria necessariamente gasta para se pagar os juros da dívida pública.

Para o Professor Albuquerque uma alíquota de 0,34% da CPMF implica num aumento da taxa de juros real anual, para empréstimos pessoais, da ordem de 3%. Ou seja, mesmo uma alíquota baixa da CPMF é capaz de gerar impactos altos sobre a taxa de juros real. Em palavras simples, parte do que o governo arrecada com a CPMF é gasta para se pagar uma taxa de juros mais elevada que incide sobre a dívida pública. A dívida pública soma hoje mais de R$ 1 trilhão. Vamos assumir que o efeito da CPMF sobre a SELIC seja de 1%. Isto implica que R$ 10 bilhões é quanto o governo gasta a mais para rolar a dívida na presença da CPMF. Assim, a arrecadação líquida da CPMF não é de R$ 40 bilhões como afirma o governo, mas sim de R$ 30 bilhões.

Soa engraçado como nem o governo e nem a oposição e nem a mídia brasileira parecem se atentar a detalhe tão simples. Economia é uma ciência difícil, e está na hora dos técnicos que estão na linha de frente, e dos jornalistas que comentam tais assuntos, se prepararem de maneira mais adequada.



*: BAD Taxation: Disintermediation and Illiquidity in a Bank Account Debits Tax Model

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Diabólico Telefone Celular

Quando o telefone normal foi concebido ele criou milhares de desempregados na indústria de correio. Por que mandar uma carta para alguém se você pode simplesmente ligar? O insensível inventor do telefone, visando o lucro puro e simples, nunca se atentou para tamanha desumanidade.

Se a invenção do telefone foi tamanho choque na estrutura produtiva, gerando uma perda enorme de empregos, nos defrontamos hoje com uma ameaça ainda maior: o telefone celular. Essa pequena invenção diabólica, elaborada por empresários gananciosos em busca apenas de lucro, tem gerado um desemprego recorde em várias indústrias. Para que comprar relógio se o celular tem relógio digital? Por que comprar despertador se o celular já tem despertador? Quem quer comprar máquinas fotográficas ou câmeras se o celular também pode fazer isso? Não é só isso, os celulares também têm acesso a internet e podem realizar movimentações financeiras. Com isso podemos prever também mais desemprego nas agências bancárias. Em resumo, esse pequeno aparelho gera desemprego em toda a economia.

Os parágrafos acima podem parecer engraçados, mas não são. Eles refletem o argumento básico usado por muitos: tecnologia gera desemprego, sendo assim deveríamos limitar o uso intensivo da tecnologia. Como os parágrafos acima tentam demonstrar esse é um argumento falso. Primeiro, a tecnologia pode sim causar desemprego no curto prazo, mas no longo prazo as pessoas e as empresas se ajustam e ao final do processo o nível de bem estar da sociedade é superior ao antigo. Segundo, novas tecnologias implicam num aumento da produtividade, ir contra esse movimento é ir contra o crescimento econômico de um país. Terceiro, por mais absurdo que pareça o Brasil recursivamente barra o uso de novas tecnologias para evitar o desemprego no curto prazo. Tal política pública tem um impacto negativo gigantesco sobre o bem estar da economia.

Apenas a título de exemplo: o comércio internacional pode ser entendido como uma nova forma de tecnologia. Impedir o crescimento do comércio internacional é equivalente a impedir a adoção de novas tecnologias. Consequentemente, aqueles que procuram restringir o comércio internacional, para “salvar” empregos no Brasil, estão apenas postergando a ocorrência de um ajuste que custará tanto mais caro quanto mais tempo levar para ser feito. Um Ford Fusion custa R$ 82.000 no Brasil, nos EUA US$ 22.000 (ou menos de R$ 44.000). Um laptop com 2 gigas de RAM e excelente configuração custa 750 dólares nos EUA (menos de 1500 reais), já no Brasil laptop similar não sai por menos de R$ 4.000. Já imaginaram o custo disso em termos de produtividade? Quando uma empresa é impedida de adotar novas tecnologias, ou de comprar insumos a preços mais baratos, quem paga o custo disso é o consumidor final. Mas quando o consumidor final desiste de comprar produtos nacionais, por causa de seus elevados preços, então temos crescimento do desemprego no país aliado a baixo acesso da população à tecnologia. Uma combinação péssima.

Para finalizar, já imaginaram o desemprego que o Skype e o Messager estão gerando? Afinal, por que pagar ligação telefônica, nacional ou internacional, se podemos ligar de graça pelo computador? Será que, em nome da proteção aos empregados em empresas de telecomunicação doméstica, o governo deveria nos impedir de usar essa tecnologia?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Eleições Americanas

Muito barulho na imprensa brasileira sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Soa engraçado notar a preferência descarada da mídia pelo partido Democrata. Vamos a algumas informações sobre as eleições americanas que você provavelmente não verá na grande imprensa.

1) Nos Estados Unidos existem 2 grandes partidos políticos: o Democrata e o Republicano. Ao contrário do que pensa a maioria, eles não são partidos opostos. Na realidade comungam de várias idéias em comum. Por exemplo, ambos apostam no capitalismo como o melhor sistema econômico. Ambos defendem a democracia como melhor sistema de governo, e ambos entendem que a alternância de poder é algo saudável. A maior diferença entre eles reside no fato do Partido Republicano ser mais conservador. É uma diferença considerável, mas nem perto da distância que a imprensa brasileira faz supor que exista. Supor que a política econômica, ou externa, americana irá sofrer grandes mudanças por causa da troca de governo é um erro infantil.
2) Nos Estados Unidos um candidato não precisa ser filiado a um partido político para concorrer numa eleição. Ou seja, ao contrário do que dizem os “analistas” existem muito mais do que 2 partidos nos EUA. A rigor existem 100 milhões de partidos, já que cada eleitor é um potencial candidato. Deveríamos copiar essa idéia.
3) Geralmente o eleitor médio americano não vota no candidato, a maioria vota no partido. Ou seja, pessoas com mais afinidades com o Partido Republicano geralmente votam nesse partido. É por essa razão que os partidos procuram escolher entre seus filiados aqueles que melhor representam os ideais do partido. Essa é a melhor garantia de que receberão votos de seus filiados. É por essa razão que eu aposto que John McCain será o candidato republicano à presidência dos EUA. Seu principal adversário, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, apesar de ser muito competente, não possui muita identificação com os princípios do Partido Republicano.
4) Apesar da busca pelo poder ser intensa nos EUA, os partidos sabem que sua sobrevivência a longo prazo depende de se manterem fiéis aos seus ideais. Assim, dificilmente você verá um partido político prometendo uma coisa, fazendo outra e se mantendo no poder. Lá se você é eleito prometendo abaixar impostos é bom que você cumpra sua promessa.
5) Nos EUA vota-se até pelo correio. Lá vota-se quase que de todo jeito. Só tem um tipo de votação que não é aceita por lá: urna eletrônica. Essa idéia de um software fazer a contabilidade da eleição, sem ninguém ter a oportunidade de checar a validade do resultado, não faz sucesso por lá.
6) Acho que será a maior zebra da história se Barack Obama receber a indicação do Partido Democrata para concorrer a presidência da república. Obama tem um único trunfo: nunca fez nada. É sempre melhor ter esse currículo do que o cv de sua concorrente direta: Hillary Clinton. Contudo, a ex-esposa de Bill Clinton tem tudo para levar a indicação.
7) Nos EUA um presidente não tem a metade do poder que a imprensa brasileira faz crer que ele tenha. A isso chamam-se instituições sérias.
8) As eleições americanas para presidente NÃO são por maioria simples de eleitores. Assim, não adianta ter a maioria dos votos. Tal sistema tem vantagens e desvantagens, mas é legítimo. Esta de acordo com a lei e não foi alterado para beneficiar um ou outro candidato.

É isso, espero que essa breve exposição ajude a diminuir a impressão errônea que a imprensa brasileira comumente transmite aos seus leitores e ouvintes. Por fim, ai vai meu palpite: McCain x Hillary. McCain será o novo presidente americano.

Samba do Criolo Doido

O Pacotão econômico do Presidente Lula mostrou a face do governo: incompetente. Essa única palavra serve para ilustrar a característica marcante desse governo (claro que alguns prefeririam usar a palavra corrupção). O Pacotão reúne o que existe de pior numa sociedade séria: aumento de impostos. Claro que alguns podem argumentar que o governo irá reduzir gastos. DUVIDO. No final de 2008 os gastos do governo federal serão maiores, em termos reais, do que os de 2007. Por definição, se os gastos em 2008 forem superiores aos de 2007, então não terá ocorrido redução de gastos. Aliás, pouca gente acredita que o governo irá mesmo reduzir gastos.

Mas o que mais chama a atenção no Pacotão é a absoluta falta de preparo dos técnicos que o elaboraram. Entre as pessoas minimamente versadas em finanças públicas é fato notório que o aumento do IOF para fins arrecadatórios é inconstitucional. O que faz o governo? Anuncia o aumento do IOF para COMPENSAR perdas com a cpmf. Ou seja, o próprio governo ANUNCIOU a razão que torna tal aumento contra a lei. Esse é o resultado de se aparelhar o Estado com membros do partido. Toda vez que o governo precisa fazer algo acaba esbarrando em sua própria falta de competência. Hoje a grande maioria dos cargos de direção do setor público estão nas mãos de membros do PT (ou de sindicatos) sem qualquer qualificação técnica. Vários dos Ministros de Estado só ocupam tais cargos por causa de sua filiação política. A única coisa que possuem em seu currículo é serem membros do PT ou de algum sindicato. O mesmo ocorre com várias estatais, com o Banco do Brasil, com a CEF, entre outros.

Escrevam o que eu vou dizer agora: se algum dia o PT deixar o poder, o próximo governante terá que exonerar milhares de membros do PT que ocupam cargos comissionados. Assim que isso ocorrer o PT sairá aos berros reclamando que seus filiados estão sendo perseguidos por razões políticas, reclamarão de estarem sofrendo um expurgo. Na verdade não estará ocorrendo expurgo algum, mas um governante sério não pode permitir tantas pessoas sem qualificação exercendo cargos de comando. Essa será uma das heranças que o PT irá deixar: um bando de sindicalistas e pelegos em posições de comando na máquina pública.

Voltando ao Pacotão, perdi um bom tempo tentando entender o que o governo tentava obter com tantas medidas absurdas. Como eu já comentei num post anterior, não há necessidade do governo fazer nada para compensar a perda de arrecadação da CPMF (afinal, a arrecadação de 2008 seria bem perto da de 2007). Até que me deparei com a explicação do Selva Brasilis: aumentar impostos é uma das maneiras mais eficientes de se eliminar o capitalismo. Só pode ser isso.....

A propósito, o malvado Bush está prestes a anunciar um novo corte de impostos. No mundo civilizado aumentar impostos é sinal de incompetência, aqui por alguma razão desconhecida é sinal de responsabilidade.

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