sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Entrevista com Orlando Tambosi

Orlando Tambosi é autor do excelente blog: http://otambosi.blogspot.com/ recomendo a visita.


1) O ex-presidente FHC disse que não existem diferenças ideológicas significativas entre o PT e o PSDB. O Sr. concorda com ele? Se FHC acha isso mesmo, então por que ele sempre se aliou ao DEM e não ao PT? O que podemos inferir a partir da afirmação do ex-presidente?

R.: Se FHC reconhece isto, é porque não há mesmo muita diferença. Na verdade, sempre o vi como uma espécie de padrinho de Lula. Foi até paternalista com ele, quando deveria era dar cascudos. O fato é que PSDB e PT têm a mesma origem, a luta contra a ditadura. São primos, como já disse o amigo Roberto Romano. Daí se explica a dificuldade de o PSDB assumir uma posição mais agressiva em relação ao governo Lula. Falando mais claro: assumir um papel de oposição de fato, coisa que até agora não demonstrou ser. Devido a essa ambigüidade, fez alianças com partidos, como o hoje DEM, para sobreviver depois da derrota eleitoral. Talvez, no início, FHC subestimasse a sede de poder e de cargos do petismo. Ora, o PT é hegemonista, jamais cede aos aliados. Compra-os, usa-os, mas não partilha realmente o poder. Seguindo o raciocínio de FHC, não é de estranhar que em Minas, por exemplo, esteja se formando uma aliança entre o tucano Aécio Neves e o PT local. Não tenho dúvida, porém, de que ela trará mais benefícios ao petismo que ao PSDB.

Por fim, acho que é necessário fazer também uma distinção – que não é superficial – entre PSDB e PT. Há que se reconhecer que os tucanos foram e são menos autoritários que os petistas. O PSDB nunca representou um perigo para as instituições e regras democráticas, ao contrário do PT, que, no fundo, despreza a democracia, considerada “burguesa”, “formal” etc. Nos últimos anos, já vimos diversas investidas do PT contra as liberdades.


2) Fidel Castro é um assassino, por que é tão difícil as pessoas, não só no Brasil mas ao redor do mundo, aceitarem isso?

R.: O ditador Fidel Castro marcou indelevelmente o imaginário das “esquerdas” latino-americanas (mas há também os “idiotas” europeus, como ilustra o livro “A volta do idiota”). Mostrou que era possível enfrentar o “império” e encarnou os ideais revolucionários dos anos 60, com suas toscas utopias de sociedade perfeita, justa, igualitária, sem classes etc. Os acontecimentos de 1989/1991 – queda do muro de Berlim e desmoronamento da URSS – jogaram por terra essas idéias, mostrando os horrores que haviam produzido, mas não eliminaram o culto ideológico de grande parte das “esquerdas” à ditadura comunista remanescente, justamente a de Fidel Castro. Não é fácil desvencilhar-se de ideologias; elas confortam espíritos menos inquietos e mais arredios ao conhecimento. Por isso mesmo, é em países atrasados - como os latino-americanos -que as ideologias ainda sobrevivem.


3) O Islã se diz uma religião pacífica, mas seus líderes parecem não recriminar de maneira explícita terroristas como Bin Laden. Por que?

Sempre se falou que existe o Islã moderado, mas a verdade é que, até hoje, ele não mostrou a cara. Se os ditos moderados não condenam o terrorismo, é sinal de que, no fundo, o aprovam. O fato é que o islamismo é avesso aos valores ocidentais, com os radicais difundindo, a partir da Arábia Saudita, uma cruzada contra o odiado Ocidente.
Ayaan Hirsi Ali, que viveu o islamismo, revela em seu belo livro (“Infiel”, SP, Companhia das Letras) que o Islã é incompatível com a democracia. Ela é somali, mas viveu algum tempo na Arábia e em outros países muçulmanos e teve a coragem de dizer que o pensamento reinante sob as leis do Corão é incompatível com os direitos humanos e os valores liberais. Esse tipo de pensamento – são palavras dela – “preserva uma mentalidade feudal arrimada em conceitos tribais de honra e vergonha. Apóia-se no auto-engano, na hipocrisia e em padrões dúplices. Depende dos avanços tecnológicos ocidentais ao mesmo tempo que finge ignorar sua origem no pensamento ocidental. Nessas sociedades, a crueldade é implacável; e desigualdade, a lei da terra. Os dissidentes sofrem tortura. As mulheres são policiadas tanto pelo Estado quanto pela família, à qual o Estado outorga o poder de lhes governar a vida”. Ora, que religião pacífica é esta, e onde estão os moderados?

4) Por que a filosofia alemã (geralmente enaltecendo o Estado) e não a inglesa (geralmente enaltecendo a liberdade individual) prosperou no Brasil? É possível mudar isso? Como?

R.: O Brasil é um exemplo legítimo de Estado hegeliano: o Estado fundou a sociedade. Na tradição inglesa, ao contrário, é a sociedade que funda o Estado. Mas não diria que o nosso estatismo seja culpa da filosofia alemã. Somos herdeiros da cultura católico-ibérica, antiliberal, anti-reformista, imposta a ferro e fogo pela inquisição. Espanha e Portugal lutaram contra a modernidade e foram os países mais atrasados da Europa até quase o final do século XX. Foram, inclusive, os últimos a se livrarem de ditaduras. Essa é a cultura latino-americana. O Estado é pai e provedor, o coletivo está sempre acima do individual. O individualismo é visto como um mal a ser extirpado.

A igreja católica – ponta de lança da contra-reforma - contribuiu muito para esse pensamento. A riqueza é hostilizada, o mercado é mal visto e o lucro é coisa do demônio. Não há lugar para o indivíduo nessa visão paroquial do mundo. Depois, para completar o quadro, surgiram as idéias socialistas, mais uma vez reforçando o nosso estatismo e colocando o Estado como propulsor da economia. O PT é o desfecho disso tudo.

Não sou culturalista, mas acho que a cultura é um fator que pode tanto libertar quanto criar sérios obstáculos. No nosso caso, foi um obstáculo. É possível mudar? É, mas a luta é gigantesca e sem prazo. Autores e idéias liberais são praticamente desconhecidos por aqui, mesmo dentro das universidades. Em todos os setores, impera um ideário mais ou menos marxista. É preciso começar essa mudança já nas escolas, desde o primário. Não bastam os jornais, a televisão e a internet. Por aí se vê a enormidade da tarefa.

5) Se você pudesse aprovar uma única lei no Brasil, qual lei seria essa?
R.: “Ficam extintos todos os cargos comissionados no Executivo, Legislativo e Judiciário”.

Os Condomínios Irregulares e a Lei do Silêncio, escrito por Rodrigo M. Pereira

Abaixo segue o artigo do convidado da Semana: Rodrigo M. Pereira

Eu não votei no governador Arruda. Meus princípios éticos não me deixam votar nele. Ao contrário de muitos brasileiros, a minha memória política é longa. Eu me lembro bem do então Senador Arruda renunciando ao cargo após a violação dos painéis do Senado na votação da cassação de Luis Estevão.

Mas o governo do Sr. Arruda no Distrito Federal tem sido até o momento uma agradável surpresa para mim. Além do corte de gastos e outras medidas de disciplina fiscal, me alegra bastante o fato da atual administração se esforçar para acabar com certas selvagerias típicas de terceiro mundo que eram toleradas (e até incentivadas) por administrações passadas. São situações em que há uma lei, mas ela é simplesmente transgredida, sem que nada aconteça a seus transgressores.

A principal delas é a selvageria habitacional, com dezenas de condomínios irregulares espalhados por todo canto, onde ninguém sabe quem é dono do que. Não se sabe se o dono de determinado pedaço de terra é o GDF, a União, os herdeiros do sujeito que outrora tinha uma fazenda por ali, ou o sujeito que comprou um parcelamento sem escritura e ali construiu uma casa. Os direitos de propriedade no DF são confusos. Pra piorar, os condomínios violam inúmeras restrições urbanísticas e, em alguns casos, ambientais. Como se chegou a essa situação absurda é uma outra história, mas o fato é que direitos de propriedade bem definidos são uma condição fundamental para o crescimento de uma economia capitalista. A sua ausência afugenta o investimento privado. Veja o que Hugo Chavez e Evo Morales estão fazendo com os direitos de propriedade na Venezuela e Bolívia, e espere dez anos para ver o efeito catastrófico sobre o investimento privado e sobre as taxas de crescimento desses países. Veja o que a China fez há 30 anos atrás, sacramentando o direito de propriedade privado dentro do comunismo, e olhe para as atuais taxas de crescimento chinesas. No caso do DF, o governador Arruda está tentando ferrenhamente estabelecer os direitos de propriedade imobiliários, impedindo novas construções irregulares, e regularizando os condomínios na medida do possível. O governador Arruda é o Capitão Nascimento do DF: " a gente está aqui tentando consertar a m... que vocês fizeram!"

O outro passo fundamental para civilizar o DF foi a controversa lei de que os bares têm que fechar a uma hora da manhã. A questão aqui é simples. Os moradores das quadras residenciais próximas aos bares querem o silêncio. Os bares querem o barulho. Temos o que os economistas chamam de externalidade negativa, no caso, do barulho dos bares sobre os moradores. Quem tem o direito de propriedade nessa situação? Existe uma lei que dá o direito de propriedade sobre o barulho aos bares até as 10 da noite. A partir daí, o direito de propriedade sobre o silêncio é dos moradores (tudo definido em termos de decibéis emitidos). A facilidade em se violar a lei e o número de indivíduos envolvidos impossibilita a transação desse direito de propriedade. Por isso, não funcionaria aqui o famoso Teorema de Coase, segundo o qual bastaria definir o direito de propriedade que os agentes se encarregariam de transacioná-lo, gerando uma alocação ótima de recursos. Mas o fato é que a presença da externalidade faz com que existam mais bares do que seria ótimo para sociedade. Esse talvez seja o único caso em que até o mais ferrenho economista liberal é a favor da intervenção do Estado. Na presença de externalidades, o mercado não é capaz de gerar uma alocação ótima de recursos. A intervenção clássica seria aumentar os impostos sobre os bares e casas noturnas. O GDF encontrou uma forma mais simples: os bares fecham à uma da manhã, perdem lucratividade, alguns saem do mercado, e a alocação de recursos feita pela economia (mão-de-obra, capital, etc) se aproxima do ótimo social. Viva o governador Arruda, o Capitão Nascimento do cerrado!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Nem Tudo que Reluz é Ouro

Há alguns anos atrás uma nova metodologia influenciou profundamente os estudos em economia. Esse novo método de comparação de dados internacionais chamava-se Paridade do Poder de Compra (PPC). A idéia era a seguinte: não podemos comparar dados de países diferentes de maneira direta, pois o custo de vida é diferente nos distintos países. Por exemplo, quando calculamos o PIB da China o corte de cabelo contribui com 5 dólares (o preço do corte de cabelo naquele país), já o mesmo corte de cabelo contribui com 15 dólares no PIB americano (preço do corte de cabelo nos Estados Unidos). Assim, temos que o mesmo serviço é valorizado de maneira distinta em países diferentes. Para eliminar esse problema surgiu a idéia da PPC. Pela metodologia da PPC, produtos similares são contabilizados pelo mesmo preço. Ou seja, o corte de cabelo na China passa a ter o mesmo valor do corte de cabelo na América.

A idéia central da PPC – de contabilizar produtos similares em países diferentes pelo mesmo preço – perimitiria, em teoria, uma comparação mais realista do padrão de vida desfrutado por países distintos.

Em teoria a idéia da PPC é boa e faz muito sentido. Já na prática ela conduz a erros gigantescos de análise. Por exemplo, a PPC superestima o PIB de países pobres onde o custo do trabalho é baixo. Assim, países como a China e a Índia passam a figurar entre os mais ricos do mundo. Aparecendo inclusive à frente de Inglaterra e França. É evidente que isso não pode estar correto. Afinal, é comum vermos chineses e indianos migrando ilegalmente para França e Inglaterra, mas o inverso não parece ser verdadeiro.

Vários economistas usaram no passado, e continuam adotando no presente, dados corrigidos pela PPC. Tais estimativas não podem ser consideradas sem sérias restrições metodológicas. Além disso, a implicação delas decorrentes fica extremamente comprometida. Quando surgiu, a PPC causou sensação. Mas a verdade é que ela foi um tremendo passo para trás em termos metodológicos. A lição que fica é a seguinte: por mais sedutora que seja uma idéia teórica ela não pode se furtar de fazer sentido no mundo real. Tivessem os economistas o mínimo cuidado em comparar coisas óbvias, como o fato da China e Índia não serem países ricos, e esta gafe metodológica nunca teria ido tão longe.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O “Sucesso” dos Países Comunistas nos Esportes

Sucesso e comunismo são palavras que normalmente não andam juntas. Por isso, não deixa de causar curiosidade a recorrente afirmativa de que os países comunistas tiveram sucesso em promover os esportes. É comum ouvir professores elogiando Cuba, por exemplo, como uma potência esportiva. Vamos a uma breve análise referente a mais este MITO comunista.

Numa economia de mercado, um indivíduo tem várias oportunidades referentes ao futuro de sua vida. Pode escolher dentro de um rol muito grande de opções qual é a mais adequada a seu perfil. Nesse processo de escolha, o indivíduo leva em conta que, normalmente, a vida profissional de um atleta começa após os 17 anos, e termina antes dos 37 anos. Assim, para a grande maioria dos atletas, são no máximo 20 anos de profissão. Período esse extremamente curto quando comparado à outras profissões. Após essa breve carreira, o atleta tem que escolher outra profissão e começar praticamente do zero. Dessa maneira, só existem dois tipos de indivíduos que aceitam seguir uma carreira esportiva: a) os atletas realmente fantásticos, aqueles que não só são fenomenais no esporte como também possuem habilidade suficiente para, durante um breve período de tempo, acumular recursos para o restante de sua vida; e b) os não tão fenomenais, mas que também não são habilidosos em outras profissões, escolhendo assim o mundo dos esportes. Como não existem tantos atletas geniais, é comum que, numa economia de mercado, grandes talentos esportivos escolham outras profissões. Com isso podemos inferir que o sucesso de medalhas olímpicas, de países como os Estados Unidos e Inglaterra, devem-se sobretudo à capacidade do capitalismo em gerar condições para atletas medianos, mas que não têm grandes habilidades fora dos esportes, tornarem-se grandes campeões.

Numa economia socialista temos uma drástica mudança: o custo de se entrar no mercado de trabalho aos 37 anos não é tão alto. Afinal, economias socialistas pregam um alto grau de igualdade salarial. Assim, um atleta que abandona os esportes em idade avançada pode ingressar no mercado de trabalho, ganhando um salário próximo ao de outros funcionários que possuem anos a mais de experiência. Mais do que isso, em regimes socialistas, medalhistas olímpicos são transformados em heróis nacionais, pois o esporte é usado como arma política. Além disso, ser um atleta de nível internacional é uma das poucas maneiras de se escapar do “paraíso” socialista. Dessa maneira, ser atleta numa economia socialista é uma profissão com altos retornos. Não por méritos do regime socialista, mas antes pelos deméritos desse sistema. O alto número de medalhas olímpicas obtidas pelos países socialistas não se devem à sua capacidade em promover o esporte, mas sim pela INCAPACIDADE desse regime em gerar outras opções ao indivíduo.

Após essa breve análise, podemos inferir que o “sucesso”comunista no mundo dos esportes não passa de mais uma fraude publicitária. Pois tal “sucesso” não provém dos méritos desse sistema, mas é sim um sub-produto de seus deméritos.

Mais um exemplo do poder do mercado

Hoje às 18:00 horas chovia fortemente aqui em Brasília. Como é praxe, os semáforos logo pifaram. O trânsito virou um caos na L2 sul, onde eu estava. Foi então que um mendigo começou a organizar o trânsito. Ele comandava tudo: sinalizava para alguns carros avançar e para outros esperarem. Ele não recebia nada por seus serviços, não havia como parar o carro próximo à ele para dar qualquer gorjeta. Enfim, um mendigo forneceu gratuitamente um serviço pelo qual o Estado me toma quase 40% de minha renda e é incapaz de cumprir. Notem que não só os semáforos falharam como não apareceu sequer um único policial de trânsito para organizar o caos. Esse é mais um exemplo de como o mercado é muito mais poderoso do que a maioria acredita. Ao mesmo tempo, esse exemplo nos ilustra que no nosso dia-a-dia é muito mais comum nos defrontarmos com falhas de governo do que com falhas de mercado.

O exemplo acima não é único: na lateral do Venâncio 2000 (shopping de Brasília), é comum ver uma funcionária, possivelmente contratada pelo shopping, organizar o trânsito de carros e pedestres na vizinhança de uma faixa de pedestre. Mais uma vez, temos o exemplo do mercado se auto-regulando.

O poder dos agentes privados de se auto-organizarem, para prover serviços muitas vezes atribuídos ao setor público, numa economia de mercado é comumente sub-estimado. Por outro lado, o poder do Estado de consertar falhas de mercado é geralmente super-estimado. Acreditar no mercado e desconfiar do governo não é uma questão de crença, é uma simples questão de observação.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Entrevista com Nemerson Lavoura, autor do Blog Resistencia

1) No ano passado, surgiu a idéia de se julgar os crimes cometidos pela ditadura no Brasil. Seu blog, o Resistência, levantou a bandeira de se julgar TAMBÉM os crimes cometidos pela esquerda. Por que a grande maioria da imprensa se esquece que a esquerda cometeu crimes na época da ditadura? Por que criminosos procurados em outros países encontram abrigo como “assessores” de partidos de esquerda no Brasil?

Se for para rasgar a Lei de Anistia e julgar os crimes da ditadura, não há justificativa lógica para que não se julgue também os crimes da esquerda que também foram anistiados. A não ser que se considere que os assassinatos, tentativas de assassinato, seqüestros, assaltos a bancos, danos ao patrimônio, lesões corporais e, mais genericamente, o terrorismo promovido pelos militantes esquerdistas não constituíram crime algum. E é exatamente isso o que procura fazer crer a nossa esquerda caquética, retrógrada e autoritária incrustada nas redações de jornais e revistas, nas salas de aula e, em grau maior ainda, nas ONGs que costumam “exigir” (sempre de olho numa graninha...) a revisão da Lei de Anistia. Para esses dinossauros stalinistas, as barbaridades cometidas pela esquerda foram mera “resistência democrática, justificada pela dureza da repressão”. É claro que tal bobagem não resiste a 30 segundos de análise inteligente. O problema é que raramente nos dão esses 30 segundos. Normalmente, só eles falam!
A grande pergunta é: por que a esquerda latino-americana ainda segue, com fervor religioso, uma ideologia tão primitiva e totalitária, capaz de justificar atos bárbaros como o assassinato de duas crianças pelo dirigente do PSOL Achille Lollo? Por que é tão incapaz de fazer um mea culpa sincero e de modernizar-se, como fizeram o Partido Trabalhista britânico e o PSOE espanhol? Qualquer tentativa de resposta a essa pergunta ocuparia algumas páginas, no mínimo, mas eu gostaria de apontar dois possíveis caminhos para respondê-la.
1º) Fisiologismo. Para entrar nos clubinhos que costumam se formar nas universidades públicas, nas redações e nas ONGs, você precisa mostrar que pensa como a maioria, Senão, não tem emprego para você, meu chapa. Ao menos, não nos principais clubinhos.
2º) Novos acontecimentos e novas idéias demoram a se disseminar pela América Latina. Só daqui a uns 30 anos os nossos australopitecos socialistas vão descobrir que o muro de Berlim caiu e o comunismo morreu.

2) A página de abertura de seu Blog mostra uma foto do massacre da paz celestial na China. Qual é sua opinião sobre a China? Ela realmente evoluiu?

Comparando a situação atual com a de seu passado maoísta, não resta a menor dúvida de que o país evoluiu. Nascer na China de Mao era nascer na ante-sala do Inferno: havia fome, miséria material e moral, Gulag e morticínio político - tudo em escala astronômica, configurando um dos mais horrendos pesadelos comunistas da história (e olha que a competição é acirrada!). Olhando para esse passado terrível, não há como negar que o país melhorou após a introdução de um certo capitalismo, ao mesmo tempo parcial e selvagem (não há direito de greve...) em sua economia. As principais cidades enriqueceram, a classe média cresceu e o regime afrouxou um pouquinho a repressão política (o PCC continua controlando tudo, das “eleições” à Internet). No campo, a situação ainda é de miséria e de desrespeito total aos direitos humanos – mas sem a fome do período maoísta - exatamente porque lá as reformas capitalistas tiveram pouquíssima penetração.
O país evoluiu, sim, mas essa não é uma boa notícia para os dirigentes comunistas chineses. Em minha opinião, caso o crescimento econômico acelerado se mantenha, em breve a classe média, cada vez mais numerosa, começará a exigir maior participação nas decisões políticas do país, o que só pode ser concedido mediante alguma forma de governo democrático. Por outro lado, caso haja alguma crise econômica, os manda-chuvas comunas serão enxotados mais rapidamente. O alto crescimento da economia é condição sine qua non para o PCC prolongar o atual status quo. Se não me falha a memória, o último tropeço econômico chinês resultou no Massacre da Praça da Paz Celestial.

3) Entre Serra, Aécio, Ciro Gomes e Lula, qual seria seu ordenamento? Qual é o pior deles? Por quê?

Antes de qualquer coisa, gostaria de ressaltar que eu não morro de amores por nenhum dos quatro nomes apresentados. Feita a ressalva, vamos adiante.
O mais preparado para assumir a Presidência é o Serra, sem dúvida. O governador de SP é inteligente e possui um ótimo perfil administrativo. Em segundo lugar, eu escolheria o Aécio. Para ser sincero, eu não gosto muito desse cara – e isso tem muito pouco a ver com suas alianças com o PT mineiro. O Aécio tem a maior pinta de “traíra”, além de ser muito “vaselina” e metido a “politicamente esperto” para o meu gosto. No entanto, o governador de MG é bem melhor do que os dois nomes seguintes.
Bom, agora vem a parte difícil da pergunta. Lula, dos quatro nomes, é o único que já foi testado na Presidência – e nós sabemos o que é seu governo: inércia, incompetência, amoralidade, fisiologismo e patrimonialismo descarados e um eterno desenrolar de escândalos de corrupção. Entre Serra, Aécio e Ciro, este último é certamente o único que tem potencial para fazer um governo ainda pior do que o de Lula, pois certamente o oligarca cearense mexeria na herança bendita de FHC na economia. Por isso, entre Lula e Ciro eu prefiro... huuumm, deixe-me ver... uni-du-ni-tê... Ih, deu Ciro Gomes em terceiro lugar! Bem, pelo menos a “rede de proteção” ao Ciro na imprensa será menor. Eu acho.

4) Por que o estado de São Paulo não lidera uma grande cruzada liberal pelo país?

Boa pergunta, mas eu não sei a resposta. Talvez seja melhor dirigi-la a um paulista. Eu torço para que tal cruzada aconteça, mas sem muita esperança. Aqui no Rio e em boa parte do resto do país, o que se tem visto é que – parafraseando o dito da época do Império – não há nada mais socialista do que um “liberal” brasileiro no poder.

5) Se você pudesse aprovar uma única lei no Brasil, qual lei seria essa?

Caso me fosse dada essa oportunidade, e eu resistisse à tentação de promulgar uma lei do tipo “Toda mulher bonita fica terminante proibida de resistir às cantadas do Nemerson. Revogam-se as disposições em contrário”, então acho que seria esta (em linguagem não-jurídica):

“Haverá apenas um imposto no país, abolindo-se todas as demais taxas, impostos, contribuições e assemelhados. O novo imposto único será escolhido pelo Congresso Nacional, mas não poderá em nenhuma hipótese incidir diretamente sobre o salário dos trabalhadores, e o valor de sua alíquota será decidido em plebiscito no qual tomarão parte apenas aqueles por ele afetados, direta ou indiretamente.”

Ah, o governo pode vir a ficar sem verba para continuar a exercer as suas atividades precípuas? OBA!!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Pelo fim do Bolsa Família

Bolsa-Família é um programa do governo que DÁ dinheiro aos mais necessitados. Não é muito, cada família atendida recebe perto de 70 reais por mês. O custo do programa para o governo federal também não é alto, custando aos cofres públicos ao redor de 1% do PIB. O programa também é bem focado: mais de 75% das famílias que recebem tal ajuda são muito pobres (esse índice de sucesso deve ser recorde mundial). Além disso, para fazer jus a tal benefício as famílias devem manter as crianças na escola e com a carteira de vacinação em dia. Também devemos lembrar que vários especialistas atribuem à esse programa uma redução na desigualdade de renda no Brasil.

Apesar disso tudo sou contra o Bolsa-Família. Em primeiro lugar, devemos lembrar que a desigualdade de renda pode ter sido reduzida por vários outros fatores, tais como baixos índices de inflação e maior comércio internacional. Em segundo lugar, os índices de vacinação no Brasil já são altos, independentemente do bolsa-família. Em terceiro lugar, creio que o bolsa-família é ineficiente para controlar a permanência da criança na escola. Afinal, quantos professores no Brasil colocam falta ao aluno na pauta de chamada? Os professores sabem que tais faltas podem implicar na suspensão do bolsa-família para a família em questão. Assim, é natural suspeitarmos que vários alunos estejam FORA da escola, enquanto as pautas de chamada indiquem que eles estejam DENTRO da escola. Em quarto lugar, o índice de acerto (focalização) do programa deve-se a metodologia de identificação de pobres, e não especificamente ao tipo de programa (bolsa-família nesse caso). Em quinto lugar, 1% do PIB não é tão pouca coisa assim. Além disso, esse não é o único benefício recebido pelos mais pobres. Basta lembrar que o Brasil também gasta recursos com educação e saúde pública. Ou seja, os pobres estão recebendo educação, saúde e dinheiro. Isso não é tão pouco como alguns querem fazer crer. Em sexto lugar, 70 reais por mês pode parecer pouco a alguém que ganhe 1.000, mas certamente não é pouco para alguém que teria que passar o dia no campo para receber 10 reais ao final do dia. Assim, parece razoável supor que a oferta de trabalho no campo irá ser reduzida. O mesmo valendo para os segmentos menos qualificados da população. Ou de maneira similar, podemos conjecturar que caso os menos qualificados não recebam um salário maior, o Bolsa-Família terá um efeito negativo na oferta de trabalho desse segmento (em termos técnicos, o salário de reserva dos menos qualificados aumentou). Em palavras, o governo estaria pagando para algumas pessoas pobres pararem de trabalhar. Creio não ser esse um bom incentivo para os indivíduos deixarem a pobreza. Em sétimo lugar, dar dinheiro por tempo ilimitado, e sem metas de desempenho, parece pouco propício a estimular a vontade de vencer em um indivíduo. Por fim, é fato histórico que todo programa público tende a AUMENTAR SEUS GASTOS com o tempo. Aliás, parece que as últimas medidas do governo, expandindo o Bolsa-Família, comprovam essa máxima.

Não sou contra a ajuda a pobres. Mas prefiro um mecanismo muito mais simples: 1% do orçamento federal será sempre destinado aos miseráveis em forma de dinheiro. Esse mecanismo, não é isento de críticas, mas fornece alguns benefícios: a) redução de gastos com a checagem de pautas escolares e carteiras de vacinação; b) um aumento no número de miseráveis reduziria o benefício individual de cada miserável, o que é um estímulo a sair da pobreza; c) sendo fixado esse percentual no orçamento, fica claro que esse programa retira recursos de outros programas. Isto é, aumentar o percentual gasto com esse programa implica em reduzir o gasto em outro lugar, mantendo o orçamento federal inalterado.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Grandes Momentos da Burocracia

O post de hoje é dedicado a divulgar as bizarras, e as vezes engraçadas, experiências que cada um de nós já tivemos com a burocracia pública ou privada. Assim, caro leitor, peço que você envie a esse blog seus comentários e experiências com esse ícone da estupidez humana chamado burocrata.

Para começar relato 3 fatos que já ocorreram comigo:

1) Estava eu em uma reunião com vários representantes do setor público, após 4 horas de intensos debates, sobre coisas sem o menor sentido e que não constavam da pauta original, decidiu-se marcar outra reunião para a próxima semana. Notem que na maior parte das reuniões a única coisa que fica realmente decidida é o horário da próxima reunião.
2) Há alguns anos atrás fui ao DETRAN-PR, que é considerado a experiência em vida mais próxima ao inferno, cheguei lá às 6:00 horas da manhã. Quando o DETRAN abriu, às 9:00 horas, fui informado que não poderia ser atendido naquele dia. Motivo: eu tinha chegado muito tarde. O funcionário, com o desprezo característico dos burocratas, sugeriu que eu não deveria ser tão preguiçoso e deveria chegar lá mais cedo da próxima vez.
3) A matéria mais difícil que eu já estudei chama-se “Inferência Estatística e Teste de Hipótese”, cursei essa matéria no mestrado em estatística da UnB. Quando terminei meu doutorado, notei que essa matéria não constava no meu histórico. Para resumir uma história longa, após várias idas e vindas, fui informado do seguinte: “você já tem créditos suficientes, esqueça isso”. Por incrível que pareça, depois de 1 semana tentando entender o que havia ocorrido, essa foi, sem dúvida alguma, a coisa mais sensata que lá me informaram.
Agora aguardo a contribuição de vocês leitores. Enviem para o blog seus memoráveis momentos esperando em fila, aguardando o fim de uma reunião inacabável, ou mesmo jogando jogos no celular enquanto o pessoal ao redor está fazendo cara de gênio e discutindo como salvar o Brasil.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Outra vez sobre a crise americana

Este blog já havia alertado, e vai insistir no ponto novamente: É ERRADA a maneira como os Bancos Centrais têm atuado para amenizar a crise financeira atual, gerada pelo mercado de sub-prime nos Estados Unidos. O argumento é simples: perdeu dinheiro quem investiu no risco. A decisão de investir em mercados arriscados embute tanto riscos altos quanto retornos elevados. Vários agentes ganharam muito dinheiro no passado apostando no risco. Agora que perderam os Bancos Centrais têm atuado para socializar os prejuízos. Esse comportamento, seguido principalmente pelo Banco Central Americano (FED), parece mandar a seguinte mensagem ao mercado financeiro: “se você for arriscar, arrisque muito. Se você ganhar, ótimo. Se perder, nós ajudamos”. É evidente que esse tipo de mensagem irá ter impactos sobre o nível de risco que os bancos e corretoras aceitarão tomar no futuro.

O mais engraçado de tudo é que o presidente do FED, Ben Bernanke, é um economista de primeiro time, com sólida formação teórica e publicações internacionais. Mas, tal como diria Milton Friedman, a maioria dos cientistas defende uma coisa na academia e outra quando vão trabalhar para o governo. Todos os economistas conhecem bem o problema de consistência temporal (a idéia de que seguir uma regra é melhor do que mudar de política ao sabor do mercado), qual a dificuldade de implementar no mundo real o que ensinamos em sala de aula?

Ben Bernanke está cometendo o mesmo erro de outro bom economista teórico (mas que foi um fracasso à frente do FED), Burns, que também tentou acomodar choques. O legado de Burns foi uma inflação alta que cobrou um alto preço (em termos de desemprego) para ser contida. Ao invés de estar tentando acomodar o choque, o FED deveria manter sua política monetária inalterada. Claro que isso implicaria em altos custos no presente, mas preservaria o futuro da economia americana. A atuação do FED está evitando apenas temporariamente o preço do ajuste, e pior do que isso: está dando os incentivos errados ao mercado. Não se enganem, o custo desse erro irá aparecer cedo ou tarde.

Tenho ouvido pessoas dizerem que a crise americana foi gerada por causa do excesso de crédito e que a solução seria o FED restringir o crédito imobiliário. ERRADO novamente. Essa crise foi causada porque os bancos e corretoras apostaram numa ajuda do FED caso algo desse errado (aposta acertada até o momento). O FED não tem que restringir o crédito imobiliário fornecido pelo setor privado. Se uma empresa quer emprestar para alguém, qual o direito o governo tem de intervir? O máximo que o FED pode fazer é monitorar o mercado de crédito imobiliário e informar à sociedade o nível de exposição de cada banco.

Para finalizar, uma pergunta aos amantes de modelos a la IS x LM: numa economia aberta, com taxas de câmbio flexíveis, qual o efeito sobre o PIB doméstico de um choque de demanda externo? Resposta: nenhum, o efeito é todo absorvido pela variação cambial. Não deixa de ser irônico notar que professores que ensinam isso na universidade, e acreditam que essa modelagem funcione, preguem o contrário em público. Alguns deles inclusive sugerem que para se combater a crise se FIXE a taxa de câmbio (exatamente o contrário do que o modelo que eles ensinam, e acreditam, sugere).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Qual é a função dos Ministros do STJ (ou do STF)?

De acordo com dados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) durante o ano de 2007 cada Ministro julgou, em média, 11.900 processos. Isso é uma média fenomenal, uma produtividade sem precedentes na história da humanidade. Obviamente, alguma coisa deve estar errada.

Vamos aos fatos: como qualquer trabalhador brasileiro, um Ministro do STJ tem direito a um mês de férias, assim um ano de trabalho equivale NO MÁXIMO a 11 meses de trabalho. Isso implica numa média de 1081 processos julgados por mês. Assumindo que um mês de trabalho tem 22 dias úteis, isso implica numa média de 49 processos julgados por dia. Assumindo que um Ministro do STJ trabalhe 8 horas por dia (sem tempo de parar para o cafezinho), temos uma média de 6 processos julgados por hora, ou seja, cada Ministro do STJ lê, analisa, estuda a jurisprudência e julga um processo a cada 10 minutos. Não sou um grande especialista em direito, mas creio que 10 minutos não é tempo suficiente sequer para se ler um processo, quanto mais para julgá-lo.

O que o parágrafo acima tenta demonstrar é que há algo de errado com a estrutura jurídica do país. É evidente que a culpa por tantos processos chegarem ao STJ não é dos Ministros do STJ, mas sim da estrutura jurídica do Brasil. Então temos que escolher entre 2 opções: a) ou mudamos a estrutura jurídica do país; ou b) acabamos com o cargo de Ministro do STJ. Por que acabar com o cargo de Ministro do STJ (ou do STF, já que lá o problema deve ser similar)? Simples, porque quem está julgando tantos processos NÃO é o Ministro, mas sim seus assessores. Ora, se os assessores conseguem fazer trabalho tão bom, ganhando menos, por que deveríamos pagar alguém para ser Ministro? Note que, devido ao volume de processos, é bem capaz que os Ministros do STJ não tenham tempo sequer para conferir todas as sentenças que seus assessores escrevem. O provável é que os Ministros assinem diversos processos sem ao menos ler a sentença. Esse post refere-se ao STJ, mas acredito que ele pode ser aplicado a quase todas as instâncias jurídicas do país.

Assim, deixo a bola com os especialistas em direito: até quando teremos essa estrutura jurídica HORROROSA? Até quando assessores, ou estagiários (como acontece em alguns tribunais), irão decidir o futuro de famílias e empresas?

Milagres acontecem!!!!

Finalmente um dos maiores ASSASSINOS de todos os tempos pede pra sair: Fidel Castro, depois matar milhares e condenar milhões à miséria pediu para sair da Presidência de Cuba.

Impressiona o Presidente do Brasil, um país que CONDENA a ditadura, ir lá prestar solidariedade a esse CARRASCO.

Que notícia boa saber que esse mau caráter, FINALMENTE APÓS 49 ANOS, abandona o poder. Ele é mais um exemplo do "desapego" socialista pelo poder.

Assim que Cuba se abrir ao mundo a pobreza da ilha irá declinar a taxas meteóricas. Mas devemos nos lembrar da máxima latina: bobeastes sunt enrabastes est. Deve estar cheio de coróneis na ilha querendo o posto de ditador vitalício. Essa é a hora do povo cubano lutar por sua liberdade. Essa é a hora de dar um basta nessa ditadura sangrenta que assola o povo cubano há meio século.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Inveja Mata

É fato notório que as pessoas que menos entendem de futebol no mundo são os comentaristas esportivos. Impressiona o despreparo desses profissionais para comentar qualquer partida de futebol. Hoje vimos mais um exemplo: os comentaristas se apressaram em exaltar o belo gol de Alan Kardec (no jogo Vasco x Flamengo). Realmente foi um belo gol, mas uma pessoa que entende o mínimo de futebol se faria a seguinte pergunta: por que um centroavante rápido, recebendo a bol na frente da zaga, dá um breque para driblar o zagueiro? Alan Kardec marcou um golaço, mas fez a jogada errada. Quando um atacante recebe a bola na frente da zaga, ele apenas avança em direção ao gol, não há necessidade de tentar outra jogada.

O que mais chama a atenção em relação à inabilidade dos comentaristas esportivos é a inveja notória em relação ao sucesso do campeonato carioca. Inveja e desprezo esses só comparáveis ao absurdo apreço pelo campeonato paulista (aquele que tem o Guaratinguetá como líder). A todo momento aparece algum “expert” para dizer: “o campeonato carioca só tem 3 ou 4 rodadas, o resto é jogo de mentira”. Engraçado é que os mesmos comentários maldosos NUNCA são feitos ao campeonato paulista. Ou você vai me dizer que Guaratinguetá x Sertãozinho é um clássico nacional? O campeonato paulista também está recheado de times horríveis, tal como qualquer campeonato mundo afora, por que só reclamar do carioca? Contudo, confesso que não tenho como não rir ao ouvir o hino nacional sendo tocado antes do início do clássico Bragantino x Portuguesa Santista. Cá entre nós, o hino nacional não merece esse tipo de homenagem.

Outro absurdo comumente falado, em anos passados, pelos comentaristas, refere-se a times pequenos chegando à frente de times grandes no campeonato carioca. Eles atribuíam isso à péssima organização dos times cariocas. Nesse ano os líderes do campeonato paulista são guaratinguetá, noroeste e ponte preta, por que os mesmos comentaristas não criticam agora a organização dos grandes times paulistas? A verdade é que times pequenos baterem times grandes em campeonatos estaduais não é um fato isolado e muito menos absurdo. O que acontece é que os grandes times brasileiros disputam competições até dezembro, e os campeonatos estaduais começam no começo de janeiro. Assim, times pequenos tem muito mais tempo para se preparar do que os grandes. Nada mais natural do que eles se saírem melhor no começo da temporada. Obviamente, assim que a temporada avança os grandes fazem valer seu melhor plantel.

Nesse ano, no campeonato paulista, vários times que estão na divisão principal não disputam nenhum campeonato nacional. Dessa maneira, tiveram tempo de sobra para se preparar, daí o sucesso deles. Quanto tempo será que os comentaristas esportivos levarão para entender isso?

Por fim, os amantes do campeonato liderado por Guaratinguetá e Noroeste podem fazer cara feia, mas o campeonato carioca é um sucesso. Aliás, além da equipe da Bandeirantes, alguém acompanha o campeonato paulista?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Baixinho está de volta, Bem vindo Romário

O STJD corrigiu um dos maiores absurdos do doping esportivo e ANULOU a punição de Romário. O Baixinho já pode voltar aos estádios.

Punir Romário foi um absurdo incrível. Era fato conhecido que ele usava um produto para queda de cabelo, ele nunca escondeu isso. Puní-lo por doping foi de uma injustiça incrível.

Este blog da os parábens ao STJD por corrigir tal erro e felicita o SEGUNDO maior jogador de todos os tempos, atrás apenas de Pelé e logo a frente de Garrincha.

Lula, o estadista!!!

Uma homenagem do blog `a democracia brasileira: clique aqui!!!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Entrevista com o Professor Claudio Shikida

1) Seu blog costuma apresentar críticas asperas contra os "pterodoxos". Quem são eles? Por que eles merecem tais criticas? No Brasil, quem foi o maior "pterodoxo" de todos os tempos?

A pterodoxia reúne a fina flor do que há de mais improdutivo em economia: aqueles que não têm idéias e escondem isto de todos. Outro dia um leitor comentou, em tom meio ranzinza, que eu estaria criticando economistas do partido do presidente da Silva ao usar este termo. Mas pterodoxo foi um termo que criei inspirado em algo como "Petrossauro" que era como Roberto Campos chamava a Petrobrás, se não me falha a memória. Um pterodoxo é, basicamente, um sujeito que não olha para a planilha e sim para a ideologia ou para seu patrocinador em primeiro lugar. É também um que fala de econmia sem entender do que fala. Ou então é bom de matemática, mas não tem idéias. Ou é um sujeito verborrágico e que, também, não tem idéias

Mesmo assim, o pterodoxo enche a boca para se chamar de "especialista" (ou, sei lá, "professor"). Pterodoxo também é aquele que, na era globalizada, com a internet e a banda larga tem a desfaçatez de entrar em alguma sala de aula e dizer que "Milton Friedman está errado sobre isto ou aquilo" embora nunca tenha: (a) dialogado com o próprio (com a internet, até a morte de Friedman, quem tivesse algo relevante a dizer, conseguiria se comunicar com ele), (b) publicado algum artigo em periódico científico sério detalhando suas críticas em linguagem lógica (com ou sem um modelo matemático explícito).

Enfim, pterodoxo é igual ao brasileiro: "não desiste nunca". E é por isto que temos sempre que chamar a atenção do leitor para estas tentativas de assassinar a lógica e a ciência em prol da burrice. Às vezes é sábio desistir. Principalmente se é para desistir de falar asneiras.


2) O De Gustibus é um grande incentivador da causa liberal. Como surgiu sua identificação com o liberalismo? Como você conseguiu se desviar da geração de seus professores, provavelmente "pterodoxos", para se dedicar ao liberalismo?

Obrigado, Adolfo. A idéia do blog era não ter muitas discussões normativas, mas confesso que sou um "espectador engajado" (ah, Raymond Aron...) e não resisto a tentar mostrar para pessoas que "outro mundo é possível", com mais liberdade, responsabilidade, humildade e prosperidade.

Anos lecionando me deixaram pouco otimista, mas acho que, em média, somos todos racionais e capazes de aprender. Você fala de professores pterodoxos que tive. É verdade. Cursos de História do Pensamento Econômico começavam em Aristóteles e terminavam em Marx (ou Sraffa, com um salto irreal que ignorava todo o surgimento do pensamento neoclássico). Com o mestrado, eu comecei a refletir: por que esconderam esta literatura de mim? Há algo que preste aqui? Por que acho estes textos menos confusos em sua lógica interna? Meus professores pterodoxos xingavam Karl Popper e diziam que tudo era normativo. Também se diziam (e se dizem) democratas. Mas sempre procuraram esconder dos alunos pensadores como Hayek e Mises. Veja só.

Ajudou um pouco ter a mente aberta (gente da ciência tem que ter a mente aberta) e também ler com prazer tudo o que era achado na biblioteca com os nomes "James Buchanan" e "Gordon Tullock". Eu comecei a ficar mais crítico do otimismo pterodoxo que pretende mudar o mundo via governo (a famosa "Engenharia Social") e mais humilde quanto ao meu próprio conhecimento. Aliás, talvez isto tenha sido o que mais gostei no liberalismo de corte hayekiano: o reconhecimento da limitação de nossa própria mente como restrição importante às tentações interverncionistas. Perceber que a mente humana é limitada e que "engenharia social" é presunção disfarçada de boas intenções, creio, é um primeiro passo individual na direção não apenas do liberalismo, mas de uma vida intelectual mais saudável e responsável.


3) Como você analisa o escândalo dos cartões corporativos?

Para mim é mais um exemplo de que o brasileiro (e)leitor deveria ficar mais atento quando alguém lhe chega falando de "ética na política". Mais ainda, o escândalo mostra que o conceito de "falha de governo" deveria ser mais bem estudado e comprendido pelos alunos de Economia e, claro, por todos os brasileiros.

4) Para 2008, você acredita que a economia brasileira sofrerá com a crise americana?

Eu sou péssimo para previsões, mas uma coisa é certa: a economia brasileira não está em outro universo: a economia brasileira faz parte da economia mundial. Ainda que nossa economia ainda seja incrivelmente fechada, certamente sofreremos com a crise, em algum grau. Acho que grande lição é a do nosso passado: no segundo choque do petróleo, membros do governo procuravam difundir a idéia de que o Brasil era "diferente" e que não sofreríamos com a crise. Deu no que deu.

5) Se você pudesse aprovar uma única lei para valer no Brasil, qual lei seria essa?

Posso ser irônico, com um tom liberal? Aí vai: "é proibido facultar a um único indivíduo o direito de aprovar uma única lei para valer no Brasil, exceto se esta facultar a todos o mesmo direito".

Entrevista amanhã é com o Professor Claudio Shikida

Amanhã nossa entrevista é com o economista e Professor do IBMEC-MG Dr. Claudio Shikida. Shikida é o fundador do blog De Gustibus, um dos mais influentes blogs liberais brasileiros.

O Médico e o Monstro

Chocou o Brasil a notícia de que a nadadora Joana Maranhão havia sido molestada sexualmente em sua infância. Segundo a nadadora, ela teria sido molestada por seu técnico de natação. A imagem de uma criança de 9 anos sendo molestada por um adulto é certamente repugnante. Qualquer monstro que se preste a tal serviço merece o desprezo e punições severas da sociedade. Mas será que o fato narrado pela nadadora ocorreu mesmo? Vamos a algumas divagações:
1) Talvez a nadadora tenha realmente sido molestada, mas por vergonha e medo se calou por um longo tempo.
2) Talvez a nadadora tenha interpretado mal a ação de seu técnico. Aliás, a própria mãe da nadadora confessou que essa foi sua primeira reação quando sua filha fez menção ao caso.
3) Talvez anos de terapia tenham colocado na cabeça da nadadora que esse fato ocorreu, quando na realidade isso era apenas uma coletânea de informações dispersas e que de maneira alguma implicavam em molestação sexual. Aliás, a própria nadadora confessou que só se lembrou de alguns fatos depois de fazer terapia.

Enfim, existem várias hipóteses. Mas uma pergunta é importante: por que divulgar tal informação só agora? Talvez só agora a nadadora tenha tido coragem, e preparo emocional, para se expor dessa maneira. Talvez a nadadora tenha se dado conta que era preciso evitar que seu carrasco fizesse novas vítimas, daí a necessidade de denunciá-lo. Talvez a nadadora estivesse querendo aparecer na mídia. Enfim, novamente temos uma série de hipóteses. Nenhuma delas possível de comprovação.

Seria Joana Maranhão uma heroína expondo sua vida para salvar de um destino horrível crianças indefesas? Ou seria ela um monstro que sacrifica a vida, e carreira, de um homem honesto apenas por alguns minutos de atenção? Seria o treinador um monstro tão desprezível a ponto de abusar de crianças? Ou seria ele apenas uma vítima de uma menina cruel? Quem é o médico? Quem é o monstro? Só duas pessoas nesse mundo sabem essa resposta, ninguém além delas saberá com certeza o que ocorreu.

Desse episódio, só uma certeza: a mão da nadadora tem que ser punida. Foi a mãe da nadadora que revelou o nome do técnico. O técnico já perdeu seu emprego por causa disso e enfrentará com certeza muitos outros problemas. Não se pode permitir que uma pessoa faça acusação tão séria e não apresente provas. Quando a mãe da nadadora decidiu divulgar o nome do técnico, ela talvez tenha sido uma heroína que tenha salvo outras crianças de um destino cruel. Sim, talvez ela tenha sido uma heroína. Contudo, nem tudo que é justo é legal e nem tudo que é legal é justo. TALVEZ o comportamento da mãe da nadadora tenha sido justo, mas certamente não foi legal.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Quanto custa ser otário no Brasil?

Ser otário nunca é bom, em lugar algum do mundo um otário está isento de custos. Na civilização existem regras que são respeitadas, e elas costumam diminuir o peso da idiotice. Contudo, em países selvagens, o pobre otário não tem escapatória: não só é depenado pelo setor privado (que geralmente não enfrenta concorrência), mas também é escandalosamente roubado pelo setor público. Não, eu não estou dizendo que o otário é depenado pelos altos impostos. Estou dizendo que na selva o setor público rouba mesmo.

Vamos analisar o caso brasileiro. Há alguns anos atrás o Brasil aprovou uma lei obrigando que todo veículo fosse equipado com um kit de primeiros socorros. Nesse momento os otários, pensando que o governo fosse sério, compraram os tais kits (que custavam em média 10 reais). Outros, mais otários ainda, usaram suas economias para montar empresas que forneceriam os kits. Já os “espertos” nada fizeram.... dito e feito, em menos de 1 semana a lei foi revogada e azar dos otários que gastaram seu dinheiro. Pensam que isso é coisa do passado? Bom, no começo desse ano entrou em vigor uma lei que obriga os motoqueiros a usarem um tipo diferente de capacete. Os otários gastaram dinheiro comprando novos capacetes, ou adaptando seus capacetes antigos à nova lei. Já os “espertos” nada fizeram... dito e feito, o governo já mandou anistiar TODOS que foram multados por não usar o capacete adequado, e anunciou um novo prazo para que os motoqueiros sigam a nova regra....

Mas no Brasil não basta ser roubado pelo governo federal, os governos estaduais e municipais também querem sua parte. Aqui em Brasília, há alguns anos atrás foi aprovada uma lei que cobrava uma tal de “taxa de bombeiro” (custava 40 reais) a ser paga junto com o IPTU. Os otários (eu incluso) pagaram a taxa. Já os “espertos” nada fizeram.... dito e feito, em menos de 1 semana a lei foi revogada.... o governo disse que quem pagou seria reembolsado. Eu ainda não recebi nada de volta. Mas isso não é coisa do passado. Nesse ano, o governo estadual não deu descontos para quem pagou o IPTU adiantado. Os otários (eu sempre nessa turma) pagaram o IPTU em dia. Depois de 1 semana o governo do estado anunciou um desconto de 5% para os que pagarem adiantado (e deu novo prazo para o pagamento). Mais do que isso, alguns imóveis estão tendo seu IPTU reajustado para baixo!!! Claro que você só usará essas vantagens se você for do grupo dos “espertos”. Para o grupo dos otários (aqueles que já pagaram o IPTU), o governo estadual está dizendo que enviará uma carta pelo correio explicando como ser reembolsado....

Já dizia o filósofo Bezerra da Silva “enquanto houver otário no mundo, malandro não morre de fome”. Mas aqui no Brasil a competição por otários é uma disputa séria entre governo e iniciativa privada.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Dúvida do Blog

Alguém sabe qual é o canal da rede pública de televisão inaugurada pelo governo federal??? Esse canal fantasma é tão ruim, mas tão ruim, que creio que são poucos os que sabem de sua existência..... aliás, assim que tiver uma cpi da TV pública aposto que encontram irregularidades lá também.

Alunos da UnB querem a saída do Reitor....

... mas nenhuma palavra sobre a saída do Presidente da República.... Esses valentes da UnB são mesmo engraçados: valentes quando se trata de pedir a saída do Reitor, omissos quando se trata de ter a mesma postura em relação ao Presidente da República. O mais engraçado é que os valentes que pedem a saída do Reitor são os mesmos que acusam de “golpistas” todos que pedem a saída do Presidente. Entenderam??? Pois é, para os valentes pedir a renúncia do Presidente da República quando este está a frente de irregularidades é tentativa de golpe, promovida pelos derrotados nas eleições..... mas pedir a renúncia de um Reitor (que também venceu eleições) acusado de irregularidades é algo legítimo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Islamismo e Terrorismo

Quando a polícia tenta descobrir psicopatas ela faz uso de um perfil prévio, elaborado por especialistas, sobre o comportamento do psicopata. Existem algumas características comuns entre os psicopatas, são pessoas detentoras dessas características que serão as primeiras suspeitas. Claro que nem todos que possuem tais características serão psicopatas, mas é assim que o processo funciona. Quando um cientista tenta explicar um fenômeno, uma de suas primeiras tentativas é encontrar no fenômeno atual alguma similaridade com fenômenos passados, para daí derivar uma conclusão. Novamente, temos o mesmo padrão: a procura por características similares.

No caso do terrorismo ANTES de 1990, o fator comum que unia vários grupos terroristas distintos era o apoio à filosofia marxista e, logicamente, o apoio financeiro recebido da antiga União Soviética. APÓS 1990, o perfil dos grupos terroristas foi alterado. Atualmente, o fator comum que une vários grupos terroristas é o apego ao islamismo. Isso não quer dizer que o Islã pregue a violência, mas quer dizer que, em relação a outras religiões, existe uma alta concentração de seguidores do islã que efetivamente colaboram com atividades terroristas.

Os terroristas islâmicos têm um discurso pronto contra os EUA, Israel e o mundo ocidental. Eles apostam que, cedo ou tarde, o mundo ocidental começará a discriminar e perseguir os seguidores do islã. Quando isso acontecer, os terroristas esperam receber um apoio maior da comunidade islâmica e aumentar ainda mais sua força e agressividade. O que mais assusta nessa linha de raciocínio é que ela é extremamente razoável: cedo ou tarde as pessoas começarão a culpar essa religião, e seus seguidores, pela morte de parentes, amigos e pelo crescimento do temor de novos atentados. Só existe uma única maneira de se evitar essa radicalização: os líderes islâmicos TÊM QUE VIR A PÚBLICO CONDENAR ATOS TERRORISTAS. É obrigação de todo líder islâmico dizer que Bin Laden irá queimar no inferno. É obrigação de todo líder islâmico dizer que quaisquer membros da Al Qaeda irão queimar no inferno, e assim por diante.

O parágrafo acima nos leva a seguinte pergunta: os líderes islâmicos têm cumprido com seu dever de ir contra o terrorismo? Eu acho que não. Acho que no geral a comunidade islâmica não tem se posicionado de maneira clara e efetiva contra Bin Laden. Não adianta a comunidade islâmica condenar o terrorismo, mas não condenar Bin Laden ou a Al Qaeda. Não adianta criticar o terrorismo, mas aprovar que membros da comunidade islâmica enviem dinheiro para financiar a Al Qaeda. A comunidade islâmica tem que deixar claro para toda a sociedade que é CONTRA A DESTRUIÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL, QUE É CONTRA BIN LADEN, QUE É CONTRA A AL QAEDA, QUE É A FAVOR DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DESFRUTADA NO MUNDO OCIDENTAL.

Não há neutralidade possível para os líderes islâmicos: ou você apóia Bin Laden e seus ataques terroristas ou você os quer atrás das grades. Calar-se nesse momento é prestar um serviço aos terroristas que usam da credibilidade do Islã para cometer verdadeiras atrocidades. Líderes do Islã: vocês têm uma obrigação, uma obrigação com a paz, uma obrigação com sua religião e com o respeito ao próximo. Está na hora de condenar ao inferno todos que ajudam, financiam, ou tomam parte em atividades terroristas.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

I am a Republican, escrito por John McCain

Essa dica veio do meu amigo Roberto Ellery, notem abaixo o EXCELENTE ponto levantado por McCain: juiz tem que SEGUIR a lei e NÃO FAZER a lei.

“I am a Republican because, like you, I want to relieve the American people of the heavy hand of a government that spends too much of your money on things you neither want nor need, while failing to do as well as we should the things none of us can do individually. I am a Republican because, like you, I believe government must defend our nation’s security wisely and effectively, because the cost of our defense is measured in losses so hard to bear and in the heartbreak of so many families.
“I am a Republican because, like you, I believe government must respect our values because they are the true source of our strength; and enforce the rule of law, which is the first defense of freedom. I am a Republican because I believe the judges we appoint to the federal bench must understand that enforcing our laws, not making them, is their only responsibility. I am a Republican because I believe, like you, that government should tax us no more than necessary, spend no more than necessary, and keep out of the way of the most industrious, ingenious, and optimistic people in the history of the world.
“I am a Republican because I believe, like you, that it is the strength, courage, wisdom and patriotism of free people — not the government — who have made this country the extraordinarily successful place it is. My friends, my purpose is to preserve and strengthen our freedom, the freedom I have defended all my adult life, and I will not let anyone or anything deter me.”

John McCain

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Entrevista comigo mesmo.

Infelizmente, ocorreu um problema de comunicação e eu não recebi as respostas de meu entrevistado nessa semana. Assim, ai vai uma entrevista comigo mesmo.

1) O Sr. costuma dizer que o comunismo foi a doença que mais matou no século passado. Por que?

Resposta) Digo isso porque basicamente é a verdade. O comunismo é o câncer da sociedade. Nada matou tantas pessoas quanto o comunismo. Nada produziu tanta miséria e desgraça quanto a tentativa de implementação de idéias marxistas numa sociedade. Esse fenômeno não é específico a uma época ou a uma sociedade isolada. O comunismo começou a ser implantado na Europa e fracassou. Foi para a Ásia e fracassou. Foi para a América Central e fracassou novamente. Em TODOS os locais onde os ideais comunistas foram implantados a sociedade empobreceu e tornou-se mais violenta ao indivíduo. Na história da humanidade, talvez apenas a peste negra tenha matado mais pessoas proporcionalmente à população do que o comunismo.

2) Se o comunismo é tão ruim quanto o Sr. diz, então por que há tantas pessoas que apóiam partidos de esquerda?

Resposta) Acredito que existam pelo menos quatro explicações para isso. Primeiro, porque sempre é mais fácil culpar ao sistema do que a você mesmo. Numa sociedade capitalista é você quem toma a decisões, é você que escolhe seus caminhos, é você que, em última instância, será responsável por seu sucesso ou fracasso. Claro que exceções existem, mas a regra é que numa sociedade capitalista o sucesso de um indívio esteja muita atrelado às qualidades e escolhas desse indivíduo. Na vida das pessoas os sonhos costumam ultrapassar em muito as possibilidades reais, quando os indivíduos notam que não poderão realizar seu sonho começam a procurar bodes expiatórios, e o “sistema” capitalista passa a ser o vilão da história. Em segundo lugar, muitas pessoas honestamente acreditam que, com a quantidade de bens produzidos no mundo, não faz sentido existir miséria. Assim, a filosofia marxista de igualdade passa a exercer uma forte influência sobre tais indivíduos. Infelizmente é muito difícil para alguns entender que a produção de mercadorias só é tão elevada porque temos um sistema que recompensa o esforço individual. Tão logo implante-se uma filosofia comunista esse “excesso” de mercadorias desaparece. Em terceiro lugar temos os que simplesmente odeiam o capitalismo. Geralmente essa classe se compõe de intelectuais que não aceitam pessoas com menos conhecimento que eles recebendo salários e rendas maiores. Por fim, temos a grande maioria das pessoas que não entende nada. Mas não gostam de parecer estúpidas. A melhor estratégia para tais pessoas é ir com a maioria. Vá a qualquer universidade e você encontrará uma vasta gama desses indivíduos. Apóiam o comunismo, e partidos de esquerda, porque isso passa uma imagem de que eles são pessoas atualizadas e inteligentes.

3) Existe alguma chance do liberalismo triunfar no Brasil?

Resposta) Sim. Acredito que o pior já passou. A pior fase para o liberalismo no Brasil se deu entre os anos 1980 e 1994. Nessa época, o currículo das universidades sequer mencionava os pensadores liberais. Essa geração cresceu acreditando que dois grande intervencionistas, Mario Henrique Simonses e Roberto Campos, eram liberais. Minha geração teve que gastar um tempo enorme para descobrir os pensadores clássicos. As novas gerações já poderão pular essa busca, saberão ao menos que exitem pessoas que defendem o livre arbítrio. Outro detalhe é que no passado o acesso ao grande público era feito por jornais, revistas e televisão. Hoje, com o fenômeno da internet o acesso ao grande público é muito mais democrático e o poder de monopólio dos antigos veículos de comunicação se reduziu muito. Por exemplo, blogs liberais como o De Gustibus, Tambosi, Resistência, Selva Brasilis, entre outros, tem um poder muito grande de divulgação de idéias. Acredito que a função da minha geração foi redescobrir as idéias liberais. Uma vez feito isso, essa geração luta para manter essas idéias vivas e acessíveis para a próxima geração. Nossa geração não verá o triunfo das idéias liberais, mas a geração que suceder a nossa terá boas chances de implementar o receituário liberal. Mudar uma sociedade com argumentos, e não pela força, leva tempo. Mas acredito que daqui há 15 ou 20 anos os ideias liberais encontrarão muito mais espaço no Brasil. Principalmente porque a geração atual tem feito um trabalho grande de “quebrar barreiras”.

4) Se você pudesse aprovar uma única lei no Brasil, qual lei seria essa?

Resposta) Aprovaria a seguinte lei: “propriedade privada é inviolável, não cabe ao governo desapropriar qualquer bem com base na idéia de que esse não cumpre sua função social”. Se pudesse aprovar uma segunda lei, seria: “o Estado não pode ter terras, todas as terras devem ser privadas”. E se pudesse aprovar uma terceira lei, seria: “é proibido ao governo tratar produtos produzidos fora do Brasil de maneira distinta da de produtos produzidos dentro do Brasil”. Essa medida geraria um grande choque de concorrência no país, e concorrência é uma condição fundamental para o sucesso de economias capitalistas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Trapalhadas no Trânsito

O governo federal anunciou uma série de intenções para diminuir a violência no trânsito no Brasil. A preocupação do governo faz sentido, o Brasil é um dos países mais violentos no trânsito no mundo. Infelizmente, o governo NOVAMENTE escolhe o instrumento errado para combater esse problema. A idéia básica do governo é aumentar as multas de trânsito para diminuir a violência.

Do ponto de vista econômico existem 2 maneiras de se aumentar os custos dos infratores de leis: a) aumentar a punição (mais tempo de cadeia, multas maiores); e b) aumentar a chance do infrator ser descoberto (aumentar a fiscalização). O governo brasileiro escolheu a opção “a”. A vantagem da opção “a” é que ele não representa um aumento de custos para o Estado. Assim, quando o governo aumenta a punição ele aumenta o custo dos infratores de leis sem aumentar os custos do governo. O problema dessa opção é que sua efetividade tem limites: se aumentar a punição fosse tão simples, bastaria que o governo colocasse multas monstruosas para a mais simples das infrações. Contudo, a evidência empírica demonstra que as multas ao redor do mundo não são tão altas. Isso porque é fato notório que ao aumentar a punição, aumenta-se também o incentivo a corrupção. Por exemplo, o governo pode dizer que a multa por excesso de velocidade é R$100.000,00. Isso não importa, quem for flagrado por policiais acima da velocidade irá pagar os tradicionais R$ 20,00 e resolver logo o problema. Ou seja, não adiantou muito aumentar o tamanho da punição.

Ao invés de escolher a opção “a”, o governo deveria escolher a opção “b” acima. O valor das multas no Brasil não é tão diferente do valor da multa nos Estados Unidos. A grande diferença é que nos EUA a chance de você ser preso, caso desrespeite a lei, é muito maior do que no Brasil. Para diminuir a violência no trânsito brasileiro o remédio é o aumento da fiscalização, e não o aumento da multa. Uma fiscalização mais presente implica numa chance maior do infrator ser punido, e isso é o que falta no Brasil. Aqui as pessoas desrespeitam as leis de trânsito simplesmente porque sabem que a chance de uma eventual punição é muito baixa.

A idéia de proibir a venda de bebidas alcoólicas nas estradas também é equivocada. Já já o governo vai proibir também a existência de churrascarias na beira das estradas. Afinal, dirigir depois de comer um churrasco não é tarefa fácil.... ao invés de restringuir a liberdade dos inocentes, o governo deveria estar tentando prender os infratores. E isso se faz com o aumento da fiscalização.

Para finalizar, um lembrete: multas excessivamente altas soam como estatização da propriedade privada. Afinal, multas sobre infrações simples que equivalem ao valor total da propriedade estão fora de qualquer contexto, exceto o contexto do roubo estatal da propriedade.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Impeachment

Membros do primeiro escalão do governo já foram afastados por irregularidades. Membros do primeiro escalão do Partido dos Trabalhadores já foram afastados por irregularidades. Membros da família de Lula (seu filho e seu irmão) já apareceram em casos irregulares. A esposa do presidente pediu, e recebeu, cidadania italiana, com o argumento de que tem que pensar no futuro de seus filhos. Vários aliados diretos, e amigos próximos, que cercam o Presidente da República aparecem em casos de irregularidades. O próprio presidente tem contas suas pagas por amigos e anuncia que irá alterar uma lei para privilegiar uma empresa que tem negócios com seu filho. A soberania nacional foi humilhada no caso da extradição dos pugilistas cubanos e nos vexames de nosso presidente em terras bolivianas. Nosso presidente é incapaz de recriminar uma entidade terrorista tal como a FARC. O que mais falta para pedir o impeachment de Lula?

No passado, Collor recebeu o impeachment porque seu tesoureiro de campanha foi flagrado em atividades suspeitas. PC Farias não era membro do governo e não era da família do presidente. Não estou aqui defendendo Collor, apenas lembrando que por MUITO MENOS ele recebeu o impeachment.

Lula tem que receber o impeachment, mas NÃO SÓ ELE. Quero o impeachment do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidade essa que liderou o pedido de impeachment de Collor, mas se aquietou no caso de Lula. Quero o impeachment do presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pelo mesmo motivo. Quero o impeachment do presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) pelo mesmo motivo. Quero o impeachment de TODOS os presidentes de Diretórios Centrais de Estudantes (DCE’s) e de Centros Acadêmicos (CA’s) que se aquietam nesse momento. Quero o impeachment de TODOS os presidentes de partidos políticos que tanto barulho fizeram no caso de Collor, mas que agora nada fazem.

Onde estão as vozes da sociedade? Talvez fosse o caso do Rei da Espanha vir ao Brasil e perguntar: “Por que se calam?”.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Abaixo mais uma novidade do Blog

Neste ano, o Blog ira receber contribuicoes de outros autores. Elas serao postadas sempre nos finais de semana.

Hoje recebemos a contribuicao do Dr. Rodrigo M. Pereira dissertando sobre a importancia da importacao no processo de escolha do individuo.

A Importância de Importar, escrito por Rodrigo M. Pereira

O que você prefere, um Palio ou um Gol? O que você prefere, um Palio, um Gol, um 206, um Clio, um Uno, um Ka, um Celta, um Corsa, ou um Fusca? Independentemente das preferências automobilísticas, uma pessoa certamente gostaria mais do segundo conjunto de opções. É muito melhor ter muitas opções de escolha do que poucas.
É curioso como a variedade de opções de escolha é um bom indicador do grau de desenvolvimento de um país. Tomemos os Estados Unidos, a nação mais rica e desenvolvida do mundo. Entrar num supermercado qualquer nos Estados Unidos é uma experiência única. Todos os produtos têm um numero de opções, marcas e modelos diferentes que impressiona, e às vezes até dificulta a escolha do que comprar. Por exemplo, vá comprar um queijo e você terá 100 tipos diferentes pra escolher. Agora, façamos o exercício mental inverso. Entre num mercado, digamos, no Afeganistão, um dos países mais pobres e atrasados do planeta. Você vai talvez encontrar um único tipo de queijo, se encontrar.

Ande num estacionamento de carros nos Estados Unidos. Em duzentos carros, você não verá dois modelos repetidos. Em contrapartida, no Brasil, uma meia dúzia de modelos representa mais da metade das vendas de veículos. No Afeganistão, dê-se por satisfeito se você conseguir andar de carro. O Brasil é um país de renda média, que está no meio do caminho do fosso que separa um Estados Unidos dos Afeganistões da vida. Nossas opções de escolha das coisas não são o desastre que é um Afeganistão, mas também não chegam nem perto das escolhas dos nossos afortunados irmãos do hemisfério norte.

Mas será que o brasileiro poderia ter acesso a uma maior variedade de bens? E porque não tem? Em primeiro lugar, vale notar que o mundo desenvolvido jamais teria à sua disposição tamanha variabilidade de bens sem importações. A grosso modo, a qualidade de vida do cidadão comum aumenta com o aumento das importações. Tanto pelo efeito que o aumento na variedade de produtos tem sobre o bem-estar, quanto pelo efeito da maior concorrência entre os produtores domésticos, e conseqüente redução de preços.
Mas então como andam as importações brasileiras? Apesar de ter se aberto bastante ao comércio nos últimos 15 anos, o Brasil ainda é um país bastante fechado. Aqui, a proporção do valor do comércio (importações mais exportações) sobre o PIB é de apenas 29%. No Chile, por exemplo, ela é de 75%, no Canadá 73%, na França 53%, e em Cingapura impressionantes 456%. A média ponderada para o mundo é de 96,9%. Ou seja, o Brasil é um país que ainda vende e compra pouco do resto do mundo.
Essa característica é ainda um resquício do modelo de desenvolvimento econômico escolhido pelo Brasil ao longo do século XX, com o fechamento das fronteiras comerciais, e a substituição das importações por produtos domésticos. Mesmo com a falência desse modelo, ainda existe uma mentalidade arraigada no brasileiro de que importar é errado. Para quem importa algum produto, e tem que comparecer à Receita Federal, a cena é pitoresca: um velhinho de cabeça branca olha para você, desconfiado, e pergunta qual é o seu “envolvimento” naquilo. Para depois cobrar 60% de impostos sobre o valor do produto.

Parte da culpa pela neurose com os produtos importados vem da estrutura tributária, que no Brasil é típica de países subdesenvolvidos. Aqui, a renda e os valores das propriedades imobiliárias são relativamente baixos, limitando as possibilidades de arrecadação de tributos diretos. Então adota-se uma forte tributação indireta sobre o consumo. Some-se a isso o fato de que um Governo agigantado como o nosso custa caro, e tipicamente vem com uma enorme voracidade fiscal.

A alta carga de tributos indiretos faz com que a maioria dos bens transacionáveis seja muito mais cara no Brasil do que em outras partes do mundo, sobretudo os EUA.
Ah bom, então está tudo explicado. Eu pago um imposto de importação alto para proteger os produtores locais, que são expostos a uma tributação muito maior do que no resto do mundo. Com isso, a mensagem que sai do Brasil para potenciais investidores internacionais é a seguinte: venha construir seu negócio aqui. Nossos impostos vão lhe custar os olhos da cara. Em compensação, você não precisa se preocupar com a concorrência do resto do mundo. Nós nos encarregamos de aniquilá-la com impostos e proibições. Que se dane o cidadão comum, que vai ter que escolher entre 3 tipos de queijo, e 2 modelos de carro. Voilá! Eis o modelo de Capitalismo Tupiniquim para o século XXI.

Rodrigo M. Pereira: Economista do Ipea, PhD em Economia pela Cornell University, EUA.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Entrevista com o Professor Roberto Ellery Jr.

1) Ensino superior tem que ser gratuito? Existe alguma razão importante para a UnB ser pública e não privada?
Não acredito que o ensino superior deva necessariamente ser gratuito. Creio até que existam bons argumentos favoráveis à tese que seja parcialmente subsidiado pelo governo, mas o maior beneficiário do ensino superior é o aluno, portanto me parece razoável que este pague por parte do benefício que recebe. Reconheço, porém, que esta é uma decisão da sociedade e que o fato de nenhuma força política significativa contestar esta gratuidade indica que a sociedade deseja ensino superior gratuito.
Tanto a UnB quanto as demais universidades públicas foram criadas com a justificativa que o setor privado não teria interesse ou condições para criar instituições capazes de oferecer ensino de qualidade e pesquisa. Esta mesma justificativa foi utilizada para o estado criar de siderúrgicas a empresas de telecomunicações. Como visto nos anos 90 a iniciativa privada foi capaz de gerenciar e expandir quase todos estes setores de maneira satisfatória. Entretanto o ensino superior público no Brasil te uma peculiaridade, de todos os serviços oferecidos pelo governo é o único em que a sociedade prefere o público ao privado. A maioria das pessoas prefere hospitais privados, segurança privada, transporte privado e etc, mas opta por estudar em universidades públicas. Pode ser devido à gratuidade, mas não tenho certeza, talvez daí possa ser possível encontrar um motivo importante para UnB ser pública, mas eu não sei com certeza qual seria este motivo.

2) A UnB adota a política de cotas. Você concorda com essa política?
Não concordo. Creio que esta política discrimina o aluno cotista além de possuir potencial de criar conflitos. A entrada na universidade deveria ser tão somente devido ao mérito, como todos os grupos étnicos possuem a mesma capacidade intelectual este critério é justo e neutro. Por fim, caso a política de cotas venha a ser generalizada por decisão do governo estaremos diante de uma das maiores agressões já feitas ao princípio da autonomia universitária.

3) Cursos de mestrado/doutorado costumam ser deficitários. Você tem alguma proposta para mudar essa realidade?
Acredito que o curso de mestrado tenda a se tornar cada vez mais próximos do que hoje chamamos de mestrado profissional. A experiência mostra que estes não são deficitários. Quanto ao doutorado (e ao mestrado como existe hoje) se pensamos apenas no curso é quase certo que será sempre deficitário, o custo de formar um doutor é muito alto. Entretanto olhar o doutorado apenas como curso pode distorcer o problema. Programas de doutorado são formados por professores doutores de destaque em suas áreas, vivemos em uma que a maior riqueza é o conhecimento, é difícil imaginar que as maiores “fábricas de conhecimento” sejam deficitárias. O conhecimento gerado por um programa de doutorado possui valor de mercado suficiente para sustentar o curso de doutorado, nesta perspectiva a formação de doutores passaria a ser vista como um investimento na continuidade da “fábrica de conhecimento”.
A proposta está embutida na resposta acima. Programas de pós-graduação (mestrado profissional, mestrado e doutorado) devem ser estimulados a captar recursos em empresas privadas e públicas, organizações não governamentais, organizações sociais, sindicatos, órgãos públicos e qualquer instituição ou pessoa que possa demandar um determinado conhecimento. Esta medida simples melhoraria a situação financeira dos programas e incentivaria linhas de pesquisa que atendessem demandas da sociedade.

4) Você seria a favor de acabar com a estabilidade dos professores universitários, e em seu lugar instalar um regime de tenure-track? Por que?
Sou favorável a esta mudança. A contratação de um professor (como a de qualquer funcionário) envolve riscos. Alunos com excelente formação muitas vezes não se tornam pesquisadores capazes de publicar regularmente os resultados de suas pesquisas. O sistema de tenure-track reduz significativamente este risco, pois permite um acompanhamento desta passagem de aluno para professor sem o compromisso da estabilidade.
Um ponto interessante é que o estágio probatório de três anos (previsto em lei) poderia funcionar como uma espécie de tenure-track, para isto basta que ao final do estágio o departamento que optar por reprovar o candidato possa dispor imediatamente da vaga para um novo concurso. Esta medida não traria nenhum custo adicional para o governo, seria apenas trocar a pessoa que recebe o pagamento.

5) Se você tivesse a chance de aprovar uma norma que valesse para toda a UnB. Que norma seria essa?
Eu faria valer a norma constitucional de autonomia das universidades. Lembrando que o primeiro passo para obter autonomia é ser capaz de se sustentar, não existe autonomia com mesada. Imagino uma situação onde o governo repasse o atual orçamento como forma de financiar o ensino gratuito (enquanto a sociedade assim desejar) e subsidiar áreas com eventuais externalidades positivas (eu sempre suspeito de argumentos de externalidades) deixando a universidade livre para definir suas atividades, suas políticas de pessoal e, principalmente, livre para buscar recursos fora do orçamento público. Estes recursos poderiam ser obtidos por contratos para pesquisa e desenvolvimento, cursos pagos (especialização e mestrado profissional), convênios e uso do espaço físico da universidade.
Além de proporcionar formas de financiar uma melhora do ensino superior esta medida não traria nenhum gasto adicional para o orçamento público e faria com que a universidade caminhasse rumo à verdadeira autonomia. Afinal em lugares civilizados (roubando sua expressão) universidade autônoma não pode depender 100% de um financiador, pior se este for o governo.


Valeu Roberto, muito obrigado.

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