segunda-feira, 30 de junho de 2008

Um pequeno passo

Hoje terminou o curso “Seminários em Economia” que eu ministrei no Doutorado em Economia da Universidade Católica de Brasília. Querem saber a ementa do curso? Pois acho que fui o PRIMEIRO professor brasileiro a ministrar esse curso:
1) “O Caminho da Servidão” (Hayek)
2) “A Mentalidade Anti-Capitalista” (Von Mises)
3) “Liberalismo na Tradição Clássica” (Von Mises)
4) “A Sociedade Aberta e seus Inimigos” (Popper)
5) “Capitalismo e Liberdade” (Friedman)

Esse é um pequeno passo na divulgação das idéias liberais no Brasil, mas é um passo fundamental. Foi extremamente gratificante ministrar esse curso e trocar idéias com alunos de altíssimo nível. O curso contou ainda com discussões intensas sobre a aplicação das idéias liberais na resolução de problemas brasileiros. Temas como educação, saúde, previdência, cotas e patentes foram amplamente discutidos e analisados sobre o prisma das idéias liberais. Aos meus alunos, meu muito obrigado pelo empenho na matéria.

Grande Vitoria

O Terceiro Encontro de Pensadores Liberais foi uma grande vitoria. A manifestacao no Pier 21 foi EXCELENTE. Nao faltaram elogios e nem apoio dos presentes. Isso so mostra que existe espaco para a divulgacao de ideias liberais.

Outro detalhe: nossa camisa com um simbolo de PROIBIDO comunismo foi um show a parte. TODAS as camisas foram vendidas, a populacao esta cansada de tanta intervencao estatal na vida privada. O problema eh que a maior parte das pessoas nao conhece a alternativa liberal. Pior do que isso, elas foram expostas a verdadeiras doutrinacoes CONTRA o liberalismo. Essa eh a grande barreira que temos que vencer: a falta de conhecimento, e pre-indisposicao, da populacao sobre as ideias liberais.

Obrigado a todos que me ajudaram nessa empreitada, principalmente ao meu grande amigo Nilo que elaborou as camisas.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Tudo Pronto para Amanhã

Já está tudo pronto para nossa manifestação de amanhã. Já entregamos algumas camisas, já elaboramos alguns cartazes, e o texto a ser distribuído está pronto (é o texto que aparece no post abaixo). Agora só falta você, não deixe de nos apoiar.

Manifestação pela REDUÇÃO DO TAMANHO DO ESTADO

Local: Pier 21 (em frente aos cinemas)
Horário: 16:00 horas
Data: 28/06 (sábado)
Fone para contato: (61) 8459-0343

O Estado Brasileiro e o Malvado Rei da Idade Média

Durante a Idade Média os pobres sofriam na mão dos reis: eram obrigados a trabalhar 1 dia por semana de graça para o malvado rei. O Estado Brasileiro arrecada ao redor de 36% do PIB, isso equivale a obrigar o trabalhador a trabalhar 2,5 dias por semana de graça para o Estado. Em palavras, hoje trabalhamos segunda, terça e a parte da manhã de quarta-feira apenas para pagar impostos.

Como contra-partida aos impostos o Rei era obrigado a conservar estradas, emprestar o moinho (capital) aos pobres, zelar pela segurança interna e externa do reino. Já o Estado Brasileiro é obrigado a fornecer educação, saúde, moradia, e segurança. Fica evidente que tanto o rei quanto o Estado Brasileiro falham em suas obrigações. Contudo, temos uma vantagem importante para o rei: ele pelo menos custa menos.

No Brasil quase 60% da atividade econômica esta ligada, direta ou indiretamente, ao Estado. Praticamente nada pode ser feito sem a intervenção estatal, daí que as poucas empresas capazes de sobreviver no Brasil são obrigadas a se unir ao poder público, aumentando ainda mais o poder do Estado.

Trabalho duro e honesto, esse é o segredo que nossos pais nos ensinaram. Esse é o segredo para o sucesso. Quanto mais intervenção estatal tivermos mais distante estaremos de nossos objetivos, mais honestidade e trabalho seremos obrigados a abdicar em favor das benesses do Estado. O Estado NÃO É seu amigo, ele é que toma seu dinheiro e nada lhe dá em troca. Só existe um caminho possível para preservarmos nossa liberdade: REDUZIR O TAMANHO DO ESTADO.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Você x Estado

Quem sabe o que é melhor para você? Você ou o Estado?
Quem sabe a melhor maneira de educar seus filhos? Você ou o Estado?
Quem sabe a melhor estratégia para sua empresa? Você ou o Estado?
Se você acredita saber o que é melhor para você, acredita saber educar seus filhos e como gerir sua empresa, então você é um liberal.

Quem é o dono de sua propriedade? Você ou o Estado?
Se você acredita que sua casa é sua, que seu carro é seu, que seu dinheiro é seu, então você é um liberal.

Você acredita em propriedade privada? Você acredita na importância da liberdade?
Se você defende a propriedade privada e a liberdade individual, então você é um liberal.

Nós liberais acreditamos que as pessoas sabem o que é melhor para elas; acreditamos que os pais sabem o que é melhor para seus filhos; acreditamos no direito à propriedade privada e no direito inalienável à liberdade de escolha, o direito ao livre-arbítrio.

Escolha o nome que quiser, mas se você defende a liberdade individual e a propriedade privada, então você é um liberal.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Seriam os Amarelos mais Inteligentes do que os Negros?

Os japoneses chegaram ao Brasil há 100 anos atrás. Eram pobres, não falavam o idioma local e tampouco eram apreciados culturalmente pelos brasileiros. Durante a segunda guerra mundial sofreram enorme discriminação e chegaram a ser isolados em determinadas localidades no norte do país (literalmente no meio da selva).

Os chineses que migraram para os Estados Unidos eram extremamente pobres, não eram capazes de se comunicar em inglês e eram discriminados violentamente pelos americanos. Sofreram mais ainda durante a segunda guerra mundial, uma vez que os americanos eram incapazes de diferenciá-los dos japoneses. Basta assistir um filme sobre o velho oeste americano e você verá o tratamento que os chineses recebiam na América do século XIX.

Os japoneses no Brasil e os chineses nos Estados Unidos são exemplos de minorias que, partindo de condições iniciais adversas, venceram a discriminação. Por que os negros não são capazes de fazer o mesmo? NÃO acredito que os negros sejam intelectualmente inferiores a qualquer outra raça. Assim, descartando a opção genética só podemos inferir que os negros, tendo partido de uma condição inicial inferior, foram incapazes de trabalhar e estudar no nível requerido para vencer a discriminação. Isso não quer dizer que os negros sejam preguiçosos ou relapsos, mas aponta na direção a ser perseguida: quando se parte de um estoque inicial de riqueza inferior, trabalhar mais é uma das poucas opções que restam. Os amarelos seguiram essa idéia e venceram, creio ser esse o caminho para o sucesso dos negros.

Não quero dizer que os negros não sofram com a discriminação, digo apenas que a maneira de vencê-la é seguir o exemplo de raças que já sofreram do mesmo mal e venceram. Se não quisermos olhar o exemplo dos amarelos, vamos ver o exemplo dos judeus (sem dúvida uma das raças mais discriminadas da história). Estudo duro e trabalho árduo foi a arma adotada pelos judeus para vencer barreiras discriminatórias.

As políticas de ação afirmativa, entre elas o regime de cotas, têm poucas chances de melhorar a situação dos negros ou de qualquer outra minoria. O mais provável é que elas AUMENTEM a discriminação. Por exemplo, converse com as mães de garotos brancos pobres que tenham ao redor de 17 anos. Você verá o AUMENTO da discriminação contra negros e índios. Afinal, tais mães sentem na pele que seus filhos estão sendo prejudicados. Pegue o exemplo de dois vizinhos, com rendas similares, um negro e um branco. Por que o filho do negro, exposto as mesmas condições, deve levar vantagens em relação ao filhos do branco?

A idéia de cotas não é nova. No Brasil temos cotas para entrar na Universidade, para limitar a participação de estrangeiros no mercado doméstico, para garantir emprego público e privado para determinadas minorias, e até para a quantidade de bens de outro país que podemos adquirir. Tais políticas costumam ter resultados OPOSTOS ao que apregoam, isto é, pioram a situação dos mais pobres.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Pedido de Apoio

Meus caros, preciso da ajuda de vocês para divulgarmos melhor o nosso Encontro do dia 28/06. Se vocês puderem ajudar, peço que enviem o link do Encontro para suas respectivas listas de e-mail, divulguem o Encontro nas comunidades do orkut, e enviem o link do Encontro para outros blogs. Seria importante que divulgassemos o Encontro nos blogs do Reinaldo Azevedo, do Noblat, da Miriam Leitao, entre outros. Tais blogs têm muitos acessos, se eles se dispusserem a divulgar nossa manifestação será uma ajuda muito grande.

Para nossa manifestação ter divulgação nacional, precisamos do apoio de todos.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

3º Encontro de Liberais: Pela Redução do Tamanho do Estado

O Terceiro Encontro de Liberais tem uma novidade: menos palavras e mais ação. O objetivo de nosso encontro é criar uma mobilização, a nível nacional, pela redução do tamanho do Estado.

Como iremos implementar essa idéia? Simples: cada cidade brasileira deve marcar um local para realizar sua manifestação no dia 28 de junho (sábado), as 16:00 horas. Em Brasília iremos nos encontrar no Píer 21 (em frente aos cinemas). Cada pessoa deve portar um cartaz com dizeres tipo: “CONTRA o aumento dos impostos”; ou “CONTRA a CSS/CPMF”; ou “A FAVOR da redução do tamanho do Estado”, etc. Eu irei também preparar um texto para distribuirmos para as pessoas que estiverem nos arredores. Nós não faremos caminhadas e nem invadiremos prédios públicos, nossa manifestação limita-se a divulgar nossa opinião de maneira pacífica e civilizada.

Espero poder contar com a ajuda da internet e dos blogueiros para divulgarmos, e organizarmos, esse evento. Vamos mostrar que a esquerda NÃO TEM o monopólio da verdade e nem o monopólio das manifestações.

Shikida estou contando com seu apoio. Que tal o Degustibus comandar a manifestação de Belo Horizonte? Talvez o Tambosi pudesse ajudar em Florianópolis. Também quero contar com o Resistência, com o CATO, com o Ordem Livre, com os Institutos Liberais, com o C.A. de Economia da UFG, e com todos que queiram ajudar.

Se você quer organizar a manifestação do dia 28 de junho em sua cidade, peço-lhe um favor: mande um e-mail para esse blog dizendo: a) seu nome; b) como entrar em contato contigo; e c) LOCAL da manifestação. Peço que não sejam marcados Encontros para dentro de Universidades, temos que levar as idéias ao grande público.

Amigos, eu sei que dá trabalho. Mas se não começarmos a nos mover dificilmente conseguiremos a vitória de nossas idéias: a idéia de um país livre, que respeite as liberdades individuais, que respeite o nosso sagrado direito ao livre arbítrio, que respeite nosso direito a queremos melhorar de vida, que respeite as nossas conquistas, e que respeite nossa propriedade.

O 3º Encontro Liberal propõe uma medida simples: divulgar ao grande público as idéias liberais. Mas se formos incapazes de realizarmos as tarefas mais simples, dificilmente seremos capazes de executar as mais complexas.

3º Encontro de Liberais
Data: 28 de junho de 2008.
Horário: 16:00 horas
Locais:

Em Brasília: Píer 21 (em frente aos cinemas).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Entrevista com Marcelo Caetano

A entrevista de hoje é com uma das maiores autoridades brasileiras sobre previdência. Marcelo Caetano é técnico do IPEA e tem vários artigos e anos de pesquisa sobre o tema.

1) Os regimes públicos de previdência no Brasil apresentam sustentabilidade no longo prazo?

Não. A bem da verdade, os regimes públicos de previdência não conseguem, em seu fluxo de caixa, arrecadar contribuições próprias capazes de pagar os benefícios de aposentadorias e pensões. Se no curto prazo já nos defrontamos com esse quadro, a situação em um horizonte temporal mais longo só tende a se agravar.

O Brasil conta com dois regimes públicos de previdência. O primeiro atende basicamente os trabalhadores do setor privado e é administrado pelo INSS. O segundo é voltado aos servidores públicos e cada ente da federação gerencia seu regime próprio.

A despesa total destes dois regimes gira em torno de 12% do PIB. É um valor alto comparado a outros países e ao se levar em consideração que o Brasil ainda é um país jovem onde a razão de dependência demográfica (número de idosos dividido pela quantidade de pessoas ativas) é inferior a 10%.

Há várias causas para essa magnitude de dispêndio previdenciário. Resumidamente cabe destacar o papel de duas. A primeira, comum a quase todos os países, é o envelhecimento populacional. As mulheres têm cada vez menos filhos, o que diminui o contingente de população jovem que sustenta os idosos em um regime previdenciário. Além disso, as pessoas vivem cada vez mais, ou seja, a expectativa de vida apresenta trajetória crescente. Em resumo, a razão de dependência brasileira deve triplicar até 2050 segundo cálculos do IBGE.

No entanto, do meu ponto de vista, o principal fator que determina esse volume de gastos são as regras previdenciárias. Gostaria de destacar a ausência de limites de idade de aposentadoria para alguns tipos de benefício, as regras de concessão das pensões por morte e a indexação do piso previdenciário ao salário mínimo.


2) Podemos confiar no sistema privado de previdência?

Responderei sem cair nos extremos da credulidade ingênua e da descrença absoluta.

A confiança é uma condição necessária ao bom funcionamento das economias de mercado. Isso vale para as coisas mais simples da vida. Aceno para um taxi, entro no corro pilotado por um desconhecido e fico na confiança de que é alguém com qualificação para dirigir e que me levará ao lugar certo. Do mesmo modo, ele confia que eu não o assaltarei ao longo do percurso. Ao final da corrida, os desconhecidos se despedem, a corrida é paga. Talvez nem se lembrem da fisionomia do outro, mas a confiança mútua entre duas pessoas que sequer se conheciam permitiu a criação do mercado e a geração de excedentes de troca.

Se for para partir do princípio que não dá para confiar, deveríamos abolir os mercados e criar uma ditadura em que confiaríamos nos dirigentes que tomariam as decisões por nós.

Creio que o melhor caminho seja uma ampla transparência dos produtos oferecidos pela previdência privada.

3) Algumas pessoas argumentam que a previdencia é superavitaria, voce concorda?

Não. Quem afirma que a previdência social não tem déficit não está por olhar somente para as contas previdenciárias, ou seja, contribuição para previdência e despesa com aposentadorias e pensões, mas sim para o orçamento da seguridade social como um todo. Em função disso, entrariam todas as contribuições para seguridade social como COFINS, CSLL etc. Do mesmo modo, não estaria isolada a despesa com previdência social, mas se incluiriam gastos com saúde e assistência social.

Mesmo sobre esses números há controvérsias. Os dados apresentados pelo Ministério do Planejamento apresentam resultado bem aquém daqueles de outras entidades.

Creio que a discussão deveria se focar no tamanho da despesa, e não no déficit, e em quanto a sociedade como um todo deve arcar para cobrir os benefícios previdenciários.


4) Voce concordaria com uma proposta que acabasse com a obrigatoriedade das contribuicoes previdenciarias?

Não. Assim como na resposta 2, julgo melhor fugir de extremos. A pergunta não deve ser se a melhor previdência é totalmente pública ou privada, mas em qual seria a melhor combinação de provisão pública e privada.

Desconheço países em que a previdência seja totalmente privada. Mesmo em casos mais puros como Chile e Austrália há algum tipo de provisão pública.

Afirmo que deve haver um patamar mínimo de provisão pública porque muitas pessoas simplesmente não poupam para acumular reservas que financiem sua aposentadoria. Há várias razoes que vão de baixa renda, miopia, imprevidência, ou até mesmo azar de não ter aplicado nos melhores ativos financeiros. Além disso, as estruturas familiares atuais dificultam o sustento dos pais idosos pelos filhos adultos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Falta de Vergonha na Cara

A arrecadação tributária não para de bater recordes, mês após mês a arrecadação do governo aumenta. Mas nada disso importa, o governo quer mais. Acaba de ser aprovada na Câmara a volta da CPMF, apelidada agora de CSS. Só resta torcermos para que o Senado Federal acabe com essa palhaçada.

No resto do mundo aumento de impostos é motivo de revoluções, conflitos e quedas de governo. A guerra da independência americana teve como fator motivador o aumento dos impostos pela Inglaterra. Tatcher, a primeira-ministra inglesa, caiu por causa dos impostos. Geoge Bush (pai) não se reelegeu pelo mesmo motivo. George Bush (filho) ganhou duas eleições abaixando impostos. O Brasil é o único país do mundo que elege governantes que PROMETEM aumentar impostos. O motivo é simples: uns poucos pobres coitados é que realmente pagam, e a grande maioria apenas usufrui.

A inflação não para de subir, o governo não para de gastar. A arrecadação de impostos aumenta, a inflação aumenta. O problema é que muita gente no Brasil perdeu a vergonha. O que falta no Brasil é vergonha na cara. Não só dos políticos que aprovam aumentos de impostos, mas não realizam a reforma tributária. Falta vergonha na cara do povo brasileiro que se acostumou a ajuda do Estado. As pessoas perderam a vergonha de depender do governo, perderam a vergonha de depender de outros para viver, perderam a vergonha de mendigar. Quando o governo fala em aumento de impostos, muitos aqui entendem isso como mais dinheiro no seu bolso: seja por transferências seja por subsídios. Entendem o aumento da arrecadação como um sinal de que os gastos do governo, ou seja, sua esmola, também irá aumentar.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ação Afirmativa e as Eleições Americanas

Em janeiro desse ano o blog deu um bola fora: disse que Hillary venceria Obama. Vou tentar me recuperar e dizer que os maiores cabos eleitorais de McCain serão os eleitores latinos.

Muitos acreditam que os brancos americanos discriminam os negros. Talvez isso seja verdade, mas nada se compara a discriminação que os latinos fazem contra os negros. Existe um sentimento de ressentimento muito grande dos latinos contra os negros nos Estados Unidos. Eu atribuo esse sentimento às políticas de ação afirmativa. Ação afirmativa são as políticas destinadas a ajudar as minorias na América, tipo políticas de cotas raciais.

O latino mediano ou é ilegal, ou foi ilegal, ou conhece alguém ilegal. Eles tiveram que dar um duro danado para vencer na América. Em contrapartida, viam os negros recebendo vários tipos de ajuda governamental e ainda assim reclamando da vida. O latino mediano via-se preterido por candidatos negros, mesmo sendo mais habilidoso ou se esforçando mais, por causa das políticas de ação afirmativa.

As ações afirmativas causaram um profundo ressentimento dos latinos para com os negros americanos. Esse ressentimento irá tornar-se claro nas eleições presidenciais americanas. O maior adversário de Obama não será o preconceito dos brancos, mas sim o desprezo dos latinos.

domingo, 8 de junho de 2008

Quem autoriza o pagamento dos comerciais?

Acabei de ver o comercial da Sprite Zero. O tema é: o presente é importante. Como será que alguém que quer vender refrigerantes para famílias autoriza uma mensagem horrorosa como essa? Para a turma da Sprite Zero amizade não é importante, se você não pode pagar por um bom presente então você não é um bom amigo. Presente importa, amizade não.

Nos comerciais de cerveja é comum que três ou quatro amigos, sem barriga e que provavelmente nunca beberam cerveja na vida, apareçam fazendo piadinhas que ninguém que já esteve num bar já ouviu. Os comerciais de cerveja são tão ruins que basta aparecer um barrigugo, ou um conhecido cachaceiro, fazendo propaganda de cerveja que essa cerveja dá saltos monstruosos de venda. Tomem como exemplo o comercial da Nova Skin com o Zeca Pagodinho, ou então o comercial do baixinho da Kaiser.

Comercial de carro no Brasil aparece cachorro, piscina, galinha e tudo mais. Exceto o carro. Basta uma propaganda mostrar o carro que pronto: o carro dá salto de vendas.

Afinal, quem autoriza o pagamento desses comerciais? Será que alguém é responsabilizado por essas aberrações? Acredito que no Brasil temos pessoas demais fazendo comerciais para ganhar prêmios, e não para aumentar as vendas das empresas.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Entrevista com o Professor Leonardo Monasterio

Voltando a tradição de entrevistas às sextas-feiras, hoje segue um bate-papo sensacional com o Professor Leonardo Monasterio que também mantém um blog na internet: (http://lmonasterio.blogspot.com/)

1)Quais são os fatos mais ignorados, ou mais mal compreendidos, sobre a escravidão no Brasil?

Existem dois pontos que já estão bem estabelecidos na literatura dos últimos 25 anos, mas que ainda são desconhecidos de boa parte do economistas fora da área e do público em geral. O primeiro ponto, mais geral, é a quebra da visão estereotipada da escravidão. Eu me refiro àquela imagem tradicional do escravo brasileiro na plantation, em plantéis de centenas e produzindo uma daquelas mercadorias típicas dos chamados “ciclos” (açúcar, ouro, café...). Bem, todas as evidências do pessoal de história demográfica mostram que os pequenos plantéis, uns 5 escravos, eram o mais comum no Brasil. Aquela imagem de livro-texto de história do Brasil era, na verdade, observada em alguns lugares e momentos específicos. Diz-se hoje que havia um mosaico de atividades escravas: pesca, pecuária, manufatura, escravos de ganho (que buscavam ocupações diversas nas cidades e pagavam um valor fixo para os seus proprietários) e até escravos músicos! Havia toda uma combinação elaborada de punições e incentivos elaborada pelos senhores que variava de acordo com a ocupação. Claro que não era nada bom ser escravo (a prova está na compra de alforrias pelos escravos, as rebeliões e tudo mais), mas, como diz o João Fragoso, a escravidão no Brasil não era um campo de concentração.
O outro ponto que merece revisão é a irracionalidade econômica da escravidão. Até por culpa dos economistas ficou essa essa idéia de que o trabalho escravo é intrinsecamente menos eficiente. O Adam Smith diz que o escravo “trabalha o menos que pode e consome o mais que pode”. Ora bolas, o trabalhador assalariado também! Existem custos de supervisão nos dois casos. O pessoal marxista também acha que a manutenção do trabalho escravo seria um empecilho à acumulação. Isso simplesmente não é verdade. Como disse o Findlay, o comum na história humana foi a servidão e a escravidão; trabalho livre é a “instituição peculiar”.. Mesmo que existam problemas técnicos e de supervisão no trabalho escravo, você tem que olhar o preço do trabalho livre para ver se este foi a “melhor” opção. No caso brasileiro, surgiram os ótimos trabalhos sobre economia da escravidão no Brasil nos anos 80. Eles mostraram o que se esperava: possuir escravos era lucrativo. Ou seja, senhores de escravos eram suficientemente racionais e, ao menos nesse ponto, a suposta mentalidade senhorial não fez qualquer diferença.
Apenas uma ressalva que já levou à mal-entendidos: afirmar que a escravidão era racional, não implica em apoio moral. Sem dúvida, a escravidão é abominável. Na verdade, mostrar que o senhor de escravos obtinha lucros com a posse de escravos só reforça o seu caráter injusto.

2) Quais são os grandes desafios a serem enfrentados por pesquisadores que gostam de estudar história econômica? Por que?

Deixa eu falar primeiro dos dados. Eles existem em muito mais quantidade e qualidade do que se supõe. Dados são o fator abundante, trabalho qualificado é o fator escasso. Ou seja, eu recomendo fortemente que as novas gerações se dediquem à história econômica.
O maior problema é o de diálogo com os historiadores. Eles trabalham muito e bem; levantam fontes primárias com fôlego e cuidado muito maior do que o economista médio. O problema é que a maior parte deles, gente séria mesmo, não tem a formação em teoria econômica e estatística que facilitaria a interlocução. Uma vez, riram em um evento de história quando eu mostrei o slide com a fórmula do cálculo da taxa interna de retorno.
Do lado dos economistas, existe um problema de escala. Muitos dos pesquisadores brilhantes em história econômica saíram da área depois dos seus doutorados em Economia. As razões para isso eu ainda pretendo investigar; afinal, a maior parte deles ainda está em atuação e basta perguntar. Por outro lado, já existem ótimos economistas em atuação, mas não se chegou a um ponto crítico de economistas brasileiros que garantissem o prosseguimento das pesquisas históricas que tenham como ponto de partida a teoria econômica.

3) Como você avalia a obra de Celso Furtado?

Antes de tudo, eu confesso que daria um dedo para escrever como ele e, com as evidências que tinha, foi realmente um feito ter elaborado o “Formação Econômica do Brasil”. O livro tem intuições ótimas e ele deu várias bolas dentro. O que me incomoda não é o livro, mas o jeito com o qual ele é tratado pela academia. Esse endeusamento do livro e do autor, como se eles trouxessem a verdade revelada, é o pernicioso. O culto à personalidade é comum em outras áreas soft do conhecimento, em que as posições normativas têm mais peso. Paulo Freire e Milton Santos viraram santos para a Educação e para a Geografia. Acho isso deprimente. Ora, a Economia é uma ciência empírica e só faz mal ter esse respeito excessivo aos clássicos. A “Formação” tem 50 anos. Felizmente, ele envelheceu mal. Digo “felizmente” porque o fato de ter ficado superado é resultante do sucesso da pesquisa em História Econômica em questionar sua autoridade e a visão tradicional.
O problema mesmo me parece na graduação. Muitos alunos de graduação em Economia ou outros cursos terão em a “Formação...” como o único livro de história econômica brasileira que jamais lerão. Eles tem que ler um livro com vários erros, que se baseia em uma teoria econômica que não fecha com que eles aprendem no restante do curso de Economia. E, mesmo assim, o livro é visto em muitas faculdades como se uma fosse uma Bíblia. Pobres alunos.

4) Por que os livros de História do Pensamento Econômico tem um viés tão anti-liberal?

Faz sentido olhar no curso de HPE as coisas - que durante a evolução da Ciência Econômica – não foram incorporadas aos manuais de Micro e Macro. E boa parte do que ficou fora dos manuais é -de fato – antiliberal. Portanto, eu não vejo problema que os livros de HPE dêem muito espaço a autores não-liberais. Os livros de HPE tem que ser plurais mesmo. O complicado em um livro-texto de HPE são as críticas externas. Tipo: partir do Marx para criticar o Marshall, ou usar o Marshall para criticar o Marx. Voltando ao ponto original, eu lamento que os austríacos, que tem muito a ensinar, fiquem de fora, ao mesmo tempo, dos manuais de teoria econômica e dos livros-texto de HPE.

5) O que falta para você escrever um livro sobre história econômica do Brasil? Eu certamente o compraria.

Obrigado, mas não me sinto pronto para isso. E tem outro fator : os preços relativos. Como você sabe, os incentivos da Capes e da universidade hoje são para papers e não livros. Portanto, é melhor se dedicar a temas pontuais do que a questões abrangentes da história econômica brasileira.

Bibliografia

MOTTA, José Flávio. Contribuições da demografia histórica à historiografia brasileira.In: Anais do IX Encontro Nacional de Estudos Populacionais. Belo Horizonte: ABEP,1994, vol. 3, p. 273-295.
FOGEL, R.W. e ENGERMAN, S.L.: Time On the Cross – the economics of American Negro Slavery, Nova York, W.W. Norton, 1989.
KLEIN, H e Ben VINSON. African Slavery in Latin America and the Caribean.
LAGO, Luiz Aranha Corrêa do .O surgimento da escravidão e a transição para o trabalho livre no Brasil: um modelo teórico simples e uma visão de longo prazo. Revista Brasileira de Economia, Vol 42, No 4 (1988).
LINHARES, MYL. História Geral do Brasil: Rio de Janeiro Campus: 1990.
MELLO, Pedro Carvalho de: “Aspectos Econômicos da Organização do Trabalho da Economia Cafeeira do Rio de Janeiro, 1850-88”, Revista Brasileira de Economia, 32(1): 19-67, 1978.
PAIVA, C. A. ; LIBBY, D. C. . Caminhos alternativos: escravidão e reprodução em Minas Gerais no século XIX. Estudos Econômicos. Instituto de Pesquisas Econômicas, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 151-242, 1995
REIS, E e E. REIS , 'As elites agrárias e a abolição da escravidão no Brasil', Dados. Revista de Ciências Sociais, vol.31, no.3, 1988.
SILBER, Simão.“Análise da Política Econômica e do Comportamento da Economia Brasileira durante o período 1929-1939.
SUZIGAN, Wilson. Indústria Brasileira: origem e desenvolvimento. Ed. Hucitec, 2000.
VERSIANI, FB. “Brazilian Slavery: toward an Economic Analysis”, Revista Brasileira de Economia 48(4):463-478, dez. 1994.

O Fim da Botafoguesisação do Fluminense

Todo grande clube nutre, sempre em segredo, um medo horrível: o de tornar-se um Botafogo. Já há algum tempo esse fantasma horroroso (tornar-se um Botafogo) rondava o maior campeão mundial carioca de todos os tempos, também conhecido por Fluminense. Mas hoje, após golear o Boca e seguir para a final da Taça Libertadores, o Fluminense despachou esse fantasma.

Tornar-se um Botafogo é o que de pior pode acontecer a qualquer grande clube, uma vez Botafogo sempre Botafogo.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O Caviar das Crianças, escrito por Rodrigo M. Pereira

Texto escrito por Rodrigo M. Pereira (IPEA e PhD em Economia pela Cornell University)

Lava-se sofá! Vende-se terreno legalizado! Faço seu churrasco! Promoção Gatomia 75%! Festa na ASBAC com o DJ Peralta! Faço chave codificada! Promoção de freios na Pneuline! Auto-escola Cometa, cobrimos qualquer oferta! Net Digital por R$39,99!

Quem se locomove pelo DF deve estar familiarizado com as propagandas acima. Elas aparecem em cartazes de pano improvisado que nascem nos vastos gramados da capital federal igual a cogumelo em cocô de vaca. Alguns, em lugares perigosos, próximos a cruzamentos de trânsito, muitas vezes bloqueando a visão de motoristas e causando acidentes. Pra quem não sabe, todo esse tipo de lixo publicitário é ilegal, e deveria ser coibido. Infelizmente, não é.

Será que lógica econômica ajuda a entender porque os gramados do DF estão virando um balcão de classificados? Imagine que você e seu vizinho têm cada um uma firma de lavação de sofá. Vocês sabem que fincar propagandas nos gramados do DF não é uma prática permitida. Mas é uma forma barata de divulgar o seu negócio, e aumenta as receitas no final do mês. E como estamos no Brasil, a perspectiva de punição é baixa. Então seu vizinho começa a fincar cartazes, e passa a levar uma vantagem na competição com a sua firma. Então você tem duas escolhas: obedecer a lei e ver o seu vizinho se dar bem, ou então pregar 300 cartazes pelo Plano Piloto todo mês, e igualar as condições de competição com o seu concorrente. Portanto, a propaganda ilegal, quando não é punida, gera um incentivo para que outras firmas façam o mesmo, o que no limite, pode vir a transformar as belas paisagens do DF em alguma coisa próxima de países como Bangladesh, ou Quênia. É uma forma desleal de promover um negócio, além de gerar um desprazer estético tremendo para a coletividade. Aumenta-se o lucro privado, e dissemina-se informações sobre onde lavar o seu sofá, mas ao mesmo tempo gera-se uma perda de bem-estar pela feiúra que são os milhares de cartazes amontoados pela cidade afora. Trata-se de mais um entre tantos exemplos onde o interesse privado se sobrepõe ao coletivo, como um resultado da inexistência e/ou inoperância das instituições. No caso, da lei.

Trata-se acima de tudo de uma questão clássica de externalidade negativa. Os benefícios marginais dos cartazes são todos privados. Os custos marginais, porém, são parte privados (os 5 reais que custam um cartaz, mais o custo de fincá-lo na grama), e parte sociais (o desprazer que é ver o lixo propagandístico toda vez que o individuo trafega pelo DF). Como a firma não internaliza a parte social, sua maximização de lucros implica igualar custos e benefícios marginais privados, o que significa que ela vai fincar muito mais cartazes do que o que seria socialmente ótimo.

A questão relevante é o que a autoridade local pode fazer para resolver o problema. A ilha de Manhattan nos Estados Unidos, por exemplo, é um dos lugares mais ricos do mundo, e tem uma economia que vive basicamente de serviços. O Central Park é uma área com vastos gramados. Porque será que não há uma única empresa em Nova Iorque que se arrisque a pregar cartazes nos gramados do Central Park? Talvez pelo fato de os Estados Unidos serem um país com instituições muito sólidas, pródigas em castigar exemplarmente quem atenta contra a coletividade em prol do benefício privado.

A resposta é então muito simples: punição. Basta punir quem espalha cartazes pelo DF. Em geral os cartazes deixam telefone de contato. Pelo telefone chega-se a um CPF ou a um CNPJ. Então basta multá-lo. Com todas as implicações legais e tributárias de uma multa. Essa é uma solução barata, e que ainda traria receitas para os cofres do GDF. Outra solução, um pouco mais cara, é colocar um time de funcionários recolhendo os cartazes durante 24 horas por dia, nos sete dias da semana. Isso traria a idéia de que uma vez colocado um cartaz, ele não ficaria no local por muito tempo.

Enquanto o GDF não faz a sua parte, eu como indivíduo pagador de impostos e que tem consciência de cidadania, faço a minha parte: rasgo todos os cartazes que vejo pela frente. Eu fiscalizo a entrada da minha super-quadra e balões adjacentes, e a minha política tem funcionado até agora. Num raio de 800 metros da minha residência os cartazes fincados não sobrevivem por mais de 24 horas. Alguns pregadores de cartazes até evitam esses lugares porque sabem que por ali os cartazes não duram muito. E eu já vi outras pessoas fazendo o mesmo em outros lugares de Brasília. Pra quem acha que não vale a pena sair por aí rasgando cartazes, basta boicotar as roupas da Gatomia, os pneus da Pneuline, as festas da ASBAC, e o que mais for anunciado de forma desleal.

Um dia desses na saída da minha casa vejo dois brutamontes pregando cartazes de uma auto-escola. Eu falo para eles que em cinco minutos estará tudo rasgado. A resposta: “Deixa a gente ganhar o leitinho das crianças”. Olho para o lado e vejo que os dois dirigiam uma picape Toyota de 100 mil reais, com uns 200 cartazes amontoados na caçamba prontinhos para serem fincados. Pois é, vamos deixá-los ganhar o leitinho e o caviar das crianças.

A Arrogância do Imbecil

Existe uma forte correlação positiva entre arrogância e imbecilidade: quanto mais imbecil o sujeito, mais arrogante. Tal relação é tão forte que vale não apenas para indivíduos, vale também para nações: quanto mais imbecil, pobre e mediocre é um páis, maior também será sua arrogância. Isso funciona como uma espécie de mecanismo de auto-proteção. Sabendo sobre sua imbecilidade, o indivíduo ou nação se esconde sobre o véu da arrogância. Buscando refúgio em um comportamento arrogante, o imbecil espera despistar o mundo sobre sua própria ignorância.

O Brasil é um caso típico do arrogante imbecil. Nossos alunos estão entre os PIORES do mundo em provas internacionais de matemática, ciências e leitura. Não bastasse isso, as estatísticas nacionais mostram que APENAS 4% dos alunos de oitava série possuem o conhecimento de matemática que seria de se esperar. Em relação a português esse número sobe para 5%. Em resumo, o aluno brasileiro médio não sabe ler, não sabe escrever e nem sabe somar ou diminuir. Um país honesto tomaria medidas simples para corrigir esse problema, tipo DIMINUIR o número de matérias e focar o ensino principalmente em matemática, português e ciências. Claro que haveria espaço para outras disciplinas, mas o peso principal seria nas três acima. Mas o que fez nosso governo? Foi na direção OPOSTA e tornou obrigatório o ensino de sociologia e filosofia no ensino médio.

Tornar obrigatório o ensino de sociologia e filosofia no ensino médio tem vários pontos negativos. Primeiro, é evidente a doutrinação que irá ocorrer: MARX será o grande filósofo a ser estudado. Popper nem pensar, Von Mises, Hayek ou Bastiat de jeito nenhum. Segundo, sobra menos tempo para o estudo de matemática e português. Ou seja, os alunos ficarão ainda piores em leitura e matemática. Terceiro, os mais pobres estarão em situação pior. Afinal, nas escolas privadas a carga horária de ensino irá aumentar para acomodar mais matérias. Já nas escolas públicas, impossibilitadas de aumentar a carga horária, o ensino de matemática e português será ainda mais sacrificado. Quando a desigualdade aumentar não culpem o mercado, culpem a falta de preparo educacional agravada por essa medida. Quarto, o estudo de filosofia demanda uma maturidade que dificilmente se tem na puberdade. Quinto, por que sociologia? Por que não economia? Novas demandas irão surgir, novas matérias serão incluídas nas grades curriculares do ensino médio, e menos nossos alunos saberão sobre português e matemática.

O Brasil é um país arrogante, para mascarar nossa mediocridade educacional criamos disciplinas para dizer: somos analfabetos, não sabemos fazer contas, mas somos politizados.

domingo, 1 de junho de 2008

Contra a Intervenção do Estado na Saúde

Muitos acreditam que a presença do Estado no mercado de saúde ajuda a diminuir a mortalidade. Isso está incorreto: quando o Estado intervém nesse mercado, propiciando saúde gratuita a todos, a curva de demanda por saúde se desloca para a direita (aumenta), mas a oferta de saúde permanece inalterada. Esse tipo de movimento apenas aumenta o preço pago pelos que não querem depender da saúde pública, mas não garante que menos pessoas irão morrer. No final do processo, a intervenção estatal no mercado de saúde gera filas. Isto é, muitas pessoas que precisam continuam sem serem atendidas: irão morrer esperando nas filas. Se a saúde fosse paga, algumas pessoas não teriam dinheiro para pagar por seu atendimento e iriam morrer. Contudo, o fato da saúde ser pública NÃO evita o problema. Afinal, dada a existência de filas, nem todas pessoas que precisam irão receber atendimento.

Numa economia de mercado os que não tiverem dinheiro irão ter problemas, numa economia estatal quem chegar depois na fila irá ter problemas. Trocar a saúde privada apenas muda o ordenamento do atendimento: dos que têm dinheiro para os que têm tempo de esperar nas filas. Mas não sejamos tão incrédulos no mercado. Economias de mercado têm sido prósperas em montar estruturas de ajuda aos mais necessitados, e a igreja sempre se destacou nesse segmento. Assim, mesmo os mais necessitados não ficam completamente descobertos numa sociedade livre da intervenção do Estado na saúde. A caridade privada, numa economia de mercado, é mais poderosa do que a maioria dos especialistas é capaz de prever. No final, se as pessoas realmente se importam com os mais pobres, o próprio mercado será capaz de criar estruturas para a ajuda a esse segmento da população.

Dar ao Estado a oportunidade de intervir no mercado da saúde equivale a dar ao Estado a chance de intervir diretamente na nossa vida privada. Afinal, se o Estado irá pagar por nosso tratamento, então é lícito ao Estado dizer como devemos viver, o que devemos comer, quanto tempo teremos que nos exercitar por dia, etc.. Assim, tão logo o Estado passe a financiar nossos custos de saúde ele começará a exigir determinadas contrapartidas nossas. Cedo ou tarde começaremos a ouvir: “como o Estado terá que pagar o tratamento do indivíduo, então é justo proibir o fumo. Afinal, no caso do fumante, toda a sociedade estará pagando o custo de um mau hábito individual”. Com o tempo, seremos proibidos de comer fritura, beber cachaça, ou de simplesmente ficarmos de barriga para o ar.

Não interessa se você concorda com os maus hábitos dos outros, desde que você não seja obrigado a pagar por eles isso não é problema seu. Mas tão logo a sociedade seja obrigada a pagar por hábitos individuais, ela irá exigir as devidas compensações cerceando a liberdade de escolha das pessoas.

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