terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

“Um homem deve conhecer seus limites” (Clint Eastwood)

É a cena final do filme; Clint Eastwood no papel de Dirty Harry está prestes a mandar o bandido pelos ares, mas antes diz “Um homem deve conhecer seus limites”... dois segundos depois já não há mais bandido vivo.

A frase acima deveria servir de guia para Timothy Geithner, Secretário do Tesouro Americano. Geithner, ainda na administração Bush, elaborou um plano de ajuda aos bancos para conter a criese financeira. Custo do pacote: 700 bilhões de dólares. Na época este blog alertou que tal pacote era puro desperdício de recursos. Agora na administração Obama, Geithner propõe outro pacote que ultrapassa 1 trilhão de dólares. Isto também não vai funcionar. O que Geithner irá propor depois?

Este blog já se posicionou no ano passado contrário à indicação de Timothy Franz Geithner para Secretário do Tesouro. Geithner não está no primeiro time dos economistas, seu grande mérito foi ter dado sorte de estar perto de pessoas que se tornaram importantes. Geithner é na economia o que Zagalo foi no futebol: um cara de sorte. Geithner é o 5% de erro estatístico.

Geithner não tem bala na agulha para ocupar a posição que ocupa, ele não conhece seus próprios limites. Sobrevive por causa de sua sorte e de sua lábia, mas isso vai acabar logo. O motivo é simples: o mercado, tal como Clint Eastwood, é implacável.

Para finalizar faço aqui uma aposta: em menos de 6 meses Geithner dirá que o pacote de 1 trilhão de dólares não foi suficiente, e que mais dinheiro (dos contribuintes) será necessário. Já estou até imaginando a próxima manchete: Pacote Americano é de 2 trilhões de dólares.... pobres contribuintes americanos, essa conta vai sair cara.

3 comentários:

MAC disse...

Adolfo, existe um paper do Fed de Minneapolis que mostra que os EUA sairam da "grande depressão" APESAR do New Deal, vc sabe qual é? O Ellery sempre comenta sobre este paper.

Mansueto Almeida disse...

Três rápidos comentários.

primeiro, a discussão de como os EUA sairam da grande depressão é totalmente irrelevante para o contexto atual porque naquela época o grande salvador da pátria foi a segunda guerra mundial. O new deal pouco ou em nada influenciou a recuperação americana, até porque o New Deal foi um conjunto de politicas micro e não macro.

segundo, concordo que não há nada que qualifique o Timothy Geithner como brilhante. Mas o que ele está fazendo vai ao encontro de vários economistas repeitados como o último "nobel laureate" Paul Krugman e mesmo do Larry Summers. Os EUA estão passando por uma crise de demanda e não de oferta e, assim, o aumento de gasto público é bem vindo.

Terceiro, ninguém simplesmente sabe como lidar com essa crise. É claro que houve um problema regulatório, mas é difícil encontrar um meio termo entre regulação e eficiência. Uma coisa é clara: a auto-regulação falhou e houve corrupção no SEC no caso do Madoof.

O pior de tudo isso é que não há culpados; acho que os nossos colegas economistas estavam realmente bem intencionados nas inovações financeiras que fizeram com o sub-prime.

Anônimo disse...

Caro Mansueto,

A discussão sobre a Grande Depressão não é irrelevante. A Guerra permitiu a saída da Grande Depressão porque acabou com as medidas protecionistas e concentradoras do New Deal, não por aumentar a demanda agregada. O mesmo tipo de medida que agora aparece no pacotão do Obama. Alias parece que todos os gastos das guerras no Iraque e no Afeganistão não são suficientes para aumentar a demanda agregada, estranho...

O Krugman recebeu o Nobel por pesquisas em Comércio Internacional. Os economistas que receberam por pesquisas na área de macroeconomia não parecem muito empolgados com o pacotão, pelo menos não que eu saiba. Quanto ao Larry Summers... não é aquele cara do governo Clinton? Aquele governo que incentivou as hipótecas? Dos bancos grandes?

O mercado financeiro possui riscos, todos sabem que correm riscos de levar calote, de não pagar suas prestações, de entregar dinheiro para bandido e etc. Cada uma destas apostas pode dar certo ou errado, se muitas dão errado de forma simultânea aparece a tal crise financeira se muitas dão certo ao mesmo tempo falamos de boom do mercado. Em ambos os casos estão ocorrendo realizações de um processo estocástico que, de algum modo, acaba revertendo à média, que será tanto pior quanto maior for a intervenção do governo. O resto é lenda.

P.S. MAC, se estiver interessado em saber sobre o "apesar do New Deal" leia o artigo no link: http://online.wsj.com/article/SB123353276749137485.html

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