quinta-feira, 12 de março de 2009

Contratações do Setor Público x Setor Privado

Vem ocorrendo um movimento importante no setor público brasileiro de que poucos se deram conta: os engenheiros, os matemáticos e os estatísticos vêm perdendo cada vez mais espaço para os sociólogos e cientistas políticos. A cada novo concurso público o conteúdo de matemática é reduzido enquanto que teorias políticas e sociológicas ganham espaço. O mais recente exemplo foi o concurso do IPEA que chegou ao absurdo de exigir apenas estatística básica para cargos de pesquisador.

Movimento inverso ocorre no setor privado: são raras as vagas para sociólogos e cientistas políticos fora das universidades. Enquanto que a importância de matemáticos, engenheiros e estatísticos é cada vez mais visível.

Dados os novos padrões salariais do setor público brasileiro, temos que na média um sociólogo do setor público ganha um salário muito superior a um engenheiro do setor privado. Esse fato é um claro incentivo para que os jovens talentos da sociedade brasileira se dediquem cada vez mais a sociologia e menos a engenharia. Acredito que esse seja mais um dos muitos incentivos errados gerados pelo governo brasileiro.

Alguém pode argumentar que o mercado irá ajustar para baixo o salário dos sociólogos, mas isso é pouco provável uma vez que o setor público não usa critérios de mercado para remunerar seus funcionários. Existe outro detalhe importante: sociólogos e cientistas políticos geralmente são a favor de uma expansão das atividades do Estado. Além disso, costumam ter um alto grau de desconfiança do mercado.

Para produzir mais um país precisa de mais engenheiros; sociologia é profissão de país rico que tem excedente para queimar. País pobre tem que investir em engenheiros. Uma pena que o Brasil ainda não tenha entendido esse fato.

12 comentários:

Ricardo disse...

Concordo. No curso de Ciência da Computação o aluno fica o primeiro ano inteiro sem ligar um computador. Estudando filosofia/sociologia.

Resultado? Temos mais físicos e matemáticos na área de desenvolvimento de software do que analistas de sistemas.

Rafael (Sociólogo e Demógrafo) disse...

Adolfo,

Historicamente o mercado de trabalho sempre teve mais participação desses profissionais (engenheiros, os matemáticos e os estatísticos). O espaço para esses profissionais sempre fio mais visível, e por um motivo óbvio: o Brasil sempre teve mais faculdades que formam esses tipos de profissionais do que faculdades que formam cientistas sociais strictu senso (sociólogos, cientistas políticos, antropólogos).

Com uma pesquisa rápida (e meio tosca) no site da CAPES a gente pode ver, por exemplo, o peso que os cursos de engenharia têm no país. São 256 cursos de engenharias (das mais variadas) e mais 43 cursos de Ciência da Computação (um total de 299). Por outro lado, o Brasil possui 38 cursos de Sociologia, 15 de Ciência Política e 16 de Antropologia (um total de 69 cursos de Ciências Sociais strictu senso). Quer dizer, isso aqui não é uma competição. E tampouco é uma balança. Acho que o Brasil deveria ter mais cursos de Engenharia sim. E acredito que fica óbvio para qualquer um que nosso país possui poucos cursos de Ciências Sociais (na grande maioria concentrados no centro-sul do país).

Mas... voltando para a análise. Diante de uma desproporcionalidade tão absurda sobre a participação de engenheiros e cientista sociais no mercado de trabalho e utilizando uma base de dados imaginária (censo e Pnads são bem frágeis para uma análise deste tipo porque não informam a ‘formação acadêmica da pessoa’, mas a ocupação da pessoa) é difícil saber quem vem ganhando cada vez mais espaço nos setores públicos e privado.

Uma coisa é fato, e nisso eu concordo com você: os conhecimentos de estatística cobrados no último concurso do Ipea foram MUITO abaixo de um nível razoável. Quanto a outros concursos, eu tenho apenas conhecimento do concurso de Gestor, e acredito que o nível de economia cobrada nas últimas provas não seja tão ruim. E acredito que ser de bom senso cobrar conteúdos de sociologia e ciência política de uma pessoa que será servidora pública e que trabalhará diariamente com políticas públicas (o mesmo serve para o Ipea). A idéia aqui é não aliviar em prova alguma, é cobrar um alto nível de conhecimento em exatas e em ciências sociais e, assim, selecionar os melhores candidatos.

Por fim, enfatizo: isso aqui não é uma competição. Trata-se de cooperação entre áreas que tem grande potencial de diálogo. Engenharias são cursos que possuem uma aplicabilidade prática muito mais visível nas condições materiais da nossa sociedade e nossa economia (e por isso são muito importantes). Esses cursos, no entanto, não possuem como objetivo contribuir para a construção de um conhecimento sobre como “funcionam” as sociedades ou como elas poderiam “funcionar”. Isso é papel que as ciências sociais tomam para si. E que possuem também grande relevância.

Um debate que tenta melhorar as condições de vida de nossa população e melhorar o desempenho de nossas instituições e de nossa economia deve se pautar mais pela cooperação e complementação entre diferentes formações profissionais do que pela competição entre elas. E deve primar ainda, pela seleção dos melhores profissionais que possuam de maneira robusta o maior número de habilidades (através de seleções rigorosas).

Juliano Torres disse...

Discordo, quem defende o estado são os novos picaretas vendedores de enciclopédias, os economistas. Sociólogos e cientistas políticos só fazem apologia. Apesar de ser lamentável, o povo em geral acredita no argumento de autoridade quando um economista está falando.

Anônimo disse...

Uma das coisas mais imbecis que eu li nos últimos tempos. Parabens!

Paraense. disse...

Você chuta a bola, alguém a alcança, ou um da mesma equipe ou da adversaria.

Tá na cara que esses sociólogos são militantes comunistas. Cansei.

Anônimo disse...

O papel do Estado não é gerar incentivos, é prover bens públicos. E, nessa área, os engenheiros têm pouco a contribuir. Se os salários dos engenheiros são muito baixos, de duas uma: ou eles são pouco produtivos ou existe um excesso de engenheiros no País.
PS: duvido que alguém com real vocação para a área de exatas teria saco para aguentar 4 anos de xorumela marxista nos cursos de sociologia.

Marcelo disse...

Vou adicionar mais um dado a seu texto : o Brasil é o terceiro país do mundo em número de advogados, só perde para os EUA ( a law society por excelência) e para a Índia, que tem uma população muito maior.
E se vc isolar Brasília do resto do Brasil, o número de advogados per capita deve ser o maior do mundo.
Isso é um retrato do Estado brasileiro.
E é claro que os sinais emitidos pelo Governo afetam a escolha dos jovens.
Para alguém que está começando a vida, a comparação entre o tio engenheiro ( com sorte, empregado) ganhando muito menos do que vários funcionários do Governo ( sejam Gestores/Advogados/Analistas do Ipea), afetará suas escolhas.
E aí fica a pergunta : um país em que o desejo da maioria é o de passar em um concurso público, tem futuro ? Merece um futuro ?

Cedric disse...

O fim do crowding-out é positivo, pois evita o subemprego de profissionais em atividades governamentais improdutivas.
Porém, os super salários do setor público geram incentivos para bons alunos optarem por cursos como direito ao invés de física... Com isso, juristas capturam os postos elevados da adm publica e garantem regalias à sua classe - o que retroalimentam o circulo vicioso de incentivo à formação de bacharéis de direito...

Anônimo disse...

Pergunte a qualquer aluno de faculdade, o que ele quer ser quando se formar e ele responderá: "Fazer um concurso público!". Se isso não é reflexo do incentivo do estado, não sei o que é.

Anônimo disse...

O que eu acho mais legal dos sociólogos e cientitas políticos é que todos querem um estado maior, gerando mais bens e serviços para a população carente, aumentando as oportunidades para todos blá, blá, blá.... Mas pergunte a eles quanto pagam às suas faxineiras e empregadas. Todos pagam o valor de mercado!!! Apesar de reclamarem que o salário mínimo é baixo!!! Ou seja, estamos aumentando essa grande hipocresia que assola a nossa sociedade e incentiva a cultura da pobreza! A onda agora é: vamos deixar a produção de lado e vamos debater!!! Mas todos bem que gostam de beber um vinho importado e viajar para NY ...

Anônimo disse...

Gostaria de adicionar ao debate indicando que, só no Brasil os cientistas políticos e sociólogos têm esse viés nitidamente esquerdista e estatista, conseqüência de formação acadêmica altamente ideológica. Em outros países, o currículo destes cursos tende a ser mais plural, enfocando outras linhas de pensamento, inclusive, alguns altamente liberais. Depende da universidade e do país. Por fim, gostaria de ressaltar que a formação acadêmica de um cientista político - em bons programas de pós-graduação - exige sólida formação quantitativa, sobretudo em métodos de pesquisa aplicados (econometria). Para quem duvida, sugiro dar uma olhada nos artigos de Americal Political Science Review.
Portanto, discordo, do post quando ataca os cientistas políticos e sociólogos, por não terem o a capacidade analítica de um engenheiro. São evidentemente, formações distintas, mas um bom cientista social - os economistas inclusive - podem adquirir e utilizar formação quantitativa.

Anônimo disse...

queria ver algume falando dos super salarios no setor privado!

gugu, faustao etc por mais qualificados(graduação, pos, mestrado, doutorado e em + de 1 area) recebem um salario ASTRONOMICO!

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