segunda-feira, 2 de março de 2009

O País que Quer Crecer Mais Trabalhando Menos

Existem muitas dúvidas sobre os reais determinantes do crescimento econômico, mas existe uma certeza: ninguém prospera trabalhando menos. A idéia de que um país pode crescer mais trabalhando menos beira o absurdo. Infelizmente tal idéia está ganhando força em alguns segmentos políticos brasileiros.

No Congresso Nacional alguns deputados têm advogado pela redução da jornada de trabalho. Para eles, uma redução na jornada de trabalho levaria a um aumento na demanda por mão de obra. A lógica deles é que caso os trabalhadores tenham que trabalhar menos horas por semana outros trabalhadores terão que ser contratados para manter a produção. Em termos teóricos isso só é verdade se a redução de horas tiver um impacto positivo muito grande sobre a produtividade do trabalho. Contudo, a realidade parece não confirmar essa hipótese. A França já tentou essa tipo de política e os resultados não foram encorajadores. Aliás, se reduzir a jornada de trabalho aumentasse tanto a produtividade deveríamos esperar que o próprio setor privado já tivesse feito isso.

Reduzir a jornada de trabalho é um erro. Melhor mesmo seria flexibilizá-la. Isto é, vamos deixar cada trabalhador escolher o quanto quer trabalhar. Se alguém quer trabalhar 80 horas por semana, e tem alguém disposto a contratá-lo por esse tempo, qual é o problema? Para crecer mais um país deve trabalhar mais. Se existem pessoas capazes de trabalhar longas horas deveríamos estimulá-las a isso, e não puní-las. Não é dever do Estado legislar sobre a quantidade de horas que uma pessoa deseja trabalhar.

Por fim, devemos lembrar que vivemos num mundo globalizado. A China, a Índia e tantos outros países não estão reduzindo suas jornadas de trabalho. Reduzir a jornada de trabalho no Brasil significa deixar nosso país menos competitivo, significa que menos empregos serão criados aqui, significa que os produtos brasileiros serao mais caros que seus similares internacionais. Dessa maneira, com o tempo os empresários nacionais pedirão por mais proteção contra a competição internacional (afinal estão obrigados a arcar com custos maiores decorrentes da redução na jornada de trabalho). Para proteger a indústria nacional, o governo então implementará medidas restritivas ao comércio internacional. Assim, a redução na jornada de trabalho irá diminuir a competitividade da economia brasileira em duas frentes: a) diretamente, ao aumentar os custos de produção; e b) indiretamente, ao forçar o governo a restringir o comércio internacional.

Trabalho duro e honesto, esse é o melhor remédio contra a crise. Um país não pode crescer se obrigar seus trabalhadores mais produtivos a trabalharem menos.

3 comentários:

Gilberto Santiago disse...

Kra esse país é uma piada.

Falando sério... isso não tem fundamento nenhum... os deputados querem aprovar essa lei por que eles realmente trabalham TANTO que devem no mínimo se sentirem culpados , sinceramente. é uma piada. Como diz uma personagem cômica da televisão brasileira: "Eu podia estar matando, roubando e me prostituindo mais estou aqui trabalhando."
Mais a visão é mais ou menos essa mesma. Na MINHA hulmisde opinião deveria ser pré-requisito pra ser deputado umas aulas de história e economia básica né?

nilo disse...

Parece que não vem uma coisa que preste do congresso!

Anônimo disse...

Não conheço a proposta a fundo. Mas ela deve ter algo (no fundo) que não seja absurdo. O proprio Presidente do Ipea (Pochman) tem muita simpatia por essa ideia.

Mas pense só (suposição): o Estado reduz a jornada de trabalho para 4 horas. Voce enquanto empresário vai preferir contratar dois empregados para manter o 'ritmo' da produtividade com 8 horas/dia/trabalhador? em principio sim. Mas tem um detalhe, agora são dois trabalhadores, é o dobro de imposto e de questões trabalhistas nas costas do empregador.

Será que a produtividade que se ganharia com a redução da jornada valeria esse aumento de impostos (sob a perspectiva do empregador)?

MAS, para dar uma de advogado do diabo: Não regular um limite máximo de horas de trabalho me parece uma situação de extremo-oposto (e portanto igualmente equivocada). Retornaríamos aos padrões de saúde no trabalho do período da revolução industrial inglesa com pessoas trabalhando 12 ou 14 horas por dia. E, apesar de produtivo, não venha me dizer que isso é saudável!

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