quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ponto para o Blog

Há alguns dias eu avisei que ter o governo como controlador de um fundo de pensão era mau negócio. Meu argumento: a função do governo é maximizar o bem estar da sociedade; a função de um fundo de pensão é maximizar os retornos de seus ativos, sujeito a padrões aceitáveis de risco. Ou seja, ao controlar o fundo de pensão o governo tenta usar parte dos recursos do fundo baseando-se em critérios políticos (que pouco tem em comum com rentabilidade e segurança). Isso traz benefícios políticos ao governo, mas traz também prejuízos aos indivíduos que depositaram seus recursos no fundo de pensão.

Hoje o presidente do Banco do Brasil foi demitido, motivo: se recusou a baixar as taxas de juros cobradas pelo banco. O governo já nomeou outro presidente e deixou claro que espera que o Banco do Brasil baixe os juros e leve crédito a grupos excluídos. Isto é, o governo esta usando o Banco do Brasil para fazer políticas públicas. Isso gera votos ao governo, mas gera perdas aos acionistas do Banco do Brasil.

Toda vez que o governo controla empresas privadas – sejam elas bancos, fundos de pensão ou empresas petrolíferas – o problema ressaltado acima aparece. Tal problema decorre do conflito fundamental entre os objetivos políticos do governo e os objetivos de rentabilidade das empresas privadas. Só existe uma solução para esse conflito: o governo deve abdicar de seu controle sobre empresas privadas, e se concentrar em suas funções primordiais de prover educação básica e segurança.

Por fim, o governo está estimulando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a expandirem o crédito para grupos socialmente excluídos. Há alguns anos atrás o governo americano fez o mesmo: incentivou a Fannie Mae e o Fred Mac a darem crédito para grupos com pouca possibilidade de saldarem seus débitos. O resultado disso foi a crise atual. Será que o governo brasileiro não aprende?

5 comentários:

Anônimo disse...

Declarações de ontem do Mantega:

"Não houve ingerência política no BB. E se houve, foi positiva" (?????)

Esse é o seu Ministro da Fazenda!

ZEPOVO disse...

O governo controlar o setor financeiro já é uma necessidade. Mesmo os socialistas sabem que é importante garantir o controle da inflação ao mesmo tempo que o crédito é garantido e o lucro dos acionistas preservado. Tudo para gerar empregos e garantir a produção além de obviamente atrair investimentos. Ecomonia não é para amadores, para experiencias ou aventuras.
Mas tudo tem que ser feito preservando-se de maneira civilizada a sociedade. Socialistas não pregam o fim do lucro, a demonização dos investidores e acionistas capitalistas, apenas pretende-se adicionar nas delicadas receitas financeiras o componente social...
Se o juros do BB vão cair prejudicando os acionistas, o crédito vai ficar mais barato e a economia se fortalecer, o que volta a animar os acionistas.

marco bittencourt disse...

Não vou falar de flores, porque, no terreno fértil da bandalheira tupiniquim, o que se gera é coisa bem distinta. Passo à ladainha costumeira de falar da política doentia que prolifera em todo o país e que nada ganho com ela. Quero derrubá-la pelo convencimento de sua imoralidade. O que passo a demonstrar falando do petismo e seus petistas em ação costumeira e inovativa (inova-se para o mal também). O petismo é uma doença. E grave, pois reflete as distorções de caráter. Talvez não tenha cura, porque a crosta cerebral que abriga os princípios morais e ético fecha-se cedo, em idade bastante imberbe, e assim, provavelmente, eles, os petistas e o seu petismo, nunca se dêem conta desse infortúnio comportamental a encontrar terreno fértil na jovem república, filha adotiva da ditadura militar, para o seu exercício censurável. Faço a ressalva de que o petismo não é em essência diferente do mdbismo, psdbismo, psolismo e tantos outros ismos presente e futuros. Esse é o ponto central na análise da questão da demissão do presidente do Banco do Brasil – BB em discussão nos jornais. Não acho que o presidente demitido seja melhor e nem pior do que o substituirá. Fazem parte das cloacas incólumes e blindadas às boas leis e aos bons costumes. Elas se alimentam reciprocamente em proteção aos grupos econômicos dominantes que também vão se alimentar, em vampirismo insaciável, no Banco do Brasil, às custas de nosso sangue e suor. Tratam-se dos ruralistas (mdbismo) que, além de juros subsidiados, recorrentemente retardam a liquidação de suas dívidas, em verdadeiro calote secular (desde o Império). Trata-se da turma da FIESP (petismo, psdbismo, psolismo e todos os demais comunas) que obtém crédito fácil em volume e juros que enriqueceria qualquer cristão da noite para o dia. Trata-se da turma da Febraban (psdbismo e Demo puro) que em conjunto cartelizam o Banco Central e a gestão da dívida pública interna. Nada disso mudou. O mercado sabe que isso existe e não mudaria com o rodízio da cadeira de ouro da presidência do Banco do Brasil. Esse mercado que se resume aos investidores institucionais, como a própria Previ e outros fundos de pensão, incluem também pequenos investidores e pessoas comuns. Eles já avaliaram o BB do jeitinho que ele é e estimo tê-lo resumido, aqui, razoavelmente bem. Mas o que é inusitado nesse fato da mudança da presidência do BB? É que o petismo, que não conhece o que é certo e nem errado, mesmo numa selva como a nossa, e se reinventa livre e solto e principalmente à custa da população, ataca novamente em estilo próprio, dando fim à pseudo era neoliberal lulista. Todos ouviram o Presidente da República e a ministra candidata à Presidência se expressarem categoricamente que não importa se darão prejuízos ao Banco do Brasil, pois o objetivo final é louvável: redução do spread bancário. Deliberadamente assumiram que, como gestores legítimos do Executivo, poderiam passar prejuízos aos acionistas em geral e à população – que contaria com menos impostos. Claro que isso fere os direitos da minoria e merece reparação. A reparação à maioria, esta não se verificará, pois o passivo é impagável na moeda presente da política reles de nos excluir. Esse é o mal maior: não respeitarem regras consagradas na Constituição e nas leis, acostumados a legislarem no dia-a-dia, através de medidas provisórias ou por meio de mensalões e esquemas soturnos. Ruim também é que, sabedores de que a medida é irracional, assumem o prejuízo como certo. Quando o rei percebe que está nu, tentam escudá-lo com outras bobagens até piores, como a de que conseguirão ainda aumentar a lucratividade do banco – o que faria crer que o ex-presidente do BB deveria ser demitido por incompetência não hoje. O petismo tem como fonte primária de sua educação o sindicalismo e a experiência da clandestinidade e o acordo de cocheira (geralmente com o cocho recheado), em que a lei da Selva é o fundamento bíblico a guiar as mentes dos seus adeptos. É a baixa civilidade se impondo a torto e a direito. Além desse pecado capital da lei do mais malandro, existe uma série de efeitos que o petismo despreza, não por principio da sobrevivência política a qualquer preço e sim pela ignorância fundamentada no analfabetismo comum e na certeza da impunidade. Em primeiro lugar, se a causa do spread elevado fosse determinada pelo comportamento abusivo do Banco do Brasil ou que ele pudesse contaminar em cura perfeita os demais competidores com ações isoladas, o caminho seria a punição para o ex-presidente do Banco do Brasil por gestão contra a economia popular. Em segundo lugar, o aumento de empréstimos por decisões políticas sempre implicará maior risco e, portanto, aumento na inadimplência o que eleva o prejuízo do Banco. Em terceiro lugar, como o risco aumentou, o custo de captação do Banco tem que aumentar. Mais prejuízo para o Banco - a crise financeira americana não serve em nada como lição a essa turma que não se interessa de onde verdadeiramente vem o dinheiro. Em quarto lugar, o estoque de empréstimos será afetado diminuindo mais ainda a rentabilidade do Banco, pois muitos irão providenciar a antecipação da liquidação dos seus antigos empréstimos com recursos mais baratos que viriam amanhã. Em quinto lugar, como os empréstimos camaradas ainda continuarão a existir, a farra dos novos empréstimos será regada com o nosso depósito à vista que estava trancado no Banco Central e se dirigiu à divida interna depois que foi liberado, na onda da crise financeira mundial. Como o Banco do Brasil terá que se desfazer dessas posições em títulos públicos, o preço do titulo público cairá e assim aumentará a taxa de juros implícita nesse titulo, com reflexos para a rolagem da dívida – crítica nesse momento. Isso ainda poderá ter o efeito apreciado pelos outros bancos de comprar barato o que foi caro ao Banco do Brasil, num esquema manjado de tudo se rachar. Em sexto lugar, não temos informações o suficiente para saber em que operações um banco tem vantagem sobre outro e assim não sabemos se os juros cobrados do Banco do Brasil são os mais elevados no mercado ou até mais baixo e se o efeito da contaminação de juros baixo pela competitividade será certo. Os juros cobrados por cada banco já refletem outras características de difícil mensuração, como o tipo de cliente que o banco escolhe para emprestar e as restrições em sua fonte de captação. Essas contas complexas, o mercado, a sua maneira e jeito, fez e já carimbou o prejuízo estimado e pontuado no mercado acionário. Como único voto de confiança nessa turma, espero que, como eles, os petistas, detinham previamente a informação da demissão do presidente do BB, não a tenham usado para alavancar operações especulativas no mercado, facilmente detectáveis a posteriori, se a CVM quiser. Esse desenrolar de efeitos conseqüentes quase sem limites também demonstra que regras estáveis e transparentes são preferíveis à discrição, como enfatizam os monetaristas em oposição aos keynesianos que querem estar livres para agir quando entenderem que o momento exige atuação rápida e pronta, em busca da manutenção do que entendem louvável – os custos para tal eles nunca contabilizam direito. Regras essas que são confusas e em demasia, escondendo a verdadeira causa do spread elevado: a segmentação financeira feita por leis e decretos. Adianto logo. Tudo isso é fruto de uma análise abstrata, embora calcada na realidade da nossa bagunça institucional e no baixo padrão de vida da população em geral. Assim, ninguém pode garantir que isso ocorrerá de fato. São conseqüências naturais que admitimos em função do que conhecemos e na suposição de que o quadro institucional e econômico é esse que conhecemos. Mas essa ignorância não é a mesma do petismo. Isso é o que diriam os economistas treinados em política econômica. De qualquer modo, o que estimo é que, em função do que imaginei correto e verdadeiro e fora o prejuízo acionário já registrado, pouco ou muito pouco do que é essencial mudará. Para finalizar a descrição do problema do spread bancário per se, como afirmei, a razão é outra para sua existência e tecnicamente fácil de resolver, embora dificílima do ponto de vista político: a segmentação financeira engendrada pela ditadura militar e aperfeiçoada para o seu desiderato maléfico desde então, garantindo retorno elevado para poucos e ajustando o modelo quando algo está errado ou incongruente. É certo que a selic poderá baixar e assim os juros dos outros ativos, mas apenas através de ajustes que a segmentação financeira exige, forjada pelo modelo de extorsão do povo brasileiro desde a ditadura militar com as reformas sonhadas pelos udenistas amalucados, tal como criação do Banco Central, dívida pública mobiliária e bancos especializados. Acredito, então, que, fora o prejuízo já registrado no mercado acionário, para os que freqüentam o mercado, nada mudará em essencial; a questão do spread é outra e repito para fixação necessária: a bagunça institucional que segmenta o mercado atendendo a diversos segmentos que compõem o poder econômico que domina o poder público. Já para o povão, a conta é certa pela perda potencial de imposto de renda do Banco do Brasil e a sinalização clara de que o modelo não faz ajustes definitivos e quando faz mudanças é ele, o povão, que paga pela exclusão e com o incentivo da redução de custos passageira e muito localizada e por isso fundamentalmente distorciva – aguarde para ver quem terá o credito barato e quem pagará por ele. Mas, então, o que muda para o Brasil? Mesmo, pela força externa da crise financeira mundial, com a selic caindo e os juros dos demais ativos acompanhando a queda no esquadro da segmentação artificial e legalizada, aprofundar-se-á o petismo e o jeito selvagem de se fazer política. Temo que mais arranjos perversos, engendrados nesse petismo diabólico que se une aos falsos querubins políticos e aos eternos políticos da submissão, tanto quanto fizeram e fazem os do demo e dos demais partidos (similares no essencial), brotarão dessa trama maquiavélica, enraizada na política brasileira. Quisera eu estar totalmente errado e que o meu coice literário pudesse acertar, em ricocheteio justo, o meu juízo com a força dos injustiçados. Mas intuo que meus santos protetores atuam até em dia santo, me permitindo bradar: Xô, satanás!
Um abraço Marco B

Delvecchio disse...

Adolfo, concordo com a ideia do penúltimo parágrafo. Em primeiro lugar, o BB nem deveria existir mais. Faz sentido um banco "público" num país onde o setor bancário já está consolidado? Em segundo lugar, já que infelizmente existe, ele fica sujeito a impropérios dos PeTralhas. A solução é de fato a saída do elefante branco PeTralha do mesmo. Mas os neossoalistas, neo-keynesianos, neo-marxistas, neo-cepalistas vão permitir isso? Ah, aposto que não...

Anônimo disse...

O MANTEGA TEM QUE SENTAR E ASSISTIR UMA AULA DE GOVERNANÇA CORPORATIVA, SÓ UMA NOÇÃOZINHA.

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