quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Concordata da General Motors

A General Motors pediu concordata. Os especialistas dizem que esse procedimento é capaz de salvar a empresa e prepará-la para o futuro. Tenho dúvidas sobre a opinião dos especialistas, creio que só existe uma única salvação para a GM: demitir todos os funcionários sindicalizados e contratar não sindicalizados no lugar. Não sei se isso será legalmente possível, mas sem isso não há esperança para a GM. Por piores que sejam os executivos da GM, e tenho dúvidas que eles sejam tão ruins como alguns pensam, o problema principal da empresa não é gerenciamento. O principal problema da GM, bem como de outras montadoras americanas, chama-se sindicato dos trabalhadores.

Os sindicatos de trabalhadores das montadoras conseguiu acordos absurdamente favoráveis no passado, quando a indústria automobilística americana não enfrentava a concorrência dos asiáticos e europeus. Hoje tais acordos trabalhistas impedem qualquer chance das montadoras americanas enfrentarem seus concorrentes internacionais. Enquanto tal acordo não for revisto não há concordata que salve a GM.

De uma perspectiva mais ampla creio que é o momento de revisar o Sherman Act. Sherman Act é o nome da lei que permite aos trabalhadores americanos se organizarem em sindicatos e realizarem a barganha salarial de maneira coletiva. Minha leitura é que o Sherman Act fere o princípio básico da concorrência. Afinal, esta lei legaliza para os trabalhadores o que é ilegal para as empresas: realizar acordos de preços para restringir a competição. Quando o sindicato se reúne com empresários para negociar salários, o sindicato está realizando um conluio dos trabalhadores. Ou seja, o sindicato impede que qualquer trabalhador sindicalizado venda sua oferta de trabalho abaixo de determinado preço. Isto é, os trabalhadores estão se reunindo para fixar preço e restringir a competição.

Quando empresas se reúnem para fixar preço e limitar a competição isso é crime, e os responsáveis são punidos com pesadas multas. Se os empresários não podem se reunir para fixar preços por que devemos dar aos trabalhadores este direito? Já imaginaram o sindicato das montadoras de automóveis se reunindo para determinar em conjunto o preço dos carros? Isso é claramente uma violação da lei que rege a competição no mercado. Tal comportamente é danoso para todos os consumidores de automóveis. Quando trabalhadores se reúnem para determinar em conjunto seu salário isso também restringe a competição e prejudica todos os consumidores do mercado.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que tal aplicarmos essa regra no serviço público brasileiro?
Um abraço
marco B

Delvecchio disse...

Irônico é ler M. Porter elogiar o planejamento estratégico da GM. O tempo mostra quem entende realmente os fatos.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email