segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sessao Foda-se de Cinema: Banco Central

Esse post foi gentilmente enviado pelo leitor Marco Aurélio Bittencourt.

Se tem uma instituição que nasceu para manter privilégios de poderosos, esta não pode ser outra que não o Banco Central. Ele nasceu para acalmar os ânimos animalescos dos banqueiros. Hoje, esse ânimo é incontrolável. Conseguiram dobrar até onde puderam um dos maiores economistas na área monetária - Milton Friedman. Todos que sabem o bê-á-bá de teoria monetária localizam em Friedman a cisão da política fiscal e monetária - uma pena, pois acabou ajudando mais aos seus inimigos do que às suas idéias políticas e agora pouco conseguimos ligar um orçamento a outro. Sabem também que ele adotou a proposição 100% Money - regime bancário não-fracionário. Magistralmente, estabeleceu que não adianta controlar a taxa de juros nominais - tese esquecida pelos keynesianos das metas inflacionárias. A única lição que os práticos em política econômica acatam é de que inflação é um fenômeno essencialmente monetário. Engraçado é que eles falam isso e aceitam a tal da inflação de custos. Vai lá saber por quê! Usam ainda a versão da curva de Phillips de Friedman que todos sabem, perdeu para a de Lucas. O fato é que os práticos ficam a falar nas expectativas como se elas estivessem operacionalmente nas cabeças das pessoas em que questionários alucinantes procurariam decifrar o comportamento errático que se concretizaria num futuro incerto - a questão fundamental das expectativas em Lucas é bem outra. Mas a turma keynesiana não se cansa e se faz de morta quando o assunto é alavancagem financeira que permite o roubo puro e simples da banqueirada gatuna. Imagino que, se Friedman estivesse vivenciando essa crise, já teria resgatado a velha tese de Fisher de 100% Money. Isso sem falar em sua crítica conhecida à dupla Black-Scholes que imaginaram ter descoberto a evolução dos preços das ações, criando esquemas derivativos mirabolantes. Ninguém pode bater o mercado, até porque se você soubesse o valor futuro de uma ação você contaria aos seus amigos? Só para os inimigos, imagino! Claro, Friedman também deveria colocar freios na farra derivativa, motor de uma alavancagem bancária destrambelhada que acabou, nessa crise atual, gerando uma montanha de moeda falsa. Contudo, o nosso Banco Central é mais alucinado do que qualquer outro no planeta. Sabe que a inflação "inercial" se justifica pela indexação de tarifas e preços e essa continua solta a sugar nossos orçamentos e se cala sobre isso. Faz até pior. Inventa que a taxa de juros tem que subir para conter as expectativas inflacionárias que todos sabemos de onde surgem as pressões e quem as efetiva. O fato é que de tanto falarem em demanda por moeda instável, hoje já não sabemos quase nada sobre suas elasticidades. Para piorar a nossa situação patrimonial, inventam que podem criar um indexador como a selic - o que só é possível quando o golpe é combinado com a turma do Tesouro que cria um titulo indexado à selic (essa turma do tesouro brasileiro também merece um bom dane-se - mas vou deixar pra outro berrar). Completando a bagunça, como o planejamento mequetrefe é uma prática dourada desde a ditadura militar, a segmentação financeira estabelece os parâmetros para a existência de diferentes taxas de juros, em que nos, poupadores reles, ficamos com a menor - a da poupança. Como os juros vem caindo ladeira abaixo, é preciso mexer nas leis e regras para adequar a segmentação financeira mutiladora do esforço legitimo de poupança, onde o que é bom é só para os mesmos. Se tem algo de bom nesse Banco Central, ninguém pode deixar de reconhecer, é o câmbio flutuante. Mas é engraçado ver os economistas tantãs correndo atrás do câmbio de equilíbrio. Ontem chiaram porque o câmbio subiu. Hoje estão preocupados porque o câmbio está caindo e ficam sem saber o por quê, mesmo com o fato óbvio da deflação mundial e juros internos nas nuvens. Um excelente passo, e o momento é esse, seria o de deixar o juros flutuar, simplesmente revogando todos os artifícios legais. Aí apareceria cristalino que o único instrumento capaz de combater a inflação é o controle da oferta de moeda. Isso é o mercado funcionando; não o mercado que os banqueiros brasileiros gostam e gerem, com cadeira cativa na direção do banco central. Para não perder a oportunidade, que se danem também os banqueiros!

11 comentários:

Anônimo disse...

By Delfim Neto:

“Veja que coisa fantástica, como é uma embricação extremamente delicada. Os informantes do Focus são do sistema bancário. Se você olhar todas as estimativas do Focus elas crescem milimetricamente. A estimativa de juros para o fim do ano, porém, teve uma função descontínua. Deu um pulo. Ou seja, o BC assusta o sistema bancário, este obedece ao BC e ajusta suas expectativas, mas antes o BC já havia obedecido ao sistema bancário que demandou juros mais elevados. É uma corrente da felicidade em que o ‘presunto’ é o Tesouro Nacional, que é onde tudo desaba e faz crescer a dívida interna”.

Anônimo disse...

O Marco tem razão. Às favas essa conversa mole de demanda por moeda instável. Nesse caso, a melhor arma - talvez a única - para combater a inflação é o controle da oferta de moeda. clap! clap! clap!

Anônimo disse...

Cadê os Keynesianos? Cadê os práticos do Banco Central e do Tesouro?

Anônimo disse...

Acho que o prof. Marco Aurélio, além do f...-se para o BACEN, também mandou um para o ponto parágrafo. O cara escreve um texto deste tamanho sem nenhum parágrafo e ainda quer que algúem leia.

Anônimo disse...

Respondendo ao imbecil anônimo. O parágrafo é uma restrição que o próprio progrma faz aos comentários. Um foda-se pra você.
Marco B

Anônimo disse...

Acadêmicos de plantão, vocês deveriam conhecer melhor como funcionam os mercados financeiros antes de escrever essas asneiras. Desse post não dá pra aproveitar nem o título...

Lamentável! Só faltou um: "Fora FMI, fora FHC, calote na dívida, e viva o PSTU!"

Anônimo disse...

Para o outro anônimo imbecil. Tenha competência para criticar pontualmente. A sua incompreensão política é lastimável, pois não sabe que todos que citou, inclusive você, são da mesma laia.
Marco B

Anônimo disse...

O Prof. Marco, o prof. Edilson e muitos outros analistas e o próprio Adolfo sofrem recorrentemente de uma perseguição infantil. Para demonstrar isso, considero os comentários acima. Ambos os anônimos expressam apenas o seu rancor e, portanto, não conseguem argumentar legitimamente. O primeiro faz considerações apenas de estilo. O outro cita, como prova de que doido não é ele, o conhecimento do mercado, na esperança de que a palavra mercado seja um mantra salvador de tudo, sem saber que o mercado financeiro brasileiro é todo regulado de forma arbitrária. Ainda bem que a seção é do foda-se, pois é o que merecem aqueles que não sabem argumentar em bases sólidas.
Pedro

Anônimo disse...

O malucão do comentarista anônimno fala em falta de conhecimento do mercado financeiro. Oh bestalhão, o que fizeram no tal do mercado financeiro nessa crise: doação de grana para banqueiro. Em que mundo tu vive maluco!

Anônimo disse...

Caro Adolfo,

Espero que você não deixe o nível do seu blog cair em definitivo. Seria uma pena se ele se tornasse simplesmente um canal de transmissão das frustrações das pessoas e não mais um espaço onde cada um possa ter sua opinião sem ser xingado por isso.

Abraço,

Rogê.

Anônimo disse...

O espaço é do foda-se. Só o utilizei literalmente porque os que me criticaram de forma canalha não se identificaram. Prefiro o xingamento do que a descontrução imbecil do tipo :você não sabe nada e deveria conhecer o mínimo sobre o mercado financeiro, não sabe pontuar, etc.Não tenho a pretensão de ser o dono de verdade alguma, mas não apareceu uma crítica interessante. Claro, os elogios sempre são sempre bem aceitos. De qualquer forma, agora, Adolfo, tal qual se faz com os ratos, já sei como descobrir os que se escondem no anonimato e deitam pichação tosca.
um abraço
marco b

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