segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Moeda Privada

Por que agentes privados não podem emitir sua própria moeda? Por que devemos dar ao Estado o monopólio desse mercado? Interessante notar que enquanto os monopólios são geralmente combatidos e vistos com desconfiança, o monopólio do governo sobre a emissão de moeda não é sequer contestado.

Por que o Banco Itaú não pode emitir sua própria moeda, por exemplo, o “itauzinho”? Onde estariam os ganhos do Itaú com essa moeda? De cara o Itaú ganharia com o spread cobrado em seus empréstimos em sua moeda. Quanto maior sua capacidade em convencer os outros da estabilidade de sua moeda, maiores os ganhos associados. Não só o Itaú, mas todos os bancos, financeiras, empresas e até pessoas físicas poderiam emitir sua própria moeda. Por que não permitir isso? Desde que as pessoas sejam livres para escolherem as moedas que preferem transacionar não há mal algum nisso. Pelo contrário, mal existe em obrigar todos os agentes da economia a aceitarem a mesma moeda.

Devemos lembrar que essa proposta não é tão revolucionária: hoje temos várias moedas competindo entre si, a diferença é que são todas emitidas por Estados: dólar, libra, euro, pesos, reais, são exemplos de moedas que competem entre si. Por que não permitir que agentes privados participem desse mercado? Alguns especialistas dizem que isso geraria confusão. Não acredito neste argumento por um motivo simples: eu já fui ao Paraguai. Vá até uma loja no Paraguai e você verá a infinidade de moedas que competem entre si na mesma loja, isso não me parece afetar a eficiência do sistema. O mesmo argumento vale para Duty Free em aeroportos internacionais.

A rigor já existem moedas privadas no Brasil. Por exemplo, vários restaurantes self-service devolvem uma notinha para clientes que pagam com ticket refeição. Nesta notinha lê-se: “Vale 2 reais” ou ainda “Vale 1,46 reais”. Este é um exemplo simples de moeda privada. O self-service está emitindo uma moeda que tem validade para uso naquele restaurante ou entre pessoas que confiem que podem usar essa nota para pagamentos naquele restaurante. Se isso é válido para um self-service, por que não permitir que outras empresas façam o mesmo?

Com mais competição entre moedas o spread bancário (diferença entre a taxa de juros que os bancos tomam emprestado e emprestam) seria reduzido. Com mais competição entre moedas a chance do governo usar de seu poder monopolista para gerar inflação seria reduzida e mais estabilidade teríamos em nossa economia. Mais estabilidade monetária, menores spreads, mais opções para o consumidor, esses são benefícios diretos que a moeda emitida por agentes privados pode gerar. Outros benefícios que não podem ser descobertos agora podem surgir, para tanto devemos apenas dar uma chance para que agentes privados emitam suas próprias moedas.

21 comentários:

Ton disse...

Está é uma proposta interessante que gostaria de ver funcionar. Hayek já defendia a desestatização da moeda uma vez que considerava como um dos grandes males do capitalismo.

Augusto Araújo disse...

Adolfo, acho q há um porém que dificulta isso: a confiabilidade ou solidez de quem emite a moeda

Suponhamos que um desses bancos vá a falência, quem irá garantir que os proprietários dessa moeda privada não tenham prejuízos imensos?

E se surgirem golpistas que emitam moeda pra depois simular falência?

Só quero dizer que não sou contra essa emissão privada de moeda. Acho q foi Hayek q tb pregou isso como forma de tirar o monopólio do estado que sempre tem o poder de causar inflação.

Mas como é uma idéia q nunca foi posta em prática acho q geraria as desconfianças q mencionei acima

Abraços

Anônimo disse...

No passado já existiu moeda privada e várias crises de confiança levaram ao monopólio estatal. Como sabemos depois que estado tomou o monopólio da moeda nunca mais se soube de crises de confiança na economia...

Mandou bem Adolfo.

Abraço,

Roberto

Anônimo disse...

Adolfo,

A existência da mooeda (pública ou privada) resulta da resposta à seguinte pergunta: "Se eu aceitar essa nota hoje, amanhã você a aceitará de volta?" Isto é, a moeda é resultado de uma acordo social. Nesse contexto, não há qualquer inconveniente em a moeda ser pública ou privada.

Pelo que sei, monopólio dos governos na cunhagem de moeda (depois emissão de notas) vem do surgimento dos estados nacionais, com o financiamento das guerras. Antes disso, muitos senhores feudais tinham sua própria moeda. Logo, o monopólio estatal da emissão de moeda é uma imposição do... ESTADO.

Anita disse...

Gostei, Prof. Adolfo!

Acho,que devemos sim, perguntar "Por que não?" mesmo quando na prática ainda não temos certeza de como se desenrolar tudo. (faço referência ao comentário do nosso amigo Augusto)

Concordo com o Anônimo acima que o monopólio atual é uma imposição do Estado. De imposição em imposição se vai longe... infelizmente.

Reproduzi o texto no blog do Millenium, ok?

http://www.imil.org.br/category/blog/

carlasousa disse...

Adolfo

posso colocar seu livro na internet? Disponível no Google?

carlasousa disse...

Adolfo

posso colocar seu livro na internet? Disponível no Google?

Anônimo disse...

E como fica a Teoria Quantitativa da Moeda nesse mundo? Se a moeda for privada, quem vai controlar a inflação?

Anônimo disse...

eita carla, quero o livro tbm.
mas então... tem uma questão de direitos autorais... mas há quem ache que a informação deva atingir o máximo de pessoas possíves, e disponibilizá-lo seria excente para esse papel ser cumprido. Don't u think teacher?

AFS Comitê Brasília disse...

Acredito que seria uma oportunidade restrita a empresas ou grupos corporativistas que demonstrem estabilidade para a população! Se não, de que vale comprar uma moeda que não tem credibilidade? Mas pelo lado de consumidor, acredito que seria muito interessante a concorrencia.
Grande abraço

Pedro disse...

afetaria a moeda como meio de pagamento, pois teriamos que carregar um montão de moedas diferentes, pois não saberíamos se a ou b aceita a moeda x ou y.
Afetaria como unidade monetária de valor.
Afetaria custos de transação e custos de "menu".
SEI NÃO....

Anônimo disse...

"E como fica a Teoria Quantitativa da Moeda nesse mundo? Se a moeda for privada, quem vai controlar a inflação?"

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Anônimo,

Em um mundo com moeda privada, a inflação esperada seria próxima de zero ou zero, pois as diversas moedas competiriam de modo a manter o poder de compra constante.

Mariz disse...

Olá, Professor!
Tudo bem? Como tem passado?

Preciso do seu e-mail, professor. Não acha uma boa disponibilizá-lo no blog? Pode criar uma conta só pra isso. :)

Abraços,
Mariz

Mariz disse...

Meu e-mail:

mariz.neto@hotmail.com

Marco Bittencourt disse...

Boa pergunta. Claro, não se trata de um assunto novo. Hayek já tinha defendido esta posição. A minha resposta precária seria simples e direta: vão nos roubar, porque banqueiro todos sabemos são uns gatunos profissionais e poderosos. Claro, a argumentação contrária seria a de que o mercado eliminaria esse banqueiro gatuno. Em tese, aceito a argumentação. Mas o ponto importante é que as pessoas tomam essa premissa de banqueiro ladrão como séria e possível. Por isso, exigem garantias. No padrão ouro a garantia era o próprio ouro. No paraguai a garantia é a implícita nas moedas que circulam: dólar, real e outras que tenham mercado e sejam aceitas amplamente. Mas vá você, meu amigo, emitir a sua moeda -sachisidex e verás o que acontece. Lhe adianto, logo: uma boa surra dos irmanos paraguitos e dos chineses que comandam o mercado por lá. Bacana ainda foram algumas respostas. Gostei das do Augusto e do anônimo que respondeu ao outro anônimo que indagava sobre como ficaria a TQM e quem iria controlar a inflação.

GAbiRu disse...

e se a moeda for privada, quem vai CAUSAR a inflação?

Anônimo disse...

Com todo respeito, essa me parece uma idéia sem pé nem cabeça.

Há grande documentação na literatura de história sobre esse tipo de "experimento" monetário. Você está focando nos possíveis benefícios e ignorando completamente a lista (imensa) de desvantagens (por exemplo, a contaminação inflacionária entre as moedas "boas" e "ruins", as distorções no sistema de preço que isso criaria, os impactos na distribuição regional do comércio, etc, etc, etc). Um numerario universal com CURSO FORÇADO dá na verdade uma enorme fluidez e transparência para as transações.

Permitir emissão privada de moeda é um retorno aos tempos medievais em norme de uma liberdade individual de benefício coletivo duvidoso (não é sequer neutro).

Austríaco disse...

Eu sou fã do Hayek. Acho que essa idéia no país A, no livro do Mankiw ou na economia de Robson Crusoé é fantástica, genial. Eu realmente acredito que o mercado selecionaria as melhores moedas, manteria o poder de compra razoavelmente constante, etc. Lógico, isso a custa da perda de muita gente. Numa espécie de expectativa adapatativa Friedmaniana. Mas não conheço quem, em sã consciência, acharia razoável essa proposta pro Brasil, pros EUA ou pra UE.

Dentre os problemas, o maior é a assimetria de informação. Os "poderosos" saberiam mais do futuro de uma moeda do que o "povo". Mas, no fundo, já é assim. Não foi a toa que o Sarney tirou 3 milhões de reais do banco santos antes dele quebrar.

wesley Teles disse...

Bom, a priori, a idia é excelente, mas é necessário lembrarmos que nó vivemos em um estado intervencionista, destinado a assegurar o bem-estar e a harmonia social. Num Estado onde a carateristica principal é o monopílio da emissão de moeda,é mais difícil do que se imagina implantar uma política liberal econômica, pois no âmbito jurídico em qual moeda seria tributado os impostos? será que acarretaria transtornos ou até mesmo instabilidade econômica para o Estado?
NA MINHA CONCEPÇÃO, PARA SER REALMENTE EFETIVADA A DESCONCENTRAÇÃO DA EMISSÃO DE MOEDA DO PODER ESTATAL, COM A POSSIBILIDADE DO SETOR PRIVADO EMITIR MOEDA, É ALGO MUITO COMPLEXO QUE IMPRESCÍDE DE MUITOS ESTUDOS DE VIABILIDADE E QUE GARANTA A FUNÇÃO PRECÍPUA DO ESTADO: O BEM COMUM... O MELHOR PARA O POVO DEVE SER FEITO.
ABRAÇO.
WESLEY TELES - UCB/DIREITO

Luana Pâmela disse...

Apesar de eu ter pouco conhecimento na área,eu seria favorável à emissão de moeda privada pelo seguinte motivo: aumentaria a concorrência, logo seria ótimo para o mercado, e vou usar a frase que nos ensinou na primeira aula:"Toda vez que conjunto de opções A englobar opções do conjunto B, não tem como ficar pior". Se traz beneficios econômicos imediatos e a longo prazo também, porque não?

Luana Pâmela
Direito / UCB - MATUTINO.

Anônimo disse...

Tenho duas dúvidas:
Como ficariam as pessoas se grandes banqueiros que emitissem suas próprias moedas formassem cartel para diminuir a concorrência e manipular juros e o mercado?
E se uma grande instituição emissora como um banco global encontrar-se em séria dificuldades financeiras, poderia inflacionar sua moeda para sanar problemas?

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