domingo, 13 de setembro de 2009

A Escolha Brasileira pelos Aviões Franceses

Não deixa de ser irônico que o governo brasileiro tenha escolhido comprar aviões de combate de um país que, desde o advento da aviação de guerra, nunca venceu um conflito armado. Mas dos males o menor, melhor comprar caças franceses do que tentar produzí-los internamente. Aliás, esse é o ponto do acordo que mais me preocupa: transferência de tecnologia. Na ausência de transferência de tecnologia o Brasil seria obrigado a continuar comprando caças de outros países. Isto é, estaríamos comprando caças melhores por um preço mais baixo. Já com transferência de tecnologia é bem capaz do Brasil, em alguns anos, tentar produzir esses aviões aqui mesmo. Ou seja, prejuízo e insegurança nacional na certa.

Não sou grande especialista em aeronaves de combate, mas gosto de assistir ao Discovery Channel. Lá o F-18 é figurinha carimbada, basta falar em aviões de combate e sempre aparece o F-18. A melhor e mais forte força aérea do mundo, a americana, usa os F-18. Em compensação nunca vi nem ouvi sinal do caça francês. O F-18 americano tem a maior vantagem possível: eles não transferem a tecnologia para o Brasil. Isso nos dá duas certezas: a) a tecnologia deve ser boa (só o governo brasileiro para acreditar que algum país do mundo transfere tecnologia militar que funcione para um país que apóia Chaves e diz que o Irã é um país democrático); e b) sem transferência de tecnologia não iremos gastar para desenvolver caças internamente.

Por fim, digno de nota é a aparente infindável paciência de determinado segmento das forças armadas brasileiras que é continuamente humilhada pelo governo Brasileiro. O governo pede um relatório para as forças armadas e toma sua decisão ANTES do relatório dos militares ficar pronto. Isso é uma afronta aos militares que trabalharam e gastaram tempo e recursos para decidir sobre a melhor opção, e sequer foram consultados na hora da decisão. Se era para escolher o caça francês, então por que pedir relatórios e humilhar as pessoas que trabalharam para dar o melhor de si ao país?

10 comentários:

Marcelo disse...

Adolfo,

perfeito, no meio militar é corrente a seguinte história: A França fornecia grande quantidade de equipamentos a Argentina, aviões mirage, super-etandar e os mortíferos mísseis exocets, que causaram perdas de navios aos Ingleses na guerra das Malvinas. Pois bem, por fazer parte da OTAN e não querendo ver um aliado em maus lençóis, os gauleses forneceram os códigos dos sistemas dos tais exocets, facilitando a vida dos Ingleses. Dá prá confiar num aliado desses? Como dizem os militares americanos;

Os tanques franceses têm 4 marchas, 1 para frente e 3 para trás!

Abs

Ginno disse...

Prezados,

Questões pessoais a frente das decisões da nação. No Brasil chamam isso de política, eu chamo de desonestidade. Não estão levando em consideração o interesse da nação por isso as forças armadas não foram consultadas. Só nos resta ficar aqui tentando advinha o que exatamente esta por traz de tal decisão.

Gino Guimaraes

marco bittencourt disse...

Nessa bagunça, duas coisas pra falar: o retrato da desordem orçmentária (Lei de responsabilidade fiscal é piada)e o enigma da transferência de tecnologia (cadê os engenheiros? Estão no setor público - Bacen - tesouro - ipea)

Raphael disse...

Caro Adolfo,

Não acredito que por serem 'franceses' sejam ruins. A França não venceu nenhum conflito armado, mas é uma das cinco forças armadas melhores preparadas do mundo; participa do segundo maior conglomerado do mundo em aviação, fabricante do AirBus; participante de peso na Agência Espacial Européia, sem falar que a sua Marinha é uma das três que operam em águas profundas.

Sobre os F-18, o contrato não incluia transferência de tecnologia, que, agora, os americanos, por meio de sua Embaixada em Brasília, afirmam que inclui. Contudo, não devemos esquecer que quando o Brasil quis vender Tucanos para a Venezuela, os EUA vetaram por conta de componentes americanos nos Tucanos Brasileiros. I. é: teremos verdadeira liberdade em vender e transacionar com o resto do mundo ao lançarmos (mais uma vez) de tecnologia americana?! Ou por meio da francesa, por mais defasada que o Sr aponta no post, não podemos desenvolvê-la e facilitarmos a criação de capital humano ao permitirmos que nossas escolas de engenharia militar possam 'desmontar e montar', como se fez no Japão pós-guerra?!

Suponho que finalmente, militares, diplomatas e o Presidente Lula conseguiram um acordo sensato.

José Carneiro da Cunha disse...

Prezado Marcelo,

Sobre a Guerra das Malvinas, os MBDA AM39 Exocets fizeram um ótimo serviço, seu índice de acerto foi igual ao esperado e anunciado pelo fabricante. Isso refuta a idéia de que os franceses repassaram códigos do míssil. Mesmo uma “gambiarra” com um MM38 funcionou bem e danificou o HMS Glamorgan. Vale lembrar que os AM 39 tiraram de serviço inclusive um Type 42, coisa bastante improvável de acontecer se a Marinha Real tivesse acesso a dados úteis dos mísseis para alimentar os sistemas de contra-medidas do navio.
Neste conflito específico, a única transferência de códigos com alguma comprovação diz respeito aos radares instalados no continente, de fabricação americana. O governo dos EUA repassou aos ingleses os códigos de desativação remota desses sistemas, mas a informação vazou e os argentinos adotaram uma tática de reiniciar sistematicamente os sistemas para evitar possíveis problemas.
Não há nenhum relato de pilotos de Super-Etandart ou Mirage, assim como de A4 (americano), sobre possíveis interferências incomuns causadas por guerra eletrônica, o que torna bastante frágil a idéia de que os ingleses tenham tido acesso a essas informações.

Sobre a questão da transferência de tecnologia, acredito que o grande ponto seja o acesso irrestrito aos códigos fonte dos sistemas e autorização para manipulá-los livremente. Esse é o grande ponto de resistência da transferência, a tecnologia das asas, trens de pouso etc é de quarta geração, os americanos estão preocupados com caças de quinta geração, muito diferentes (F35 e F22). Sem os CF o Brasil não poderá integrar seus armamentos aos aviões sem a cooperação do fabricante, em um contrato que poderá sair mais caro que o próprio avião. Além disso há sempre a vulnerabilidade que o conhecimento por parte de terceiros dos CF geram em cenários modernos de guerra eletrônica. Mesmo na compra dos 12 Mirages usados, os franceses liberarm parte dos códigos para integração de sistemas, os americanos não costumam fezer isso nem em grandes compras de caças novos.

Abs

José Carneiro

Chesterton disse...

Ou compra o pacote, ou faz como Israel, que comprou as "carcaças" que conseguiu encontrar e desenvolveu os sistemas por conta própria e hoje é exportador de tecnologia. No mais, o autor do post tem razão, a humilhação é grande. Transferência de tecnologia é a palavra mágica que ilude o incauto.

Daniel M. disse...

Adolfo, desculpe o comentário fora do assunto desse post.

Foi aprovada uma lei em SP que proíbe a venda de bananas por dúzia!!! Não, não é brincadeira.

É pra isso que serve essa P**** de governo, pra pôr fiscais na rua e regular a venda de bananas.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1305470-5605,00-A+PARTIR+DESTA+QUARTAFEIRA+BANANA+SO+PODE+SER+VENDIDA+POR+QUILO+EM+SP.html


Isso só faz provar que a interferência do Leviatã sobre as pessoas perdeu qualquer limite...

Reginaldo Macêdo de Almeida disse...

Eu até agora não entendi porque o EuroFighter foi desclassificado. Pelo menos em termos geopolíticos, um avião oriundo de um consórcio de Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália é muito mais seguro que apostar todas as fichas nos EUA, na França ou na Suécia.

Pedro disse...

Adolfo, vou meter minha colher nesse feijão.
o que ocorre é seguinte.
Tem 3 jatos com carcteriticas distintas:
Rafale, projetado pela França que saiu do consorcio Eurofighter. O jato do nivel do Euro Typhoon. O rafale pode ser considerado uma Mercedes Benz. So a França tem por que é caro, mas um puta dum caça.
O F-18, consagradissimo, tecnologia com escala por que tem muita venda. pua pra toda obra, pousa em no porta aviões Sao Paulo etc.. Case de sucesso. Pode ser considerado um "Gol".
Já o Gripen, um fusquinha, mas é baratinho, baixissima manutenção, custo de voo barato, pousa em rodovia, pousa em estrada de chão. pequenino versatil. Um fusquinha mesmo.

Pedro disse...

Bom continuando:
Rafale, caro, mas do nivel do Eurofighter Typhoon, nunca produzido pra outros paises sem ser a França.
Gripen, avião de pais pobre: Suecia já vendeu pra Africa do Sul, Tailandia, India, Rep.Checa, etc..
Só que nunca foi testado em batalha real.
F-18, mais do que aprovado.
So que:
EUA tem lei que proíbe suborno para vendas e licitações.
França, tem lei que permite DEDUZIR DO IMPOSTO DE RENDA, suborno em licitações. Por que será então que o Rafale ganhou do F-18?

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