quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Retorno do Ativo SEM Risco e o Estado Brasileiro

Em finanças é muito comum o uso de modelos ao estilo CAPM. Nesta tradição de modelos é adotado um ativo SEM risco para fazer parte da análise. De maneira geral esse ativo SEM risco não existe, mas adotam-se os títulos do governo como uma proxy razoável. Na prática os experts em finanças costumam assumir que os títulos do governo indexados a taxa selic não tem risco.

Olhando o comportamento de longo prazo do governo Brasileiro fico intrigado com essa questão. Afinal, calote do governo não é propriamente uma novidade por aqui. O exemplo mais óbvio são as infinitas mudanças unilaterais de contrato que o governo fez uso nos últimos anos no mercado de previdência pública. Outro exemplo recente foi o calote dado pelo Presidente Collor.

Vendo as notícias da semana noto que o governo acaba de se superar: agora ele quebra também contratos salariais. Sim, isso mesmo, o governo Brasileiro agora reduz unilateralmente contratos salariais de funcionários regularmente em atividade e aprovados em concurso público. Refiro-me ao intrigante caso da Universidade de Brasília. Os professores aprovados em concurso público visualizaram a oferta de salário, oferecida pelo Estado, no Diário Oficial da União. De posse dessa informação, muitos aceitaram a oferta de emprego e assumiram postos na UnB. Receberam seus salários de acordo com o que estava fixado, mas agora o Tribunal de Contas da União identificou um erro e o salário dos professores da UnB foi reduzido. Ou seja, o Estado ofereceu o salário X aos professores, estes concordaram com o salário X, o contrato foi assinado, determinando que os professores receberiam o salário X, os professores receberam o salário X por um período e agora, de maneira unilateral, o Estado rompeu esse contrato.

Muitas vezes argumenta-se que a taxa de juros no Brasil é alta demais. Alguns culpam a baixa elasticidade juros da inflação, outros culpam erros de política econômica. Na minha lista de culpados o principal deles é o Estado Brasileiro. De tantos calotes e quebras unilaterais de contrato geradas pelo governo, o mercado acaba exigindo um prêmio de risco que em nada se assemelha a um ativo SEM risco. Afinal, no Brasil, fazer negócios com o Estado costuma ser bem arriscado.

2 comentários:

Anônimo disse...

Pois é professor, será grande a redução, veja:

Confira o impacto nos salários dos docentes:

Professor títular I (representa 5% dos professores)
Antes da mudança: R$ 13.168,20
Perda para quem entrou na UnB até novembro de 2006:
R$ 1.911,02
Perda para quem entrou na UnB depois de novembro de 2006: R$ 2.721,39 (valor total da URP)

Professor associado I (representa 13% dos professores)
Antes da mudança: R$ 11.500,35
Perda para quem entrou na UnB até novembro de 2006:
R$ 1.658,18
Perda para quem entrou na UnB depois de novembro de 2006: R$ 2.376,71 (valor total da URP)

Professor adjunto I (representa 82% dos professores)
Antes da mudança: R$ 8.474,15
Perda para quem entrou na UnB até novembro de 2006:
R$ 1.147,28

Perda para quem entrou na UnB depois de novembro de 2006: R$ 1.751,30 (valor total da URP)"

mais: http://www.andes.org.br/imprensa/ultimas/contatoview.asp?key=6036

Marcos

Austríaco disse...

Eu acho incrível o TCU diminuir os salários dos professores da UnB, dizendo que estão prezando pelo dinheiro público.

Um servidor de nível médio ganha quase 6 mil de salário inicial. É aproximadamente o que vai ganhar um professor Adjunto (que estudou uns 12 anos a mais que o ensino médio).

"Casa de ferreiro, espeto de pau"

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email