segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Qual deve ser o preço do feijão?

O feijão é um alimento básico na dieta do brasileiro. Aumentos no preço do feijão tornam a refeição do brasileiro, principalmente os de baixa renda, mais cara. Por outro lado, quedas no preço do feijão desestimulam os produtores de feijão e os tornam mais propensos a mudarem de ramo de atividade, fazendo com que falte feijão na mesa do brasileiro no futuro. Por essas razões é fundamental sabermos qual é o preço correto do feijão. Preço esse que não deve ser muito caro, para não penalizarmos os pobres. Ao mesmo tempo não pode ser muito baixo para não desestimular os produtores de feijão.

Trabalhadores bem alimentados são mais produtivos. Crianças mais bem alimentadas são menos propensas a doenças e possuem desempenho escolar superior. Isto é, existem claras externalidades positivas associadas ao consumo do feijão. Dada a importância do feijão na dieta do brasileiro, e suas respectivas externalidades positivas, o preço do feijão deve ser controlado. O controle do preço do feijão evitaria que especuladores gananciosos enriquecessem a custa da população brasileira.

Evidentemente eu DISCORDO dos parágrafos acima. A melhor maneira de garantir o feijão na mesa do brasileiro é deixar seu preço flutuar. São as oscilações no preço do feijão que fornecem os incentivos corretos para sua produção e consumo. Tabelar ou fixar o preço do feijão é a receita certa para fazer o feijão desaparecer dos mercados. Isso foi exatamente o que ocorreu com a carne, durante o congelamento de preços posto em prática em 1986 durante o Plano Cruzado.

Mas o objetivo desse post é outro. Tentei mostrar que FIXAR preços é uma PÉSSIMA idéia. Contudo, é exatamente isso que o governo brasileiro vem tentando fazer no mercado de câmbio. Discussões acerca de qual é o preço correto da taxa de câmbio são equivalentes a tentar discutir qual deve ser o preço certo do feijão. Tal como no caso do feijão, fixar o preço do dólar é simplesmente a receita errada para o problema. Se o governo quer desvalorizar o real a receita é simples: basta abrir a economia brasileira para a competição internacional. A entrada de novos produtos importados aumentaria a demanda por dólares, desvalorizando o real e levando a um equilíbrio na balança comercial.

Taxar investimentos estrangeiros na bolsa de valores, com o objeitivo de desvalorizar o real, é mais uma medida errada do governo brasileiro.

6 comentários:

Bruno Aguiar disse...

Melhor que isso só a solução pro baixo preço do café de Vargas, queimar mais de 71 milhões de sacas de café, suficientes para garantir o consumo mundial do produto durante três anos.

Que ótima solução! Alguém por favor pode contar para ele a história da vidraça quebrada de Bastiat!

Ginno disse...

Enquanto isso nao acontece pagamos 25 mil em um fiat uno. :(

Anônimo disse...

Caro,

Creio que o Cochrane fez o argumento definitivo a respeito de controle de preços:

"Nobody knows what “fundamental” value is. If anyone could tell what the price of tomatoes should be, let alone the price of Microsoft stock, communism would have worked."

Abraço,

Roberto

Anônimo disse...

Mas, meu caro Adolfo, como protegeríamos a indústria nacional dos vampiros coloniais e neo-coloniais? Você não concorda a as riquezas nacionais (a indústria nacional dentre elas) devem ser protegidas, a qualquer custo? Apesar do sofrimento causado, no fim de tudo, o Brasil sairá maior da crise, mais respeitado no concerto das nações, não é mesmo? Foi assim na Coréia do Norte e foi assim naquele bastião da liberdade, chamada Cuba. E será assim no Brasil. É só esperar.

lelê disse...

Caros, o problema é que como abrir a economia para o mercado internacional se todos acham bonito, o dólar subir ( o que não significa problema) e ver a bolsa se desvalorizar. O importante é termos uma moeda forte, segundo o nosso ministro. Um importante jornal, UOL - finacial times, diz que é uma "política sábia": http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2009/10/22/analise-taxacao-modesta-sobre-capital-externo-e-politica-sabia.jhtm

O Brasil nunca teve tantas reservas, o que não quer dizer nada, perto de um bruta ataque especulativo! O governo tem medo de perder mais de 220 milhões dessas reservas. Intervir no câmbio é uma forma de fixar o câmbio e isso, a história diz que não é bom. Percebo que estamos tendo cada vez mais o braço do Estado na Economia.

Alessandra Santos

Diego disse...

Olha, eu não sei o preço do feijão. Nem da ação da microsoft e muito menos do dolar. Mas o que tem de pós keynesiano no departamento da UnB "calculando" a taxa de equilíbrio do dolar não é brincadeira.

Nem sei como eles "calculam" isso, já que eles não acreditam [sic] em econometria, nem em microeconomia, nem em finanças. Alias, no que esse povo acredita? (Além de que eles têm a interpretação correta do que Keynes quis dizer...)

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