sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Quem tem medo do MST? (post antigo)

No dia 23/10/2007 eu escrevi o post abaixo. Vale a pena ler. Mudou alguma coisa?
Imagine um dia você chegar no seu carro e descobrir que tem um ladrão nele. Você liga para a polícia e diz “tem um ladrão roubando meu carro”, a polícia responde “ok, vá a um juiz e peça um mandato de reintegração de posse. Depois que você conseguir isso, você nos avisa que nós iremos tentar recuperar seu carro na base do diálogo; vamos tentar uma desocupação pacífica do seu carro”, incrédulo você pergunta: “mas depois de tudo isso, você irá pelo menos prender o bandido?”. Resposta da polícia: “Não”.

Apesar de fictício para a maioria dos brasileiros, o diálogo acima é uma realidade no campo. Fazendo justiça com a polícia, isso não é sua culpa. É culpa sim do caos institucional que se abateu sobre o Brasil. As invasões de propriedades privadas promovidas pelo MST são motivo mais que suficiente para prender não só os líderes do movimento, mas TODOS que tomam parte em semelhante violação do direito de propriedade privada.

O mais curioso em tudo isso é que o MST tem o direito de INVADIR propriedades privadas, ROUBÁ-LAS, SEQUESTRAR ou MANTER EM CÁRCERE PRIVADO funcionários das fazendas, DANIFICAR propriedade alheia, AMEAÇAR DE MORTE os que tentam impedí-los e efetivamente MATAR os que se opõe a eles. É uma sequência infindável de crimes. Pergunto: por que não são presos? Por que não respondem a processo?

O irônico disso tudo é que tão logo um fazendeiro contrate seguranças para proteger sua propriedade aparecem críticas de todos os lados. Argumentos de que os fazendeiros estão levando a violência para o campo não param de aparecer em jornais. Pergunto: o que os fazendeiros estão fazendo de ilegal? Estão por acaso invadindo propriedade alheia? Estão por acaso atirando em pessoas que transitam pelas ruas? Resposta: os fazendeiros não estão fazendo absolutamente NADA de ilegal. Estão apenas tentando evitar que suas propriedades sejam saqueadas, será que isso agora é crime? Para os admiradores do MST crime NÃO É invadir e matar, para eles crime é tentar se defender. Como bom FASCISTAS que são, os defendores do MST não toleram a idéia de que cidadãos tentem se defender de movimentos TOTALITÁRIOS. Querem não só roubar nossa propriedade e nossas vidas, querem também que aceitemos isso sem nos defendermos.

O MST tem praticado vários crimes tipificados no Código Penal Brasileiro. Crimes que vão desde simples furtos até assassinato. Quando será que tal movimento será declarado ilegal? Opa já ia me esquecendo, esse movimento não possui registros oficiais. Por que será que um movimento que nem CNPJ possui recebe transferências do Estado (o que é ilegal)? Em resumo, o MST invade, rouba e mata. Qual é sua punição? Resposta: receba verbas do governo e também o direito a que parte de seus membros tenham acesso privilegiado a cursos superiores em determinadas universidade do país.

A pergunta que não quer calar: que o PT e o presidente da república apoiam o MST não é novidade, mas por que o PSDB e Fernando Henrique Cardoso fizeram o mesmo? Por que tantos partidos ditos de oposição apoiam um movimento nitidamente ilegal e violento? Afinal de contas, por que tanto medo do MST?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Uma homenagem aos meus amigos socialistas

Aqui segue uma homenagem aos meus amigos socialistas e comunistas.

Sim meus amigos. Sim, voces estao defendendo um mundo alternativo, um outro mundo eh possivel. Claro que eh.

A Infinita Benevolencia do Contribuinte Americano

O tempo passa, e os pacotes de ajuda do governo (fornecidos com dinheiro alheio) nao param de ganhar tamanho. O apetite do setor financeiro eh de longe o mais voraz. Interessante notar que quanto pior foi o comportamento deles no passado, melhor a ajuda que recebem. Tal como um pai que se orgulha de seus piores filhos, o Estado continua premiando os mais irresponsaveis.

Quanto mais dinheiro do contribuinte sera gasto ate alguem notar que esse tipo de ajuda esta errado? Por que punir o honesto contribuinte em prol de irresponsaveis? Trilhoes de dolares foram gastos, e nao deram resultado. Pobre do contribuinte, e das geracoes futuras, que terao que pagar essa conta.

O Brasil tambem tem anunciado seu pacote, eu vou fazer a minha parte e sugerir um pacote tambem: que tal o governo brasileiro diminuir o imposto de renda? Operacionalmente o procedimento eh bem simples, basta devolver R$ 1.000 para cada contribuinte. Que tal esse pacote? Ele pelo menos tem o merito de devolver o dinheiro para quem ja pagou muito mais, e em nada distorce os incentives futuros em relacao ao risco.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

14 + 13 = 27

Caros Amigos,

Acabei de receber a carta de aceitacao de meu artigo numero 27. Agora sao 14 artigos internacionais e outros 13 publicados em periodicos cientificos nacionais.

Esse artigo foi aceito na EMPIRICAL ECONOMICS, e trata sobre a relacao entre criminalidade e desigualdade de renda. Eu e meus co-autores (Mario Jorge Mendonca e Paulo Loureiro), como de habito, estaremos pagando a cerveja nessa semana.

Adolfo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O Papo Furado da EMBRAER

Essa historia da Embraer demitir 4.000 funcionarios eh papo furado!!!!! Esse truque acontece todo ano com as empresas automobilisticas. Elas anunciam demissoes enormes APENAS para pressionar o governo a aumentar seus subsidies. A Embraer esta usando o mesmo truque. Anunciar que vai demitir 4.000 funcionarios eh a maneira de dizer que se nao receberam mais subsidies irao demitir, e a culpa nao sera da empresa mas do governo.

Quando uma empresa PRECISA demitir ela demite, se ao inves de demitir ela anuncia que ira demitir eh porque esta esperando receber ajuda do governo. De repente a Embraer ate precisasse demitir algumas pessoas, mas se aproveitou da situacao para inflar o numero de demissoes e receber ajuda do governo. O truque funciona da seguinte maneira:
1) A Embraer precisa demitir 500 funcionarios.
2) Ao invest de demiti-los a Embraer anuncia que ira demitir 4.000
3) O governo intervem e aumenta os subsidios da Embraer
4) Ao final do processo a Embraer agradece os esforcos do governo e de todos os envolvidos. Diz que gracas ao governo a Embraer precisara demitir apenas 500 funcionarios (ao inves dos 4.000 anunciados).

Ou seja, no final a Embraer demitiu o mesmo numero de pessoas que iria demitir. So que agora recebeu uma ajuda do governo para aumentar seu lucro. Seus executivos receberao bonus maiores no final do ano as custas da generosidade do contribuinte brasileiro.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A punição aos bons pagadores

O princípio básico de qualquer bom sistema financeiro é recompensar os bons pagadores e punir os maus. Quando essa lógica se inverte é porque tem algo de muito errado acontecendo. O pacote de ajuda proposto pelo presidente Obama pune as pessoas, e empresas, que foram sensatas no passado, e premia àqueles que fizeram apostas baseadas no dinheiro alheio.

Depois de ajudar a bancos falidos e empresas ineficientes, chegou a vez de ajudar mutuários caloteiros. Nota-se aí uma linha mestra: só os picaretas recebem ajudam. Mas essa ajuda não cai do céu, se os maus pagadores estão sendo beneficiados então é porque os bons pagadores estão sendo prejudicados.

Vamos analisar duas famílias: a família A foi responsável, escolheu uma casa condizente com seu orçamento, fez um financiamento e esta pagando suas prestações em dia. Já a família B resolveu comprar uma casa muito superior as suas capacidades financeiras, resultado: esta inadimplente. O recente pacote de ajuda aos mutuários proposto por Obama premia a família B. Ou seja, a mensagem que se está passando aos americanos é para que se endividem muito acima de sua capacidade. Afinal, a ajuda do governo é destinada para os inadimplentes.

Em breve a taxa de mutuários americanos inadimplentes irá subir. Esse efeito não será decorrência da crise, será apenas a resposta dos mutuários aos incentivos dados pelo governo. O mesmo argumento vale para cartões de crédito: em breve a taxa de inadimplência de usuários de cartão de crédito também irá aumentar. Afinal, todos estarão ansiosos para terem suas dívidas privadas socializadas por todos os contribuintes.

Quando o governo pune as pessoas prudentes e que pagam seus débitos em dia, o estímulo a se tornar imprudente e inadimplente passa a crescer na sociedade. O aumento da inadimplência na sociedade americana, que irá ocorrer em breve, será mais o resultado da desastrada intervenção governamental que decorrente da crise atual.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Vitória de Chavez II

No dia 10/12/2007 eu escrevi o post “A Vitória de Chavez”. Na época a imprensa nacional celebrava a festa da democracia na Venezuela. Diziam que Chaves havia sido DERROTADO no plebiscito para continuar indefinidamente no poder. Pelo melhor de meu conhecimento, eu fui o ÚNICO blog a alertar que Chaves havia vencido, e não sido derrotado. Meu argumento era simples: ao não questionarmos a validade do plebiscito, como um meio legítmo para se permanecer indefinidamente no poder, estava sendo aberta uma brecha para um novo plebiscito no futuro. Não deu outra: o tempo passou, Chaves convocou outro plebiscito e agora venceu.

Democracia não é a vontade da maioria, a vontade da maioria é uma ditadura. Se a maioria tem liberdade para tudo realizar então vivemos numa sociedade ditatorial. Democracia implica em respeito aos direitos individuais, respeito ao estado de direito. Democracia implica que a maioria NÃO tem direito a tudo.

O que aconteceu com Chaves na Venezuela e com Morales na Bolívia é o que irá ocorrer no Brasil num futuro próximo. Em breve estaremos propondo plebiscitos para dar a Lula a chance de continuar no poder. O argumento será simples: essa é a vontade do povo. ERRADO: democracia não implica em realizar a vontade do povo, implica sim em respeitar a constituição. Plebiscitos não podem ser aceitos como maneiras legítmas de postergar o final do mandato de um governante. Isso é verdade para Lula, como era verdade para Fernando Henrique Cardoso.

Um plebiscito não é mais ou menos válido apenas porque concordamos com seu resultado. Chaves e Morales são ditadores que, tais como Hitler, foram eleitos pelo povo. Fernando Henrique Cardoso também usou do mesmo expediente; Lula sonha em fazer tal como fez FHC e estender sua permanência no poder. Tempos perigosos rondam nossa sociedade.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Entrevista para o Selva Brasilis

Nunca escondi que sou fã do Selva Brasilis, na minha opinião um dos melhores blogs da internet. Assim, foi com um grande prazer que recebi o convite para dar uma entrevista para ele.

Aqui segue minha entrevista que discorre sobre a crise econômica e o papel dos economistas.

Agradeço ao Selva Brasilis pela oportunidade, fico agora na expectativa de que ele tambem me concederá uma entrevista.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A verdadeira conversa entre Lula e Obama

Recebi um e-mail anônimo me revelando o verdadeiro teor da conversa telefônica entre os presidentes Lula e Obama. Transcrevo a mensagem abaixo.

Obama - Hello, this is the president of the United States, Barack Obama. Iwould like to talk to president Lula, please.

Lula - Puta merda, fudeu. Chama aquele barbudinho que parece um periquito.

Franklin Martins - O Celso Amorim?

Lula - Acho que é, são tantos ministros, puxa sacos... Deve ser esse mesmo.Chama o periquito porque tem alguém falando ingrês no telefone, porra. Eu sófalo brasileiro.

Obama - Lula, is that you?

Lula - Me Lula, sim. Posso te chamar de Barack? You, Barack? Me, Lula?

Obama - I beg your pardon?

Lula - Beque pardal? (para Franklin) Bota uma música de espera, porra,enquanto o periquito não vem. Você não seqüestrou um embaixador americano?Você não fala inglês, não, seu merda?

Franklin Martins - Não me dou com os imperialistas, mas eu mesmo posso fazera música. Sou comunicador (coloca a boca no telefone): "caminhando ecantando e..."

Lula - Canta outra, merda, você só sabe essa. Toda vez é a mesma, isso táficando um porre.

Franklin Martins - Mas o senhor gosta de porre, presidente!

Obama (para assessores) - I think I hear some voices... Lula?

Franklin Martins - (cantando) "apesar de você amanhã há de ...". (alguémentra) O Celso Amorim chegou, presidente. Ufa.

Lula - Porra, seu inútil, vem logo traduzir esta merda de conversa. Jápassou um tempão. Uns 10 minutos. Onde você tava, caralho?

Celso Amorim - Desculpa, presidente. É que eu nunca sei quando a tarefa éminha ou do Marco Aurélio.

Lula - Marco Aurélio... hum, é o ministro da Fazenda?

Celso Amorim - Não, da Fazenda é o Mantega. Marco Aurélio é aquele do top,top (faz o gesto). Tá lembrado, presidente?

Lula - Claro. Foi engraçado pra caralho. (começa a fazer o gesto top top).Hahaha. Se não fossem esses sanguesungas da imprensa...

Obama - My God. I have a million things to solve and they don't answer me.Hillary, can you help me here?

Lula - Começa a traduzir aí, periquito. Pergunta se ele quer conhecer anossa caninha 51.

Celso Amorim - Presidente, não acho que esta seria uma boa...

Lula - Pergunta, porra. Eu to mandando.

Celso Amorim - Good morning, president Obama. President Lula would like toask if you want to come and visit us to learn about our little sugarcanefifty one.

Obama - What?

Celso Amorim - Ele disse que adoraria.

Lula - Eu sabia! Esse negão não me engana! Pergunta quantas rodadas decaninha ele agüenta.

Celso Amorim - Rodada?

Lula - É, seu puxa saco. Vira-vira de cachaça, cada hora um. Rodada decaninha!

Celso Amorim - How many rounds of little sugarcane fifty one can you drink,Mr. President Obama?

Obama - Rounds of what? The only round I know is the Doha Round.

Celso Amorim - Ele disse que agüenta (cara de desespero)... o dobro de V.Exa.! Isso! Doha, dobro, é tudo a mesma coisa, presidente Lula.

Lula - Eu disse! Esse é o cara, mas ele não me ganha, não. (alguém abre aporta) Ô Marta Suplicy, vem aqui pra eu te apresentar o Obama!

Franklin Martins - (falando ao pé do ouvido do presidente) É a MarisaLetícia, sua esposa, presidente.

Lula - Caralho, toda hora eu faço essa confusão. Qualquer dia eu vou me sifu..

Obama (para Hillary Clinton) - Hillary, it was the craziest conversationsince I was elected. Being president is harder than I thought!Obama desliga o telefone.

Lula (para Franklin Martins) - Divulga uma nota aí, dessas pra jornalistacomprado, contando da minha conversa com o Obama, porra. É tarde, vou dormir..

Franklin Martins - E o que dizemos para a imprensa?

Lula - Inventa qualquer coisa, caceta, ou deixa cada uma inventar o quequiser. O que importa, porra, é saberem que o Obama me ligou.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A crise que não viria e que foi piorada pelo governo

Em breve as estatísticas brasileiras irão revelar o óbvio: o PIB do primeiro trimestre cresceu em relação ao mesmo período de 2008. O mesmo irá ocorrer em relação ao segundo e terceiro trimestres. Ao final do ano a economia brasileira terá crescido em torno de 3%. Isso independe de uma atuação do governo. Mas, ao final do ano, teremos que aguentar os defensores do gasto público dizendo que salvaram a economia.

Para a economia brasileira mais perigoso que a crise internacional são as recentes medidas anunciadas pelo governo. Os recentes anúncios de aumento do gasto público podem perfeitamente fazer estragos na economia. Ou seja, se o governo brasileiro ficasse calado e nada fizesse estaríamos a salvo. O problema é que o governo insiste em querer intervir na economia.

Quando a dívida do governo aumenta, cedo ou tarde serão necessários aumentos de impostos. As empresas e os indivíduos sabem disso. Resultado: o setor privado DIMINUI seu consumo para poder pagar o aumento futuro de impostos. Esse resultado chama-se Equivalência Ricardiana e foi proposto primeiramente por David Ricardo ainda no século XIX. Recentemente Robert Barro mostrou os requisitos teóricos necessários a ocorrência desse fenômeno. Apesar de parecer estranho, o fato é que a maior parte dos estudos empíricos não consegue refutar essa hipótese. Minha própria tese de doutoramento, que trata justamente desse tema, também não conseguiu rejeitar a ocorrência de Equivalência Ricardiana para a economia brasileira. Ou seja, o aumento da dívida pública no Brasil irá diminuir o consumo privado. É por esse fato que a reação do governo brasileiro à crise mundial não parece ser a mais adequada. Além disso, tal reação coloca em risco o próprio crescimento da economia brasileira.

Nos Estados Unidos muitos estão assustados pelo fato da crise ter se aprofundado. Clamam por uma ação mais decisiva do governo americano. Creio que no caso americano o remédio tem causado mais danos do que a doença. Os recorrentes anúncios de pacotes trilionários, para ajudar empresas falidas, faz com que os contribuintes temam pelo pior. Assim, eles se antecipam aos aumentos futuros de impostos, que serão necessários para pagar o aumento da dívida pública, e reduzem seu consumo. A redução no consumo privado faz a crise se aprofundar, mas esse efeito nada tem em comum com a origem da crise pois foi causado pelo governo. Em resumo, por mais paradoxal que pareça, quando o governo anuncia um pacote de gastos para ajudar a economia ele está piorando a situação. Afinal, os agentes antecipam os aumentos de impostos e reduzem seu consumo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

“Um homem deve conhecer seus limites” (Clint Eastwood)

É a cena final do filme; Clint Eastwood no papel de Dirty Harry está prestes a mandar o bandido pelos ares, mas antes diz “Um homem deve conhecer seus limites”... dois segundos depois já não há mais bandido vivo.

A frase acima deveria servir de guia para Timothy Geithner, Secretário do Tesouro Americano. Geithner, ainda na administração Bush, elaborou um plano de ajuda aos bancos para conter a criese financeira. Custo do pacote: 700 bilhões de dólares. Na época este blog alertou que tal pacote era puro desperdício de recursos. Agora na administração Obama, Geithner propõe outro pacote que ultrapassa 1 trilhão de dólares. Isto também não vai funcionar. O que Geithner irá propor depois?

Este blog já se posicionou no ano passado contrário à indicação de Timothy Franz Geithner para Secretário do Tesouro. Geithner não está no primeiro time dos economistas, seu grande mérito foi ter dado sorte de estar perto de pessoas que se tornaram importantes. Geithner é na economia o que Zagalo foi no futebol: um cara de sorte. Geithner é o 5% de erro estatístico.

Geithner não tem bala na agulha para ocupar a posição que ocupa, ele não conhece seus próprios limites. Sobrevive por causa de sua sorte e de sua lábia, mas isso vai acabar logo. O motivo é simples: o mercado, tal como Clint Eastwood, é implacável.

Para finalizar faço aqui uma aposta: em menos de 6 meses Geithner dirá que o pacote de 1 trilhão de dólares não foi suficiente, e que mais dinheiro (dos contribuintes) será necessário. Já estou até imaginando a próxima manchete: Pacote Americano é de 2 trilhões de dólares.... pobres contribuintes americanos, essa conta vai sair cara.

Taylor também concorda conosco

O professor da Universidade de Stanford também concorda com a opinião desse blog. Para Taylor:

My research shows that government actions and interventions -- not any inherent failure or instability of the private economy -- caused, prolonged and dramatically worsened the crisis. ...

Traduzindo:

Minha pesquisa mostra que as ações e intervenções do governo - não uma falha ou instabilidade no setor privado da economia - causaram, prolongaram e dramaticamente pioraram a crise...

Essa dica veio do Incentives Matter.

O Caminho das Índias

A Globo acertou na mosca: nada melhor do que exibir uma novela em parte baseada na Índia para fazer o Brasil parecer um paraíso. A Índia é um país que tem muito o que ensinar ao mundo: foi lá que se começaram as políticas de ação afirmativa (tipo cotas para raças); a Índia também é um dos países do mundo com o maior número de Doutores. Se o mundo aprendesse com a Índia abandonaria tanto a idéia de políticas de ação afirmativa como também o mito de que educação resolve todos os problemas. Mas se nem a Índia aprende com seu próprio exemplo, por que esperar que o mundo faça isso?

Na novela da Globo Toni Ramos representa um indiano, com sotaque turco, que é pai de alguns filhos com sotaques paulista, e casado com uma mulher sem sotaque algum. Como se vê reina a democracia. Juliana Paes mostra que anos de samba a impossibilitaram a qualquer outro tipo de dança, em especial àquela que ela tenta dançar na novela. Tem espaço para todo tipo de erro na novela. Mas enfim, essa é a consequência de um ambiente de falta de competição. Falta competição na televisão brasileira, e isso se reflete na baixa qualidade de nossos programas. A qualidade das novelas brasileiras caiu tanto que até para as mexicanas perderam espaço. E cá entre nós, perder espaço para Tiquititas e Rosa Cruz é dureza.

O Brasil se orgulha de pertencer ao grupo dos BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. Quando um país se orgulha de pertencer a um grupo de países pobres, com pouca liberdade, e onde o crime e a corrupção imperam é porque a noção do absurdo já desapareceu há muito tempo. “O Caminho das Índias” veio em boa hora, nada melhor do que a visão do inferno para tornar o purgatório um lugar agradável.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pergunta do final de semana:

Inaugurando a secao "Pergunta do final de semana" formulamos uma das perguntas mais dificeis a serem respondidas sobre as proximas eleicoes presidenciais:

Pergunta) Existe algo pior do que a dobradinha Dilma x Serra disputando o segundo turno em 2010?

Resposta Obvia 1) SIM, Dilma x Serra disputando o primeiro turno em 2010.

Resposta Obvia 2) SIM, termos Lula x Serra em 2010.

Resposta Obvia 3) SIM, termos Dilma e Serra na mesma chapa em 2010.

Vamos la leitor, participe e mande sua resposta.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Robert Barro concorda conosco

Robert Barro, professor de economia de Harvard, diz o que pensa do pacote de estimulo fiscal proposto pela equipe de Obama:

"This is probably the worst bill that has been put forward since the 1930s. I don't know what to say. I mean it's wasting a tremendous amount of money. It has some simplistic theory that I don't think will work, so I don't think the expenditure stuff is going to have the intended effect. I don't think it will expand the economy. And the tax cutting isn't really geared toward incentives. It's not really geared to lowering tax rates; it's more along the lines of throwing money at people. On both sides I think it's garbage. So in terms of balance between the two it doesn't really matter that much".

Traduzindo:

"Este eh provavelmente o pior pacote proposto desde 1930. Nao sei o que dizer. Eh um tremendo desperdicio de dinheiro....." e por ai vai.

Este blog vem alertando sobre isso faz tempo. Mas o pior mesmo eh saber que o governo brasileiro tambem vai embarcar nesssa furada de aumentar os gastos publicos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tom Cruise x Benicio Del Toro

Os intelectuais gostam de Benicio Del Toro. Os intelectuais não gostam de Tom Cruise.

Para os intelectuais Tom Cruise é superficial, faz filmes estúpidos e sem conteúdo. Tom Cruise acaba de estrelar um filme sobre a tentativa de assassinato a Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Durante uma entrevista sobre o filme Tom Cruise diz: “Eu sempre odiei Hitler, sempre odiei os nazistas”.

Para os intelectuais Benicio Del Toro é um cara profundo, faz filmes profundos sobre a realidade social. Benicio Del Toro acaba de estrelar um filme onde ele interpreta Che Guevara. Durante várias entrevistas sobre o filme Benicio Del Toro tece vários elogios a Che Guevara. Perguntam a ele se tem conhecimento das execuções sumárias realizadas por Che Guevara, com seu ar de intelectual Del Toro apenas diz “eles eram terroristas”. A entrevistadora alerta Del Toro que 90% dos presos executados tinham como único crime o de criticar o governo, Del Toro se limita a dizer que não sabia disso.... nenhum pedido de desculpa, nenhuma retratação.

Acho que tem algo de muito errado com os intelectuais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Gasto Público em Infra-Estrutura

Várias vozes têm se manifestado em favor do aumento dos gastos públicos em infra-estrutura. Para eles uma melhora na infra-estrutura pode aumentar a produtividade total da economia e impulsionar o crescimento econômico. Por exemplo, uma melhora na qualidade das estradas pode facilitar o transporte de cargas e baretear o custo de transporte. Dessa maneira, se o governo aumentasse seus gastos com a manutenção de estradas estaria também estimulando a economia.

Infelizmente, em economia, as coisas nunca são tão simples. Devemos lembrar que o aumento dos gastos públicos, mesmo que em infra-estrutura, implicam numa redução do montante de recursos disponíveis ao setor privado. Isto é, menos dinheiro para as pessoas e para as empresas. Alguns irão argumentar que o gasto público em infra-estrutura tem um efeito dinâmico, ou seja, irá aumentar a quantidade de recursos futuros disponíveis na economia. Infelizmente as coisas não são tão simples assim. Afinal, sempre poderemos argumentar que o setor privado poderia realizar os mesmos gastos, mas de maneira mais eficiente. Pior, não basta ao setor público ser tão eficiente quanto o setor privado, ele necessita ser mais eficiente. O motivo é simples: o gasto do governo é financiado, cedo ou tarde, por impostos. E os impostos afetam negativamente a produtividade de toda a economia. Assim, aumentar os gastos do governo implica que, cedo ou tarde, os impostos terão que aumentar, e isso prejudica a eficiência de toda a sociedade. Dessa maneira, o investimento do governo precisa ser mais eficiente que o investimento privado (para compensar a perda de eficiência gerada pelo aumento dos impostos). Alguém acredita que a eficiência do governo seja tão alta?

Existe ainda um outro sério problema relacionado ao gasto público em infra-estrutura. Quem garante que o governo está investindo no local correto? Quando o governo melhora a infra-estrutura de determinado local, ele está artificialmente tornando tal localidade mais atrativa ao investimento privado. Ou seja, está tornando viáveis investimentos que antes não seriam realizados. Este custo implica que sempre que o governo cortar tais subsídios (pois este é o nome do investimento público) ele estará condenando todos os investimentos que em tais localidades foram feitos. Com isso, fica evidente que aquele gasto original do governo nunca será transitório. Pior, os subsídios para aquela região irão sempre aumentar com o argumento de proteger o desenvolvimento da região. Querem um exemplo disso? Olhem para Manaus.

Eu desconfio muito de investimentos públicos em infra-estrutura: se eles fossem tão bons o próprio setor privado já os teria realizado. Se o governo é necessário é porque existe alguma coisa mal explicada. Com o tempo, o investimento público em infra-estrutura torna viáveis regiões (e indústrias) que de outro modo nunca teriam prosperado. O custo de se manter tais regiões (e indústrias) aumenta com o tempo, colocando em risco todo o bem estar da sociedade. Se é para o governo gastar, fico com a sugestão de Homer Simpsom: que o governo mande o Tesouro pagar cerveja pra todo mundo. No dia seguinte o máximo que teremos é uma ressaca.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Por que o spread bancário no Brasil é tão alto?

O spread é a diferença entre a taxa de juros que o banco paga para receber recursos e a taxa que ele recebe por seus empréstimos. Por exemplo, se você colocar 1.000 reais numa aplicação financeira receberá algo em torno de 1% ao mês de rendimento. Contudo, se ao invés disso você precisar tomar emprestado 1.000 reais do banco irá pagar por esse empréstimo algo em torno de 7% ao mês. Essa diferença entre taxas é o que chamamos de spread. Em nenhum lugar do mundo o spread bancário é tão alto quanto no Brasil.

Existem pelo menos 3 argumentos para explicar o porque do spread bancário brasileiro ser tão alto. Em primeiro lugar a legislação brasileira protege demais o devedor. Quanto maiores forem a proteção aos devedores, mais difícil aos credores é recuperar uma dívida. Assim, o risco do empréstimo aumenta, o que afeta diretamente o spread. Em segundo lugar vários tributos incidem sobre a atividade financeira, nada mais natural que parte desses tributos sejam repassados aos consumidores por meio do spread. Em terceiro lugar a atividade bancária brasileira é extremamente concentrada. Com pouca competição os bancos conseguem cobrar mais por seus serviços.

De maneira simples, o spread bancário no Brasil é alto por causa de uma legislação inadequada em conjunto com um ambiente pouco competitivo. Os acontecimentos recentes no setor bancário com a fusão entre grandes bancos só tende a agravar esse quadro. Dessa maneira, é difícil de entender a atitude do governo brasileiro que parece celebrar a união entre bancos, e consequente redução da competição.

A redução do spread bancário passa necessariamente por uma mudança na legislação brasileira. Mas também é necessário aumentar a competição entre bancos. Contudo, devemos entender que o aumento da regulação bancária implica na redução da competição. Ambientes muito regulados costumam não raras vezes exigir garantias e procedimentos que só podem ser fornecidas por grandes corporações, afastando as pequenas empresas e diminuindo a competição. Dessa maneira, a crescente demanda de determinados setores por um aumento da regulação do setor financeiro irá inevitavelmente aumentar os spreads.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Árvore que Dava Dinheiro

Quando estava no colégio, mais precisamente na 7ª série, li um livro chamado “A Árvore que Dava Dinheiro”. Não lembro o nome do autor, mas em sua sabedoria ele finalizava o livro dizendo que aquilo não poderia dar certo. Afinal, com árvores dando dinheiro o valor deste cairia rapidamente. Em pouco tempo a inflação reduzia o valor do dinheiro, gerado pelo árvore, à nada.

Governos ao redor do mundo deveriam ler esse livro. Deveriam entender que caso se comportem como árvores que dão dinheiro o resultado não pode ser muito melhor que no livro. Estados Unidos, Europa, e por todo lugar o discurso é o mesmo: o governo deve aumentar seus gastos para evitar a crise. Mas se os principais países do mundo aumentarem seus gastos de onde virá o dinheiro? Simplesmente, dado que a produção ao redor do mundo ainda é a mesma, não é possível que todos gastem mais. A única maneira dos governos gastarem mais é forçando os indivíduos a gastarem menos.

No ambiente atual, um aumento no gasto público implica necessariamente que os indivíduos e empresas ao redor do mundo gastem menos. Exatamente por que isso é bom? Da próxima vez que você ouvir alguém pedindo por um aumento do gasto público lembre-se que isso implica em menos dinheiro no seu bolso, isso implica em menos dinheiro para as empresas investirem, implica que cada vez mais você dependerá dos favores do governo, e cada vez menos de seu próprio esforço e habilidade.

O gasto do governo é muito parecido com a árvore que dava dinheiro: no começo pode até parecer bom negócio, mas lembre-se: árvore que dá dinheiro não existe.

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