terça-feira, 23 de junho de 2009

Os custos do fumante para o sistema público de saúde

Como eu já havia alertado, segue uma pesquisa publicada no New England Journal of Medicine, mostrando que os custos dos fumantes pararem de fumar AUMENTAM os gastos públicos com saúsde.

Aqui segue outro artigo questionando o resultado anterior.

Aqui um estudo que mostra que obesidade é um problema muito mais sério que fumo. E aí, devemos proibir as pessoas de comerem bacon também?

Se alguém quiser o livro de introdução a economia que lida de maneira mais facil com esse assunto basta me enviar um e-mail: sachsida@hotmail.com

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Estado Grande ou Estado Forte?

Esse texto foi gentilmente enviado pelo Professor Emanuel Kohlscheen, que é professor de economia na Universidade de Warwick (Reino Unido) e coordenador do curso de Economia, Política e Relações Internacionais.


O setor público brasileiro atualmente gasta o equivalente a quase 40% de todos os bens e serviços que são produzidos no país. A arrecadação tributária situa-se em torno de 37% do PIB. Comparações dessas estatísticas com outros países têm virado praxe. Observadores "pró-mercado", defensores do Estado pequeno, argumentam que a carga tributária brasileira é muito alta se comparada aos 17% do PIB no caso do Chile, 18% na Índia ou mesmo aos 28% no caso dos Estados Unidos. Já os comentaristas "anti-mercado", que defendem o Estado grande, apontam que a carga tributária da Dinamarca e da Suécia é de 50% do PIB. Essas estatísticas e comparações no entanto escondem uma realidade mais complexa.

É preciso lembrar, antes de mais nada, que - principalmente no caso de países em desenvolvimento - esse indicador esconde a carga tributária real para aqueles que, como bons cidadãos, efetivamente pagam seus impostos. No Brasil, esse problema se acentuou com a inclusão do setor informal no cálculo do PIB. Como o setor informal não paga impostos por definição, e parte do setor formal sonega, a carga tributária sentida pelo empresariado brasileiro que realmente paga impostos é ainda maior. Se considerarmos que no Brasil em torno de 25% dos impostos devidos não são pagos (Instituto Brasileiro de Pesquisas Tributárias, 2009), a carga tributária para aqueles que pagam os seus impostos religiosamente já é de fato igual a 50% da produção.

Além de termos um sistema tributário pesado e complexo, é sabido que o uso da receita tributária reduz a concentração de renda muito pouco - ao contrário do que ocorre em países de bem-estar social desenvolvidos (OECD Latin American Economic Outlook 2009). Nesse contexto, pode-se afirmar que o Estado brasileiro é grande. No entanto, a solução não está necessariamente em diminuí-lo: o que o país precisa é de uma reforma tributária que simplifique o sistema de impostos combinada com um redirecionamento dos gastos públicos.

Os obstáculos às reformas necessárias são obviamente imensos, e vêm em parte da própria Constituição Federal. Com o bem intencionado intuito de reduzir desigualdades regionais, o artigo 159 de nossa carta Magna estabelece que 48% da receita de impostos sobre a renda e sobre produtos industrializados (IR e IPI) sejam transferidos aos estados, municípios e bancos regionais de desenvolvimento. Na prática, o governo central atualmente tem que transferir o equivalente a 18% de sua receita total a essas outras esferas de governo. Em função disso, precisa aumentar a arrecadação em R$ 1,21 para financiar cada real adicional que gasta.

Ao receber uma parcela praticamente fixa das receitas federais, os estados e municípios efetivamente se transformaram em sócios do Estado grande - independentemente da qualidade dos serviços prestados por este. O orçamento grande tem muitos sócios. Se até recentemente o principal vilão dos gastos públicos federais era a taxa de juros real fora de compasso, ultimamente fatores como a folha de pagamento do serviço público têm adquirido maior peso. Aqueles que esperavam que a redução dos juros abriria espaço para reduções na taxação viram suas expectativas frustradas mais uma vez. Reduções de despesas numa ponta são rapidamente anuladas por novas despesas em outra. A verdade é que, quando governantes falam de estímulo fiscal, eles tipicamente se referem a remendos e medidas pontuais como isenções ou compensações tributárias e não à redução de taxas de impostos.

A economia política do artigo 159 da Constituição pode explicar parte deste aparente viés gastador do Estado brasileiro. Basta observar que, para metade dos estados da federação, somente a participação direta nas receitas da União representa mais de 30% de suas receitas totais. No caso do Amapá e Roraima, 65%. Além disso, a regra do artigo 159 da Constituição também cria incentivos para que o governo federal recorra menos ao IR e ao IPI como principal fonte de arrecadação e gradualmente se utilize mais de impostos que são mais distorsivos e prejudiciais à atividade econômica.

O resultado dessa participação obrigatória de estados e municípios nas receitas da União é que a reforma fiscal ampla de que necessitamos urgentemente é muito difícil de ser aprovada nas câmaras legislativas. Deputados e senadores precisam ser persuadidos a votar contra os interesses financeiros dos governos de seus estados e municípios, e possivelmente contra as suas próprias aspirações políticas, para o bem maior do país. Muitos deputados e senadores são do mesmo partido do governador (em parte devido a eleições concomitantes), e almejam eles mesmos ocupar esse cargo no futuro. Esse é apenas um entre dos fatores que levam o Brasil a ter um Estado grande. Os 250 artigos de nossa Constituição concederam espaço suficiente para outras fontes de um viés gastador. Mas a regra do artigo 159 é provavelmente a principal raiz da "cultura do Estado grande".

O mecanismo constitucional de repartição de impostos, quando foi criado, visava a diminuir as disparidades regionais. Para que se possa fazer progresso na redução da desigualdade como um todo, é imperativo que o governo federal faça bom uso do espaço criado pela redução dos juros, investindo em programas que beneficiam a camada mais pobre da população como um todo. Em contrapartida, deputados e senadores precisam olhar menos para os interesses individuais dos seus estados e mais para o bem da nação. A responsabilidade para promover esta mudança na cultura política é tanto do governo como dos partidos políticos com ambições nacionais. O amadurecimento do debate eventualmente vai requerer que se discuta menos o tamanho do Estado e mais a qualidade da saúde e da educação providos por este. Estado forte não é Estado grande mas Estado que cumpre bem os seus deveres para com seus cidadãos!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

OBama: O pesadelo não tem fim

Depois de dar superpoderes para uma agência federal (FDA) regular o comércio de tabaco, Obama ataca novamente. Agora quer uma super agência para regular o mercado financeiro.

Dentro das atribuições dessa super agência podemos destacar a preocupação estatal de decidir o que é melhor para o consumidor, para o governo proteger o consumidor significa regular o mercado. ERRADO. Regular o mercado DIMINUI a competição entre bancos, aumenta o poder dos grandes conglomerados financeiros e PIORA a situação do indivíduo comum.

O que a super agência e o governo ignoram é que existe APENAS UMA proteção efetiva ao indivíduo contra os grandes grupos financeiros: competição. Quanto mais competição houver no mercado bancário MENOR será o poder dos bancos e MAIOR será a proteção ao indivíduo.

Essa super agência proposta por OBAMA é o começo do pesadelo, ela será ineficaz para regular os bancos que quiserem assumir grandes riscos e irá aumentar o custo de operação dos bancos mais conservadores. Tal agência diminuirá a competição entre bancos, e o resultado disso será o aumento das taxas cobradas pelos bancos dos indivíduos.

Enfim, tal agência só servirá para uma única coisa: coordenar o movimento de ajuda federal aos bancos falidos na próxima crise. Afinal, quando o governo intervém tanto em determinado mercado fica evidente que ele irá socializar para o indivíduo comum os prejuízos futuros decorrentes dessa intervenção.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sessao Foda-se de Cinema: Dia dos Namorados

A leitora Aline Amaral gentilmente enviou esse post.

Foda-se ao Dia dos Namorados! O dia em si!

No dia dos namorados, existem apenas dois tipos de pessoas.. os com namorados e os com sem..

Venho relatar a minha visão: com ninguém!

Dias antes de tal data, todos os lugares são invadidos por um clima ultra mega romântico. Tudo vermelho, corações, corações e corações.. Te amo, te amo, te amo.. Arrrhhhh! Você decide ir em uma loja comprar o que for, primeiro: está super lotada, quando chega no caixa, “é para presente?” diz a funcionária, e embrulha em um papel vermelho cheio de coração, alguém falou que é para o namorado?

Comprar um cartão para colocar no presente, que por sinal, era para meu pai! Impossível! Só tem cartões de “Te amo”, “Você é o grande amor da minha vida”, e mais corações... Nas ruas só tem faixas e faixas: Cestas de café da manhã, buquê de flores... e mais corações..

No dia então... aff! Melhor ficar em casa e dormir, curtir a solidão sozinho. Porque se chama um amigo para sair, todos dizem que é namorado, se chama uma amiga, é namorada (lésbica, no meu caso). Arranjar alguém para a noite ser boa: missão impossível, na agenda do celular não tem ninguém sozinho. Tudo bem, vamos espantar a solidão: chama vários amigos solteiros e decide sair Não se encontra lugar vazio, todos os bares, lanchonetes, shopping estão entupidos por casais. Após horas, encontra um lugarzinho no final do bar, na mesa o que tem? Coração! A música? “Amor I Love you”. Olha para um lado, beijinho.. do outro.. beijinho.. E você? Acaba lembrando daquele ex-namorado, que deve nesta altura está tbm acompanhado, lembra de quando foram felizes, dá uma saudade, um aperto, depois de alguns goles de álcool, e o clima vermelho, você acaba chorando.. abraça seu amigo, que tbm está chorando, e o clima de “Amor Sertanejo” paira no ar.

Eu, como uma boa cristã, chego em casa, pego o Santo Antonio da mamãe, que por sinal é dia dele.. Coloco ele no congelador e digo que só sairá dali quando me der um namorado. Ano passado fiz a mesma coisa, não deu certo, porque tiraram o Santo de lá.

No outro dia, você acha que acabou! Abre o Orkut, o que tem? As fotos dos seus amigos do dia anterior... mais corações. As amigas do que falam? Dos presentes, dos corações...

Não agüentando mais corações e este clima, começo a lembrar que, não deveria estar assim, pois quando estava namorando, queria estar solteira. E que o peste do ex namorado, é ex por que não valia mais a pena. Lembro o quanto ter um namorado dá trabalho e gasta dinheiro, leva a falência tanto a mulher quanto o homem. Vou na geladeira, tiro o Santo de lá, tadinho, dizem que é santo casamenteiro, mas ele dava era pão e comida aos pobres. Deve ser por isso que não arrumo ninguém, to pedindo esmola.

E depois de tudo, resolvo sair, agora sem Corações e digo: Foda-se ao Dia dos Namorados.. que graças passou..

OBS: ano que vem, espero estar acompanhada.

Aline Amaral

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Nova Lei Anti-Tabaco Americana

Semana passada foi aprovada nos Estados Unidos nova lei anti-tabagismo que dá enormes poderes ao FDA (órgão que regula a liberação de alimentos e remédios nos Estados Unidos). Essa lei foi saudada como um enorme passo em direção a um mundo melhor pelos presidente americano. Essa lei concede enormes poderes ao FDA para proibir novos produtos associados ao tabaco, proibir propagandas e restringir o acesso da população ao cigarro.

Toda vez que alguém diminui seu direito de escolha, dizendo que isso é um passo para um mundo melhor, sugiro que você fique desconfiado. Com essa nova lei anti-tabaco não é diferente. No fundo essa lei é uma enorme garantia fornecida pelo Estado de que as marcas líderes (tipo malboro) vão manter indefinidamente sua posição. Na presença de competição os donos da Malboro precisam gastar com propaganda, precisam melhorar seu produto (tipo fornecer marcas light) e competir via preço com vários concorrentes. Com a nova lei anti-tabaco isso será desnecessário, pois o próprio governo (por meio do FDA) irá regular a competição, evitando assim que novas marcas de cigarro (mais baratas, ou de melhor qualidade) quebrem a hegemonia da marca líder.

Melhor do que ficar legislando sobre cigarro seria o Estado reconhecer o óbvio: uma pessoa com mais de 18 anos de idade pode se alistar no exército, pode carregar um fuzil, pode votar para presidente, pode dirigir um carro. Nada mais justo que essa pessoa possa escolher se quer ou não fumar, e não é função e nem direito do Estado intervir nessa decisão. Várias pessoas argumentam que quem fuma fica doente e isso pressiona o sistema público de saúde. MENTIRA. Dados americanos mostram que fumantes CUSTAM MENOS para o serviço de saúde pública do que não-fumantes. O motivo: fumantes morrem muito mais cedo e de doenças mais baratas do que não fumantes. Assim o fumante, além de pagar impostos altos pelo cigarro, também custa menos ao sistema público de saúde.

Por fim, o FDA tem poderes demais. Não é a toa que nosso grande amigo Fox Mulder, do seriado Arquivo X, costiumava associar o FDA a uma grande conspiração.... quando uma agência burocrática fique tão grande ela passa a ser disputada e comandada por grandes corporações, representando assim muito mais o interesse de tais corporações do que do pobre contribuinte e cidadão comum. No Brasil, o exemplo mais claro disso é a ANAC que por várias vezes impediu a REDUÇÃO de tarifas aéreas com o argumento de “preservar” a competição.... como se coubesse aos usuários, e não aos acionistas, arcar pela ineficiência de determinada companhia.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O País dos Fiscais

Quando um país tem mais gente fiscalizando do que trabalhando é porque tem algo de muito errado nesse lugar. Uma simples verificação a nível federal é suficiente para identificarmos fiscais do INSS, fiscais da receita, e por aí vai, fiscais é um produto que não se esgota no Brasil. Será que alguém já se lembrou de deixar o trabalhador e o empresário em paz? Será que o governo brasileiro já entendeu que quanto mais tempo um empresário se dedica a atender fiscais menos tempo ele se dedica a produzir?

Brasília, desnecessário dizer, é o paraíso dos fiscais. Aqui, além de todo tipo de fiscais existentes no resto do país temos também os fiscais para verificar tudo quanto é tipo de norma legal (que em Brasília são abundantes). O resultado disso é simples: Brasília é uma cidade cara. Afinal, alguém tem que pagar o preço por tanta fiscalização e por tanto desperdício de trabalho.

Domingo fui caminhar num parque, lá estava a fiscalização de Brasília fazendo mais um bem à comunidade: apreendeu todos os materias dos gananciosos vendedores de coco. Mais adiante lá estava a fiscalização novamente, dessa vez apreendendo o bolo de rolo de outro trabalhador que passou o dia no sol quente. Claro que a lei é para ser cumprida e é dever do fiscal fazer o seu melhor. Contudo, será mesmo que precisamos de tanta lei?

No começo do século XX Nova York era uma tremenda feira, havia vendendores espalhados pelas ruas e calçadas. Com o passar do tempo, e com o acúmulo de riquezas, foi sendo possível normatizar tal comércio e impor determinadas regras mínimas (não tão mínimas hoje em dia). Ao invés de adotar legislação similar a de países do primeiro mundo, no que se refere ao uso do solo urbano e sobre a necessidade de licenças comerciais, o Brasil deveria dar a sua população a chance de primeiro enriquecer pelo comércio. Legislações com muitas demandas afastam o pobre do caminho do empreendedorismo, diminuindo a competição e fortalecendo a concentração renda.

Melhor que dar esmola aos pobres é dar a eles a chance de terem seu próprio negócio, mas isso só pode ser feito diminuindo-se os requerimentos para a abertura de comércios e facilitando o uso do solo urbano. Além disso, a redução na legislação diminuiria a necessidade de existência de tantos fiscais, que assim poderiam arrumar trabalho produtivo e tornar a sociedade ainda mais rica.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sessao Foda-se de Cinema: Banco Central

Esse post foi gentilmente enviado pelo leitor Marco Aurélio Bittencourt.

Se tem uma instituição que nasceu para manter privilégios de poderosos, esta não pode ser outra que não o Banco Central. Ele nasceu para acalmar os ânimos animalescos dos banqueiros. Hoje, esse ânimo é incontrolável. Conseguiram dobrar até onde puderam um dos maiores economistas na área monetária - Milton Friedman. Todos que sabem o bê-á-bá de teoria monetária localizam em Friedman a cisão da política fiscal e monetária - uma pena, pois acabou ajudando mais aos seus inimigos do que às suas idéias políticas e agora pouco conseguimos ligar um orçamento a outro. Sabem também que ele adotou a proposição 100% Money - regime bancário não-fracionário. Magistralmente, estabeleceu que não adianta controlar a taxa de juros nominais - tese esquecida pelos keynesianos das metas inflacionárias. A única lição que os práticos em política econômica acatam é de que inflação é um fenômeno essencialmente monetário. Engraçado é que eles falam isso e aceitam a tal da inflação de custos. Vai lá saber por quê! Usam ainda a versão da curva de Phillips de Friedman que todos sabem, perdeu para a de Lucas. O fato é que os práticos ficam a falar nas expectativas como se elas estivessem operacionalmente nas cabeças das pessoas em que questionários alucinantes procurariam decifrar o comportamento errático que se concretizaria num futuro incerto - a questão fundamental das expectativas em Lucas é bem outra. Mas a turma keynesiana não se cansa e se faz de morta quando o assunto é alavancagem financeira que permite o roubo puro e simples da banqueirada gatuna. Imagino que, se Friedman estivesse vivenciando essa crise, já teria resgatado a velha tese de Fisher de 100% Money. Isso sem falar em sua crítica conhecida à dupla Black-Scholes que imaginaram ter descoberto a evolução dos preços das ações, criando esquemas derivativos mirabolantes. Ninguém pode bater o mercado, até porque se você soubesse o valor futuro de uma ação você contaria aos seus amigos? Só para os inimigos, imagino! Claro, Friedman também deveria colocar freios na farra derivativa, motor de uma alavancagem bancária destrambelhada que acabou, nessa crise atual, gerando uma montanha de moeda falsa. Contudo, o nosso Banco Central é mais alucinado do que qualquer outro no planeta. Sabe que a inflação "inercial" se justifica pela indexação de tarifas e preços e essa continua solta a sugar nossos orçamentos e se cala sobre isso. Faz até pior. Inventa que a taxa de juros tem que subir para conter as expectativas inflacionárias que todos sabemos de onde surgem as pressões e quem as efetiva. O fato é que de tanto falarem em demanda por moeda instável, hoje já não sabemos quase nada sobre suas elasticidades. Para piorar a nossa situação patrimonial, inventam que podem criar um indexador como a selic - o que só é possível quando o golpe é combinado com a turma do Tesouro que cria um titulo indexado à selic (essa turma do tesouro brasileiro também merece um bom dane-se - mas vou deixar pra outro berrar). Completando a bagunça, como o planejamento mequetrefe é uma prática dourada desde a ditadura militar, a segmentação financeira estabelece os parâmetros para a existência de diferentes taxas de juros, em que nos, poupadores reles, ficamos com a menor - a da poupança. Como os juros vem caindo ladeira abaixo, é preciso mexer nas leis e regras para adequar a segmentação financeira mutiladora do esforço legitimo de poupança, onde o que é bom é só para os mesmos. Se tem algo de bom nesse Banco Central, ninguém pode deixar de reconhecer, é o câmbio flutuante. Mas é engraçado ver os economistas tantãs correndo atrás do câmbio de equilíbrio. Ontem chiaram porque o câmbio subiu. Hoje estão preocupados porque o câmbio está caindo e ficam sem saber o por quê, mesmo com o fato óbvio da deflação mundial e juros internos nas nuvens. Um excelente passo, e o momento é esse, seria o de deixar o juros flutuar, simplesmente revogando todos os artifícios legais. Aí apareceria cristalino que o único instrumento capaz de combater a inflação é o controle da oferta de moeda. Isso é o mercado funcionando; não o mercado que os banqueiros brasileiros gostam e gerem, com cadeira cativa na direção do banco central. Para não perder a oportunidade, que se danem também os banqueiros!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Entrevista com o Professor Emilson Silva

O Professor Emilson Silva é um dos economistas brasileiros com maior sucesso nos Estados Unidos. Ele é Professor na Georgia Tech. Suas publicações são referência em várias áreas, e seus artigos são publicados em revistas de prestígio tais como o Journal of Political Economy e o Economic Journal.

1) A reacao do governo Obama para conter a crise economica eh adequada? Por que?

R)Creio que a reacao do governo Obama foi apropriada. Buscou reanimar o setor financeiro com medidas que evitaram um “estrangulamento” maior do credito. Entre as varias medidas acetadas, creio que a operacao que levou a compra dos “toxic assets” dos bancos foi a melhor. Logo depois disso senti pessoalmente que a situacao havia melhorado, pois comecei a receber ofertas de credito parecidas com aquelas que recebia antes da crise e que haviam desaparecido por uns seis meses. Consumidores e investidores ja parecem estar mais otimistas quanto ao futuro da economia e parecem ja fazer coro com o Bernanke, que no inicio do ano afirmou que a economia americana sairia da crise ja no fim deste ano.

2) Voce concorda com a indicacao de Timothy Geither para o Tesouro? E a atuacao de Ben Bernanke, esta correta?

R) De inicio, nao achava correta a indicacao do Timothy para o Tesouro por causa do problema que ele tinha com o IRS. Mas, ele provou com o tempo que e a pessoa correta para a posicao. Ele e muito capacitado e entende bem o mercado financeiro. Creio que ele e respeitado por todos em Wall Street. Quanto ao Bernanke, acho que ele esta fazendo um papel impecavel. Creio que ele estava correto quando disse que a economia americana iria se recuperar ja no fim deste ano. Acho que ele ira ser reconhecido como um dos melhores administradores do FED, pois tomou medidas apropriadas no inicio e durante a pior crise da economia americana desde a Grande Depressao.

3) Existe muita discussao acerca do aquecimento global. Voce acredita que o Protocolo de Kyoto eh uma resposta adequada? Na sua opiniao, os Estados Unidos deveriam assinar o Protocolo de Kyoto?

R) Primeiramente, acho que o problema de aquecimento global e um dos maiores problemas que enfrentamos e que enfrentaremos nas proximas decadas. Pesquisas recentes demonstram que fenonemos climaticos localizados, como furacoes, ciclones, seca e chuvas intensas sao correlacionados com o aquecimento global. O Protocolo de Quito deve ser considerado um marco. Ele propoe a criacao de um mercado global de emissoes de gas carbonico, transferencias de recursos monetarios e de tecnologia de paises ricos a outros paises e a inclusao de paises emergentes e pobres atraves do mecanismo de desenvolvimento limpo. Esta combinacao de mecanismos parece ser ideal, pois pode criar os incentivos ideais para a “internalizacao” dos efeitos negativos das emissoes de gases de efeito estufa assim como compensar paises emergentes e pobres por suas participacoes no protocolo.

Ha, porem, muita dificuldade politica de se promover um protocolo que seja efetivo. Varios paises tem incentivos a ficarem de fora do protocolo, pois assim poderiam continuar poluindo como antes, ou ate aumentar suas poluicoes, como resposta as reducoes de poluicao de paises participantes – ou seja, adotarem a estrategia de caronistas. Por exemplo, tanto os EUA quanto a China teriam muito a ganhar, no curto prazo, se ficarem fora de um protocolo pos-Quioto e se as reducoes dos participantes do protocolo forem substanciais. Estas economias poderao manter vantagens comparativas em varios setores economicos por adotarem tecnologias tradicionais em vez de adotarem tecnologias limpas, pois estas ultimas sao muito custosas. Porem, estes paises irao “perder o trem” se ficarem de fora de um protocolo pos-Quioto, pois o retardamento da mudanca tecnologica ira lhes custar muito mais no medio e longo prazos. Caso o problema climatico se torne mais severo nas proximas decadas, a tecnologia limpa ira ser a mais eficiente. A escolha adequada de tecnologia nos proximos anos podera ser o fator decisivo no ranking de crescimento economico a partir de 2020.

4) O que voce acha das politicas de acao afirmativa, especificamente o estimulo a contratacao de negros e mulheres, levadas a cabo por varias Universidades Americanas?

R) Acho que o merito deve ser o fator principal em contratacoes no mercado do trabalho. Mantendo-se todos os outros fatores constantes, uma universidade assim como uma firma deve sempre contratar a pessoa mais qualificada para a posicao desejada. O problema, porem, e que os outros fatores nao sao constantes. Ainda encontramos tratamento diferenciados no mercado de trabalho por conta do sexo ou da raca do aplicante. Acho que na medida que os valores se modificam na sociedade como um todo, com um reconhecimento universal de que a pessoa mais qualificada deve ser contratada, as medidas que existem para proteger as minorias devem ser relaxadas. No caso ideal de nao discriminacao, nao deve haver nenhum tipo de politica de acao afirmativa. No caso nao ideal atual, deve se buscar um balanco entre eficiencia e equidade de oportunidades.

5) Como fazer para publicar nos melhores journals internacionais de economia?
R) Primeiramente, para alguem que nao faz parte de algum clube ou network de reputacao na profissao, e necessario: (i) ter uma boa ideia; e (ii) saber vender esta ideia, dentro dos padroes (modelos) reconhecidos pela profissao. Expor sua ideia em conferencias internacionais de grande reputacao e estabelecer contatos com lideres da area que voce atua tambem sao fatores que ajudam bastante. Porem, todos estes fatores podem ser insuficientes, pois os clubes de reputacao existem e prosperam porque eles mantem espaco prioritario nas melhores revistas. Dadas as dificuldades que encontramos em emplacar uma boa ideia nas melhores revistas, pode ser que se contarmos com a ajuda de um pai de santo da Bahia seja a melhor estrategia de ser bem sucedido!

A Concordata da General Motors

A General Motors pediu concordata. Os especialistas dizem que esse procedimento é capaz de salvar a empresa e prepará-la para o futuro. Tenho dúvidas sobre a opinião dos especialistas, creio que só existe uma única salvação para a GM: demitir todos os funcionários sindicalizados e contratar não sindicalizados no lugar. Não sei se isso será legalmente possível, mas sem isso não há esperança para a GM. Por piores que sejam os executivos da GM, e tenho dúvidas que eles sejam tão ruins como alguns pensam, o problema principal da empresa não é gerenciamento. O principal problema da GM, bem como de outras montadoras americanas, chama-se sindicato dos trabalhadores.

Os sindicatos de trabalhadores das montadoras conseguiu acordos absurdamente favoráveis no passado, quando a indústria automobilística americana não enfrentava a concorrência dos asiáticos e europeus. Hoje tais acordos trabalhistas impedem qualquer chance das montadoras americanas enfrentarem seus concorrentes internacionais. Enquanto tal acordo não for revisto não há concordata que salve a GM.

De uma perspectiva mais ampla creio que é o momento de revisar o Sherman Act. Sherman Act é o nome da lei que permite aos trabalhadores americanos se organizarem em sindicatos e realizarem a barganha salarial de maneira coletiva. Minha leitura é que o Sherman Act fere o princípio básico da concorrência. Afinal, esta lei legaliza para os trabalhadores o que é ilegal para as empresas: realizar acordos de preços para restringir a competição. Quando o sindicato se reúne com empresários para negociar salários, o sindicato está realizando um conluio dos trabalhadores. Ou seja, o sindicato impede que qualquer trabalhador sindicalizado venda sua oferta de trabalho abaixo de determinado preço. Isto é, os trabalhadores estão se reunindo para fixar preço e restringir a competição.

Quando empresas se reúnem para fixar preço e limitar a competição isso é crime, e os responsáveis são punidos com pesadas multas. Se os empresários não podem se reunir para fixar preços por que devemos dar aos trabalhadores este direito? Já imaginaram o sindicato das montadoras de automóveis se reunindo para determinar em conjunto o preço dos carros? Isso é claramente uma violação da lei que rege a competição no mercado. Tal comportamente é danoso para todos os consumidores de automóveis. Quando trabalhadores se reúnem para determinar em conjunto seu salário isso também restringe a competição e prejudica todos os consumidores do mercado.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sessão Foda-se de Cinema: SOGRAS que se acham esposas dos genros

Quero inaugurar a Sessão Foda-se com um enorme, gigantesco, estratosférico, FODA-SE para todas as sogras que se acham esposas de seus genros. Sogra você é esposa de seu marido, seu genro NÃO É seu marido. Seu genro é o marido de sua filha, então cuide de sua vida, cuide de seu marido, e deixe o marido de sua filha em paz.

Filha seu marido é seu marido, não é seu pai. Seu pai é o marido de sua mãe. Deixe as mágoas e frustrações de sua mãe para com seu pai para sua mãe e seu pai. Seu marido lhe trará frustrações suficientes ao longo da vida, você não precisa acrescentar à isso as frustrações que sua mãe tem de seu pai.

Sogra sua filha não é você e seu genro não é seu marido. Sua filha e seu genro não são você e seu marido. Os filhos de sua filha não são seus filhos, são seus netos. Não queira ensinar aos netos o que você não ensinou aos filhos. A obrigação de ensinar ao filho é do pai e da mãe, não é da avó. Sogra você dorme com seu marido, não dorme com seu genro. Você casou com seu marido, quem casou com seu genro foi sua filha. Assim, perturbe seu marido ele é quem tem a obrigação de te aguentar. Sogra não transfira suas mágoas para sua filha, dê uma chance para ela ser feliz pois quando você foi esposa, e não sogra, também almejou por essa chance.

Para TODAS as sogras que pensam que são esposas de seus genros, para TODAS as sogras que transferem suas mágoas e frustrações para o casamento de suas filhas, para TODAS as sogras que querem ensinar às filhas como estas devem destratar seus maridos, tenho apenas uma coisa a dizer: FODAM-SE TODAS.

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