domingo, 21 de fevereiro de 2010

Uma Lição de Economia no Shopping

Conversando com um amigo, ele me contou sobre a lição que sua namorada havia lhe aplicado na praça de alimentação do shopping. Após terem jantado, ele levava a bandeija suja de comida para o balcão, deixando assim a mesa livre para o próximo casal. Neste momento, sua namorada interveio e disse: “Nunca mais faça isso, se todos agirem dessa maneira em breve o shopping irá despedir vários funcionários que se encarregam da limpeza”.

O parágrafo acima ilustra a dificuldade de se entender economia. Essa dificuldade resulta sobretudo do fato de que os custos econômicos são quase sempre imediatos e visíveis, ao passo que os benefícios se concentram no longo prazo e são difíceis de serem distinguidos. A namorada de meu amigo estava correta, sim se todos limparem suas respectivas mesas não fará sentido ao shopping manter tantos funcionários no setor de limpeza. A consequência imediata disso é o desemprego de vários faxineiros do shopping. Contudo, o que a maioria das pessoas falha em compreender é que essa redução com o gasto em limpeza abre novas oportunidades de investimento para o shopping. Gastando menos com limpeza, sobram recursos adicionais para a gerência do shopping aumentar o gasto com segurança, promoções, ou ainda tal redução de custo pode ser repassada aos lojistas. Estes por sua vez teriam suas margens de lucro aumentada, o que os estimularia a investir mais e contratar mais funcionários.

As pessoas que perderam seu emprego, devido a um comportamento mais educado dos clientes da praça de alimentação, com o tempo encontrariam emprego em setores onde pudessem contribuir mais adequadamente, aumentando assim a produtividade geral de toda economia. Numa economia mais produtiva a riqueza aumenta, tornando melhor a vida das pessoas.

O mesmo ocorre quando uma nova tecnologia é adotada na economia. No primeiro momento, geralmente ocorre desemprego no setor que adotou a inovação, mas com o passar do tempo o aumento da produtividade da economia torna a situação muito melhor do que era antes. Dessa maneira, antes de jogar lixo no chão para preservar o emprego do lixeiro, ou então antes de ir contra uma inovação tecnológica para salvar alguns empregos, lembre-se que ir contra inovações, apesar de salvar alguns empregos no curto prazo, implica em punir toda a sociedade no longo prazo.

13 comentários:

Nilo disse...

Poderia ter falado também sobre os cobradores de ônibus, frentistas de postos de gasolina e dos ascensoristas de elevadores, já que esse assunto é proibido em nossa sociedade, pelo menos nas vezes que entrei nessas discussões, quase fui linchado pelos comunistas que não podem nem sonhar em ouvir opiniões contrárias!

Simone. disse...

Acabei de ler um capítulo do Hazlitt parecidíssimo com sua postagem. Õ0

Por mais que queiramos não podemos enxergar as coisas apenas com uma visão, ou se fará bem apenas a um conjunto da sociedade. Pq todos deverão ser beneficiados. né verdade? ou utilizando-me das próprias palavras dele:
‘A arte da economia está em considerar não só os efeitos imediatos de qlqr ato ou política, mas, tbm, os mais remotos; está em descobrir as conseqüências dessa política, ñ somente p um único grupo, mas p tds eles.’

Qto ao funcionário(a) da limpeza... quem sabe ele(a) não consiga um emprego melhor.

obs: Mas, então... vejo q a namorada do seu amigo é uma boa pessoa. Ultimamente, convivendo/lendo economistas, pensei q ñ existisse mais pessoas assim. (ah,tá! eu ñ resisti! =0P )[até diria q tenho um 'humor negro' se esse termo ñ fosse usado como uma expressão pejorativa pr'a palavra negro. E eu ñ permito esse tipo de coisa! E como diria Caetano: NEGRO É LINDO!! ]

Anônimo disse...

Eu escutei certa vez uma frase sobre os Economistas que dizia mais ou menos assim: "Quando um economista diz que o nível de desemprego é considerável, ele com certeza não está desempregado". Acontece que a Economia não está preocupada com um segmento em si, mas sim em todo o mercado, por isso acamos sendo vistos como "o lado negro da força", como os insensíveis que não estão nenhum um pouco preocupados com o desemprego de um pai de família (que trabalha no setor de limpezas de um shopping). E na verdade não estamos. Mas acontece que na teoria econômica onde o trabalhador demitido (no caso o do setor de limpeza), será realocado em outro segmento, é muito bela, chega a soar um tom poético, mas na prática não funciona bem assim. Até que esse trabalhador encontre um novo emprego ou se qualifique para assumir uma nova vaga em algum posto de trabalho aberto em virtude da redução do custo (gerado pela demissão ou por um avanço tecnológico) ele precisa se manter. Dai que ocorre os grandes problemas que pouco são citados pelas teorias econômicas. Alguém poderia melhor me explicar?

Lucas Santos

Pedro H. Albuquerque disse...

Caplan classifica exemplos como este como parte do chamado "viés do cabide de emprego" ("make-work bias"), ou seja, a tendência que não economistas (ou economistas que não sabem nada de economia) têm de acreditar que criar empregos é necessariamente positivo, quando na verdade muitos empregos contribuem negativamente para a sociedade. Bastiat por exemplo já havia explicado isso tudo faz quase 200 anos com sua "falácia da janela quebrada".

Basilio Muhate disse...

Adolfo

O problema provavelmente não seja esta cadeia toda que acaba de explicar, mas a sobrevivência imediata do trabalhador demitido.

Quem é que vai convencer os 10 trabalhardores demitidos por exemplo, que aquela medida é para o bem dos efeitos multiplicadores da inovação e que terão que esperar até ao longo prazo para encontrarem novos empregos dai resultantes ?

A Economia vence no longo prazo, mas a psicologia social perde, e os efeitos multiplicadores desta inovação não se reflectem nos mesmos indivíduos que eram garçons.

Um abraço
Basilio

Chutando a Lata disse...

Quem é verdadeiramente solidário é o mercado. Se essa tal de solidariedade for espontânea é muito bem vinda. Mas mudar o mundo a partir de ações isoladas me parece sempre uma desculpa.

Erik Figueiredo disse...

Que bela análise, Adolfo.
Abraços,

Anônimo disse...

Não acho que a atitude de jogar o lixo no seu local apropriado seja cortesia, mas sim o mínimo de educação que se pode esperar de uma pessoa. Isso que vc escreveu Adolfo não é novidade pra ninguém... Quantas pessoas já não escutaram algum amigo "idiota" dizer que joga lixo nas ruas para manter o emprego do lixeiro?! É por isso que somos o que somos!!!

lelê disse...

Caro Adolfo, dessa vez eu discordo. Pode ser que em um país utópico que você acredita isso até funcione, mas no Brasil não. Eu tiro por algumas pessoas que conheço que perderam o emprego pela tecnologia, vamos assim dizer, e não tiveram recuso disponível para se especializar. Outra coisa e quando o funcionário da limpeza tem por volta dos seus 50 anos, nunca trabalhou de outra coisa na vida, como fará para cumprir o resto dos anos que falta para receber a aposentadoria? Sem dinheiro e sem emprego.
Sou total a favor das inovações tecnológicas, mas sou totalmente contra a tudo que vai contra o ser humano. Se o Estado desse meios de qualidade de qualificações até que vai, mas como isso não acontece em nosso Brasil vou discordar de você. Mas gentileza sempre gera gentileza e isso não fará o funcionário perder o emprego, como disse o último anônimo: se for assim vou passar a ter o habito de jogar lixo nas ruas, para os lixeiros não perderem o emprego. E isso já acontece, imagina se a moda pega!

Alessandra Santos

Anônimo disse...

Continuacao de um post anterior:

Bronzeado clandestino: Proibição às câmaras de bronzeamento abre mercado paralelo da estética

http://delas.ig.com.br/bemestar/bronzeado+clandestino/n1237547667456.html

Alexandre Ywata disse...

Adolfo,

Como sempre, é muito agradável ler o seu blog. Como havia lhe comentado, estou lendo o Economista Clandestino: acho que você deveria pensar em escrever algo parecido no Brasil futuramente. Os textos do seu blog já podem ser um bom ponto de partida. Se conceitos básicos de economia fossem ensinados no segundo grau, teríamos um país bem diferente (e melhor). Parabéns!

Raquel disse...

Concordo com a colega Lelê que falou que em uma paíz utópico isso talvez possa funcionar!
Acredito que, pensando dessa forma, seria melhor criar habitos de jogar lixo na rua, afinal agindo assim estariamos garantindo o trabalho dos garis...

Abraços!!!
Raquel Harituze

Anônimo disse...

Adolfo, essa namorada é a sua, não é não? kkkkkkkkkk....brincadeirinha!
Concordo com o que vc falou. Pois a Economia vê o que é melhor numa determinada situação. As pessoas perderem o emprego é muito chato, no entanto para melhoria dos serviços prestados pelo shopping seria a situação mais adequada.

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