terça-feira, 9 de março de 2010

Discriminação e o Dia Internacional da Mulher

Segunda-feira foi o Dia Internacional da Mulher, na imprensa não faltaram notícias sobre a discriminação sofrida pelas mulheres. Quase todos os jornais estamparam a notícia, fornecida pelo IBGE, de que mulheres ganham ao redor de 75% do salário dos homens.

O fato da mulher ganhar menos do que o homem não é indicativo de discriminação contra a mulher. Mesmo que os estudos separem entre pessoas de mesma idade e de mesmo nível educacional, ainda assim o diferencial de salário a favor do homem pode indicar ao menos três coisas distintas de discriminação. Em primeiro lugar, suponha que a mulher seja mais eficiente do que o homem trabalhando em casa. Mas sendo ambos igualmente produtivos trabalhando fora de casa. Ou seja, a mulher é tão boa quanto o homem no mercado e melhor do que ele em casa. Neste cenário, a teoria das vantagens comparativas faria com que os empresários promovessem os homens (pois estes teriam um maior custo de oportunidade de sair da empresa). Ou seja, as promoções se concentrariam entre homens e isto nada tem de discriminatório por parte do empresário.

Em segundo lugar, devemos lembrar que é entre os 25 e 40 anos que se dá a maior evolução salarial (tanto para homens quanto para mulheres). Contudo, este também é o período em que boa parte das mulheres se ausenta do mercado de trabalho para ter filhos. Neste caso, o diferencial de salários em favor do homem estaria apenas refletindo o fato de que ele permaneceu no mercado de trabalho por mais tempo durante essa fase de aceleração salarial. Além disso, devemos lembrar que o salário atual depende de decisões passadas. Quando jovens, quantas mulheres estão realmente dispostas a cumprirem jornadas extensivas de trabalho (12 a 14 horas diárias)? O número de homens disposto a tal jornada é em muito superior ao de mulheres (seja porque a sociedade assim impõe, ou porque as mulheres dão mais valor a estabelecer uma família, ou qualquer que seja a explicação). Isto implica que o número de homens em posição de chefia deverá ser maior que o de mulheres e isso nada tem de discriminação.

Em terceiro lugar, o que importa para o empresário é o custo de contratação. O empresário iguala o custo de contratação do homem com o custo de contratação da mulher. Mas o salário é apenas uma parte desse custo de contratação. Dentro do custo de contratação devemos incluir também: a) o número de faltas decorrente de consultas médicas; b) o número de faltas decorrentes de se levar os filhos ao médico; c) custos associados a licença maternidade; d) custos de processo associados a denúncias de assédio sexual; e) outros. É evidente que os custos “a”, “b”, “c” e “d” sejam superiores ao se contratar uma mulher. Vamos supor que o item “e” não apresente diferenças entre homens e mulheres. Sendo assim, o salário do homem será maior que o da mulher e isso nada terá de discriminatório. Estará apenas refletindo o fato de que os custos associados a contratação de uma mulher são superiores ao de se contratar um homem, a diferença de salário em favor do homem estaria apenas refletindo esse fato. Dessa maneira, políticas públicas que aumentem os custos de contratação de mulheres (tal como a licença maternidade de seis meses) tendem a aumentar o diferencial de salários em favor do homem, e isso não é discriminação.

Talvez as mulheres sejam discriminadas, mas é importante lembrar que o que os estudos mostram é que existe um diferencial de salários não explicado em favor dos homens. Tal diferencial de salários é consistente com diversas teorias, sendo a discriminação apenas uma das várias explicações possíveis.

12 comentários:

lelê disse...

Caro, acho que a diferença já começa aí. Eu sou mulher você é homem! Desde que a mulherada jogou os sutiãs fora acha que vamos nos igual a vocês homens, só que isso NUNCA será possível totalmente. Nem que a mulher não tenha filhos e não cuide da casa ela já é diferente pelo simples fato de ser mulher, pois quando está nos dias menstruais isso afeta a produtividade, o humor, o emocional... uma série de coisas.E o homem ganha mais porque a genética, Deus o fez diferente...ou seja, ele não tem filhos, não menstrua todo mês, não anda de salto, não sente a dor do parto, não consegue dimensionar o amor de uma mãe...e por todas essas razões, nós mulheres somos o sexo forte!
Com relação ao salário ser inferior ao dos homens eu concordo com os motivos que você citou, mas merecemos ganhar bem dado o malabarismo que fazemos para sobreviver, cuidar da casa, do marido, dos filhos, e ainda manter-se bonita. Mas ninguém quer saber da nossa vida, o que interessa é a produtividade para o empresário!
Alessandra Santos

Augusto Freitas disse...

Analisando apenas o salário jamais poderá se dizer que há discriminação entre homens e mulheres. Os critérios de escolha são muitos, os pré-requisitos para vagas são muitos, o perfil dos empresários é diferente e, principalmente, os mercados são muitos.

Tome por exemplo o setor de moda. Compare o salário de modelos, homens e mulheres, e vai ver que o segundo grupo ganha bem mais que o primeiro. Opa, então os homens estão sendo descriminados! Os salários têm que ser equiparados! Não é esse o critério?

Ah, faça-me o favor! Vamos trabalhar que é melhor.

Anônimo disse...

Não há como negar que os custos de contratar uma mulher em idade fértil são maiores do que os de contratar um homem. Logo, como não dá para definir discriminação entre indivíduos diferentes (por serem diferentes) não dá para dizer que há discriminação salarial entre homens e mulheres. Excelente post.

Aline Amaral disse...

Concordo com a Alessandra, que mulher é o sexo forte! Tanto que todo homem de verdade necessita de uma mulher ao seu lado... detalhe: nao atras!

Não adianta! sempre o homem estará na frente. A meu ver, isto é fato! Pois somos sensíveis!
Eu nunca quis me igualar a um homem! E nem qro! Pois o prazer de ser mulher somente nós sabemos! E tudo na vida tem um custo, e aki o custo é o meu salário ser menor que o deles.

Hélder Alves de França disse...

Concordo com as colocações do professor.
Gostaria de citar também a situação descrita quando o assunto é esporte.
Diversas vezes aparecem pessoas falando sobre a diferença entre os salários de homens e mulheres esportistas. Devemos lembrar que o esporte também é uma forma de ganhar dinheiro de quem está por trás de tudo, e o que atrai a maior parte do público são as modalidades masculinas.
Então seria muito mais interessante para uma empresa, patrocinar uma competição masculina do que uma feminina. O retorno seria maior.

Anônimo disse...

Bem, eu detesto discordar do grupo que faço parte...
mas mulheres, esses argumentos que vcs citaram é que tornam os argumentos do Adolfo correto. menstruação, casa para cuidar, marido, filhos... As desculpas para discriminarem mulheres no mercado de trabalho podem ter lógica, mas a DISCRIMINAÇÃO ñ tem.
As razões são desculpas q não deveriam ser motivos p menores salários. Existem mulheres, no mercado de trabalho, que não possuem filhos, nem sequer querem ter, e tem uma jornada de trabalho longa, e, mesmo assim, continuam recebendo menos. Mas aí vão dizer, como foi dito, mas ela tem tensão pré-menstrual e o blábláblá de sempre. Meninas, menstruar é coisa do passado, não há problema, muito pelo contrário, em ñ fazer pausa no anticoncepcional, aliás, é recomendado para aquelas mulheres que querem ter filhos somente daqui a uns anos. (alguém aí já ouviu falar de Endometriose? Menstruar por muitos anos sem engravidar ñ é o recomendado. e mulher nenhuma precisa sofrer com cólica) Obvio que as mulheres são diferentes dos homens, cada um com suas especificidades, mas dizer que por causa disso devemos receber menos, para mim, ñ tem lógica alguma. A discriminação salarial continua apesar das mulheres serem tão capazes qto os homens. O mercado usa esses argumentos para continuar pagando menos a nós.

Adolfo, se para vc, as pesquisas indicarem que mesmo se os homens e as mulheres possuem o mesmo nível educacional, idade e capacidade e, ainda assim, as mulheres ganham menos não é discriminação... Deus do céu! A pesquisa mostra que há sim uma DISTINÇÃO e isso é discriminação! Entendo o que vc está querendo dizer, mas ñ quer dizer q ñ seja discriminação.

Eu não vou contra-argumentar sobre ter filhos, até pq somos grandinhos suficientes para saber que há um período para engravidar, e se a mulher quiser ter filhos ñ poderá adiar a gravidez por muito tempo. Mas isso é nato do ser humano, todos querem constituir família com filhos. Devemos pagar por sermos nós o gênero que engravida? É um discurso bem humano, mas tem que ser! E, aquelas que não querem ter filhos devem pagar por possuírem ovários?

Os chefes não vem que contratando mulheres o percentual de assedio irá diminuir, as mulheres trabalham melhor em equipe, são mais organizadas, tem maior percepção aos detalhes... há uma lista infinita dos prós para o salário ser igual ao dos homens...

alineanneviana disse...

Concordo que essa diferença salarial não seja uma questão discriminatória, mais sim esta associada aos custos adicionais, pois as mulheres tem prioridades diferentes dos homens, e se for feita uma pesquisa no mercado de trabalho pode-se perceber que cargos de chefia que são ocupados pelo sexo feminino, são geralmente de mulheres que não faltam muito ao trabalho, sem filhos ou até mesmo não-casadas etc. Enfim nós mulheres temos dupla jornada, então e natural optarmos por trabalhar menos.

lelê disse...

Caros,

O anônimo dois não sabe o que é anticoncepcional e nem sabe as reações que isso provoca no corpo de uma mulher, argumento totalmente machista. O argumento do professor Adolfo está correto no sentido de as razões citadas não serem motivos de discriminação e sim as leis ajudarem isso, ou seja, quem você empregaria uma mulher que pode ficar cinco meses de licença ou um homem? Você empregaria uma mulher grávida, mesmo sabendo que a produtividade dela pode ser excelente? Qual vai ter o maior custo para o empresário? Claro que sabemos trabalhar em grupo, tempos percepções aguçadas etc e tal...o nosso espaço no mercado de trabalho está crescendo, sim mas continuamos ganhando menos pelos motivos citados pelo professor Adolfo e isso não é discriminação. Podemos ser tão melhores que os homens, mas mesmo assim o nosso salário ainda é menor que o deles não pelo fato de haver discriminação, mas pelo fato de termos dupla jornada, ou seja, cuidar da casa, filhos, marido e etc. E o homem só tem uma jornada, muitos deles quando chegam em casa continuam trabalhando, vão direto para o computador sem dar atenção aos filhos e mulher, e depois não entendem porque o casamento acabou.
O IPEA divulgou um comunicado sobre a desigualdade de gênero no mercado e no emprego doméstico, que diz: apesar de ocuparem cada vez mais postos no mercado de trabalho, 86% das mulheres ainda são responsáveis pelos trabalhos em casa, enquanto os homens são 45%, segundo dados de 2008 do IBGE. A pesquisadora sugeriu uma licença paternidade maior e também licenças paternais que tanto mulheres quanto homens poderiam usar para resolver emergências dos filhos.
Eu finalizo com as palavras da coordenadora do estudo Natália Fortuna: "Se qualquer um pode tirar essa licença, na hora de escolher entre uma mulher ou um homem, a mulher não será mais discriminado, além de o pai ganhar mais tempo para a família". Se a leis forem iguais tanto para homem como para mulheres diminui os custo de se contratar mulheres e o nosso salário aumenta, mas mesmo assim ainda existirá diferença entre homens e mulheres.

Alessandra Santos

Anônimo disse...

Adolfo, parabéns por mais uma fantástica análise com fundamentação econômica. Vendo as críticas acaloradas de alguns comentários, lembrei-me do insight que tive hoje à tarde depois de ter mais uma conversa com uma pessoa completamente maluca e sem nenhuma chance de diálogo racional; obviamente, tomada de ideologia até o último fio de cabelo. Na verdade, todo o racional econômico não funciona com uma boa parte da população, porque todos nós acumulamos recalques ao longo da vida; alguns conseguem isolar esses recalques e fazer análises mais imparciais. No entanto, muitos de nós não consegue. É nessas horas que é mais fácil culpar, por exemplo, uma sociedade fantasiosamente discriminatória pelo nosso fracasso, do que a nossa real falta de talento para certas atividades. Nessa linha, podemos ouvir coisas do tipo: o meu colega foi promovido porque ele é sulista e eu sou nordestino; as pessoas estão criticando o meu artigo porque eu sou mulher (e não porque o artigo não tem pé nem cabeça); blá blá blá. Em todo caso, essas opiniões não podem ser descartadas, porque isso é a essência da democracia: o respeito as individualidades. O meu medo maior é quando os indivíduos que reclamam das fantasiosas (ou não) situações discriminatórias são os primeiros a apoiar a instauração de uma ditadura. A ditadura pode ser uma ótima maneira de alguns recalcados se vingarem daqueles conhecidos mais bem sucedidos. Afinal de contas, talento, esforço pessoal, educação, criatividade etc. perdem completamente o sentido num mundo Fideliano/Chaveziano. No entanto, os mesmos que estão apoiando a ditadura agora, podem vir a ter filhos esforçados, talentosos, estudiosos etc. (e que consigam fazer faculdades que não de sociologia/antropologia e outras picaretologias), que não terão oportunidades de serem felizes, e que podem acabar um dia morrendo numa greve de fome na cadeia (e serem comparados a presos comuns em um país vizinho). Portanto, peço àqueles que apóiam a ditadura comunista no Brasil que se lembrem que um dia o veneno pode se virar contra o feiticeiro.

Julianne disse...

Com certeza somos diferentes, ganhamos menos, temos jornada dupla ou até tripla, sofremos mais e etc. Mas não podemos nos esquecer que vivemos, infelizmente, em uma sociedade machista...Mas temos uma vantagem, aposentamos mais cedo...e nesse caso, será que os homens estão sendo discriminados???

Anônimo disse...

hum...
fiz um trabalho de escola que falava sobre isso,tou nem ai quero ganhar minha nota

Anônimo disse...

entrem no: http://girl-modas.blogspot.com

Google+ Followers

Share It

Follow by Email