terça-feira, 16 de março de 2010

A Gigantesca Incapacidade de Objetividade de Algumas Pessoas

Talvez seja culpa da língua portuguesa, talvez seja culpa de nossa herança lusitana, mas o fato é que uma parcela significativa de brasileiros é simplesmente incapaz de ser objetivo. Eu já participei de várias reuniões, e na grande maioria delas o resultado é o mesmo: perda estratosférica de tempo e de recursos para não se decidir nada.

A marca registrada da maioria das reuniões é a falta de objetividade de quem as conduz. Geralmente quem conduz as reuniões adora ouvir sua própria voz, assuntos que não tomariam mais de 15 minutos passam a durar quase três horas. Quando finalmente a pessoa desiste de falar, sempre existe outro amante do próprio discurso pronto para discursar sobre absolutamente nada por mais outra hora. Desnecessário dizer que no Brasil as reuniões costumam durar sempre mais de 1hora, mesmo que a reunião seja apenas para apresentar algum novo funcionário. Alias, a apresentação de funcionários sempre tem uma característica comum: quem mais fala é quem menos faz. O incompetente, o enrolador, o puxa-saco, sente uma compulsão para aproveitar qualquer reunião para impor a seus colegas 15 minutos de discurso absolutamente vazio, chato e pedante.

Sim, tenho certeza que todos os brasileiros sabem exatamente do que falo. Mas por algum motivo, nós toleramos esses absurdos e nos revoltamos com quem não aceita esse padrão. Por exemplo, certa vez durante um seminário um ouvinte interrompeu o palestrante e ao invés de fazer a pergunta fazia um discurso. Eu, como coordenador do seminário, disse que teríamos prazer em ouvir o seminário do rapaz outra dia, mas que no momento ele deveria fazer logo sua pergunta e permitir que o seminário continuasse. O mal estar foi geral, e ao invés de ficarem revoltados com o proselitismo do rapaz, fui repreendido por ser grosseiro.

No geral, um grande grupo de brasileiros é incapaz de formular uma pergunta, durante um seminário, em menos de 1 minuto. Precisa de mais de 15 minutos apenas para dizer o que faz, e facilmente fala por horas sobre assuntos que não se referem ao objeto da reunião. O custo de curto prazo desse proselitismo traduz-se em reuniões longas e improdutivas. No longo prazo, tal comportamento reduz o incentivo dos mais capazes de participarem de reuniões. Isso tem como consequência que muitas das decisões importantes serão tomadas por indivíduos menos capazes, mas que tem tempo de sobra a perder. Desnecessário dizer que tal tática de enrolação faz parte do manual dos comunistas para dominarem assembléias populares. Duvida de mim? Então vá a uma reunião da UNE, da UBES, de centro acadêmicos ou de DCE’s.

15 comentários:

Andriza disse...

A gigantesca incapacidade de objetividade de ALGUMAS pessoas???

Acredito que isso ocorra com grande parte da população. Quando se trata de argumentar as pessoas têm uma capacidade incrível de enrolar e dar voltas achando que estão indo bem, às vezes até usam palavras inadequadas por simplesmente serem bonitas ou diferentes. Penso que é uma questão de educação e cultura, onde deve ser chique falar muito e perder tempo, isso deve passar um ar de superioridade. Até quando a Educação de nosso país não vai ser uma prioridade? É preciso que a alfabetização não seja simplesmente para ganhar títulos e alterar números nos dados estatísticos, é de extrema importância saber ler e compreender o que está escrito, só assim é possível opinar, debater e até mesmo passar informações precisas e objetivas.

Anônimo disse...

Realmente, são poucas as pessoas que conseguem ser assertivas. A assertividade, às vezes, como vc mesmo exemplificou, pode parecer grosseria ou falta de conhecimento. Todo mundo gosta de fazer uma longa introdução. Eu ñ vejo mal algum se estiver dentro do contexto.

Entretanto, eu não poderia concordar com o post sem discordar dele, até porque, quem me conhece sabe que sou bem desse tipo, dou n voltas, falo demais, falo de inúmeras coisas para ilustrar o que desejo dizer, às vezes até me perco em tantas falas. Em outras palavras: sou prolixa, confesso! Mas tenho uma explicação de ser: sou amante do português, de grandes falas, de textos imensos, de falar com paixão... Discursos(falados ou escritos) pequenos nunca tem sentimento, pelo menos para mim. rs =0) )

Mas enfim, sei que bom mesmo é qdo vc consegue ser objetivo, principalmente, qdo se tratar de questões de trabalho, pois o objetivo da reunião ou da meta que deseja ser alcançada através da reunião acaba se perdendo em meio a tantas palavras.

Pedro H. Albuquerque disse...

Adolfo, parabéns, você descreveu com perfeição a baixíssima produtividade dos ambientes de trabalho no Brasil. A sua descrição é tão remarcável que chegou a me causar angústia...
O pior é que o brasileiro mediano não tem nenhuma noção do quão importante é o problema que você levantou.

Chutando a Lata disse...

Tá na moda consultoria sobre como fazer reunioes. Não me lembro do nome do especialista que deu uma entrevista no programa do Dória (acho que é este o nome do apresentador, tipo mauricinho). Gostei da entrevista. Quem souber do nome, informe para o Adolfo,

José Carneiro da Cunha disse...

Totalmente de acordo. Principalmente quanto ao final.
Sobre os que ficaram revoltados na palestra, algumas pessoas têm essa frescura, que eu chama de apoio à picaretagem. Quando chamamos algo pelo que nome apropriado, o sujeito fica ofendido, se diz injustiçado, crê que sua falta de vergonha deve ser tolerada e aplaudida.

abs

José Carneiro

Anônimo disse...

Lei de Old e Khan
A eficiência de uma reunião é inversamente proporcional ao número de participantes e ao tempo gasto nas deliberações.


Axioma de Guard
Uma reunião é um acontecimento em que os minutos se alongam e as horas se perdem.

(so site http://sweet.ua.pt/~pant29/)

Demetrio Carneiro disse...

Não sei não.
Acho que é melhor a gente fazer uma reunião para debater esse assunto...

Daniel M. disse...

Totalmente de acordo. No serviço público essa situação é 100 vezes pior. A seleção adversa é generalizada.

Simone. disse...

Já disse a Raposa:
'A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.'

rs

Chutando a Lata disse...

Eis o link para o especialista:
http://www.saiadolugar.com.br/2010/02/26/entrevista-com-christian-barbosa-especialista-em-gestao-de-tempo-e-aumento-de-produtividade-pessoal/

victor disse...

Eu concordo que a maioria das reuniões são totalmente improdutivas e que se alongam por tempo demais devido ao proselitismo.
Porém eu acredito que esse problema seja mundial e não só apenas brasileiro. O Tyler Cowen no seu livro "Discover your inner economist" descreve algumas táticas que podem ser usadas para aumentar a eficiencia de uma reunião.

Helder disse...

Outra prova dessa falta de objetividade pode ser tirada também de alguns simples diálogos.
Geralmente, a pessoa que transmite a informação acha que não é suficiente ser direto, e acaba dando voltas e voltas em torno do mesmo assunto.
Um "ótimo péssimo exemplo" desses longos diálogos podem ser vistos constantemente no reality Big Brother. A pessoa, sabendo que está sendo observada, repete diversas vezes a mesma coisa, tentando provar para todos que o que ela diz está correto.

Agulha3al disse...

Realmente reunião de chefe sem objetivo é o inferno!

Anônimo disse...

Grande Prof. Adolfo

Nossa isso é pura verdade não precisa ir em uma reunião de DCE, UNE, diretórios acadêmicos para observar esse fato. Participei ativamente do movimento estudantil e sempre falei sobre isso que o pessoal do poder (quase sempre ligado ao PT, PCB,PC do B, PSTU) ficavam enrolando nas reuniões, porém no outro dia muitos participantes tinham aula e gostavam de de ir as aulas (risos, contrário dos nossos amigos comuna)

Mas o que mais me surpreende e em encontros de economia, Anpec, Anpec Sul e outros como nossa classe é de "pavão" adoram dar um baita discurso e na hora da pergunta é uma coisa tão simples ou as vezes idiota.

Abração

Anderson Teixeira
Doutorando Economia UnB

Julianne disse...

Realmente existem pessoas que gostam de dar muitas voltas em algo que poderia ser muito mais simples de se explicar se fosse utilizada a objetividade. Tive a oportunidade de participar de algumas reuniões da Empresa Júnior e acredito que o grande problema é que as pessoas fogem muito do foco. Uma reunião que poderia ser feita em, no máximo, duas horas leva uma manhã inteira para ser realizada, pelo simples fato de as pessoas quererem mostrar discursos bonitos que no fundo não levam a nada. Com a objetividade aproveitaríamos muito mais o tempo, que atualmente é um recurso muito escasso.

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