segunda-feira, 8 de março de 2010

Uma Crítica Construtiva a Reinaldo Azevedo

Gosto muito de ler os textos de Reinaldo Azevedo. Contudo, vejo neles uma tremenda diferença de qualidade entre os seus textos políticos e os de fundo econômico. Quase sempre concordo com a argumentação de Azevedo em seus textos de política. Mas, em frequentes ocasiões, discordo dele quando o tema é economia.

Eu espero que esse texto chegue a Reinaldo Azevedo, pois acredito que ele esta comentendo um equivoco grave num assunto econômico importante. Concordo com Azevedo quando ele deixa claro que o PT gostaria de implementar uma ditadura política no Brasil. Mas discordo quando ele acredita que o PT aprendeu a aceitar uma economia de mercado. O PT não aceita uma economia de mercado, ele apenas tolera o que no momento não tem forças para mudar.

Interessante que o argumento político de Azevedo é: o PT não aceita a democracia, ele apenas a usa para chegar a seus fins totalitários. Concordamos plenamente nesse ponto. Mas quando chega o momento de se fazer a mesma conclusão no campo econômico, Azevedo prefere optar pela opinião de que o PT não pretende acabar com a economia de mercado. Discordo dele. Tal como o PT usa a democracia para destruí-la, o PT usa também a economia de mercado para implementar uma ditadura econômica. É um equivoco grave acreditar que o PT tem apreço pela propriedade privada, e não há como existir economia de mercado sem propriedade privada.

Dada a força das instituições brasileiras, o PT ainda tem que tolerar a democracia e a economia de mercado. O Plano Nacional de Direitos Humanos III, aprovado por Dilma e com claro conhecimento de Lula, é uma afronta clara tanto a democracia quanto a economia de mercado. O PT trabalha para solapar a democracia em nosso país, e trabalha também para criar o caos econômico (seja minando a instituição da propriedade privada, seja matando o setor privado com cada vez mais burocracia e mais impostos).

Uma ditadura política, por pior do que seja, nunca concentra tantos poderes quanto uma ditadura econômica. Pior do que ficar sem votar é ficar economicamente dependente do Estado. Uma ditadura econômica, operacionalizada por uma economia planificada, é o sonho de todo ditador. Numa economia planificada criticar o governo é o mesmo que decretar sua morte por inanição.

No Brasil, a economia de mercado é mais sólida que nossa recente democracia. Esse é o único motivo pelo qual o PT ainda não conseguiu reduzí-la as cinzas. Mas é um erro acreditar que o PT faça isso por acreditar nas benesses do mercado. O PT espera apenas o momento para fazer com a economia de mercado o que esta prestes a fazer com a democracia.

16 comentários:

Gustavo S. Cortes disse...

Gostei, Adolfo.

O Reinaldo realmente acerta nas críticas políticas. Talvez por não perceber tão tecnicamente o estrago de políticas implementadas pelo PT na Economia (como as que você citou, impostos e burocracia) quanto nós, os economistas, o colunista acredite que o Partido não age contra a economia de mercado.

Um abraço,
Gustavo Cortes.

Daniel M. disse...

Adolfo, em linhas gerais concordo com suas observações. O sonho do PT é politizar todos os aspectos da vida do indivíduo. Isso passa, inexoravelmente, pelo controle e submissão das grandes empresas. Você comprou um eletrodoméstico? Agradeça os esforços da Marca X e ao governo. Você tem um carro novo? Fruto dos bons trabalhos da Marca Y e do governo. E assim vai... Não tenho dúvida que isso é do interesse tanto das corporações como do governo, seja ele o PT, PSDB ou PQP. A economia de livre mercado está se transformando numa miragem ainda mais distante.

Ginno disse...

Olha as amizades do Lula: Mahmoud Ahmadinejad, Fidel Castro e Hugo Chávez. Diga-me com quem tu andas e eu direi quem tu és.

Anônimo disse...

O PT só não efetuou as mesmas posturas dos seus amigos ai de cima porquê aqui no Brasil é diferente, já em relação a economia de mercado eles(políticos)que ditam
o mercado,pois nós consumidores apenas adquirimos bens e serviços para o prol deles,ou do seu governo.

Nayara

rafael p. disse...

Adolfo, não fica claro no seu texto qual evento te leva a crer que o PT é contra a propriedade privada. O que sustentaria essa afirmativa?

Anônimo disse...

Excelente suas observações, Adolfo.
É triste que muita gente "esclarecida" ainda não consegue ver isso que o PT faz (ou não quer).

Abs,
Gilberto

JOÃO MELO disse...

Adolfo, boa noite!

Também sou leitor do Reinaldão, MAS você está totalmente pertinente na sua observação.
SE "o PT tem apreço pela propriedade privada, e não há como existir economia de mercado sem propriedade privada", porque o governo é tão paternalista com o MST?? Por que a reintregração da posse de terra é tão difícil no Pará petista, por exemplo? Realmente, SE não fosse pela força da nossa ECONOMIA, a situação seria outra.
Por isso minha preocupação com uma política econômica futura que possa ser realizada diferente da atual.

Saudações acadêmicas e florestais!
João Melo,direto da selva!

Anônimo disse...

Adolfo,

Ler isso proposto pelo RA não é estranho. Do RA, um grande jornalista, não se pode cobrar tudo. Pior do que ler alguns deslizes do RA é não ver qualquer movimento da oposição de cobrança de esclarecimetos. Pior ainda, é ver a carga tributária aumentando todo dia e ninguém cobra qualquer coisa a respeito. Hoje, li atônito, que o PSDB de São Paulo desconvidou delegados do partido, do resto do Brsail, que discutiriam a eleição de 2010. No máximo, a oposição de comporta hoje em dia como um grupo de facções em luta, cada uma tentando detonar a outra. Pelo andar da carruagem, vai dar Dilma.

Nilo disse...

Ao Rafael P gostaria de lembrar de todo o apoio dado pelo PT ao MST! Não creio que seja preciso mais argumentos!!

Chutando a Lata disse...

Muito bom post. Eu só faria um reparo. Ter empresas estatais por si só não seria um problema. O grave é quando as temos comandadas por sindicalisas. Antes quem as comandavam eram os chamados tecnocratas que não tinham o zelo pela coisa pública.De qualquer forma, não gosto de empresas estatais para todos os lados,mesmo que sob uma administração louvável. No caso do Brasil o problema é grave. Porque se vamos para empresas privadas em setores antes estatizados, o que temos é a bagunça da regulação. Se vamos para o campo estatal, temos a bagunça de quem os dirige, promovendo sua riqueza. E temos essa bagunça exatamente porque a bagunça jurídica é grave. Não conseguimos botar na cadeia os corruptos e corruptores.

rafael p. disse...

Nilo,

reforma agrária não significa acabar com a propriedade privada, mas sim rever a distribuição da propriedade de terra de maneira a corrigir distorções e ilegalidades (como áreas de plantio de drogas, áreas improdutivas, etc).

é óbvio que os critérios utilizados para identificar as terras que serão desapropriadas é tomado por argumentos políticos. E é óbvio também que o MST tem tomado inúmeras iniciativas de invasão sem o devido respaldo legal.

MAS, tomar a reforma agrária como uma ação institucional do governo contra a propriedade privada é ingenuidade. É distorcer o propósito da reforma (que já anda para lá de distorcida, diga-se de passagem, por grileiros, MST, Fazendeiros, etc.).

Adolfo, mais um tema para um próximo post.

Augusto Freitas disse...

Nenhum partido brasileiro tem apreço pela economia de mercado.

José Carneiro da Cunha disse...

Rafael P, a própria postagem responde sua pergunda:



"É um equivoco grave acreditar que o PT tem apreço pela propriedade privada, e não há como existir economia de mercado sem propriedade privada."

"O Plano Nacional de Direitos Humanos III, aprovado por Dilma e com claro conhecimento de Lula, é uma afronta clara tanto a democracia quanto a economia de mercado."

Pq o PNDH III ataca o direito de propriedade no campo e na cidade.

abs

José Carneiro

Ginno disse...

Se eu comprar uma grande quantidade de terra com dinheiro licito e não quiser produzir nada nela? I daí? Comprei a terra, paguei com meu dinheiro faço dela o que eu quiser. Se você tem dois carros, deixa um na garagem e vai trabalhar com o outro. Significa que um ficou improdutivo, então o doe pro seu vizinho que não tem carro. Porque o governo quer dividir terra privada? Porque não dividir terra publica? A propósito, para que o governo quer terra?
Exemplo de desapreço pela propriedade privada.

Nilo disse...

Caro Rafael, sou extremamente a favor da reforma agrária, porém, sou contra a invasão de terras. O governo é o maior proprietário de terras do Brasil e acho que deveria começar a distribui-las! Não sou a favor de que uma pessoa que trabalhe e compre uma fazenda honestamente tenha suas terras invadidas por pilantras. Vide o caso da fazenda daCutrale que teve seus pés de laranja destrúidos por esses bandidos!!

rafael p. disse...

José Carneiro, concordamos que não há como existir economia de mercado sem propriedade privada. Minha pergunta para o Adolfo foi no sentido de esclarecer o que EXATAMENTE no PNDH leva a crer que ele ataca o direito de propriedade. Qual é a frase que diz isso?!


Gino, essa idéia de que voce pode fazer com o seu dinheiro o que voce entender foge um pouco à idéia de liberdade em sociedade. A discussão filosófica por detrás disso vai longe, mas há de fato um bom questionamento sobre a repartição de terras públicas (com exceção de áreas de fronteira, de importância estratégica, etc.)

Sobre esse ponto eu concordo com voce Nilo. Mas quanto ao caso da Cutrale, até onde eu tenho conhecimento aquela fazenda "da"
Cutrale era uma ocupação ilegal. O terreno não era da empresa, mas do Governo Federal. O que não torna a invasão do MST legal (ela continua sendo criminosa!). Mas é um fato que mostra um pouco que a Cutrale não é bem uma vítima inocente.

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