Os leitores de meu blog sabem que eu sempre me manifestei contra a ajuda dos governos a empresas ineficientes. Defendi arduamente que os governos deveriam deixar os bancos quebrarem. Sendo essa a maneira menos custosa de se evitar o prolongamento da crise.
Não contente em ajudar bancos, os governos passaram a ajudar também as empresas. Generosos pacotes de estímulo foram concedidos mundo a fora, sempre a custa do contribuinte, com o argumento de que deveríamos preservar empresas ineficientes. Por alguma lógica estranha, preservar incompetentes passou a ser uma política de governo para amenizar a crise.
Recentemente é a vez de governos de um país ajudarem outro país para evitar a “crise sistêmica”. O caso da vez é a Grécia. Países da União Européia, liderados por Alemanha e França, irão ajudar o governo grego. Pergunto: exatamente por que contribuintes alemães devem pagar pela irresponsabilidade de um governo estrangeiro? A Grécia, tal como Portugal, é o equivalente do Brasil no continente europeu. Mente na contabilidade pública, omite gastos, infla receitas, e faz todo tipo de malabarismo contábil para esconder o óbvio: a situação fiscal grega é muito ruim BEM ANTES da crise de 2008. Qual é a punição que a Grécia está recebendo? Nenhuma. Pelo contrário, ela está sendo beneficiada com um pacote de ajuda de outros países. O que está acontecendo na Grécia hoje irá ocorrer depois em Portugal, e assim por diante. Enquanto houver o papai Alemanha e a mamãe França para pagar a conta, a melhor política dos países pequenos é ser irresponsável do ponto de vista fiscal.
Interessante notar o argumento dos analistas da CBN. Segundo eles a “União Européia está salvando o Euro e não a Grécia”. Tal análise simplesmente carece de fundamentação econômica. Desde quando imprimir moeda valoriza a moeda? É justamente o contrário, ajudar a Grécia implica em transferir recursos para aquele país. Recursos esses que irão desfalcar os orçamentos nacionais, aumentando a dívida pública ou a oferta de moeda (euros). Esses movimentos apenas enfraquecem o euro.
Outro argumento, também presente na CBN, é que ajudar a Grécia evita uma crise sistêmica. Bom, se um país tão insignificante quanto a Grécia pode causar uma crise gigantesca no mundo todo, então creio que estamos todos perdidos. Deixar a Grécia quebrar, e seus cidadãos serem chamados a pagar a conta pelas más escolhas de seus governantes é a maneira mais simples, e menos custosa, de resolver o problema grego.
Para finalizar uma pergunta: os governos já se endividaram para salvar bancos, empresas, indivíduos e agora governos estrangeiros, o que vem depois? Será que é tão difícil notar que dinheiro não dá em árvore?
quarta-feira, 3 de março de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
13 comentários:
O próximo a quebrar será o "país" mais rico do mundo, a Califórnia, cuja economia tem tamanho equivalente à da França. Essa aí não é Grécia não. O estado está completamente falido. E nós aqui no resto dos EUA seremos "convidados" a pagar a conta.
Se este pensamento maravilhoso de ajudar os outros que estão em crise continuar. Acho que posso um dia pedir para que quitem todas as minhas dívidas, já que estou em crise, e isso pode afetar vários campos da economia. rsrsrs
Pra que se comportar se quando fizer bagunça papai passa a mão na cabeça e mamãe da um beijinho e um pirulito!!
Ótimo post, mas "enfraquessem" com dois esses (ss) é dose...
"Enfraquessem" é com "c", não com "ss".
Por que o governo não se pergunta se as empresas fariam o mesmo? Será que se o governo quebar as empresas vão salvá-lo?
Não sei se concordo com essa tese de deixar quebrar ou falir. Se um paciente precisar de ajuda em um leito de hospital, o médico deveria então deixá-lo morrer? As ajudas dadas a Grécia estão vinculadas a uma série de ajustes fiscais e tributários. Ninguém é bobo, principalmente a França e a Alemanha!
Ajustes esses que sabe Deus se serão cumpridos.
Se ninguém fosse bobo, estelionato era crime impossível.
Agora o curioso, é que todos os governos reclamam que não tem dinheiro para saúde, para educação, etc..., mas foi só os bancos terem problemas que do nada surgiram bilhões de dólares.
Olha a comparação do anônimo ‘paciente precisar de ajuda em um leito de hospital’, viajar pouco é bobagem. Semelhante a isso é: o filho entrar no cheque especial e estourar o seu cartão de crédito na certeza de que seu pai vai ajudar.
Muito me preocupa a situação portuguesa mas temos ainda a Espanha que também pode quebrar.
Em relação a deixar os bancos quebrarem é muito relativo, pois eles apenas repassa divisas de poupadores, então poderia reservar parte dos lucros dos bancos,que são altissimos, para previnir contra tal acontecimento(...)Porém, governos salvar grandes empresas como a GM é a mesma coisa que dizer que com seu dinheiro vc irá comprar uma dívida pois foi isso que o governo norte-americano fez. Assim como na Grécia e na GM o governo deveria punir e intervir para melhores resultados e para evitar devidas crises, pensando em curto prazo poderia tudo isso causar um caos, mas no futuro poderia servi de exemplo para as demais não causarem o mesmo erro.
O governo intervir? Esse foi justamente o motivo da crise. E tal reserva dos bancos ja existe.
Ginno
Mas a questão de dar incentivos aos bancos e empresas não levaram o país a quebrar e deixar o país em crise? O governo está ai para ajudar o bancos e empresas.
Postar um comentário