quarta-feira, 3 de março de 2010

A Vez dos Países

Os leitores de meu blog sabem que eu sempre me manifestei contra a ajuda dos governos a empresas ineficientes. Defendi arduamente que os governos deveriam deixar os bancos quebrarem. Sendo essa a maneira menos custosa de se evitar o prolongamento da crise.

Não contente em ajudar bancos, os governos passaram a ajudar também as empresas. Generosos pacotes de estímulo foram concedidos mundo a fora, sempre a custa do contribuinte, com o argumento de que deveríamos preservar empresas ineficientes. Por alguma lógica estranha, preservar incompetentes passou a ser uma política de governo para amenizar a crise.

Recentemente é a vez de governos de um país ajudarem outro país para evitar a “crise sistêmica”. O caso da vez é a Grécia. Países da União Européia, liderados por Alemanha e França, irão ajudar o governo grego. Pergunto: exatamente por que contribuintes alemães devem pagar pela irresponsabilidade de um governo estrangeiro? A Grécia, tal como Portugal, é o equivalente do Brasil no continente europeu. Mente na contabilidade pública, omite gastos, infla receitas, e faz todo tipo de malabarismo contábil para esconder o óbvio: a situação fiscal grega é muito ruim BEM ANTES da crise de 2008. Qual é a punição que a Grécia está recebendo? Nenhuma. Pelo contrário, ela está sendo beneficiada com um pacote de ajuda de outros países. O que está acontecendo na Grécia hoje irá ocorrer depois em Portugal, e assim por diante. Enquanto houver o papai Alemanha e a mamãe França para pagar a conta, a melhor política dos países pequenos é ser irresponsável do ponto de vista fiscal.

Interessante notar o argumento dos analistas da CBN. Segundo eles a “União Européia está salvando o Euro e não a Grécia”. Tal análise simplesmente carece de fundamentação econômica. Desde quando imprimir moeda valoriza a moeda? É justamente o contrário, ajudar a Grécia implica em transferir recursos para aquele país. Recursos esses que irão desfalcar os orçamentos nacionais, aumentando a dívida pública ou a oferta de moeda (euros). Esses movimentos apenas enfraquecem o euro.

Outro argumento, também presente na CBN, é que ajudar a Grécia evita uma crise sistêmica. Bom, se um país tão insignificante quanto a Grécia pode causar uma crise gigantesca no mundo todo, então creio que estamos todos perdidos. Deixar a Grécia quebrar, e seus cidadãos serem chamados a pagar a conta pelas más escolhas de seus governantes é a maneira mais simples, e menos custosa, de resolver o problema grego.

Para finalizar uma pergunta: os governos já se endividaram para salvar bancos, empresas, indivíduos e agora governos estrangeiros, o que vem depois? Será que é tão difícil notar que dinheiro não dá em árvore?

13 comentários:

Pedro H. Albuquerque disse...

O próximo a quebrar será o "país" mais rico do mundo, a Califórnia, cuja economia tem tamanho equivalente à da França. Essa aí não é Grécia não. O estado está completamente falido. E nós aqui no resto dos EUA seremos "convidados" a pagar a conta.

Aline Amaral disse...

Se este pensamento maravilhoso de ajudar os outros que estão em crise continuar. Acho que posso um dia pedir para que quitem todas as minhas dívidas, já que estou em crise, e isso pode afetar vários campos da economia. rsrsrs

Nilo disse...

Pra que se comportar se quando fizer bagunça papai passa a mão na cabeça e mamãe da um beijinho e um pirulito!!

Anônimo disse...

Ótimo post, mas "enfraquessem" com dois esses (ss) é dose...

Augusto Freitas disse...

"Enfraquessem" é com "c", não com "ss".

Por que o governo não se pergunta se as empresas fariam o mesmo? Será que se o governo quebar as empresas vão salvá-lo?

Anônimo disse...

Não sei se concordo com essa tese de deixar quebrar ou falir. Se um paciente precisar de ajuda em um leito de hospital, o médico deveria então deixá-lo morrer? As ajudas dadas a Grécia estão vinculadas a uma série de ajustes fiscais e tributários. Ninguém é bobo, principalmente a França e a Alemanha!

salvador disse...

Ajustes esses que sabe Deus se serão cumpridos.

Se ninguém fosse bobo, estelionato era crime impossível.

Anônimo disse...

Agora o curioso, é que todos os governos reclamam que não tem dinheiro para saúde, para educação, etc..., mas foi só os bancos terem problemas que do nada surgiram bilhões de dólares.

Ginno disse...

Olha a comparação do anônimo ‘paciente precisar de ajuda em um leito de hospital’, viajar pouco é bobagem. Semelhante a isso é: o filho entrar no cheque especial e estourar o seu cartão de crédito na certeza de que seu pai vai ajudar.

Lura do Grilo disse...

Muito me preocupa a situação portuguesa mas temos ainda a Espanha que também pode quebrar.

Zé luiz 20 disse...

Em relação a deixar os bancos quebrarem é muito relativo, pois eles apenas repassa divisas de poupadores, então poderia reservar parte dos lucros dos bancos,que são altissimos, para previnir contra tal acontecimento(...)Porém, governos salvar grandes empresas como a GM é a mesma coisa que dizer que com seu dinheiro vc irá comprar uma dívida pois foi isso que o governo norte-americano fez. Assim como na Grécia e na GM o governo deveria punir e intervir para melhores resultados e para evitar devidas crises, pensando em curto prazo poderia tudo isso causar um caos, mas no futuro poderia servi de exemplo para as demais não causarem o mesmo erro.

Anônimo disse...

O governo intervir? Esse foi justamente o motivo da crise. E tal reserva dos bancos ja existe.

Ginno

João C. disse...

Mas a questão de dar incentivos aos bancos e empresas não levaram o país a quebrar e deixar o país em crise? O governo está ai para ajudar o bancos e empresas.

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